sábado, 25 de junho de 2011

O jardim das delícias grego! E também o português...

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[Os quatro arbustos plantados à entrada do hospital Evagelismos, em Atenas]


A Grécia levou os "direitos adquiridos" até à demência

Nas TVs portuguesas, a situação na Grécia é contada através da seguinte narrativa:   eis um pobre povo periférico que está a sofrer as agruras de uma crise internacional, eis um povo do sul da Europa a sofrer às mãos da pérfida Merkel.   Ora, já é tempo de sair desta superficialidade.   Já é tempo de perceber que os gregos têm muitas culpas no cartório.   Já é tempo de escavar a sério na situação grega.   E, assim que começamos essa investigação, a conclusão é invariavelmente a mesma:   os gregos não foram sérios, não estão a ser sérios.   Os gregos levaram a lógica dos "direitos adquiridos" até à demência, até à falta de vergonha.

Os exemplos desta falta de seriedade são imensos.   Em 1930, um lago na Grécia secou, mas, o Estado Social grego acha que tem de existir um Instituto para a Protecção do Lago Kopais - o nome do tal lago que secou em 1930, mas que em 2011 ainda tem dezenas de funcionários dedicados à sua conservação.   Calculo que estes funcionários devem estar a rua a gritar "abaixo o fascismo".

Mas há mais.   Sabiam que na Grécia as filhas solteiras dos funcionários públicos têm direito a uma pensão vitalícia após a morte do mãe/pai-funcionário-público?   Não é genial?   Na Grécia, os direitos adquiridos adquirem-se por, vá, osmose familiar.   Na Grécia, X e Y recebem 1000 euros mensais - para toda a vida - só pelo facto de serem filhas de funcionários públicos falecidos.   Há 40 mil mulheres neste registo.   E, depois de um ano de caos, o governo grego ainda não acabou com isto completamente.   Calculo que estas meninas devem ir para a rua fazer manifs.   Coitadinhas.

Querem mais?   Num hospital público, existe um jardim com quatro (4) arbustos.   Ora, para cuidar desses arbustos o hospital contratou quarenta e cinco (45) jardineiros.   Num acto de gestão mui social (para com o fornecedor), os hospitais gregos compram pace-makers quatrocentas vezes (400) mais caros do que aqueles que são adquiridos no SNS britânico.   E, depois, claro, existem seiscentas (600) profissões que podem pedir a reforma aos 50 (mulheres) e aos 55 (homens).   Porquê?   Porque são profissões de alto desgaste.   Dentro deste rol de malta que trabalha como mineiros, encontramos cabeleireiras e apresentadores de TV.   Sim, faz todo o sentido:   cortar cabelo é o mesmo que estar nas minas da Panasqueira.

(Henrique Raposo, In Expresso - 21/6/2011)


E nós por cá, e à semelhança dos gregos, ainda temos os 14.000 jardins portugueses - os 14.000 organismos do Estado - dos quais apenas pouco mais de 100 são úteis e têm razão de existir, enquanto todo o resto não passa de "jardins" onde são plantadas as clientelas políticas do PS/PSD, e que cobrem de "belos prados de gordas vacas" todo o País de norte a sul, desde o governo central às suas filiais autárquicas.  
Todos eles bem recheados de "mamões" que nos últimos 20 anos nada mais têm feito do que mamar nas tetas da política e nada de útil têm produzido, e cuja única preocupação é correr desvairados para os comícios do partido e para as urnas das eleições sempre que pressentem em perigo a permanência do "querido líder" no lugar que lhes fornece a tão desejada mama!


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2 comentários:

Daniel Simões disse...

Bom dia.
Adicionei o seu blogue à minha escola de blogues.
Dê uma passada lá: será bem-vindo!

Karocha disse...

Milan

Também já adicionei o querido amigo!
Vá lá ver :-)