sábado, 15 de julho de 2017

O PERIGO DOS PSICOPATAS DOMÉSTICOS NAS NOSSAS RELAÇÕES




Os psicopatas integrados não sentem empatia ou compaixão.
São mentirosos e manipuladores, até nas relações amorosas.
Os psicopatas integrados parecem pessoas normais até o destruirem. 
(Iñaki Piñuel).
nós e

Iñaki Piñuel é doutorado em Psicologia, é psicoterapeuta e investigador especializado na
avaliação e no tratamento das vítimas de abuso psicológico e de psicopatas integrados.



Nem todos os psicopatas têm um desejo mórbido de tirar vidas, embora haja aqueles que conseguem destruí-las apenas com recurso à violência psicológica e emocional.   Iñaki Piñuel chama-lhes “psicopatas integrados” ou “psicopatas domésticos”.  O psicoterapeuta, professor universitário e investigador espanhol é o autor do novo livro   “Amor Zero - Como sobreviver a uma relação com um psicopata emocional” (editora Esfera dos Livros).

Piñuel, que passou os últimos 25 anos a avaliar e a tratar casos de vítimas de psicopatas integrados, quer alertar as pessoas para o facto de estas personagens narcisistas, mentirosas e manipuladoras estarem entre nós:  segundo o especialista, podem ser os nossos vizinhos, amigos e até os nossos companheiros.  Através de uma linguagem assertiva e um tanto ou quanto alarmista, o  conferencista explica que “o psicopata integrado não tem sentimentos ou remorsos, é frio e eficaz quando a depredar uma vítima, além de usar a sedução para se aproximar das pessoas que lhe interessam”.

O assunto é, para Iñaki Piñuel, muito sério, tão sério que o especialista defende que a única solução para as vítimas destes predadores é o afastamento total, uma vez que, não sendo doentes mentais, os psicopatas não têm cura: “A única opção é sair.   Não se trata de uma doença clínica e o problema não tem tratamento;   a terapia funciona ao contrário, com o psicopata a aprender muitas coisas novas para manipular mais e melhor as suas vítimas.  Eles (ou elas), os psicopatas, não têm moral, não têm consciência.  E não têm a capacidade de sentir compaixão pelas suas vítimas.”

- Chama-lhes psicopatas integrados ou domésticos.  Os psicopatas não estão só nos filmes mas também entre nós.   Somos ignorantes quanto à sua existência?

“As pessoas normais não sabem que a maior parte dos psicopatas não são aqueles que estão na prisão, não são os assassinos, são antes os psicopatas a quem chamamos de normalizados ou integrados. O psicopata integrado é uma pessoa integrada na sociedade, que faz uma vida aparentemente normal, à excepção de que não tem emoções, não tem sentimentos de culpa e, portanto, é muito frio e eficaz quando se propõe a depredar uma vítima.”  

- Escreve que são parasitas progressivos.  Em que sentido?

“Progressivos porque a sua forma de entrar numa relação é a pouco e pouco, sem nunca mostrar a sua verdadeira natureza.  O problema é que a vítima apaixona-se, fica seduzida - porque é isso o que estes psicopatas fazem, eles seduzem.  Na segunda fase, que é a fase do desprezo, a pessoa que vive numa relação com um psicopata fica completamente destruída.  O problema é que as pessoas não têm informação específica e desconhecem a existência deste tipo de personalidade.  Não têm informação que explique como uma pessoa pode ficar destruída sem se dar conta por causa de uma pessoa encantadora, que não precisa de a maltratar fisicamente porque fá-lo psicologicamente.  Isso pode gerar um quadro psicológico de stress pós-traumático, são os quadros mais habituais.”

- Quais são as principais características de um psicopata?

“Ausência de emoções reais, falta de empatia, ausência de medo e de ansiedade, maior probabilidade de trair os seus parceiros.  Os psicopatas são, sobretudo, pessoas que vivem dos outros, são parasitas.  Sabem muito bem como posicionarem-se enquanto objecto de desejo de toda a gente.  Têm a capacidade de manipular os outros e, se têm um problema, seduzem ou compram as pessoas que necessitam de ter a seu lado.”

- É fácil identificar um psicopata integrado?

“Não, não é fácil porque um psicopata não parece um doente mental (porque não o é), ao invés parece uma pessoa normal e encantadora.  Se não conhecermos a existência deste problema teremos muita probabilidade de nos convertermos na sua vítima.”

- Todas as pessoas com um narcisismo extremo são potenciais psicopatas?

“Não, mas todos os psicopatas são narcisistas extremos ou malignos.  Uma pessoa com um grande nível de narcisismo não é um psicopata, mas é certo que todos os psicopatas são narcisistas extremos.”
“Uma das coisas que têm em comum os psicopatas criminosos detidos e estes psicopatas domésticos integrados na sociedade é o facto de ambos os tipos serem megalómanos, possuírem um profundo egocentrismo e uma predisposição para endeusar-se.  Em suma, um narcisismo extremo e maligno.” (pág. 25)

- O psicopata tem noção do que é?

“Nem sempre sabem que são psicopatas, mas sabem que são diferentes dos outros.  Sabem que não sentem medo, empatia ou compaixão e, portanto, sabem que têm grandes capacidades de fazer com que os outros façam o que eles querem.  É uma arte, eles sabem que são capazes de manipular os outros mas nem sempre sabem que a isso se chama “psicopata”.

- Sendo ele egoísta por natureza, o psicopata gosta de si próprio?

“Sim.  Ele tem um narcisismo extremo, precisa de adoração e de seduzir as pessoas, de manipular os outros.  Os psicopatas vivem do trabalho dos outros, do dinheiro e da energia dos outros.  Consomem a energia das suas vítimas, esvaziam-nas.”

- O psicopata manipula o outro porque tem baixa autoestima?

“Não.  O psicopata tem uma ideia inflacionada de si mesmo, uma grande consideração por si mesmo e um enorme ego que não é real.   Precisam constantemente da adoração dos outros.”

- Um psicopata pode amar?

“Não.  Ele não ama ninguém, nem os parceiros nem os filhos.  Manipulam-nos e seduzem-nos, mas não os amam.  Não podem amar porque amar é dar, e eles querem sempre receber, à procura de conseguir obter mais dinheiro, adoração ou sexo.   São parasitas puros.  É preciso dizer às vítimas que ali nunca houve amor.”

- As vítimas são sobretudo pessoas com valores e consciência moral.  Porquê?

“São pessoas com valores morais, são boas pessoas.  Para os psicopatas as boas pessoas estão sempre dispostas a perdoar, a começar de novo, a ver o outro lado das piores atrocidades.  Isto ajuda muito um psicopata.”

- A baixa autoestima é um requisito para ser-se vítima de um psicopata?

“Muitas vezes as vítimas têm baixa auto-estima, mas nem sempre é assim.  Há pessoas completamente normais, com uma auto-estima normal, que ficam destruídas devido a uma relação com um psicopata - perdem a auto-estima e o respeito por si mesmas.  O que acontece é que os psicopatas aproveitam-se da vulnerabilidade humana, seja essa uma vulnerabilidade social ou um momento mau na vida de uma pessoa.”

- No final, as vítimas ficam convencidas de que a culpa é sua?

“Claro.  Esse é o problema.  Os psicopatas utilizam uma estratégia que se chama “jogo da piedade” quando se posicionam como vítimas das suas vítimas.  Isto significa que são perfeitamente capazes de simular que são as vítimas, pelo que as vítimas [reais] sentem-se culpadas por serem a causa da ruptura.  As vítimas sentem-se culpadas por causa do jogo de manipulação, não por serem estúpidas.”

- Entre a vítima e um psicopata estabelece-se um vínculo traumático viciante.  Porquê é que é tão difícil desatar estes laços emocionais?

“O maltrato é aditivo porque gera um mecanismo de repetição.  A vítima que é maltratada interioriza os maus-tratos e sente-se culpada por isso.  A vítima sente-se responsável pelo problema, acredita que não é boa/bom companheira/o, e é absolutamente ignorante do processo de manipulação do psicopata.  Quanto mais tempo durar a relação, menos provável é a capacidade de a vítima cortar com o psicopata.  É, por isso, um vínculo aditivo.  A vítima esquece-se das coisas más e apenas se recorda da fase do namoro e da sedução.  Todo o contacto com um psicopata gera mais sofrimento, mais danos para a vítima e, sobretudo, mais oportunidades para o psicopata.”

- Quais as técnicas de manipulação mais usuais de um psicopata?

“A manipulação através da sedução e o bombardeamento amoroso.  Numa primeira fase bombardeiam as vítimas de amor.  Depois usam a culpabilização.  A terceira técnica é a triangulação:  falam de terceiras ou quartas pessoas - que alegadamente se interessam pelo psicopata - de modo a criar competição com a vítima.  Em suma, todo o tipo de estratégias que procurem manipular e criar nas vítimas um mecanismo de adição.”

- Como é que se sai deste buraco negro?

“Primeiro é preciso compreender que este não é um problema de casal, não é um divórcio, estamos perante uma pessoa que é um predador humano, um lobo com pele de cordeiro.  É muito importante que a vítima compreenda isso.  E é muito importante reconhecer os danos psicológicos nas vítimas - são danos do tipo stress pós-traumático, que precisam de ser tratados com técnicas específicas.  É um problema muito especial, não é um problema de casal nem de maus-tratos físicos, até porque é rara a vez que os psicopatas maltratam fisicamente as suas vítimas (não precisam de o fazer).  A vítima precisa de saber que não tem culpa - e não digo isto para animá-la, digo porque é verdade.”

- A forma como escreveu o livro e fala sobre assunto parece um pouco agressiva…

Este é um problema muito grave.  Uma das piores situações que o ser humano pode atravessar na sua vida é estar casado ou junto com um/uma psicopata.  O problema é grave por ser tão desconhecido.  As pessoas não identificam o problema, pensam apenas que estão perante um mal entendido, um problema de comunicação ou uma pessoa difícil.  Não! - estamos perante um psicopata e o psicopata é alguém que não tem cura, não há esperança para ele.  A única opção é sair.  Não se trata de uma doença clínica e este problema não tem tratamento:  a terapia funciona ao contrário, com o psicopata a aprender muitas coisas novas para manipular mais e melhor a suas vítimas.  Eles/elas, os psicopatas, não têm moral, não têm consciência. E não têm a capacidade de sentir compaixão pelas suas vítimas.”





domingo, 30 de abril de 2017

Desumano é equivaler o cão ao homem!




Ao equivaler o cão ao homem, o animalismo dessacraliza a vida humana, dessacraliza os direitos humanos, atira a vida humana para o estado da natureza. Os exemplos desta desumanidade já são às dezenas.


Os cães não são coisas”, “quem não gosta de animais não é boa pessoa”, “eles (os cães) vêem sempre quem é boa ou má pessoa”, “gosto tanto dos meus cães como dos meus filhos”, “ter um cão ensinou-me a ser pai/mãe”, “os animais têm a mesma dignidade dos homens” e, claro, “os animais são mais humanos do que os próprios homens”.   Estas e outras frases já fazem parte da poluição sonora que nos apascenta.   O que até é compreensível.   

Este animalismo pagão é o reflexo de uma sociedade de gente sozinha, triste e com enorme doses de ressentimento por tratar.
O animalista é quase sempre uma pessoa que respira raiva contra outras pessoas, contra o ex-marido, contra a ex-mulher, contra a nora, contra a humanidade em geral, esse vírus que consome a mãe natureza.   O alegado amor pelos animais é só uma forma de sublimar esse ódio galopante.  
É compreensível.

Somos uma sociedade de divórcios, de relações instáveis, de filhos únicos, de idosos solitários que passam meses sem ver os filhos ou netos.   Não há primos ou irmãos, não há tios ou tias, não há netos ou avós, não há maridos e mulheres.   Neste deserto emocional, é evidente que muitas pessoas transferem as emoções para os animais;   cães e gatos funcionam como espelhos passivos onde são projectados afectos e ressentimentos.   “Os cães são fiéis, ao contrário das pessoas”.   Tudo isto é compreensível, sem dúvida, mas há limites.   

E este animalismo já passou há muito os limites morais de uma sociedade civilizada.

Quem é que recebe a maior onda de indignação?   O toureiro que fere um touro ou o dono do rottweiller ou pittbul que mata um bebé?     A resposta é o primeiro.   E o poço é ainda mais fundo.   O cão recebe uma campanha de compreensão na internet.   As pessoas lembram-se do nome do cão assassino e não do nome do bebé assassinado. 
A humanização do animal (o abate é visto como um “assassínio”) causa assim a desumanização do bebé, da criança, do ser humano.

O espantoso é que esta tribo animalista equipara moralmente uma pessoa a um cão com uma vaidade moral que faz lembrar os marxistas dos anos 50.   Julgam-se superiores, acham que são a vanguarda moral, julgam-se super-humanos.   E, tal como as ideologias do passado, esta hubris esconde a sua intrínseca desumanidade.

Ao equivaler o cão ao homem, o animalismo dessacraliza a vida humana, dessacraliza os direitos humanos, atira a vida humana para o estado da natureza. Os exemplos desta desumanidade já são às dezenas. O parlamento que criminaliza o abandono de animais é o mesmo parlamento que recusa criminalizar o abandono de idosos.   O PAN recusa barrigas de aluguer no gado suíno mas apoia as barrigas de aluguer em pessoas.   Começa a ganhar força a ideia de que um animal “consciente” tem mais valor do que um ser humano inconsciente.   Exagero?   Lembrem-se das declarações do líder do PAN:   “há mais características humanas num chimpanzé ou num cão do que num ser humano em coma”. Portanto, se seguíssemos esta lógica, teríamos de dizer que o abate de um cão é mais indecente do que a eutanásia de um homem em coma.   Se repararem bem, já lá estamos, já vivemos nesta lógica: o ar do tempo defende a eutanásia enquanto grita histericamente contra o “assassínio” de um cão.

Rir ou chorar?   A sociedade que se cala ante o aborto, ante a eutanásia, ante a eugenia cada vez mais aberta, ante a nanotecnologia que cria um futuro pós-humano, ante as barrigas de aluguer que transformam bebés em bens que se podem comprar, enfim, esta sociedade que transforma o humano numa coisa é a mesmíssima sociedade que grita histérica “os animais não são coisas”.


(Henrique Raposo, Renascença - 28 abril 2017)

terça-feira, 30 de agosto de 2016

VERGONHA NACIONAL - "Finalmente desativada a “débil, pouco atractiva e insustentável” Linha do Tua" !!!






Teremos vergonha de dizer às gerações futuras de que deixámos isto acontecer.  Um dia, teremos muita vergonha mesmo:
  

Supostamente a exploração da Linha é “débil e pouco atrativa” para o Estado.   Segundo a resolução do Conselho de Ministros, publicada esta terça-feira em Diário da República, há “insustentabilidade económica, financeira e ambiental que urge corrigir”. 

Já destruir um dos vales mais bonitos do país, inundar o troço de linha mais espectacular da ferrovia nacional, cortar mais de 14.000 sobreiros e azinheiras, permitir que se enterrem mais de 370 milhões de euros numa obra que vai produzir 0,5% de electricidade é totalmente racional, bom para o ambiente e para a economia.

(Pelos Rios Livres - sem mais barragens)


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Que complicadas que elas são! Nem mesmo com livrinho de instruções…





O orgasmo feminino pode já ter sido fundamental para a reprodução humana  
- ( ...o que eles  ainda andam  a investigar!!!...)

Os picos hormonais registados no orgasmo feminino são, em algumas espécies, fulcrais para a ovulação. Nos seres humanos já não seria preciso, devido à ovulação espontânea, mas é um "bónus fantástico".   -   Se é!!!   -  quer dizer…  acho que sim.) 

O orgasmo feminino sempre foi muito estudado pela ciência porque, ao contrário dos homens, que necessitam do orgasmo para libertar o esperma, o orgasmo feminino não é necessário para a concepção. 

Agora os resultados de um novo estudo mostram que este fenómeno pode, afinal, ter origem numa necessidade evolutiva. Um estudo, conduzido pelos investigadores Mihaela Pavličev, do hospital infantil de Cincinnati, e Günter Wagner, da Universidade de Yale, revela que os picos hormonais associados ao orgasmo feminino — que actualmente apenas resultam em prazer sexual — foram, em tempos, fundamentais para a reprodução. 

Para compreender a origem do fenómeno, é preciso recuar mais de 75 milhões de anos.   -  75 milhões de anos?!... - mesmo poderosas as mulheres…).    A reprodução dos mamíferos dependia, na altura, de um fenómeno chamado “ovulação induzida pelo macho”. Os picos hormonais registados nas fêmeas durante o sexo eram responsáveis pela ovulação. Esta característica ainda existe, actualmente, em mamíferos como gatos ou coelhos. 

Há cerca de 75 milhões de anos, uma mudança evolutiva num ancestral comum a primatas e roedores fez alterar este paradigma, com o aparecimento da ovulação espontânea. Actualmente, os seres humanos possuem esta característica: - as mulheres não precisam dos picos hormonais registados no orgasmo para poderem ovular, mas continuam a experimentar os picos de euforia a que chamamos “orgasmo”.   -   ( Que bom para elas!  - Sortudas!...) 

Estas conclusões conduzem à teoria de que a origem do orgasmo feminino é este mecanismo para ovular, que, entretanto, se tornou redundante.  Os investigadores não excluem, porém, que, “depois de ter perdido a sua função na reprodução”, o orgasmo tenha adquirido outras funções, ainda por descobrir.   -   Ainda há mais para descobrir?...    irra, que a mulher é mesmo complicada…)

(In OBERVADOR, 01/08/2016)

Meg Ryan a provar que os homens não conseguem distinguir um orgasmo verdadeiro de um fingido

quarta-feira, 29 de junho de 2016

REINO UNIDO - Verdades e mentiras sobre o Brexit




A saída tornou-se inevitável depois do referendo?

Haverá assim tantas pessoas arrependidas de terem votado "Sair"? 

O Reino Unido tem (mesmo) de sair já?

1 - O Brexit é inevitável depois do resultado do referendo?

Ouviu Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, dirigir-se ao eurodeputado Nigel Farage (um dos rostos do Sair) e dizer que “É a última vez que aplaudem aqui“? A julgar por esta afirmação de Juncker, a resposta parece ser clara: sim, não há volta a dar, o Reino Unido sairá da União Europeia.

Contudo, a realidade indica que este poderá ser apenas o início de um longo processo e não é garantido que o Reino Unido acabe, mesmo, por sair. Recorde-se que o referendo foi convocado como uma consulta não vinculativa. Tratou-se, apenas, de uma votação que tem um objetivo consultivo, pelo que, em teoria, poderia ser simplesmente ignorado pelo governo e pelo parlamento.

Mas não é fácil ignorar que cerca de 17,5 milhões de britânicos tenham votado pela saída da União Europeia. Houve muitos apelos a que houvesse um segundo referendo mas esse cenário parece, neste momento, pouco provável.

É perigosa a ideia de que se pode fazer vários referendos até que se obtenha um dado resultado. Ainda assim, é teoricamente possível que haja um segundo referendo — foi isso que aconteceu na Dinamarca (o primeiro rejeitou o Tratado de Maastricht) e, também, na Irlanda (que, à primeira, rejeitou o Tratado de Lisboa). A situação é um pouco diferente aqui e não parece que este seja o cenário mais provável aos olhos dos especialistas.

Ainda assim, o Secretário de Estado da Saúde, Jeremy Hunt, defendeu esta terça-feira que deve partir-se para uma renegociação com a Comissão Europeia e, só depois de ter o acordo concreto em cima da mesa, o povo britânico deveria ser consultado. De qualquer forma, o Parlamento do Reino Unido é soberano.

Outro cenário que pode levar a que o país não saia da União Europeia é o de eleições antecipadas. Alterações recentes na legislação britânica tornam mais difícil haver uma dissolução do Parlamento. É por isso que o cenário visto como mais provável é que David Cameron seja substituído por outra pessoa do Partido Conservador, que tem maioria no Parlamento.

O que alguns analistas já admitiram é que possa não ser fácil encontrar um sucessor minimamente consensual. E se houver uma moção de censura (não-confiança) que seja chumbada, isso poderá ser algo que desencadeie eleições antecipadas no Reino Unido. E, aí, a votação poderia acabar por ser vista como um segundo referendo de facto, dependendo de como as forças políticas — nomeadamente o Partido Trabalhista — se movimentassem até lá.
Alguém que vencesse as eleições com uma plataforma claramente a favor da permanência poderia fazer com que este referendo acabasse por não resultar no Brexit. Ainda assim, e apesar de todos estes cenários especulativos, a maior parte dos especialistas continua a considerar a saída o cenário mais provável.

Praticamente certo 

Parecem ser elevadas as probabilidades de que o referendo britânico acabe mesmo por resultar na saída do Reino Unido da União Europeia. Essa é a opinião de vários analistas. Mas este será um processo longo e não pode excluir-se que exista um segundo referendo ou eleições antecipadas que coloquem um pouco de areia na engrenagem.

2 - Há assim tanta gente arrependida de ter votado Sair?

A imprensa britânica (e internacional) publicou várias notícias nos dias posteriores ao referendo a relatar a existência de “alguma gente arrependida”. Isto é, pessoas que tinham votado no Sair poderiam estar a repensar a sua decisão — até lhe chamaram o Bregret, numa alusão ao regret que esta gente estaria a sentir. Mas não se quantifica este fenómeno. De quantas pessoas, na realidade, poderemos estar a falar?

Não há muito a que nos possamos agarrar para responder a esta questão. Estes casos existirão, e houve gente a falar de viva voz na televisão britânica neste sentido. Mas é difícil dizer exatamente quantas pessoas poderiam votar de forma diferente se lhes fosse dada essa oportunidade. Isto apesar de, como a reportagem do Observador em Londres pôde comprovar, haver muita gente — incluindo apoiantes do Sair — que achava que o Sair ia perder, sobretudo depois do assassinato da deputada trabalhista Jo Cox.

“Estou chocado por termos votado Sair. Não sabia o que ia acontecer. Não julguei que o meu voto fosse ter grande importância porque achava que íamos ficar [o Ficar ia vencer]”, disse um eleitor à BBC.

Outro caso foi o de Ryan Williams, de 19 anos, que disse ao Metro que se sentia “horrível” por ter votado, sobretudo depois de ver a desvalorização da libra. “Achei que a mudança seria divertida, mas agora a libra está a cair e estou arrependido. Hesitei um pouco quando estava na cabine de voto, mas como o meu amigo votou Ficar eu achei que, desta forma, os nossos votos iriam anular-se um ao outro”.

Estes poderão ter sido casos episódicos, contudo. Uma sondagem feita pela ComRes para o Sunday Mirror indicou que, numa amostra depessoas que votaram Sair, 92% destes mostraram-se “satisfeitos” com o resultado. E 74% dos votantes no Sair dizem que este resultado deve ser respeitado mesmo que a União Europeia ofereça mais concessões ao Reino Unido.

Por outro lado, uma outra sondagem para o Mail on Sunday indicou que 7% das pessoas que votaram no Sair, o que equivaleria a mais de um milhão de pessoas, já se tinham arrependido da decisão.

Inconclusivo 

A imprensa britânica tem estado recheada de casos concretos de pessoas que votaram pelo Sair, mas pode ser muito errado assumir que este seja um fenómeno generalizado. As sondagens que foram feitas sobre o tema não são muito conclusivas — e, mesmo que fossem, depois dos resultados recentes (eleições, referendo etc.) começa a tornar-se difícil confiar demasiado em sondagens no Reino Unido.

3 - Os defensores do Brexit estão a voltar atrás nas suas promessas?

A campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia fundou-se em ideias como o controlo da imigração e a entrega de mais recursos para o Serviço Nacional de Saúde (NHS). Contudo, nos últimos dias os defensores da saída têm tido declarações que colocam em causa a validade de algumas promessas.

Um dos casos mais badalados nos últimos dias foi o de Danniel Hannah, um conservador pelo Sair que disse que a livre circulação de pessoas poderá não terminar com o Brexit. “Com franqueza, se as pessoas que nos estão a ver pensam que votaram e que agora haverá zero imigração vinda da União Europeia, vão ficar dececionadas”, afirmou o responsável, num programa de televisão. O antigo jornalista viria a defender-se no Twitter, dizendo que apenas defendeu, sempre, o controlo da imigração — nunca advogou, diz ele, um corte abrupto da imigração.

Outra declaração polémica, logo na manhã após o referendo, foi de Nigel Farage. Recorde-se que Farage não pertencia ao movimento legítimo do VoteLeave, mas fazia campanha pela saída através do seu partido — o UKIP (partido independentista britânico). Farage afirmou que foi “um erro” prometer que os mais de 350 milhões de libras enviados pelo Reino Unido para a União Europeia passariam a ser gastos no Serviço Nacional de Saúde. O VoteLeave escreveu “350 milhões para o NHS” num autocarro de campanha.

Praticamente certo

Decorreram poucos dias após o referendo e será necessário dar tempo para que os defensores do Sair expliquem exatamente o plano que têm para o Reino Unido fora da União Europeia, agora que venceram o referendo. Mas algumas declarações por parte de figuras importantes do Sair já indicam alguns recuos táticos, deixando claro que alguns dos argumentos usados na campanha poderão ter sido “esticados”.

4 - A reação dos mercados está a ser tão má quanto o temido?

As duas primeiras sessões bolsistas após o referendo — sexta e segunda-feira — vão ficar para a História dos mercados financeiros, pelos piores motivos. As ações europeias derraparam quase 6% e alguns cálculos indicam que os mercados financeiros globais viram evaporar-se dois biliões de dólares em investimentos. A libra derrapou mais de 11% nesses dois dias, antes de recuperar ligeiramente nesta terça-feira.

A primeira reação foi intensa, sobretudo porque nos dias antes do referendo havia a sensação de que o Ficar iria vencer e as sondagens encomendadas pelos bancos de investimento — só divulgadas depois das 22h de quinta-feira — apontavam para a permanência. Como o resultado acabou por ser diferente, os mercados foram rápidos a ajustar e a libra afundou de uma forma próxima daquilo que os analistas previam.

Se o Reino Unido cairá ou não em recessão, como avisaram os proponentes do Ficar, isso levará algum tempo a confirmar. Aliás, a forte quebra da libra poderá amortecer o impacto — estimulando as exportadoras. Mas o impacto numa primeira fase será certamente negativo, com investimentos cancelados (ou, pelo menos, adiados) e a incerteza a penalizar a economia. A magnitude dessas dificuldades na economia é muito difícil de prever, mas a agência de rating S&P reviu em baixa a taxa de crescimento prevista para 2016 de 1,9% para 1,6%. E a Fitch cortou para metade as estimativas de crescimento para 2017 e 2018.

Certo 

A libra afundou cerca de 10%, exatamente como a maioria dos analistas previa. E esse foi só o primeiro impacto. É preciso tempo para avaliar a resistência da economia britânica como um todo, mas para já é inquestionável que os dias negros na Bolsa se confirmaram — e isso tem sempre, mais tarde ou mais cedo, um impacto na economia real. Nesta terça-feira, os mercados recuperaram um pouco mas apenas graças à expectativa de que os bancos centrais tomem medidas de estímulo para compensar o efeito negativo do Brexit.

5 - A Escócia pode manter-se na União Europeia?

O Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) ganhou com 51,9%, mas na Escócia o Ficar ganhou com 62% e na Irlanda do Norte ganhou com 56%.

Depois de conhecidos os resultados, a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, disse: “A Escócia votou para permanecer na União Europeia (UE) e eu pretendo discutir todas as opções para que isso aconteça”. Nicola Sturgeon pondera, por exemplo, fazer um segundo referendo sobre a independência do Reino Unido. O primeiro referendo foi feito em 2014 e a independência perdeu, em parte porque isso implicava a saída da União Europeia. Agora, com o Brexit, as circunstâncias mudaram. Uma sondagem da Panelbase para o Sunday Times, divulgada no domingo, mostrou que 52% dos escoceses inquiridos defendem a independência.

A primeira-ministra já avisou que será “inaceitável” que o governo britânico tente bloquear este referendo. Numa outra tentativa para permanecer na UE, Sturgeon disse que vai aconselhar os deputados escoceses no parlamento a boicotar as negociações para o Brexit.

O líder do partido Sinn Fein, da Irlanda do Norte, Gerry Adams, afirmou, citado pelo jornal irlandês Independent, que o voto a favor da permanência deve ser respeitado e que a primeira preocupação para os governantes daquele país deve ser “a ilha da Irlanda”. Martin McGuinness, governante na Irlanda do Norte e membro do partido Sinn Fein, quer que seja feita uma votação sobre a unificação das duas Irlandas.

Se a Escócia se tornar independente do Reino Unido pode, como qualquer outro país europeu, apresentar uma candidatura para se tornar membro da União Europeia (UE), desde que se comprometa a cumprir e promover as regras e valores da UE (artigo 2). “O Estado requerente dirige o seu pedido ao Conselho, que se pronuncia por unanimidade, após ter consultado a Comissão e após aprovação do Parlamento Europeu, que se pronunciará por maioria dos membros que o compõem. São tidos em conta os critérios de elegibilidade aprovados pelo Conselho Europeu”, define o artigo 49 do Tratado de Lisboa.

“As condições de admissão e as adaptações dos Tratados em que se funda a União, decorrentes dessa admissão, serão objeto de acordo entre os Estados-membros e o Estado peticionário. Esse acordo será submetido à ratificação de todos os Estados Contratantes, de acordo com as respetivas normas constitucionais.” O que não consta em nenhum dos tratados europeus é o que aconteceria se parte de um Estado-membro se tornasse independente e quisesse permanecer na União Europeia como novo membro, referiu a BBC.

Inconclusivo

A Escócia, enquanto país independente, pode candidatar-se a Estado-membro da União Europeia. Isto é factual. Mas para Alex Salmond, antigo primeiro-ministro escocês, não faz sentido deixar a Escócia sair, para depois a aceitar de volta. O que não se sabe é se a Escócia, como pertencia ao Reino Unido — um Estado-membro –, pode beneficiar de um estatuto privilegiado na avaliação desta candidatura ou se pode até ver o processo burocrático acelerado. Em relação à possibilidade de a Escócia “herdar” o lugar do Reino Unido na União Europeia, as dúvidas são ainda maiores.

6 - O Reino Unido tem de deixar já a União Europeia?

No primeiro discurso depois de se conhecerem os resultados do referendo, David Cameron demitiu-se do cargo de primeiro-ministro que manterá até ao congresso do Partido Conservador, em outubro, ou até o partido escolher um novo líder, que por vontade de alguns deputados poderá acontecer ainda antes de 2 de setembro.

De qualquer forma, o atual primeiro-ministro entende que o processo de saída da União Europeia deve ser negociado pelo novo líder do governo e não vai avançar com conversações com a União Europeia.

Do outro lado, Bruxelas quer que o Reino Unido invoque o artigo 50 — o artigo do Tratado de Lisboa que prevê a saída de um Estado-membro — de forma rápida. A chanceler alemã Angela Merkel, o presidente francês François Hollande e o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, que estiveram reunidos esta segunda-feira em Berlim, dizem que não haverá conversas informais com o Reino Unido até que seja feito um pedido formal de saída.

Apela-se a que o Reino Unido oficialize a posição rapidamente, para que a União Europeia se possa focar nos 27 Estados-membros que permanecem. “A nossa responsabilidade é não perder muito tempo a lidar com as questões da saída do Reino Unido”, disse François Hollande. “Não há nada pior do que a incerteza.”

Segundo o artigo 50 do Tratado de Lisboa, “qualquer Estado-Membro pode decidir, em conformidade com as respetivas normas constitucionais, retirar-se da União [Europeia]”. Uma vez notificado o Conselho Europeu, “a União negocia e celebra com esse Estado um acordo que estabeleça as condições da sua saída, tendo em conta o quadro das suas futuras relações com a União”.

Uma vez invocado o artigo 50, Estado-membro em saída e a União Europeia têm dois anos para chegar a acordo para decidir os termos da separação “a menos que o Conselho Europeu, com o acordo do Estado-Membro em causa, decida, por unanimidade, prorrogar esse prazo”. De todo o modo, o país deixa de estar representado nos órgãos de decisão comunitários.

Uma vez iniciado o processo de saída não é possível voltar atrás. Se o Conselho Europeu não quiser prorrogar o prazo, o Reino Unido sai, no máximo, ao fim de dois anos de negociações. Se quiser voltar a fazer parte da União Europeia terá de se candidatar como qualquer outro país que tente entrar pela primeira vez.

O que falta agora saber é quando é que o Reino Unido fará o seu pedido oficial de saída. Para isto não há nenhum limite legal imposto, lembrou a BBC.

Enganador

“Esta decisão [iniciar o processo de saída] é nossa e caberá ao Reino Unido e apenas ao Reino Unido tomá-la”, disse o primeiro-ministro britânico num discurso na Câmara dos Comuns, esta segunda-feira. E estava correcto. Só o Estado-membro em causa poderá invocar o artigo 50 do Tratado de Lisboa. E o Reino Unido usará de todo o tempo que desejar para o fazer e nenhuma pressão dos líderes dos países da União Europeia o podem obrigar a fazer de outra forma. De qualquer forma, o processo de saída pode levar dois anos. Enquanto não invocar o artigo 50, o Reino Unido continuará a fazer parte da União Europeia, mas a verdade é que os líderes já se reúnem sem Cameron e o comissário britânico, Jonathan Hill, responsável pela estabilidade financeira, serviços financeiros e do mercado de capitais, demitiu-se no sábado.

7 - O Reino Unido vai ficar isolado?

“Durante as negociações [do Brexit] que vão acontecer, não haverá quaisquer alterações aos direitos das pessoas de viajarem e trabalharem nem à forma como os bens e serviços são trocados, nem à forma como a nossa economia e o sistema financeiro são regulados”, disse George Osborne, ministro das Finanças britânico, na segunda-feira, no primeiro discurso público depois a vitória da saída do Reino Unido da União Europeia.

Para os políticos britânicos que defenderam a saída parece claro que o Reino Unido, enquanto uma das maiores potências económicas do mundo, deve permanecer no mercado único, como referiu o jornal britânico The Telegraph. É verdade que a libra caiu depois de conhecidos os resultados do referendo e que algumas empresas falam em deslocar as sedes para outros países da UE, mas caberá ao governo acalmar os mercados e assegurar que a saída não trará implicações negativas para os negócios.

A saída do Reino Unido da União Europeia não implica obrigatoriamente a saída do Espaço Económico Europeu(EEE), ou do mercado único — onde há livre circulação de bens, capitais, serviços e pessoas –, referiu o The Telegraph. O “modelo norueguês”, que também se aplica ao Liechtenstein e à Islândia preenche muitos dos requisitos pretendidos pelos apoiantes do Brexit. O Reino Unido ficaria livre das políticas da UE — como a política agrícola ou de pescas –, sem deixar de beneficiar do mercado comum. Mas a UE tem de o aceitar.

Com a saída da UE e a permanência no EEE, o Reino Unido ganharia a possibilidade de negociar diretamente acordos especiais com outros membros deste grupo, assim como de negociar livremente com os restantes países da Commomwealth.
Deixar o mercado único poderia implicar um prejuízo incalculável na economia, referiu uma análise do jornal britânico The Telegraph. Ficar no EEE também poderia manter o reino unido: os norte-irlandeses poderiam continuar a viajar para a República da Irlanda e talvez a Escócia se sentisse com menos vontade de ser independente.

Alguns políticos, como referiu a BBC, defendem o mercado livre, mas não a livre circulação de pessoas — que implica poder viver, estudar e trabalhar em qualquer Estado-membro –, mas este é o tipo de acordo que ainda nenhum país conseguiu com a União Europeia. A Noruega, que pode servir de modelo ao Reino Unido, também funciona assim: o mercado único implica a livre circulação de pessoas.

O Canadá está a negociar um acordo de mercado livre com a UE que não implica a livre circulação de pessoas, mas ainda não foi implementado. Mas um acordo para o Reino Unido parecido com o do Canadá seria menos vantajoso do que o modelo norueguês.

Inconclusivo

Para poder ter um acesso privilegiado aos mercados, um pouco como acontece com a Noruega, ou até com novas regras, o Reino Unido precisa de negociar com a União Europeia. Uma vez invocado o artigo 50, o Reino Unido tem dois anos para completar as negociações (como visto no ponto anterior), o que pode não ser suficiente. Logo, parece ser do interesse do Reino Unido começar as negociações antes de oficializar a saída, mas Angela Merkel, François Hollande e Matteo Renzi já avisaram que não estão disponíveis para negociações informais. Só falam com o Reino Unido depois de este confirmar a saída.


( In  Observador, 28/06/2016, por Edgar Caetano e Vera Novais)


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

PORTO - Uma cidade única na Europa. Talvez mesmo no mundo!



Uma visão diferente de uma cidade de beleza sem par, com os efeitos elaborados através das lentes de alta definição de Paulo Ferreira, mostram-nos toda a beleza desta cidade do norte de Portugal continental. (Aconselho o visionamento do video em écran total)

Verdadeiro tesouro nacional pelas raras belezas naturais e gozando da natureza privilegiada da região onde se insere - a região do Douro - o PORTO começa agora a ser descoberto pelos inúmeros circuitos do turismo internacional.

Rasgada pelo mais importante rio português - o Douro - e banhada pelo oceano Atlântico, é uma cidade fascinante que fervilha de vida, e onde o antigo histórico monumental se casa perfeita e harmoniosamente com a arquitectura moderna. 

Berço do vinho mais famoso e apreciado de todo o mundo - o Vinho do Porto - o Porto é hoje uma cidade moderna com imensas ofertas turísticas, gastronómicas, comerciais e empresariais, a par de uma movimentada vida nocturna saudavelmente desfrutada pelos jovens e pelos menos jovens. 

Estão todos convidados a visitar o PORTO !






sábado, 7 de novembro de 2015

Não tarda que uma nova troika desembarque em Lisboa...




(Os meus programas preferidos:  os próximos debates quinzenais no Parlamento...)


No meio da conversa metafisica sobre a alegada legitimidade ou ilegitimidade do putativo governo António Costa, as notícias que realmente contam têm passado desapercebidas.  Primeiro, um pequeno perigo que pode deitar abaixo todo o edifício construído por uma esquerda que não consegue medir o efeito da sua inesperada ascensão ao governo.  A agência de ratting canadiana DBRS (a única das quatro grandes que não desceu a divida portuguesa à categoria de “lixo”)  avisou na terça-feira que admite fazer descer um degrau à nossa papelada. 
Se isso vier a acontecer, não será permitido ao BCE comprar dívida portuguesa  (de que em larga escala nós vivemos),  nem aos bancos dar dívida portuguesa como colateral do dinheiro que andam por aí a pedir;  e não tarda que uma nova troika desembarque em Lisboa.
(...)

(Vasco Pulido Valente, PÚBLICO - 7 Nov 2015)


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Se um mar não trava o desespero, pode um muro alguma vez parar?






Perseguidos, roubados e humilhados:

Na fronteira do desespero


Ficar onde estavam não era opção.  Se a morte não os apanhasse, apanharia certamente um dos seus.  Ou vários dos seus.  Por isso deixaram, deixam e deixarão os países onde nasceram e viveram.   E fazê-lo contra a vontade não é capricho, mas sobrevivência. 
E primeiro era o mar, que se tornou para uns (tantos, tantos) um cemitério, a separá-los do que ansiavam alcançar cá, neste lado onde estamos e onde eles vêem (esperam, sonham) esperança e dignidade. 
E depois do mar, agora há muros entre eles e nós, como este na fronteira entre a Hungria e a Sérvia.   Estivemos lá e é lá que regressamos consigo numa experiência multimédia que é experiência de vida. 

Se um mar não trava o desespero, pode um muro alguma vez parar?

(João Santos Duarte e João Roberto)

Ler a reportagem completa na Hungria em:
(Expresso online - 02/Set/2015)