terça-feira, 30 de junho de 2015

O que Varoufakis disse em 27 de Junho na reunião que “não orgulha a Europa”




O que Varoufakis pronunciou na reunião do Eurogrupo de 27 de Junho:


Nota de Varoufakis no seu blogue, onde disponibilizou o texto:   "A reunião de 27 de junho de 2015 do Eurogrupo não vai ficar na história da Europa como um momento de que nos possamos orgulhar.   Os ministros recusaram o pedido do governo grego para que fosse concedido ao povo grego uma mera semana durante a qual diriam 'Sim' ou 'Não' às propostas das instituições — propostas cruciais para o futuro da Grécia na Zona Euro.   

A simples ideia de que um governo consulte o seu povo quanto a uma proposta problemática que lhe é feita pelas instituições foi tratada com incompreensão e muitas vezes desdém que roçava o desprezo.   Chegaram a perguntar-me:   'Está à espera que as pessoas normais compreendam questões tão complexas?'. 

Na verdade, a democracia não teve um bom dia na reunião do Eurogrupo deste sábado!   Mas as instituições europeias também não.  Depois de o nosso pedido ser rejeitado, o presidente do Eurogrupo quebrou o pacto de unanimidade (emitindo uma declaração sem o meu consentimento) e tomou mesmo a dúbia decisão de convocar um encontro sem o ministro grego, ostensivamente para discutir os 'passos seguintes'.   

É possível a coexistência de uma união monetária e da democracia?   Ou uma delas tem de desistir?   Esta é a questão fundamental a que o Eurogrupo decidiu dar resposta colocando a democracia na gaveta de baixo.   De momento, esperemos".



"Colegas,

No nosso último encontro (25 de Junho), as instituições colocaram na mesa a sua oferta final às autoridades gregas, em resposta à nossa proposta de Acordo ao Nível de Staff (SLA) apresentada a 22 de Junho (e assinada pelo primeiro-ministro Tsipras).   Depois de uma longa e cuidadosa apreciação, o nosso governo decidiu que, infelizmente, a proposta das instituições não podia ser aceite.   Dada a grande proximidade do prazo de 30 de Junho, data em que o acordo de empréstimo corrente expira, este impasse preocupa-nos muito a todos e as suas causas devem ser rigorosamente examinadas.

Rejeitámos as propostas de 25 de Junho das instituições por causa de uma série de razões poderosas.   A primeira razão é a combinação de austeridade e injustiça social que imporiam a uma população já devastada por… austeridade e injustiça social.   Mesmo a nossa proposta SLA (de 22 de Junho) é austera, numa tentativa de aplacar as instituições e assim ficar mais perto de um acordo.   Só que o nosso SLA tentava passar o fardo desta renovada carnificina austeritária para aqueles que estão mais capazes de a suportar — isto é, concentrando-nos no aumento das contribuições dos patrões para os fundos de pensões em vez de reduzir ainda mais as pensões mais baixas.   Ainda assim, mesmo o nosso SLA contém muitas partes que a sociedade grega rejeita.

Assim, tendo-nos empurrado para aceitar uma dose substancial de nova austeridade, na forma dos absurdamente grandes superavits primários (3,5% do PIB a médio prazo, ainda assim um tanto abaixo do número fantasmagórico acordado com os anteriores governos – i.e. 4,5% – , acabámos por ser forçados a fazer escolhas recessivas entre, por um lado, aumento de impostos / encargos numa economia onde os que pagam o que lhes é imposto já pagam com a corda na garganta e, por outro, reduções nas pensões / benefícios sociais numa sociedade já devastada por cortes maciços nos rendimentos básicos dos cada vez mais numerosos necessitados.

Deixem que vos diga, colegas, o que já trouxemos às instituições a 22 de Junho, quando colocávamos na mesa as nossas próprias propostas:   mesmo este SLA, o que propúnhamos, seria muito difícil de passar no Parlamento, dado o nível de medidas de recessão e austeridade que implicava.   Infelizmente, a resposta das instituições foi insistir em medidas ainda mais recessivas, o mesmo é dizer paramétricas (isto é, aumento do IVA dos hotéis de 6% para 23%!) e, ainda pior, em passar o fardo em massa das empresas para os mais fracos membros da nossa sociedade (isto é, reduzir as pensões mais baixas, retirar o apoio aos agricultores, adiar para as calendas legislação que dá alguma protecção aos trabalhadores violentamente explorados).

As novas propostas das instituições, como vêm expressas no seu documento SLA / Acções Prioritárias de 25 de Junho, transformariam um pacote politicamente problemático — da perspectiva do nosso Parlamento – num pacote extremamente difícil de passar no nosso grupo parlamentar.   Mas não é tudo.   Fica cada vez pior que isso quando damos uma vista de olhos ao pacote de financiamento proposto.

O que torna a proposta das instituições impossível de passar no Parlamento é a falta de resposta a uma pergunta:   estas medidas dolorosas dão-nos pelo menos um período de tranquilidade durante o qual podemos realizar as reformas e medidas acordadas?   Haverá um choque de optimismo contra o efeito recessivo de uma consolidação fiscal extra que é imposta a um país que está em recessão há 21 trimestres consecutivos?   Não, a proposta das instituições não oferece essa perspectiva.

E isso porque o financiamento proposto para os próximos cinco meses é problemático de várias maneiras:

- primeiro, não estabelece nenhuma provisão para as perdas do Estado, causadas por cinco meses a fazer pagamentos sem desembolsos e de rendimentos fiscais em queda como resultado da constante ameaça da saída da Grécia do Euro que tem andado no ar, por assim dizer;

- segundo, a ideia de canibalizar o Fundo de Garantia para pagar as obrigações da era do programa SMP do BCE constitui um claro perigo:   estes montantes eram reservados, correctamente, para reforçar os frágeis bancos gregos, possivelmente através de uma operação que joga com os seus tremendos Empréstimos Não-Rentáveis que devoram a sua capitalização.   A resposta que me foi dada por altos responsáveis do BCE, cujos nomes não revelo, é que, se for preciso, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF) será reposto para estar ao nível das necessidades de capitalização dos bancos.   O ESM é a resposta que me deram.  
Mas, e este é um mas gigantesco, isto não faz parte do acordo proposto e, mais, não pode fazer parte do acordo uma vez que as instituições não têm mandato para comprometer o SME desta maneira – o que tenho a certeza Wolfgang não deixará de nos recordar.  
E, mais ainda, se este novo acordo pudesse ser feito, porque é que então a nossa proposta, sensata, moderada, de novo empréstimo do SME à Grécia, que ajude a passar a labilidade dos SMP do BCE para o SME, não é discutida?   A resposta "não discutimos porque não" será muito difícil de transmitir ao meu Parlamento juntamente com mais um pacote de austeridade;

- terceiro, o plano de desembolsos proposto é um campo de minas de avaliações — uma por mês — que asseguraria duas coisas:   primeiro, que o governo grego estivesse imerso, todos os dias, todas as semanas, no processo de avaliação durante cinco meses;   e bem antes de estes cinco meses terminarem, entraríamos noutra entediante negociação do programa seguinte — uma vez que não há nada nas propostas das instituições capaz de inspirar a mais leve das esperanças de que no final de mais esta extensão a Grécia possa levantar-se sozinha nos dois pés;

- quarto, dado que é claro à sociedade que a nossa dívida continuará insustentável no fim deste ano, e que o acesso aos mercados estará tão distante nessa altura como agora, não se pode contar com o FMI para desembolsar a sua parte, os 3,5 mil milhões com que as instituições estão a contar como parte do pacote de financiamento sobre a mesa.

Estas são razões sólidas para que o nosso governo não considere que tem mandato para aceitar a proposta das instituições ou para usar a sua maioria no Parlamento de forma a empurrá-la contra os estatutos.

Ao mesmo tempo, não temos mandato para rejeitar também as propostas das instituições, sabendo do momento crítico da história que vivemos.   O nosso partido recebeu 36% dos votos e o governo no seu todo representa pouco mais de 40%.   Conscientes do peso da nossa decisão, sentimo-nos obrigados a colocar a proposta das instituições ao povo da Grécia.   Empenhar-nos-emos a explicar-lhes completamente o que significa um "Sim" à proposta das instituições, a fazer o mesmo relativamente a um voto "Não", e a deixá-los decidir.   Da nossa parte aceitaremos o veredicto do povo e faremos tudo o que for necessário para o implementar — para um lado ou para outro.

Há alguma preocupação de um voto "Sim" ser um voto de desconfiança no nosso governo (já que recomendamos o "Não"), caso em que não podemos prometer ao Eurogrupo que estaremos em posição de assinar e implementar o acordo com as instituições.   Não é assim.   Somos democratas convictos.   Se o povo nos der uma clara instrução para assinarmos as propostas das instituições, faremos tudo o que for preciso para o fazer - mesmo que isso signifique um governo remodelado.

Colegas, a solução do referendo é ótima para todos, dados os constrangimentos que enfrentamos:

- se o nosso governo aceitasse hoje a oferta das instituições, prometendo levá-la ao Parlamento amanhã, seríamos derrotados no Parlamento com o resultado de umas novas eleições a serem convocadas dentro de um longo mês – depois, o atraso, a incerteza e as perspetivas de uma solução bem-sucedida seriam muito, muito mais diminutas;

- mas mesmo se conseguíssemos fazer passar no Parlamento as propostas das instituições, enfrentaríamos um problema maior de propriedade e implementação.   Em termos simples, tal como no passado os governos que impuseram políticas ditadas pelas instituições não puderam ganhar o povo para as tarefas, também nós iríamos falhar em consegui-lo.

Quanto à questão que será colocada ao povo grego, muito se disse sobre qual devia ser.   Muitos de vós disseram-nos, aconselharam-nos, instruíram-nos até, que deveríamos fazê-la como uma pergunta de "Sim" ou "Não" ao Euro.   Deixem-me ser claro nisto.   Primeiro, a questão foi formulada pelo Governo e já passou no Parlamento — e ela é "Aceita a proposta das instituições como nos foi apresentada a 25 de Junho, no Eurogrupo?”   Esta é a única questão pertinente.   Se tivéssemos aceitado essa proposta há dois dias, teríamos tido um acordo.   O governo grego está agora a fazer ao eleitorado a pergunta que você me fez, Jeroen – especialmente quando disse, e passo a citá-lo, "pode considerar, se quiser, isto como uma proposta de pegar ou largar".   Bem, foi assim que a encarámos e estamos agora a honrar as instituições e o povo grego pedindo a este último que dê uma resposta clara à proposta das instituições.

Para os que dizem que, efectivamente, este é um referendo ao Euro, a minha resposta é:   podem muito bem dizer isso, mas não faço comentários.   É o vosso julgamento, a vossa opinião, a vossa interpretação.   Não é a nossa!   A vossa visão tem uma lógica mas apenas se contiver uma ameaça implícita de que um "Não" do povo grego à proposta das instituições seria seguido por manobras para expulsar a Grécia, ilegalmente, do Euro.   Tal ameaça não seria consistente com os princípios básicos da governação democrática europeia e com o Direito Europeu.

Para os que nos dão instruções para colocar a questão do referendo como um dilema euro-dracma, a minha resposta é cristalina:   os tratados europeus prevêem saídas da União Europeia.   Não prevêem nenhuma medida para uma saída da Zona Euro.   Com razão, claro, uma vez que a indivisibilidade da nossa União Monetária faz parte da sua razão de ser.   Pedir-nos que coloquemos a pergunta do referendo em termos de uma escolha envolvendo a saída da Zona Euro é pedir-nos para violarmos os Tratados da União Europeia e as leis da EU.   Sugiro a quem queira que nós, ou outro governo, faça um referendo sobre a participação na União Monetária Europeia que recomende antes uma mudança dos Tratados.

Colegas,

É tempo de tomar medidas.   A razão por que estamos hoje neste impasse é só uma:   a proposta de base do nosso governo ao Eurogrupo e às instituições, que fiz aqui no Eurogrupo na minha primeira intervenção de sempre, nunca foi levada a sério.   Era uma sugestão de que fosse criado terreno comum entre o Memorando existente e o nosso novo programa de governo.   Por instantes, a declaração do Eurogrupo de 20 de Fevereiro levantou a hipótese desse terreno comum - dado que não fez referência ao Memorando e se concentrou numa nova lista de reformas do meu governo que seria apresentada às instituições.

Lamentavelmente, logo após o 20 de Fevereiro, as instituições e a maioria dos colegas aqui na sala desejaram trazer de novo o Memorando para o centro da discussão e reduzir o nosso papel a mudanças marginais no mesmo.   Foi como se nos dissessem, parafraseando Henry Ford, que podíamos ter qualquer lista de reformas, qualquer acordo, desde que fosse o memorando.   O terreno comum foi assim sacrificado a favor da imposição ao nosso governo de um recuo humilhante.   É a minha visão.   Mas não é importante neste momento.   Agora é o povo grego que decide.

A nossa tarefa, no Eurogrupo de hoje, deve ser limpar o chão para uma passagem suave para o referendo de 5 de Julho. Isto significa uma coisa:   que o nosso acordo de empréstimo seja prolongado por poucas semanas para que o referendo decorra em condições de tranquilidade.   Logo após 5 de Julho, se o povo votar "Sim", assinaremos a proposta das instituições.   Até lá, durante a próxima semana, à medida que se aproximar o referendo, qualquer desvio à normalidade, especialmente no sector bancário, seria invariavelmente interpretada como uma tentativa para coagir os eleitores gregos.  
A sociedade grega pagou um enorme preço, através de uma enorme contracção fiscal, no sentido de fazer parte da nossa união monetária.   Mas uma união monetária democrática que ameaça um povo prestes a dar o seu veredicto com controlos de capitais e encerramentos de bancos é uma contradição nos termos.   Gostava de pensar que o Eurogrupo respeitará este princípio.
Quanto ao BCE, que tem a custódia da nossa estabilidade monetária e da própria União, não tenho dúvida de que, se o Eurogrupo tomar hoje a decisão responsável de aceitar um pedido de extensão do nosso acordo de empréstimo que acabo de colocar na mesa, fará o que é preciso para dar ao povo grego mais uns dias para exprimir a sua opinião.

Colegas, este é o momento e as decisões que tomamos são momentosas.   Daqui a uns anos poderão mesmo perguntar-nos:   "Onde é que estavas no 27 de Junho?   E o que fizeste para evitar o que aconteceu?"   E no mínimo deveríamos ser capazes de responder:   demos a um povo que vive sob a maior depressão uma hipótese de reconsiderar as suas opções.   Tentámos a democracia como meio de quebrar um impasse.   E fizemos o que tínhamos a fazer para lhes dar uns dias para pensar e decidir."


POST SCRIPTUM QUE VAROUFAKIS ESCREVEU NO BLOGUE


O dia em que o presidente do Eurogrupo quebrou a tradição da unanimidade e excluiu por sua vontade a Grécia de um encontro do Eurogrupo 


Na sequência da minha intervenção, o presidente do Eurogrupo rejeitou o nosso pedido de extensão, com o apoio do resto dos membros, e anunciou que o Eurogrupo iria emitir uma declaração colocando o ónus deste impasse na Grécia e sugerindo que os 18 ministros (ou seja, os 19 ministros das Finanças da Zona Euro, excepto o ministro grego) se reunissem mais tarde para discutir formas e meios de se protegerem.

Nesse ponto pedi conselho jurídico ao secretariado sobre se uma declaração do Eurogrupo podia ser emitida sem a convencional unanimidade e se o presidente do Eurogrupo podia convocar uma reunião sem convidar o ministro das Finanças de um Estado-membro.   Recebi a seguinte e extraordinária resposta:   "O Eurogrupo é um grupo informal.   Por isso não está sujeito aos tratados ou a regulamentos escritos.   Embora a unanimidade seja convencionalmente usada, o presidente do Eurogrupo não está preso a regras explícitas".   Deixo os comentários ao leitor.

Pela minha parte, tiro esta conclusão:

Colegas, recusar alargar o prazo do acordo de empréstimo por um par de semanas e assim dar tempo ao povo grego para deliberar em paz e calmamente sobre a proposta das instituições, especialmente dada a alta probabilidade de o povo aceitar estas propostas (contrariando o conselho do nosso governo), causará danos permanentes na credibilidade do Eurogrupo como um corpo democrático de decisão que reúne estados parceiros que partilham não só uma moeda comum, mas também valores comuns.

(Publicado no Expresso online, 29/06/2015)


sábado, 20 de junho de 2015

Isto é BULLYING EUROPEU: - a destruição da Grécia em nome de uma mentira!





O PODER DOS LOUCOS

Parece um debate de loucos.   As instituições europeias pedem à Grécia que se comprometa com metas em que só um doido varrido acredita.   Para conseguir equilibrar as contas públicas, o Estado grego teve de arrasar a economia, deixar o endividamento público chegar a uns inacreditáveis 177% do PIB, pôr mais de um quarto dos gregos no desemprego e uma grande parte deles a viver abaixo do limiar de pobreza.

O que as instituições europeias estão a fazer à Grécia é Bullying.   O resultado pode ser a saída grega do Euro.   Não sei, não sabe ninguém, porque nunca foi experimentado as consequências de tal passo para os gregos e para a Europa.

Tenho lido que a Grécia se tem mostrado irredutível perante os credores.   Que não aceita.   Que é teimosa.   Que é radical.   Não há negociação possível quando um dos lados pede o impossível.   Se o Governo grego aceitasse estas metas estaria a mentir aos europeus.   E, depois disso, a destruir a Grécia em nome de uma mentira.   

As medidas que a Europa quer impor à Grécia  (aumento de impostos ao consumo e mais cortes nas pensões)  teriam um efeito devastador na já devastada economia grega.   Tornando ainda mais improvável o que, na realidade, já é impossível:  - pagar a dívida.

É difícil acreditar que a Comissão, o BCE e o FMI acreditam que a Grécia pode conseguir nos próximos dois anos, no meio da crise em que está, o que metade dos países europeus nunca conseguiu na última década.   E se não estão loucos e não acreditam, desejam uma de três coisas:   - que o Governo lhes minta, para aplicar medidas inúteis que provem que a Grécia vergou, que decida sair do euro ou que sugue o que resta do país para mais tarde sair do euro.

Se se tratar da tentativa de saque, ela representa o fim moral da União:  - um credor não pode acabar com um país para cobrar dívidas, assim como não pode acabar com a vida de alguém para reaver o dinheiro.   Se for uma das outras duas possibilidades, a motivação destes credores é política:  - impedir que mais algum povo pense que o seu voto pode mudar a Europa.   Trata-se de um golpe de Estado.

O que as instituições europeias estão a fazer à Grécia é bullying.   O resultado pode ser a saída grega do euro.   Não sei, não sabe ninguém, porque nunca foi experimentado, as consequências de tal passo para os gregos e para a Europa.   E este é o segundo sinal da loucura:  - há imensos responsáveis políticos por essa Europa fora que têm a certeza de que uma União que está há seis anos enredada numa crise de que os outros já saíram está preparada para os efeitos do “Grexit”. 

Não sei se os gregos resistiriam ou não a esse passo para a sua liberdade.   E não sei se a Europa e nós próprios aguentaríamos a sucessão de acontecimentos imprevisíveis que tal passo desencadearia.   

Sei que as certezas de tantos, que inventam convicção onde só podem ter dúvidas, são um excelente barómetro da irresponsabilidade política que grassa pela Europa.   E ela explica quase tudo sobre esta negociação.

(Daniel Oliveira, in Expresso, 19/06/2015)



TROIKA - A NOVA ORDEM EUROPEIA !!!



OS SEGREDOS DOS RESGATES FINANCEIROS!!!




quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Aqui te deixo, saudosamente, uma rosa branca sobre o teu caixão…





Não podia ter acontecido...  assim!


Dói.  Como há muito não doía...
Nunca contei que partisses antes de mim.
E jamais pensei que me doesses tanto assim,
esta dor que sufoca que se instala e não sei bem 
donde vem.
Sei apenas que vem de dentro,  
das profundezas de mim.

E  lembro com saudade os dias felizes 
de quando menina te conheci.
Depois...  foram longos os anos dos desencontros.
Longos também os anos de lonjura e desinteresse
até quase me esquecer de ti.
Mas eu sabia que tu estavas aí
e isso me bastava.

E agora…  agora que partiste fazes-me falta.
Porque eu queria saber-te sempre viva,  
imortal.  
E agora...  agora que arrefeces assim,
também eu sinto este frio de morte,     
a sensação profunda deste vazio gélido, 
mortal.

Nós errámos a vida.  Fizemos tudo mal. 
E agora…  agora só me resta esta amargura,
esta certeza de jamais poder voltar atrás.
O nosso tempo acabou.  
Definitivamente! 
Não mais te verei para todo o sempre, 
na eternidade da tua sepultura.

Afinal...  sei-o agora, 
nunca chegaste a sair de todo cá de dentro.
Descansa em paz.

(13/Janeiro/2015)




terça-feira, 13 de janeiro de 2015

PARIS - A monumental demonstração da HIPOCRISIA europeia!!!






Europa terrorista 
A quadrilha que vai liderar a manifestação de Paris prostituiu a Europa, matou os projetos de Vida



Os massacres de Paris não vão ter alguns dos principais autores no banco dos réus.   Foram abatidos durante a refrega que pôs termo à chacina gratuita de inocentes.   Mas lá se sentarão, mesmo que só a História os julgue, os poderes fundamentalistas gerados no Yémen e o conjunto de personalidades que hoje encabeça a manifestação de Paris. 

A explosão afetiva e solidária ‘Je Suis Charlie’ é património de poucos.   Não é, de certeza, pertença desta Europa cínica, protetora de ladrões e especuladores financeiros, que há muito se borrifou para os sonhos da Igualdade, da Liberdade e da Fraternidade, gerados no ventre francês e que emigraram por esse mundo fora.   Pois o problema é político.   Nunca foi religioso. 

Os presidentes, os primeiros-ministros e outros acólitos que hoje desfilam em França em defesa da liberdade de expressão são os seus carrascos.   Nunca leram o ‘Charlie Hebdo’.   Apenas bebem as palavras de Merkel.   São como os assassinos, que nunca viram o Corão, muito menos o estudaram, e matam em nome do Profeta.   A quadrilha que vai liderar a manifestação de Paris prostituiu a Europa, mentiu nos sonhos, matou os projetos de Vida. 

Esta quadrilha quis emigrantes para a mão de obra escrava e desprezou o valor do trabalho.  Desprezou o emprego.   Desprezou a escola e a educação.   Atirou para a fome e para a ruína milhões de desgraçados.   Mas pior do que isto, a Europa cínica que hoje habitamos matou a Europa de Monet.   Fez da União Europeia uma pantomima, aceitou de joelhos os ditames da Alemanha que fala por nós, contra nós, imperialismo da especulação que matou sonhos.   Quem mata sonhos não pode esperar outra coisa a não ser a multiplicação da raiva, da indignação e, finalmente, do ódio. 

Estes grupos em desvario são europeus.   Nasceram aqui e matam por ódio.   E as maiores vítimas até são muçulmanos.   Ódio, porque lhes prometeram sonhos e lhes entregaram um imenso vazio.   Um vazio onde habitam milhões de outros jovens a quem mataram os sonhos, que não assassinam, mas se desinteressam da política, desprezam os figurões que vão marchar à cabeça da manifestação em Paris, servos e serventuários de especuladores, de offshores, de roubos, não de joias mas de países.   Reprodutores de desigualdades, semeadores de injustiças, párias da fraternidade, amigos da liberdade de saque. 

É esta a Europa cínica, e canalha, que aceitou o apelo de Hollande e vai fazer de conta que é amiga da liberdade de expressão.

(Francisco Moita Flores CM, 11/01/2015)



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

«Eles não têm coragem para me prender»





Depois de sucessivos escândalos a escapar por entre os pingos da chuva, as pessoas foram-se habituando à impunidade de Sócrates


Uma frase proferida por José Sócrates em conversa telefónica com o seu amigo Carlos Santos Silva, pouco antes de ser detido - «Eles não têm coragem para me prender», é duplamente reveladora.   Em primeiro lugar, parece ser uma admissão de culpa:   Sócrates não diz que está inocente, diz é que os juízes não serão suficientemente corajosos para o meter na cadeia.   Uma pessoa que se sinta inocente não faz, em princípio, uma afirmação destas.   Por outro lado, Sócrates mostra-se possuído por um sentimento de 'impunidade'.   Acha-se colocado num tal pedestal, detentor de um tal estatuto, que ninguém ousará deté-lo.   Mas donde virá esta  sensação de impunidade?

Julgo que não apenas Sócrates a interiorizou, mas muitos portugueses.   Depois de sucessivos escândalos que terminaram sempre da mesma maneira, com o ex-primeiro ministro a escapar por entre os pingos da chuva, as pessoas foram-se habituando.   «É mais um escândalo de que ele se vai safar» - pensavam.

Depois das dúvidas, suspeições, trapalhadas e coisas mal explicadas existentes nos casos da Cova da Beira, dos mamarrachos, do diploma, do Freeport, do Face Oculta, do Taguspask, etc. - nos quais o nome de Sócrates aparecia sempre envolvido e que acabavam sempre em águas de bacalhau, a suspeição relativamente ao ex-primeiro ministro banalizou-se.   Perante cada novo caso, os amigos encolhiam os ombros e os inimigos já não acreditavam que Sócrates viesse a ser criminalizado.   Era como na fábula de Pedro e o Lobo.   E quando a detenção chegou, foi uma surpresa para quase todos.

Escrevi por diversas vezes que Sócrates é «o Vale e Azevedo da política» e sempre admiti que, tal como o ex-presidente do Benfica, havia fortes hipóteses de ele vir a ser detido depois de deixar o cargo.   Porquê?  Porque eu tinha a quase certeza que a corrupção estava lá – só faltava descobri-la.

Assim, quando José Sócrates saísse cle S. Bento e os responsáveis da Justiça, Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento, fossem substituídos, era muito provável que a verdade viesse ao de cima.   E assim aconteceu.

(José António Saraiva - extracto de artigo publicado no SOL – 02/01/2015)


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

UM FINGIDOR






Nunca gostei da personagem política “José Sócrates”, desde a campanha para secretário-geral do PS (em que ele prometeu não aumentar impostos que, de facto, aumentou) até à sua ascensão a primeiro-ministro, muito ajudado por Pedro Santana Lopes e pela reputação de autoritário que entretanto adquirira.

Não tranquiliza particularmente ser governado por um indivíduo que se descreve a si mesmo como um “animal feroz”, nem por um indivíduo que prefere a força política e legal à persuasão e ao compromisso. Se o tratam mal a ele agora, seria bom pensar na gente que ele tratou mal quando podia: adversários, serventes, jornalistas, toda a gente que tinha de o aturar por necessidade ou convicção. Sócrates florescia no meio do que foi a sufocação do seu mandato.

O dr. António Costa quer hoje separar os sarilhos de um alegado caso criminal do seu antigo mentor da política do Partido Socialista e do seu plano para salvar a Pátria. O que seria razoável, se José Sócrates não encarnasse em toda a sua pessoa o pior do PS: o ressentimento social, o narcisismo, a mediocridade, o prazer de mandar. Claro que, como qualquer arrivista, Sócrates se enganou sempre. Começou pelos brilhantíssimos fatos que ostentava em público, sem jamais lhe ocorrer se as pessoas que se vestiam “bem” se vestiam assim. Veio a seguir a “licenciatura” da Universidade Independente, como se aquele papel valesse alguma coisa para alguém. E a casa da Rua Braamcamp, que é o exacto contrário da discrição e do conforto e último sítio em que um político transitoriamente reformado se iria meter.

Depois de sair do Governo e do partido, Sócrates mostrava a cada passo a sua falsidade, não a dos negócios, que não interessam aqui, mas da notabilidade pública, por que desejava que o tomassem. Resolveu estudar em Paris, para se vingar da humilhação do Instituto de Engenharia e da Universidade Independente, e resolveu fazer um mestrado em “Sciences Po”, sem perceber que o mestrado é uma prova escolar de um estatuto irrisório. Em Paris, viveu no “seizième”, o bairro “fino”, como ele achava que lhe competia, e, de volta a Lisboa, correu para a RTP, onde perorava semanalmente para não o esquecerem: duas decisões ridículas que só serviram para o prejudicar, embora estivessem no seu carácter. Como o resto do país, não sei nem me cabe saber se o prenderam justa e justificadamente. Sei – e, para mim, chega – que o homem é um fingidor.

(Vasco Pulido Valente, PÚBLICO - 28/11/2014)


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

La chute d’un «opportuniste sans idéologie»






FRANÇOIS MUSSEAU MADRID, 26 NOVEMBRE 2014



L’ex-leader socialiste est incarcéré depuis mardi dans une prison qu’il avait inaugurée lorsqu’il était Premier ministre du Portugal.

«L’incomparable José Sócrates», ironise l’éditorialiste du quotidien Publico José Miguel Tavares. «The Special One», s’amusent plusieurs commentateurs, appliquant à celui qui dirigea le Portugal entre 2005 et 2011 le surnom d’ordinaire attribué au sulfureux entraîneur de foot José Mourinho. Après avoir été longtemps prudents, voire trop respectueux avec Sócrates, Sol ou Correio Da Manha exceptés, les médias portugais se livrent désormais au grand déballage contre celui qui a créé la sensation, lorsqu’il fut interpellé à l’aéroport de Lisbonne, vendredi.

Motif de cette détention inédite : «fraude fiscale» et surtout «corruption» et«blanchiment de capitaux». Le montant des sommes qu’aurait détournées Socrates n’est pas connu, mais la presse nationale parle de dizaines de millions. Depuis environ un an, la brigade financière portugaise, la DCIAP s’était étonnée de son train de vie à Paris, où il réside : un appartement de 2,8 millions d’euros, la fréquentation de restaurants de luxe… Des écoutes téléphoniques auraient fait le reste.

«UN DEGRÉ SUPPLÉMENTAIRE D’IMMORALITÉ DANS LA VIE PUBLIQUE»

L’ancien leader socialiste, qui en mai 2011 avait démissionné alors que son pays était au bord de la faillite financière, a été placé mardi en prison préventive à Evora, dans un de ces établissements modèles qu’il avait lui-même inauguré alors qu’il était le fringuant Premier ministre ! Chaque jour, déjà écœurés par une série de scandales en cours (tous liés à la «décennie heureuse» de l’argent facile, 1995-2005), les Portugais découvrent le détail des forts soupçons qui pèsent sur José Sócrates – et ce, même si le secret de l’instruction a été déclaré par les magistrats.

«Son incarcération, c’est la cerise sur le gâteau d’un système corrompu, souligne un présentateur de la RTP, la télé publique. L’affaire Sócrates correspond à un degré supplémentaire d’immoralité dans la vie publique. Une sorte d’électron libre.» Avec, comme alter ego dans le monde financier, son ex-compère Ricardo Salgado, l’ancien président de la banque Espírito Santo, lui aussi interpellé, en juillet, pour blanchiment de capitaux.

HOMME DE PAILLE

Officiellement, lorsqu’il déménage à Paris au printemps 2011, José Sócrates prend une retraite politique «bien méritée», celle d’un honnête citoyen qui a servi son pays«le mieux possible». Désireux de «réfléchir et de prendre le temps», il s’inscrit à Sciences-Po pour faire une thèse doctorale. Et, tel un observateur assagi au-dessus de la mêlée, participe à des émissions de la RTP pour commenter la vie politique portugaise. Il dit alors n’avoir qu’un seul compte bancaire et, pour louer un appartement dans la capitale française, affirme recourir à un prêt. Un politicien modèle, en somme, qui a su s’arrêter à temps et que la cupidité n’aurait pas rongé.

Sauf que, de source judiciaire, ce qui a motivé son arrestation raconte une tout autre histoire. Son chauffeur João Perna, lui aussi interpellé, faisait souvent le trajet Lisbonne-Paris en voiture pour lui remettre de grosses quantités d’argent en liquide. A partir de janvier 2013, José Sócrates est consultant pour la multinationale pharmaceutique Octapharma AG, pour laquelle il touche 12 000 euros par mois. Mais, selon le quotidien Sol, la multinationale lui versait 12 000 euros supplémentaires correspondant en réalité à son propre argent issu d’une société offshore mise au nom de son ami d’enfance, l’entrepreneur Carlos Santos Silva. Ce dernier, tout comme son épouse, aurait servi d’homme de paille dans le cadre d’un réseau sophistiqué de sociétés-écrans contrôlés par Sócrates.

LEADER LOUCHE, «TOUJOURS BORDERLINE»

Lorsqu’il était en fonction, l’ancien chef du gouvernement a révolutionné la vie politique portugaise. Sanguin, autoritaire, des manières un peu bling-bling à la Sarkozy, il a su dépoussiérer une administration ankylosée, voire inefficace, et obtenir, lors de son premier mandat, des résultats probants. Mais, en parallèle, José Sócrates fut ce leader louche, ce «produit médiatique» ou «politicien Armani» (dixitle Publico pour fustiger son côté gauche caviar), impliqué dans maints scandales et parvenant à chaque fois à se sortir des griffes de la justice. «Depuis les origines, il a été ce jeune loup, opportuniste, sans idéologie, obsédé par l’escalade des échelons vers le pouvoir suprême, toujours borderline», dit l’historien Fernando Rosas. Ancien militant du parti de droite, le PSD, passé chez les socialistes en 1981, cet admirateur de Tony Blair a connu un parcours peu limpide. Il y a d’ailleurs de fortes chances que son diplôme d’ingénieur civil, obtenu en 1980, soit un faux.



quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PORTUGAL ESTÁ À VENDA !






O caso PT é o epílogo de uma longa história de privatizações, gestão deficiente, ganância e alienações ao desbarato. A crise e a falta de liquidez do País fazem o resto. Ninguém está inocente, nem o Estado nem os privados. Veja um filme do qual não conseguirá sair:


A vida da PT (Portugal Telecom) dava um filme.   Em 1999, data de entrada do "gestor modelo" Zeinal Bava na empresa, ela valia 11 380 milhões de euros.   No ano seguinte, processa-se a privatização e o Estado fica com 500 ações douradas (de que abriria mão, com a vinda da troika, em 2011).   Essa golden share viria a ser importante para travar a OPA do Grupo Sonae em 2007, com o argumento do risco de posterior venda a estrangeiros...   Começa a aposta no Brasil e, em 2004, a empresa atinge o seu zénite, com um valor em bolsa de cerca de 11 400 milhões de euros.   Foi há dez anos.   Hoje, valerá menos de 10 mil milhões.   Desvalorizou-se, numa década, o equivalente a uma verba superior ao que o Estado paga, por ano, em juros da dívida pública.   Ou, se quisermos estabelecer outra comparação, a perda de valor da PT ultrapassa o custo, por ano, do Serviço Nacional de Saúde.   Mais, enfim, do que o total do défice das contas públicas previsto para 2014.   Como foi possível?

O pesadelo aconteceu devido ao facto de Portugal estar a ser vendido a retalho e a preço de saldo.   A história da PT é o epílogo de um longo período de depauperamento da economia nacional.   A PT era uma empresa de vanguarda, um exemplo de inovação, agressividade comercial e internacionalização, que a ganância de alguns acionistas e um acto de gestão terceiro-mundista - a inexplicável exposição ao Grupo GES - deitou abaixo.   Atónitos, os portugueses constatam que, afinal, a empresa terá sido gerida, nos últimos anos, de lápis na orelha.   Mesmo assim, Zeinal Bava, depois de ter "entregue" a PT à Oi, sai do grupo brasileiro com uma indemnização de (valores não desmentidos) 5,4 milhões de euros.

Engarrafar e vender o ar

Porque deixámos que quase todos os sectores ditos estratégicos (o que quer que isso seja) caíssem em mãos estrangeiras?  A responsabilidade deve ser assacada ao Estado - e aos governos PS, PSD e CDS - ou, também, aos privados?   Quem não se lembra da venda do Banco Totta & Açores ao Grupo Champalimaud e do seu desaparecimento nas goelas do gigante espanhol Santander?   Onde param as boas intenções do grupo de empresários que, patrioticamente, produziram documentos a jurar velar pela manutenção dos centros de decisão em Portugal?   Pois não foram eles os primeiros a vender tudo e mais alguma coisa, pela melhor oferta?

Para João Cravinho, antes de haver sectores estratégicos "teria de haver estratégia", coisa que, na opinião do ex-ministro socialista dos governos Guterres, "não existe, nem no sector público nem no sector privado".   Mais, o alheamento das autoridades deve-se à teoria de que "não faz sentido ter uma estratégia", quando tudo se resume a questões "que se resolvem no e pelo mercado, deixando que as leis da concorrência funcionem".
E, no entanto, a lei dos sectores estratégicos, publicada a 15 de Setembro, até parece salvaguardar o essencial, talvez tarde de mais:   assegurar os "activos estratégicos essenciais para garantir a defesa e segurança nacionais e segurança do aprovisionamento do País em serviços fundamentais para o interesse nacional, nas áreas da energias, dos transportes e comunicações, enquanto interesses fundamentais de segurança pública".   

Mas basta pensar na privatização, ou, para sermos mais justos, na concessão a privados da exploração das Águas de Portugal, para concluir que só o ar que se respira não está privatizado porque ainda não é possível ser consumido engarrafado.

Cimentos, banca, estaleiros navais, siderurgia ou até empresas que nos habituámos a ver exportadoras, como a Sorefame, ou desapareceram, ou perderam importância ou caíram em mãos estrangeiras.   Algumas, como a CIMPOR, mantêm o centro de decisão em Portugal (apesar de ser detida, em 100%, por capitais brasileiros).   Outras nem isso.   Opções ideológicas à parte, o Estado não pode ser culpado de tudo nem tem de ser empresário.   O raquitismo das empresas nacionais e a necessidade de liquidez do País, quer no sector público quer no privado, é que representam as verdadeiras causas da "venda de Portugal" ao desbarato.   A tudo isto não foi alheio o aliciamento de governos incautos e sedentos de votos pelo dinheiro fácil do crédito internacional, aliado à estratégia norte-europeia de desmantelamento do sector produtivo dos países com economias menos pujantes.   O endividamento subsequente levaria à venda baratinha do que era apetecível nesses países (um cenário que também vimos na Grécia) a grandes grupos internacionais.   Parece um plano...

O que é curioso é que os compradores nem sempre vêm de onde se espera.   Por exemplo, os 4,7 mil milhões de euros das privatizações de EDP (2 690 milhões), da REN (387 milhões) e da Caixa Seguros (1 632 milhões) provêm de grupos chineses, respectivamente a Three Gorges, a State Grid (agora também interessada na EFACEC) e a Fosun, que se tornaram, assim, os principais animadores das privatizações portuguesas.   Por ironia, estas empresas são todas imensas golden-shares do Estado chinês, que também aprecia o funcionamento do mercado - mas à sua maneira...

Mas voltemos ao velho argumento:   deixar que o mercado e a concorrência funcionem.   De acordo.   Mas, para o economista Ricardo Cabral, professor da Universidade da Madeira "a perspectiva de um governo não deve ser a de um mero accionista".   Dado o seu peso, o Estado tem de agir em prol do "interesse público".   E de acordo com o investigador, os governos devem ter em conta também os outros impactos na globalidade da economia.
Mas não tem sido isso que tem acontecido, já que as avaliações são feitas a olhar para o "valor accionista" das empresas, destaca Cabral, criticando alguns aspectos dos programas de privatização dos últimos anos.   "Não parece que tenha sido um grande sucesso", afirma.  "Privatizámos quase tudo, nas últimas décadas e não ganhámos muito com as privatizações no seu todo.   As receitas das privatizações não têm contribuído para reduzir a dívida pública, que aumentou.  E a agravar isso, temos, neste momento, menos instrumentos para a gestão económica do País", com a maior parte das empresas privatizadas a terem ficado nas mãos de não residentes.

Também se tem falado, com preocupação, de eventuais aumentos pós-privatização dos preçários dessas empresas.   Sobretudo daquelas que possam ter impactos importantes na competitividade de sectores estratégicos da Economia, como o turismo e os exportadores.  Disso é emblemático o caso da ANA - Aeroportos de Portugal, cuja operação foi concessionada, há dois anos, aos franceses da Vinci, e cujos aumentos sucessivos das taxas aeroportuárias têm suscitado polémica.   Desde que foi privatizada, a ANA já aumentou quatro vezes as suas taxas e tenciona continuar a fazê-lo:   até 2022 as taxas deverão sofrer incrementos de mais de 20 por cento.   O presidente da Ryan Air, Michael O'Leary, já afirmou que o modelo de taxação praticado pela operadora é caraterístico de "regimes comunistas".   Os responsáveis da ANA deverão ir esta quinta-feira, 15, ao Parlamento prestar esclarecimentos sobre os polémicos aumentos.

Para Francisco Louçã, "Portugal está transformado em sucata", mas, mesmo assim, e recordando que o crédito às empresas caiu 40% em agosto, "o Estado devia ter poder de regulação, mesmo depois do 'assucatamento'".   A concessão de crédito depende da banca mas não tem sido possível usar esta ferramenta para bombear sangue para a economia nacional.   Até mesmo o banco público, a Caixa Geral de Depósitos, por ter o menino do BPN nos braços, perdeu, em parte, essa capacidade.

Quanto vale a TAP ?

João Cravinho, que foi ministro do Equipamento, adverte:   "Quando a Mota Engil 'soltar' a Martifer, esta vai cair nos braços de alguém..."   E volta a defender a dama do malogrado novo aeroporto:   "A TAP vale o que quiserem dar. Mataram a TAP no dia em que descartaram a hipótese de construir um aeroporto capaz de receber mais 20 ou 30 voos."
 Se um novo aeroporto era um preço um bocado elevado a pagar pela valorização da companhia aérea nacional, esta bem pode ser, no entanto, o exemplo de uma empresa com um preço impossível de medir em euros.   A TAP é, mal comparado, como o hino ou a bandeira, um símbolo nacional, junto das comunidades e da lusofonia.   A ponte aérea dos retornados, em 1975, nunca teria sido possível se o Estado não tivesse à sua disposição este instrumento.   Essa componente de defesa nacional mantém-se:   quem valeria aos 200 mil nacionais em Angola, se houvesse necessidade de uma evacuação rápida?

Mas o factor psicológico, simbólico ou de soberania não é o único a contabilizar, nestas contas imensuráveis.   Nas contas de Ricardo Cabral, a TAP gera um valor de entrada anual de divisas em torno dos 27,5 mil milhões de euros - 13% da dívida externa líquida.   Cerca de três quartos da operação é vendida no estrangeiro.   Com o País ainda à beira da bancarrota, com um grave défice da balança de pagamentos e ainda sem a ameaça de saída do euro dissipada, "as divisas geradas direta e indiretamente pela TAP são preciosas".   À luz destes argumentos, a serem pertinentes, a TAP já não seria uma joia da coroa ou um anel:   seria o próprio dedo indicador.

Com quatro interessados (um consórcio entre o português Miguel Pais do Amaral, Frank Lorenzo, ex-proprietário da Continental Airlines, e o grupo Barraqueiro, os espanhóis da Globalia, os brasileiros da Azul e Gérman Efromovich), o processo não avança.   Uma das razões será a falta de consenso no seio do próprio Governo, quanto à participação a vender e em relação ao timing da respectiva alienação.   E esta história, a acabar como a da PT, também dava um filme.

Tirem-nos dele.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

NOVO BANCO... FRAUDE VELHA !






Portugal assistiu ontem a um evento raro.   O Banco de Portugal tentou convencer o país, — e o mundo financeiro —, da suficiência de um programa de resolução para o Banco Espírito Santo.   Uso a expressão “tentar convencer” sem segundas intenções:  sendo a confiança o elemento essencial na relação entre os clientes e o sistema bancário, o trabalho de um banqueiro central é sempre um trabalho de persuasão.

Como tal, só o tempo poderá dizer se o esforço de persuasão de hoje funcionou ou não.   Se nos próximos dias os depositantes do antigo Banco Espírito Santo, agora crismado de Novo Banco, não forem alarmados por novos esqueletos no armário, pode ser que o banco central consiga superar a primeira prova deste exercício de alto risco.   O resto é bem mais complicado e compete ao governo;   cá estaremos para ver se poderá cumprir-se a promessa de o caso BES não contaminar a dívida pública e não prejudicar os contribuintes portugueses.   A divisão do BES entre “banco mau” e “banco bom”, com todas as complexidades e incertezas que ela oculta, torna tudo isto muito duvidoso.

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, foi forçado a admitir que a gestão do Banco Espírito Santo foi muito pouco católica:  nos últimos tempos, e provavelmente bem antes disso, a administração do banco, e do grupo familiar em que ele se inseria, incorreram numa série de fraudes e ocultações.  Depreende-se claramente do que disse Carlos Costa que haverá responsabilidades criminais a apurar.  (podemos acreditar nisso???...)

Apesar do nome do “banco bom”, Novo Banco, ser uma ingénua tentativa propagandística para fazer crer às pessoas de que estamos a entrar num tempo de fazer tábua rasa, as fraudes do Banco Espírito Santo não têm nada de novo.

E é aí que houve algo de ainda mais extraordinário naquele momento extraordinário.  Carlos Costa confessou a inoperância das entidades reguladores perante o capitalismo financeiro conforme ele funciona hoje.   As fraudes do Banco Espírito Santo não têm nada de novo:  basicamente, dependem da utilização de jurisdições ocultas, empresas-veículo em paraísos fiscais, e um carrossel de operações entre todas elas. 

O sistema continua tão opaco quanto sempre.  Nada mudou.  E o governador do banco central confirmou que só quando o banco estoura é que se consegue levantar a ponta do véu.   A podridão do império BES ainda está por descobrir.

Posto desta forma, Carlos Costa não disse mais do que dizem todos os grandes críticos do capitalismo actual.  Só o disse de forma menos clara.  Os velhos vícios continuam intactos por debaixo dos “novos bancos”.

Há maneira de acabar finalmente com isto.  Separar bancos de investimento de bancos tradicionais.  Obrigar os bancos europeus a revelarem tudo o que fazem as suas subsidiárias.  Legislar, ao nível da União Europeia, no mesmo sentido dos EUA com a sua lei FATCA, que obriga todas entidades fiscais, coletivas ou individuais, a declararem os activos que detêm fora da sua jurisdição de origem.  E, finalmente, criar uma unidade especial de investigação ao crime financeiro e económico, sediada no Banco Central Europeu ou na Europol.


Tudo isto pode ser conseguido, mas não pelos governos que temos hoje.

(RUI TAVARES - Público - 04/08/2014)



domingo, 3 de agosto de 2014

O PIOR DOS PESADELOS...





Já ninguém está preocupado com a família Espírito Santo e poucos são os que se preocupam com o Governo, os partidos que o apoiam e o regulador.   A todos podemos substituir, mas a pancada que volta a sobrar para os portugueses vai doer muito mais do que é possível imaginar.  
Esses portugueses são pequenos accionistas, trabalhadores de empresas que acabarão por falir, que dependem de um sistema bancário que passa de bestial a besta e de uma economia que dava sinais de recuperação e que ameaça entrar novamente em depressão.   

Por muito que a elite pense que sim, a necessidade de o Estado intervir para salvar um banco que julgávamos salvo não é o problema maior.   
Este país não tem solução enquanto todos os poderes pactuarem com um sistema que favorece o enriquecimento ilícito, que julga na praça pública por ser incapaz de fazer justiça nos tribunais, que despreza a competência e aplaude o amiguísmo, que se mostra totalmente incapaz de promover a igualdade de oportunidades.  Um sistema que recicla os donos disto tudo, mas apenas para substituir uns pelos outros.

O capitalismo sem ética, a que aludiu o Papa Francisco como uma das principais chagas do mundo moderno, é que nos tem arrastado de desgraça em desgraça. Agora, que começávamos a pôr a cabeça fora de água, aproximando as nossas despesas das nossas receitas, podemos ter de começar todo o calvário de novo.   O pior é que muita gente, muita gente mesmo, não tem como aguentar nova tragédia que obrigue o Governo a cobrar mais impostos, a banca a reter capital e as empresas a despedir.

Tudo isto é mau, muito mau mesmo, mas ainda não é o pior dos pesadelos.   Imaginem que Ricardo Salgado, tocado pelas santas palavras do Bispo de Roma, resolve redimir-se do seu capital pecado e confessar o carácter diabólico que presidiu às suas relações nas últimas décadas.   É que não há banco do regime sem regime, nem regime sem titulares do poder, nem corruptores sem corruptos.  Nós sabemos como, entre as migalhas e os grandes banquetes, muita gente comeu à mesa do último banqueiro.

Se ele se confessa, o colapso que se abateu sobre a família Espírito Santo será de repercussões bem maiores, envolvendo outros banqueiros, empresários que foram apenas testas-de-ferro, milionários de toda a espécie, dezenas ou centenas de políticos, alguns jornalistas e magistrados...   Não faço ideia se ficaria pedra sobre pedra e até imagino que esta catarse deixaria mais feridas do que curas, mas, pelo menos, viveríamos na verdade.

Deve ser porque vejo muita gente com medo que Ricardo Salgado conte tudo o que sabe que este pesadelo parece real.   Ele, afinal, ainda tem muito poder.   A destruição criativa continua nas mãos deste homem.

(Paulo Baldaia, DN - 3/AGO/2014)


quinta-feira, 31 de julho de 2014

A verdade negra por detrás das lâmpadas de baixo consumo



Existe uma mentira altamente perigosa por detrás das supostas vantagens das lâmpadas (fluorescentes) de baixo consumo – elas contêm mercúrio e são tóxicas.  Com a chegada destas lâmpadas ao mercado conseguiu-se  reduzir o consumo de energia, mas não a contaminação.  Quando estas lâmpadas se quebram e os seus vapores são inalados, o teor de mercúrio nelas contido constitui um perigo para a saúde.

A Universidade de Calgary foi a primeira instituição a demonstrar como o mercúrio ataca directamente o cérebro e destrói os neurónios.  Cada átomo de mercúrio provoca danos irreversíveis.  Uma pequena quantidade é suficiente para causar uma doença grave.  O vapor de mercúrio é especialmente tóxico porque é quase completamente absorvido por inalação, mas não voltará a ser expulso rapidamente.  Invade outros órgãos, tais como os rins, várias glândulas e especialmente o cérebro, onde pode permanecer durante décadas.

Quanto mercúrio está numa lâmpada economizadora de energia?   O método de medição estipulado pelas autoridades comerciais da União Europeia envolve a destruição da ampola, que deverá ser cortada em pedaços, decomposta e analisada em ácido.  Mas o método tem uma falta grave:  apenas os componentes líquidos de mercúrio são medidos. Os gases escapam-se.

A utilização das lâmpadas de baixo consumo foram impostas por lei sem considerar os riscos de saúde e ambientais, quando quebradas ou descartadas.  Nem nada foi estabelecido sobre a responsabilidade das empresas fabricantes, ou sequer foram criados espaços obrigatórios para receber lâmpadas fora de uso.  
Quando uma lâmpada de baixo consumo se quebra, uma parte do revestimento fluorescente dentro da ampola solta-se sob a forma de pó.  Esta poeira está contaminada com mercúrio, consequentemente, qualquer recipiente utilizado para depositar a lâmpada quebrada também ficará contaminado com mercúrio. Na maioria dos países, estas são atiradas no lixo doméstico e  o mercúrio derramado irá parar a lixeiras a céu aberto.

Como medida mínima de precaução, ao quebrar-se uma destas lâmpadas torna-se absolutamente necessário evacuar a respectiva sala durante, pelo menos, um quarto de hora, ventilando-a convenientemente.

As duas maiores empresas fabricantes destas lâmpadas são a Phillips e a Osram.  Nenhuma delas se preocupa com este assunto, face à sua possível perda de vendas.  E isto ainda se agrava muitíssimo mais quando pensamos na imensa fabricação proveniente da China, para mais sem qualquer controle de fabrico e de dosagens de mercúrio.





domingo, 20 de julho de 2014

Quando eu for grande... também quero brincar assim! (Ken Block)



É impressionante o que um montão de cavalos dentro de um carro pode fazer, quando conduzidos por um par de mãos (e de pés...) com uma tremenda capacidade artística nas quatro rodas.  É de ver.  E de ficar extasiado!...




segunda-feira, 14 de julho de 2014

Mulheres... boas que se fartam a tocar no instrumento!



Salut Salon – é um sensacional quarteto de cordas alemão, constituído por quatro mocinhas giras e que sabem tudo sobre “como bem tocar num instrumento”.    Denominam-se a si próprias como "um conjunto acrobático de Música de Câmara", e apresentam-se em palco com uma irreverência e um sentido de humor muito peculiares, o que as torna já virais através deste video onde interpretam a conhecida composição de Antonio Vivaldi, “The summer”.





sábado, 28 de junho de 2014

"(SEXO), MENTIRAS E SACANICES" - FMI - As Duas Faces do Grande Capital






FMI reconhece “custos desnecessários” dos
ajustamentos sem reestruturação da dívida


Um relatório apresentado aos dirigentes do FMI concluiu que teria sido preferível renegociar a dívida dos países sem acesso aos mercados, assim reduzindo os custos para credores e devedores.   E reconhece que a reestruturação feita na Grécia para salvar os credores privados só veio agravar o problema.

Este relatório, supervisionado por Olivier Blanchard e outros altos quadros do Fundo, pretende avaliar o quadro de ação vigente desde 2002 no Fundo Monetário Internacional para os empréstimos excepcionais no contexto de vulnerabilidade das dívidas soberanas.    conclusões, os técnicos do FMI alertam que as regras adoptadas em 2002 deram origem a “custos desnecessários tanto para os devedores como para os credores, dado que requer uma reestruturação definitiva da dívida mesmo em circunstâncias em que, a posteriori, isso se revelasse desnecessário”.

Em alternativa, os técnicos sugerem agora que nos casos em que um país tenha perdido o acesso aos mercados e ao mesmo tempo o Fundo continue a considerar a sua dívida soberana sustentável, embora sem uma alta probabilidade, “o Fundo deve ser capaz de oferecer um acesso excepcional na base de uma operação de dívida que envolva uma extensão de maturidades”, embora nesse caso não haja redução de juros ou montantes. 

Mas o relatório vai mais longe e defende que nos casos em que essa extensão de maturidades não afaste o cenário de insustentabilidade da dívida - um exemplo que se aplica hoje a Portugal ou à Grécia - deve ser efectuada uma redução da dívida, evitando a todo o custo repetidas reestruturações das maturidades.

Como sempre, o FMI olha sobretudo para o interesse dos credores, que devem dar o acordo a qualquer cenário de reestruturação “para evitarem o pior cenário, nomeadamente um default ou uma operação que envolva a redução da dívida”.   Olhando para a sua acção desde a crise grega, os técnicos do FMI reconhecem também que de nada serve uma reestruturação da dívida para salvar os credores privados, se ela não eliminar as dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida, que são a origem do risco de contágio. 

O relatório aponta os casos da Argentina e da Grécia, em que os credores privados foram reembolsados com a aplicação dos programas apoiados pelo FMI sem que isso parasse o contágio, como exemplos da "falta de credibilidade" dessa solução. 

O documento critica a opção tomada na reestruturação da dívida grega, em que o FMI financiou o pagamento das obrigações dos credores privados e reconhece agora que “esta abordagem simplesmente agrava os problemas para o país-membro e também põe em risco os recursos próprio dos do Fundo”. 

Mas esta falsa solução também contribui para “impor um peso maior no processo de ajustamento fiscal, que pode comprometer as perspectivas de crescimento a médio prazo e enfraquecer o apoio político ao ajustamento, pondo assim em causa a sustentabilidade”, conclui o relatório.

(Fonte: "Esquerda.net")

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Só resta aos poderes estabelecidos seguirem a decisão do "saudoso" Dr. Salazar: - exilá-lo!...

 
 
 
 
 
Exilar Soares, já!
 
 
Vai em cacos a vida pelos lados de São Bento e Belém – e não só.    A entrevista “escacha pessegueiro” de Mário Soares ao DN e à TSF no último domingo (conduzida por João Marcelino e Paulo Baldaia) teve efeitos de furacão num país amodorrado, amarrado pelo poder tricéfalo do PSD/CDS/PR.

Ao chamar com todas as letras os nossos principais dirigentes “delinquentes”, e ao preconizar o seu julgamento, “depois de saírem do poder”, Soares provocou ondas de choque parecidas, há já quem diga, às de Humberto Delgado quando, em 1958, afirmou demitir, obviamente, Salazar se ganhasse as eleições.

Nunca ninguém foi tão longe em relação a governantes como ele;    nunca um político com o seu prestígio, a sua obra, a sua cultura, a sua experiência, a sua projecção ousou dizer na praça pública o que ele afirmou.    Frontal, Mário Soares tornou-se o líder da oposição (moral) que nos faltava, a bandeira da nossa traída dignidade, a energia contra o nosso medo – como o foi, em jovem, ao enfrentar o fascismo e o colaboracionismo, não hesitando em propor, hoje como ontem, rupturas  (não pagamento da dívida, por exemplo)  e saltos para o futuro.

Tornado há muito demasiado sólido para ser destruído, ou difamado, ou ridicularizado  (as insinuações sobre a sua saúde mental, devido à idade, tornaram-se gratuitas),  demasiado visível para o calarem  (os comentadores pediram na TVI 24 que a comunicação social passasse a censurá-lo!),  só resta aos poderes estabelecidos seguirem, repetindo-a, a decisão do saudoso Dr. Salazar:   exilá-lo.
 
África, pois, com ele – já!    Rui Machete dará uma preciosa mãozinha nisso.
 
(Por Fernando Dacosta, in "I", 17-10-2013)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Ligações promíscuas entre troika e Governo ?...








A comentadora da TVI24, Constança Cunha e Sá, lançou, ontem à noite, na antena daquela estação televisiva, várias farpas à conduta do Executivo de Pedro Passos Coelho, designadamente no que às relações com a troika diz respeito.    Ao mesmo tempo, a comentadora política disse estranhar a aparente proximidade entre o vice-primeiro-ministro Paulo Portas e a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, quando esta última esteve na origem do pedido de demissão “irrevogável” do então ministro dos Negócios Estrangeiros.
               
 “Nós vimos este Verão que os dados que foram pedidos parcialmente pelo FMI ou que foram enviados parcialmente pelo Governo não reflectiam a quebra de salários que existia em Portugal.    Portanto dá a ideia que há umas ligações obscuras e promíscuas entre a troika e o Governo português, e que o Governo se serve da troika e que a troika se serve do Governo”.    A afirmação pertence a Constança Cunha e Sá, que falava ontem na antena da TVI24, comentando o périplo pelas instituições que compõem a troika iniciado pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, e pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque.
 
Aliás, lembrando as “posições extremadas" dos dois governantes, Constança Cunha e Sá assinalou:   “Gostava de saber se Maria Luís Albuquerque já se converteu às teses de crescimento de Paulo Portas ou se foi o contrário”.    E prosseguiu a comentadora, “quando eu fui de férias as posições eram extremadas. (...) Como eu não vi nenhum deles recuar em relação a ponto nenhum (...) não consigo perceber como é que esta trindade de repente se vai dar tão bem em relação a divergências profundas que existiam no seio da coligação”.

“Qual é a política, a estratégia do Governo?    Quer promover o emprego, o crescimento?    Ou quer continuar com uma política de austeridade, como sugere o corte de 4.700 milhões de euros que ainda estamos à espera que se concretize”, questionou Constança Cunha e Sá.
Aliás, em seu entender, “o simples facto de o resultado das negociações ser apresentado só a seguir às eleições [autárquicas] mostra que, de facto, não vem aí nada de bom e que o Governo não está em condições de explicar o que é que, no fundo, pretende do País”.

Ora, sem isso, não vale a pena andar depois em guerras soltas com o Tribunal Constitucional”, observou a comentadora, concretizando:    “Porque essas guerras, que depois o Governo inventa, são no fundo uma consequência da falta de rumo, da falta de estratégia, da falta de política que o Governo tem.    E é uma forma de disfarçar o fracasso das políticas”.

(Fonte)