sexta-feira, 28 de novembro de 2014

UM FINGIDOR






Nunca gostei da personagem política “José Sócrates”, desde a campanha para secretário-geral do PS (em que ele prometeu não aumentar impostos que, de facto, aumentou) até à sua ascensão a primeiro-ministro, muito ajudado por Pedro Santana Lopes e pela reputação de autoritário que entretanto adquirira.

Não tranquiliza particularmente ser governado por um indivíduo que se descreve a si mesmo como um “animal feroz”, nem por um indivíduo que prefere a força política e legal à persuasão e ao compromisso. Se o tratam mal a ele agora, seria bom pensar na gente que ele tratou mal quando podia: adversários, serventes, jornalistas, toda a gente que tinha de o aturar por necessidade ou convicção. Sócrates florescia no meio do que foi a sufocação do seu mandato.

O dr. António Costa quer hoje separar os sarilhos de um alegado caso criminal do seu antigo mentor da política do Partido Socialista e do seu plano para salvar a Pátria. O que seria razoável, se José Sócrates não encarnasse em toda a sua pessoa o pior do PS: o ressentimento social, o narcisismo, a mediocridade, o prazer de mandar. Claro que, como qualquer arrivista, Sócrates se enganou sempre. Começou pelos brilhantíssimos fatos que ostentava em público, sem jamais lhe ocorrer se as pessoas que se vestiam “bem” se vestiam assim. Veio a seguir a “licenciatura” da Universidade Independente, como se aquele papel valesse alguma coisa para alguém. E a casa da Rua Braamcamp, que é o exacto contrário da discrição e do conforto e último sítio em que um político transitoriamente reformado se iria meter.

Depois de sair do Governo e do partido, Sócrates mostrava a cada passo a sua falsidade, não a dos negócios, que não interessam aqui, mas da notabilidade pública, por que desejava que o tomassem. Resolveu estudar em Paris, para se vingar da humilhação do Instituto de Engenharia e da Universidade Independente, e resolveu fazer um mestrado em “Sciences Po”, sem perceber que o mestrado é uma prova escolar de um estatuto irrisório. Em Paris, viveu no “seizième”, o bairro “fino”, como ele achava que lhe competia, e, de volta a Lisboa, correu para a RTP, onde perorava semanalmente para não o esquecerem: duas decisões ridículas que só serviram para o prejudicar, embora estivessem no seu carácter. Como o resto do país, não sei nem me cabe saber se o prenderam justa e justificadamente. Sei – e, para mim, chega – que o homem é um fingidor.

(Vasco Pulido Valente, PÚBLICO - 28/11/2014)


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

La chute d’un «opportuniste sans idéologie»






FRANÇOIS MUSSEAU MADRID, 26 NOVEMBRE 2014



L’ex-leader socialiste est incarcéré depuis mardi dans une prison qu’il avait inaugurée lorsqu’il était Premier ministre du Portugal.

«L’incomparable José Sócrates», ironise l’éditorialiste du quotidien Publico José Miguel Tavares. «The Special One», s’amusent plusieurs commentateurs, appliquant à celui qui dirigea le Portugal entre 2005 et 2011 le surnom d’ordinaire attribué au sulfureux entraîneur de foot José Mourinho. Après avoir été longtemps prudents, voire trop respectueux avec Sócrates, Sol ou Correio Da Manha exceptés, les médias portugais se livrent désormais au grand déballage contre celui qui a créé la sensation, lorsqu’il fut interpellé à l’aéroport de Lisbonne, vendredi.

Motif de cette détention inédite : «fraude fiscale» et surtout «corruption» et«blanchiment de capitaux». Le montant des sommes qu’aurait détournées Socrates n’est pas connu, mais la presse nationale parle de dizaines de millions. Depuis environ un an, la brigade financière portugaise, la DCIAP s’était étonnée de son train de vie à Paris, où il réside : un appartement de 2,8 millions d’euros, la fréquentation de restaurants de luxe… Des écoutes téléphoniques auraient fait le reste.

«UN DEGRÉ SUPPLÉMENTAIRE D’IMMORALITÉ DANS LA VIE PUBLIQUE»

L’ancien leader socialiste, qui en mai 2011 avait démissionné alors que son pays était au bord de la faillite financière, a été placé mardi en prison préventive à Evora, dans un de ces établissements modèles qu’il avait lui-même inauguré alors qu’il était le fringuant Premier ministre ! Chaque jour, déjà écœurés par une série de scandales en cours (tous liés à la «décennie heureuse» de l’argent facile, 1995-2005), les Portugais découvrent le détail des forts soupçons qui pèsent sur José Sócrates – et ce, même si le secret de l’instruction a été déclaré par les magistrats.

«Son incarcération, c’est la cerise sur le gâteau d’un système corrompu, souligne un présentateur de la RTP, la télé publique. L’affaire Sócrates correspond à un degré supplémentaire d’immoralité dans la vie publique. Une sorte d’électron libre.» Avec, comme alter ego dans le monde financier, son ex-compère Ricardo Salgado, l’ancien président de la banque Espírito Santo, lui aussi interpellé, en juillet, pour blanchiment de capitaux.

HOMME DE PAILLE

Officiellement, lorsqu’il déménage à Paris au printemps 2011, José Sócrates prend une retraite politique «bien méritée», celle d’un honnête citoyen qui a servi son pays«le mieux possible». Désireux de «réfléchir et de prendre le temps», il s’inscrit à Sciences-Po pour faire une thèse doctorale. Et, tel un observateur assagi au-dessus de la mêlée, participe à des émissions de la RTP pour commenter la vie politique portugaise. Il dit alors n’avoir qu’un seul compte bancaire et, pour louer un appartement dans la capitale française, affirme recourir à un prêt. Un politicien modèle, en somme, qui a su s’arrêter à temps et que la cupidité n’aurait pas rongé.

Sauf que, de source judiciaire, ce qui a motivé son arrestation raconte une tout autre histoire. Son chauffeur João Perna, lui aussi interpellé, faisait souvent le trajet Lisbonne-Paris en voiture pour lui remettre de grosses quantités d’argent en liquide. A partir de janvier 2013, José Sócrates est consultant pour la multinationale pharmaceutique Octapharma AG, pour laquelle il touche 12 000 euros par mois. Mais, selon le quotidien Sol, la multinationale lui versait 12 000 euros supplémentaires correspondant en réalité à son propre argent issu d’une société offshore mise au nom de son ami d’enfance, l’entrepreneur Carlos Santos Silva. Ce dernier, tout comme son épouse, aurait servi d’homme de paille dans le cadre d’un réseau sophistiqué de sociétés-écrans contrôlés par Sócrates.

LEADER LOUCHE, «TOUJOURS BORDERLINE»

Lorsqu’il était en fonction, l’ancien chef du gouvernement a révolutionné la vie politique portugaise. Sanguin, autoritaire, des manières un peu bling-bling à la Sarkozy, il a su dépoussiérer une administration ankylosée, voire inefficace, et obtenir, lors de son premier mandat, des résultats probants. Mais, en parallèle, José Sócrates fut ce leader louche, ce «produit médiatique» ou «politicien Armani» (dixitle Publico pour fustiger son côté gauche caviar), impliqué dans maints scandales et parvenant à chaque fois à se sortir des griffes de la justice. «Depuis les origines, il a été ce jeune loup, opportuniste, sans idéologie, obsédé par l’escalade des échelons vers le pouvoir suprême, toujours borderline», dit l’historien Fernando Rosas. Ancien militant du parti de droite, le PSD, passé chez les socialistes en 1981, cet admirateur de Tony Blair a connu un parcours peu limpide. Il y a d’ailleurs de fortes chances que son diplôme d’ingénieur civil, obtenu en 1980, soit un faux.



quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PORTUGAL ESTÁ À VENDA !






O caso PT é o epílogo de uma longa história de privatizações, gestão deficiente, ganância e alienações ao desbarato. A crise e a falta de liquidez do País fazem o resto. Ninguém está inocente, nem o Estado nem os privados. Veja um filme do qual não conseguirá sair:


A vida da PT (Portugal Telecom) dava um filme.   Em 1999, data de entrada do "gestor modelo" Zeinal Bava na empresa, ela valia 11 380 milhões de euros.   No ano seguinte, processa-se a privatização e o Estado fica com 500 ações douradas (de que abriria mão, com a vinda da troika, em 2011).   Essa golden share viria a ser importante para travar a OPA do Grupo Sonae em 2007, com o argumento do risco de posterior venda a estrangeiros...   Começa a aposta no Brasil e, em 2004, a empresa atinge o seu zénite, com um valor em bolsa de cerca de 11 400 milhões de euros.   Foi há dez anos.   Hoje, valerá menos de 10 mil milhões.   Desvalorizou-se, numa década, o equivalente a uma verba superior ao que o Estado paga, por ano, em juros da dívida pública.   Ou, se quisermos estabelecer outra comparação, a perda de valor da PT ultrapassa o custo, por ano, do Serviço Nacional de Saúde.   Mais, enfim, do que o total do défice das contas públicas previsto para 2014.   Como foi possível?

O pesadelo aconteceu devido ao facto de Portugal estar a ser vendido a retalho e a preço de saldo.   A história da PT é o epílogo de um longo período de depauperamento da economia nacional.   A PT era uma empresa de vanguarda, um exemplo de inovação, agressividade comercial e internacionalização, que a ganância de alguns acionistas e um acto de gestão terceiro-mundista - a inexplicável exposição ao Grupo GES - deitou abaixo.   Atónitos, os portugueses constatam que, afinal, a empresa terá sido gerida, nos últimos anos, de lápis na orelha.   Mesmo assim, Zeinal Bava, depois de ter "entregue" a PT à Oi, sai do grupo brasileiro com uma indemnização de (valores não desmentidos) 5,4 milhões de euros.

Engarrafar e vender o ar

Porque deixámos que quase todos os sectores ditos estratégicos (o que quer que isso seja) caíssem em mãos estrangeiras?  A responsabilidade deve ser assacada ao Estado - e aos governos PS, PSD e CDS - ou, também, aos privados?   Quem não se lembra da venda do Banco Totta & Açores ao Grupo Champalimaud e do seu desaparecimento nas goelas do gigante espanhol Santander?   Onde param as boas intenções do grupo de empresários que, patrioticamente, produziram documentos a jurar velar pela manutenção dos centros de decisão em Portugal?   Pois não foram eles os primeiros a vender tudo e mais alguma coisa, pela melhor oferta?

Para João Cravinho, antes de haver sectores estratégicos "teria de haver estratégia", coisa que, na opinião do ex-ministro socialista dos governos Guterres, "não existe, nem no sector público nem no sector privado".   Mais, o alheamento das autoridades deve-se à teoria de que "não faz sentido ter uma estratégia", quando tudo se resume a questões "que se resolvem no e pelo mercado, deixando que as leis da concorrência funcionem".
E, no entanto, a lei dos sectores estratégicos, publicada a 15 de Setembro, até parece salvaguardar o essencial, talvez tarde de mais:   assegurar os "activos estratégicos essenciais para garantir a defesa e segurança nacionais e segurança do aprovisionamento do País em serviços fundamentais para o interesse nacional, nas áreas da energias, dos transportes e comunicações, enquanto interesses fundamentais de segurança pública".   

Mas basta pensar na privatização, ou, para sermos mais justos, na concessão a privados da exploração das Águas de Portugal, para concluir que só o ar que se respira não está privatizado porque ainda não é possível ser consumido engarrafado.

Cimentos, banca, estaleiros navais, siderurgia ou até empresas que nos habituámos a ver exportadoras, como a Sorefame, ou desapareceram, ou perderam importância ou caíram em mãos estrangeiras.   Algumas, como a CIMPOR, mantêm o centro de decisão em Portugal (apesar de ser detida, em 100%, por capitais brasileiros).   Outras nem isso.   Opções ideológicas à parte, o Estado não pode ser culpado de tudo nem tem de ser empresário.   O raquitismo das empresas nacionais e a necessidade de liquidez do País, quer no sector público quer no privado, é que representam as verdadeiras causas da "venda de Portugal" ao desbarato.   A tudo isto não foi alheio o aliciamento de governos incautos e sedentos de votos pelo dinheiro fácil do crédito internacional, aliado à estratégia norte-europeia de desmantelamento do sector produtivo dos países com economias menos pujantes.   O endividamento subsequente levaria à venda baratinha do que era apetecível nesses países (um cenário que também vimos na Grécia) a grandes grupos internacionais.   Parece um plano...

O que é curioso é que os compradores nem sempre vêm de onde se espera.   Por exemplo, os 4,7 mil milhões de euros das privatizações de EDP (2 690 milhões), da REN (387 milhões) e da Caixa Seguros (1 632 milhões) provêm de grupos chineses, respectivamente a Three Gorges, a State Grid (agora também interessada na EFACEC) e a Fosun, que se tornaram, assim, os principais animadores das privatizações portuguesas.   Por ironia, estas empresas são todas imensas golden-shares do Estado chinês, que também aprecia o funcionamento do mercado - mas à sua maneira...

Mas voltemos ao velho argumento:   deixar que o mercado e a concorrência funcionem.   De acordo.   Mas, para o economista Ricardo Cabral, professor da Universidade da Madeira "a perspectiva de um governo não deve ser a de um mero accionista".   Dado o seu peso, o Estado tem de agir em prol do "interesse público".   E de acordo com o investigador, os governos devem ter em conta também os outros impactos na globalidade da economia.
Mas não tem sido isso que tem acontecido, já que as avaliações são feitas a olhar para o "valor accionista" das empresas, destaca Cabral, criticando alguns aspectos dos programas de privatização dos últimos anos.   "Não parece que tenha sido um grande sucesso", afirma.  "Privatizámos quase tudo, nas últimas décadas e não ganhámos muito com as privatizações no seu todo.   As receitas das privatizações não têm contribuído para reduzir a dívida pública, que aumentou.  E a agravar isso, temos, neste momento, menos instrumentos para a gestão económica do País", com a maior parte das empresas privatizadas a terem ficado nas mãos de não residentes.

Também se tem falado, com preocupação, de eventuais aumentos pós-privatização dos preçários dessas empresas.   Sobretudo daquelas que possam ter impactos importantes na competitividade de sectores estratégicos da Economia, como o turismo e os exportadores.  Disso é emblemático o caso da ANA - Aeroportos de Portugal, cuja operação foi concessionada, há dois anos, aos franceses da Vinci, e cujos aumentos sucessivos das taxas aeroportuárias têm suscitado polémica.   Desde que foi privatizada, a ANA já aumentou quatro vezes as suas taxas e tenciona continuar a fazê-lo:   até 2022 as taxas deverão sofrer incrementos de mais de 20 por cento.   O presidente da Ryan Air, Michael O'Leary, já afirmou que o modelo de taxação praticado pela operadora é caraterístico de "regimes comunistas".   Os responsáveis da ANA deverão ir esta quinta-feira, 15, ao Parlamento prestar esclarecimentos sobre os polémicos aumentos.

Para Francisco Louçã, "Portugal está transformado em sucata", mas, mesmo assim, e recordando que o crédito às empresas caiu 40% em agosto, "o Estado devia ter poder de regulação, mesmo depois do 'assucatamento'".   A concessão de crédito depende da banca mas não tem sido possível usar esta ferramenta para bombear sangue para a economia nacional.   Até mesmo o banco público, a Caixa Geral de Depósitos, por ter o menino do BPN nos braços, perdeu, em parte, essa capacidade.

Quanto vale a TAP ?

João Cravinho, que foi ministro do Equipamento, adverte:   "Quando a Mota Engil 'soltar' a Martifer, esta vai cair nos braços de alguém..."   E volta a defender a dama do malogrado novo aeroporto:   "A TAP vale o que quiserem dar. Mataram a TAP no dia em que descartaram a hipótese de construir um aeroporto capaz de receber mais 20 ou 30 voos."
 Se um novo aeroporto era um preço um bocado elevado a pagar pela valorização da companhia aérea nacional, esta bem pode ser, no entanto, o exemplo de uma empresa com um preço impossível de medir em euros.   A TAP é, mal comparado, como o hino ou a bandeira, um símbolo nacional, junto das comunidades e da lusofonia.   A ponte aérea dos retornados, em 1975, nunca teria sido possível se o Estado não tivesse à sua disposição este instrumento.   Essa componente de defesa nacional mantém-se:   quem valeria aos 200 mil nacionais em Angola, se houvesse necessidade de uma evacuação rápida?

Mas o factor psicológico, simbólico ou de soberania não é o único a contabilizar, nestas contas imensuráveis.   Nas contas de Ricardo Cabral, a TAP gera um valor de entrada anual de divisas em torno dos 27,5 mil milhões de euros - 13% da dívida externa líquida.   Cerca de três quartos da operação é vendida no estrangeiro.   Com o País ainda à beira da bancarrota, com um grave défice da balança de pagamentos e ainda sem a ameaça de saída do euro dissipada, "as divisas geradas direta e indiretamente pela TAP são preciosas".   À luz destes argumentos, a serem pertinentes, a TAP já não seria uma joia da coroa ou um anel:   seria o próprio dedo indicador.

Com quatro interessados (um consórcio entre o português Miguel Pais do Amaral, Frank Lorenzo, ex-proprietário da Continental Airlines, e o grupo Barraqueiro, os espanhóis da Globalia, os brasileiros da Azul e Gérman Efromovich), o processo não avança.   Uma das razões será a falta de consenso no seio do próprio Governo, quanto à participação a vender e em relação ao timing da respectiva alienação.   E esta história, a acabar como a da PT, também dava um filme.

Tirem-nos dele.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

NOVO BANCO... FRAUDE VELHA !






Portugal assistiu ontem a um evento raro.   O Banco de Portugal tentou convencer o país, — e o mundo financeiro —, da suficiência de um programa de resolução para o Banco Espírito Santo.   Uso a expressão “tentar convencer” sem segundas intenções:  sendo a confiança o elemento essencial na relação entre os clientes e o sistema bancário, o trabalho de um banqueiro central é sempre um trabalho de persuasão.

Como tal, só o tempo poderá dizer se o esforço de persuasão de hoje funcionou ou não.   Se nos próximos dias os depositantes do antigo Banco Espírito Santo, agora crismado de Novo Banco, não forem alarmados por novos esqueletos no armário, pode ser que o banco central consiga superar a primeira prova deste exercício de alto risco.   O resto é bem mais complicado e compete ao governo;   cá estaremos para ver se poderá cumprir-se a promessa de o caso BES não contaminar a dívida pública e não prejudicar os contribuintes portugueses.   A divisão do BES entre “banco mau” e “banco bom”, com todas as complexidades e incertezas que ela oculta, torna tudo isto muito duvidoso.

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, foi forçado a admitir que a gestão do Banco Espírito Santo foi muito pouco católica:  nos últimos tempos, e provavelmente bem antes disso, a administração do banco, e do grupo familiar em que ele se inseria, incorreram numa série de fraudes e ocultações.  Depreende-se claramente do que disse Carlos Costa que haverá responsabilidades criminais a apurar.  (podemos acreditar nisso???...)

Apesar do nome do “banco bom”, Novo Banco, ser uma ingénua tentativa propagandística para fazer crer às pessoas de que estamos a entrar num tempo de fazer tábua rasa, as fraudes do Banco Espírito Santo não têm nada de novo.

E é aí que houve algo de ainda mais extraordinário naquele momento extraordinário.  Carlos Costa confessou a inoperância das entidades reguladores perante o capitalismo financeiro conforme ele funciona hoje.   As fraudes do Banco Espírito Santo não têm nada de novo:  basicamente, dependem da utilização de jurisdições ocultas, empresas-veículo em paraísos fiscais, e um carrossel de operações entre todas elas. 

O sistema continua tão opaco quanto sempre.  Nada mudou.  E o governador do banco central confirmou que só quando o banco estoura é que se consegue levantar a ponta do véu.   A podridão do império BES ainda está por descobrir.

Posto desta forma, Carlos Costa não disse mais do que dizem todos os grandes críticos do capitalismo actual.  Só o disse de forma menos clara.  Os velhos vícios continuam intactos por debaixo dos “novos bancos”.

Há maneira de acabar finalmente com isto.  Separar bancos de investimento de bancos tradicionais.  Obrigar os bancos europeus a revelarem tudo o que fazem as suas subsidiárias.  Legislar, ao nível da União Europeia, no mesmo sentido dos EUA com a sua lei FATCA, que obriga todas entidades fiscais, coletivas ou individuais, a declararem os activos que detêm fora da sua jurisdição de origem.  E, finalmente, criar uma unidade especial de investigação ao crime financeiro e económico, sediada no Banco Central Europeu ou na Europol.


Tudo isto pode ser conseguido, mas não pelos governos que temos hoje.

(RUI TAVARES - Público - 04/08/2014)



domingo, 3 de agosto de 2014

O PIOR DOS PESADELOS...





Já ninguém está preocupado com a família Espírito Santo e poucos são os que se preocupam com o Governo, os partidos que o apoiam e o regulador.   A todos podemos substituir, mas a pancada que volta a sobrar para os portugueses vai doer muito mais do que é possível imaginar.  
Esses portugueses são pequenos accionistas, trabalhadores de empresas que acabarão por falir, que dependem de um sistema bancário que passa de bestial a besta e de uma economia que dava sinais de recuperação e que ameaça entrar novamente em depressão.   

Por muito que a elite pense que sim, a necessidade de o Estado intervir para salvar um banco que julgávamos salvo não é o problema maior.   
Este país não tem solução enquanto todos os poderes pactuarem com um sistema que favorece o enriquecimento ilícito, que julga na praça pública por ser incapaz de fazer justiça nos tribunais, que despreza a competência e aplaude o amiguísmo, que se mostra totalmente incapaz de promover a igualdade de oportunidades.  Um sistema que recicla os donos disto tudo, mas apenas para substituir uns pelos outros.

O capitalismo sem ética, a que aludiu o Papa Francisco como uma das principais chagas do mundo moderno, é que nos tem arrastado de desgraça em desgraça. Agora, que começávamos a pôr a cabeça fora de água, aproximando as nossas despesas das nossas receitas, podemos ter de começar todo o calvário de novo.   O pior é que muita gente, muita gente mesmo, não tem como aguentar nova tragédia que obrigue o Governo a cobrar mais impostos, a banca a reter capital e as empresas a despedir.

Tudo isto é mau, muito mau mesmo, mas ainda não é o pior dos pesadelos.   Imaginem que Ricardo Salgado, tocado pelas santas palavras do Bispo de Roma, resolve redimir-se do seu capital pecado e confessar o carácter diabólico que presidiu às suas relações nas últimas décadas.   É que não há banco do regime sem regime, nem regime sem titulares do poder, nem corruptores sem corruptos.  Nós sabemos como, entre as migalhas e os grandes banquetes, muita gente comeu à mesa do último banqueiro.

Se ele se confessa, o colapso que se abateu sobre a família Espírito Santo será de repercussões bem maiores, envolvendo outros banqueiros, empresários que foram apenas testas-de-ferro, milionários de toda a espécie, dezenas ou centenas de políticos, alguns jornalistas e magistrados...   Não faço ideia se ficaria pedra sobre pedra e até imagino que esta catarse deixaria mais feridas do que curas, mas, pelo menos, viveríamos na verdade.

Deve ser porque vejo muita gente com medo que Ricardo Salgado conte tudo o que sabe que este pesadelo parece real.   Ele, afinal, ainda tem muito poder.   A destruição criativa continua nas mãos deste homem.

(Paulo Baldaia, DN - 3/AGO/2014)


quinta-feira, 31 de julho de 2014

A verdade negra por detrás das lâmpadas de baixo consumo



Existe uma mentira altamente perigosa por detrás das supostas vantagens das lâmpadas (fluorescentes) de baixo consumo – elas contêm mercúrio e são tóxicas.  Com a chegada destas lâmpadas ao mercado conseguiu-se  reduzir o consumo de energia, mas não a contaminação.  Quando estas lâmpadas se quebram e os seus vapores são inalados, o teor de mercúrio nelas contido constitui um perigo para a saúde.

A Universidade de Calgary foi a primeira instituição a demonstrar como o mercúrio ataca directamente o cérebro e destrói os neurónios.  Cada átomo de mercúrio provoca danos irreversíveis.  Uma pequena quantidade é suficiente para causar uma doença grave.  O vapor de mercúrio é especialmente tóxico porque é quase completamente absorvido por inalação, mas não voltará a ser expulso rapidamente.  Invade outros órgãos, tais como os rins, várias glândulas e especialmente o cérebro, onde pode permanecer durante décadas.

Quanto mercúrio está numa lâmpada economizadora de energia?   O método de medição estipulado pelas autoridades comerciais da União Europeia envolve a destruição da ampola, que deverá ser cortada em pedaços, decomposta e analisada em ácido.  Mas o método tem uma falta grave:  apenas os componentes líquidos de mercúrio são medidos. Os gases escapam-se.

A utilização das lâmpadas de baixo consumo foram impostas por lei sem considerar os riscos de saúde e ambientais, quando quebradas ou descartadas.  Nem nada foi estabelecido sobre a responsabilidade das empresas fabricantes, ou sequer foram criados espaços obrigatórios para receber lâmpadas fora de uso.  
Quando uma lâmpada de baixo consumo se quebra, uma parte do revestimento fluorescente dentro da ampola solta-se sob a forma de pó.  Esta poeira está contaminada com mercúrio, consequentemente, qualquer recipiente utilizado para depositar a lâmpada quebrada também ficará contaminado com mercúrio. Na maioria dos países, estas são atiradas no lixo doméstico e  o mercúrio derramado irá parar a lixeiras a céu aberto.

Como medida mínima de precaução, ao quebrar-se uma destas lâmpadas torna-se absolutamente necessário evacuar a respectiva sala durante, pelo menos, um quarto de hora, ventilando-a convenientemente.

As duas maiores empresas fabricantes destas lâmpadas são a Phillips e a Osram.  Nenhuma delas se preocupa com este assunto, face à sua possível perda de vendas.  E isto ainda se agrava muitíssimo mais quando pensamos na imensa fabricação proveniente da China, para mais sem qualquer controle de fabrico e de dosagens de mercúrio.





domingo, 20 de julho de 2014

Quando eu for grande... também quero brincar assim! (Ken Block)



É impressionante o que um montão de cavalos dentro de um carro pode fazer, quando conduzidos por um par de mãos (e de pés...) com uma tremenda capacidade artística nas quatro rodas.  É de ver.  E de ficar extasiado!...




segunda-feira, 14 de julho de 2014

Mulheres... boas que se fartam a tocar no instrumento!



Salut Salon – é um sensacional quarteto de cordas alemão, constituído por quatro mocinhas giras e que sabem tudo sobre “como bem tocar num instrumento”.    Denominam-se a si próprias como "um conjunto acrobático de Música de Câmara", e apresentam-se em palco com uma irreverência e um sentido de humor muito peculiares, o que as torna já virais através deste video onde interpretam a conhecida composição de Antonio Vivaldi, “The summer”.





sábado, 28 de junho de 2014

"(SEXO), MENTIRAS E SACANICES" - FMI - As Duas Faces do Grande Capital






FMI reconhece “custos desnecessários” dos
ajustamentos sem reestruturação da dívida


Um relatório apresentado aos dirigentes do FMI concluiu que teria sido preferível renegociar a dívida dos países sem acesso aos mercados, assim reduzindo os custos para credores e devedores.   E reconhece que a reestruturação feita na Grécia para salvar os credores privados só veio agravar o problema.

Este relatório, supervisionado por Olivier Blanchard e outros altos quadros do Fundo, pretende avaliar o quadro de ação vigente desde 2002 no Fundo Monetário Internacional para os empréstimos excepcionais no contexto de vulnerabilidade das dívidas soberanas.    conclusões, os técnicos do FMI alertam que as regras adoptadas em 2002 deram origem a “custos desnecessários tanto para os devedores como para os credores, dado que requer uma reestruturação definitiva da dívida mesmo em circunstâncias em que, a posteriori, isso se revelasse desnecessário”.

Em alternativa, os técnicos sugerem agora que nos casos em que um país tenha perdido o acesso aos mercados e ao mesmo tempo o Fundo continue a considerar a sua dívida soberana sustentável, embora sem uma alta probabilidade, “o Fundo deve ser capaz de oferecer um acesso excepcional na base de uma operação de dívida que envolva uma extensão de maturidades”, embora nesse caso não haja redução de juros ou montantes. 

Mas o relatório vai mais longe e defende que nos casos em que essa extensão de maturidades não afaste o cenário de insustentabilidade da dívida - um exemplo que se aplica hoje a Portugal ou à Grécia - deve ser efectuada uma redução da dívida, evitando a todo o custo repetidas reestruturações das maturidades.

Como sempre, o FMI olha sobretudo para o interesse dos credores, que devem dar o acordo a qualquer cenário de reestruturação “para evitarem o pior cenário, nomeadamente um default ou uma operação que envolva a redução da dívida”.   Olhando para a sua acção desde a crise grega, os técnicos do FMI reconhecem também que de nada serve uma reestruturação da dívida para salvar os credores privados, se ela não eliminar as dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida, que são a origem do risco de contágio. 

O relatório aponta os casos da Argentina e da Grécia, em que os credores privados foram reembolsados com a aplicação dos programas apoiados pelo FMI sem que isso parasse o contágio, como exemplos da "falta de credibilidade" dessa solução. 

O documento critica a opção tomada na reestruturação da dívida grega, em que o FMI financiou o pagamento das obrigações dos credores privados e reconhece agora que “esta abordagem simplesmente agrava os problemas para o país-membro e também põe em risco os recursos próprio dos do Fundo”. 

Mas esta falsa solução também contribui para “impor um peso maior no processo de ajustamento fiscal, que pode comprometer as perspectivas de crescimento a médio prazo e enfraquecer o apoio político ao ajustamento, pondo assim em causa a sustentabilidade”, conclui o relatório.

(Fonte: "Esquerda.net")

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Só resta aos poderes estabelecidos seguirem a decisão do "saudoso" Dr. Salazar: - exilá-lo!...

 
 
 
 
 
Exilar Soares, já!
 
 
Vai em cacos a vida pelos lados de São Bento e Belém – e não só.    A entrevista “escacha pessegueiro” de Mário Soares ao DN e à TSF no último domingo (conduzida por João Marcelino e Paulo Baldaia) teve efeitos de furacão num país amodorrado, amarrado pelo poder tricéfalo do PSD/CDS/PR.

Ao chamar com todas as letras os nossos principais dirigentes “delinquentes”, e ao preconizar o seu julgamento, “depois de saírem do poder”, Soares provocou ondas de choque parecidas, há já quem diga, às de Humberto Delgado quando, em 1958, afirmou demitir, obviamente, Salazar se ganhasse as eleições.

Nunca ninguém foi tão longe em relação a governantes como ele;    nunca um político com o seu prestígio, a sua obra, a sua cultura, a sua experiência, a sua projecção ousou dizer na praça pública o que ele afirmou.    Frontal, Mário Soares tornou-se o líder da oposição (moral) que nos faltava, a bandeira da nossa traída dignidade, a energia contra o nosso medo – como o foi, em jovem, ao enfrentar o fascismo e o colaboracionismo, não hesitando em propor, hoje como ontem, rupturas  (não pagamento da dívida, por exemplo)  e saltos para o futuro.

Tornado há muito demasiado sólido para ser destruído, ou difamado, ou ridicularizado  (as insinuações sobre a sua saúde mental, devido à idade, tornaram-se gratuitas),  demasiado visível para o calarem  (os comentadores pediram na TVI 24 que a comunicação social passasse a censurá-lo!),  só resta aos poderes estabelecidos seguirem, repetindo-a, a decisão do saudoso Dr. Salazar:   exilá-lo.
 
África, pois, com ele – já!    Rui Machete dará uma preciosa mãozinha nisso.
 
(Por Fernando Dacosta, in "I", 17-10-2013)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Ligações promíscuas entre troika e Governo ?...








A comentadora da TVI24, Constança Cunha e Sá, lançou, ontem à noite, na antena daquela estação televisiva, várias farpas à conduta do Executivo de Pedro Passos Coelho, designadamente no que às relações com a troika diz respeito.    Ao mesmo tempo, a comentadora política disse estranhar a aparente proximidade entre o vice-primeiro-ministro Paulo Portas e a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, quando esta última esteve na origem do pedido de demissão “irrevogável” do então ministro dos Negócios Estrangeiros.
               
 “Nós vimos este Verão que os dados que foram pedidos parcialmente pelo FMI ou que foram enviados parcialmente pelo Governo não reflectiam a quebra de salários que existia em Portugal.    Portanto dá a ideia que há umas ligações obscuras e promíscuas entre a troika e o Governo português, e que o Governo se serve da troika e que a troika se serve do Governo”.    A afirmação pertence a Constança Cunha e Sá, que falava ontem na antena da TVI24, comentando o périplo pelas instituições que compõem a troika iniciado pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, e pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque.
 
Aliás, lembrando as “posições extremadas" dos dois governantes, Constança Cunha e Sá assinalou:   “Gostava de saber se Maria Luís Albuquerque já se converteu às teses de crescimento de Paulo Portas ou se foi o contrário”.    E prosseguiu a comentadora, “quando eu fui de férias as posições eram extremadas. (...) Como eu não vi nenhum deles recuar em relação a ponto nenhum (...) não consigo perceber como é que esta trindade de repente se vai dar tão bem em relação a divergências profundas que existiam no seio da coligação”.

“Qual é a política, a estratégia do Governo?    Quer promover o emprego, o crescimento?    Ou quer continuar com uma política de austeridade, como sugere o corte de 4.700 milhões de euros que ainda estamos à espera que se concretize”, questionou Constança Cunha e Sá.
Aliás, em seu entender, “o simples facto de o resultado das negociações ser apresentado só a seguir às eleições [autárquicas] mostra que, de facto, não vem aí nada de bom e que o Governo não está em condições de explicar o que é que, no fundo, pretende do País”.

Ora, sem isso, não vale a pena andar depois em guerras soltas com o Tribunal Constitucional”, observou a comentadora, concretizando:    “Porque essas guerras, que depois o Governo inventa, são no fundo uma consequência da falta de rumo, da falta de estratégia, da falta de política que o Governo tem.    E é uma forma de disfarçar o fracasso das políticas”.

(Fonte)

 

domingo, 25 de agosto de 2013

Uma perda nacional! Acabo de ser tomado por uma tristeza infinita...


 

Fico sempre triste quando morre um homem do Goldman Sachs e recordo logo Simon Wiesenthal e a sua luta de aranha estendendo e esperando o nazi na teia antes que a natureza ou um acidente chegasse.
 
Estes também terão o seu tribunal de Nurembergue, a guerra lá chegará, e também um Simon que, implacável e metódico, os perseguirá até aos confins do Oriente.    Sem justiça a morte não é a mesma coisa.    António Borges não aguentou,   dommage.
 

antonio-borges-salarios


(João José Cardoso, AVENTAR - 25/08/2013)

sábado, 10 de agosto de 2013

Swaps, PPPs, Governo, Empresas Públicas - a infindável dança das cadeiras dos “confiáveis”!






ESPECTÁCULO   DEPRIMENTE
 
 
A pretexto dos swaps, Governo, PSD e PS tem dado um espectáculo deprimente e que seria apenas ridículo se não revelasse a completa falta de sentido de estado no tratamento da coisa pública.    Não há palavras, é uma pura mesquinhice e mais um acto na desagregação da coisa pública:   governantes sem vergonha, que são corridos em circunstâncias que, como de costume, desconhecemos na sua verdadeira dimensão;    uma coligação a disparar cada qual para o seu lado após as juras de fidelidade da semana passada;   papéis eventualmente "construídos", mesmo que a partir de documentos verdadeiros;    revelação de documentos confidenciais do estado para marcar pontos num futebol político de quinta categoria.    Vale tudo.
 
A questão dos swaps e o modo como são constituídos os governos e os altos cargos de nomeação ministerial na área económica e financeira, assim como o recurso sistemático à consultadoria externa, revelam um aspecto não discutido daquilo que deveria ser uma verdadeira “reforma do estado”.    E os efeitos fáceis e custosos para todos nós da demagogia com o estado e com a função pública.
 
O que seria natural numa administração pública moderna é que ela pudesse fornecer à decisão política todos os elementos necessários, quer técnicos, quer de informação, quer de cenários para as decisões, ao mais alto nível sem recursos exteriores por regra.    Isso significava exactamente aquilo que se está hoje a destruir:   uma função pública independente do poder político, na tradição do civil service inglês, o que significa uma garantia mais sólida do emprego do que no privado, e uma remuneração competitiva com o sector privado ao mais alto nível.    
 
Isto, em conjunto com o reforço de escolas especializadas em administração pública, e com carreiras definidas e estabilizadas, em que haveria lugar no estado para bons engenheiros, arquitectos, administradores, economistas, gestores, que pudessem ter como vocação o serviço público.    Todos os países que se desenvolveram na Europa deram um particular atenção á criação desta “alta” administração e por isso estão menos dependentes quer dos boys incompetentes, quer dos interesses representados pela transumância entre consultoras, escritórios de advogados, bancos e lóbis nacionais e internacionais.    Na prática, o que aconteceu foi a partidarização e a privatização da "alta" administração pública, as duas coisas ao mesmo tempo.
 
Não é perfeito, como nada é perfeito, e é verdade que existe nas burocracias uma tendência natural para a Lei de Parkinson, mas, pelo menos, evitava esta promiscuidade que os swaps, as PPPs, os contratos de contrapartidas na área da defesa, etc., revelam.
 
O problema dos swaps ajuda a revelar uma questão muito mais importante e decisiva para o nosso futuro democrático:    a da captura do estado pelo sistema de interesses económico-financeiros.    Este sistema ultrapassa as separações partidárias e desloca-se de governo em governo, de partido em partido, desde que estes tenham acesso ao poder.    As PPPs e os contratos swap são uma manifestação dessa captura.
 
E, claro, que também é um problema de pessoas.    Há um pequeno grupo de pessoas que circula dos bancos e das consultoras financeiras, dos escritórios de advogados e dos think tanks das universidades mais conservadoras, de instituições europeias congéneres, para os governos, ocupando, em particular, os lugares chave das secretarias de estado, das assessorias, das comissões ad hoc e grupos de estudo, dos lugares de consultores nos ministérios.    Algumas vezes assumem funções não remuneradas e “patrióticas”, mas a remuneração que recebem reflete-se em prestígio, currículo e na ascensão dentro desta elite, no próximo lugar, esse sim bem remunerado.    Garantem sempre os melhores contratos estatais para as suas consultoras, escritórios, bancos, empresas, muitas vezes sem qualquer concurso público, por ajuste directo ou convite privilegiado, são quadros indispensáveis pelos seus “conhecimentos” e pela circulação nos meios políticos.
 
Circulam também por dezenas de Conselhos de Administração, Conselhos Fiscais, Comissões de Remuneração, Comissões de Supervisão, nalguns casos concentrando literalmente dezenas e dezenas de lugares numa só pessoa.    Deve-se isso á sua particular competência?    Nalguns casos, sim.    Mas, como se vê quando as suas carreiras ficam menos protegidas e são mais escrutinadas, em muitos casos não se trata de competência.    Há apenas um traço comum do seu papel, esse sim sólido e consistente, - são “confiáveis”.

(José Pacheco Pereira, in ABRUPTO)


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Trapaceiros e burlões - o círculo de amigos do presidente. E nós... pagamos a factura!



Quem se julga esta gente?
O caso BPN continua a queimar as mãos de muita gente.    Tanto que, quando alguém que esteve ligado ao banco vai para um lugar público e tem de divulgar o seu curriculum, elimina cuidadosamente essa atividade do seu passado.

Foi isto que fez Rui Machete, foi isto que fez Franquelim Alves, passando aos jornalistas um atestado de incompetência e aos cidadãos um atestado de estupidez.

Não está em causa a compra ou venda de acções de uma instituição bancária.    Mas está em causa saber 1) - se toda a gente podia comprar ações do BPN; 2) - se toda a gente que comprou as viu recompradas pelo dobro ou pelo triplo do seu valor original; 3) - se esses ganhos assentavam na atividade normal do banco.

Ora para quem não se lembra, o BPN não estava cotado em bolsa.    Por isso, só comprava acções do banco quem a administração convidava para tal.    Foi assim com Cavaco Silva, que comprou e vendeu acções do BPN tratando diretamente do assunto com o presidente da instituição, Oliveira Costa.

Depois, a compra de acções de ações pelo banco por valores muito superiores aos que as tinha vendido não resultava do livre funcionamento do mercado - mas de uma decisão da administração e, em particular, de Oliveira Costa.

Quer isto dizer que o presidente do BPN beneficiou quem quis - e beneficiou seguramente os seus amigos.    Não por acaso, todos (ou a esmagadora maioria) os beneficiados com a venda de acções altamente valorizadas ou com vultuosos empréstimos não reembolsados são membros ou simpatizantes do PSD.    E suponho que não é preciso dizer os nomes.

Por isso, se tudo fosse tão normal e transparente, Rui Machete não teria eliminado do seu curriculum as funções que ocupou no BPN   Por isso, também não devia ter dito que isto revelava a podridão da sociedade portuguesa.

É que se este caso revela alguma coisa é a podridão com que altas figuras do PSD ligadas ao Estado ganharam muito dinheiro com um banco fantasma que era liderado por uma grupo de malfeitores.

E é esse dinheiro fácil que está agora a ser pago, com língua de palmo, por todos os contribuintes.    Mais de 4 mil milhões de euros dos nossos impostos servem para pagar as mais-valias e os empréstimos não reembolsados que o BPN concedeu.

Por isso, seria de muito bom tom que todos os que lucraram com o BPN se calassem e que não nos tentassem convencer que tudo foi limpo e transparente no dinheiro que ganharam.    É que, como de costume, os senhores privatizaram os lucros.    E deixaram para os contribuintes a socialização dos imensos prejuízos.    Haja vergonha!

(Nicolau Santos, Expresso, 2/AGO/2013)


domingo, 4 de agosto de 2013

Ah não, por favor... um sonho assim até pode ser pesadelo nestes tempos de crise!



Na verdade, eu queria mesmo era falar dos "swaps" da Maria luis Albuquerque mais do Joaquim Pais Jorge e de toda a porcaria da equipa das Finanças que chafurda num chiqueiro atolado de merda.   Tanta, tanta que a sua altura já chega às ameias mais altas do Castelo de S. Jorge!    Mas não...   como hoje estou de bom humor decidi poupar-vos, a vós e a mim, a mais esta dose reforçada de bosta imunda que inunda a baixa do Terreiro do Paço até ao Castelo, preferindo mostrar-vos antes este sonho de um pobre-diabo que, apesar de adormecido por tanta crise, ainda teve a sorte de uns momentos de liberdade e de magia.  
Isto é treta minha só para fugir ao assunto...  trata-se, tão somente, de um vídeo promocional de lingerie Agent Provocateur  dirigido pela actriz Penélope Cruz e onde (a mal aproveitada...) Irina Shayk é uma das protagonistas, surgindo aqui em poses e movimentos sensuais.
 
 
 

 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O que leva os condutores russos a filmar todos os percursos?


 
Para quem costuma pesquisar vídeos no YouTube já está familiarizado com um fenómeno estranho:  - a enorme profusão de vídeos sobre acidentes rodoviários filmados do interior de viaturas.   E todos eles têm em comum o facto de serem todos russos.   E porque terão os automobilistas russos de instalar uma câmara de filmar nos seus carros?   - será moda?   Será mania?   Exibicionismo?   Ou será obrigatório?   E por que razão?...
Os dois vídeos que se seguem dão total explicação a estas perguntas.   As leis do trânsito na Rússia enfermam de uma total e desmesurada protecção aos pedestres em caso de acidente, sujeitando os condutores a complicados processos de indemnização que envolvem valores elevadíssimos.   Mesmo que seja provada a sua inocência, muito pior quando culpado.   E isto é o bastante para que, por toda a parte e em qualquer local, inúmeras pessoas se “atirem” deliberadamente contra as viaturas para depois poderem receber as respectivas e chorudas compensações monetárias, tanto para os tratamentos hospitalares como por motivos de pretensos danos morais ou psicológicos.  
Vai daí…   dos excessos das leis até ao seu aproveitamento em benefício próprio é apenas um pequeno passo, e a generalização de tais práticas é cada vez maior.   A quanto chega a miséria por aquelas bandas…   e a quanto já desceu o respeito pelos outros e, principalmente, pela integridade física própria!   

Agora, com toda esta crise nas "europas",  já só falta que esta moda pegue por cá também...
 
 
 
 
 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

E o calhorda insensível e desumanizado não saíu de cena sem deixar o País armadilhado!...






Tiro de misericórdia


No último dia como ministro das Finanças, Vítor Gaspar assinou um decreto que pode liquidar a vida de, pelo menos, 3 milhões de portugueses.    Esse decreto determina que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (que geria uma carteira de 10 mil milhões de euros)  "terá de adquirir 4,5 mil milhões de euros de dívida soberana".
 
Sabendo-se que o referido fundo foi criado como reserva para assegurar, em caso de colapso do Estado, os direitos dos reformados, pensionistas, desempregados e afins durante dois anos (segundo o articulado de lei de bases), o golpe em perspectiva representa o risco de uma descomunal tragédia entre nós.
 
Lembremos que dos rendimentos dos seniores vivem hoje gerações de filhos e netos seus, sem emprego, sem recursos, sem amparo, sem futuro.    Lembremos ainda que os últimos governos têm sido useiros no desvio de verbas da Segurança Social para pagamentos de despesas correntes  - "o que qualquer medíocre gestor de fundos sabe que não se deve fazer", comenta, a propósito, Nicolau Santos no "Expresso".    Em 2010, dos 223,4 milhões de euros que deviam ser transferidos para o fundo em causa, o executivo apenas entregou 1,3 milhões.
 
Após ter semidestruído Portugal economicamente, socialmente, familiarmente, psicologicamente, com total impunidade e arrogância, Vítor Gaspar deixa, ao escapar-se, apontado um tiro de misericórdia aos idosos (e não só), depois de os ter desgraçado com o seu implacável autismo governamental.   

Sindicatos, partidos, oposições, igrejas, comentadores, economistas, intelectuais meteram, por sua vez, a viola no saco ante mais esta infâmia  -  entretanto, os papagaios de serviço aterrorizam as populações com a insustentabilidade da Segurança Social.

(Fernando Dacosta,  Jornal "I" em 25 Jul 2013)
 
 

sábado, 20 de julho de 2013

Assim falava o galaró de Massamá... do governo que então criticava!



E foi assim, com todo este discurso totalmente contrário ao que agora (e desde há 2 anos) vem praticando, que um aldrabão impreparado e mal intencionado ganhou as eleições.   E foi com este discurso que um irresponsável  casmurro e teimoso, sem qualquer passado político notável e com graves tiques de ditador, construiu uma campanha eleitoral baseada na mentira e se atirou ao "pote" com toda a gana e maldade que hoje lhe conhecemos.   E foi assim que, imbuídos de boa fé e acreditando cegamente neste discurso, o povo foi às urnas e lhe deu a maioria dos votos.   O mesmo povo que, logo a seguir, o galaró atraiçoou sem qualquer hesitação, "cagando" em tudo aquilo que durante meses havia prometido não fazer.  
 
Por isso, o governo deste galaró não tem mais hoje qualquer legitimidade - já há muito que não representa a vontade do povo que nele votou;  já não tem essa maioria dos votos que o levou ao "pote".   Apesar de sustentado por uma "falsa" maioria parlamentar, não tem, jamais, a confiança do povo que o elegeu.

Urge, por isso, terminar de vez com o poder maléfico (que ainda detém) de um governo moribundo e infecto,  ainda para mais de chefia agora bicéfala e perigosamente doentia!




quinta-feira, 18 de julho de 2013

O PESADELO !!!





 
Não me recordo de um Presidente, na II República, ter sido criticado com tanta veemência e haver sido objecto de tantos enxovalhos como este dr. Cavaco que nos coube no infortúnio.   
 
Pelos vistos e feitos, tem tripudiado sobre a natureza da função, denegrido as características de "independência" constitucionais que jurou defender e resguardar, e tomar atitudes de soba com a displicência de quem não tem satisfações a dar.    A sua presença em Belém tem sido assinalada por uma série de disparates, incúrias, pequeninas vinganças, intrigas baratas, aldrabices indolentes como a das falsas escutas.    O pobre homem, por lacuna cultural e outras, não está hipotecado aos princípios republicanos que o 25 de Abril reanimou, embora fugazmente.    Pertence a outra vigília, a outra aposta, e a um passado vazio de sentido histórico.    Não soubemos evitar o triste incidente do seu surgimento, que se tornou uma pavorosa ameaça.   
 
Nada, ou pouco mais do que nada, se lhe pode aduzir, politicamente, em seu abono.    Onde toca, dificulta ou emaranha.   
 
(Extrato da crónica de Batista Bastos no DN)
 
 

sábado, 6 de julho de 2013

Cavaco forçou a união entre água e fogo. E agora?






Em tempos de míngua profunda, o povo fica mais atento às elites, que julga com dureza.    Os últimos dias em Portugal tornaram a fuga de Durão Barroso para o conforto de Bruxelas uma brincadeira inofensiva.
 
A crise política tem como protagonista o actor do costume – Paulo Portas.    Que importa o sofrimento dos portugueses nestes dois longos anos?    Com este espetáculo mundial, para Portas ficou claro que muito pouco.
Pode um homem de Estado ceder a estados de alma?    Claro que não.    Paulo Portas, para surpresa de Cavaco Silva que o julgava regenerado, disparou mais uma vez sem piedade.    Desta, o tiro saiu-lhe pela culatra.    Passos Coelho fez da obstinação qualidade e não cedeu à queda.    Portas passou a ser apontado como responsável pelo radical agravamento da crise.

Mas ser obstinado é no Primeiro-Ministro geralmente um defeito.   Cada vez mais fechado na sua redoma, Passos Coelho dá laivos de homem tocado pela divindade.    Com missão bíblica.    No seu delírio de líder, Passos não admite mais do que um grilo falante, agora Poiares Maduro.    E nisto Portas tem razão – um primeiro-ministro não pode planar em nuvens de absoluto com ouvidos de virgem.
 
Mas a histeria política de Portas ressoará na memória dos portugueses, e Passos não deixará de ser quem é.    Cavaco forçou a união entre água e fogo. E agora?
Se Portas não conseguir tirar miríades de coelhos duma nova cartilha económica, Cavaco ficará cunhado para sempre no nosso destino.

(Octávio Ribeiro, CM)


 

terça-feira, 2 de julho de 2013

E agora, paspalho arrogante, que vais fazer a seguir? Qual é o teu passo seguinte?





E agora?...

Claro que, de ti, já tudo se pode esperar - até mesmo continuar como se nada tivesse mudado.   Ceguinho que nem uma porta por imaturidade política e obcecado pelo poder, viras mais uma vez as costas ao óbvio e continuas em frente.   Incapaz de reconhecer a dimensão das asneiras que fizeste durante dois anos, incapaz de reconhecer que já não tens (como há muito não tinhas) condições para continuar a governar, incapaz de reconhecer que olhas em volta e estás sozinho, que já não tens o apoio do povo, novos e velhos, que tens espezinhado, que já não tens o apoio do teu parceiro de coligação, do teu próprio partido e até mesmo do teu próprio governo, teimoso e irresponsável como és irás querer continuar como se nada tivesse mudado.   E o mais incrível - com a ajuda incondicional de uma "múmia" ainda mais ceguinha do que tu!
 
Miserável, que tiveste na mão, durante dois anos, a possibilidade de reabilitar os escombros deste País que outros se haviam encarregado de destruir.   E rejeitaste obstinadamente essa oportunidade.   Com um povo inteirinho a dar-te essa oportunidade, apesar de todos os sacrifícios exigíveis e não exigíveis a que o submeteste.
 
Sabes...    não passas de um garoto!    O teu governo não passa de um bando de garotos!   Tem, ao menos, a dignidade de apresentar uma moção de confiança no Parlamento e vai-te embora.   Toda a gente está farta de ti, da tua cara, dos teus modos e do teu governo.  
 
Olha...    faz o que aconselhaste aos jovens - EMIGRA!!!


Em tempo de desalento... esta fantástica homenagem a Portugal e ao seu talento!



"Canção do Mar" - aqui magistralmente interpretada por duas jovens russas, Pelagia e Elmira Kalimullina,  actuando num programa de talentos de uma cadeia de TV russa.   Amália Rodrigues foi a sua criadora, todavia esta interpretação copia a de Dulce Pontes, qualquer delas bem representativa do enorme talento português!   Admirável é, também, a capacidade das russas apreenderem tão fielmente a língua portuguesa (de Portugal).




A escolha, só por si, reflete bem o desnorte de um primeiro-ministro inapto e acabado!





O rosto da incompetência, da imaturidade e da teimosia...

 
«Trocar Vítor Gaspar por Maria Luís Albuquerque não é mudar de política.    É trocar um obstinado com poder por uma obstinada sem poder.    A obstinação não é em si mesmo um problema, mas num Governo em que Passos Coelho nunca mandou nem deixou mandar, quem mandará agora?    A troika, ainda e sempre?    Ninguém?»    (Pedro Santos Guerreiro, Negócios)
 
«A escolha de Maria Luís Albuquerque para sucessora do ministro das Finanças é uma cabal demonstração de que o governo está a viver os seus últimos dias.    O envolvimento da secretária de Estado no escândalo dos swaps faria dela a última hipótese para o cargo, se vivêssemos tempos normais.    Como qualquer primeiro-ministro na decadência, Passos Coelho já não tem outra margem de manobra senão recrutar no seu círculo íntimo.    Infelizmente para todos nós, a queda do governo será uma excelente desintoxicação, mas não resolverá o problema na raiz  -  o PS de Seguro terá de se confrontar com os mesmos loucos que governam a Europa, o mesmo euro disfuncional e a sua margem de mudança será, infelizmente, reduzida.»   (Ana Sá Lopes, Jornal I)