terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Um dia... os "mansos" ainda vão rebentar as correntes !

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O governo como agitador social


Todos os que não puderam fugir às várias contribuições, como é o caso dos funcionários públicos, estão agora a ser castigados, o que é justo, porque dos mansos será o reino dos céus.
Assim, depois de anos a contribuir para a construção de hospitais, escolas e estradas, depois de, por várias vezes, terem sido aumentados abaixo do valor da inflação, depois dos cortes salariais, depois de um corte no subsídio de Natal deste ano, depois de ficar dois anos (na menos pior das hipóteses) sem dois subsídios (ou seja, com mais um corte salarial), os mansos sabem hoje que todos os seus contributos foram desbaratados por corruptos e incompetentes e assistem ao triste espectáculo de um Primeiro-ministro que se limita a receber ordens de uma dupla chauvinista sem sequer tentar negociar a defesa das condições de vida dos portugueses.

Como se isso não bastasse, não há preço que não aumente, incluindo, por exemplo, o das taxas moderadoras, o que constitui, na realidade, uma sobrecarga contributiva para todos os mansos que andaram anos a descontar para um sistema de saúde que, por isso mesmo, nunca seria gratuito.
Para que o quadro fique completo, os mesmos mansos têm sido considerados uns privilegiados que têm vivido acima das suas possibilidades, responsabilizados pela dívida, confundidos com as gorduras que, afinal, ninguém corta, e têm sido aconselhados a ficarem calados, a não fazerem ondas, em nome de um desígnio que poderá ser financeiro, mas não é nacional.

É bom que se perceba, então, donde parte a agitação social.   Falta saber aonde chegará.

(Antonio Fernandes Nabais, AVENTAR)

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Corrupção generalizada – esse flagelo em que estamos atolados !

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No último programa «Olhos nos Olhos» da TVI24 (em 21/Nov), foi dito sobre a corrupção generalizada em Portugal tudo aquilo que toda a gente já sabe mas que continua a ser escondido publicamente, numa autêntica e bem orquestrada conspiração do silêncio por parte dos agentes políticos de topo e das altas esferas da Magistratura.  Paulo Morais, ex-vereador da Câmara Municipal do Porto, e Medina Carreira, põem tudo "cá fora", numa sucessão de escândalos escabrosos, inadmissíveis num estado que se diz ser de “direito”.
Ali são ditas as verdades com que todos os dias nos defrontamos, tais como,  os políticos são maioritariamente corruptos;  muitos chegaram com uma mala de cartão, filiaram-se num partido e enriqueceram” -  “os mercenários da política são os decisores, aqueles que dominam os negócios e o orçamento de Estado” -  a maior parte da corrupção resulta directa ou indirectamente do financiamento dos partidos, onde a figura do angariador (o homem da mala que vai às empresas pedir o dinheiro) chega a ter comissões entre 40, 60 e mesmo 85%” -  a política em Portugal transformou-se numa mega-central de negócios” -  “a promiscuidade entre as grandes empresas, os grandes grupos económicos, o estado e depois os lugares do governo, do parlamento e das Câmaras Municipais, é permanente e tem vindo a agravar-se nos últimos anos duma maneira absolutamente escandalosa” -  os nossos deputados, os nossos governantes, os nossos autarcas estão numa mesa defendendo os interesses do estado em nome do povo que os elegeu e ao mesmo tempo os interesses das empresas que lhes pagam” -  “não é por acaso que quando aparece alguém com mais independência é logo despachado” -  tudo o que mexe com o BPN está contaminado, o BPN não foi um banco feito por banqueiros ou por investidores, mas um Banco já feito na sua origem por políticos” -  “grande parte da corrupção em Portugal tem a ver com terrenos, onde alguém com poder ou com influência política consegue comprar um terreno a um agricultor e com a conivência do Governo ou da Câmara consegue alterar a classificação do solo, onde um terreno que valia antes 10 mil passa a valer depois 100 ou 150 mil, sendo isto uma prática generalizadíssima e a excepção o contrário.  Useiros e beseiros nesta prática são os empresários que financiam os partidos” -  só há dois negócios que geram margens de lucros de tão grande dimensão:  - o urbanismo e ordenamento do território e o tráfico da droga” -  a maioria da legislação que tem incidência nas áreas mais relevantes e mais sensíveis sob o ponto de vista económico e financeiro é deliberadamente confusa e ambígua, propositadamente feita por forma a que ninguém a perceba e com imensas excepções destinadas a favorecer os amigos” -  “as leis que têm mais relevância económica são feitas nos escritórios de advogados mais poderosos do país” – “os poderosos fazem tudo o que lhes apetece porque a lei é muito ambígua” – “os altos dirigentes, tanto em Belém como em S. Bento e na PGR, sabem de tudo isto tão bem como nós mas nada fazem” – “os altos dirigentes estão de braços cruzados perante a corrupção; existe um silêncio generalizado”.


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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Terroristas financeiros governam a Europa - o colapso é eminente !

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O único país da Europa que VIU a origem do problema e o curou de modo exemplar foi a Islândia: - negou aos bancos o pagamento da dívida que eles próprios tinham criado, punindo exemplarmente os seus administradores e cúmplices políticos.   E é deste "exemplo" que os políticos e banqueiros europeus têm um medo pavoroso, convertidos que estão em terroristas financeiros apostados em aniquilar completamente a União Europeia.  E este terrorismo financeiro, elevado ao seu mais alto grau de crime organizado, está em marcha acelerada no caminho sem regresso para o colapso total, continuando a usar a fórmula criminosa de combater a dívida com mais dívida ! 
 

 

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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Espanhistão e o Portuguistão - ou, a bomba que veio do futuro !

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A génese de uma crise, mergulho profundo nas lamas da merda!

Lá (na Espanha) como cá, em menos de 20 anos a ascenção e a queda de um mito:  - afinal...   nunca passáramos de uns pobretanas armados em ricos, convencidos, ludibriados e explorados por uma escumalha de gente sem escrúpulos - políticos, empresários e banqueiros - para quem o dinheiro e a vida dos povos não passam de pérolas falsas atiradas aos porcos.

Mas um dia...   os porcos ainda vão arrrastá-los para a pocilga e comê-los, literalmente!  Num frenesim festivo e chafurdando ruidosamente por sobre as lamas de merda desta pocilga para onde nos atiraram!



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terça-feira, 1 de novembro de 2011

FMI, OMC e Banco Mundial - A Ordem Criminal do Mundo

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Documentário exibido pela TVE espanhola, que aborda a visão de dois grandes humanistas contemporâneos sobre o mundo actual: Eduardo Galeano e Jean Ziegler.


A Ordem Criminal do Mundo, o cinismo assassino que a cada dia enriquece uma pequena oligarquia mundial em detrimento da miséria de cada vez mais pessoas pelo mundo.   O poder se concentrando cada vez mais nas mãos de poucos, os direitos das pessoas cada vez mais restritos.   As corporações controlando os governos de quase todo o planeta, dispondo também de instituições como FMI, OMC e Banco Mundial para defender seus interesses.   Hoje 500 empresas detêm mais de 50% do PIB Mundial, muitas delas pertencentes a um mesmo grupo.

(Original Kafe Kultura)



(Sugestão de Fada do Bosque)

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mais ainda do que ser ILEGAL é, acima de tudo, INJUSTO e IMORAL !!!

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Associação Sindical dos Juízes considera eliminação dos subsídios “ilegal”


Segundo a notícia Associação Sindical dos Juízes considera eliminação dos subsídios “ilegal”, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) afirma, num comunicado emitido hoje, que a suspensão dos subsídios de Natal e férias é “violadora da Constituição” e assegura que vai garantir "a protecção dos direitos fundamentais" dos portugueses.

A ASJP reconhece, na tomada de posição tornada pública no seu site, que “a situação difícil que o país atravessa (...) impõe sacrifícios a todos os portugueses e exige um grande sentido patriótico de responsabilidade e solidariedade”.   No entanto, sublinha que esses sacrifícios “têm de respeitar os princípios constitucionais da necessidade e da proporcionalidade”, isto é, devem  incidir sobre “todos os rendimentos do trabalho, mas também do capital” e que devem ser aplicados “de forma proporcional aos rendimentos”.

Para a ASJP, a decisão tomada pelo Governo de subtrair aos funcionários públicos os subsídios de férias e de Natal é uma “medida violenta, injusta, discriminatória e flagrantemente violadora da Constituição.   Os juízes acreditam que se trata de um “imposto ilegal, um verdadeiro confisco do rendimento do trabalho”, com consequências significativas para os portugueses.
“Esta medida diminuirá de forma drástica as condições de vida e dignidade humana de uma parcela dos portugueses (...) e conduzirá muitas famílias à insolvência económica e ao desespero, as quais se verão impossibilitadas de cumprir os seus compromissos”.

A ASPJ aconselha o Executivo a tomar decisões que “unam os portugueses” e não que os “virem uns contra os outros , sublinhando que “há princípios fundamentais que um Estado de direito tem de respeitar”.


“O país parece caminhar a passos largos para uma tragédia económica e social” , referem os juízes. E, por isso, dizem estar disponíveis para “assegurar aos seus concidadãos que estarão sempre do lado da protecção dos direitos fundamentais dos mais fracos e desfavorecidos” e que “não caucionarão atropelos aos valores da justiça e do direito”.

(Raquel Almeida Correia, Público - 24-10-2011)

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domingo, 23 de outubro de 2011

Falta-lhes em vergonha na cara aquilo que lhes sobra em descaramento!

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Gestores de topo com pensão vitalícia para ex-políticos

O DN (23/10/2011) teve acesso a documentos oficiais que mostram que alguns ex-políticos à frente de grandes empresas requereram a subvenção vitalícia a que os titulares de cargos políticos tinham direito até 2005, altura em que Sócrates revogou essa benesse.   Os valores que constam desses documentos poderão ter sido actualizados no decurso das legislaturas.  E por lei o seu pagamento só não pode ser acumulado com funções públicas.
Carlos Melancia, o antigo Governador de Macau, tem a pensão mais alta, ultrapassando os 9 mil euros.     7,8 milhões de euros é a verba inscrita no Orçamento para 2012 para o pagamento de mais de 400 pensões vitalícias de ex-políticos.
E é longa a lista de ex-líderes políticos requerentes desta subvenção vitalícia, desde Carlos Carvalhas do PCP até Manuela Ferreira Leite do PSD e Adriano Moreira do CDS.
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

PUTAS AO PODER ! - O movimento dos indignados...

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Apresentado hoje no Parlamento o OE de Passos Coelho para o ano de 2012 !




E as "gorduras" do Estado?   Nenhum governante fala em:

1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos, carros, motoristas, etc.) dos três ex-Presidentes da República.

2. Redução do número de deputados da Assembleia da República para 180, profissionalizando-os como nos países a sério.   Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode.

3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego.

4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes acumulam funções nos municípios  para aumentarem o bolo salarial respectivo.

5. As empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? e se não são verificados como podem ser auditados?

6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira em 1821.

7. Redução drástica das Juntas de Freguesia.   Acabar com o pagamento de 200 euros por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75 euros nas Juntas de Freguesia.

8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades.

9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País.

10. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...

11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entidades públicas menores.

12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado.   Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado às  compras, etc.

13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e da Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas, pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis.

14. Controlar o pessoal da Função Pública que nunca está no local de trabalho.   Então em Lisboa é o regabofe total.   Há QUADROS (directores gerais e outros) que, em vez de estarem no serviço público, passam o tempo nos seus escritórios de advogados a cuidar dos seus próprios interesses.

15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL tem sete administradores principescamente pagos... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder.

16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar.

17. Acabar com as várias reformas por pessoa de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.

18. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP.

19. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e Quejandos, onde quer que estejam.

20. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.

21. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam milhões ao erário público.

22. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem a quadros do Partido Único (PS + PSD).

23. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP (Parcerias Público-Privado), que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos contribuintes, fugindo ao controlo seja de que organismo independente for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem".

24. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do País, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efectivamente dela precisam.

25. Controlar rigorosamente toda a actividade bancária por forma a que, daqui a mais uns anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise".

26. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas por medida.

27. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos mesmos.

28. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.

29. Pôr os Bancos a pagar impostos.

30. Assim e desta forma, Sr. Ministro das Finanças, recuperaremos depressa a nossa posição e sobretudo, a credibilidade tão abalada pela corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros do Estado.

(Texto picado daqui)

As manifestações de alegria do povo com as medidas do OE para 2012!!! 
(imagem: peixe-banana)
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sábado, 15 de outubro de 2011

Os sujos negócios da era Sócrates e dos seus homens de mão!

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Esta bandalheira tem nome e assinatura:  - Paulo Campos

«Dando largas a uma veia vingadora, Medina Carreira afirmou que os governantes dos últimos anos deviam ser julgados em tribunal. (...)  E, depois de ver esta reportagem da TVI, a minha pergunta é só uma:   no meio desta embrulhada de estradas e estradinhas, o Ministério Público não encontra nada de estranho?   De um dia para o outro, concessões rodoviárias, que custavam nicles ao tesouro público, passaram a custar 600 milhões.   Quem saiu beneficiado?   Uma empresa do universo Mota-Engil, essa entidade omnipresente.  

De um momento para o outro, o governo do eng. Sócrates e do dr. Paulo Campos mudou a lei para beneficiar objectivamente uma construtora em total prejuízo do nosso dinheiro público.    Perante este facto objectivo, o Ministério Público não pode actuar, não pode perguntar, não pode indagar, não pode levantar o rabo da cadeira?

Como se isto não fosse suficiente, como se não bastasse o saque organizado ao nosso dinheiro, como se não bastasse a inacção do Ministério Público, ainda temos de aturar o dr. Paulo Campos.   O autor moral desta governação-amiga-da-construtora-amiga está no parlamento, aliás, está nas comissões que tratam directamente de obras públicas.   Ora, quando vejo este Paulinho do Alcatrão no meu parlamento soberano, confesso que sinto os vapores populistas a subirem-me pelo corpo acima.   Quando oiço este indivíduo a abrir a boca para pedir a "defesa da honra", confesso que me sinto irmanado com o dr. Medina Carreira.»

(Henrique Raposo, Expresso - 12-10-2011)


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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Para onde vai o nosso dinheiro, ou, de como os sabujos comem este país!

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O milagre do  "Antes" e do "Depois"

O jornalista António Sérgio Azenha investigou e analisou os rendimentos de 15 políticos antes e depois de passarem pelo Governo português. O resultado está no livro 'Como os políticos enriquecem em Portugal', da editora Lua de Papel.

O repórter baseou-se nas declarações de património e rendimentos apresentadas pelos políticos ao Tribunal Constitucional, desde 1995, ano em que a informação passou a estar disponível, e reconstituiu o percurso de crescimento económico de 15 antigos governantes. Veja como Jorge Coelho, Dias Loureiro e outros multiplicaram os seus ordenados.
(Expresso OnLine,  13-10-2011)

















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domingo, 25 de setembro de 2011

Pagar a traidores ou, os desmandos do palhaço desbocado da Madeira!

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E ainda há quem lhe estenda a mão.  E ainda há quem duvide que ele não vale nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!”   Tudo isto, que dizia, no seu famoso manifesto, um indignado Almada Negreiros acerca de Júlio Dantas, digo eu, com muito menos exagero, de Alberto João Jardim.
Há 30 anos que o país lhe estende a mão.   E lhe perdoa as dívidas, se ri das suas alarvices, tontices e má-criações.   Há 30 anos que o PSD ou assobia para o lado ou defende a obra, como se a obra de quem não olha a meios como ele fosse sequer considerável por quem tem um mínimo de decência!   Há 30 anos que o PS vive entre os arrufos do défice democrático, que é a pura verdade sobre a Madeira, e o perdão da dívida com que o Governo Guterres o brindou.   Há 30 anos que sucessivos Presidentes da República fazem de conta que não percebem -  e este Presidente em concreto, o sério e ponderado professor Cavaco, indigna-se, e bem, com o Estatuto dos Açores, mas não se indigna, e mal,  com o estafermo da Madeira!   Há 30 anos que tribunais, juízes e magistrados (parece que o Tribunal de Contas foi excepção) fazem de conta que não sabem que o homem é um caso de polícia.   Há 30 anos que o povo deste país acha que a democracia e o voto lavam as vergonhas dos políticos.
Não foi assim com Isaltino Morais, nem com Fátima Felgueiras, nem com Valentim Loureiro.   E por bastante menos!   Jardim, além de esconder verbas, goza com o país quando o país menos está para brincadeiras.
Se Passos quisesse fazer algo de sério e grandioso por Portugal, pedia a Jardim que se retirasse.   Dizia a verdade que todos sabemos que o melhor seria Jardim não voltar a ganhar eleições.   O país está acima dos partidos e ter votos não é ter razão, nem coragem, nem virtudes.   Passos poderia perder a Madeira ganhando o país.   Mas vai fazer como os outros? - Irá?

(Henrique Monteiro, Expresso 24/10/2011)
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terça-feira, 20 de setembro de 2011

A falsa importância da "coesão nacional" do presidente Cavaco!

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O silêncio
O silêncio é a nova forma de fazer política no Palácio de Belém.  

Cavaco Silva depois de andar a esconder aos portugueses tudo o que sabia sobre os desvios astronómicos nas finanças da Madeira, depois de aceitar impunemente o insulto de "senhor Silva", depois de aceitar vergonhosamente que a Assembleia Legislativa da Madeira não realizasse uma sessão extraordinária durante a sua visita oficial, vem agora reunir de emergência com o primeiro-ministro para decidir o... silêncio.
  

Silêncio sobre uma matéria gravíssima à qual os portugueses estão empenhados em repudiar vivamente.   Não se pode aceitar que os nossos governantes e representantes da soberania nacional permitam que numa determinada região do país reine a desbunda, o roubo, o compadrio, a discriminação, o insulto, a prepotência, a lavagem de dinheiro, a falta de democracia e a ilegalidade.

O presidente (a partir de hoje neste blogue "presidente" com pê pequeno) da República não pode proibir os jornalistas de entrar em Belém para que não se possa informar o povo da matéria inerente a um encontro importante com o primeiro-ministro.   Todos temos direito à informação e não podemos admitir que a república de bananas existente na ilha da Madeira seja extensiva ao território de um país que se quer digno.

(Publicado AQUI; - sublinhados e imagens acrescentados neste blogue)

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sábado, 10 de setembro de 2011

Os Média: - "A manipulação das multidões é um governo invisível"

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"The War You Don’t See" é uma investigação poderosa e oportuna sobre o papel dos média na guerra, traçando a história das reportagens independentes e incorporadas, desde a carnificina da Primeira Guerra Mundial à destruição de Hiroshima, desde a invasão do Vietname à actual Guerra do Afeganistão e ao desastre no Iraque.
Como as armas e a propaganda se tornam ainda mais sofisticados, a natureza da guerra está-se desenvolvendo em um "campo de batalha eletrónica", em que os jornalistas desempenham um papel fundamental e os civis são as vítimas.
Inclui uma entrevista com Julian Assange, o fundador e editor-chefe  do WikiLeaks.




(Sujestão de Fada do Bosque)
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fantástico ! Um momento de verdadeira magia sobre o gelo


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Gosto do Tango.   Sempre gostei.   Já vi dançar o Tango de muitas e variadas maneiras, mas nunca antes como aqui.   Simplesmente espantosa  esta exibição de "La Cumparsita" por esta maravilhosa patinadora, Shae-Lynn Bourne,  que, qual íman poderoso, nos agarra e nos prende ao écran do computador durante os 3,40 minutos de duração do vídeo.


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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Quem são essas agências que dispõem do poder de vida ou de morte sobre uma nação?

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Como nas arenas romanas, em que o imperador com um simples gesto podia condenar à morte um gladiador, as agências de rating fazem o mesmo com os países que elas notam.

Quem são essas agências que dispõem do poder de vida ou de morte sobre uma nação?

Como já foi abordado neste blogue, existem três agências de rating americanas que dominam 95% do sector: a Standard & Poor's, a Moody's e a Fitch. Apesar de não fazerem grande alarido, estas agências não escondem que trabalham de mão dada com Wall Street e a City.

Quem controla as agências de rating?

Moody's:
O accionista principal é Berkshire Hathaway que pertence a um dos maiores especuladores da história, Warren Buffet e ao conhecido Bill Gates.

Fitch:
Pertence à francesa Fimalac (Financière Marc Ladreit de Lacharrière).   No conselho de administração temos Philippe Lagayette de JP Morgan, David Dautresme de Lazard Frères e Henri Lachmann do grupo Schneider Electric.

Standards & Poor's:
É uma filial da empresa de "media" McGraw-Hill Companies de Nova Iorque.   O homem forte é o seu vice-presidente inglês David Murphy, antigo patrão internacional dos recursos humanos da Ford Motor Company.

Uma das questões fundamentais é:   porque é que Estados soberanos, Estados europeus, aceitam ser julgados, condenados e desestabilizados por três empresas privadas?   Porque é que empresas privadas podem impor as suas leis a estados soberanos?   Porque é que não se passa nada?    Porque é que nem os Estados, nem a Europa se mexem?

A resposta é:   porque a ganância tornou-se a regra que rege a banca e todo o sector financeiro, porque são eles que destroem as instituições democráticas para nelas colocar uma "oligarquia", isto é, o poder controlado por meia dúzia de pessoas.   Uma oligarquia da riqueza, uma oligarquia ao serviço da riqueza.

Esta construção perversa tem a ajuda daqueles que julgamos serem os nossos representantes eleitos democraticamente, mas que na realidade são colocados no poder por organismos elitistas como o clube de Bilderberg.   São também eles que dominam as grandes instituições não-eleitas que nos governam:   Comissão Europeia, FMI ou Banco Central Europeu.

Mas chega um tempo em que demais é demais!   Chega um tempo em que é preciso dizer basta!

(Origem - Octopus)


Só os ingénuos acreditam que esta descida do rating tem a ver com critérios puramente técnicos!



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Lixo... com estas agências de rating americanas! Urgente uma agência europeia!

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Choque.   Escândalo.   Lixo.   Resignação?   Não.   Mas sim, lixo, somos lixo.   Os mercados são um pagode, e nós as escamas dos seus despojos.   Isto não é uma reacção emotiva.   Nem um dichote à humilhação.   São os factos.   Os argumentos.   A Moody's não tem razão.   A Moody's não tem o direito.   A Moody's está-se nas tintas.   A Moody's pôs-nos a render.   E a Europa rendeu-se.

As causas da descida do "rating" de Portugal não fazem sentido.   Factualmente.   Houve um erro de cálculo gigantesco de Sócrates e Passos Coelho quando atiraram o Governo ao chão sem cuidar de uma solução à irlandesa.   Aqui escrevi nesse dia que esta era "a crise política mais estúpida de sempre".   Foi.   Levámos uma caterva de cortes de "rating" que nos puseram à beira do lixo.   Mas depois tudo mudou.   Mudou o Governo, veio uma maioria estável, um empréstimo de 78 mil milhões, um plano da troika, um Governo comprometido, um primeiro-ministro obcecado em cumprir.   Custe o que custar.   Doa o que doer.   Nem uma semana nos deram:   somos lixo.
As causas do corte do "rating" não fazem sentido:   a dificuldade de reduzir o défice, a necessidade de mais dinheiro e a dificuldade de regressar aos mercados em 2013 estão a ser atacadas pelo Governo.   Pelo País.   Este corte de "rating" não diagnostica, precipita essas condenações.   Portugal até está fora dos mercados, merecia tempo para descolar da Grécia.   Seis meses, um ano.

Só que não é uma questão de tempo, é uma questão de lucro, é uma guerra de poder.   Esta decisão tem consequências graves e imediatas.   Não apenas porque o Estado fica mais longe de regressar aos mercados.   Mas porque muitos investidores venderão muitos activos portugueses.   Porque é preciso reforçar colaterais das nossas dívidas.   Porque hoje todos os nossos activos se desvalorizam.   As nossas empresas, bancos, tudo hoje vale menos que ontem.   Numa altura de privatizações.   De testes de "stress".   Já dei para o peditório da ingenuidade:   não há coincidências.   Hoje milhares de investidores que andaram a "shortar" acções e dívidas portuguesas estão ricos.   Comprar as EDP e REN será mais barato.   Não estamos em saldos, estamos a ser saldados.   Salteados.
Portugal foi um indómito louco, atirou-se para um precipício, agarrou-se à corda que lhe atiraram.   Está a trepar com todas as forças, lúcido e humilde como só alguém que se arruína fica lúcido e humilde.   Veio a Moody's, cuspiu para o chão e disse:   subir a corda é difícil  -  e portanto cortou a corda.

Tudo isto não é por causa de Portugal, é por causa da guerra entre os EUA e a Europa.   É por causa dos lucros dos accionistas privados e nunca escrutinados das "rating".   Há duas semanas, um monumental artigo da jornalista Cristina Ferreira no "Público" descreveu a corrosão.   Outra jornalista, Myret Zaki, escreveu o notável livro "La fin du Dollar" que documenta o "sistema" de que se alimentam estas agências e da guerra dólar/euro que subjaz.

Ontem, Angela Merkel criticou o poderio das agências e prometeu-lhes guerra. Não foi preciso 24 horas para a resposta:   o aviso da Standard & Poors de que a renovação das dívidas à Grécia será considerado "default" selectivo;   a descida de "rating" da Moody's para Portugal.
Estamos a assistir a um embuste vitorioso e a União Europeia não é uma potência, é uma impotência.   Quatro anos depois da crise que estas agências validaram, a Europa foi incapaz de produzir uma recomendação, uma ameaça, uma validação aos conflitos de interesse, uma agência de "rating" europeia.   Que fez a China?   Criou uma agência.   Que diz essa agência?   Que a dívida portuguesa é BBB+ (semelhante ao da canadiana DBRS: BBB High).   Que a dívida americana já não é AAA.   Os chineses têm poder e coragem, a Europa deixou-se pendurar na Loja dos Trezentos... dos americanos.

Anda a "troika" preocupada com a falta de concorrência em Portugal...   E a concorrência ente as agências de "rating"?   Há dois dias, Stuart Holland, que assinou o texto apoiado por Mário Soares e Jorge Sampaio por um "New Deal" europeu, disse a este jornal:   é preciso ter os governos a governar em vez das agências de 'rating' a mandar.
Não queremos pena, queremos justiça.   A Europa fica-se, não nos fiquemos nós.   O Banco Central Europeu tem de se rebelar contra esta ditadura.   Em Outubro, o relatório do Financial Stability Board, que era liderado por Mário Draghi, aconselhava os bancos e os bancos centrais a construírem modelos próprios para avaliarem a eligilibidade dos instrumentos financeiros por estes aceites e pôr termo ao automatismos das avaliações das agências de rating.   Draghi vai ser o próximo presidente do BCE.   Não precisa de acabar com as agências de "rating", precisa de levantar-se destas gatas.

Este corte de "rating" é grave.   É uma decisão gratuita que nos sai muito cara.   Portugal é o lixo da Europa.   As agências de "rating" são os cangalheiros, ricos e eufóricos, de um sistema ridiculamente inexpugnável.   As agências garantem que nada têm contra Portugal.   Como dizia alguém, "isto não é pessoal, apenas negócios". Esse alguém era um padrinho da máfia.

(Este Editorial está disponível numa versão traduzida em inglês disponível neste link.)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Afinal... a criada deixou que o Strauss lhe tirasse as cuecas! Ou ela mesmo as tirou?...

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História verdadeira ou cilada bem montada?

A empregada do hotel que acusa Dominique Strauss-Kahn de violação admitiu hoje ter mentido sobre o que se passou a seguir ao alegado ataque. Ao contrário do que afirmou, após o incidente foi ainda limpar outros quartos, avança a agência Reuters.

Em consequência,
o tribunal de Nova Iorque decidiu hoje libertar Dominique Strauss-Kahn sem fiança, um mês e meio depois de o colocar sob prisão domiciliária pela acusação de crimes sexuais.


Mas vamos à história (uma história...),  de contornos rocambolescos e, desde todo o princípio, toda ela muito mal contada:

Na manhã de 14 Maio, o dia em que foi preso, Dominique Strauss-Kahn (DSK) tinha sido aconselhado pelos serviços secretos franceses (DGSE) a abandonar os EUA e regressar rapidamente à Europa, descartando-se do telemóvel para evitar que pudesse ser localizado. A delicadeza da informação secreta que lhe tinha sido entregue por agentes "d...elatores" da CIA justificava tal precaução.

Strauss-Kahn tinha viajado para os Estados Unidos para clarificar as razões que levavam os norte-americanos a protelar continuamente o pagamento devido ao FMI de quase 200 toneladas de ouro. A dívida, com pagamento acordado há vários anos, advém de ajustes no sistema monetário - "Special Drawing Rights" (SDR's).
As preocupações do FMI sobre o pagamento norte-americano ter-se-iam avolumado recentemente.    Nesta viagem, Strauss-Kahn estaria na posse de informação relevante que indiciava que o ouro em questão já não existe nos cofres fortes de Fort Knox, nem no NY Federal Reserve Bank.

Mas Strauss-Kahn terá cometido um erro fatal: ligou para o hotel, já da plataforma de embarque, pedindo que o telefone lhe fosse enviado para Paris, o que permitiu aos serviços secretos americanos agir nos últimos minutos.    O resto dos factos são do conhecimento público.
Já em prisão domiciliária, em Nova Iorque, DSK terá pedido ajuda ao seu amigo Mahmoud Abdel Salam Omar, um influente banqueiro egípcio.    Era muito importante, para fundamento da defesa, que o egípcio lhe conseguisse obter a informação privilegiada sobre a "mentira" do ouro, que DSK tinha deixado "voar" em NY, para justificar a teoria da perseguição.   No entanto a intervenção voluntariosa do banqueiro egípcio saiu gorada.

Dias depois Salam Omar foi igualmente preso nos Estados Unidos, também ele acusado de assédio sexual a uma empregada de hotel.    Relatórios de diferentes serviços secretos internacionais convergem na conclusão: os factos que motivaram a prisão do egípcio são altamente improváveis, Salam Omar é um muçulmano convicto e um homem com 74 anos de idade.    A inversão de sentido na história da suite do Sofitel de NY começava aqui a ganhar consistência e outros factos viriam ajudar.

Em Outubro de 2009, Pequim terá recebido dos EUA cerca de 60 toneladas de ouro, num pagamento devido pelos americanos aos chineses, como acerto de contas no balanço de comércio externo.
Com a entrega, Pequim testou a genuinidade do ouro recebido tendo concluido que se tratava de "ouro falso". Eram barras de tungsténio revestido a cobertura de ouro. As 5.700 barras falsas estavam devidamente identificadas com chancela e número de série indicando a origem - Fort Knox, USA.

O congressista Ron Paul, candidato às eleições presidenciais de 2012, solicitou no final do ano passado uma auditoria à veracidade das reservas do ouro federal, que foi rejeitada pela administração Obama.
Numa entrevista recente, questionado sobre a possiblidade de ter desaparecido o ouro federal de Fort Knox, o congressista Ron Paul gelou os interlocutores respondendo liminarmente: "É bem provável!"
 À "boca fechada" têm vindo, aqui e ali, a escapar informações, a avolumar-se incertezas sobre as reservas de ouro norte-americanas. Mas as notícias referentes aos fortes indícios que de o ouro seja apenas virtual têm colhido uma tímida atenção na comunicação social americana.

A "verdadeira história" por detrás da prisão de DSK, agora pública, consta de um relatório secreto preparado pelos serviços de segurança russos (FSB) para o primeiro-ministro Vladimir Putin.    Talvez por isso Putin tenha sido o primeiro lider mundial a assumir publicamente a ideia de que DSK terá sido "vítima de uma enorme conspiração americana".
Estes factos, a confirmarem-se, em nada ilibam DSK na suspeição que sobre si recai do eventual crime de assédio sexual a uma empregada do hotel mas, quem sabe, essa possa revelar-se como a pequena e ingénua ponta de um grande iceberg.

A ser verdade, os serviços secretos norte-americanos, seguramente bem informados, terão sabido tirar partido das fraquezas do inimigo-alvo, aniquilando-o com eficácia cirurgica - um pequeno crime de costumes, tão ao gosto do imaginário popular, pode bem ter contribuido para abafar crimes de contornos bem mais sérios, por eliminação de testemunha ou de prova.
Entretanto DSK prepara activamente a defesa em tribunal arregimentando já um verdadeiro "crack team" de ex-espiões da CIA, investigadores, detectives e media advisors.

(Extraído daqui)
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sábado, 25 de junho de 2011

O jardim das delícias grego! E também o português...

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[Os quatro arbustos plantados à entrada do hospital Evagelismos, em Atenas]


A Grécia levou os "direitos adquiridos" até à demência

Nas TVs portuguesas, a situação na Grécia é contada através da seguinte narrativa:   eis um pobre povo periférico que está a sofrer as agruras de uma crise internacional, eis um povo do sul da Europa a sofrer às mãos da pérfida Merkel.   Ora, já é tempo de sair desta superficialidade.   Já é tempo de perceber que os gregos têm muitas culpas no cartório.   Já é tempo de escavar a sério na situação grega.   E, assim que começamos essa investigação, a conclusão é invariavelmente a mesma:   os gregos não foram sérios, não estão a ser sérios.   Os gregos levaram a lógica dos "direitos adquiridos" até à demência, até à falta de vergonha.

Os exemplos desta falta de seriedade são imensos.   Em 1930, um lago na Grécia secou, mas, o Estado Social grego acha que tem de existir um Instituto para a Protecção do Lago Kopais - o nome do tal lago que secou em 1930, mas que em 2011 ainda tem dezenas de funcionários dedicados à sua conservação.   Calculo que estes funcionários devem estar a rua a gritar "abaixo o fascismo".

Mas há mais.   Sabiam que na Grécia as filhas solteiras dos funcionários públicos têm direito a uma pensão vitalícia após a morte do mãe/pai-funcionário-público?   Não é genial?   Na Grécia, os direitos adquiridos adquirem-se por, vá, osmose familiar.   Na Grécia, X e Y recebem 1000 euros mensais - para toda a vida - só pelo facto de serem filhas de funcionários públicos falecidos.   Há 40 mil mulheres neste registo.   E, depois de um ano de caos, o governo grego ainda não acabou com isto completamente.   Calculo que estas meninas devem ir para a rua fazer manifs.   Coitadinhas.

Querem mais?   Num hospital público, existe um jardim com quatro (4) arbustos.   Ora, para cuidar desses arbustos o hospital contratou quarenta e cinco (45) jardineiros.   Num acto de gestão mui social (para com o fornecedor), os hospitais gregos compram pace-makers quatrocentas vezes (400) mais caros do que aqueles que são adquiridos no SNS britânico.   E, depois, claro, existem seiscentas (600) profissões que podem pedir a reforma aos 50 (mulheres) e aos 55 (homens).   Porquê?   Porque são profissões de alto desgaste.   Dentro deste rol de malta que trabalha como mineiros, encontramos cabeleireiras e apresentadores de TV.   Sim, faz todo o sentido:   cortar cabelo é o mesmo que estar nas minas da Panasqueira.

(Henrique Raposo, In Expresso - 21/6/2011)


E nós por cá, e à semelhança dos gregos, ainda temos os 14.000 jardins portugueses - os 14.000 organismos do Estado - dos quais apenas pouco mais de 100 são úteis e têm razão de existir, enquanto todo o resto não passa de "jardins" onde são plantadas as clientelas políticas do PS/PSD, e que cobrem de "belos prados de gordas vacas" todo o País de norte a sul, desde o governo central às suas filiais autárquicas.  
Todos eles bem recheados de "mamões" que nos últimos 20 anos nada mais têm feito do que mamar nas tetas da política e nada de útil têm produzido, e cuja única preocupação é correr desvairados para os comícios do partido e para as urnas das eleições sempre que pressentem em perigo a permanência do "querido líder" no lugar que lhes fornece a tão desejada mama!


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terça-feira, 21 de junho de 2011

Quando a ambição tolda a visão... e o raciocínio!

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!...   A ambição levou-o a querer dar o passo maior do que a perna, e ficou só!   E não só ficou só, como acabou por criar constrangimentos a quem o acolheu na corrida pela sua desmedida ambição.   E afinal...   por que carga de água haverá este homem de achar que só o primeiro ou o segundo cargo mais elevado da nação lhe serve?   Por que razão haverá este homem de achar que apenas os cargos de Presidente da República ou (no mínimo) de Presidente da Assembleia da República assentam que nem uma luva à sua ambiciosa pessoa?   Demasiados olhos para tão pouca barriga.   E agora ficou só! 

O resultado estava à vista, e só ele o não viu.   Deficiência de visão.   Poderia (e deveria) ter desistido antes - não o fez.   Poderia ter desistido (ao menos) depois da primeira votação - também o não fez.   A ambição toldou-lhe a visão e o raciocínio, e ele teve que saborear até ao âmago das entranhas o sabor amargo da derrota e da rejeição, para descer lá das "alturas" e estatelar-se cá em baixo, bem rasteirinho, sozinho e pensativo, numa cadeira do Parlamento.   Naquela cadeira onde terá de se sentar, agora enquadrado numa estrutura partidária.   Daquelas que sempre tanto renegou e combateu.  

E agora, Fernando?...

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sábado, 18 de junho de 2011

Trichet e Ackermann - como dois banqueiros conduzem a Europa à ruína

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Como dois banqueiros conduzem a Europa à ruína

(Por Jérôme E. Roos;   texto publicado originalmente em ROAR)


Durante um ano, o Deutsche Bank e o Banco Central Europeu fizeram-nos acreditar que o que se passa na Grécia seria desastroso para a Europa. Estavam a mentir com quantos dentes têm na boca.

Em Frankfurt, dois dos homens mais poderosos da Europa sentam-se, virtualmente, um de cada lado da rua, nos arranha-céus sede de duas das mais importantes instituições no continente.   Ninguém elegeu estes homens para que governem sobre nós.   Ninguém votou nas suas instituições para que ditassem a nossa política económica.   No entanto é o que fazem.

Apresentamos Jean-Claude Trichet e Josef Ackermann.   O primeiro é o líder do Banco Central Europeu, está de saída, e foi recentemente considerado pela Newsweek uma das cinco pessoas mais importantes do mundo.   O segundo é o líder do maior banco privado da zona euro, o Deutsche Bank, e foi recentemente considerado pelo New York Times "o banqueiro mais poderoso da Europa".   Nenhum deles foi eleito para liderar a economia.   No entanto, juntos é o que fazem.

De facto, ambos têm sido decisivos na definição da resposta a dar pela União Europeia à grave crise da dívida que contínua a assombrar a zona euro.   Como noticiou o Times numa poderosa análise, o senhor Ackermann "encontra-se no centro do círculo mais concêntrico do poder, mais do que qualquer outro banqueiro do continente".   De facto, ele aconselha regularmente políticos e decisores políticos sobre os assuntos económicos mais candentes do momento:   a latente crise da dívida grega;   a crescente tensão entre economias europeias fortes, como a Alemanha, e as mais fracas como a Irlanda e Portugal;   e o futuro da Europa como união económica e monetária e esse grande e expressivo empreendimento, o euro.

Ao mesmo tempo, nota o NYT, Ackermann é também "possivelmente o mais perigoso" banqueiro na Europa.   Afinal, "não é segredo onde estão as alianças financeiras do senhor Ackermann:   nos bancos".   Por exemplo, Ackermann "tem insistido que seria um grave erro proporcionar algum alívio à dívida Grega".

Qual seria o problema da reestruturação da dívida da Grécia?   A Argentina e o Equador demonstraram amplamente na última década que a reestruturação da dívida soberana pode, na verdade, libertar o país das medidas de austeridade e inibidoras do crescimento impostas por líderes estrangeiros, permitindo uma mais rápida recuperação, enquanto as necessidades e preocupações internas são acauteladas.

Mas, claro, temos de nos recordar que o senhor Ackermann não é um observador neutral.   Existe uma agenda por detrás do seu discurso apocalíptico.   O Times nota apropriadamente que "os bancos europeus, incluindo alemães como o Deutsche Bank, detêm muitos milhões de euros nas obrigações financeiras do governo grego e os bancos perderiam bastante se essas dívidas fossem reestruturadas".
No entanto, como conseguiu Ackermann convencer Merkel, Trichet e outros líderes da UE que a reestruturação da dívida grega levaria a uma situação como a da Leman Brothers?   “A solução da Europa para a Grécia é, essencialmente”, segundo o senhor Ackermann, “mais dinheiro de resgate e mais austeridade”, uma estratégia que alguns analistas admitem que permita apenas ganhar tempo sem oferecer nenhuma esperança de recuperação.

Assim, cego pela sua própria ganância e indisponibilidade para assumir responsabilidades pelos empréstimos irresponsáveis concedidos pelo seu banco e que se relacionam com a criação da crise, Ackermann apenas agrava a crise.   Alerta de modo alarmante para a probabilidade do aumento das consequências desastrosas e a Europa está paralisada.   Os nosso dirigentes compraram a mentira.   Porquê?

Uma das razões para o sucesso de Ackermann é o facto de ter tido, durante a crise, o apoio dos seus vizinhos do Banco Central Europeu.   Desde que a Grécia se afundou no abismo dos mercados de capital globais no início do ano passado, Jean-Claude Trichet, o presidente do BCE, bajulou cuidadosamente os interesses dos maiores bancos europeus qualificando a reestruturação como "demasiado arriscada".

Não por acaso, o senhor Ackermann parece desfrutar de boas relações com Jean-Claude Trichet.   Quando a senhora Merkel sugeriu que os credores privados assegurem uma parte do fardo, Ackermann opôs-se ao governo alemão e colocou-se ao lado do seu amigo, o senhor Trichet, argumentando que contra reestruturação da dívida grega porque forçaria os investidores - e os bancos - a “partilhar as dores da Grécia”.

Hoje, a maioria dos especialistas em economia - quer da esquerda quer da direita - chegaram à conclusão que a Grécia é insolvente.   Simplesmente não pode, realisticamente, reembolsar a sua dívida esmagadora enquanto a economia continuar a contrair-se em resultado das medidas de austeridade prescritas por Ackermann e Trichet.

Até o governo alemão e o presidente da zona euro, Jean-Claude Juncker, falam agora na chamada "reestruturação suave" da dívida grega.   Mas o BCE recusa-se a financiá-la.   Se esta atitude de teimosia era previsível por parte do interessado Deutsche Bank, pelo contrário, é surpreendente num suposto agente "neutro" como o BCE.

Então porque continua o BCE a opor-se à única e real solução para a crise da dívida grega?   Porque é que continua a empurrar a Grécia, e com ela toda a zona euro, para o abismo?   É apenas porque Trichet e Ackermann e companhia são amigos próximos?   Ou passa-se mais alguma coisa?

Claro que se passa.   Trichet cometeu o seu maior erro no ano passado quando decidiu ficar ao lado do seu amigo Ackermann ao opor-se o início da reestruturação da dívida.   Em vez de permanecer na sua objectividade neutral enquanto líder do BCE, Trichet envolveu-se directamente na crise da dívida grega:   começou por comprar grande quantidade de obrigações gregas através de mercados secundários só para permitir que a Grécia ficasse à tona e assim evitar que bancos e investidores europeus tivessem de fazer corte de cabelo.

Como resultado, já não são só os bancos privados europeus mas é também o seu Banco Central que estão afundados até ao pescoço na crise grega.   Por outras palavras, a reestruturação grega já não prejudicaria apenas os bancos privados;   forçaria Trichet a assumir grandes prejuízos na folha de balanços do BCE a escassos meses de passar a pasta a Mario Draghi.

É altura de os dirigentes europeus acordarem para a dolorosa realidade que tem sido ignorada durante todo este tempo.   A Europa não enfrenta uma crise da dívida soberana, como Ackermann e Trichet nos querem fazer crer.   Na realidade, a Europa enfrenta uma crise financeira no seu sector bancário. Não apenas a Grécia, Portugal e a Irlanda, mas a maioria dos grandes bancos europeus estão insolventes.

Pior ainda, o facto de os líderes europeus, para enfrentar a crise da dívida grega, terem permitido um resgate no ano passado agravou os problemas.   O BCE está em risco de se tornar, por agora, a maior "vítima" da crise financeira global.   Com uma exposição de mais de 440 mil milhões de euros nos países periféricos, perdas patrimoniais de 4.25% podiam conduzir o BCE à insolvência.

De acordo com uma reportagem de “Open Europe”, pesadas perdas para o BCE já não são um risco remoto.   Mesmo com mais resgates da UE e do FMI é pouco provável que a Grécia saia da crise nos próximos anos, o que também deitaria abaixo os bancos do país.   Calcula-se que as perdas resultantes para o BCE estejam entre 44 500 milhões de euros e 65 800 milhões de euros, o que equivale a activos entre 2,35 e 3,47 por cento, isto é, por pouco não acaba com o capital base do BCE.

A única forma de esconder da população esta terrível realidade tem sido continuar os resgates aos países periféricos e impor medidas de austeridade draconianas.

Durante a crise, os muito apregoados mitos sobre a preguiça da Grécia e os comportamentos laxistas nos países do Sul apenas serviram como pretexto para distrair os contribuintes alemães da verdade incontornável de que são eles que estão a resgatar os seus próprios bancos.   A raiva dos populistas do norte tem sido dirigida directamente contra os trabalhadores em luta no sul enquanto quem beneficia são os banqueiros.

Na verdade, os contribuintes da Europa nunca resgataram a Grécia, Portugal ou a Irlanda.   Resgataram o senhor Ackermann e os seus amigos.   E em breve serão igualmente chamados a resgatar o senhor Trichet.   E, suprema das ironias, a mentira inicial de que a reestruturação da dívida grega traria consequências desastrosas para a Europa foi repetida tantas vezes que se transformou em realidade.   Se tivéssemos agido há um ano e meio para permitir à Grécia uma reestruturação da dívida, a falência financeira teria sido limitada.


Mas agora que o BCE está seriamente exposto, o alarmismo de Ackermann transformou-se numa profecia auto-cumprida.  
Permitamos então que esta singela verdade seja revelada a todos:   ainda estamos a viver sob uma ditadura do capital financeiro na qual dois banqueiros têm o poder de configurar a nossa realidade.   E até que afrontemos esses banqueiros e nos levantemos para quebrar a sua ligação invisível estaremos a ser firmemente conduzidos à ruína.

(In BEInternacional, 14/6/2011)

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domingo, 12 de junho de 2011

Conímbriga - uma extraordinária recriação virtual

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Para quem já conhece as ruínas da cidade romana de Conímbriga, a 15 Km de Coimbra, e também para aqueles que pensam ir lá um dia, eis uma extraordinária recriação virtual daquela cidade e dos seus mais importantes edifícios, com a reconstrução em 3D da casa de cantaber, casa dos repuxos, casa dos esqueletos, forum, termas, banhos romanos, insula do vaso fálico, para além de uma visão geral de todo o agrupamento urbano.



E também um vídeo sobre a estação arquelógica e as ruínas de Conímbriga, tal como se encontram hoje:




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