terça-feira, 6 de agosto de 2013

Trapaceiros e burlões - o círculo de amigos do presidente. E nós... pagamos a factura!



Quem se julga esta gente?
O caso BPN continua a queimar as mãos de muita gente.    Tanto que, quando alguém que esteve ligado ao banco vai para um lugar público e tem de divulgar o seu curriculum, elimina cuidadosamente essa atividade do seu passado.

Foi isto que fez Rui Machete, foi isto que fez Franquelim Alves, passando aos jornalistas um atestado de incompetência e aos cidadãos um atestado de estupidez.

Não está em causa a compra ou venda de acções de uma instituição bancária.    Mas está em causa saber 1) - se toda a gente podia comprar ações do BPN; 2) - se toda a gente que comprou as viu recompradas pelo dobro ou pelo triplo do seu valor original; 3) - se esses ganhos assentavam na atividade normal do banco.

Ora para quem não se lembra, o BPN não estava cotado em bolsa.    Por isso, só comprava acções do banco quem a administração convidava para tal.    Foi assim com Cavaco Silva, que comprou e vendeu acções do BPN tratando diretamente do assunto com o presidente da instituição, Oliveira Costa.

Depois, a compra de acções de ações pelo banco por valores muito superiores aos que as tinha vendido não resultava do livre funcionamento do mercado - mas de uma decisão da administração e, em particular, de Oliveira Costa.

Quer isto dizer que o presidente do BPN beneficiou quem quis - e beneficiou seguramente os seus amigos.    Não por acaso, todos (ou a esmagadora maioria) os beneficiados com a venda de acções altamente valorizadas ou com vultuosos empréstimos não reembolsados são membros ou simpatizantes do PSD.    E suponho que não é preciso dizer os nomes.

Por isso, se tudo fosse tão normal e transparente, Rui Machete não teria eliminado do seu curriculum as funções que ocupou no BPN   Por isso, também não devia ter dito que isto revelava a podridão da sociedade portuguesa.

É que se este caso revela alguma coisa é a podridão com que altas figuras do PSD ligadas ao Estado ganharam muito dinheiro com um banco fantasma que era liderado por uma grupo de malfeitores.

E é esse dinheiro fácil que está agora a ser pago, com língua de palmo, por todos os contribuintes.    Mais de 4 mil milhões de euros dos nossos impostos servem para pagar as mais-valias e os empréstimos não reembolsados que o BPN concedeu.

Por isso, seria de muito bom tom que todos os que lucraram com o BPN se calassem e que não nos tentassem convencer que tudo foi limpo e transparente no dinheiro que ganharam.    É que, como de costume, os senhores privatizaram os lucros.    E deixaram para os contribuintes a socialização dos imensos prejuízos.    Haja vergonha!

(Nicolau Santos, Expresso, 2/AGO/2013)


domingo, 4 de agosto de 2013

Ah não, por favor... um sonho assim até pode ser pesadelo nestes tempos de crise!



Na verdade, eu queria mesmo era falar dos "swaps" da Maria luis Albuquerque mais do Joaquim Pais Jorge e de toda a porcaria da equipa das Finanças que chafurda num chiqueiro atolado de merda.   Tanta, tanta que a sua altura já chega às ameias mais altas do Castelo de S. Jorge!    Mas não...   como hoje estou de bom humor decidi poupar-vos, a vós e a mim, a mais esta dose reforçada de bosta imunda que inunda a baixa do Terreiro do Paço até ao Castelo, preferindo mostrar-vos antes este sonho de um pobre-diabo que, apesar de adormecido por tanta crise, ainda teve a sorte de uns momentos de liberdade e de magia.  
Isto é treta minha só para fugir ao assunto...  trata-se, tão somente, de um vídeo promocional de lingerie Agent Provocateur  dirigido pela actriz Penélope Cruz e onde (a mal aproveitada...) Irina Shayk é uma das protagonistas, surgindo aqui em poses e movimentos sensuais.
 
 
 

 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O que leva os condutores russos a filmar todos os percursos?


 
Para quem costuma pesquisar vídeos no YouTube já está familiarizado com um fenómeno estranho:  - a enorme profusão de vídeos sobre acidentes rodoviários filmados do interior de viaturas.   E todos eles têm em comum o facto de serem todos russos.   E porque terão os automobilistas russos de instalar uma câmara de filmar nos seus carros?   - será moda?   Será mania?   Exibicionismo?   Ou será obrigatório?   E por que razão?...
Os dois vídeos que se seguem dão total explicação a estas perguntas.   As leis do trânsito na Rússia enfermam de uma total e desmesurada protecção aos pedestres em caso de acidente, sujeitando os condutores a complicados processos de indemnização que envolvem valores elevadíssimos.   Mesmo que seja provada a sua inocência, muito pior quando culpado.   E isto é o bastante para que, por toda a parte e em qualquer local, inúmeras pessoas se “atirem” deliberadamente contra as viaturas para depois poderem receber as respectivas e chorudas compensações monetárias, tanto para os tratamentos hospitalares como por motivos de pretensos danos morais ou psicológicos.  
Vai daí…   dos excessos das leis até ao seu aproveitamento em benefício próprio é apenas um pequeno passo, e a generalização de tais práticas é cada vez maior.   A quanto chega a miséria por aquelas bandas…   e a quanto já desceu o respeito pelos outros e, principalmente, pela integridade física própria!   

Agora, com toda esta crise nas "europas",  já só falta que esta moda pegue por cá também...
 
 
 
 
 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

E o calhorda insensível e desumanizado não saíu de cena sem deixar o País armadilhado!...






Tiro de misericórdia


No último dia como ministro das Finanças, Vítor Gaspar assinou um decreto que pode liquidar a vida de, pelo menos, 3 milhões de portugueses.    Esse decreto determina que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (que geria uma carteira de 10 mil milhões de euros)  "terá de adquirir 4,5 mil milhões de euros de dívida soberana".
 
Sabendo-se que o referido fundo foi criado como reserva para assegurar, em caso de colapso do Estado, os direitos dos reformados, pensionistas, desempregados e afins durante dois anos (segundo o articulado de lei de bases), o golpe em perspectiva representa o risco de uma descomunal tragédia entre nós.
 
Lembremos que dos rendimentos dos seniores vivem hoje gerações de filhos e netos seus, sem emprego, sem recursos, sem amparo, sem futuro.    Lembremos ainda que os últimos governos têm sido useiros no desvio de verbas da Segurança Social para pagamentos de despesas correntes  - "o que qualquer medíocre gestor de fundos sabe que não se deve fazer", comenta, a propósito, Nicolau Santos no "Expresso".    Em 2010, dos 223,4 milhões de euros que deviam ser transferidos para o fundo em causa, o executivo apenas entregou 1,3 milhões.
 
Após ter semidestruído Portugal economicamente, socialmente, familiarmente, psicologicamente, com total impunidade e arrogância, Vítor Gaspar deixa, ao escapar-se, apontado um tiro de misericórdia aos idosos (e não só), depois de os ter desgraçado com o seu implacável autismo governamental.   

Sindicatos, partidos, oposições, igrejas, comentadores, economistas, intelectuais meteram, por sua vez, a viola no saco ante mais esta infâmia  -  entretanto, os papagaios de serviço aterrorizam as populações com a insustentabilidade da Segurança Social.

(Fernando Dacosta,  Jornal "I" em 25 Jul 2013)
 
 

sábado, 20 de julho de 2013

Assim falava o galaró de Massamá... do governo que então criticava!



E foi assim, com todo este discurso totalmente contrário ao que agora (e desde há 2 anos) vem praticando, que um aldrabão impreparado e mal intencionado ganhou as eleições.   E foi com este discurso que um irresponsável  casmurro e teimoso, sem qualquer passado político notável e com graves tiques de ditador, construiu uma campanha eleitoral baseada na mentira e se atirou ao "pote" com toda a gana e maldade que hoje lhe conhecemos.   E foi assim que, imbuídos de boa fé e acreditando cegamente neste discurso, o povo foi às urnas e lhe deu a maioria dos votos.   O mesmo povo que, logo a seguir, o galaró atraiçoou sem qualquer hesitação, "cagando" em tudo aquilo que durante meses havia prometido não fazer.  
 
Por isso, o governo deste galaró não tem mais hoje qualquer legitimidade - já há muito que não representa a vontade do povo que nele votou;  já não tem essa maioria dos votos que o levou ao "pote".   Apesar de sustentado por uma "falsa" maioria parlamentar, não tem, jamais, a confiança do povo que o elegeu.

Urge, por isso, terminar de vez com o poder maléfico (que ainda detém) de um governo moribundo e infecto,  ainda para mais de chefia agora bicéfala e perigosamente doentia!




quinta-feira, 18 de julho de 2013

O PESADELO !!!





 
Não me recordo de um Presidente, na II República, ter sido criticado com tanta veemência e haver sido objecto de tantos enxovalhos como este dr. Cavaco que nos coube no infortúnio.   
 
Pelos vistos e feitos, tem tripudiado sobre a natureza da função, denegrido as características de "independência" constitucionais que jurou defender e resguardar, e tomar atitudes de soba com a displicência de quem não tem satisfações a dar.    A sua presença em Belém tem sido assinalada por uma série de disparates, incúrias, pequeninas vinganças, intrigas baratas, aldrabices indolentes como a das falsas escutas.    O pobre homem, por lacuna cultural e outras, não está hipotecado aos princípios republicanos que o 25 de Abril reanimou, embora fugazmente.    Pertence a outra vigília, a outra aposta, e a um passado vazio de sentido histórico.    Não soubemos evitar o triste incidente do seu surgimento, que se tornou uma pavorosa ameaça.   
 
Nada, ou pouco mais do que nada, se lhe pode aduzir, politicamente, em seu abono.    Onde toca, dificulta ou emaranha.   
 
(Extrato da crónica de Batista Bastos no DN)
 
 

sábado, 6 de julho de 2013

Cavaco forçou a união entre água e fogo. E agora?






Em tempos de míngua profunda, o povo fica mais atento às elites, que julga com dureza.    Os últimos dias em Portugal tornaram a fuga de Durão Barroso para o conforto de Bruxelas uma brincadeira inofensiva.
 
A crise política tem como protagonista o actor do costume – Paulo Portas.    Que importa o sofrimento dos portugueses nestes dois longos anos?    Com este espetáculo mundial, para Portas ficou claro que muito pouco.
Pode um homem de Estado ceder a estados de alma?    Claro que não.    Paulo Portas, para surpresa de Cavaco Silva que o julgava regenerado, disparou mais uma vez sem piedade.    Desta, o tiro saiu-lhe pela culatra.    Passos Coelho fez da obstinação qualidade e não cedeu à queda.    Portas passou a ser apontado como responsável pelo radical agravamento da crise.

Mas ser obstinado é no Primeiro-Ministro geralmente um defeito.   Cada vez mais fechado na sua redoma, Passos Coelho dá laivos de homem tocado pela divindade.    Com missão bíblica.    No seu delírio de líder, Passos não admite mais do que um grilo falante, agora Poiares Maduro.    E nisto Portas tem razão – um primeiro-ministro não pode planar em nuvens de absoluto com ouvidos de virgem.
 
Mas a histeria política de Portas ressoará na memória dos portugueses, e Passos não deixará de ser quem é.    Cavaco forçou a união entre água e fogo. E agora?
Se Portas não conseguir tirar miríades de coelhos duma nova cartilha económica, Cavaco ficará cunhado para sempre no nosso destino.

(Octávio Ribeiro, CM)


 

terça-feira, 2 de julho de 2013

E agora, paspalho arrogante, que vais fazer a seguir? Qual é o teu passo seguinte?





E agora?...

Claro que, de ti, já tudo se pode esperar - até mesmo continuar como se nada tivesse mudado.   Ceguinho que nem uma porta por imaturidade política e obcecado pelo poder, viras mais uma vez as costas ao óbvio e continuas em frente.   Incapaz de reconhecer a dimensão das asneiras que fizeste durante dois anos, incapaz de reconhecer que já não tens (como há muito não tinhas) condições para continuar a governar, incapaz de reconhecer que olhas em volta e estás sozinho, que já não tens o apoio do povo, novos e velhos, que tens espezinhado, que já não tens o apoio do teu parceiro de coligação, do teu próprio partido e até mesmo do teu próprio governo, teimoso e irresponsável como és irás querer continuar como se nada tivesse mudado.   E o mais incrível - com a ajuda incondicional de uma "múmia" ainda mais ceguinha do que tu!
 
Miserável, que tiveste na mão, durante dois anos, a possibilidade de reabilitar os escombros deste País que outros se haviam encarregado de destruir.   E rejeitaste obstinadamente essa oportunidade.   Com um povo inteirinho a dar-te essa oportunidade, apesar de todos os sacrifícios exigíveis e não exigíveis a que o submeteste.
 
Sabes...    não passas de um garoto!    O teu governo não passa de um bando de garotos!   Tem, ao menos, a dignidade de apresentar uma moção de confiança no Parlamento e vai-te embora.   Toda a gente está farta de ti, da tua cara, dos teus modos e do teu governo.  
 
Olha...    faz o que aconselhaste aos jovens - EMIGRA!!!


Em tempo de desalento... esta fantástica homenagem a Portugal e ao seu talento!



"Canção do Mar" - aqui magistralmente interpretada por duas jovens russas, Pelagia e Elmira Kalimullina,  actuando num programa de talentos de uma cadeia de TV russa.   Amália Rodrigues foi a sua criadora, todavia esta interpretação copia a de Dulce Pontes, qualquer delas bem representativa do enorme talento português!   Admirável é, também, a capacidade das russas apreenderem tão fielmente a língua portuguesa (de Portugal).




A escolha, só por si, reflete bem o desnorte de um primeiro-ministro inapto e acabado!





O rosto da incompetência, da imaturidade e da teimosia...

 
«Trocar Vítor Gaspar por Maria Luís Albuquerque não é mudar de política.    É trocar um obstinado com poder por uma obstinada sem poder.    A obstinação não é em si mesmo um problema, mas num Governo em que Passos Coelho nunca mandou nem deixou mandar, quem mandará agora?    A troika, ainda e sempre?    Ninguém?»    (Pedro Santos Guerreiro, Negócios)
 
«A escolha de Maria Luís Albuquerque para sucessora do ministro das Finanças é uma cabal demonstração de que o governo está a viver os seus últimos dias.    O envolvimento da secretária de Estado no escândalo dos swaps faria dela a última hipótese para o cargo, se vivêssemos tempos normais.    Como qualquer primeiro-ministro na decadência, Passos Coelho já não tem outra margem de manobra senão recrutar no seu círculo íntimo.    Infelizmente para todos nós, a queda do governo será uma excelente desintoxicação, mas não resolverá o problema na raiz  -  o PS de Seguro terá de se confrontar com os mesmos loucos que governam a Europa, o mesmo euro disfuncional e a sua margem de mudança será, infelizmente, reduzida.»   (Ana Sá Lopes, Jornal I)


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Hubiera preferido… hubiera...



Hubiera preferido no haber viajado a aquella ciudad para no conocerte.
 
Hubiera preferido no oler tu perfume, aquel del que me enamoré.
 
Hubiera preferido ser sordo para no oír tu dulce voz cuando me dijiste tu primer "te quiero".
 
Hubiera preferido vivir solo a compartir mi vida contigo, como hice.
 
Hubiera preferido ser ciego y así no poder admirar la belleza de tu rostro y de tu cuerpo.
 
Hubiera preferido una puñalada a tu crueldade sin limite.
 
Hubiera preferido morir a verte, mujer, huir de mis brazos.

Hubiera preferido no haberte visto nunca 
para no darte el placer de romper mi corazón en mil pedazos.

(Raquel Lama, adapt.)



Je suis malade
(Lara Fabian)

Je ne rêve plus je ne fume plus
Je n'ai même plus d'histoire
Je suis laid sans toi je suis sale sans toi
Je suis comme un orphelin dans un dortoir

Je n'ai plus envie de vivre ma vie
Ma vie cesse quand tu pars
Je n'ai plus de vie et même mon lit
Se transforme en quai de gare
Quand tu t'en vas

Je suis malade complètement malade
Comme quand ma mère sortait le soir
Et qu'elle me laissait seul avec mon désespoir

Je suis malade parfaitement malade
T'arrives on ne sait jamais quand
Tu repars on ne sait jamais où
Et ça va faire bientôt deux ans
Que tu t'en fous

Comme à un rocher comme à un péché
Je suis accroché à toi
Je suis fatigué je suis épuisé
De faire semblant d'être heureux quand ils sont là

Je bois toutes les nuits mais tous les whiskies
Pour moi ont le même goût
Et tous les bateaux portent ton drapeau
Je ne sais plus où aller tu es partout

Je suis malade complètement malade
Je verse mon sang dans ton corps
Et je suis comme un oiseau mort quand toi tu dors

Je suis malade parfaitement malade
Tu m'as privé de tous mes chants
Tu m'as vidé de tous mes mots
Pourtant moi j'avais du talent avant ta peau

Cet amour me tue, si ça continue
Je crèverai seul avec moi
Près de ma radio comme un gosse idiot
Écoutant ma propre voix qui chantera :

Je suis malade complètement malade
Comme quand ma mère sortait le soir
Et qu'elle me laissait seul avec mon désespoir

Je suis malade c'est ça je suis malade
Tu m'as privé de tous mes chants
Tu m'as vidé de tous mes mots
Et j'ai le cœur complètement malade
Cerné de barricades t'entends je suis malade

(Serge Lama)

terça-feira, 18 de junho de 2013

O esfrangalhar de uma democracia, ou... o "nazismo" de um governo sem legitimidade!!!




 
 
"É indecente o que se está a fazer aos funcionários públicos e aos professores"


O que está em causa para o Governo na greve dos professores é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos, sem direitos nem justificações, a aplicar a esses trabalhadores.    É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.

Há mesmo em curso uma tentação de cópia do thatcherismo, à portuguesa, numa altura em que uma parte do Governo pende para uma espécie de gotterdammerung revanchista e vingativo, de que as medidas ilegais como a recusa do pagamento do subsídio de férias pela lei em vigor são um exemplo.    Não é porque não tenha dinheiro, é porque quer mostrar que é o Governo que decide as regras do jogo e não os tribunais e as leis. Qualquer consideração pelas pessoas envolvidas, não conta.

O Governo sabe que a sua legitimidade é contestada sem hesitações por muita gente, e pretende ultrapassar com um exercício de autoridade essa enorme fragilidade.    Por isso, a greve dos professores é muito mais relevante do que o seu significado como conflito profissional, e é também por isso que o Governo, aproveitando o deslaçamento que tem acentuado na sociedade com o seu discurso de divisão, usa pais e alunos para a combater.     Não é líquido que não possa ter resultados, até porque os sindicatos não têm conseguido ter um discurso límpido e claro, e os professores que se mobilizaram quase a 100% contra Maria de Lurdes Rodrigues, por causa da avaliação, estão hoje muito mais encostados à parede e enfraquecidos.

O medo dos despedimentos é muito perturbador no actual contexto de crise social, em que quem perde o trabalho nunca mais o vai recuperar.     Por isso, a greve dos professores, como a greve dos funcionários públicos, é pelo emprego, em primeiro lugar, em segundo lugar e em último lugar.    É também contra a imposição unilateral de condições de trabalho e horários no limite do aceitável.    Mas o emprego é hoje o bem mais precioso e mais ameaçado.    Aliás, o aumento do horário de trabalho é também uma medida para facilitar o desemprego.

Os sindicatos são um instrumento vital de resistência social em tempos como os de hoje, e é ridículo e masoquista ver alguns professores a "esnobarem" dos sindicatos quando mais precisam deles.    No entanto, isto não pode fazer esconder que os sindicatos estão longe de estarem à altura do momento que o mundo laboral está a atravessar.    É aliás aqui que os efeitos mais perniciosos da dependência partidária do movimento sindical português mais se manifesta, quer para a CGTP, quer para a UGT.

Num momento em que existe uma ofensiva em primeiro lugar contra os funcionários públicos e, depois, contra qualquer forma de resistência organizada dos trabalhadores, ou seja, também contra os sindicatos e os direitos laborais, substituir uma acção próxima dos mais atingidos por uma tentativa de lhe dar cobertura com slogans políticos é um erro que se paga caro.

Não adianta virem usar slogans, como seja a "defesa da escola pública", apresentando-os como a principal razão de luta dos professores.    Em casa em que não há pão, ninguém se mobiliza por abstracções, mobiliza-se pelo pão.    É verdade que o Governo é contra a "escola pública", mas o seu objectivo fundamental nestes dias é despedir funcionários públicos, incluindo os professores, para garantir os cortes permanentes da despesa pública a que se comprometeu, em grande parte porque, ao ter deprimido a economia no limite do aceitável, não tem outro modo de controlar o défice.    Se o escolhe fazer nos mais fracos e dependentes da sua vontade, como sejam os funcionários públicos, é relevante, mas até por isso é a balança de poder que está em causa nas próximas greves.

A utilização de uma linguagem estereotipada pode ser muito confortável do ponto de vista ideológico, mas funciona como entrave quer à mobilização profissional, quer à mais que necessária mobilização da sociedade.    Não é pela "defesa da escola pública", nem por qualquer objectivo assim definido programaticamente, que a greve pode ter sucesso, em particular face à ofensiva governamental que conta com muito mais apoio na comunicação social do que se pensa.    É pela condição do trabalho, pelo emprego, que, no actual contexto, são muito menos egoístas do que podem parecer.    É, aliás, também nesse terreno que os funcionários públicos e os professores podem e devem "falar" com todos os outros trabalhadores do sector privado, porque aí os seus objectivos são comuns.

O que parece que os sindicatos têm vergonha de enunciar é o seu papel de defesa de um grupo profissional, como se os objectivos laborais não fossem objectivos nobres de per si, ainda mais na actual tentativa de criar uma sociedade "empreendedora", assente na força de poucos contra o valor e a dignidade do trabalho de muitos.    A incapacidade que tem a esquerda de enunciar objectivos firmes no âmbito destes valores, substituindo-os por uma retórica abstracta, acaba por resultar numa falsa politização que se torna num instrumento espelhar do mesmo discurso de divisão que o Governo faz.    Ainda estou à espera que alguém me explique por que razão não se diz, preto no branco, sem bullshit, que a greve é justificada pela simples motivo que nenhum grupo profissional numa sociedade democrática, seja empregado de uma empresa, ou do Estado, pode aceitar que se lhe torne o despedimento trivial, por decisões que são de proximidade (os chefes imediatos), e que não têm que ser justificadas a não ser por uma retórica vaga de "reestruturação", um outro nome para cortes cegos e pela linha da fraqueza dos "cortados".

E também não se diz, sem bullshit, que não é fácil manter a calma e a civilidade quando se tem que defrontar do lado das negociações pessoas que mentem quanto for preciso, e que estão apenas a ver se meia dúzia de mentiras ou ambiguidades servem para passar a tempestade e voltar à acalmia que precisam para fazerem tudo aquilo que hoje dizem que não vão fazer.    Os mesmos que, nos últimos dois anos, tudo prometeram e nada cumpriram e que ainda há poucos meses juravam em público que nada disto iria acontecer.    Ou seja, gente não fiável, de quem se pode esperar tudo e cujo discurso nas suas ambiguidades deliberadas está a ser feito para que tudo seja possível.    Em Agosto ou em Setembro, passada a vaga de conflitualidade social, vão ver como milhares de pessoas vão para a "requalificação", como o aumento dos horários de trabalho vai servir para tornar excedentária muita gente e como, sejam professores ou contínuos, todos vão estar no mesmo barco do olho da rua.

Eu continuo a achar que a decência mobiliza muito mais do que a "escola pública" e que tem a enorme vantagem de toda a gente perceber quase de imediato o que é.    E tem ainda a vantagem de ser fácil explicar, e de ser fácil de compreender por toda a gente, que é indecente o que se está a fazer aos funcionários públicos e aos professores.    E assim socializar o mesmo tipo de revolta que muitos dos actuais alvos do Governo sentem, porque ela não é diferente da que tem muitos milhões de portugueses.    Digo bem, milhões.    Não é coisa de somenos.

(Texto de Pacheco Pereira, no ABRUPTO)

 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Quando a corda rebenta, acaba-se o medo e a paciência!






Quem tem medo dos professores?...


Pelos vistos, todos. 

Quando a classe se une;   quando a inércia se sacode;   quando a doentia tendência que os professores têm para cumprirem tudo, aceitarem tudo sem um queixume, se transforma na revolta de quem já não aguenta mais;   quando os professores tomam consciência do poder que detêm e o exercem, o país treme.

Tremem os políticos ao verem escapar-se-lhes debaixo das garras dominadoras a classe que (justificadamente, diga-se..)  acreditavam mais submissa, a mais sensível à chantagem emocional.   Os direitos dos jovens, pois claro! 
Tremem os pais ao verem ameaçados... basicamente, os seus organizadinhos planos de férias, pois que outra coisa?

Hipócritas, uns e outros.

Não os comovem as crianças com fome, a única refeição diária retirada das escolas, a ASAE que há anos se pôs a medir batatas e encerrou ou inviabilizou as boas cantinas escolares, agora reféns da normalizada fast food de empresas duvidosas. 
Não os comovem as escolas fechadas, as crianças deslocadas, as escolas-fábrica em que cada aluno não é sequer um número, o interior do país desertificado, as longas viagens de e para casa, o tempo com a família, inexistente. 
Não os comovem os livros deitados fora, que deixaram de servir porque sim:   o novo programa de matemática para quê se o outro dava mostras de funcionar, o (des)acordo ortográfico para benefício de quem... 
Não os comovem os professores massacrados que lhes aturam os filhos todo o dia:    «Já não sei o que fazer dele, dela.., em casa é a mesma coisa.. ».
Não os comovem os alunos que querem aprender e não podem, a indisciplina na sala de aula e os professores esgotados, deprimidos, muitas vezes doentes, os professores que desabam a chorar no meio da aula, a tensão, as pulsações que disparam...  e como é que se pode ensinar assim?
 
Não os comovem os professores hostilizados publicamente por ministras, escritores, comentadores, opinadores - e já lá vão anos de enxovalhamento! 
Não os comovem as políticas aberrantes do ministério da Educação, as constantes alterações aos curricula, aos programas, as disciplinas de uma hora semanal a fingir que existem e os professores que se adaptam aos caprichos todos, formações atrás de formações, obrigatórias todas, pagas do próprio bolso algumas. 
Não os comovem as condições de trabalho e de saúde de quem lhes zela pelos filhos, as horas insanas passadas na escola, as tarefas sem sentido e as outras, o tempo e a disposição que depois faltam para tudo o resto que fazem em casa, preparar aulas, orientar trabalhos, corrigir testes, as noites que não dormem e...  amanhã aguenta-te que não são papéis que tens à frente, mas sim pessoas!
 
Não os comovem vidas inteiras de andar "com a casa às costas", 10, 20, 30 anos contratados  (dantes chamavam-se 'provisórios'),  de Trás-Os-Montes ao Algarve e é se queres ter emprego.   SEMPRE assim foi até conseguirem um lugar no quadro de efectivos numa escola - e agora aos 40, 50, à beira de vínculo nenhum! - as regras que mudam, a reforma que se alonja, a carreira de há muito congelada, os sucessivos cortes no salário, os impostos uns atrás dos outros e depois...   cara alegre que tens a responsabilidade de ensinar, formar, educar os nossos jovens, futuro deste país ou de outro para onde imigrem, será mais certo.

E eu digo, professora que fui, professora que serei sempre e já não vos aturo:    VÃO-SE  FODER com as vossas preocupações da treta, a vossa chantagem e as vossas ameaças, os vossos apelos aviltantes.   E não, não peço desculpa pela linguagem, que outra não há que dê a medida da raiva.

Quem é que vocês, políticos, associações de pais, pensam que são?

Vocês, que destroem tudo o que de bom se tinha conseguido neste país?   Que promovem o regresso à miséria, ao cinzentismo, à ignorância?    Que se estão borrifando para os alunos e as famílias, a qualidade do ensino nas nossas escolas públicas?    Que tiram ao Estado para darem aos privados?    Que acabam com apoios onde eles eram vitais, aos alunos mais pobres, aos alunos com deficiências?    Que despedem psicólogos e professores do ensino especial?    Que, em exames, recusaram tempo extra aos alunos que a ele tinham direito?    Que não fazem nada para promover a educação, os vossos podres serviços públicos reféns do vosso oportunismo, da vossa falta de valores, do vosso cinismo?
 
Vocês, que atacam os professores mas lhes confiam os vossos filhos?    Que não os educam em casa, mas esperam que eles o façam na escola?    Que agora defendem a "mobilidade especial" quando antes defendiam a estabilidade, se queixavam de que as crianças mudavam de professores todos os anos?    Que não percebem que um professor maltratado é um profissional menos disponível para os alunos que tem à frente?    Que a luta dos professores é a luta pelos vossos filhos, pela qualidade da sua educação, pelas oportunidades do seu futuro?

E vocês, opinadores "de bancada" que continuam a achar que os professores trabalham pouco e ganham muito, por que se queixam agora desta greve (três meses de férias, é?!), quando nunca antes se queixaram das condições miseráveis em que vocês próprios sempre viveram?    Por que não se queixam dos dinheiros mal-gastos destes políticos?    Por que não se queixam de um serviço público de televisão que vos embrutece e vos torna prisioneiros de quem vos engana todos os dias, vos impede de terem pensamento próprio?    Por que não se queixam da razia deste governo sobre os funcionários públicos, dos serviços que vão funcionar muito pior, das horas de espera que vão aumentar nos hospitais, nos centros de saúde, nos correios e nas repartições todas, a "má-cara" de quem, maltratado, vos vai atender com pouca paciência e muito cansaço?     

A vocês que,  pelos vistos não sabem o que é uma greve,  nunca vos vi defenderem os professores do vosso país.    Vi-vos aplaudirem uma ministra que vos "ganhou", "perdendo-os".     Vi-vos porem-se contra eles, ao lado dos filhos que vocês não souberam nem se preocuparam em educar.     Vi-vos irem às escolas apenas para insultarem ou ameaçarem os que nela todos os dias "dão o litro" para que os vossos filhos sejam melhores que vocês, tenham as condições de vida que vocês não puderam ter. 

Os professores não estão de férias, como vocês, que tudo julgam saber, gostam de apregoar.
Os Professores estão em greve.    Finalmente!    Os Professores levaram anos a aguentar pauladas.    Anos e anos a serem, eles, prejudicados.    Agora fazem greve, dizem BASTA!
Vocês, deviam fazer o mesmo, assim a educação que a escola pública vos proporcionou vos tenha garantido sentido crítico, pensamento autónomo e DIGNIDADE.

(Fonte:  O Vento Que Passa)


domingo, 9 de junho de 2013

Vem isto a propósito da tão "orquestrada" contestação à greve dos professores...






O direito à greve faz parte do conjunto de direitos que definem uma democracia. 


Sem direito à greve não há democracia, como sem direito à propriedade também não há democracia.        Resultou, como muitos direitos, de uma longa, dura, e em muitos países inacabada, luta social, pejada de mortos, feridos, exílios, despedimentos, expulsões de casas, prisões.    Existe na lei portuguesa desde o 25 de Abril de 1974, está regulamentado e constitucionalmente protegido.    Mas, apesar de ser um direito, parece que exercê-lo para além do "simbolismo", é um crime.

Entendamo-nos:    greves "simbólicas" são manifestações muito especiais, mais agressivas, levando a rua para dentro dos locais de trabalho, mas não são verdadeiramente greves.    A greve é uma paralisação do trabalho cujo objectivo é pressionar alguém, patrão, empresa, sindicato  (sim, os sindicatos podem estar do "outro" lado), estado, governo para obter uma qualquer reivindicação de natureza laboral ou política.    Convém lembrar que há greves por objectivos políticos, como foram as do "Solidarnosc" na Polónia, e nenhuma lei em países democráticos as pode proibir. 

Pressionar significa usar uma força, neste caso o prejuízo que decorre da interrupção do trabalho, para obrigar o "outro" lado a ceder ou a ponderar entre vantagens e prejuízos.    É por isso que as greves que são greves e não greves "simbólicas" tentam maximizar os prejuízos como instrumento de pressão.    Por exemplo, os trabalhadores rurais alentejanos faziam greve quando das ceifas e não quando das mondas, no Verão e não no Inverno.     Durante o pequeno período de tempo a sua força negocial por salários mais altos era considerável.    Os cereais podiam apodrecer se não fossem colhidos a tempo, havia o risco de mau tempo estragar uma colheita, e dos incêndios (alguns intencionais) destruirem uma seara.    Passado este período, a força negocial dos trabalhadores rurais desaparecia, e ficavam sazonalmente desempregados, ou quando muito faziam as mondas e muitas vezes, como forma escondida de subsídio de desemprego pago pelo Estado, iam apanhar pedras nos campos e empilha-las.    A monda química e a introdução de maquinaria teve efeitos devastadores no preço e na quantidade de mão-de-obra necessária e levou à emigração de muitos milhares de trabalhadores rurais alentejanos.

Por isso quem faz greve a sério, escolhe os momentos que mais prejuízo provocam, como fazem os pilotos da TAP, os maquinistas da CP, os trabalhadores dos transportes, os professores,  e, numa sociedade civilizada, definem-se os serviços mínimos para impedir a disrupção social para além dos limites do aceitável.    Mas os serviços tem que de facto ser mesmo "mínimos", e os prejuízos fazem parte da conflitualidade consentida pela pluralidade de interesses na sociedade.

O que disse atrás não é comunismo, nem socialismo, nem radicalismo, nem fascismo, nem coisa nenhuma acabada em ismo.    É o modo como nas sociedades democráticas se defrontam os conflitos sociais e políticos, com custos sociais, mas se não for assim é pior.    A começar para a democracia, coisa a que cada vez se liga menos.


(Por Pacheco Pereira, no Abrupto)


segunda-feira, 20 de maio de 2013

A "selvajaria" inqualificável e inadmissível de um governo de energúmenos!!!



Palavras de estarrecer pronunciadas por Jorge Reis Novais,  Professor Associado do Instituto de Ciências Jurídico-Políticas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa,  no programa "Justiça Cega" da RTP2, no passado dia 8.    Palavras que denunciam a crueza, a frieza  e a desumaninade das medidas tomadas por energúmenos a quem foi dado um cargo político e a nefanda tarefa de exterminação de uma boa parte da população trabalhadora deste País - os funcionários públicos - tornados os principais inimigos a abater.    Palavras que dispensam quaisquer outros comentários.    Ainda que tal vómito não passe do papel por força do crivo do Tribunal Constitucional, ficarão sempre as miseráveis intenções e linha política do governo que as planeou!   





domingo, 19 de maio de 2013

Uma "burla política" consumada pelo governo com a conivência do Presidente!






O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, acusou hoje em Barcelos o Governo de estar a consumar "uma burla política aos portugueses", ao pôr em prática "medidas contrárias" ao que prometeu em campanha eleitoral.


Segundo Marinho Pinto, o Presidente da República, Cavaco Silva, "está a ser um dos grandes responsáveis por aquela fraude à democracia portuguesa", pela sua "conivência" com o Governo.
"Este Governo está a pisar uma linha vermelha que não deveria pisar, a tomar medidas que ocultou deliberadamente aos portugueses, a consumar uma burla política aos portugueses, a aplicar medidas contrárias ao que prometeu na campanha eleitoral", afirmou.

Falando aos jornalistas à margem da sessão do Dia do Advogado, Marinho Pinto acrescentou que, "em democracia, não pode haver programas ocultos".    "Isso é próprio das ditaduras, é o que de pior se pode fazer à democracia e aos valores do Estado de Direito", disse ainda.

(VCP // MAG - Noticias ao Minuto/Lusa)


sábado, 18 de maio de 2013

Salvo melhor opinião... a próxima medida é mandar matar todos os velhos com mais de 65 anos!!!





Paulo Portas pode dar as piruetas que quiser, fazer as coreografias que entender, gritar que é "politicamente incompatível" com a taxa de sustentabilidade das pensões.    Pode até fazer o pino no Palácio das Necessidades ou jogging em Caracas que o "cisma grisalho" que jurou querer evitar já está instalado.

Depois de ter conseguido virar trabalhadores do sector privado contra funcionários públicos, o Governo segue agora a mesma receita de casta, isto é, virar os novos contra os velhos, confrontando os "grisalhos" com a acusação de que vivem  -  só falta dizer criminosa e parasitariamente  -  à custa dos descontos de quem está hoje no activo.    A pretexto da solidariedade intergeracional  -  como se ela existisse apenas num sentido  -  pretende-se fazer crer que a Segurança Social só terá futuro se as expectativas de quem, com carreiras contributivas mais ou menos longas, conquistou o direito a viver o que resta da vida com dignidade e tranquilidade forem agora defraudadas.    Como se, nos últimos dois anos, os pensionistas tivessem ficado isentos da austeridade.    Como se, num país onde existem mais de um milhão de desempregados  -  mais de 40% são jovens  -  e em que só 44% recebem subsídio de desemprego, não fossem os reformados a contribuir para que não falte o pão na mesa a filhos, noras e netos.    Isto também é, como é óbvio, solidariedade entre gerações.

Nas últimas duas semanas, como nos últimos dois anos, assistimos a uma ofensiva de terrorismo social sem precedentes, com alvos bem selecionados:    os mais velhos e os mais novos, os reformados e os funcionários públicos.

Primeiro alarmam-se três milhões de cidadãos com o anúncio de uma taxa sobre as pensões que, 48 horas depois, ficamos a saber não reúne o consenso na coligação.    Mais tarde, e não sei quantos Conselhos de Ministros extraordinários depois, percebemos que a taxa, aceite pela troika como garantia para o fecho da sétima avaliação, é afinal facultativa e não obrigatória  -  como se alguém, no seu perfeito juízo, acreditasse que as medidas acordadas com "estes senhores" não tivessem carácter obrigatório.    

E descobrimos que "a fronteira que não pode ser ultrapassada" pelo partido dos contribuintes e dos reformados ficou afinal para trás no momento em que o líder do CDS permitiu a inclusão da taxa no menu acordado.    Portanto, a taxa existe e ponto final!    E este é o mesmo Paulo Portas que, continuando no Governo, não cora de vergonha nem pede perdão à Nossa Senhora de Fátima por se associar à convergência retroativa dos regimes de pensões - mais uma inconstitucionalidade grosseira - validando um novo esbulho de 10% aos reformados.

E depois há o problema demográfico que torna insustentável a Segurança Social.    É verdade que em Portugal nascem cada vez menos crianças.    Mas quem é que se arrisca a ter filhos na iminência de ficar desempregado e numa recessão económica sem fim à vista?    E será que a insustentabilidade do sistema de pensões não resulta também da redução drástica da matéria tributável e contributiva, consequência de um desemprego que continua a crescer?

Se a isto juntarmos o plano de despedimentos na administração pública, os cortes nos subsídios de desemprego, a falta de políticas de crescimento e criação de emprego, e todas as medidas austeritárias que são o alfa e o ómega da governação, ficamos esclarecidos sobre as razões que levaram, em tempos, o primeiro--ministro e um ex-secretário de Estado a incentivar os jovens a saírem da sua zona de conforto e a emigrarem para outras paragens.    

Desde o início que o plano ideológico do Governo de Passos Coelho e de Vítor Gaspar, com a cumplicidade de Paulo Portas, era, afinal, ver-se livre do maior número possível de portugueses.    Velhos ou novos.

(Por Nuno Saraiva, DNopinião, 18/Maio/2013) (sublinhados deste blogue)



domingo, 12 de maio de 2013

Os dois "farsolas" da coligação ou a coligação dos dois "farsolas"?





As alegadas “divergências” entre Portas e Passos Coelho não passam de pura farsa.


A coligação a que ambos pertencem pretende manifestamente perpetuar-se no poder.    É isso também que pretendem a Troika, o “Padrinho” e a corte de banqueiros e outros vampirescos milionários que a suportam e ela suporta.    Porém, dada a desgraçada política que têm seguido, esse objetivo parece cada vez mais inatingível, pelo menos mantendo-se a coligação como está.    Em face do perigo que as próximas eleições representam para toda essa “onorata societá”, a coligação inventou uma estratégia:     tornar-se a alternativa de si própria.

Como o PSD é que se tem desgastado mais, por ser o principal parceiro e aquele que mais tem “dado a cara”, as esperanças de evitar a derrocada viram-se para o CDS.

Assim, Portas começou a apresentar-se como “bonzinho”, fingindo divergir do Passos “mauzão”.    Esperam com isso que parte dos inúmeros votos que o PSD vai perder sejam recuperados pelo CDS.    Assim ficaria tudo na mesma, ou, quando muito, a coligação PSD/CDS seria substituída por uma coligação CDS/PSD.

Infelizmente, por estranho que pareça, não poucos portugueses vão cair na esparrela.    Já ouvi mais do que um dizer:  “o Portas é que nos safa”!     Esperemos que não sejam muitos.    Esperemos sobretudo que as forças da oposição saibam desmascarar a trapaça.

(Fonte:  Ponte Europa)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Gaspar atiçado com Bruxelas? - Acordou do coma ou foi picado por algum bicho?...





O ministro das Finanças Vítor Gaspar estava irreconhecível, na terça-feira, em Bruxelas. Revelando uma nova faceta, o governante mostrou-se não como o aluno sentado na primeira fila da sala de aula da troika, mas como um membro do Executivo preocupado com o impacto da austeridade na economia, escreve o jornal i.


Gaspar, em Bruxelas, mostrou outra faceta sua (até agora desconhecida) ao dizer-se preocupado com as políticas de disciplina orçamental, em vez de manter a postura do aluno bem-comportado da troika.
Apesar de satisfeito com a operação de emissão de dívida portuguesa, ontem, o ministro das Finanças admitiu que o desemprego é realmente um problema irresolúvel, a não ser que se avance com um programa de políticas activas de emprego.
O governante português defendeu também que “a fragmentação financeira que existe actualmente exacerba o custo associado ao ajustamento e funciona como um choque de competitividade negativo para o país sob ajuda externa”.

Para Gaspar, “a União Europeia tem de respeitar” o que o ministro considera ser um princípio:    “Permitir aos Estados que assegurem ao seus cidadãos os direitos sociais que estes exigem".

Mais surpreendentes ainda foram as ‘alfinetadas’ que Gaspar lançou, no seu discurso, ao seu homologo alemão.    O ministro das Finanças lembrou ao seu ‘amigo’ Schäuble que também ele tem de lidar com o incómodo Tribunal Constitucional, alertando o alemão para o facto de não estar a salvo de problemas com credores, semelhantes aos portugueses.

(Fonte)


segunda-feira, 6 de maio de 2013

PODE UM HOMEM SOZINHO DAR CABO DE UM PAÍS ?

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Pode, se o deixarem à solta:   é o que Vitor Gaspar está há quase dois anos a tentar fazer a Portugal.    

Ele dará cabo do país e não deixará pedra sobre pedra se não for urgentemente dispensado e mandado regressar à nave dos loucos de onde se evadiu.    Já suportámos tudo a Vitor Gaspar:    nove trimestres consecutivos de previsões sucessivamente falhadas;   erros de avaliação de uma incompetência chocante;   subidas de impostos que conseguiram o milagre de fazer cair a receita fiscal;    meio milhão de novos desempregados em menos de dois anos e milhares de empresas chutadas para a falência;   cortes cegos em tudo o que estava em marcha para mudar o nosso paradigma de país subdesenvolvido – como a aposta na investigação, na ciência, nas novas tecnologias, nas energias alternativas;   um despudor e uma arrogância a corrigir os erros cometidos com novos erros idênticos, que, mais do que teimosia e obstinação suicidárias, revelam sim o desespero de um ditador intelectual perdido no labirinto da sua ignorância.    

Gaspar não sabe como sair do desastre em que nos meteu e, como um timoneiro de uma nave em rota de perdição, ele não vê nem passageiros nem carga, ou empregos e vidas a salvar:    prefere que o navio se afunde com todos a bordo e ele ao leme.    Sem sobreviventes nem testemunhas.

Vendo-o na sua última aparição pública, a dar conta das linhas orientadoras do DEO, percebi que ele já não tem rumo nem bússola.    Nem sequer tem linhas orientadoras da estratégia orçamental ou do que quer que seja.    Apenas tem um número, que, aliás, vai sucessivamente engrossando à medida que o desastre se vai tornando cada dia mais nítido:   1,3 mil milhões, 4 mil milhões, 6,5 mil milhões.   Cada nova previsão falhada, cada novo erro de avaliação por ele cometido, tem como consequência não um pedido de desculpas ou a promessa de se render e arrepiar caminho, mas antes a ameaça de mais e mais sacrifícios sobre uma economia e um povo exauridos.

Afinal, anuncia ele agora, a recessão não vai inverter-se no final deste ano, como previra, mas só lá para 2015 ou 16;    afinal, o “desemprego ainda vai subir antes de começar a descer” daqui a uns dois anos, talvez;    afinal, a “sustentabilidade das contas públicas”, que nos diziam iminentemente assegurada, vai exigir “sacrifícios para uma geração.     Mas o que mais me choca ainda é o tom nonchalant com que  debita as novas ameaças, como se, milhão a mais ou milhão a menos, dois anos a mais ou dois anos a menos, não fizesse grande diferença nas vidas concretas de gente concreta, destruídas a mando da sua incompetência.

Sim, incompetência:   porque o mais extraordinário de tudo é pensar que Vitor Gaspar impôs ao país uma política de austeridade suicida que o conduziu a uma das maiores recessões da sua história e sem fim à vista e, em troca, não conseguiu as duas coisas que ele e os demais profetas da sua laia de fanáticos juravam ir alcançar sobre as ruínas do país:    nem fez a reforma do estado nem controlou o crescimento da dívida pública – pelo contrário, perdeu-lhe o controlo.    Mas para onde foram os 24.000 milhões de euros que as políticas de austeridade de Vitor Gaspar roubou à economia, às empresas e aos trabalhadores e pensionistas, neste dois anos?   Sumiram-se para onde, serviram para quê?

Incompetência, porque tudo aquilo que Vitor Gaspar sabe fazer e faz, qualquer merceeiro, sem ofensa, sabe fazer:    contas de somar e subtrair.   Agora faltam-lhe 6,5 mil milhões?   É fácil de fazer, basta agarrar numa caneta e num papel.
Ora vejamos:   conta de subtrair – tiram-se 2 mil milhões aos pensionistas e 3 mil milhões aos salários dos funcionário públicos.   Temos 5 mil milhões, falta 1,5.   Conta de somar – aumenta-se o IRS (o único imposto que ainda garante retorno acrescido na receita fiscal).   Aí estão os 6,5 mil milhões – a “reforma do Estado”

Mas alguém lembra então a Gaspar que isto vai significar menos consumo privado, e que menos consumo significa mais falências, mais desemprego, mais subsídios de desemprego a pagar.    Contrariado, Gaspar volta a agarrar na caneta e desenha nova “medida de estratégia orçamental”,  ou seja, nova conta de subtrair - tira-se meio milhão às verbas do subsidio do desemprego.     E quando alguém lembra ao ministro que o subsídio do desemprego já foi reduzido na sua duração a um paliativo mínimo e as suas regras de acesso, de tão restritas que são, apenas abrangem 45% dos desempregados, Gaspar responde:    “Então por isso mesmo, e, aliás, em obediência ao princípio da igualdade, diminui-se a prestação aos que a têm”.

É assim que Vitor Gaspar governa o pais, perante a aquiescência do primeiro-ministro e a cumplicidade do Presidente da República.    

Eles sustentam que tudo fará sentido e valerá a pena no dia em que Portugal regressar aos mercados.     Não é um sonho, é um delírio:    quanto mais o PIB cai mais sobe a divida pública, calculada em percentagem do PIB.    E, quando olharem para nós, sem a “protecção” da troika, o que irão os mercados ver?    Um país em recessão permanente, com a divida sempre a subir e  governado por Passos Coelho e Vitor Gaspar.    Em que filme de aventuras é que eles aprenderam que um país assim é salvo por filantropos?     Não, Gaspar não nos vai levar de volta aos mercados, a não ser em condições de estertor final:     ele vai é levar-nos de volta a um novo resgate.     E esse vai fazer-nos retroceder cem anos.

Há alternativa?   Há, tem de haver.    É isso que o novo primeiro-ministro italiano, Enrico Lette, anda a dizer pela Europa fora:     tem de ser possível fazer a reforma financeira dos Estados e fazer aceitar os sacrifícios necessários para tal,  desde que, em contrapartida, tudo o que os governos tenham para oferecer, não seja uma geração de sacrifícios, como anuncia displicentemente Vitor Gaspar.    Porque, como disse Lette, aquilo que não faz sentido e é intolerável é continuar com políticas que geram taxas de desemprego de 15, 20 e 25%  e de desemprego juvenil entre 30 a 50%.     Pode ser que na nave dos loucos onde se produzem génios da dimensão de um Vitor Gaspar, se tenha congeminado a tese final do capitalismo triunfante:   uma economia sem trabalho e sem trabalhadores.     Às vezes dá-me mesmo a ideia que sim, mas é preciso que a loucura deles seja da estirpe mais perigosa de todas para imaginarem que a Europa e qualquer uma das suas nações sobreviverá assim e pacificamente.

Mesmo com um Governo italiano arrastando ainda e uma vez mais o fantoche de Berlusconi, mesmo com uma França chefiada pelo triste Hollande ou uma Espanha chefiada pelo incapaz Rajoy,  mesmo com a Grécia de Samaras, a Europa do sul está finalmente a mover-se, por instinto de sobrevivência.    Sem perder tempo, Lette foi direito à origem do mal:     a Berlim e a Bruxelas.     Ele não fará abalar Angela Merkel nas suas convicções e interesses próprios e não conseguirá também fazer com que Durão Barroso deixe de oscilar conforme o vento, até ficar tonto.    Mas, se conseguir unir o sul e juntar-lhe outros povos acorrentados pelos credores e condenados à miséria, enquanto o norte prospera sobre a ruína alheia, de duas uma:     ou a Europa se reconstrói  como uma livre associação de Estados livres, ou implode às mãos da Alemanha.     Qualquer das soluções é melhor do que esta morte lenta a que nos condenaram.

É claro que nada disto dá que pensar a Vitor Gaspar que vem de outro planeta e para lá caminha, nem a Passos Coelho, que estremece de horror só de pensar que alguém possa desafiar a autoridade da sua padroeira alemã.    Nisso também tivemos azar:   calhou-nos o pior pais para viver esta crise.    Mas este governo vai rebentar, tem de rebentar.    Porque a resposta à pergunta feita acima é não.    Não, um homem sozinho não pode dar cabo de um país com quase nove séculos de história.

(Miguel Sousa Tavares, In Expresso – 4/Maio/2013) (sublinhados deste blogue)


domingo, 5 de maio de 2013

Será possível salvar a Europa do desastre que aguarda o euro?

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Da Grécia à Itália, passando pela Irlanda, por Portugal e pela Espanha, a zona do euro a partir de agora está em brasa.    

Os Estados não param de contrair empréstimos a juros cada vez mais altos e os contratos de seguros sobre as dívidas, quer sejam públicas ou privadas, vêem o montante dos seus prémios a evaporar-se.    O euro está a morrer.    Tudo isto estava previsto há vários meses, ou mesmo há vários anos.   Mas nem Cassandra se alegraria por ver realizarem-se as suas previsões.    Compreendemos que a morte do euro, dada a casmurrice imbecil dos nossos dirigentes e dada a sua incapacidade de prever uma saída organizada  –  o que, aliás, ainda seria possível actualmente  -  nos condena muito provavelmente a um salto no desconhecido. 

A História medirá a responsabilidade dos nossos governos que, por ideologia, por conformismo e por vezes por cobardia, deixaram a situação degradar-se até ao irreparável.    Registará também a enorme culpa dos que, nas capitais nacionais como Bruxelas ou Frankfurt, procuraram impor à socapa uma Europa federal através da moeda única a povos que não a queriam.    Agora não é apenas o euro, essa construção manca e deformada, que agoniza.    É também um certo conceito da Europa. 

A vitória provisória dos "cabritinhos", daqueles que, para retomar a célebre frase do general de Gaulle, se afastam gritando - "a Europa! a Europa!" - saltando por cima das cadeiras, é paga hoje a um preço muito alto.   Se não quisermos regressar a uma Europa do conflito "de todos contra todos", teremos que reaprender os princípios da coordenação entre nações soberanas, que são os berços da democracia, sobre as ruínas duma cooperação que quiseram construir sobre o desprezo da opinião dos eleitores.    A crise actual salda ao mesmo tempo os erros duma financiarização até às últimas consequências, desejada simultaneamente pela direita e pela esquerda parlamentares, e o erro político que foi o tratado de Lisboa e a negação da democracia que se seguiu ao referendo sobre o projecto de tratado constitucional em 2005. 

Com efeito, mal os nossos governantes têm a sensação de ter arranjado um remédio, mesmo que temporário, para um dos países, já a crise se precipita sobre outro.    Os bancos europeus estão pois no centro do ciclone e sofreram pesadas perdas quanto à sua capitalização desde o início do mês de Agosto de 2011.    A incerteza quanto à sua solvabilidade não pára de subir.    Está à medida do erro, e é um eufemismo, que foi praticado no início da Primavera de 2011, dizer que os "testes de resistência"  (ou stress tests ) realizados na época omitiram nas suas hipóteses integrar um possível incumprimento de um país da zona euro.    Estamos a pagar caro esse erro!    É provável que ele torne inevitável uma nacionalização temporária, parcial ou total, dos nossos sistemas bancários. 

Depois da Grécia, a partir de agora condenada ao incumprimento e a uma desvalorização, e esvaída em sangue por uma repetição insensata de planos de austeridade que foi denunciada pelo economista do [banco] Natixis, são a Itália e a Espanha que dão sinais de fraqueza.    Na Itália, apesar da multiplicação de planos de austeridade, a dívida não pára de aumentar enquanto a maré do desemprego sobe inexoravelmente em Espanha.     Quanto a Portugal, mergulha numa crise sem saída e a própria França está a ser posta em causa. 

Até os cépticos mais empedernidos devem reconhecê-lo no âmago do seu coração.    Para além da crise de cada país, que se explica por razões específicas de cada vez, para além da crise de governação da zona do euro, certamente previsível mas exasperante entre a Alemanha e a França, é mesmo a divisa única, o próprio euro, que está em crise. 

Na verdade esta crise era previsível há muitos anos, porque os defeitos estruturais da zona do euro eram notórios e bem conhecidos dos economistas, incluindo os partidários do euro.    Os desequilíbrios induzidos pela moeda única abriram caminho no seio das economias dos países da zona do euro.    Se a crise de 2007-2008 deu um impulso decisivo à crise do euro, convém dizer que esta só estava à espera de uma grande desordem da economia mundial para se revelar. 

Esta crise tornou-se uma realidade no Verão de 2009 quando a acumulação das dívidas atingiu um limiar crítico na Grécia, na Irlanda e em Portugal.    No Verão de 2011, sofreu uma reviravolta dramática que prova que o processo está a piorar.    De resto, podemos constatar o aumento da fadiga do euro, bem perceptível, quer seja nas opiniões públicas, onde a partir de agora temos uma maioria de pessoas que se pronunciam contra uma ajuda suplementar à Grécia, quer no seio dos governos onde a partir de agora se revela o desânimo. 

Esta crise também se combina com as inquietações suscitadas pela situação nos Estados Unidos.    A perda para este país da sua nota AAA prova que ele não saiu da crise dos chamados subprimes.    Além disso, as suas perspectivas de crescimento são muito fracas.    O primeiro país a sofrer a crise de 2007 não reencontrou uma dinâmica sã de desenvolvimento e afunda-se lentamente numa crise dupla de endividamento do Estado federal e das famílias.    As reacções dos países emergentes, liderados pela Rússia e pela China, face à política monetária seguida por Washington, são cada vez mais vigorosas. 

A concomitância destas crises contribui no entanto para obscurecer o seu sentido.    Mascara em particular o que a crise na zona do euro tem de específico e os efeitos da moeda única que a agravam.    Mas faz-nos lembrar que, num mundo de finanças globalizadas, há laços estreitos que unem os diferentes problemas.    Se o euro vier a desaparecer, será o dólar que se encontrará na primeira linha face à especulação internacional que se desencadeará.    Apostamos que não tardará nada a soçobrar. 

São numerosos os que pensam que a crise do euro agrada aos dirigentes americanos.    Enganam-se redondamente.    Um euro enfraquecido politicamente mas presente, concentrando ainda durante vários anos a atenção dos especuladores internacionais e travando o desenvolvimento das economias europeias, é uma situação muito melhor para os dirigentes de Washington.    É por isso que estes multiplicam as iniciativas para forçar a mão dos países europeus e para que seja posto em acção um novo plano de salvamento da Grécia. 

Assim, por razões tão diversas quantos os países envolvidos, os dirigentes dos dois lados do Atlântico afirmam a sua vontade de defender o euro.    Mas os factos são casmurros!    E quando os menosprezam, vingam-se. 

Os argumentos distorcidos de uns e de outros, os advogados pro domo de políticos acossados, as subtilezas num calão pseudo-técnico em que se deliciam os burocratas de Bruxelas não alterarão nada.    A moeda única europeia, que esteve na origem de tantas esperanças, não cumpriu nenhuma das suas promessas.    Hoje morre por causa do fracasso do projecto político que lhe deu vida, o "federalismo furtivo", por causa da divergência das dinâmicas económicas dos países membros, divergência essa exacerbada pela política da Alemanha. 

O que é infinitamente mais grave que a morte do euro na sua forma actual é que o próprio princípio de coordenação monetária corre o risco de morrer com ele.    E hoje coloca-se a questão:    será possível salvar este princípio de coordenação do desastre que aguarda o euro, com o que isso implica de flexibilidade para cada país e de cooperação entre países?

(Por Jacques Sapir) (Ler o artigo completo em Resistir.info)


Mas este rapazola não se enxerga?... Tem pose e fala grosso, mas continua um "Jotinha"!

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E continua o jogo do "rapa, tira, deixa e repõe"...    é um perito, este rapazola, ainda vai conseguir entrar para o Guiness como o político que mais rapidamente diz uma coisa e o seu contrário;     e ainda lhe sobra um segundo título  -  o que mais atropelos faz às normas Constitucionais!    E tudo isto sem se rir e com a mesma cara de pau, tão convencido está do seu grande desígnio de "salvador da Pátria",  versão portuguesa de Jesus Cristo...


Governo admite deixar cair a taxa sobre as pensões

A contribuição de sustentabilidade sobre as pensões de reforma, anunciada esta sexta-feira pelo primeiro-ministro, pode não chegar a ver a luz do dia.

A solução encontrada pelo Governo para tapar o buraco criado pelo chumbo do Tribunal Constitucional pode permitir que o Executivo deixe cair o novo imposto sobre as reformas.     A TSF refere uma fonte do Executivo que admite que, no exercício do próximo ano, poderá existir uma almofada que permita dar esse ganho político ao CDS.

Os cortes estruturais previstos para este ano podem, segundo a mesma fonte, ser superiores em 200 milhões de euros ao que é necessário para cumprir as metas previstas, estando em estudo outras medidas de menor impacto que permitam abdicar da taxa sobre as pensões de reforma, que é o principal ponto de desacordo entre Vítor Gaspar e Paulo Portas.    (Económico, 05/05/13)

Actualização:

Imposto sobre os pensionistas “é a fronteira que não posso deixar passar”


Paulo Portas assumiu que está contra a taxa sobre pensões, anunciada pelo primeiro-ministro na sexta-feira.    "O senhor primeiro-ministro percebe que esta é a fronteira que não posso deixar passar", afirmou o presidente do CDS-PP, referindo-se Paulo Portas ao novo imposto sobre os pensionistas, hoje numa comunicação ao país em reacção aos novos cortes anunciados por Pedro Passos Coelho na sexta-feira.
Paulo Portas comprometeu-se a procurar medidas suplementares que substituam a nova contribuição sobre as pensões.    "Farei tudo para que se poupe quem deve ser poupado", defendeu.    "Queremos uma sociedade que não descarte os mais velhos", acrescentou o líder do CDS.


Embora tenha assumido uma frontal divergência, com o PSD, principal partido do Governo, em relação a esta taxa sobre os pensionistas, Paulo Portas manifestou apoio às restantes medidas fazendo questão de frisar que foi o CDS que conseguiu impedir que a idade da reforma subisse para os 67 anos.    "A questão da idade da reforma ocupou bastante do meu tempo, fiquei incomodado com a notícia. Não havia consenso no Governo quando a esta matéria e a medida não avançou".

Na sua declaração, que demorou cerca de meia hora, Paulo Portas dirigiu palavras muito duras à troika.    O líder democrata cristão classificou de "situação vexatória" o facto de o país estar intervencionado e defendeu que não vê "nenhuma vantagem em voltar a estender a mão como pedintes nem de estender a permanecer desses senhores entre nós".    "Não observo nas equipas técnicas da troika suficiente flexibilidade que dê substância ao discurso" de muitos dos seus representantes que invocam a necessidade de apostar no crescimento económico e no alívio da austeridade.   (por Mariana Adam e Inês Bastos - Económico - 5/5/2013)