domingo, 14 de abril de 2013

Este governo não se remodela... remenda-se porque é um trapo.

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Tira-nódoas

Este governo não cai porque não é um edifício, sairá com benzina porque é uma nódoa, escreveu Eça.     Aplica-se a este executivo e adapta-se ao momento:    este governo não se remodela porque não é uma casa, remenda-se porque é um trapo.
Uma semana à espera da saída de Relvas para a remodelação e um secretário de Estado passa a Ministro, mais um sinal de um governo exangue, sem atrativos para recrutar.     Já a criação de um ministro-adjunto, na dependência direta do PM, para gerir o QREN mesmo antes das autárquicas, fala por si.
 
Este remendo também revela que, após tanto fracasso, em vez de guinar o rumo, Passos Coelho insiste, despreza a economia, retirando poderes à pasta, enquanto as Finanças se agigantam, roçando o fundamentalismo.    Por fim, o PM confirma o seu deslumbre pelos académicos estrangeirados, mesmo que falhos em experiência política ou do país.
 
Foi assim com Álvaro e Gaspar, ou mesmo Crato, com os resultados que se sabem.    Agora é com Maduro.     Enfim, na altura mais crítica do país em democracia, temos no leme um governo estafado, oportunista, radical e provinciano.     Benzina talvez não chegue.   -  (E eu acrescento:    com um fósforo...   chega!    Tenho a certeza!)
 
(Joana Amaral Dias, In CM - 13/Abr/2013)
 
 
 

Ex-assessor do Governo chama “psicopata” ao ministro das Finanças

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Carlos Vargas considera que Vítor Gaspar é o ministro das Finanças “mais arrogante e mais incompetente desde o reinado de D. Maria II”.
 
 
O antigo assessor do Ministério da Economia, Carlos Vargas, utilizou as redes sociais para fazer  duras críticas ao ministro das Finanças Vítor Gaspar.     “Na verdade trata-se de um psicopata social e não de um ministro das Finanças”, escreveu Carlos Vargas na sua conta pessoal no Twitter (*).
 
(*) Carlos Vargas @carlosavargas   
Cada dia que passa mostra que Vítor Gaspar é o ministro das Finanças mais arrogante
e mais incompetente desde o reinado de D.Maria II.
4:30 PM - 11 Apr 13
 
Numa outra mensagem, o antigo assessor do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, afirma que “cada dia que passa mostra que Vítor Gaspar é o ministro das Finanças mais arrogante e mais incompetente desde o reinado de D. Maria II”.

sábado, 13 de abril de 2013

Um cenário... apenas um exercício de ficção (bem real) sobre a saída de Portugal do euro!...

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Cuidado!  Muito cuidado com os nacionalistas visionários que advogam a saída do euro! 
 
Uma sexta-feira à noite...
 
Suponhamos que o governo decidiu sair do euro e ressuscitar o escudo.    Mandou por isso imprimir em segredo as notas de escudo e prepara-se para anunciar a novidade, numa sexta à noite, à hora do telejornal, quando os bancos já estão fechados  (ou decreta um feriado bancário durante vários dias).    Nesse fim-de-semana, todos os bancos fazem horas extraordinárias para distribuir as notas por todos os multibancos, para que a nova moeda possa entrar imediatamente em circulação.
 
O que vai acontecer é que toda a gente vai descobrir que se prepara a nova moeda.    Esta operação de lançamento do escudo envolve milhares de pessoas, que transportam e distribuem as notas, e eles vão contar às suas famílias.    E, de qualquer modo, toda a gente assistiu nas semanas anteriores a declarações dos ministros a explicar que isto vai muito mal e precisamos de decisões muito corajosas para salvar a Pátria em perigo.    Em resumo, toda a gente percebeu o que vai acontecer.
 
O que farão então as pessoas?    Não é preciso adivinhar:    vão a correr aos bancos levantar todas as suas contas e guardar as notas de euros.    Se não o fizerem, todas as suas poupanças vão ser transformadas em escudos, a um valor nominal que cairá com a forte desvalorização que, afinal, é o objectivo desta operação.    Os trabalhadores que depositaram salários e poupanças vão ser as primeiras vítimas da nova política.    E por isso vão tentar salvar o que puderem.
 
Ora, os bancos não querem nem podem pagar aos clientes todos os seus depósitos, simplesmente não têm o dinheiro para isso – nem há notas suficientes para cobrir toda a massa monetária líquida que existe em Portugal  (a massa monetária é a soma das notas e moedas em circulação com os depósitos nos bancos, e os bancos não guardam todo esse dinheiro, porque emprestam grande parte dele).    Os bancos vão por isso fechar as portas quando se generalizar o alarme, e o governo vai chamar o exército para guardar os edifícios.    Foi assim na Argentina ou na Rússia, foi assim em todos os casos em que se anunciaram grandes desvalorizações  (e nem se tratava de sair de uma moeda e criar outra, o que nunca aconteceu na história da União Europeia).
 
Os nacionalistas, que propuseram a saída do euro, começam agora a ter a primeira dificuldade.    É que vão defender o exército e os bancos contra a população.    E vão ter de fazer a sua primeira vítima, os depositantes nos bancos.    A conta é fácil:    se a desvalorização for de 50%, as poupanças e depósitos vão perder metade do seu valor.
 
O milagre das exportações

Passou assim o primeiro choque.    Mas vem aí mais, e pior.    O escudo desvalorizou então 50% em relação ao euro.    O governo aposta nessa desvalorização para recuperar a economia e espera que o efeito benéfico seja o seguinte:    as exportações aumentam porque se tornam mais baratas em euros e dólares, enquanto as importações diminuem porque se tornam mais caras em escudos.    Assim, haverá uma deslocação de capital para as indústrias e serviços exportadores e uma redução do consumo e das importações.    Tudo isto melhora substancialmente a balança de pagamentos.    A regra é esta:    se a vida melhorar para Américo Amorim, o dono da maior multinacional industrial portuguesa, ou para outras empresas exportadoras, melhorará também para toda a economia.
 
Parece conveniente, mas é um problema.    É que, com a desvalorização, o preço dos produtos importados aumenta no mesmo dia.    O combustível passou a custar uma vez e meia o seu preço anterior  (e todo o sistema de transportes também), e o mesmo acontece com os alimentos importados ou com os medicamentos, entre tantos bens de primeira necessidade.   Como dois terços do rendimento dos portugueses é para o consumo corrente, imagina-se o efeito imediato destes aumentos de preços no salário.
 
Quanto às exportações, sim, vão aumentar, desde que os compradores no estrangeiro queiram comprar mais em função da redução do preço  (e desde que não haja recessão no estrangeiro, e que os produtos portugueses correspondam a mercados com procura crescente, e que as suas características acompanhem as exigências dos consumidores estrangeiros, etc.).    Talvez aumentem.    Se aumentarem, será em todo o caso devagar:    as receitas das vendas só entram quando se fizerem as vendas, e é preciso esperar o tempo da produção – e é preciso ter dinheiro para investir.    Depois, o que Portugal exporta inclui o custo da matéria-prima e outros produtos que são importados, que são mais de metade do valor das exportações, e que ficaram mais caros.    Por isso, as receitas das exportações aumentam pouco, devagar e mais tarde.
 
A dívida dos bancos duplica a dívida pública

Chega depois o segundo choque.    Metade das famílias portuguesas tem uma longa dívida ao banco, que lhe emprestou dinheiro para comprar a casa.    Emprestou em euros e deve em euros aos bancos estrangeiros, mas vai receber em escudos dos devedores em Portugal.
O banco perdeu assim metade do valor dos seus créditos.    O banco vai por isso à falência.    É por isso que os defensores da saída do euro explicam, honestamente, que será necessário nacionalizar todos os bancos, não tanto para socializar o capital financeiro, mas antes para o salvar.    E salvar um banco pode custar muito caro, como já sabemos pelo caso BPN.    Porque, quando se nacionaliza um banco, fica-se com as suas dívidas, que são dívidas a quem nele depositou e dívidas a quem lhe emprestou dinheiro, normalmente a banca estrangeira.
 
Salvar os bancos tem um custo, e não é pequeno:    a dívida pública portuguesa duplica imediatamente com as dívidas dos bancos, que antes eram privadas e passam a ser públicas porque foram nacionalizadas.
Chegados aqui, já sabemos o que se vai passar:    os nacionalistas vão propor um aumento de impostos para pagar as dívidas da banca ao estrangeiro, isto é, para financiar a banca internacional.
 
Mais impostos
 
Voltemos agora aos problemas que os nacionalistas estão a viver no apoio ao governo que decidiu a saída do euro.    Já têm contra si quem vai pagar mais impostos, viu multiplicar as suas dívidas, paga mais pelos alimentos, transportes e medicamentos, ou perdeu parte das suas poupanças e depósitos.
Com tudo isto, os trabalhadores depressa perceberão que perderam parte do seu salário  (ou da sua pensão), e que o esforço orçamental não diminuiu  (pelo contrário, agravou-se, pois a dívida vai ser paga em euros mas os impostos são recebidos pelo Estado em escudos, e são precisos cada vez mais escudos por cada euro), e a saúde e a educação têm novos cortes.
 
Por outras palavras, os nacionalistas que defendem a saída do euro meteram-se numa alhada.    Os que diziam que queriam impedir a austeridade, acabam a propor um sistema de mais austeridade, toda orientada para o benefício de um sector social, a indústria exportadora, e promovem a queda dos salários e das pensões.    Não resolveram nenhum problema e criaram novas dificuldades.    E perdem o respeito dos trabalhadores, que estão a ser prejudicados.
 
(Por Francisco Louçã (economista), artigo completo em Esquerda.net)
 

 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Afinal, Portugal é também credor de indemnizações de guerra da Alemanha (!)...

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Alemanha deve 2,3 mil milhões de euros a Portugal por indemnizações da I Guerra Mundial

Não é só a Grécia que tem dinheiro a receber da Alemanha por indemnizações da II Guerra Mundial.    Portugal também é credor da Alemanha por compensações financeiras da I Guerra.
O historiador Filipe Ribeiro de Meneses recorda que o Tratado de Versalhes fixou em cerca de mil milhões de marcos-ouro o valor a pagar pela Alemanha a Portugal.     Porém, "pouco deste dinheiro entrou nos cofres do Estado devido às sucessivas revisões da dívida alemã" adianta o historiador.

Este valor de mil milhões de marcos-ouro corresponderá hoje a cerca de 2,3 mil milhões de euros, o equivalente a 1,8 do PIB português  (números apurados pelo jornalista do Expresso João Silvestre).     Dava para cobrir o valor do chumbo do Tribunal Constitucional às normas constitucionais do OE 2013 e ainda sobravam mil milhões de euros.

Filipe Ribeiro de Meneses relembra que as pretensões de Afonso Costa, representante português em Versalhes, em relação à Alemanha eram de 8 mil e 500 milhões de marcos-ouro, oito vezes mais que o valor obtido, "pois a guerra tinha causado - alegadamente - a morte de 273.547 portugueses da metrópole e colónias, uma cifra que os Aliados rejeitaram por completo".    Afonso Costa ainda recorreu à arbitragem internacional mas a Alemanha acabou por ganhar a batalha legal.

Parece evidente que Portugal apresentou números de vítimas de guerra totalmente fantasiosos  (terão morrido na I Guerra Mundial entre 10 mil e 15 mil portugueses)  mas os valores monetários apurados no Tratado de Versalhes também deverão estar aquém do que Portugal teria direito mas que, como país pouco influente, não teve peso para impor.

Portugal recebeu apenas 0,75 do total das compensações financeiras a serem pagas pela Alemanha, segundo refere Ribeiro de Meneses. Mais um factor que a Alemanha terá que ponderar quando chegar a altura de o nosso país renegociar o actual pacote de resgate financeiro.

(Paulo Gaião, Expresso -

Os alemães são dos mais pobres da Europa... conclui o BCE !!!...

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Esta dá vontade de rir... (será que os senhores do BCE se preocuparam em descobrir as razões que levaram as pessoas a comprar casa?...)

Os alemães são dos povos mais pobres da Europa, ainda mais do que os gregos, espanhóis ou italianos, de acordo com uma conclusão surpreendente de um estudo realizado por várias divisões do Banco Central Europeu.
O Departamento de Pesquisa de Finanças e Consumo do BCE analisou a riqueza das famílias de alguns países chave da zona euro e concluiu que os alemães são um dos povos mais pobres da Europa, ainda mais pobres do que os gregos, espanhóis ou italianos.
De acordo com o estudo, “a composição da riqueza líquida é primeiramente impulsionada por activos reais”, sendo que o principal componente é a posse de imóveis.

Os quatro países identificados onde não se verifica uma elevada taxa de detenção de imóveis, não experimentaram um aumento significativo dos preços das casas, e, nesses Estados a riqueza líquida parece marcadamente mais ligeira, como é o caso da Alemanha, que é considerada “mais pobre” em termos de riqueza líquida do que alguns países sob programas de resgate financeiro.

O estudo analisou a taxa de detenção das famílias no que respeita cinco categorias de activos:    casa própria, outros imóveis, veículos, objectos de valor e negócios próprios.    No final, os alemães são os que apresentaram as menores taxas entre todos os países analisados.    O estudo revela mesmo que a Alemanha tem uma das taxas mais baixas ao nível da posse de residência própria e também uma das mais baixas no que respeita a posse de outros bens imobiliários.
O estudo do BCE revela ainda que Grécia, Chipre e Espanha apresentaram taxas mais elevadas nas cinco categorias de activos sob análise e, assim, um maior nível de riqueza. 

(Fonte:  Notícias ao Minuto, em 10/Abr/2013)


Actualização em 19/Abr/2013:

Em declarações hoje publicadas no diário alemão Bild, Angela Merkel comentou as recentes estatísticas que indicam que as maiores fortunas familiares estão no Sul da Europa, afirmando que os valores "estão distorcidos", porque países como Espanha, Chipre ou Grécia são lugares normalmente preferidos pelas famílias ricas para viver.
Além disso, "nesses países, há mais pessoas que são proprietárias de casas e apartamentos, que funcionam como garantia para a velhice.    Na Alemanha, pelo contrário, existem fortes sistemas de pensões obrigatórios nas empresas.    E as grandes pensões não figuram nessas estatísticas, tal como não figuram os imóveis detidos pelos alemães no estrangeiro", explicou.
"É por isso que as fortunas médias dos alemães parecem ser mais pequenas do que são na realidade", concluiu.


BJ Baldwin - um grande "kit de unhas"... e um belo par de pernas!

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Para descontrair...





quinta-feira, 11 de abril de 2013

Vitor Gaspar - Como não pode desvalorizar a moeda, desvaloriza as pessoas...

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Que se lixe a economia

(…)
Para Gaspar somos uma soma lamentável:    há portugueses por todo o lado.     Demasiados portugueses.    O ministro das Finanças vê-se cercado por um povo que não capta a sua magnífica ciência económica e que só reclama e importa coisas que já não consegue pagar.    É malta não transacionável.     Como não pode desvalorizar a moeda, desvaloriza as pessoas, as instituições e a confiança. (…)
 
Não tinha de ser assim.     O chumbo do Tribunal Constitucional podia ter sido o derradeiro impulso para reformar o Estado, a única saída que nos resta, além da contínua renegociação das condições dos empréstimos com a troika e com outros credores e rendistas. (…)
 
A eleição deste Governo revelou-se um erro trágico.     Paradoxalmente, é a brutalidade da crise que o segura.     Só um louco pode não ter medo da incerteza:    os juros a galope, o pouco crédito que desaparece, os bancos que tremem, o segundo resgate que Passos tanto negou  (e trabalhou para evitar),   mas que agora usa como arma de manipulação maciça.
 
Somos reféns de um primeiro-ministro perdedor e de uma oposição perdida.     Assim estamos hoje, ninguém sabe onde estaremos amanhã.   (André Macedo, DN – 11/Abr/2013)

 
Soltaram o Gaspar...
 
 
O ministro Vítor Gaspar pertence a uma categoria curiosa de criaturas, que qualquer ministério ou grande empresa deve guardar, cuidadosamente, num gabinete de estudos.    Consegue ignorar o mundo ao ponto de criar modelos imaginários extremos, que tendem para delírios conceptuais, desprovidos de quaisquer laços materiais ou emocionais com a realidade objectiva.
 
Num gabinete de estudos, uma pessoa como Gaspar ajuda a estabelecer limites, a afastar hipóteses, a calibrar escalas.    Serve, como os canários nas minas, para avisar da proximidade de gases tóxicos.    Ou, como os daltónicos, que os britânicos usavam na RAF para bombardear alvos, devido à conformidade da sua visão com o preto e branco das fotografias da espionagem aérea.   
 
Qualquer tese será provavelmente mais válida na proporção directa do afastamento em relação aos delírios de Gaspar.    Como todos os produtos perigosos, Gaspar será útil, desde que usado com contenção, em doses não letais.    O grande problema é que, com este governo, Gaspar saiu da zona de segurança e ameaça transformar Portugal num campo de teste para armas de destruição maciça.
 
Restaurar o sistema imunitário que protege o país dos desvarios de Gaspar é uma urgência.    Com Gaspar à solta, o país arrisca-se a ser sacrificado no altar da explosão da Zona Euro.    Essa explosão vem a caminho.    Mas é fundamental que o "ground zero" não se chame Portugal.  (Viriato Soromenho MarquesDN - 11/Abr/2013)


Juncker reforça o risco de se assistir a uma revolta social se a austeridade não abrandar!

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O primeiro-ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, afirmou que é necessário reduzir a consolidação orçamental nos países em crise.

Jean-Claude Juncker quer acalmar o ritmo de consolidação orçamental que está a ser imposto nos países do euro em dificuldades, nomeadamente a Grécia.    “As pessoas na Grécia já não aguentam mais o actual ritmo de consolidação”, afirmou o primeiro-ministro do Luxemburgo que é também o anterior líder do Eurogrupo (que reúne os ministros das Finanças da Zona Euro).
 
O primeiro-ministro Juncker assegura que “o governo luxemburguês está comprometido a abrandar o ritmo de consolidação nos países em crise”.    “Se tal não acontecer, haverá uma explosão social”, alerta Juncker, num evento hoje realizado no Luxemburgo e citado pela agência Bloomberg.    Esta não é a primeira vez que o político fala sobre este risco.    Em Março, já dizia que não excluía “o risco de se assistir a uma revolta social”.
 
Quem pensa que a questão da guerra e da paz já não se coloca pode estar rotundamente enganado”, afirmou o primeiro-ministro luxemburguês quando deu, no mês passado, uma entrevista ao semanário alemão "Der Spiegel". Juncker falava nas campanhas eleitorais que decorreram na Grécia e em Itália como os momentos onde surgiram esses receios.
 
A ideia de que é necessário abrandar o ritmo de consolidação orçamental não é nova mas também não é consensual.    As autoridades europeias acreditam que é preciso impor um calendário de aposta no crescimento mas defendem que é preciso reduzir o nível de endividamento - o que, dizem, se consegue com medidas do âmbito orçamental mais austeras.    Juncker diz que o ritmo com que tais medidas têm de ser implementadas é que deve ser menos intenso.
 
Esta semana, vozes como George Soros e Paul Krugman vieram criticar, mais uma vez, a austeridade no continente europeu.
 
(Por Diogo CavaleiroNegóciosOnline, 10/Abr/2013) (Imagem e sublinhados deste blogue)


(Actualização 1):
Não só Jean-Claude Juncker mas também Christine Lagarde teme tensões sociais nos países em ajustamento.    A directora do Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje para um aumento das tensões sociais nos países em que os processos de ajustamento sejam percepcionados como “injustos” e afirmou que a crise provocou uma economia global a “três velocidades”.
 
 “A questão não é o processo de ajustamento em si, porque as pessoas entendem que não podem viver acima das suas possibilidades de forma indefinida, mas porque sentem o peso das injustiças do processo de ajustamento”, afirmou a directora do FMI, Chistine Lagarde, durante uma conferência de imprensa em Nova Iorque.

Lagarde recordou que o desemprego continua a ser uma das grandes tarefas pendentes, e afirmou que é preciso não só compartilhar a dor dos processos de ajustamento, mas também os benefícios do crescimento.
Não há uma solução mágica, mas o mais urgente é proteger os mais afectados pela crise, para que o ajustamento seja o mais justo possível”, afirmou a directora do FMI, que defendeu ainda a protecção dos serviços sociais básicos e o combate à evasão fiscal.


(Actualização 2):
E também, além de Juncker e de Lagarde,  vem agora Ashoka Modyex-responsável do FMI,  assumir que a aposta na austeridade não resultou.


Numa altura em que o ministro das Finanças diz que quer seguir o mais perto possível o exemplo irlandês, este responsável do FMI que participou na elaboração do programa de ajustamento da Irlanda assume que a aposta na austeridade não resultou.

Trata-se quase de um "mea culpa".    O chefe da missão do FMI na equipa da 'troika' que se ocupou do caso da Irlanda disse agora que a receita seguida estava errada e não funciona.

Ashoka Mody, que já deixou o FMI, referiu que, quando a crise surgiu, havia três soluções possíveis mas a opção recaiu na austeridade.    Algo que não foi razoável nem produtivo.
Ouvido esta manhã pela televisão pública, o antigo chefe do FMI explicou que confiar apenas na austeridade foi um erro porque os riscos de incucesso eram muitos e, por isso, a Irlanda e Portugal estão a pagar uma fatura pesada.

O responsável sublinhou que a solução passa agora por dar mais tempo aos dois países para pagarem as dividas;    caso contrário, a alternativa é um sofrimento sem fim por parte das populações, uma cultura de dependência nacional e um enorme travão à consolidação da economia europeia.

Quanto ao que aconteceu e ao programa que ajudou a criar, Ashoka Mody assumiu as responsabilidades mas realçou que não está sozinho.    A 'troika' previu para 2012 um crescimento da economia irlandesa na ordem de 1,9%, mas ficou-se pelos 0,9%.    A previsão para este ano, estabelecida em 2,2, foi revista em baixa para 1%.
 
 

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Foi tal o saque que... "os alemães até os cordões dos sapatos roubaram aos gregos"!

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Gregos reclamam pagamento de indemnizações da Alemanha


O primeiro ministro grego tem nas mãos um relatório sobre as indemnizações e empréstimos a que a Grécia tem direito a receber da Alemanha depois da II Guerra Mundial.   
A TSF foi tentar perceber se, 68 anos depois do fim da guerra, estas reclamações ainda fazem sentido.
 
Desde o inicio da crise que são muitas as vozes do país que recordam o que os alemães nunca pagaram ao país, mas agora cabe a Antonis Samaras decidir o que fazer.    Ao todo são cerca de 160 mil milhões de euros que os gregos admitem poder reclamar à Alemanha.

A Grécia foi saqueada e devastada durante a II Guerra Mundial.    Para além do empréstimo obrigatório, tiveram de pagar o custo da presença dos ocupantes no país, viram a produção alimentar e industrial, os objetos artísticos, joias, tesouros arqueológicos e até mobiliário serem enviados para fora do país.    Para Pedro Aires Oliveira, professor de História Contemporânea na Universidade Nova de Lisboa, a fatura foi muito pesada.

O saque foi tal que Mussolini chegou a queixar-se que os alemães até os cordões dos sapatos tinham roubado aos gregos.    Terminada a guerra, as contas começaram a ser feitas.    Em 1953 ficou decidido que a RFA teria de pagar um conjunto de reparações aos países que tinham sofrido a ocupação nazi.    Mas isso acabou por não acontecer
Para evitar um acordo como aquele que pôs fim à I Guerra Mundial, e que acabou por levar à II Grande Guerra, os aliados optaram por outras soluções.    Ficou por pagar o empréstimo forçado que a Grécia concedeu à Alemanha no inicio da ocupação e que tinha um valor de 476 milhões de marcos.

Pedro Aires Oliveira defende, no entanto, que será difícil reescrever a história.    O professor de história contemporânea considera que há um certo revanchismo por parte de alguns políticos gregos que querem responsabilizar a Alemanha por toda a situação que estão a passar.    Mas os alemães também não podem perder de vista um sentido de reparação moral pelos crimes que praticaram.

(Notícia TSF, em 10/Abr/2013)

 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Poder... podia, mas preferiu anunciar a vingança e continuar a desconhecer a raiz do problema!

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(...)
Dizer que a Europa e o euro morreram em Chipre é especular.    Mas afirmar que os cipriotas, comparados connosco, conseguiram o dobro do tempo para pagar o seu empréstimo e um juro bem mais favorável,  é um facto. 
  
Vejamos os números.    Chipre:   10.000 milhões a 22 anos e a 2,5%.    Portugal:   78.000 milhões a 11 anos de maturidade média e 3,6% de taxa média.    Imaginar o Governo português a lutar por condições idênticas é especular.    Afirmar que o Governo português não percepciona a diferença entre a realidade e a ficção é um facto que se retira do pouco que sobrou de Passos, no último domingo:  -  pose e voz. 
Podia ter reconhecido que, ao decidir medidas de austeridade bem mais penalizadoras que aquelas que foram acordadas com a troika, em Maio de 2011, precipitou a queda da economia, a subida brutal do desemprego e a chegada da recessão?    Podia.    Mas preferiu anunciar mais austeridade. 
Podia ter reconhecido que foi um erro dividir os portugueses entre privados e públicos, velhos e novos, empreendedores e piegas?    Podia.    Mas preferiu anunciar vingança, a novas catanadas de despedimentos e cortes, precipitando o sucesso da desgraça final. 
Podia ter reconhecido que, em vez de carregar de impostos e confiscos os que alimentam o Estado, deveria ter reduzido as rendas dos que se alimentam do Estado, aliás, como acordado com os credores?    Podia.    Mas preferiu continuar a desconhecer a raiz do problema. 
Podia ter reconhecido que foi um erro hostilizar a oposição e os parceiros sociais, destruindo o consenso político e social de 2011?    Podia.    Mas, inspirado em Salazar, preferiu ficar orgulhosamente só. 
Podia ter reconhecido que a sua política europeia, de colagem acrítica aos interesses do Norte e da Alemanha, em detrimento de Portugal, do Sul e da periferia, foi deplorável?    Podia.    Mas preferiu ir a Dublin, de dedo apontado ao Tribunal Constitucional, como sacristão de Schauble, assistir à suprema missa dos interesses dos mercados financeiros, à espera das migalhas que tombem do festim dos juros das dívidas soberanas. 
Podia ter reconhecido o rotundo falhanço da sua estratégia económica e financeira e aproveitado o momento para remodelar ministros e políticas?    Podia.    Mas preferiu contratar um grotesco vendedor de pipocas   (iniciativa do defunto Relvas, via “youtube”)   e dois duros “técnicos especialistas”   (golpe d’asa do seu pequeno Moedas)   para acompanharem a execução do memorando, um de 21, outro de 22 anos, ambos com a relevante experiência de um estágio de três meses, não remunerado.
(Por Santana Castilho, In Público, 10/04/2013)


UM TACHO PARA A VIDA: - a subvenção vitalícia dos políticos em Portugal

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Quem disse que fazer política em Portugal não dava lucro, enganou-se.    Até 2005 os políticos com mais de 12 anos de “serviço” podiam pedir uma reforma…   para a vida!
 
Foi a 10 de Outubro de 2005 que a “mama” acabou.    Foi revogada a Lei 4/85 (com a Lei 52-A/2005)  que indicava que qualquer político podia pedir a subvenção vitalícia e acumular a pensão com outros cargos, por exemplo, em empresas privadas como o BANIF, que foi denunciado ontem e onde entraram muitos antigos políticos.    E qualquer pensão é, já por si, bastante superior ao ordenado mínimo em Portugal.
 
O Expresso apresentou alguns exemplos:    António Bagão Félix recebe €1.000 - foi Ministro da Segurança Social e do Trabalho e Ministro das Finanças, recebendo a pensão mais baixa.    Já uma das subvenções mais altas pertence a Carlos Melancia, que ganha €9.150 e é, neste momento, empresário hoteleiro.
 
Miguel Relvas pode voltar a receber €2.800 por mês
 
Miguel Relvas recebia por ano €14.000 provenientes da sua subvenção vitalícia.    Poderá vir a requerer novamente o pagamento mensal de €2.800, uma vez que teve que o suspender quando regressou à política e que há poucos dias teve a sua carreira acabada em desgraça, tendo esses anos de política sido à custa de uma mentira (ou lapso) na legislatura de 1985-1987.
 
Continua a aumentar o pagamento das subvenções
 
Mesmo depois de ter acabado a “história” das subvenções políticas e de, ao longo dos anos após 2005, mais nenhum político “novo” poder entrar, elas continuaram (e continuam...)  a ser solicitadas tendo em conta que havia ainda mandatos que não teriam acabado.   O site Tretas publicou vários gráficos, que reproduzimos:
 
 
 

 
 
Outros contemplados com reformas vitalícias
 
Em Junho de 2012, o Tugaleaks falou no caso de Eduardo Catroga, que recebe cerca de €9.693 de reforma, é professor catedrático e na altura tinha um alto cargo na EDP.    Já Duarte Lima, envolvido nas malhas do tribunal, recebe cerca de €2.200 e, como se tal não fosse suficiente, anda a vender quadros da sua colecção pessoal para pagar dívidas.
 
Ao todo são pelo menos 397 beneficiários de uma lei extinta, a maioria a trabalhar no sector privado.
 
(Fonte:  Tugaleaks, em 09/04/2013) (Imagem do Expresso, modificada)


terça-feira, 9 de abril de 2013

Esta gente é vingativa e perigosa e, na agonia, muito mais perigosa ainda!!!

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O Governo já tinha falhado por completo todos os objectivos do memorando,  ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.   
 
O governo já estava com dificuldades em "ir aos mercados",  ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.   
 
O Governo já estava a caminho de um segundo resgate,  ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.   
 
O Governo já estava em crise profunda,  ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.   
 
Todas as crises, económicas, sociais, e políticas já estavam em pleno curso,  ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. 
 
A decisão do Tribunal Constitucional acelera todos estes processos mas não lhes deu origem.    Nasceu deles.    Nasceu de um Governo que, apesar de prevenido - mil vezes prevenido - insistiu num  Orçamento de Estado assente em medidas ilegais.    Bateu no peito cheio de ar e vento,  insultando o Deus dos Trovões e levou com um raio em cima.
 
O tom revanchista que o governo e os seus defensores assumem depois da decisão do Tribunal Constitucional - do género "ai não quiseram isto, pois vão levar com muito mais" - mostra o carácter punitivo que está presente na política da coligação desde o início.     A cada revés, e todas as semanas há um grave revés, vêm novas ameaças e castigos, em vez de admissão de erros e inversão de caminhos.    Como este tom punitivo é dos que melhor "comunica" com toda a gente, mesmo sem precisar de agências nem assessores, o governo está mais uma vez a semear ventos e a colher tempestades.
 
Há várias  coisas que nunca se devem esquecer:     esta gente é vingativa e não se importa de estragar tudo à sua volta para parecer que tem razão.    Já nem sequer é por convicção, é por vaidade e imagem.
 
Outra coisa, ainda mais complicada, que também não deve ser esquecida:    o governo considera bem-vindas as ameaças da troika.    São a chantagem que precisam, pedem e combinam.    Não são uma voz alheia, nem dos "credores", nem da troika, nem de ninguém, são o autofalante agressivo que o governo necessita para tornar a sua política inquestionável e servir de ameaça a todas as críticas.
 
E por último, e não é de menos, esta gente é perigosa e, na agonia, muito mais perigosa ainda.

A propósito do despacho do ministro Vítor Gaspar de 8 de Abril que pára o funcionamento do estado português, atribuindo essa decisão ao Tribunal Constitucional, o governo entrou numa guerra institucional dentro do estado, em colaboração com a troika, para abrir caminho a políticas de duvidosa legalidade e legitimidade baseadas no relatório que fez em conjunto com o FMI.
Não conheço nenhum motivo mais forte e justificado para a dissolução da Assembleia da República por parte do Presidente do que este acto revanchista contra os portugueses.
 
(José Pacheco Pereira, no ABRUPTO) (sublinhados deste blogue)
 


(No programa "Quadratura do Círculo" - SIC Notícias, em 09/Abr/2013)

 

"Just Say NÂO" - Paul Krugman, Nobel da Economia, arrasa o sucesso da austeridade em Portugal

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Os membros da troika são "sádicos" a quem foi dada "licença para continuar a provocar dor".   Palavras do Nobel da Economia, Paul Krugman, que volta a criticar a austeridade imposta a países sob resgate, como Portugal.


O economista atribui a descida dos juros da dívida portuguesa à intervenção do Banco Central Europeu (BCE) e não ao sucesso da política de austeridade em curso no país.    Esta descida dos juros não tem nada a ver com a austeridade”, sustenta Krugman no seu blogue no New York Times, atribuindo-a, antes, à intervenção do BCE na compra de dívida soberana dos países em dificuldades, nomeadamente Portugal.
 
Neste contexto, o economista critica a Comissão Europeia – que, na segunda-feira, elogiou a determinação do Governo português em prosseguir a política de austeridade apesar do ‘chumbo’ do Tribunal de Constitucional a algumas das medidas impostas – quando esta reclama para si e para a sua política os créditos desta descida dos juros das dívidas soberanas e alega que um abrandamento da austeridade levará a nova escalada.
 
Para Paul Krugman, esta posição da Comissão resulta do facto de a descida dos juros da dívida ser “o único resultado positivo que tem para apresentar após três anos de austeridade”.
Segundo sustenta o prémio Nobel da Economia, o “risco moral” inicialmente apontado pelos defensores da austeridade relativamente à intervenção do BCE na compra de dívida soberana – por considerarem que esta “ajuda” poderia levar os países em dificuldades a “relaxarem no aperto do cinto” – acabou por se concretizar, mas relativamente aos próprios apoiantes da austeridade.

Realmente a intervenção do BCE “ajudou” algumas pessoas, levando-as a prosseguir as suas más políticas.    Mas essas pessoas não são os governos endividados, são os próprios membros da troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e BCE), que usam o argumento da descida dos juros da dívida para alegarem que a austeridade está a resultar”,   afirma Krugman.

No domingo, também no seu blogue no New York Times, Paul Krugman, que tem repetidamente criticado a estratégia europeia de resposta à crise na zona euro, instou os portugueses a “dizer não” a novas medidas de austeridade.

''Just Say Não'', ironizou então o prémio Nobel da Economia, notando que a instabilidade se intensifica em Portugal, agora que o Governo de Passos Coelho anunciou a intenção de avançar com cortes na Educação, Saúde, Segurança Social e Empresas públicas para responder ao 'chumbo' do Tribunal Constitucional de quatro normas orçamentais que representam um 'buraco' de 1.300 milhões de euros.
 
(Por Lusa, 09 Abril 2013)
 
 

CULPA... CULPA... MEA CULPA... - MANIFESTO CONTRA A INCOMPETÊNCIA POLÍTICA !!!

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A CULPA...

Desculpa lá qualquer coisinha, ó Passos.   

A culpa da crise, do descalabro, da austeridade, é nossa e muito nossa.    A culpa é de quem andou a viver acima das suas possibilidades.    A culpa é de quem, embora ganhando um salário muito inferior aos praticados na maior parte da Europa "comunitária", viveu faustosamente e achou que tinha a crescer no quintal, na varanda, na banheira, vigorosa e inesgotável, uma gigantesca árvore das patacas.
 
A culpa é dos velhos, que teimam em não morrer e que recebem pensões demasiado generosas.    A culpa é dos doentes, que teimam em tratar-se.    A culpa é dos estudantes, que teimam em querer ser alguém na vida.    A culpa é dos funcionários públicos, essa turba de madraços.    A culpa, já se sabe, é do Sócrates que inaugurou, em 6 curtos anos, estradas para nenhures, centros culturais, pontes, estádios, rotundas, empresas públicas, empresas satélites do Estado, empresas autárquicas, fundações e demais instituições que sempre souberam vir comer à mesa do orçamento.
 
A culpa é de quem anda a culpar Oliveira e Costa, Duarte Lima ou Dias Loureiro pela cratera do BPN.    A culpa é de quem anda a culpar a banca, os especuladores financeiros, os mercados, as bolsas, os ricos que estão cada vez mais ricos para que os pobres, felizardos, fiquem cada vez mais pobres.    A culpa é de quem anda a culpar a Alemanha que, como toda a gente sabe, e se não sabe devia saber, foi vítima de duas grandes guerras no século passado que se viu forçada, coitada, a provocar.
 
A culpa é também do Tribunal Constitucional e, em última instância, das leis e da democracia, que vos não deixam governar à vontade, decretar o aumento de quaisquer impostos que vos dê na real gana, o roubo de quaisquer salários que queiram surripiar, a redução de quaisquer direitos que achem exagerados, o corte de quaisquer serviços dedicados à causa pública.    A culpa não é - definitivamente, não é - nem tua, nem do Gaspar, nem do Portas, nem do Relvas, nem de nenhum dos santos desse altar a São Bento, onde milhões de velas bruxuleiam, tantas quantas os portugueses atingidos, muitos já de morte, pelas vossas medidas.
 
Os vossos esforços para salvar o capital são meritórios.    O povo que pague a crise.    Ou não tivéssemos andado, bem entendido, a viver como nababos, esbanjando o vosso rico dinheirinho, nunca o nosso, em bens supérfluos como supérflua é a nossa vida, somos gente reles e indolente, carne para canhão, meros parafusos da máquina de produzir dinheiro, os novos escravos do século XXI.   
 
Desculpa lá qualquer coisinha, ó Passos.    Tens razão em desprezar-nos.    As tuas mais-valias são outras.    O teu futuro sorrirá.    Fora de Portugal, esta eterna piolheira.

(Texto de Manuel Cruz)


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Tanto por onde cortar... mas a sanha vingativa do "rapazola" só vê as funções sociais do Estado!!!

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O número de artigos e notas em blogues que começam com “a decisão do Tribunal Constitucional fez e aconteceu….” representam um sucesso do pensamento único governamental.    Na verdade, deviam começar com “a política do governo fez e aconteceu…”    Isto, porque a decisão do Tribunal Constitucional é que é a normalidade e a lei, e a política do governo é que é a anormalidade e a ilegalidade.   
A decisão do Tribunal Constitucional representa uma consequência da política do governo, das escolhas do governo, da incapacidade do governo de encontrar políticas de contenção orçamental que não passem pela violação da lei e pelo afrontamento da Constituição. 

Mais:    o caminho seguido pelo governo para o objectivo de cumprimento do memorando da troika é que põe em causa esse cumprimento, porque não teve em conta qualquer preocupação em salvar um quantum da economia nacional, desprezou os efeitos sociais do “ir para além da troika”, não deu importância a qualquer entendimento social e político, vital em momentos de crise.   

Foi um caminho de pura engenharia social, económica e política, prosseguido com arrogância por uma mistura de técnicos alcandorados à infalibilidade com políticos de aviário, órfãos de cultura e pensamento, permeáveis a que os interesses instalados definissem os limites da sua política.    Quiseram servir os poderosos com um imenso complexo de inferioridade social, e mostraram sempre (mostrou-o de novo o primeiro-ministro ontem), um revanchismo agressivo com os mais fracos.
 
Pensaram sempre em atacar salários, pensões, reformas, rendimentos individuais e das famílias, serviços públicos para os mais necessitados e nunca em rendas estatais, contratos leoninos, interesses da banca, abusos e cartéis das grandes empresas.    Pode-se dizer que fizeram uma escolha entre duas opções, mas a verdade é que nunca houve opção:    vieram para fazer o que fizeram, vieram para fazer o que estão a fazer.
 
 (José Pacheco Pereira, no ABRUPTO) (sublinhados deste blogue)


 

Não vai ser bonito, quando a guerra que está a ser lançada aos portugueses fizer ricochete...

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O Governo lançou uma guerra aos portugueses
 
 
Ao ouvir o discurso de Pedro Passos Coelho ao país, não pude deixar de sentir que estava a assistir ao culminar de uma farsa construída nos gabinetes governamentais durante as últimas semanas.
 
A realidade desmente qualquer mistificação, vulgo spin.    O Governo falhou.    Falhou tanto e tão completamente que a troika ainda está a ponderar se liberta a próxima tranche do resgate.    Falhou todas as previsões, sim, incluindo o défice e a dívida, e por larga margem.    E sobretudo perdeu o país, e vai perdendo mais de dia para dia.    O Governo falhou de forma tão desastrosa que o corte de 4000 milhões no estado social tinha sido adiado sem data prevista de anúncio.    Fracassou em tudo, e apenas teve para apresentar ao país mais fracassos, quando Vítor Gaspar anunciou a revisão das metas orçamentais do défice, da dívida, do desemprego, da recessão.
 
Mas o Governo - e as centenas de assessores que tem contratado durante os últimos dois anos - sabia que ainda tinha uma última tábua de salvação:    a decisão do Tribunal Constitucional sobre as normas ilegais do Orçamento.    Por isso, adiou.    Adiou a apresentação dos cortes - era suposto ter sido em Fevereiro;    e adiou a remodelação - vem aí já a seguir.    Não irei tão longe a ponto de achar que o Governo sabia muito bem que o TC iria decidir como decidiu, embora não seja de excluir que soubesse, desde o primeiro momento.    Provavelmente, começou a perceber desde o início do ano que poderia usar o previsível chumbo a seu favor.    Abril é o mês em que são tornados públicos os números da execução orçamental do primeiro trimestre, é o mês ideal para ensaiar esta desprezível farsa.
 
As notícias vindas dos gabinetes começaram a saltar como pipocas.    Os comentadores televisivos fizeram o seu papel, cumprindo na perfeição o guião decidido à partida.    O papel dos comentadores políticos - os mais mediáticos são do PSD - é validar o rumo que está a ser seguido.    E assim fizeram.    As críticas ao Tribunal Constitucional, indignas de um estado de direito, multiplicaram-se.    O pânico foi lançado na opinião pública:    um chumbo significaria um segundo resgate - como se esse segundo resgate já não estivesse a ser preparado pelo Governo desde a última avaliação da Troika - e os mercados iriam por aí abaixo.    O Governo não só sabia que isto iria acontecer como alimentou o pânico.    E alimentou o pânico também com a história da queda do Governo.    Os comentadores lá papaguearam a narrativa:    a queda do Governo seria desastrosa para o país. 
 
A verdade é que nem só o Governo teve alguma vez intenção de se demitir, como Cavaco Silva, desde o primeiro dia desta coligação, apenas existe para o manter em funções.    Passos Coelho está tão colado ao poder como Miguel Relvas - tanto, que este teve de ser sacrificado para que Coelho pudesse continuar a ser primeiro-ministro.    Para quê?    Para transformar o país, ou, por outras palavras, acabar com a herança de Abril, destruindo o estado social e os valores que o regem, fazendo-nos regredir quarenta anos de uma assentada.    A dramatização serviu um propósito, o chumbo do Orçamento é apenas um pretexto para continuar com o mais selvagem revanchismo da direita a que temos oportunidade de assistir desde o 25 de Abril.
 
Por isso, não surpreende que Passos Coelho e o PSD tenham demonstrado tanto desrespeito pela Constituição.    O programa de destruição da democracia que estão a ensaiar implica, pela sua natureza, o completo desregulamento das instituições democráticas, começando pela lei fundamental do país.    Portugal é, neste momento, um país a saque pela direita dos interesses e pelo capital financeiro que a apoia.    Não vão cair, porque não têm respeito nem pelas leis nem por eles próprios, e têm um inútil da mesma cor política a ocupar a cadeira de presidente da República.   
 
O que falha, nesta narrativa?    Apenas os limites para a paciência do povo.    Porque parece-me que pouca gente acreditará no discurso de um Governo que está a empobrecer-nos para níveis há muito esquecidos.    Um Governo que governa para os credores do país e para os seus interesses é um Governo a prazo.    Não vai ser bonito, quando a guerra que está a ser lançada aos portugueses fizer ricochete.    Estaremos todos cá para ver, de poltrona.

(Por Sérgio Lavos, no Arrastão) (sublinhados deste blogue)


domingo, 7 de abril de 2013

Hoje na RTP1 - o sucesso do populismo e da orfandade do país político de 2013

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POR QUE NÃO SAÍMOS DA CEPA TORTA

(…)
Este homem foi um perigo, ajudou, e muito, a afundar-nos colectivamente, e seria hoje de novo um perigo, se não houvesse tão recente e viva memória dos seus "feitos".    Mas o que é interessante é perceber que dele não nos defenderam muitos dos iluminados da nossa praça, à direita e à esquerda, como agora também não seriam capazes de o fazer.    A razão por que me preocupa a reacção à entrevista é esta:    este homem seria o populista ideal, e muita gente abre-lhe alas, apenas porque ele fala alto e grosso, num mundo em que Seguro é o que é, e Passos e Relvas são que são, e não suscitam nem temor nem entusiasmo.    Apenas tédio e preocupação. 
 
Quando falei da nostalgia que alimenta esta reacção à entrevista foi disso mesmo:    a direita precisa de um inimigo e trata-o como a quinta-essência das malfeitorias da esquerda, coisa a que nunca pertenceu, porque precisa de encontrar identidade pela construção de um adversário.    Sócrates é o adversário ideal, e é por isso que foi com a sua colaboração e assentimento que o Governo lhe abriu as portas da "sua" televisão.    Para além disso, calcula que, por muito que possa vir a ser atingido por um ou outro remoque certeiro, Sócrates será um problema essencialmente para o PS.    Os estragos que Sócrates possa vir a fazer ao Governo serão sempre entendidos como danos colaterais, aceitáveis pela enorme vantagem de ele impedir, pela sua mera existência semanal na televisão, a consolidação da liderança de Seguro.    Por outro lado, a vendetta pessoal de Sócrates contra Cavaco é também bem-vinda, porque, para o grupo à volta de Passos Coelho, Relvas, Menezes e Ângelo, colocar o Presidente na ordem é uma necessidade estratégica. (...)
 
O mesmo fenómeno de nostalgia e radicalização existe à esquerda. A esquerda, principalmente a que está órfã no PS de Seguro, enfileira atrás daquilo que pensa ser um cabo de guerra a sério e não de um clone com falinhas mansas.    Há demasiada orfandade na actual "oferta"política para deixar um lugar para Sócrates e ele ocupa-o, não porque queira o lugar de Seguro, mas também porque, para ele, as dificuldades de Seguro serão a sua versão dos danos colaterais.    O "animal feroz" para "tomar a palavra", que nele significa o mesmo que "tomar um castelo", sabe que prejudica Seguro, mas é suficientemente obcecado com a sua pessoa e a sua missão para não se preocupar com isso.
 
A comunicação social, com quem Sócrates manteve uma relação muito próxima até ao momento em que iniciou a sua queda, quando, à maneira portuguesa, todos os que lhe apararam o jogo, o começaram a calcar com a mesma veemência com que o adulavam, gosta de festa, e Sócrates dá-lhes festa.    Este homem que, como Relvas, mas com muito mais poder e cumplicidades, usou todos os meios ao seu alcance para afastar os jornalistas que se lhe opunham e punir todos os que o afrontavam, volta hoje a ser tratado com a mesma complacência com que se aceitavam sem questionar os seus anúncios propagandísticos e sua contínua manipulação dos factos e estatísticas.  (...)
 
A história da "narrativa" é reveladora.    Sócrates apresentou-se como pretendendo combater a "narrativa" que a direita fazia da sua governação e queda, opondo-lhe a sua própria "narrativa".    Esta história das "narrativas", um modismo para designar uma construção ficcional de eventos, preso exactamente pelo fio da narrativa, é atractiva porque procede a uma selecção de factos, moldados pela sequência cronológica escolhida, que pode não ser a que aconteceu, e pela eliminação dos "factos-problema", que podiam prejudicar a clareza ficcional da história.    Na sua "narrativa", Sócrates coloca o seu principal motor interior, a sua vontade, cuja determinação varreu com tudo, bom senso, estudo, conhecimento, verdade, atenção ao real, custos, condições, tudo.    E levou-nos ao que se sabe.
 
É, no fundo, um argumentário político, que pode ter uma maior ou menor aproximação à realidade ou à ideologia, e que serve como discurso de justificação, mas não é, nem foi, o que aconteceu, não é a realidade, nem a verdade.  (...)
 
Não foi a entrevista que foi interessante.    Foi o seu efeito.    O sucesso do retorno de Sócrates não é o sucesso do governante de 2005-2011, nem a sua reabilitação, mas o sucesso do populismo e da orfandade do país político de 2013.    Faz uma diferença.    Faz toda a diferença.

(Por José Pacheco Pereira, In ABRUPTO)
 
 

sábado, 6 de abril de 2013

A punição severa do descaramento, da arrogância e da irresponsabilidade deste governo...

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O Tribunal e o Governo
 
 
Ainda bem que as leis em Portugal não estão à mercê da necessidade, real ou pretendida, dos governantes;    que os direitos dos cidadãos não podem ser atropelados pelo Orçamento do Estado;    que há um Tribunal que zela pela Constituição da República.    Ainda bem.
 
O que se passou nos últimos dias foi lamentável, pela dramatização ensaiada e o condicionamento pretendido, mas acabou como devia:    com os juízes do Tribunal Constitucional a decidirem de acordo com o espírito e a letra da Lei  -  e não em conspiração com aquilo que um governo, circunstancialmente, entenda ser "o interesse do País".
 
O interesse do País é que o Governo, e a Assembleia da República (que aprovou o OE) também, revelem respeito pela Constituição em vigor  -  e a verdade é que pela segunda vez consecutiva não tiveram essa preocupação e esse cuidado.    Antes pelo contrário:    enfrentaram com descaramento o julgamento do ano passado do TC e repetiram erros, como a tentativa de cortes dos subsídios aos funcionários públicos e pensionistas.
(...)

(Por João Marcelino, DNopinião, 6 Mar 2013)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Não obstante... o rapazola só sabe ir ao bolso dos trabalhadores e reformados!!!

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Já têm um ano estas denúncias do José Gomes Ferreira, mas nem por isso o "rapazola" que nos (des)governa já se posicionou para acabar com estes mega-roubos e vigarices, preferindo antes meter sempre a mão no bolso de quem já pouco ou nada tem!   
 
É mais fácil, mais rápido e ninguém reclama...   e mesmo que reclame, que se manifeste ou cante a Grândola Vila Morena, isso resolve-se com mais ou menos cacetadas da polícia de choque e um séquito de guarda-costas, todos pagos, aliás, com o dinheiro dos próprios que se manifestam.   
 
O que importa, acima de tudo, é não beliscar com a alta finança, nem com os banqueiros, nem com a gula dos grandes interesses instalados.    O que importa é não bulir com a mama da maioria dos 14.000 organismos do Estado, centrais e locais, onde se acoitam a grande maioria dos inúteis boys dos 3 partidos do arco.   Por isso mesmo nenhum deles reclama.   




domingo, 31 de março de 2013

Do alto da sua impotência, o primeiro-ministro ensaia uma fuga em frente...

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O fundo dos fundos

(...)
Entre erros colossais e previsões catastróficas, temos, hoje, um governo cuja política falhou estrondosamente.    Do alto da sua impotência, o primeiro-ministro ensaia uma fuga em frente, ameaça com a sua demissão e responsabiliza politicamente o Tribunal Constitucional pelo delírio de um Orçamento do Estado que o próprio ministro das Finanças se encarregou de atirar para o caixote de lixo.
 
Na Assembleia da República, o drama ganhou proporções épicas, com uma deputada do PSD a exigir que os juízes cumprissem o Memorando da troika e levassem em conta as exigências dos nossos credores.    Aparentemente, para o PSD, o Tribunal Constitucional, antes de decidir seja o que for, devia ter uma conversinha de pé de orelha com o Sr. Selassie ou, quem sabe?, pedir (mesmo que roído de inveja) um esclarecimento ao Sr. Schäuble sobre a melhor forma de subverter o Estado de direito, em Portugal.    E depois ainda há quem, num rasgo de patriotismo, apele a um sublime consenso em torno de coisa nenhuma, sem perceber que não é propriamente fácil fazer consensos com defuntos que só estão à espera que lhes seja decretada a respectiva certidão de óbito.
 
No meio disto tudo, entre nomeações para o governo de jovens imberbes na qualidade de especialistas, surgiu, qual cereja em cima do bolo, o anúncio de que o ex-espião Silva Carvalho, acusado dos mais variados crimes, se vai instalar, com pompa e circunstância, na Presidência do Conselho de Ministros, ao abrigo de um diploma qualquer que ignora a sua feérica passagem por uma empresa privada onde, segundo o Ministério Público, se entreteve a violar segredos de Estado e a aceder ilegitimamente a dados pessoais de jornalistas e empresários.    Perante tanta generosidade, o ex-espião diz agora que vai colaborar estreitamente com o governo que o nomeou.    E o pior é que se calhar vai.    E o país, por via de cumplicidades maçónicas e de negócios obscuros, chega assim ao fundo dos fundos.
(...)
 
(Por Constança Cunha e SáIn Jornal "I",  30 Mar 2013)
 
 

Andamos todos a pagar para um sector que não sente a crise - o financeiro!

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Dois anos após a intervenção da "troika" e  depois do diagnóstico feito por esta, porque é que os preços da energia, dos combustíveis, das comunicações e da rede viária não baixam?