quinta-feira, 11 de abril de 2013

Juncker reforça o risco de se assistir a uma revolta social se a austeridade não abrandar!

.



O primeiro-ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, afirmou que é necessário reduzir a consolidação orçamental nos países em crise.

Jean-Claude Juncker quer acalmar o ritmo de consolidação orçamental que está a ser imposto nos países do euro em dificuldades, nomeadamente a Grécia.    “As pessoas na Grécia já não aguentam mais o actual ritmo de consolidação”, afirmou o primeiro-ministro do Luxemburgo que é também o anterior líder do Eurogrupo (que reúne os ministros das Finanças da Zona Euro).
 
O primeiro-ministro Juncker assegura que “o governo luxemburguês está comprometido a abrandar o ritmo de consolidação nos países em crise”.    “Se tal não acontecer, haverá uma explosão social”, alerta Juncker, num evento hoje realizado no Luxemburgo e citado pela agência Bloomberg.    Esta não é a primeira vez que o político fala sobre este risco.    Em Março, já dizia que não excluía “o risco de se assistir a uma revolta social”.
 
Quem pensa que a questão da guerra e da paz já não se coloca pode estar rotundamente enganado”, afirmou o primeiro-ministro luxemburguês quando deu, no mês passado, uma entrevista ao semanário alemão "Der Spiegel". Juncker falava nas campanhas eleitorais que decorreram na Grécia e em Itália como os momentos onde surgiram esses receios.
 
A ideia de que é necessário abrandar o ritmo de consolidação orçamental não é nova mas também não é consensual.    As autoridades europeias acreditam que é preciso impor um calendário de aposta no crescimento mas defendem que é preciso reduzir o nível de endividamento - o que, dizem, se consegue com medidas do âmbito orçamental mais austeras.    Juncker diz que o ritmo com que tais medidas têm de ser implementadas é que deve ser menos intenso.
 
Esta semana, vozes como George Soros e Paul Krugman vieram criticar, mais uma vez, a austeridade no continente europeu.
 
(Por Diogo CavaleiroNegóciosOnline, 10/Abr/2013) (Imagem e sublinhados deste blogue)


(Actualização 1):
Não só Jean-Claude Juncker mas também Christine Lagarde teme tensões sociais nos países em ajustamento.    A directora do Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje para um aumento das tensões sociais nos países em que os processos de ajustamento sejam percepcionados como “injustos” e afirmou que a crise provocou uma economia global a “três velocidades”.
 
 “A questão não é o processo de ajustamento em si, porque as pessoas entendem que não podem viver acima das suas possibilidades de forma indefinida, mas porque sentem o peso das injustiças do processo de ajustamento”, afirmou a directora do FMI, Chistine Lagarde, durante uma conferência de imprensa em Nova Iorque.

Lagarde recordou que o desemprego continua a ser uma das grandes tarefas pendentes, e afirmou que é preciso não só compartilhar a dor dos processos de ajustamento, mas também os benefícios do crescimento.
Não há uma solução mágica, mas o mais urgente é proteger os mais afectados pela crise, para que o ajustamento seja o mais justo possível”, afirmou a directora do FMI, que defendeu ainda a protecção dos serviços sociais básicos e o combate à evasão fiscal.


(Actualização 2):
E também, além de Juncker e de Lagarde,  vem agora Ashoka Modyex-responsável do FMI,  assumir que a aposta na austeridade não resultou.


Numa altura em que o ministro das Finanças diz que quer seguir o mais perto possível o exemplo irlandês, este responsável do FMI que participou na elaboração do programa de ajustamento da Irlanda assume que a aposta na austeridade não resultou.

Trata-se quase de um "mea culpa".    O chefe da missão do FMI na equipa da 'troika' que se ocupou do caso da Irlanda disse agora que a receita seguida estava errada e não funciona.

Ashoka Mody, que já deixou o FMI, referiu que, quando a crise surgiu, havia três soluções possíveis mas a opção recaiu na austeridade.    Algo que não foi razoável nem produtivo.
Ouvido esta manhã pela televisão pública, o antigo chefe do FMI explicou que confiar apenas na austeridade foi um erro porque os riscos de incucesso eram muitos e, por isso, a Irlanda e Portugal estão a pagar uma fatura pesada.

O responsável sublinhou que a solução passa agora por dar mais tempo aos dois países para pagarem as dividas;    caso contrário, a alternativa é um sofrimento sem fim por parte das populações, uma cultura de dependência nacional e um enorme travão à consolidação da economia europeia.

Quanto ao que aconteceu e ao programa que ajudou a criar, Ashoka Mody assumiu as responsabilidades mas realçou que não está sozinho.    A 'troika' previu para 2012 um crescimento da economia irlandesa na ordem de 1,9%, mas ficou-se pelos 0,9%.    A previsão para este ano, estabelecida em 2,2, foi revista em baixa para 1%.
 
 

 .

Foi tal o saque que... "os alemães até os cordões dos sapatos roubaram aos gregos"!

.



Gregos reclamam pagamento de indemnizações da Alemanha


O primeiro ministro grego tem nas mãos um relatório sobre as indemnizações e empréstimos a que a Grécia tem direito a receber da Alemanha depois da II Guerra Mundial.   
A TSF foi tentar perceber se, 68 anos depois do fim da guerra, estas reclamações ainda fazem sentido.
 
Desde o inicio da crise que são muitas as vozes do país que recordam o que os alemães nunca pagaram ao país, mas agora cabe a Antonis Samaras decidir o que fazer.    Ao todo são cerca de 160 mil milhões de euros que os gregos admitem poder reclamar à Alemanha.

A Grécia foi saqueada e devastada durante a II Guerra Mundial.    Para além do empréstimo obrigatório, tiveram de pagar o custo da presença dos ocupantes no país, viram a produção alimentar e industrial, os objetos artísticos, joias, tesouros arqueológicos e até mobiliário serem enviados para fora do país.    Para Pedro Aires Oliveira, professor de História Contemporânea na Universidade Nova de Lisboa, a fatura foi muito pesada.

O saque foi tal que Mussolini chegou a queixar-se que os alemães até os cordões dos sapatos tinham roubado aos gregos.    Terminada a guerra, as contas começaram a ser feitas.    Em 1953 ficou decidido que a RFA teria de pagar um conjunto de reparações aos países que tinham sofrido a ocupação nazi.    Mas isso acabou por não acontecer
Para evitar um acordo como aquele que pôs fim à I Guerra Mundial, e que acabou por levar à II Grande Guerra, os aliados optaram por outras soluções.    Ficou por pagar o empréstimo forçado que a Grécia concedeu à Alemanha no inicio da ocupação e que tinha um valor de 476 milhões de marcos.

Pedro Aires Oliveira defende, no entanto, que será difícil reescrever a história.    O professor de história contemporânea considera que há um certo revanchismo por parte de alguns políticos gregos que querem responsabilizar a Alemanha por toda a situação que estão a passar.    Mas os alemães também não podem perder de vista um sentido de reparação moral pelos crimes que praticaram.

(Notícia TSF, em 10/Abr/2013)

 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Poder... podia, mas preferiu anunciar a vingança e continuar a desconhecer a raiz do problema!

.



(...)
Dizer que a Europa e o euro morreram em Chipre é especular.    Mas afirmar que os cipriotas, comparados connosco, conseguiram o dobro do tempo para pagar o seu empréstimo e um juro bem mais favorável,  é um facto. 
  
Vejamos os números.    Chipre:   10.000 milhões a 22 anos e a 2,5%.    Portugal:   78.000 milhões a 11 anos de maturidade média e 3,6% de taxa média.    Imaginar o Governo português a lutar por condições idênticas é especular.    Afirmar que o Governo português não percepciona a diferença entre a realidade e a ficção é um facto que se retira do pouco que sobrou de Passos, no último domingo:  -  pose e voz. 
Podia ter reconhecido que, ao decidir medidas de austeridade bem mais penalizadoras que aquelas que foram acordadas com a troika, em Maio de 2011, precipitou a queda da economia, a subida brutal do desemprego e a chegada da recessão?    Podia.    Mas preferiu anunciar mais austeridade. 
Podia ter reconhecido que foi um erro dividir os portugueses entre privados e públicos, velhos e novos, empreendedores e piegas?    Podia.    Mas preferiu anunciar vingança, a novas catanadas de despedimentos e cortes, precipitando o sucesso da desgraça final. 
Podia ter reconhecido que, em vez de carregar de impostos e confiscos os que alimentam o Estado, deveria ter reduzido as rendas dos que se alimentam do Estado, aliás, como acordado com os credores?    Podia.    Mas preferiu continuar a desconhecer a raiz do problema. 
Podia ter reconhecido que foi um erro hostilizar a oposição e os parceiros sociais, destruindo o consenso político e social de 2011?    Podia.    Mas, inspirado em Salazar, preferiu ficar orgulhosamente só. 
Podia ter reconhecido que a sua política europeia, de colagem acrítica aos interesses do Norte e da Alemanha, em detrimento de Portugal, do Sul e da periferia, foi deplorável?    Podia.    Mas preferiu ir a Dublin, de dedo apontado ao Tribunal Constitucional, como sacristão de Schauble, assistir à suprema missa dos interesses dos mercados financeiros, à espera das migalhas que tombem do festim dos juros das dívidas soberanas. 
Podia ter reconhecido o rotundo falhanço da sua estratégia económica e financeira e aproveitado o momento para remodelar ministros e políticas?    Podia.    Mas preferiu contratar um grotesco vendedor de pipocas   (iniciativa do defunto Relvas, via “youtube”)   e dois duros “técnicos especialistas”   (golpe d’asa do seu pequeno Moedas)   para acompanharem a execução do memorando, um de 21, outro de 22 anos, ambos com a relevante experiência de um estágio de três meses, não remunerado.
(Por Santana Castilho, In Público, 10/04/2013)


UM TACHO PARA A VIDA: - a subvenção vitalícia dos políticos em Portugal

.

 
 
 
Quem disse que fazer política em Portugal não dava lucro, enganou-se.    Até 2005 os políticos com mais de 12 anos de “serviço” podiam pedir uma reforma…   para a vida!
 
Foi a 10 de Outubro de 2005 que a “mama” acabou.    Foi revogada a Lei 4/85 (com a Lei 52-A/2005)  que indicava que qualquer político podia pedir a subvenção vitalícia e acumular a pensão com outros cargos, por exemplo, em empresas privadas como o BANIF, que foi denunciado ontem e onde entraram muitos antigos políticos.    E qualquer pensão é, já por si, bastante superior ao ordenado mínimo em Portugal.
 
O Expresso apresentou alguns exemplos:    António Bagão Félix recebe €1.000 - foi Ministro da Segurança Social e do Trabalho e Ministro das Finanças, recebendo a pensão mais baixa.    Já uma das subvenções mais altas pertence a Carlos Melancia, que ganha €9.150 e é, neste momento, empresário hoteleiro.
 
Miguel Relvas pode voltar a receber €2.800 por mês
 
Miguel Relvas recebia por ano €14.000 provenientes da sua subvenção vitalícia.    Poderá vir a requerer novamente o pagamento mensal de €2.800, uma vez que teve que o suspender quando regressou à política e que há poucos dias teve a sua carreira acabada em desgraça, tendo esses anos de política sido à custa de uma mentira (ou lapso) na legislatura de 1985-1987.
 
Continua a aumentar o pagamento das subvenções
 
Mesmo depois de ter acabado a “história” das subvenções políticas e de, ao longo dos anos após 2005, mais nenhum político “novo” poder entrar, elas continuaram (e continuam...)  a ser solicitadas tendo em conta que havia ainda mandatos que não teriam acabado.   O site Tretas publicou vários gráficos, que reproduzimos:
 
 
 

 
 
Outros contemplados com reformas vitalícias
 
Em Junho de 2012, o Tugaleaks falou no caso de Eduardo Catroga, que recebe cerca de €9.693 de reforma, é professor catedrático e na altura tinha um alto cargo na EDP.    Já Duarte Lima, envolvido nas malhas do tribunal, recebe cerca de €2.200 e, como se tal não fosse suficiente, anda a vender quadros da sua colecção pessoal para pagar dívidas.
 
Ao todo são pelo menos 397 beneficiários de uma lei extinta, a maioria a trabalhar no sector privado.
 
(Fonte:  Tugaleaks, em 09/04/2013) (Imagem do Expresso, modificada)


terça-feira, 9 de abril de 2013

Esta gente é vingativa e perigosa e, na agonia, muito mais perigosa ainda!!!

.


 
 
O Governo já tinha falhado por completo todos os objectivos do memorando,  ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.   
 
O governo já estava com dificuldades em "ir aos mercados",  ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.   
 
O Governo já estava a caminho de um segundo resgate,  ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.   
 
O Governo já estava em crise profunda,  ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.   
 
Todas as crises, económicas, sociais, e políticas já estavam em pleno curso,  ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. 
 
A decisão do Tribunal Constitucional acelera todos estes processos mas não lhes deu origem.    Nasceu deles.    Nasceu de um Governo que, apesar de prevenido - mil vezes prevenido - insistiu num  Orçamento de Estado assente em medidas ilegais.    Bateu no peito cheio de ar e vento,  insultando o Deus dos Trovões e levou com um raio em cima.
 
O tom revanchista que o governo e os seus defensores assumem depois da decisão do Tribunal Constitucional - do género "ai não quiseram isto, pois vão levar com muito mais" - mostra o carácter punitivo que está presente na política da coligação desde o início.     A cada revés, e todas as semanas há um grave revés, vêm novas ameaças e castigos, em vez de admissão de erros e inversão de caminhos.    Como este tom punitivo é dos que melhor "comunica" com toda a gente, mesmo sem precisar de agências nem assessores, o governo está mais uma vez a semear ventos e a colher tempestades.
 
Há várias  coisas que nunca se devem esquecer:     esta gente é vingativa e não se importa de estragar tudo à sua volta para parecer que tem razão.    Já nem sequer é por convicção, é por vaidade e imagem.
 
Outra coisa, ainda mais complicada, que também não deve ser esquecida:    o governo considera bem-vindas as ameaças da troika.    São a chantagem que precisam, pedem e combinam.    Não são uma voz alheia, nem dos "credores", nem da troika, nem de ninguém, são o autofalante agressivo que o governo necessita para tornar a sua política inquestionável e servir de ameaça a todas as críticas.
 
E por último, e não é de menos, esta gente é perigosa e, na agonia, muito mais perigosa ainda.

A propósito do despacho do ministro Vítor Gaspar de 8 de Abril que pára o funcionamento do estado português, atribuindo essa decisão ao Tribunal Constitucional, o governo entrou numa guerra institucional dentro do estado, em colaboração com a troika, para abrir caminho a políticas de duvidosa legalidade e legitimidade baseadas no relatório que fez em conjunto com o FMI.
Não conheço nenhum motivo mais forte e justificado para a dissolução da Assembleia da República por parte do Presidente do que este acto revanchista contra os portugueses.
 
(José Pacheco Pereira, no ABRUPTO) (sublinhados deste blogue)
 


(No programa "Quadratura do Círculo" - SIC Notícias, em 09/Abr/2013)

 

"Just Say NÂO" - Paul Krugman, Nobel da Economia, arrasa o sucesso da austeridade em Portugal

.




Os membros da troika são "sádicos" a quem foi dada "licença para continuar a provocar dor".   Palavras do Nobel da Economia, Paul Krugman, que volta a criticar a austeridade imposta a países sob resgate, como Portugal.


O economista atribui a descida dos juros da dívida portuguesa à intervenção do Banco Central Europeu (BCE) e não ao sucesso da política de austeridade em curso no país.    Esta descida dos juros não tem nada a ver com a austeridade”, sustenta Krugman no seu blogue no New York Times, atribuindo-a, antes, à intervenção do BCE na compra de dívida soberana dos países em dificuldades, nomeadamente Portugal.
 
Neste contexto, o economista critica a Comissão Europeia – que, na segunda-feira, elogiou a determinação do Governo português em prosseguir a política de austeridade apesar do ‘chumbo’ do Tribunal de Constitucional a algumas das medidas impostas – quando esta reclama para si e para a sua política os créditos desta descida dos juros das dívidas soberanas e alega que um abrandamento da austeridade levará a nova escalada.
 
Para Paul Krugman, esta posição da Comissão resulta do facto de a descida dos juros da dívida ser “o único resultado positivo que tem para apresentar após três anos de austeridade”.
Segundo sustenta o prémio Nobel da Economia, o “risco moral” inicialmente apontado pelos defensores da austeridade relativamente à intervenção do BCE na compra de dívida soberana – por considerarem que esta “ajuda” poderia levar os países em dificuldades a “relaxarem no aperto do cinto” – acabou por se concretizar, mas relativamente aos próprios apoiantes da austeridade.

Realmente a intervenção do BCE “ajudou” algumas pessoas, levando-as a prosseguir as suas más políticas.    Mas essas pessoas não são os governos endividados, são os próprios membros da troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e BCE), que usam o argumento da descida dos juros da dívida para alegarem que a austeridade está a resultar”,   afirma Krugman.

No domingo, também no seu blogue no New York Times, Paul Krugman, que tem repetidamente criticado a estratégia europeia de resposta à crise na zona euro, instou os portugueses a “dizer não” a novas medidas de austeridade.

''Just Say Não'', ironizou então o prémio Nobel da Economia, notando que a instabilidade se intensifica em Portugal, agora que o Governo de Passos Coelho anunciou a intenção de avançar com cortes na Educação, Saúde, Segurança Social e Empresas públicas para responder ao 'chumbo' do Tribunal Constitucional de quatro normas orçamentais que representam um 'buraco' de 1.300 milhões de euros.
 
(Por Lusa, 09 Abril 2013)
 
 

CULPA... CULPA... MEA CULPA... - MANIFESTO CONTRA A INCOMPETÊNCIA POLÍTICA !!!

.



A CULPA...

Desculpa lá qualquer coisinha, ó Passos.   

A culpa da crise, do descalabro, da austeridade, é nossa e muito nossa.    A culpa é de quem andou a viver acima das suas possibilidades.    A culpa é de quem, embora ganhando um salário muito inferior aos praticados na maior parte da Europa "comunitária", viveu faustosamente e achou que tinha a crescer no quintal, na varanda, na banheira, vigorosa e inesgotável, uma gigantesca árvore das patacas.
 
A culpa é dos velhos, que teimam em não morrer e que recebem pensões demasiado generosas.    A culpa é dos doentes, que teimam em tratar-se.    A culpa é dos estudantes, que teimam em querer ser alguém na vida.    A culpa é dos funcionários públicos, essa turba de madraços.    A culpa, já se sabe, é do Sócrates que inaugurou, em 6 curtos anos, estradas para nenhures, centros culturais, pontes, estádios, rotundas, empresas públicas, empresas satélites do Estado, empresas autárquicas, fundações e demais instituições que sempre souberam vir comer à mesa do orçamento.
 
A culpa é de quem anda a culpar Oliveira e Costa, Duarte Lima ou Dias Loureiro pela cratera do BPN.    A culpa é de quem anda a culpar a banca, os especuladores financeiros, os mercados, as bolsas, os ricos que estão cada vez mais ricos para que os pobres, felizardos, fiquem cada vez mais pobres.    A culpa é de quem anda a culpar a Alemanha que, como toda a gente sabe, e se não sabe devia saber, foi vítima de duas grandes guerras no século passado que se viu forçada, coitada, a provocar.
 
A culpa é também do Tribunal Constitucional e, em última instância, das leis e da democracia, que vos não deixam governar à vontade, decretar o aumento de quaisquer impostos que vos dê na real gana, o roubo de quaisquer salários que queiram surripiar, a redução de quaisquer direitos que achem exagerados, o corte de quaisquer serviços dedicados à causa pública.    A culpa não é - definitivamente, não é - nem tua, nem do Gaspar, nem do Portas, nem do Relvas, nem de nenhum dos santos desse altar a São Bento, onde milhões de velas bruxuleiam, tantas quantas os portugueses atingidos, muitos já de morte, pelas vossas medidas.
 
Os vossos esforços para salvar o capital são meritórios.    O povo que pague a crise.    Ou não tivéssemos andado, bem entendido, a viver como nababos, esbanjando o vosso rico dinheirinho, nunca o nosso, em bens supérfluos como supérflua é a nossa vida, somos gente reles e indolente, carne para canhão, meros parafusos da máquina de produzir dinheiro, os novos escravos do século XXI.   
 
Desculpa lá qualquer coisinha, ó Passos.    Tens razão em desprezar-nos.    As tuas mais-valias são outras.    O teu futuro sorrirá.    Fora de Portugal, esta eterna piolheira.

(Texto de Manuel Cruz)


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Tanto por onde cortar... mas a sanha vingativa do "rapazola" só vê as funções sociais do Estado!!!

.


 
 
O número de artigos e notas em blogues que começam com “a decisão do Tribunal Constitucional fez e aconteceu….” representam um sucesso do pensamento único governamental.    Na verdade, deviam começar com “a política do governo fez e aconteceu…”    Isto, porque a decisão do Tribunal Constitucional é que é a normalidade e a lei, e a política do governo é que é a anormalidade e a ilegalidade.   
A decisão do Tribunal Constitucional representa uma consequência da política do governo, das escolhas do governo, da incapacidade do governo de encontrar políticas de contenção orçamental que não passem pela violação da lei e pelo afrontamento da Constituição. 

Mais:    o caminho seguido pelo governo para o objectivo de cumprimento do memorando da troika é que põe em causa esse cumprimento, porque não teve em conta qualquer preocupação em salvar um quantum da economia nacional, desprezou os efeitos sociais do “ir para além da troika”, não deu importância a qualquer entendimento social e político, vital em momentos de crise.   

Foi um caminho de pura engenharia social, económica e política, prosseguido com arrogância por uma mistura de técnicos alcandorados à infalibilidade com políticos de aviário, órfãos de cultura e pensamento, permeáveis a que os interesses instalados definissem os limites da sua política.    Quiseram servir os poderosos com um imenso complexo de inferioridade social, e mostraram sempre (mostrou-o de novo o primeiro-ministro ontem), um revanchismo agressivo com os mais fracos.
 
Pensaram sempre em atacar salários, pensões, reformas, rendimentos individuais e das famílias, serviços públicos para os mais necessitados e nunca em rendas estatais, contratos leoninos, interesses da banca, abusos e cartéis das grandes empresas.    Pode-se dizer que fizeram uma escolha entre duas opções, mas a verdade é que nunca houve opção:    vieram para fazer o que fizeram, vieram para fazer o que estão a fazer.
 
 (José Pacheco Pereira, no ABRUPTO) (sublinhados deste blogue)


 

Não vai ser bonito, quando a guerra que está a ser lançada aos portugueses fizer ricochete...

.

 
 
 
O Governo lançou uma guerra aos portugueses
 
 
Ao ouvir o discurso de Pedro Passos Coelho ao país, não pude deixar de sentir que estava a assistir ao culminar de uma farsa construída nos gabinetes governamentais durante as últimas semanas.
 
A realidade desmente qualquer mistificação, vulgo spin.    O Governo falhou.    Falhou tanto e tão completamente que a troika ainda está a ponderar se liberta a próxima tranche do resgate.    Falhou todas as previsões, sim, incluindo o défice e a dívida, e por larga margem.    E sobretudo perdeu o país, e vai perdendo mais de dia para dia.    O Governo falhou de forma tão desastrosa que o corte de 4000 milhões no estado social tinha sido adiado sem data prevista de anúncio.    Fracassou em tudo, e apenas teve para apresentar ao país mais fracassos, quando Vítor Gaspar anunciou a revisão das metas orçamentais do défice, da dívida, do desemprego, da recessão.
 
Mas o Governo - e as centenas de assessores que tem contratado durante os últimos dois anos - sabia que ainda tinha uma última tábua de salvação:    a decisão do Tribunal Constitucional sobre as normas ilegais do Orçamento.    Por isso, adiou.    Adiou a apresentação dos cortes - era suposto ter sido em Fevereiro;    e adiou a remodelação - vem aí já a seguir.    Não irei tão longe a ponto de achar que o Governo sabia muito bem que o TC iria decidir como decidiu, embora não seja de excluir que soubesse, desde o primeiro momento.    Provavelmente, começou a perceber desde o início do ano que poderia usar o previsível chumbo a seu favor.    Abril é o mês em que são tornados públicos os números da execução orçamental do primeiro trimestre, é o mês ideal para ensaiar esta desprezível farsa.
 
As notícias vindas dos gabinetes começaram a saltar como pipocas.    Os comentadores televisivos fizeram o seu papel, cumprindo na perfeição o guião decidido à partida.    O papel dos comentadores políticos - os mais mediáticos são do PSD - é validar o rumo que está a ser seguido.    E assim fizeram.    As críticas ao Tribunal Constitucional, indignas de um estado de direito, multiplicaram-se.    O pânico foi lançado na opinião pública:    um chumbo significaria um segundo resgate - como se esse segundo resgate já não estivesse a ser preparado pelo Governo desde a última avaliação da Troika - e os mercados iriam por aí abaixo.    O Governo não só sabia que isto iria acontecer como alimentou o pânico.    E alimentou o pânico também com a história da queda do Governo.    Os comentadores lá papaguearam a narrativa:    a queda do Governo seria desastrosa para o país. 
 
A verdade é que nem só o Governo teve alguma vez intenção de se demitir, como Cavaco Silva, desde o primeiro dia desta coligação, apenas existe para o manter em funções.    Passos Coelho está tão colado ao poder como Miguel Relvas - tanto, que este teve de ser sacrificado para que Coelho pudesse continuar a ser primeiro-ministro.    Para quê?    Para transformar o país, ou, por outras palavras, acabar com a herança de Abril, destruindo o estado social e os valores que o regem, fazendo-nos regredir quarenta anos de uma assentada.    A dramatização serviu um propósito, o chumbo do Orçamento é apenas um pretexto para continuar com o mais selvagem revanchismo da direita a que temos oportunidade de assistir desde o 25 de Abril.
 
Por isso, não surpreende que Passos Coelho e o PSD tenham demonstrado tanto desrespeito pela Constituição.    O programa de destruição da democracia que estão a ensaiar implica, pela sua natureza, o completo desregulamento das instituições democráticas, começando pela lei fundamental do país.    Portugal é, neste momento, um país a saque pela direita dos interesses e pelo capital financeiro que a apoia.    Não vão cair, porque não têm respeito nem pelas leis nem por eles próprios, e têm um inútil da mesma cor política a ocupar a cadeira de presidente da República.   
 
O que falha, nesta narrativa?    Apenas os limites para a paciência do povo.    Porque parece-me que pouca gente acreditará no discurso de um Governo que está a empobrecer-nos para níveis há muito esquecidos.    Um Governo que governa para os credores do país e para os seus interesses é um Governo a prazo.    Não vai ser bonito, quando a guerra que está a ser lançada aos portugueses fizer ricochete.    Estaremos todos cá para ver, de poltrona.

(Por Sérgio Lavos, no Arrastão) (sublinhados deste blogue)


domingo, 7 de abril de 2013

Hoje na RTP1 - o sucesso do populismo e da orfandade do país político de 2013

.



POR QUE NÃO SAÍMOS DA CEPA TORTA

(…)
Este homem foi um perigo, ajudou, e muito, a afundar-nos colectivamente, e seria hoje de novo um perigo, se não houvesse tão recente e viva memória dos seus "feitos".    Mas o que é interessante é perceber que dele não nos defenderam muitos dos iluminados da nossa praça, à direita e à esquerda, como agora também não seriam capazes de o fazer.    A razão por que me preocupa a reacção à entrevista é esta:    este homem seria o populista ideal, e muita gente abre-lhe alas, apenas porque ele fala alto e grosso, num mundo em que Seguro é o que é, e Passos e Relvas são que são, e não suscitam nem temor nem entusiasmo.    Apenas tédio e preocupação. 
 
Quando falei da nostalgia que alimenta esta reacção à entrevista foi disso mesmo:    a direita precisa de um inimigo e trata-o como a quinta-essência das malfeitorias da esquerda, coisa a que nunca pertenceu, porque precisa de encontrar identidade pela construção de um adversário.    Sócrates é o adversário ideal, e é por isso que foi com a sua colaboração e assentimento que o Governo lhe abriu as portas da "sua" televisão.    Para além disso, calcula que, por muito que possa vir a ser atingido por um ou outro remoque certeiro, Sócrates será um problema essencialmente para o PS.    Os estragos que Sócrates possa vir a fazer ao Governo serão sempre entendidos como danos colaterais, aceitáveis pela enorme vantagem de ele impedir, pela sua mera existência semanal na televisão, a consolidação da liderança de Seguro.    Por outro lado, a vendetta pessoal de Sócrates contra Cavaco é também bem-vinda, porque, para o grupo à volta de Passos Coelho, Relvas, Menezes e Ângelo, colocar o Presidente na ordem é uma necessidade estratégica. (...)
 
O mesmo fenómeno de nostalgia e radicalização existe à esquerda. A esquerda, principalmente a que está órfã no PS de Seguro, enfileira atrás daquilo que pensa ser um cabo de guerra a sério e não de um clone com falinhas mansas.    Há demasiada orfandade na actual "oferta"política para deixar um lugar para Sócrates e ele ocupa-o, não porque queira o lugar de Seguro, mas também porque, para ele, as dificuldades de Seguro serão a sua versão dos danos colaterais.    O "animal feroz" para "tomar a palavra", que nele significa o mesmo que "tomar um castelo", sabe que prejudica Seguro, mas é suficientemente obcecado com a sua pessoa e a sua missão para não se preocupar com isso.
 
A comunicação social, com quem Sócrates manteve uma relação muito próxima até ao momento em que iniciou a sua queda, quando, à maneira portuguesa, todos os que lhe apararam o jogo, o começaram a calcar com a mesma veemência com que o adulavam, gosta de festa, e Sócrates dá-lhes festa.    Este homem que, como Relvas, mas com muito mais poder e cumplicidades, usou todos os meios ao seu alcance para afastar os jornalistas que se lhe opunham e punir todos os que o afrontavam, volta hoje a ser tratado com a mesma complacência com que se aceitavam sem questionar os seus anúncios propagandísticos e sua contínua manipulação dos factos e estatísticas.  (...)
 
A história da "narrativa" é reveladora.    Sócrates apresentou-se como pretendendo combater a "narrativa" que a direita fazia da sua governação e queda, opondo-lhe a sua própria "narrativa".    Esta história das "narrativas", um modismo para designar uma construção ficcional de eventos, preso exactamente pelo fio da narrativa, é atractiva porque procede a uma selecção de factos, moldados pela sequência cronológica escolhida, que pode não ser a que aconteceu, e pela eliminação dos "factos-problema", que podiam prejudicar a clareza ficcional da história.    Na sua "narrativa", Sócrates coloca o seu principal motor interior, a sua vontade, cuja determinação varreu com tudo, bom senso, estudo, conhecimento, verdade, atenção ao real, custos, condições, tudo.    E levou-nos ao que se sabe.
 
É, no fundo, um argumentário político, que pode ter uma maior ou menor aproximação à realidade ou à ideologia, e que serve como discurso de justificação, mas não é, nem foi, o que aconteceu, não é a realidade, nem a verdade.  (...)
 
Não foi a entrevista que foi interessante.    Foi o seu efeito.    O sucesso do retorno de Sócrates não é o sucesso do governante de 2005-2011, nem a sua reabilitação, mas o sucesso do populismo e da orfandade do país político de 2013.    Faz uma diferença.    Faz toda a diferença.

(Por José Pacheco Pereira, In ABRUPTO)
 
 

sábado, 6 de abril de 2013

A punição severa do descaramento, da arrogância e da irresponsabilidade deste governo...

.


 
O Tribunal e o Governo
 
 
Ainda bem que as leis em Portugal não estão à mercê da necessidade, real ou pretendida, dos governantes;    que os direitos dos cidadãos não podem ser atropelados pelo Orçamento do Estado;    que há um Tribunal que zela pela Constituição da República.    Ainda bem.
 
O que se passou nos últimos dias foi lamentável, pela dramatização ensaiada e o condicionamento pretendido, mas acabou como devia:    com os juízes do Tribunal Constitucional a decidirem de acordo com o espírito e a letra da Lei  -  e não em conspiração com aquilo que um governo, circunstancialmente, entenda ser "o interesse do País".
 
O interesse do País é que o Governo, e a Assembleia da República (que aprovou o OE) também, revelem respeito pela Constituição em vigor  -  e a verdade é que pela segunda vez consecutiva não tiveram essa preocupação e esse cuidado.    Antes pelo contrário:    enfrentaram com descaramento o julgamento do ano passado do TC e repetiram erros, como a tentativa de cortes dos subsídios aos funcionários públicos e pensionistas.
(...)

(Por João Marcelino, DNopinião, 6 Mar 2013)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Não obstante... o rapazola só sabe ir ao bolso dos trabalhadores e reformados!!!

.

Já têm um ano estas denúncias do José Gomes Ferreira, mas nem por isso o "rapazola" que nos (des)governa já se posicionou para acabar com estes mega-roubos e vigarices, preferindo antes meter sempre a mão no bolso de quem já pouco ou nada tem!   
 
É mais fácil, mais rápido e ninguém reclama...   e mesmo que reclame, que se manifeste ou cante a Grândola Vila Morena, isso resolve-se com mais ou menos cacetadas da polícia de choque e um séquito de guarda-costas, todos pagos, aliás, com o dinheiro dos próprios que se manifestam.   
 
O que importa, acima de tudo, é não beliscar com a alta finança, nem com os banqueiros, nem com a gula dos grandes interesses instalados.    O que importa é não bulir com a mama da maioria dos 14.000 organismos do Estado, centrais e locais, onde se acoitam a grande maioria dos inúteis boys dos 3 partidos do arco.   Por isso mesmo nenhum deles reclama.   




domingo, 31 de março de 2013

Do alto da sua impotência, o primeiro-ministro ensaia uma fuga em frente...

.



O fundo dos fundos

(...)
Entre erros colossais e previsões catastróficas, temos, hoje, um governo cuja política falhou estrondosamente.    Do alto da sua impotência, o primeiro-ministro ensaia uma fuga em frente, ameaça com a sua demissão e responsabiliza politicamente o Tribunal Constitucional pelo delírio de um Orçamento do Estado que o próprio ministro das Finanças se encarregou de atirar para o caixote de lixo.
 
Na Assembleia da República, o drama ganhou proporções épicas, com uma deputada do PSD a exigir que os juízes cumprissem o Memorando da troika e levassem em conta as exigências dos nossos credores.    Aparentemente, para o PSD, o Tribunal Constitucional, antes de decidir seja o que for, devia ter uma conversinha de pé de orelha com o Sr. Selassie ou, quem sabe?, pedir (mesmo que roído de inveja) um esclarecimento ao Sr. Schäuble sobre a melhor forma de subverter o Estado de direito, em Portugal.    E depois ainda há quem, num rasgo de patriotismo, apele a um sublime consenso em torno de coisa nenhuma, sem perceber que não é propriamente fácil fazer consensos com defuntos que só estão à espera que lhes seja decretada a respectiva certidão de óbito.
 
No meio disto tudo, entre nomeações para o governo de jovens imberbes na qualidade de especialistas, surgiu, qual cereja em cima do bolo, o anúncio de que o ex-espião Silva Carvalho, acusado dos mais variados crimes, se vai instalar, com pompa e circunstância, na Presidência do Conselho de Ministros, ao abrigo de um diploma qualquer que ignora a sua feérica passagem por uma empresa privada onde, segundo o Ministério Público, se entreteve a violar segredos de Estado e a aceder ilegitimamente a dados pessoais de jornalistas e empresários.    Perante tanta generosidade, o ex-espião diz agora que vai colaborar estreitamente com o governo que o nomeou.    E o pior é que se calhar vai.    E o país, por via de cumplicidades maçónicas e de negócios obscuros, chega assim ao fundo dos fundos.
(...)
 
(Por Constança Cunha e SáIn Jornal "I",  30 Mar 2013)
 
 

Andamos todos a pagar para um sector que não sente a crise - o financeiro!

.

Dois anos após a intervenção da "troika" e  depois do diagnóstico feito por esta, porque é que os preços da energia, dos combustíveis, das comunicações e da rede viária não baixam?   




terça-feira, 26 de março de 2013

Onde está o dinheiro? - em parte nenhuma!...

.

Circula por aí, em jeito de anedota, uma grande verdade sobre o dinheiro, as dívidas e o sistema bancário:
   
«Um casal de turistas chega a um hotel e pergunta quanto custa um quarto para o fim-de-semana.    O recepcionista responde:  -100 euros pelos 2 dias.    O casal aceita, mas comenta que gostaria de conhecer as instalações antes de fazer a reserva.    O recepcionista aceita, mas pede uma caução de 100 euros, com a condição de serem devolvidos caso não lhes agrade.   Deixa então o casal  os 100 euros e vai visitar o hotel.
Acontece porém que o recepcionista devia 100 euros à mercearia do lado, indo a correr pagar a dívida.   O merceeiro, por seu lado,  devia 100 euros na sapataria e foi a correr pagar a dívida.   O sapateiro devia 100 euros no talho e correu também a pagar a dívida.   O talhante devia 100 euros à agência de viagens e correu também a liquidar a dívida.   Também o dono da agência devia 100 euros ao hotel e correu de imediato a saldar a dívida…
Entretanto, o casal completou a visita e informa que, afinal, não vai ficar no hotel.   Tal como havia dito, o recepcionista devolve o dinheiro ao casal.
Conclusão:
Toda a gente pagou a quem devia...   sem dinheiro nenhum.   Os 100 euros de caução do casal pagaram todas as 5 dívidas no valor total de 500 euros  -  isto é, zero euros pagaram 500 euros de dívidas.    É assim que funciona o sistema financeiro:    uma fraude, em que cada uma destas dívidas deixa no banco um lucro (os juros) com base em...   NADA que seja do Banco.    Jogando apenas com o dinheiro do depositante!!!»

O mundo ocidental está à beira do colapso total.    Já não é mera  retórica, mas uma certeza:   o colapso financeiro global é já inevitável.    Apenas uma questão de tempo. 

“O Fim da Estrada”  (END OF THE ROAD)  é um documentário de 55 minutos que narra o colapso financeiro global.    O filme conta a história de como o mundo chegou a este estado, fruto das sementes lançadas após a Segunda Guerra Mundial, que provocaram os problemas que enfrentamos hoje e que nos permitem antever um futuro possível para todos nós.    Algumas das mais brilhantes mentes na área da economia partilham a história escondida por detrás da má gestão das finanças mundiais e dão-nos uma visão de como uma má política e um sistema monetário falacioso se uniram para criar uma catástrofe que se aproxima velozmente.

“O Fim da Estrada” perfila onze comentadores influentes no seio das comunidades financeira e de investimento, que partilham o seu conhecimento da estrutura financeira atual.    Através de cada uma das suas narrativas, constrói-se uma história que narra o atual dilema económico e pinta um quadro do futuro financeiro do mundo."


segunda-feira, 25 de março de 2013

"The War You Don't See" - a manipulação das massas através da comunicação social

.

"The War You Don't See"  - (filme completo e legendado)

 
Já em duas outras ocasiões postei aqui este impressionante documentário de John Pilger sobre a manipulação propositada das massas através da comunicação social.  

Talvez porque demasiado incómodo para os "senhores da guerra", este documentário foi por duas vezes eliminado pelos dois sites onde estava alojado, mas eis que, de novo, alguém coloca no site Vimeo o filme original completo - "The War You Don't See".    E uma vez mais o coloco aqui até ao dia em que ele tornará a desaparecer.    E como estou certo de que isso irá acontecer, aconselho a que o visionem de imediato.
 
Tão impressionantes são os relatos dos próprios repórteres que viveram como "embutidos" (embedding) em vários cenários de guerras actuais e da última década, que é de concluir que as imagens que nos chegam diariamente através das grandes cadeias de Televisão poderão não ser mais do que grandes encenações, feitas com um único propósito - o de esconder, o de escamotear, ou até mesmo o de inverter a verdade com o fim de manipular as grandes massas, como se fora um verdadeiro governo invisível.   E a começar logo pelos próprios jornalistas e repórteres que, ao serviço de grandes cadeias de TVs que mantêm acordos secretos com os políticos intervenientes, nos dão uma versão tendenciosa, ou mesmo errada, da verdadeira "verdade" que se quer escondida dos olhos do grande público, em particular, e do mundo em geral





sábado, 23 de março de 2013

UE - A chantagem sobre o povo de Chipre torna tudo ainda mais claro!

.
 


 
As lições de Chipre
 
A imagem da espiral tem sido usada no debate público para mostrar como esta crise é dinâmica e tem um só sentido:    o do afundamento das economias e das sociedades.    Ela tem, no entanto, outra marca:    esse sentido descendente vai sendo percorrido a uma velocidade cada vez mais rápida.    O perigo de colapso é hoje muito maior que antes, e dele nos aproximamos em movimento uniformemente acelerado.    O efeito cumulativo dos fatores de degradação é cada vez mais destrutivo.

 Que uma das mais pequenas economias europeias - cujos depósitos bancários representam menos de 0,2% do total da UE, e para a qual a troika anunciou um montante de resgate oitenta vezes mais pequeno que o gasto pela França e pela Alemanha no resgate dos seus sistemas bancários - lance o pânico de desabamento final do euro é revelador do ponto a que chegámos.    A noção precisa dos erros cometidos em mais este caso servirá, pelo menos, para os evitar de novo e para não juntar mais carga explosiva à dinamite da crise.    Se ainda formos a tempo...

 A primeira lição que Chipre nos ensina é que o sucesso da desregulação anuncia o desastre.    Graças a taxas de juro muito baixas, Chipre registou no final da década anterior entradas maciças de capital e passou a funcionar como um offshore das oligarquias russas, lavando esse dinheiro quer em especulação imobiliária quer em especulação com a dívida grega.    Há apenas cinco anos, Chipre era louvado como um caso de neoliberalismo virtuoso.    Louvor precipitado:    o perdão parcelar da dívida grega impôs a bancarrota à estratégia irresponsável de casino do sistema bancário de Chipre que arrastou consigo toda a economia do país.

A segunda lição que Chipre nos ensina é que, para as autoridades do Eurogrupo, a crise e as respostas à crise são duas ferramentas da mesma política.    Os mesmos que louvaram a transformação de Chipre num offshore, vendo nisso um caso de sucesso de crescimento, vêm agora, diante da falência dos bancos e da economia, advogar que o esforço do resgate seja assumido pelos titulares de depósitos bancários.   
 
É truque e mal feito:    para que o país continue a ser offshore, o resgate dos oligarcas é posto sobre os ombros de quem poupou umas dezenas de euros de salário.    Quem ganhou com a especulação que esteve na base desta bancarrota arrisca-se a sair da história sem um mínimo de perdas.    E a vítima principal de tudo isto será o princípio da confiança dos pequenos aforradores com depósitos inferiores a 100.000 euros e a quem nem o Estado nem a União Europeia oferecem agora qualquer garantia de retorno.    A penalização das classes populares pela cupidez irresponsável dos especuladores, começada na Grécia, segue pois o seu caminho. Por isso, posta em causa em Chipre, a confiança dos pequenos depositantes nos sistemas bancários nacionais fica posta em causa em todo o espaço europeu.

 A terceira lição que Chipre nos ensina é que a independência dos bancos centrais é uma fábula.    A retórica da independência dos bancos centrais é o disfarce da sua função instrumental face aos grandes interesses financeiros.    O Banco Central Europeu tem mostrado, por ação e por negligência, ao longo de toda esta crise, quanto isto é evidente.    Agora, a sua chantagem sobre o povo de Chipre torna tudo ainda mais claro:    liquidez de emergência só para "países que têm futuro", diz-nos Frankfurt.    Os bancos alemães, holandeses, finlandeses e luxemburgueses sorriem de contentamento.    
 
O BCE mostra assim que saída do euro só há verdadeiramente uma:    a da expulsão dos mais fracos.    A resistência solidária a essa expulsão é hoje a maior batalha que se exige dos europeístas.    Em nome de uma Europa de esperança.
(Por José Manuel Pureza, DN - 22/03/2013)
 
 

Depois de Chipre quem virá a seguir? Portugal? Espanha? Itália?

.




Acelera-se o descalabro da União Europeia

Chipre:    Draghi utiliza o bloqueio monetário – a medida equivale a um "acto de guerra" 

O "bloqueio monetário" de Chipre que acaba de ser imposto pelo BCE é um acto de uma gravidade extraordinária, cujas consequências devem ser cuidadosamente estudadas.    A decisão do sr. Mario Draghi abrange dois aspectos:    em primeiro lugar o BCE não alimenta mais o Banco Central de Chipre com papel-moeda (ponto que não parece essencial pois as reservas de cash parecem importantes) e além disso interrompe as transacções entre os bancos cipriotas (assim como as empresas baseadas em Chipre, sejam ou não cipriotas) pois doravante já não podem fazer transacções com o resto da zona Euro.   

Por outro lado, a decisão equivale a um "bloqueio" económico, ou seja, nos termos do direito internacional a uma acção equivalente a "acto de guerra".    É portanto terrível a gravidade da decisão tomada por Mario Draghi.    Ela poderia também prestar-se a contestação diante dos tribunais internacionais.    Mario Draghi poderia, por isso, encontrar-se um dia diante de um tribunal, internacional ou não.

Sobre a interrupção das relações entre bancos cipriotas e a zona Euro, o argumento invocado é a "dúvida" sobre a solvabilidade dos ditos bancos cipriotas.    Isto é evidentemente um puro pretexto pois há "dúvidas" desde Junho último.    Todo o mundo sabe que com as consequências do "haircut" imposto sobre os credores privados da Grécia foram fragilizados consideravelmente os bancos de Chipre.    O BCE não havia reagido na ocasião e não considerava o problema da recapitalização destes bancos como urgente.    O BCE decidiu-se a fazê-lo no dia seguinte à rejeição pelo Parlamento cipriota do texto do acordo imposto a Chipre pelo Eurogrupo e a Troika.   

Não era possível ser mais claro.    A mensagem enviada por Mario Draghi é portanto a seguinte:    ou vocês se dobram ao que NÓS decidimos ou sofrerão as consequências.    Isto não é apenas uma mensagem, é um ultimato.    Verifica-se aqui que todas as declarações sobre o "consenso" ou a "unanimidade" que teria presidido à decisão do Eurogrupo não são senão máscaras frente ao que é realmente um Diktat .

(por Jacques Sapir - 20/03/2013) (Fonte - ResistirInfo)

 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Ai este País ainda vai tornar-se um imenso cagaçal !!!

.




Sócrates,  uma prenda para Seguro...
 
«Miguel Relvas deve estar a esfregar as mãos de contente com este golpe "genial":    a RTP vai ajudar a dividir o PS.    Ora isto é o melhor que podia acontecer a António José Seguro.    Daqui para a frente basta mostrar todos os dias que é o contrário de Sócrates.    Isso chega e sobra.    As pessoas podem estar fartas de Passos Coelho mas continuam fartas de Sócrates.    Seguro tem aqui a sua grande oportunidade:    dividir o PS, esquecer unanimidades e cortar de vez com o passado.    Daqui por uns meses vão perceber o que eu quero dizer.»
(Por Ricardo Costa, In Expresso)

«José Sócrates (como António José Seguro reconheceu) tem todo o direito a comentar o que quiser onde quiser e a fazer ele próprio a defesa dos seus anos como primeiro-ministro.
Mas a RTP (que tem o direito a contratar quem quiser) sabe muito bem que não foi buscar um comentador político para “alavancar as audiências”.    Contratou (a custo zero) um jogador que vai fazer marcação homem a homem ao seu sucessor à frente do PS.    Para alívio do Governo, que anda a precisar de oferecer ao povo novas distracções que o façam esquecer a ressaca dos vinhos de Chipre.
 
Entramos assim na cena do ódio.    Ou dos ódios.
 
José Sócrates sabe que muitos portugueses continuam a odiá-lo e vão fazer subir as audiências da RTP com um cesto de tomates podres ao pé do ecrã.    O Governo também sabe (e se calhar acredita que José Sócrates não sabe).
Mas Passos Coelho (um primeiro-ministro que nunca foi comentador de televisão) ainda não está há dois anos no cargo e já é muito mais assobiado do que alguma vez José Sócrates foi
(Por Miguel Gaspar, In Público)


Entretanto, cresce a cada hora o número de signatários que assinam a petição que rejeita a presença de Sócrates na RTP...

Pode até ser polémico... mas está uma maravilha!

.

A marca de alta costura Louis Vuitton está a usar um filme promocional pouco convencional para promover a sua nova coleção.    A campanha foi largamente criticada pela associação francesa de defesa dos direitos das mulheres, Osez le Féminisme, por oferecer uma "uma visão glamourosa da prostituição" e poder ter repercussões negativas.
 
A Louis Vuitton não quis comentar o assunto até ao momento, ao contrário de Marc Jacobs, diretor criativo da marca, que também aparece no vídeo, garantindo que a intenção da marca nunca foi apoiar a pornografia.
"É um vídeo perturbador porque associa universos completamente diferentes, o luxo da alta costura e um outro muito mais doloroso, o da violência sexual. No entanto a nossa intenção nunca foi ressuscitar a ideia do porno chique dos anos 60", explicou Jacobs.    (Daqui)





quarta-feira, 20 de março de 2013

CHIPRE - Depois da Islândia, mais uma lição de democracia aos miseráveis "donos" da Europa!

.




O direito à indignação

 
O Parlamento cipriota rejeitou sem um único voto a favor a chantagem imposta pelo Eurogrupo.   É inacreditável como uma conferência de Ministros de Finanças estrangeiros se outorga o direito de dar este tipo de ordens a um Estado membro da União.   E isto com com a complacência dos parlamentos dos respectivos países.   Passou-se da guerra tradicional, com a respectiva ocupação do território, à mais violenta forma de luta, que é a do jugo financeiro. 
 
Seja o que for que daqui resulte – e pode temer-se o pior – houve, finalmente, um Parlamento que não aceitou ser fantoche de Ministros estrangeiros reunidos em conferência telefónica.   Chipre merece, nesse campo, o nosso respeito.
 
Esta decisão do seu Parlamento pode lançar o país na bancarrota e implicar a sua saída do euro.   Mas não deixa de ser um gesto de liberdade de quem não quer ser acorrentado e constitui, goste-se ou não, um rombo no monstruoso porta aviões em que se transformou esta União Europeia.   Seja o que for que venha a acontecer, a verdade é que, depois disto, nada poderá ficar como dantes. 
 

terça-feira, 19 de março de 2013

"FOMENTAR O ÓDIO" - a única e grande estratégia deste governo!

.



O  Ódio

(...)
A estratégia é manhosa e inteligente, digna de gente como Passos Coelho, Miguel Relvas ou Gaspar:  atirar portugueses contra portugueses.  
 
Depois de os cortes na Função Pública terem gerado mais recessão do que resultados, aumentaram brutalmente os impostos sobre todos;   como esta estratégia conduziu a um défice colossal dizem agora aos do sector privado que fiquem descansados, os sacrificados serão os malandros dos funcionários públicos.   O ridículo é que ignoram o impacto sobre o desemprego e sobre o consumo e até têm lata para dizer que acabou a austeridade.   O Frasquilho até vem dizer que a austeridade se limitará ao Estado, mistura-se o preço do papel higiénico para limpar os cus nos gabinetes ministeriais e as PPP com os salários dos trabalhadores.

O país já está na bancarrota, está quase à beira do colapso económico e aos poucos vai sendo conduzido a uma guerra civil.   Este governo de gente que se opôs ao PEC IV para promoverem a reformatação de Portugal contra a vontade dos portugueses, recorrendo à ajuda de gente duvidosa dos gabinetes do BCE, é incapaz de olhar os portugueses olhos nos olhos, explicar a verdadeira situação e discutir as soluções.

Em vez disso optam pela solução manhosa de atirar portugueses contra portugueses, ajudam a banca dizendo que todos os portugueses eram uns malandros e consumiram demais, cortam na Função Pública com o argumento falso de que ganham mais do que os outros, tentam tirar aos do sector privado para dar aos patrões através da TSU argumentando que os salários era excessivos, aumentam os impostos sobre o privado dando a culpa aos juízes do Tribunal Constitucional, despedem os pior remunerados porque (mesmo depois de um corte de 30%) ganham mais do que no sector privado, quando isso é mentira.

Cada medida promove o ódio de um grupo de portugueses em relação a outro grupo - os ricos odeiam os pobres, os pobres odeiam os ricos, os trabalhadores odeiam os juízes do TC, os funcionários públicos menos qualificados odeiam os mais qualificados, os do sector privado odeiam os funcionários e estes odeiam os do sector privado.   Todas as medidas deste governo, em vez de serem explicadas de forma económica, são justificadas promovendo o ódio entre grupos profissionais, sociais e até mesmo dentro de grupos.   Atiram-se trabalhadores contra patrões, sector público contra privado, novas gerações contra os mais idosos, os trabalhadores no activo contra os pensionistas.  
 
A política deste governo não resolveu um único problema, mas conduz o país a ritmo acelerado para um colapso social e, muito provavelmente, para uma guerra civil.
 
(Fonte: O Jumento) (Foto picada daqui) (Sublinhados deste blogue)