O Governo já tinha falhado por completo todos os objectivos do memorando, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.
O governo já estava com
dificuldades em "ir aos mercados", ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.
O Governo já estava a caminho de um segundo resgate, ANTES da decisão do
Tribunal Constitucional.
O Governo já estava em crise profunda, ANTES da decisão
do Tribunal Constitucional.
Todas as crises, económicas, sociais, e políticas já
estavam em pleno curso, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.
A decisão do Tribunal Constitucional acelera
todos estes processos mas não lhes deu origem. Nasceu deles. Nasceu de um
Governo que, apesar de prevenido - mil vezes prevenido - insistiu num Orçamento
de Estado assente em medidas ilegais. Bateu no peito cheio de ar e vento,
insultando o Deus dos Trovões e levou com um raio em cima.
O tom revanchista que o governo e os seus defensores assumem depois da
decisão do Tribunal Constitucional - do género "ai não quiseram isto, pois vão
levar com muito mais" - mostra o carácter punitivo que está presente na
política da coligação desde o início. A cada revés, e todas as semanas há um
grave revés, vêm novas ameaças e castigos, em vez de admissão de erros e
inversão de caminhos. Como este tom punitivo é dos que melhor "comunica" com
toda a gente, mesmo sem precisar de agências nem assessores, o governo está mais
uma vez a semear ventos e a colher tempestades.
Há várias coisas que nunca se devem esquecer: esta gente é vingativa e não
se importa de estragar tudo à sua volta para parecer que tem razão. Já nem
sequer é por convicção, é por vaidade e imagem.
Outra coisa, ainda mais complicada, que também
não deve ser esquecida: o governo considera bem-vindas as ameaças da troika. São
a chantagem que precisam, pedem e combinam. Não são uma voz alheia, nem dos
"credores", nem da troika, nem de ninguém, são o autofalante agressivo que o
governo necessita para tornar a sua política inquestionável e servir de ameaça a
todas as críticas.
E por último, e não é de menos, esta gente é
perigosa e, na agonia, muito mais perigosa ainda.
A propósito do despacho do ministro Vítor Gaspar de 8 de Abril que pára o funcionamento do estado português, atribuindo essa decisão ao Tribunal Constitucional, o governo entrou numa guerra institucional dentro do estado, em colaboração com a troika, para abrir caminho a políticas de duvidosa legalidade e legitimidade baseadas no relatório que fez em conjunto com o FMI.
Não conheço nenhum motivo mais forte e justificado para a dissolução da Assembleia da República por parte do Presidente do que este acto revanchista contra os portugueses.
A propósito do despacho do ministro Vítor Gaspar de 8 de Abril que pára o funcionamento do estado português, atribuindo essa decisão ao Tribunal Constitucional, o governo entrou numa guerra institucional dentro do estado, em colaboração com a troika, para abrir caminho a políticas de duvidosa legalidade e legitimidade baseadas no relatório que fez em conjunto com o FMI.
Não conheço nenhum motivo mais forte e justificado para a dissolução da Assembleia da República por parte do Presidente do que este acto revanchista contra os portugueses.
(José Pacheco Pereira, no ABRUPTO) (sublinhados deste blogue)
(No programa "Quadratura do Círculo" - SIC Notícias, em 09/Abr/2013)
















