sexta-feira, 22 de março de 2013

Ai este País ainda vai tornar-se um imenso cagaçal !!!

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Sócrates,  uma prenda para Seguro...
 
«Miguel Relvas deve estar a esfregar as mãos de contente com este golpe "genial":    a RTP vai ajudar a dividir o PS.    Ora isto é o melhor que podia acontecer a António José Seguro.    Daqui para a frente basta mostrar todos os dias que é o contrário de Sócrates.    Isso chega e sobra.    As pessoas podem estar fartas de Passos Coelho mas continuam fartas de Sócrates.    Seguro tem aqui a sua grande oportunidade:    dividir o PS, esquecer unanimidades e cortar de vez com o passado.    Daqui por uns meses vão perceber o que eu quero dizer.»
(Por Ricardo Costa, In Expresso)

«José Sócrates (como António José Seguro reconheceu) tem todo o direito a comentar o que quiser onde quiser e a fazer ele próprio a defesa dos seus anos como primeiro-ministro.
Mas a RTP (que tem o direito a contratar quem quiser) sabe muito bem que não foi buscar um comentador político para “alavancar as audiências”.    Contratou (a custo zero) um jogador que vai fazer marcação homem a homem ao seu sucessor à frente do PS.    Para alívio do Governo, que anda a precisar de oferecer ao povo novas distracções que o façam esquecer a ressaca dos vinhos de Chipre.
 
Entramos assim na cena do ódio.    Ou dos ódios.
 
José Sócrates sabe que muitos portugueses continuam a odiá-lo e vão fazer subir as audiências da RTP com um cesto de tomates podres ao pé do ecrã.    O Governo também sabe (e se calhar acredita que José Sócrates não sabe).
Mas Passos Coelho (um primeiro-ministro que nunca foi comentador de televisão) ainda não está há dois anos no cargo e já é muito mais assobiado do que alguma vez José Sócrates foi
(Por Miguel Gaspar, In Público)


Entretanto, cresce a cada hora o número de signatários que assinam a petição que rejeita a presença de Sócrates na RTP...

Pode até ser polémico... mas está uma maravilha!

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A marca de alta costura Louis Vuitton está a usar um filme promocional pouco convencional para promover a sua nova coleção.    A campanha foi largamente criticada pela associação francesa de defesa dos direitos das mulheres, Osez le Féminisme, por oferecer uma "uma visão glamourosa da prostituição" e poder ter repercussões negativas.
 
A Louis Vuitton não quis comentar o assunto até ao momento, ao contrário de Marc Jacobs, diretor criativo da marca, que também aparece no vídeo, garantindo que a intenção da marca nunca foi apoiar a pornografia.
"É um vídeo perturbador porque associa universos completamente diferentes, o luxo da alta costura e um outro muito mais doloroso, o da violência sexual. No entanto a nossa intenção nunca foi ressuscitar a ideia do porno chique dos anos 60", explicou Jacobs.    (Daqui)





quarta-feira, 20 de março de 2013

CHIPRE - Depois da Islândia, mais uma lição de democracia aos miseráveis "donos" da Europa!

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O direito à indignação

 
O Parlamento cipriota rejeitou sem um único voto a favor a chantagem imposta pelo Eurogrupo.   É inacreditável como uma conferência de Ministros de Finanças estrangeiros se outorga o direito de dar este tipo de ordens a um Estado membro da União.   E isto com com a complacência dos parlamentos dos respectivos países.   Passou-se da guerra tradicional, com a respectiva ocupação do território, à mais violenta forma de luta, que é a do jugo financeiro. 
 
Seja o que for que daqui resulte – e pode temer-se o pior – houve, finalmente, um Parlamento que não aceitou ser fantoche de Ministros estrangeiros reunidos em conferência telefónica.   Chipre merece, nesse campo, o nosso respeito.
 
Esta decisão do seu Parlamento pode lançar o país na bancarrota e implicar a sua saída do euro.   Mas não deixa de ser um gesto de liberdade de quem não quer ser acorrentado e constitui, goste-se ou não, um rombo no monstruoso porta aviões em que se transformou esta União Europeia.   Seja o que for que venha a acontecer, a verdade é que, depois disto, nada poderá ficar como dantes. 
 

terça-feira, 19 de março de 2013

"FOMENTAR O ÓDIO" - a única e grande estratégia deste governo!

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O  Ódio

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A estratégia é manhosa e inteligente, digna de gente como Passos Coelho, Miguel Relvas ou Gaspar:  atirar portugueses contra portugueses.  
 
Depois de os cortes na Função Pública terem gerado mais recessão do que resultados, aumentaram brutalmente os impostos sobre todos;   como esta estratégia conduziu a um défice colossal dizem agora aos do sector privado que fiquem descansados, os sacrificados serão os malandros dos funcionários públicos.   O ridículo é que ignoram o impacto sobre o desemprego e sobre o consumo e até têm lata para dizer que acabou a austeridade.   O Frasquilho até vem dizer que a austeridade se limitará ao Estado, mistura-se o preço do papel higiénico para limpar os cus nos gabinetes ministeriais e as PPP com os salários dos trabalhadores.

O país já está na bancarrota, está quase à beira do colapso económico e aos poucos vai sendo conduzido a uma guerra civil.   Este governo de gente que se opôs ao PEC IV para promoverem a reformatação de Portugal contra a vontade dos portugueses, recorrendo à ajuda de gente duvidosa dos gabinetes do BCE, é incapaz de olhar os portugueses olhos nos olhos, explicar a verdadeira situação e discutir as soluções.

Em vez disso optam pela solução manhosa de atirar portugueses contra portugueses, ajudam a banca dizendo que todos os portugueses eram uns malandros e consumiram demais, cortam na Função Pública com o argumento falso de que ganham mais do que os outros, tentam tirar aos do sector privado para dar aos patrões através da TSU argumentando que os salários era excessivos, aumentam os impostos sobre o privado dando a culpa aos juízes do Tribunal Constitucional, despedem os pior remunerados porque (mesmo depois de um corte de 30%) ganham mais do que no sector privado, quando isso é mentira.

Cada medida promove o ódio de um grupo de portugueses em relação a outro grupo - os ricos odeiam os pobres, os pobres odeiam os ricos, os trabalhadores odeiam os juízes do TC, os funcionários públicos menos qualificados odeiam os mais qualificados, os do sector privado odeiam os funcionários e estes odeiam os do sector privado.   Todas as medidas deste governo, em vez de serem explicadas de forma económica, são justificadas promovendo o ódio entre grupos profissionais, sociais e até mesmo dentro de grupos.   Atiram-se trabalhadores contra patrões, sector público contra privado, novas gerações contra os mais idosos, os trabalhadores no activo contra os pensionistas.  
 
A política deste governo não resolveu um único problema, mas conduz o país a ritmo acelerado para um colapso social e, muito provavelmente, para uma guerra civil.
 
(Fonte: O Jumento) (Foto picada daqui) (Sublinhados deste blogue)
 
 
 

Merkel - O nazismo escondido debaixo das saias!

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Ainda a propósito de Chipre...


A Alemanha domina de novo a Europa e até criou os seus novos judeus:  - os povos dos países do Sul, gente sem préstimo, indolente, calaceira, devedora e má pagadora, que o que quer é espanejar-se na praia, gozar o Sol, amante de putas e vinho verde.   
 
E, tal como nos anos 30 do século passado, governos e governantes agacham-se, acagaçam-se, lambem as botas cardadas da besta germânica, agora disfarçada com saias, cabeleira loura, casacos de múltiplas cores e um bigodinho desmaiado a água oxigenada.   Os pequenos Chamberlain são como coelhos, estão por todo o lado, correm atrás das cenouras que Merkel lhes atira da tribuna imperial, copulam conspiratas, expelem bravatas.

Enquanto isso, os gregos vivem num autêntico cenário de guerra.   Os portugueses, os italianos e os espanhóis para lá caminham.   A fome grassa como uma praga mortal.   O desemprego, a indigência, a pobreza extrema são o pão nosso de cada dia, ou a falta dele.   Só ainda não vieram as bombas, os tanques, os campos de concentração, mas, por este andar, cá chegarão.  
 
E muitos aplaudem os nazis travestidos de democratas.   Na Grécia, a Aurora Dourada resplandece no parlamento.   Um pouco por toda a Europa, a extrema-direita propaga-se, agride, mata.   Na Áustria, mais de metade dos autóctones acha que o partido nazi, se fosse outra vez legalizado, seria o mais votado em eleições;   42% consideram que "a vida não era assim tão má no tempo de Hitler";   39% julgam possível uma nova onda de anti-semitismo na Europa.
 
Só que, desta vez, os judeus serão outros.   Nós.
 
(Fonte:  Quatro Almas)
 
 

domingo, 17 de março de 2013

O ROUBO NOS DEPÓSITOS - a nova moda inaugurada pelo Eurogrupo no Chipre!!!

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Imposto sobre depósitos pode matar a economia do Chipre
 
 
A decisão inédita da União Europeia (UE) de impor uma taxa sobre os depósitos bancários no Chipre, em troca do resgate financeiro, pode matar a economia do país, um importante centro financeiro, de acordo com analistas do sector.
 
 
"As consequências podem permanecer no longo prazo", considera Fiona Mullen, uma analista económica especialista no Chipre, ouvida pela agência noticiosa francesa AFP.
Segundo acrescentou, "os serviços financeiros e comerciais são os únicos sectores que geram emprego e receitas fiscais", e estes arriscam-se a sofrer uma dupla penalização, tanto por via da taxa sobre os depósitos bancários, como pelo aumento do IRC.
 
Os países da zona euro obrigaram o regime de Nicósia a instaurar uma taxa excepcional de 6,75% sobre todos os depósitos com valores inferiores a 100 mil euros, e de 9,9% para os depósitos que excedem os 100 mil euros, retendo ainda os juros que normalmente seriam pagos por estas aplicações.     O Chipre aceitou ainda aumentar o imposto sobre as empresas de 10 para 12,5%.
 
Os activos bancários no Chipre são oito vezes maiores que o Produto Interno Bruto do país, onde estão instaladas muitas sociedades 'off-shore', que têm beneficiado do baixo nível de impostos.
Para o vice-presidente do instituto de especialistas em contas públicas, Marios Skandalis, "existe um risco real que isto seja uma sentença de morte do Chipre como centro financeiro e centro de confiança".   Estas medidas, disse o especialista, "afectam um sector muito importante da economia cipriota e acabará por ter um efeito negativo sobre o PIB", lembrando que em causa está também "uma importante fonte de receita" do Estado cipriota.
 
Hubert Faustmann, um analista político alemão no Chipre, considera que esta tributação dos depósitos é, no fundo, uma experiencia, com benefícios e consequências imprevisíveis, e que se por um lado vão agradar a opinião pública alemã porque obrigam aqueles que têm beneficiado do estatuto de paraíso fiscal da ilha para pagar menos impostos e para lavagem de dinheiro a pagar o que devem, também terão graves consequências para a população.    "Estas medidas também vão afectar toda a população e podem matar a economia da ilha" , afirmou.
 
O economista George Thecharides, numa entrevista ao canal TV Sigma, considera que "as consequências não são apenas más para o Chipre, mas também para outros países da zona do euro", disse.   No entanto, a opinião dos analistas sobre o sentido da votação no parlamento sobre o resgate e as medidas que este implica vai no mesmo sentido.   "Eles não podem alterar o texto. É um voto a favor ou contra, e votar contra, significa a falência", disse Hubert Faustmann.
 
(Por Lusa - In Notícias ao Minuto - 17 Março 2013) (sublinhados deste blogue)
 
 

sábado, 16 de março de 2013

Gaspar - Quando a incompetência é tanta que não lhe deixa ver o óbvio - a DEMISSÃO !

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Finito
 
Num tom de jubilosa serenidade, o dr. Vítor Gaspar decidiu informar os portugueses que o esplêndido programa congeminado, com desvelo, com a troika ruiu com estrondo, arruinando, pelo caminho, milhares e milhares de portugueses.  
Ao fim de dois anos, o aluno disciplinado, determinado a ir além do que lhe era exigido, falhou todas as previsões e não conseguiu atingir um único dos seus objectivos.   O défice não foi cumprido, o desemprego disparou, as receitas fiscais diminuíram, o consumo interno encolheu drasticamente e as previsões sobre recessão, essa cereja em cima do bolo, sobem sempre que o ministro das Finanças abre a boca sobre tão escaldante matéria.  
 
No Orçamento do Estado surgiu o auspicioso número de um por cento.   Dois meses depois, o Orçamento foi à vida e o ministro, sem qualquer sobressalto, duplicou o valor da recessão.   Agora, já vamos em 2,3 por cento e o dr. Vítor Gaspar, respaldado no seu imenso prestígio externo, diz-nos apenas que vamos no bom caminho e que o governo não pediu mais tempo nem mais dinheiro.   Naturalmente, não se dignou explicar o que tinha corrido mal, nomeadamente nos últimos dois meses, que o levou a esta pirueta macroeconómica.   O mundo mudou, como acontecia, com frequência, nos velhos tempos do eng.º Sócrates?   Talvez.
 
A incompetência atinge proporções drásticas no que toca ao desemprego.   Se há pouco mais de dois meses, o governo anunciava que o seu valor em 2013 iria ser de 16,4, agora o esfíngico ministro das Finanças informa--nos que este poderá chegar aos 19 por cento.   O quadro adensa-se para 2014, ficando por explicar como é que com um crescimento anémico nos próximos anos (se tal acontecer, claro), é possível diminuir estes valores.    Pormenores!
 
Como seria de esperar, face a estes números catastróficos, o governo não desarma:   o ajustamento é para continuar, com mais doses de austeridade, com os famigerados cortes de 4 mil milhões de euros e o mais que for necessário para tapar os inúmeros desvios das contas do ministério das Finanças.   Como, aliás, sempre disse, os cortes provisórios passam a permanentes e a queda dos impostos que se seguiria aos cortes no Estado não vai acontecer.  
 
O adiamento do défice para mais um ano não é, como alguns entusiastas se apressaram a proclamar, uma vitória do governo, mas sim a perfeita confirmação do seu absoluto falhanço.   Perante isto, e como seria natural, o primeiro-ministro não parece disposto a retirar qualquer consequência dos estrondosos erros da sua política.   Nem a nível económico.   Nem sequer a nível político:   num país normal, o dr. Vítor Gaspar seria expeditamente corrido por triste e má figura, depois de ter falhado gloriosamente em tudo o que se propôs.
 
Como nota de rodapé, o PSD descobriu agora que o programa de ajustamento foi “mal desenhado”, com projecções e efeitos que não tinham qualquer adesão à realidade.   Depois de ter andado, durante dois anos, a tecer loas ao programa, considerando mesmo que era necessário ir mais longe nas tais projecções e efeitos.   Curioso, para dizer o mínimo.
 
(Por Constança Cunha e SáIn Ionline -16 Mar 2013) (sublinhados deste blogue)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Os "eternos jovens" e o destino a que foram condenados! Sem culpa!

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Os 'homens que nunca foram meninos' e as 'meninas que já nasceram mulheres' trabalharam duro para que os seus filhos nunca fossem o que hoje são - os eternos "jovens" - com toda a carga negativa da frustração daqueles e do desespero destes.  
É que, pelo meio e para que tamanha desgraça acontecesse, se interpôs uma nova casta de políticos, uma raça especial de pulhas e de escroques capazes de juntar, como só eles sabem, a incompetência e a corrupção nas doses fatais que hoje conhecemos por toda a Europa e, duma maneira mais acentuada, neste nosso Portugal.

A este propósito, vale a pena ouvir com atenção o depoimento de uma "jovem" de 37 anos - Joana Manuel, atriz -  na Conferência Nacional  "Em Defesa de um Portugal Soberano e Desenvolvido", em 23 de Fevereiro de 2013 no auditório da Faculdade de Ciências de Lisboa.





terça-feira, 12 de março de 2013

Passo a passo, Portugal está a viver em paralelo toda aquela "tragédia grega"

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Subitamente...  deixámos de ouvir falar da Grécia.   Subitamente...  toda a imprensa, rádios e televisões deixaram de dar notícias da Grécia e dos gregos.   Será que está tudo bem por lá?...   Ou será que um "muro invisível" se ergueu e isolou a Grécia do resto do mundo, como se de um parente leproso se tratasse?... 

Ou será antes que Portugal está a seguir, passo a passo, toda aquela "tragédia grega", e também sobre nós irá erguer-se o mesmo "muro da vergonha"?   A dura verdade é que as semelhanças e o paralelismo são arrepiantes.   E cá, como lá, não há fim à vista!!!   E cada vez menos!!!




A catástrofe grega:   "Progresso económico" construído sobre bases políticas podres
 
 
As três gerações de trabalhadores gregos


Quando a Grécia entra no sexto ano da pior depressão económica da Europa, com 30% da sua força de trabalho desempregada e mais de 52% da sua juventude sem emprego, todo o tecido social está a dilacerar-se;   a taxa de suicídios está a disparar e cerca de 80% da população caminha para o declínio.   As relações de família e inter-geracionais sofrem impacto profundo;   certezas anteriores evaporaram-se.   Incertezas, medo e cólera inspiram protestos em massa diários.   Mais de uma dúzia de greves gerais levaram os gregos, desde alunos da escola secundária até octogenários, a uma luta desesperada para conservar os últimos resquícios de dignidade e sobrevivência material.

A União Europeia e os colaboradores gregos pilharam o tesouro, cortaram empregos, salários e pensões, executaram hipotecas de habitações e elevaram impostos.   Os orçamentos familiares contraíram para a metade ou um terço dos seus níveis anteriores.

Num crescente número de famílias, três gerações estão a viver sob um mesmo tecto, mal sobrevivendo das pensões em redução dos seus avós: algumas famílias à beira da indigência.   A prolongada – nunca acabada e a piorar – depressão capitalista provocou uma ruptura profunda no ciclo de vida e nas experiências de viver de avós, pais e filhos.   Este ensaio será centrado nos avós, pais e filhos devido a maior familiaridade com as suas experiências de vida.

A ruptura inter-geracional pode ser melhor compreendida no contexto das "experiências de vida" contrastantes de três gerações.   O foco será sobre as experiências de trabalho, política, família e lazer.

Os avós
A entrada na União Europeia e o influxo em grande escala de "fundos de coesão social" levou a uma expansão do emprego no sector público e a um agravamento do clientelismo dos partidos políticos, estendendo-se bem além do existente em regimes de direita tradicionais.

Segurança de emprego, pensões e aumentos de indemnizações em caso de demissão criaram uma força de trabalho relativamente segura e estável excepto nos sectores manufactureiros, os quais foram prejudicados pelas importações dos "parceiros" mais industrializados da UE.

Os avós aderiram aos sindicatos, seus líderes negociaram salários e melhorias nos locais de trabalho e eles enfrentavam o futuro com relativo optimismo.   Uma reforma confortável, filhos mais bem educados, um modesto apartamento pago à vista e um pequeno automóvel.   Consideravam daí em diante desfrutar o tempo de lazer com a família, amigos e vizinhos.   Ou assim parecia na corrida para a Catástrofe Grega de 2008.

O  progresso económico da Grécia foi construído sobre fundamentos apodrecidos – sobre empréstimos da UE que foram assegurados através de contas fraudulentas, de um tesouro público pilhados por cleptocratas de dois partidos e por "investimentos" públicos improdutivos em grande escala, actividades clientelistas com "parceiros" de negócios corruptos.   Numa palavra, os "anos dourados" da reforma confortável dos avós estavam baseados na ilusão de que um meio século de trabalho e avanços sociais traduzir-se-iam numa respeitável vida digna.

Os pais
Os pais nasceram urbanos, melhor educados que os avós e altamente influenciados pelo espírito de consumo que permeava a Grécia.   Eles entraram no mercado de trabalho no princípio da década de 1990.   Viam-se como mais "europeus", menos nacionalistas, tinham menos consciência de classe e estavam menos envolvidos em lutas sociais do que a geração anterior.   O interesse no desporto e em celebridades e o seu próprio avanço social impediam qualquer empenhamento nas grandes lutas sociais dos avós.   Eles experimentavam elevações salariais através de negociações do topo para a base.   Não davam qualquer atenção ao grotesco enriquecimento da cleptocrática elite política socialista e ignoravam as dívidas crescentes, tanto pessoais como públicas, que "financiavam" suas férias além-mar, a segunda casa e os carros alemães importados.   Pagavam generosamente explicadores para prepararem seus filhos para o exame de entrada na universidade.   O seu futuro estava assegurado pelos sempre optimistas dados (falsificados) do governo e as avaliações positivas de peritos da UE.   Os sindicatos e associações empresariais centravam-se exclusivamente nos aumentos correntes de salários, rendimentos, crédito barato e acesso aos mais recentes brinquedos tecnológicos.
Com o início da Catástrofe Grega, os pais perderam tudo – empregos, segurança social, casas, carros e férias.   Os "europeístas" entre eles subitamente tornaram-se críticos violentos dos euro banqueiros – "a Troika" –, os quais determinavam que os pais deveriam sacrificar tudo o que possuíam a fim de salvar os dominadores cleptocráticos, os evasores fiscais milionários e os banqueiros endividados.   A catástrofe económica gradualmente corroeu e finalmente estilhaçou a consciência consumista de "europeu moderno" dos pais da classe média e trabalhadora em processo de ascensão social.

Primeiro sofreram sucessivos cortes salariais e a então perderam sua segurança de emprego, seguida por despedimentos maciços com e sem indemnização.
Desalento, medo e incerteza foram seguidos pelo reconhecimento de que estavam a enfrentar o pelotão de fuzilamento financeiro.   Eles perceberam que estavam aprisionados numa queda livre sem fim.   Foram às ruas e descobriram que toda a sua geração e toda a sua classe fora erradicada e descartada.   Os pais descobriram que eram inúteis e tinham de marchar e lutar para reafirmar a sua auto-estima.

Os filhos
A vasta maioria dos filhos está desempregada.   Mais de 55%, no princípio de 2013, nunca teve um emprego.   A cada dia e semana os seus números crescem quando famílias inteiras são empobrecidas e lares se desintegram.   O comparecimento à escola caiu, pois as perspectivas de emprego desaparecem e o espectro do desemprego a longo prazo em grande escala assombra a vida diária.   As perspectivas de estabelecimento de casais estáveis e novas famílias entre os jovens são não existentes.

Muitos, com quase 30 anos, nunca tiveram um emprego, nunca saíram da casa dos seus pais ou avós e não podem considerar um futuro casamento ou família.   A falta de experiência de trabalho significa uma falta de local de camaradagem e de sindicalização.   Em vez disso está a centralidade do informal, a solidariedade entre iguais.   As perspectivas de trabalho centram-se na emigração, atropelarem-se por um miserável biscate ou aderirem à luta.   Hoje eles vagueiam pelas ruas com cólera, desespero e frustração profunda.

 
Os avós:  a herança radical
Com o início da Catástrofe Económica em 2008 e os cortes sociais selvagens implementados pelo absolutamente inepto, corrupto e reaccionário George Papandreu Jr., os avós sentiram as primeiras ondas de choque de instabilidade e a ameaça de perderem suas pensões de reforma.   Em 2010, os avós abandonaram totalmente seu apoio ao PASOK.   Revelações de corrupção e o corte de pensões em 35% levaram os avós às ruas em protestos maciços.   Posteriormente, uma maioria votou pelo novo partido de esquerda SYRIZA.

Os avós fecharam o círculo.   A re-radicalização acompanhou o retorno do domínio autoritário da direita sob os ditames coloniais da Troika europeia.

Mas agora as pensões dos avós tinham de suportar três gerações. Mais uma vez, a busca de uma novo partido político é tão urgente quanto durante o período imediatamente após a queda da junta militar.

Os pais:  a política da mobilidade


Quando a crise económica os atingiu, os pais foram apanhados desprevenidos.   A princípio, eles racionalizaram isso, esperando que "a crise" fosse temporária, que novos empréstimos fluiriam para o resgate;   que eles – especialmente aqueles no sector público – não seriam afectados.   Como a Catástrofe prosseguiu, os pais abandonaram a sua apatia e indiferença.   Decisões políticas agora afectavam os seus salários, os seus benefícios sociais e a sua capacidade para pagarem as suas hipotecas e dívidas de cartões de crédito.   A conformidade cínica foi substituída, a princípio, pela incerteza e ansiedade.

Quando o regime PASOK reduziu o boom e terminou nos despedimentos maciços de trabalhadores do sector público e reduções salariais, os pais primeiro protestaram em vão junto aos "seus" líderes e então puniram-nos através da urna eleitoral.   A maior parte virou-se para a esquerda, juntando-se ao SYRIZA, na esperança de recuperar o passado assim como de construir um novo futuro socialista.

Os filhos:  a política de nenhum futuro


Os filhos chegaram à idade política sem terem experiência anterior de luta ou de mobilidade ascendente.   Eles estão cravados na base ou em descida perpétua.   Nunca tendo um emprego ou qualquer oportunidade, eles agem para afirmar a sua existência, a sua presença e a sua capacidade para actuar na sua vida diária contra a corrente após a onda de assaltos selvagens patrocinados pela UE.   Eles juntaram-se aos seus pais e avós nas enormes manifestações:   solidariedade inter-geracional.

Mas só eles carregam o fardo de nunca terem sido membros de um partido político ou sindicato e nunca terem experimentado "a boa vida".   Nunca receberam empréstimos ou favores políticos, mas deles se espera que agora sacrifiquem o seu futuro a fim de enriquecer os credores, os evasores fiscais e os cleptocratas.   A sua visão política radica no reconhecimento de que toda a classe política está apodrecida;   eles têm as suas próprias dúvidas acerca daqueles políticos que abandonaram o PASOK, juntaram-se ao SYRIZA e agora clamam serem os seus salvadores.

Eles viram as costas àqueles filósofos políticos académicos e jornalistas que falam uma linguagem e elaboram um discurso totalmente divorciado da sua experiência diária.
Alguns filhos acreditam que só aqueles que atiram um cocktail molotov podem trazer alguma luz temporária no túnel negro da sua vida diária.   Os filhos mais combativos empenham-se no combate de rua e aderem ao bloco negro.   Os menos audaciosos esquadrinham a Internet em busca de meios para se relocalizar, para emigrar. Raciocinam que seria melhor emigrar para os centros imperiais do que sofrer uma vida inteira nesta colónia devastada e pilhada.

Os maiores vigaristas não roubam um banco, eles possuem um – disse um estudante de filosofia numa multidão de filhos quando demonstrava como fazer um cocktail molotov.
Os filhos são um exército crescente de desempregados e amadurecem rapidamente.   Hoje estão dispersos.   Alguns querem sair – deixar a Grécia...   Mas a maior parte permanecerá...   Será que se organizarão e moverão para além da actual oposição eleitoral e moldarão um novo movimento radical rompendo com o apodrecido sistema eleitoral repressivo?
Poderão eles tornar-se os militantes de um novo movimento de resistência heróica?   Aquele cujo neto escalará as paredes do Parlamento e desafiará os colaboradores coloniais e os seus mestres da Troika.

Quem irá arvorar a bandeira de uma Grécia livre, independente e socialista?
(por James Petras 03/Março/2013)
(artigo completo em  http://resistir.info)
 

A indignação pode tornar-se violenta! ou, O autismo e o fanatismo deste execrável governo!

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Quem semeia ventos colhe tempestades
 
 
Os portugueses não vão esquecer-se, por muito tempo, da manifestação do dia 2 de março, um misto de profunda tristeza e de enorme desespero.   Como se Portugal estivesse para desaparecer do mapa e a Democracia, herdada do 25 de Abril - e do 25 de Novembro - se estivesse a perder definitivamente.
 
Realmente, o Governo, em silêncio absoluto, escondido, protegido pelos seus seguranças protetores, cheio de medo, recusa-se a ouvir os seus compatriotas, sem dizer uma palavra. Como se nada se tivesse passado.   O Povo e os milhares de desempregados empobrecidos e muitos obrigados a emigrar não contam nada para o Governo, que os ignora como se não existissem.
 
Ora, não há Democracia sem que o Povo se faça ouvir e o Governo - eleito pelo Povo - o respeite e oiça.   O atual Governo despreza e ignora o Povo, procede sem ter em conta a sua voz - nem sequer a do Presidente da República - porque só tem obedecido aos tecnocratas da troika, aos mercados comandados por magnatas mais ou menos anónimos e - faça-se-lhes essa justiça - à senhora Merkel.
 
Portugal é, há muitos séculos, um país independente - dos mais velhos da Europa, com as mesmas fronteiras - e está, com o atual Governo, a perder a independência, tornando-se um protetorado dos mercados usurários e dos tecnocratas da troika.   Alguém sabe donde vêm?   De quem dependem?   E quem são?   Poderia ser de outra maneira?   É claro que podia, se o Governo não fosse um fiel da austeridade e não ignorasse a recessão e o flagelo do desemprego, ao contrário do que prometeu na campanha eleitoral.
 
Resultado: o Governo - sob a tutela do ministro das Finanças - falhou sempre, enganou-se em tudo e continua a falhar.   E Passos Coelho - para não falar do seu grande amigo, o falso doutor Relvas - não tem qualquer estratégia e continua todos os dias a empobrecer o País e a vender a retalho - e mal - o nosso património.   Sem que se saiba - diga-se - para onde vai o dinheiro.   Porque o Governo cala-se e não comunica com os portugueses, mesmo os mais abastados.
 
Sabemos que a crise financeira, económica, ética e política é gravíssima e muitos Estados da Zona Euro têm vindo a perder o norte.   Dou um exemplo:   as taxas de desemprego:   26,2% em Espanha, 25,4% na Grécia e em Portugal já passámos os 17%.   Mas, atenção, prevê-se que em Portugal, em fins de 2013 - se o Governo lá chegar, o que não acredito -, aumente ainda mais.

A verdade é que todas as previsões do Governo não só são, em absoluto, contrárias às promessas eleitorais, como todas têm sempre sido revistas em baixa:   PIB, desemprego, consumo, investimento e o mais que se sabe.   E ainda vão continuar a falhar em 2013, se o Governo não cair antes, como espero.
 
Há hoje 930 mil desempregados e 200 mil chamados inativos, que nem sequer entram nas estatísticas.   Mas não esqueçamos os cem mil emigrantes anuais que nos estão a abandonar.   O investimento político e privado - note-se - está também a descer, significativamente, bem como as exportações.   Tudo vai mal.   E o mês de março não vai ser nada fácil.
 
Lembremo-nos que o Tribunal Constitucional ainda não se pronunciou.   Tem tardado.   Mas não creio que deixe passar imune o "roubo" das pensões e da sobretaxa, o que, a acontecer, deita abaixo, nesses pontos, o Orçamento.
   
Ficará o Governo a gozar do silêncio, como fez em 2 de março?   Não creio que a sua vergonha vá tão longe.   Porque se assim for, a indignação pode tornar-se violenta.   Não gostaria nada que tal acontecesse.   Mas quem não ouve e não tem controlo, como o Governo, sujeita-se a tudo.    Como diz o Povo, quem semeia ventos, colhe tempestades...
 
(Por Mário Soares, In DN de 12/03/2013) (Sublinhados deste blogue)
 
 

domingo, 10 de março de 2013

Os demónios de uma guerra europeia estão apenas a dormir!

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O primeiro-ministro do Luxemburgo e ex-chefe do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, acredita que a crise europeia pode resultar numa futura guerra, segundo a revista alemã Der Spiegel.

 
«Quem acredita que a eterna questão da guerra e paz na Europa não pode voltar a ocorrer, está completamente errado.   Os demónios não desapareceram, estão apenas a dormir, como foi demonstrado pela guerra na Bósnia e no Kosovo», disse, comentando os efeitos da crise sobre a sociedade.
 
«A maneira como alguns políticos alemães se têm referido à Grécia, um país severamente atingido pela crise, deixou feridas profundas na sociedade helénica.   Da mesma forma, assustou-me ver manifestantes em Atenas dar as boas-vindas à chanceler alemã, Angela Merkel, envergando uniformes nazis.   De repente ressurgem ressentimentos que se pensava terem ficado completamente para trás.   Também a campanha eleitoral italiana foi excessivamente anti-alemã e anti-europeia», disse na entrevista à revista.
 
Juncker lembrou novamente a importância de estarem todos juntos:   «É a única oportunidade de não ficarmos de fora do mundo.   Os chefes de governo da França, Alemanha e Grã-Bretanha estão conscientes de que a sua voz apenas é ouvida internacionalmente porque é transmitido através do megafone da União Europeia», frisou.
 
Olhando para as recentes eleições italianas, o ex-chefe do Eurogrupo considera que o resultado não pode ser interpretado principalmente como um voto contra o euro e as reformas políticas europeias.
«Beppe Grillo é principalmente um crítico da classe política do seu país.   Silvio Berlusconi prometeu baixar os impostos aos cidadãos.   O partido que se posicionou em Itália fortemente contra o euro foi a Liga do Norte, que perdeu muitos votos», disse.
 
Reiterou ainda que não há outro caminho a não ser uma sólida política orçamental, por mais impopular que possa ser.
«Não se pode fazer uma má política só pelo medo de não ser reeleito novamente.   Quem governa deve assumir a responsabilidade pelo seu país e pela Europa», acrescentou.
 
(Fonte:  Diário Digital)
 

terça-feira, 5 de março de 2013

Prolongar o pagamento?! - nada de mais... nem sequer para agradecer!

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A memória da Alemanha é curta!

Albrecht Ritschl, professor universitário e investigador ligado ao departamento de História Económica da London School of Economics, entrevistado pela Der Spiegel, recorda que no século passado o governo germânico ficou insolvente três vezes e só foi salvo pelos EUA e pelos países europeus que aceitaram desistir de pedir reparações pelos prejuízos das guerras e ocupações.
 
A Alemanha hoje é apontada como um exemplo de estabilidade e prosperidade económica, mas os seus governantes parecem sofrer de memória curta, acusa o historiador, que lembra que essa estabilidade não existiria se não fossem os Estados Unidos, que lhe entregaram vastas somas de dinheiro, tanto depois da Primeira como da Segunda Guerra Mundial.   E também graças aos países contra os quais desencadeou uma guerra de aniquilação e extermínio e lhe perdoaram depois, totalmente ou em grande parte, as reparações de guerra.   Sem isso, o Wirtschaftswunder, o “milagre alemão”, não teria ocorrido.
 
Depois da II Guerra, iniciada por Berlim e conduzida como guerra de extermínio, os EUA, mais uma vez, deram passos para que não se repetisse a mesma situação do pós-Primeira Guerra e, assim, com poucas excepções, todos os pedidos de reparações por parte dos países ocupados e arrasados foram deixados de lado até que se verificasse a reunificação alemã.   Esta foi, recorda o economista, a base do milagre alemão.
 
Tudo isto ficou estabelecido no Acordo de Londres sobre as Dívidas Externas da Alemanha, de 1953.   Mas quando finalmente aconteceu a reunificação alemã, em 1990, o chanceler Kohl nem quis ouvir falar de reparações de guerra, apenas pagou aos prisioneiros forçados a trabalhar, e mesmo assim através de ONGs, para evitar a criação de precedentes.   “Foi um período de não-pagamento”, define o académico alemão.  (Esquerda.net)
 
Mas, revisitemos a História:
 
O Acordo de Londres de 1953

 
O Acordo de Londres de 1953 fornece um exemplo de alívio da dívida externa, vinculando o pagamento do desenvolvimento económico e as capacidades de exportação.   O acordo foi promovido pelos Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e outras nações, todos parecendo ter esquecido estes dias.

À primeira vista, poderia causar alguma surpresa o alívio da dívida obtido com o Acordo de Londres.   Ao renunciar à maioria de suas reivindicações contra a República Federal da Alemanha, as potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial ajudaram um país que, há apenas alguns anos atrás, havia atacado e parcialmente destruído os seus próprios territórios.   A partir de uma perspectiva realista, no entanto, este acordo representa, não tanto um gesto de reconciliação com um velho inimigo, mas antes uma decisão política friamente calculada.   Através do alívio da dívida, os países credores procuraram ajudar a economia e a população alemã para reconstruir o seu país, estabilizar a sua democracia e a participar no comércio mundial.   Foram estas motivações políticas que levaram à renúncia extensiva de reclamações não canceladas, uma renúncia que, apreciada a partir da perspectiva contemporânea, foi muito além do que é estritamente necessário.

Além disso, houve uma outra consideração que aumentou o interesse dos países credores para aliviar amplamente a proporção das dívidas:   as suas exigências sobre a Alemanha após a Primeira Guerra Mundial tinham sido uma das razões para a instabilidade económica da República de Weimar, um dos factores que facilitaram a ascensão do nacional-socialismo e da tomada do poder por Adolf Hitler.

O tamanho da dívida em 1952

Após a Segunda Guerra Mundial, parte das dívidas contraídas no pré-guerra pela Alemanha permanecia em grande parte sem ser cancelada.   Tais obrigações não canceladas eram compostas, principaçmente, pelos empréstimos privados, pelos empréstimos Young y Dawes contratados para pagar reparações, pelos empréstimos obtidos depois da guerra e pelos empréstimos derivados do Plano Marshall.

Nos primeiros anos após a guerra, a Alemanha não foi capaz de pagar as suas dívidas, uma vez que tinha sido atingida pela guerra e a sua indústria tinha sido parcialmente desmantelada.   Em 1951, foi possível organizar um cancelamento parcial das dívidas da guerra com as três potências ocidentais aliadas.

A fim de poder chegar a um acordo abrangente, que contemplasse a renegociação de todas as dívidas anteriores e posteriores à guerra, as dívidas com os governos e bancos privados e as dívidas contraídas com investidores privados, foi estabelecida uma conferência central em Londres, desde 28 de fevereiro a 8 de agosto de 1952, com uma pausa de seis semanas.   A duração destas negociações indica quanta energia foi utilizada para encontrar uma solução.   No evento estiveram representantes de 20 países credores, do Banco de Compensações Internacionais e dos credores privados.

Os Estados Unidos eram a potência que impulsava tacitamente as negociações.    Entre os seus objetivos encontrava-se o evitar qualquer bloqueio do acesso alemão ao mercado monetário internacional, e que se gerasse um debate permanente e crescente em torno das dívidas antigas.   Procurava-se também perpetuar a dependência alemã dos empréstimos públicos provenientes dos Estados Unidos
A Alemanha recebeu uma primeira grande concessão quando se fixou o valor total da dívida a ser renegociada:    29.700 milhões de marcos, dos quais 13.600 milhões correspondiam a dívidas anteriores à guerra e 16.200 milhões aos créditos contratados após a guerra.

Assim, antes do início das negociações, tentava-se aliviar a Alemanha de todos os juros e juros compostos acumulados desde a suspensão dos pagamentos em 1934 e 1939, respectivamente.    Estimativas modestas, com base em uma taxa de juros de 5,5 por cento, isso significava que, indirectamente, a Alemanha seria perdoada, pelo menos, em 14.600 milhões de marcos (Hersel 1997).   De acordo com a delegação alemã, só para pagar as suas dívidas antes da guerra, a Alemanha Ocidental teria que gastar um montante anual de cerca de 1.500 milhões de marcos.   E isso aparecia como intolerável.

O Acordo de Londres

Ao contrário da maioria das conferências sobre dívida feitas hoje, a Conferência de Londres não pretendia apenas encontrar uma solução temporária para os problemas de liquidez, mas também especificava que o plano de liquidação deveria:

-  Tendo em conta a situação económica geral da República Federal e os efeitos das limitações na sua jurisdição territorial, não se deveria atrapalhar a economia alemã através de efeitos adversos indesejáveis sobre a situação financeira interna.    Também não se deveria esgotar indevidamente os recursos alemães, existentes ou potenciais, decorrentes do comércio exterior.   O arranjo não deveria aumentar significativamente a carga financeira de nenhum dos três governos.

-  Organizar uma solução ordenada global, e assegurar um tratamento justo e equitativo de todos os interesses afectados.

Para atingir estes objectivos, a ênfase não estava na obtenção dos pagamentos mais altos possíveis, mas antes na garantia da solvência da República Federal da Alemanha e, portanto, no seu posterior desenvolvimento económico e político.

Em concordância com isto, os países credores fizeram amplas concessões.   No decurso das negociações, a Alemanha recebeu um alívio de 50 por cento das dívidas, antes e depois da guerra.    O restante da dívida chegou a 14,450 milhões de marcos.    Na verdade, esse valor foi reduzido ainda mais - "2.500 milhões de marcos não foram considerados com interesse;   5.500 milhões tinham uma taxa de juros que chegava aos 2,5 por cento e, para 6.300 milhões de marcos, foi estabelecido um juro que, em média, variou entre 4,5 e 5 por cento.    Os juros compostos não foram levados em conta.   

Tudo isso teve uma influência decisiva sobre o cálculo da dívida restante porque, na maior parte dos valores ainda sujeitos a negociação, os juros não pagos eram maiores do que o capital a amortizar.    Decidiu-se que, durante os primeiros cinco anos (1953-1957), seria suspenso o pagamento das dívidas:   a Alemanha só deveria pagar anualmente apenas os juros correspondentes a 567.200 milhões de marcos.   Entre 1958 e 1978, seriam feitos pagamentos anuais de 765 milhões de marcos.

Foi ainda estabelecido um tribunal de arbitragem para o caso da economia alemã recuperar menos rapidamente do que o esperado, e de que a sua incapacidade de pagamento produzisse conflitos.

Os Países credores estavam conscientes de que, para poder pagar as suas dívidas, a Alemanha deveria alcançar um superávit comercial.    Assim, e para ajudar nos seus esforços, os credores impulsionaram políticas de liberalização comercial.   O seu objetivo era o de "permitir que a Alemanha pudesse cobrir as suas obrigações somente através dos seus excedentes de exportação;    ficava fora de questão que poderia esperar-se que cancelasse as dívidas, através de uma punição permanente sobre as suas reservas monetárias".

Apesar das amplas concessões feitas pelos países credores, existiram muitas vozes alemãs que consideraram que o pagamento de impostos eram intoleráveis.   O resultado das negociações foi veementemente criticado.   Os pagamentos estavam abaixo de cinco por cento das receitas de exportação.   Mesmo em 1952, os pagamentos previstos pelo Acordo de Londres chegou a 3,35 por cento das receitas de exportação alemãs, que representavam 16.908 milhões de marcos.    Devido ao forte aumento das exportações alemãs, que em 1960 ascenderam a 47.952 milhões de marcos, e que em 1970 representavam 125.280 milhões, esse percentual poderia ter-se reduzido até abaixo de um por cento se a Alemanha não tivesse começado em 1953 a transferir anualmente mais dinheiro do que estava obrigada.    Assim, e para os anos 60, com a excepção de pequenas quantidades remanescentes, todas as suas dívidas foram reembolsadas ​​antecipadamente.

Propósitos e consequências

Em suma, pode-se argumentar que os efeitos do Acordo de Londres foram plenamente alcançados.    Ao contrário das estratégias utilizadas durante a República de Weimar, não se verificou uma paralisia da política económica alemã;   o país concentrou-se na reconstrução económica, em vez impedir ou mesmo de causar a sua incapacidade de cumprir com o pagamento de impostos.

As dívidas restantes eram suportáveis ​​para a Alemanha e, portanto, facilitaram um planeamento financeiro coerente.   A República Federal da Alemanha tornou-se um devedor previsível no mercado monetário global, obtendo facilmente novos empréstimos;   a sua moeda manteve-se estável e, a partir de 1958, era livremente convertível.   Finalmente, as empresas estrangeiras poderiam antecipar o futuro desenvolvimento económico e de investimento na reconstrução da Alemanha.


Face ao exposto, torna-se evidente que o Acordo de Londres desempenhou um papel importante na reconstrução da Alemanha.   Através de uma renúncia abrangente de dívidas e juros não pagos, o acordo deu-lhe uma nova oportunidade para a economia alemã.

(Por Friedel-Adams Hütz - aqui) (Tradução e sublinhados deste blogue)

(Outras leituras Aqui e Aqui)

domingo, 3 de março de 2013

Não é bom viver no Portugal onde reina o engano e a mentira institucionalizada!

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LIBERDADE, ONDE ESTÁS?   QUEM TE DEMORA?

(...)
Chamar a um novo plano de austeridade, o enésimo de há dois anos para cá, sempre precedido da mentira de que "não vai ser necessária mais austeridade", mais uma vez sobre os funcionários públicos, os pensionistas e os que precisam de serviços públicos de saúde, educação, e outros, essa coisa obscura e neutra de "medidas contingentes", não é também um insulto à nossa inteligência e, pior que tudo, uma ofensa aos que vão ser vítimas daquilo que o Governo chama "desvios na execução orçamental", ou seja erros?   A verdade, nua, bruta, cruel, dura, pétrea, é que cada vez que o Governo erra, há um novo plano de austeridade destinado a garantir que a mesma receita que falhou seja tentada de novo, com mais uns milhares de milhões retirados às pessoas, às famílias, à economia, para pagar uma obstinação, um beco sem saída ideológico, uma tese sem prova, uma abstracção intelectual, no fundo uma enorme vaidade sem perdão.   Sócrates deitou fora milhões e milhões mal gastos e perdulários, Passos Coelho deita fora milhões e milhões para um vazio de arrogância, ignorância e vaidade, sem melhorar o défice, aumentando a dívida, sem se ver qualquer utilidade.   Mas o dinheiro, antes como agora, foi para algum sítio.
 
E como aceitar o supremo insulto fruto de uma displicência que acaba por ser maldosa e arrogante, de se dizer que a recessão para este ano "aumenta de um ponto percentual", como se passasse de 35,4 para 36,4, quando passa de 35,4 para 70,8, usando estes números imaginários para se perceber a enormidade do "ponto percentual" que significa errar por 100%, duplicar por dois uma desgraça, que passa a ser o dobro do que era, ou seja uma pequena coisa, "um pequeno ponto percentual", como se fosse a coisa mais natural do mundo.
 
Os erros agora também se chamam "ajustamentos" e podem ser tidos apenas como a natural consequência da "dificuldade das previsões macroeconómicas", que se tem que ir "ajustando" mês a mês.   Mas os erros antes de serem "ajustados" acaso não foram instrumentos de combate político, fonte de afirmação de legitimidade, atirados contra todos os que suspeitavam da sua verdade e exequibilidade?   Não tem importância, encontra-se uma estatística qualquer que mostra que estamos no "caminho certo", mesmo que tudo esteja errado, e há sempre quem coma esta palha.
 
É tudo "ajustamento" porque os manipuladores das palavras entendem que, lá fora da sua janela do poder, tudo é plástico que se pode moldar, é tudo paisagem em que se pode plantar uma sebe alta para não ver o mais de um milhão de desempregados "em linha com o que estava previsto", e colocar os portugueses numa jaula de ratinhos a correr para fazer experiências.   E que tal cortar metade da comida a ver se eles se "ajustam" à "poupança" de só comer metade?   Trinta morrem, quarenta ficam doentes, vinte ainda têm gordura para aguentar.   Aguentam, aguentam, diz o tratador.   Excelente, ficam dez por cento, a "selecção natural" funcionou e deixou-nos com os mais fortes, os que se "ajustam", os "empreendedores".   Morreram alguns comidos pelos outros?   Não há problema, sempre há ratinhos "empreendedores" e que não são "piegas", e que mostram as virtudes do modelo.
 
No dia em que este Governo for corrido, pelo mesmo tipo de onda de rejeição que varreu o seu antecessor, só que agora do tamanho das ondas do Canhão da Nazaré, vai sair com a atitude daquele que diz:   o último a sair que feche a luz e a porta, porque já não é connosco, "queríamos mudar Portugal e não nos deixaram".   E irão para os seus lugares de acolhimento confortável, já pensados e preparados, sem temor e sem tremor.
 
No entretanto, estragaram Portugal com a mesma sanha do filósofo de Paris, numa situação que vai demorar décadas para ser consertada, se é que tem remédio.   Descaracterizaram o PSD como Sócrates fez ao PS, tornaram pestíferos os políticos em democracia e as instituições da democracia, destruíram a geração actual, a que tratam sobranceiramente como a dos "instalados" e querem desempregar para "ajustar" o preço da mão-de-obra, e hipotecaram a geração seguinte com a mesma antiga maldição da baixa qualificação, do provincianismo, do quotidiano de subsistência onde não há recursos para os bens materiais quanto mais para os "imateriais".
 
Vão deixar-nos na periferia da periferia, como um país eternamente assistido por uma Europa para quem pagar ao seu bom aluno são trocos desde que ele se porte bem.   Irá a troika, ficará o BCE, a Comissão Europeia e o Pacto orçamental.   Ficará um país medíocre e remediado, uma praia razoável para o Verão.   Deles vamos herdar uma enorme colecção de invejas e ressentimentos sociais, que dividirão os portugueses entre si, aumentando ao mesmo tempo a apatia e a violência social.
 
Não é bom viver no Portugal onde reina o engano e a mentira institucionalizada.   E não custa prever o futuro.   Está tudo nas palavras.
 
(Fonte e artigo completo:  José Pacheco Pereira, In ABRUPTO)
 
 

LIXO... «Um "ACORDO" inútil. Suspenda-se de imediato»

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1. Enquadramento da matéria

Discute-se a aplicação do acordo ortográfico de 1990 (AO90).   Este surgiu após várias tentativas goradas de unificação da ortografia de Portugal e do Brasil, desde o início do século passado.   Uma dessas tentativas conseguia uma unificação de praticamente 100% e mesmo assim não foi seguida por ambas as partes.

Ao fim de quase um século de deriva gradual, tentou-se então uma vez mais regressar à quimérica “unificação” com o AO90.   Esta não só não é conseguida com o presente “acordo” como as alterações propostas não colhem a aceitação dos especialistas.   Nem do lado de cá nem do lado de lá do Atlântico.   Daí que chamar-lhe “acordo” seja um abuso.   Este facto foi olimpicamente ignorado e prosseguiu-se na aplicação cega de uma completa inutilidade, recorrendo-se por diversas vezes nesta história a expedientes, no mínimo, duvidosos (para não lhes chamar uma verdadeira batota, de que é exemplo icónico o II Protocolo Modificativo) para levar esta empreitada em frente, sem que daí advenha qualquer vantagem para os utilizadores da língua.

Bastariam algumas questões elementares:

– Vem resolver alguma coisa?  (Não)

– Serve para alguma coisa?   (Não)

– Melhora a situação anterior?   (Não)

Não deveria ser preciso mais do que isto para ser evidente que o AO90 é um absurdo inútil, mas continuemos para os pontos seguintes.

2. Objectivos do Acordo Ortográfico

Unificação da língua:   não acontece

Simplificação da língua:   não acontece

Evolução da língua:   não acontece

3. Vantagens decorrentes da aplicação do Acordo Ortográfico

Não há.

4. Inconvenientes e problemas resultantes da aplicação do Acordo Ortográfico

a)  As “soluções” encontradas pelo AO90 para “resolver” as diferenças ortográficas podem sintetizar-se em:

- admissão de facultatividades naquilo que é irresolúvel (na prática, não só não resolve nada como aumenta a confusão)

- referência à “forma consagrada pelo uso” sem que esteja definido em lado nenhum o que está consagrado pelo uso e o que não está;   além de que quem está a aprender a língua não tem forma de adivinhar isso

- referência à “norma culta” (conceito já completamente ultrapassado) sem que esteja registada foneticamente em lado nenhum essa dita norma culta

- convergência do Pt-Br para o Pt-Pt: alteração de acentos/trema e hífenes

- convergência do Pt-Pt para o Pt-Br: alteração de acentos e hífenes, amputação de letras

- para obedecer ao critério da fonética, inventam-se formas novas para o Pt-Pt que, pasme-se, desunificam ao invés de unificar

- afirma-se reiteradamente a máxima de que “o que não se pronuncia não se escreve”, mas depois não se aplica: basta pensar em todas as palavras começadas por “h”, ou em todos os casos de “u” mudo a seguir ao “q”;   afinal é para seguir a fonética ou não?

b)  Com o AO90, há uma perda de informação irrecuperável.   Isto é comprovado pelo facto de não existir um “anti-Lince” que reponha o português na forma correcta (sem AO90).   Tal não é possível porque se perde, por exemplo, a distinção entre formas verbais de tempos diferentes (compramos/comprámos, chegamos/chegámos), a distinção entre “pára” e “para” e tantos outros exemplos.   É sempre possível passar de um texto sem o AO90 para um texto com o AO90, mas o inverso não é verdadeiro.

Desta perda de informação decorre uma menor clareza na leitura, ou seja, na transmissão da mensagem para o receptor.   Isto não é bom, útil ou minimamente desejável.   Os defensores do AO90 parecem centrar-se nas (alegadas) vantagens da escrita, esquecendo-se daquilo que é mais importante num texto escrito:   a sua leitura.

c)  Afirma-se que o AO90 “simplifica” a língua e ao mesmo tempo permitem-se duplas (ou quádruplas ou múltiplas) grafias, o que é uma contradição à própria noção de ortografia.   Ou seja, se, em vez de saber sem qualquer dúvida como se escreve “caracterizámos”, temos, em vez disso “caracterizámos/caraterizámos/caracterizamos/caraterizamos”, em que medida é que isto constitui uma simplificação?   Dir-se-ia antes que ficou quatro vezes mais complicado. Chamar a isto “ortografia” é um abuso.

d)  Com o AO90, em vez de assegurar a sobrevivência da língua, o que se está a verificar na prática é a contribuição para a extinção a passos largos do português de Portugal.   Com o AO90, este já está a ser completamente eclipsado, por exemplo, em qualquer pesquisa na Internet e desde logo em inúmeros “sites” de acervo e/ou repositório (a Wikipedia, por exemplo).   Experimente-se pesquisar “material elétrico” sem especificar que queremos páginas de Portugal e veja-se o que acontece.   Repita-se a experiência com “material eléctrico”.   Em que é que isto pode ser bom para as empresas portuguesas?

e)  Com o AO90, para “aproximarmos” o português de Portugal (Pt-Pt) do português do Brasil (Pt-Br), afastamo-lo das restantes línguas europeias;   não se vê qualquer vantagem daí decorrente, nem para os portugueses que queiram aprender outras línguas nem para os estrangeiros que queiram aprender português.   Qualquer professor competente consegue explicar as diferenças entre o Pt-Pt e o Pt-Br sem que isso constitua um obstáculo intransponível para quem aprende.   (Continua a ter de explicá-las, em qualquer dos casos, porque, mesmo que a ortografia ficasse igual – que não fica – a sintaxe e a semântica continuam a ser diferentes.)

a)  O AO90 altera, sim, a forma como as palavras se pronunciam.   Ouve-se até à exaustão o argumento da pharmácia/farmácia para justificar a “evolução” da língua, mas esses defensores do AO90 esquecem-se de que ao passar de “pharmácia” para “farmácia” não se alterou absolutamente em nada a forma como a palavra era lida.

Ao passar de “fraccionar” para “fracionar” altera-se, sim, inegavelmente, a leitura da palavra.   Ou de “espectador” para “espetador”, para dar um exemplo mais conhecido...

f)  Com o AO90, continua a ser necessário haver duas traduções, uma para o Brasil e outra para os restantes países de língua oficial portuguesa.   A necessidade de duas versões diferentes era apresentada como um dos principais motivos para a indispensável e propalada “unificação”.   Continua...  exactamente na mesma.

g)  Por causa do AO90, já houve gastos inúteis e incompreensíveis, nomeadamente no ensino e na administração pública, com a “nova” “ortografia”.   Mais grave ainda porque foram feitos sem que esta tivesse sido sequer definida com rigor (provavelmente porque é impossível definir-se com rigor aquilo que assenta em "regras" que o negam à partida).

h)  O documento de base do AO90 contém erros, ambiguidades, incongruências e parte de premissas falsas.   Contém opiniões (tão válidas como quaisquer outras...) e nem um único estudo científico que sustente o que é afirmado.   Há, pelo contrário, e como se sabe, muito mais pareceres negativos do que positivos (estes, aliás, no singular... porque só há um).   Além de isto ser academicamente inacreditável, um documento assim não tem qualquer credibilidade.   Não pode servir de base a coisa alguma e muito menos à ortografia de mais de duzentos milhões de pessoas.

h)  Uma vez que as “regras” do AO90 são sobretudo a consagração das excepções, há um fenómeno evidente de sobrecorrecção e de total confusão por parte de quem escreve.   Se muitas pessoas escrevem com o AO90 (em muitos casos, unicamente porque a isso são obrigadas), isso deve-se sobretudo ao facto de ser possível carregar num botão para transformar a ortografia automaticamente e não tanto porque saibam efectivamente aplicar a “nova” “ortografia” (uma vez mais, como saber aplicar aquilo que não tem regras claras?).   Isto, na prática, corresponde a um inegável analfabetismo funcional.

i)  Com o AO90, em vez de uma unificação, temos uma multiplicação de ortografias.   Em vez de Pt-Pt e Pt-Br, temos:   Pt-Pt, Pt-Br, AO90-Pt, AO90-Br e ainda o uso de critérios diferentes para o estabelecimento daquilo que se considera ser o AO90 em Portugal e no Brasil...   variações deixadas ao critério de cada um, porque o documento de base não é claro ou é omisso nas diversas possibilidades.   Porquê esta falta de clareza e esta omissão?   Porque as “soluções” apresentadas são uma farsa que na prática não resolve nada.

5. Proposta que apresenta

Suspensão imediata da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.   Obrigar milhões de pessoas a alterar a sua ortografia sem que isso sirva para alguma coisa de válido é de uma falta de senso indescritível.

Em vez de uma “unificação” ortográfica reconhecidamente impossível a esta altura, promovamos o intercâmbio cultural, científico e de oportunidades de trabalho entre todos os países de língua oficial portuguesa.   Reforcemos o ensino de Português no estrangeiro em vez de fecharmos leitorados.   Não é preciso unificar a ortografia para fazer nada disto e seria muito mais eficaz para a promoção da língua no mundo.   Existem mecanismos democráticos mais do suficientes para anular este erro colossal:   uma iniciativa legislativa de cidadãos pela revoção da RAR 35/2008  (o instrumento que forçou a entrada em vigor do AO90) ou uma iniciativa legislativa dos próprios deputados para o mesmo efeito.

6. Outras questões

Este acordo ortográfico não resolve nenhum dos alegados “problemas” que pretendia “solucionar”.   Baseia-se, além disso, num paradoxo fundamental:   procura unificar a língua utilizando ao mesmo tempo um critério, o da fonética, que torna automaticamente impossível a referida unificação, dadas as variadíssimas cambiantes de pronúncia entre os milhões de falantes da língua.   Partindo de premissas erradas é impossível chegar-se a conclusões correctas.   Ou válidas.

O AO90 nega a real evolução da língua portuguesa, fazendo de conta que esta não existiu.   A verdade é que o português de Portugal e o português do Brasil já se afastaram (sim, irremediavelmente – admitamo-lo de uma vez por todas) e estas duas variantes já não voltam a ficar iguais, nem que por acaso o AO90 conseguisse unificar a ortografia (que não consegue).   Não pode designar-se como “evolução”esta proposta lamentável e inútil de ortografia “unificada”.

Em conclusão, o “acordo” “ortográfico” de 1990 não é sério e não pode ser levado a sério. Suspenda-se de imediato a sua aplicação.
 
(Contributo de H. Castro - Lisboa)

(Fonte:  Fórum de Debate - Assembleia da República)