terça-feira, 12 de março de 2013

A indignação pode tornar-se violenta! ou, O autismo e o fanatismo deste execrável governo!

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Quem semeia ventos colhe tempestades
 
 
Os portugueses não vão esquecer-se, por muito tempo, da manifestação do dia 2 de março, um misto de profunda tristeza e de enorme desespero.   Como se Portugal estivesse para desaparecer do mapa e a Democracia, herdada do 25 de Abril - e do 25 de Novembro - se estivesse a perder definitivamente.
 
Realmente, o Governo, em silêncio absoluto, escondido, protegido pelos seus seguranças protetores, cheio de medo, recusa-se a ouvir os seus compatriotas, sem dizer uma palavra. Como se nada se tivesse passado.   O Povo e os milhares de desempregados empobrecidos e muitos obrigados a emigrar não contam nada para o Governo, que os ignora como se não existissem.
 
Ora, não há Democracia sem que o Povo se faça ouvir e o Governo - eleito pelo Povo - o respeite e oiça.   O atual Governo despreza e ignora o Povo, procede sem ter em conta a sua voz - nem sequer a do Presidente da República - porque só tem obedecido aos tecnocratas da troika, aos mercados comandados por magnatas mais ou menos anónimos e - faça-se-lhes essa justiça - à senhora Merkel.
 
Portugal é, há muitos séculos, um país independente - dos mais velhos da Europa, com as mesmas fronteiras - e está, com o atual Governo, a perder a independência, tornando-se um protetorado dos mercados usurários e dos tecnocratas da troika.   Alguém sabe donde vêm?   De quem dependem?   E quem são?   Poderia ser de outra maneira?   É claro que podia, se o Governo não fosse um fiel da austeridade e não ignorasse a recessão e o flagelo do desemprego, ao contrário do que prometeu na campanha eleitoral.
 
Resultado: o Governo - sob a tutela do ministro das Finanças - falhou sempre, enganou-se em tudo e continua a falhar.   E Passos Coelho - para não falar do seu grande amigo, o falso doutor Relvas - não tem qualquer estratégia e continua todos os dias a empobrecer o País e a vender a retalho - e mal - o nosso património.   Sem que se saiba - diga-se - para onde vai o dinheiro.   Porque o Governo cala-se e não comunica com os portugueses, mesmo os mais abastados.
 
Sabemos que a crise financeira, económica, ética e política é gravíssima e muitos Estados da Zona Euro têm vindo a perder o norte.   Dou um exemplo:   as taxas de desemprego:   26,2% em Espanha, 25,4% na Grécia e em Portugal já passámos os 17%.   Mas, atenção, prevê-se que em Portugal, em fins de 2013 - se o Governo lá chegar, o que não acredito -, aumente ainda mais.

A verdade é que todas as previsões do Governo não só são, em absoluto, contrárias às promessas eleitorais, como todas têm sempre sido revistas em baixa:   PIB, desemprego, consumo, investimento e o mais que se sabe.   E ainda vão continuar a falhar em 2013, se o Governo não cair antes, como espero.
 
Há hoje 930 mil desempregados e 200 mil chamados inativos, que nem sequer entram nas estatísticas.   Mas não esqueçamos os cem mil emigrantes anuais que nos estão a abandonar.   O investimento político e privado - note-se - está também a descer, significativamente, bem como as exportações.   Tudo vai mal.   E o mês de março não vai ser nada fácil.
 
Lembremo-nos que o Tribunal Constitucional ainda não se pronunciou.   Tem tardado.   Mas não creio que deixe passar imune o "roubo" das pensões e da sobretaxa, o que, a acontecer, deita abaixo, nesses pontos, o Orçamento.
   
Ficará o Governo a gozar do silêncio, como fez em 2 de março?   Não creio que a sua vergonha vá tão longe.   Porque se assim for, a indignação pode tornar-se violenta.   Não gostaria nada que tal acontecesse.   Mas quem não ouve e não tem controlo, como o Governo, sujeita-se a tudo.    Como diz o Povo, quem semeia ventos, colhe tempestades...
 
(Por Mário Soares, In DN de 12/03/2013) (Sublinhados deste blogue)
 
 

domingo, 10 de março de 2013

Os demónios de uma guerra europeia estão apenas a dormir!

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O primeiro-ministro do Luxemburgo e ex-chefe do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, acredita que a crise europeia pode resultar numa futura guerra, segundo a revista alemã Der Spiegel.

 
«Quem acredita que a eterna questão da guerra e paz na Europa não pode voltar a ocorrer, está completamente errado.   Os demónios não desapareceram, estão apenas a dormir, como foi demonstrado pela guerra na Bósnia e no Kosovo», disse, comentando os efeitos da crise sobre a sociedade.
 
«A maneira como alguns políticos alemães se têm referido à Grécia, um país severamente atingido pela crise, deixou feridas profundas na sociedade helénica.   Da mesma forma, assustou-me ver manifestantes em Atenas dar as boas-vindas à chanceler alemã, Angela Merkel, envergando uniformes nazis.   De repente ressurgem ressentimentos que se pensava terem ficado completamente para trás.   Também a campanha eleitoral italiana foi excessivamente anti-alemã e anti-europeia», disse na entrevista à revista.
 
Juncker lembrou novamente a importância de estarem todos juntos:   «É a única oportunidade de não ficarmos de fora do mundo.   Os chefes de governo da França, Alemanha e Grã-Bretanha estão conscientes de que a sua voz apenas é ouvida internacionalmente porque é transmitido através do megafone da União Europeia», frisou.
 
Olhando para as recentes eleições italianas, o ex-chefe do Eurogrupo considera que o resultado não pode ser interpretado principalmente como um voto contra o euro e as reformas políticas europeias.
«Beppe Grillo é principalmente um crítico da classe política do seu país.   Silvio Berlusconi prometeu baixar os impostos aos cidadãos.   O partido que se posicionou em Itália fortemente contra o euro foi a Liga do Norte, que perdeu muitos votos», disse.
 
Reiterou ainda que não há outro caminho a não ser uma sólida política orçamental, por mais impopular que possa ser.
«Não se pode fazer uma má política só pelo medo de não ser reeleito novamente.   Quem governa deve assumir a responsabilidade pelo seu país e pela Europa», acrescentou.
 
(Fonte:  Diário Digital)
 

terça-feira, 5 de março de 2013

Prolongar o pagamento?! - nada de mais... nem sequer para agradecer!

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A memória da Alemanha é curta!

Albrecht Ritschl, professor universitário e investigador ligado ao departamento de História Económica da London School of Economics, entrevistado pela Der Spiegel, recorda que no século passado o governo germânico ficou insolvente três vezes e só foi salvo pelos EUA e pelos países europeus que aceitaram desistir de pedir reparações pelos prejuízos das guerras e ocupações.
 
A Alemanha hoje é apontada como um exemplo de estabilidade e prosperidade económica, mas os seus governantes parecem sofrer de memória curta, acusa o historiador, que lembra que essa estabilidade não existiria se não fossem os Estados Unidos, que lhe entregaram vastas somas de dinheiro, tanto depois da Primeira como da Segunda Guerra Mundial.   E também graças aos países contra os quais desencadeou uma guerra de aniquilação e extermínio e lhe perdoaram depois, totalmente ou em grande parte, as reparações de guerra.   Sem isso, o Wirtschaftswunder, o “milagre alemão”, não teria ocorrido.
 
Depois da II Guerra, iniciada por Berlim e conduzida como guerra de extermínio, os EUA, mais uma vez, deram passos para que não se repetisse a mesma situação do pós-Primeira Guerra e, assim, com poucas excepções, todos os pedidos de reparações por parte dos países ocupados e arrasados foram deixados de lado até que se verificasse a reunificação alemã.   Esta foi, recorda o economista, a base do milagre alemão.
 
Tudo isto ficou estabelecido no Acordo de Londres sobre as Dívidas Externas da Alemanha, de 1953.   Mas quando finalmente aconteceu a reunificação alemã, em 1990, o chanceler Kohl nem quis ouvir falar de reparações de guerra, apenas pagou aos prisioneiros forçados a trabalhar, e mesmo assim através de ONGs, para evitar a criação de precedentes.   “Foi um período de não-pagamento”, define o académico alemão.  (Esquerda.net)
 
Mas, revisitemos a História:
 
O Acordo de Londres de 1953

 
O Acordo de Londres de 1953 fornece um exemplo de alívio da dívida externa, vinculando o pagamento do desenvolvimento económico e as capacidades de exportação.   O acordo foi promovido pelos Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e outras nações, todos parecendo ter esquecido estes dias.

À primeira vista, poderia causar alguma surpresa o alívio da dívida obtido com o Acordo de Londres.   Ao renunciar à maioria de suas reivindicações contra a República Federal da Alemanha, as potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial ajudaram um país que, há apenas alguns anos atrás, havia atacado e parcialmente destruído os seus próprios territórios.   A partir de uma perspectiva realista, no entanto, este acordo representa, não tanto um gesto de reconciliação com um velho inimigo, mas antes uma decisão política friamente calculada.   Através do alívio da dívida, os países credores procuraram ajudar a economia e a população alemã para reconstruir o seu país, estabilizar a sua democracia e a participar no comércio mundial.   Foram estas motivações políticas que levaram à renúncia extensiva de reclamações não canceladas, uma renúncia que, apreciada a partir da perspectiva contemporânea, foi muito além do que é estritamente necessário.

Além disso, houve uma outra consideração que aumentou o interesse dos países credores para aliviar amplamente a proporção das dívidas:   as suas exigências sobre a Alemanha após a Primeira Guerra Mundial tinham sido uma das razões para a instabilidade económica da República de Weimar, um dos factores que facilitaram a ascensão do nacional-socialismo e da tomada do poder por Adolf Hitler.

O tamanho da dívida em 1952

Após a Segunda Guerra Mundial, parte das dívidas contraídas no pré-guerra pela Alemanha permanecia em grande parte sem ser cancelada.   Tais obrigações não canceladas eram compostas, principaçmente, pelos empréstimos privados, pelos empréstimos Young y Dawes contratados para pagar reparações, pelos empréstimos obtidos depois da guerra e pelos empréstimos derivados do Plano Marshall.

Nos primeiros anos após a guerra, a Alemanha não foi capaz de pagar as suas dívidas, uma vez que tinha sido atingida pela guerra e a sua indústria tinha sido parcialmente desmantelada.   Em 1951, foi possível organizar um cancelamento parcial das dívidas da guerra com as três potências ocidentais aliadas.

A fim de poder chegar a um acordo abrangente, que contemplasse a renegociação de todas as dívidas anteriores e posteriores à guerra, as dívidas com os governos e bancos privados e as dívidas contraídas com investidores privados, foi estabelecida uma conferência central em Londres, desde 28 de fevereiro a 8 de agosto de 1952, com uma pausa de seis semanas.   A duração destas negociações indica quanta energia foi utilizada para encontrar uma solução.   No evento estiveram representantes de 20 países credores, do Banco de Compensações Internacionais e dos credores privados.

Os Estados Unidos eram a potência que impulsava tacitamente as negociações.    Entre os seus objetivos encontrava-se o evitar qualquer bloqueio do acesso alemão ao mercado monetário internacional, e que se gerasse um debate permanente e crescente em torno das dívidas antigas.   Procurava-se também perpetuar a dependência alemã dos empréstimos públicos provenientes dos Estados Unidos
A Alemanha recebeu uma primeira grande concessão quando se fixou o valor total da dívida a ser renegociada:    29.700 milhões de marcos, dos quais 13.600 milhões correspondiam a dívidas anteriores à guerra e 16.200 milhões aos créditos contratados após a guerra.

Assim, antes do início das negociações, tentava-se aliviar a Alemanha de todos os juros e juros compostos acumulados desde a suspensão dos pagamentos em 1934 e 1939, respectivamente.    Estimativas modestas, com base em uma taxa de juros de 5,5 por cento, isso significava que, indirectamente, a Alemanha seria perdoada, pelo menos, em 14.600 milhões de marcos (Hersel 1997).   De acordo com a delegação alemã, só para pagar as suas dívidas antes da guerra, a Alemanha Ocidental teria que gastar um montante anual de cerca de 1.500 milhões de marcos.   E isso aparecia como intolerável.

O Acordo de Londres

Ao contrário da maioria das conferências sobre dívida feitas hoje, a Conferência de Londres não pretendia apenas encontrar uma solução temporária para os problemas de liquidez, mas também especificava que o plano de liquidação deveria:

-  Tendo em conta a situação económica geral da República Federal e os efeitos das limitações na sua jurisdição territorial, não se deveria atrapalhar a economia alemã através de efeitos adversos indesejáveis sobre a situação financeira interna.    Também não se deveria esgotar indevidamente os recursos alemães, existentes ou potenciais, decorrentes do comércio exterior.   O arranjo não deveria aumentar significativamente a carga financeira de nenhum dos três governos.

-  Organizar uma solução ordenada global, e assegurar um tratamento justo e equitativo de todos os interesses afectados.

Para atingir estes objectivos, a ênfase não estava na obtenção dos pagamentos mais altos possíveis, mas antes na garantia da solvência da República Federal da Alemanha e, portanto, no seu posterior desenvolvimento económico e político.

Em concordância com isto, os países credores fizeram amplas concessões.   No decurso das negociações, a Alemanha recebeu um alívio de 50 por cento das dívidas, antes e depois da guerra.    O restante da dívida chegou a 14,450 milhões de marcos.    Na verdade, esse valor foi reduzido ainda mais - "2.500 milhões de marcos não foram considerados com interesse;   5.500 milhões tinham uma taxa de juros que chegava aos 2,5 por cento e, para 6.300 milhões de marcos, foi estabelecido um juro que, em média, variou entre 4,5 e 5 por cento.    Os juros compostos não foram levados em conta.   

Tudo isso teve uma influência decisiva sobre o cálculo da dívida restante porque, na maior parte dos valores ainda sujeitos a negociação, os juros não pagos eram maiores do que o capital a amortizar.    Decidiu-se que, durante os primeiros cinco anos (1953-1957), seria suspenso o pagamento das dívidas:   a Alemanha só deveria pagar anualmente apenas os juros correspondentes a 567.200 milhões de marcos.   Entre 1958 e 1978, seriam feitos pagamentos anuais de 765 milhões de marcos.

Foi ainda estabelecido um tribunal de arbitragem para o caso da economia alemã recuperar menos rapidamente do que o esperado, e de que a sua incapacidade de pagamento produzisse conflitos.

Os Países credores estavam conscientes de que, para poder pagar as suas dívidas, a Alemanha deveria alcançar um superávit comercial.    Assim, e para ajudar nos seus esforços, os credores impulsionaram políticas de liberalização comercial.   O seu objetivo era o de "permitir que a Alemanha pudesse cobrir as suas obrigações somente através dos seus excedentes de exportação;    ficava fora de questão que poderia esperar-se que cancelasse as dívidas, através de uma punição permanente sobre as suas reservas monetárias".

Apesar das amplas concessões feitas pelos países credores, existiram muitas vozes alemãs que consideraram que o pagamento de impostos eram intoleráveis.   O resultado das negociações foi veementemente criticado.   Os pagamentos estavam abaixo de cinco por cento das receitas de exportação.   Mesmo em 1952, os pagamentos previstos pelo Acordo de Londres chegou a 3,35 por cento das receitas de exportação alemãs, que representavam 16.908 milhões de marcos.    Devido ao forte aumento das exportações alemãs, que em 1960 ascenderam a 47.952 milhões de marcos, e que em 1970 representavam 125.280 milhões, esse percentual poderia ter-se reduzido até abaixo de um por cento se a Alemanha não tivesse começado em 1953 a transferir anualmente mais dinheiro do que estava obrigada.    Assim, e para os anos 60, com a excepção de pequenas quantidades remanescentes, todas as suas dívidas foram reembolsadas ​​antecipadamente.

Propósitos e consequências

Em suma, pode-se argumentar que os efeitos do Acordo de Londres foram plenamente alcançados.    Ao contrário das estratégias utilizadas durante a República de Weimar, não se verificou uma paralisia da política económica alemã;   o país concentrou-se na reconstrução económica, em vez impedir ou mesmo de causar a sua incapacidade de cumprir com o pagamento de impostos.

As dívidas restantes eram suportáveis ​​para a Alemanha e, portanto, facilitaram um planeamento financeiro coerente.   A República Federal da Alemanha tornou-se um devedor previsível no mercado monetário global, obtendo facilmente novos empréstimos;   a sua moeda manteve-se estável e, a partir de 1958, era livremente convertível.   Finalmente, as empresas estrangeiras poderiam antecipar o futuro desenvolvimento económico e de investimento na reconstrução da Alemanha.


Face ao exposto, torna-se evidente que o Acordo de Londres desempenhou um papel importante na reconstrução da Alemanha.   Através de uma renúncia abrangente de dívidas e juros não pagos, o acordo deu-lhe uma nova oportunidade para a economia alemã.

(Por Friedel-Adams Hütz - aqui) (Tradução e sublinhados deste blogue)

(Outras leituras Aqui e Aqui)

domingo, 3 de março de 2013

Não é bom viver no Portugal onde reina o engano e a mentira institucionalizada!

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LIBERDADE, ONDE ESTÁS?   QUEM TE DEMORA?

(...)
Chamar a um novo plano de austeridade, o enésimo de há dois anos para cá, sempre precedido da mentira de que "não vai ser necessária mais austeridade", mais uma vez sobre os funcionários públicos, os pensionistas e os que precisam de serviços públicos de saúde, educação, e outros, essa coisa obscura e neutra de "medidas contingentes", não é também um insulto à nossa inteligência e, pior que tudo, uma ofensa aos que vão ser vítimas daquilo que o Governo chama "desvios na execução orçamental", ou seja erros?   A verdade, nua, bruta, cruel, dura, pétrea, é que cada vez que o Governo erra, há um novo plano de austeridade destinado a garantir que a mesma receita que falhou seja tentada de novo, com mais uns milhares de milhões retirados às pessoas, às famílias, à economia, para pagar uma obstinação, um beco sem saída ideológico, uma tese sem prova, uma abstracção intelectual, no fundo uma enorme vaidade sem perdão.   Sócrates deitou fora milhões e milhões mal gastos e perdulários, Passos Coelho deita fora milhões e milhões para um vazio de arrogância, ignorância e vaidade, sem melhorar o défice, aumentando a dívida, sem se ver qualquer utilidade.   Mas o dinheiro, antes como agora, foi para algum sítio.
 
E como aceitar o supremo insulto fruto de uma displicência que acaba por ser maldosa e arrogante, de se dizer que a recessão para este ano "aumenta de um ponto percentual", como se passasse de 35,4 para 36,4, quando passa de 35,4 para 70,8, usando estes números imaginários para se perceber a enormidade do "ponto percentual" que significa errar por 100%, duplicar por dois uma desgraça, que passa a ser o dobro do que era, ou seja uma pequena coisa, "um pequeno ponto percentual", como se fosse a coisa mais natural do mundo.
 
Os erros agora também se chamam "ajustamentos" e podem ser tidos apenas como a natural consequência da "dificuldade das previsões macroeconómicas", que se tem que ir "ajustando" mês a mês.   Mas os erros antes de serem "ajustados" acaso não foram instrumentos de combate político, fonte de afirmação de legitimidade, atirados contra todos os que suspeitavam da sua verdade e exequibilidade?   Não tem importância, encontra-se uma estatística qualquer que mostra que estamos no "caminho certo", mesmo que tudo esteja errado, e há sempre quem coma esta palha.
 
É tudo "ajustamento" porque os manipuladores das palavras entendem que, lá fora da sua janela do poder, tudo é plástico que se pode moldar, é tudo paisagem em que se pode plantar uma sebe alta para não ver o mais de um milhão de desempregados "em linha com o que estava previsto", e colocar os portugueses numa jaula de ratinhos a correr para fazer experiências.   E que tal cortar metade da comida a ver se eles se "ajustam" à "poupança" de só comer metade?   Trinta morrem, quarenta ficam doentes, vinte ainda têm gordura para aguentar.   Aguentam, aguentam, diz o tratador.   Excelente, ficam dez por cento, a "selecção natural" funcionou e deixou-nos com os mais fortes, os que se "ajustam", os "empreendedores".   Morreram alguns comidos pelos outros?   Não há problema, sempre há ratinhos "empreendedores" e que não são "piegas", e que mostram as virtudes do modelo.
 
No dia em que este Governo for corrido, pelo mesmo tipo de onda de rejeição que varreu o seu antecessor, só que agora do tamanho das ondas do Canhão da Nazaré, vai sair com a atitude daquele que diz:   o último a sair que feche a luz e a porta, porque já não é connosco, "queríamos mudar Portugal e não nos deixaram".   E irão para os seus lugares de acolhimento confortável, já pensados e preparados, sem temor e sem tremor.
 
No entretanto, estragaram Portugal com a mesma sanha do filósofo de Paris, numa situação que vai demorar décadas para ser consertada, se é que tem remédio.   Descaracterizaram o PSD como Sócrates fez ao PS, tornaram pestíferos os políticos em democracia e as instituições da democracia, destruíram a geração actual, a que tratam sobranceiramente como a dos "instalados" e querem desempregar para "ajustar" o preço da mão-de-obra, e hipotecaram a geração seguinte com a mesma antiga maldição da baixa qualificação, do provincianismo, do quotidiano de subsistência onde não há recursos para os bens materiais quanto mais para os "imateriais".
 
Vão deixar-nos na periferia da periferia, como um país eternamente assistido por uma Europa para quem pagar ao seu bom aluno são trocos desde que ele se porte bem.   Irá a troika, ficará o BCE, a Comissão Europeia e o Pacto orçamental.   Ficará um país medíocre e remediado, uma praia razoável para o Verão.   Deles vamos herdar uma enorme colecção de invejas e ressentimentos sociais, que dividirão os portugueses entre si, aumentando ao mesmo tempo a apatia e a violência social.
 
Não é bom viver no Portugal onde reina o engano e a mentira institucionalizada.   E não custa prever o futuro.   Está tudo nas palavras.
 
(Fonte e artigo completo:  José Pacheco Pereira, In ABRUPTO)
 
 

LIXO... «Um "ACORDO" inútil. Suspenda-se de imediato»

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1. Enquadramento da matéria

Discute-se a aplicação do acordo ortográfico de 1990 (AO90).   Este surgiu após várias tentativas goradas de unificação da ortografia de Portugal e do Brasil, desde o início do século passado.   Uma dessas tentativas conseguia uma unificação de praticamente 100% e mesmo assim não foi seguida por ambas as partes.

Ao fim de quase um século de deriva gradual, tentou-se então uma vez mais regressar à quimérica “unificação” com o AO90.   Esta não só não é conseguida com o presente “acordo” como as alterações propostas não colhem a aceitação dos especialistas.   Nem do lado de cá nem do lado de lá do Atlântico.   Daí que chamar-lhe “acordo” seja um abuso.   Este facto foi olimpicamente ignorado e prosseguiu-se na aplicação cega de uma completa inutilidade, recorrendo-se por diversas vezes nesta história a expedientes, no mínimo, duvidosos (para não lhes chamar uma verdadeira batota, de que é exemplo icónico o II Protocolo Modificativo) para levar esta empreitada em frente, sem que daí advenha qualquer vantagem para os utilizadores da língua.

Bastariam algumas questões elementares:

– Vem resolver alguma coisa?  (Não)

– Serve para alguma coisa?   (Não)

– Melhora a situação anterior?   (Não)

Não deveria ser preciso mais do que isto para ser evidente que o AO90 é um absurdo inútil, mas continuemos para os pontos seguintes.

2. Objectivos do Acordo Ortográfico

Unificação da língua:   não acontece

Simplificação da língua:   não acontece

Evolução da língua:   não acontece

3. Vantagens decorrentes da aplicação do Acordo Ortográfico

Não há.

4. Inconvenientes e problemas resultantes da aplicação do Acordo Ortográfico

a)  As “soluções” encontradas pelo AO90 para “resolver” as diferenças ortográficas podem sintetizar-se em:

- admissão de facultatividades naquilo que é irresolúvel (na prática, não só não resolve nada como aumenta a confusão)

- referência à “forma consagrada pelo uso” sem que esteja definido em lado nenhum o que está consagrado pelo uso e o que não está;   além de que quem está a aprender a língua não tem forma de adivinhar isso

- referência à “norma culta” (conceito já completamente ultrapassado) sem que esteja registada foneticamente em lado nenhum essa dita norma culta

- convergência do Pt-Br para o Pt-Pt: alteração de acentos/trema e hífenes

- convergência do Pt-Pt para o Pt-Br: alteração de acentos e hífenes, amputação de letras

- para obedecer ao critério da fonética, inventam-se formas novas para o Pt-Pt que, pasme-se, desunificam ao invés de unificar

- afirma-se reiteradamente a máxima de que “o que não se pronuncia não se escreve”, mas depois não se aplica: basta pensar em todas as palavras começadas por “h”, ou em todos os casos de “u” mudo a seguir ao “q”;   afinal é para seguir a fonética ou não?

b)  Com o AO90, há uma perda de informação irrecuperável.   Isto é comprovado pelo facto de não existir um “anti-Lince” que reponha o português na forma correcta (sem AO90).   Tal não é possível porque se perde, por exemplo, a distinção entre formas verbais de tempos diferentes (compramos/comprámos, chegamos/chegámos), a distinção entre “pára” e “para” e tantos outros exemplos.   É sempre possível passar de um texto sem o AO90 para um texto com o AO90, mas o inverso não é verdadeiro.

Desta perda de informação decorre uma menor clareza na leitura, ou seja, na transmissão da mensagem para o receptor.   Isto não é bom, útil ou minimamente desejável.   Os defensores do AO90 parecem centrar-se nas (alegadas) vantagens da escrita, esquecendo-se daquilo que é mais importante num texto escrito:   a sua leitura.

c)  Afirma-se que o AO90 “simplifica” a língua e ao mesmo tempo permitem-se duplas (ou quádruplas ou múltiplas) grafias, o que é uma contradição à própria noção de ortografia.   Ou seja, se, em vez de saber sem qualquer dúvida como se escreve “caracterizámos”, temos, em vez disso “caracterizámos/caraterizámos/caracterizamos/caraterizamos”, em que medida é que isto constitui uma simplificação?   Dir-se-ia antes que ficou quatro vezes mais complicado. Chamar a isto “ortografia” é um abuso.

d)  Com o AO90, em vez de assegurar a sobrevivência da língua, o que se está a verificar na prática é a contribuição para a extinção a passos largos do português de Portugal.   Com o AO90, este já está a ser completamente eclipsado, por exemplo, em qualquer pesquisa na Internet e desde logo em inúmeros “sites” de acervo e/ou repositório (a Wikipedia, por exemplo).   Experimente-se pesquisar “material elétrico” sem especificar que queremos páginas de Portugal e veja-se o que acontece.   Repita-se a experiência com “material eléctrico”.   Em que é que isto pode ser bom para as empresas portuguesas?

e)  Com o AO90, para “aproximarmos” o português de Portugal (Pt-Pt) do português do Brasil (Pt-Br), afastamo-lo das restantes línguas europeias;   não se vê qualquer vantagem daí decorrente, nem para os portugueses que queiram aprender outras línguas nem para os estrangeiros que queiram aprender português.   Qualquer professor competente consegue explicar as diferenças entre o Pt-Pt e o Pt-Br sem que isso constitua um obstáculo intransponível para quem aprende.   (Continua a ter de explicá-las, em qualquer dos casos, porque, mesmo que a ortografia ficasse igual – que não fica – a sintaxe e a semântica continuam a ser diferentes.)

a)  O AO90 altera, sim, a forma como as palavras se pronunciam.   Ouve-se até à exaustão o argumento da pharmácia/farmácia para justificar a “evolução” da língua, mas esses defensores do AO90 esquecem-se de que ao passar de “pharmácia” para “farmácia” não se alterou absolutamente em nada a forma como a palavra era lida.

Ao passar de “fraccionar” para “fracionar” altera-se, sim, inegavelmente, a leitura da palavra.   Ou de “espectador” para “espetador”, para dar um exemplo mais conhecido...

f)  Com o AO90, continua a ser necessário haver duas traduções, uma para o Brasil e outra para os restantes países de língua oficial portuguesa.   A necessidade de duas versões diferentes era apresentada como um dos principais motivos para a indispensável e propalada “unificação”.   Continua...  exactamente na mesma.

g)  Por causa do AO90, já houve gastos inúteis e incompreensíveis, nomeadamente no ensino e na administração pública, com a “nova” “ortografia”.   Mais grave ainda porque foram feitos sem que esta tivesse sido sequer definida com rigor (provavelmente porque é impossível definir-se com rigor aquilo que assenta em "regras" que o negam à partida).

h)  O documento de base do AO90 contém erros, ambiguidades, incongruências e parte de premissas falsas.   Contém opiniões (tão válidas como quaisquer outras...) e nem um único estudo científico que sustente o que é afirmado.   Há, pelo contrário, e como se sabe, muito mais pareceres negativos do que positivos (estes, aliás, no singular... porque só há um).   Além de isto ser academicamente inacreditável, um documento assim não tem qualquer credibilidade.   Não pode servir de base a coisa alguma e muito menos à ortografia de mais de duzentos milhões de pessoas.

h)  Uma vez que as “regras” do AO90 são sobretudo a consagração das excepções, há um fenómeno evidente de sobrecorrecção e de total confusão por parte de quem escreve.   Se muitas pessoas escrevem com o AO90 (em muitos casos, unicamente porque a isso são obrigadas), isso deve-se sobretudo ao facto de ser possível carregar num botão para transformar a ortografia automaticamente e não tanto porque saibam efectivamente aplicar a “nova” “ortografia” (uma vez mais, como saber aplicar aquilo que não tem regras claras?).   Isto, na prática, corresponde a um inegável analfabetismo funcional.

i)  Com o AO90, em vez de uma unificação, temos uma multiplicação de ortografias.   Em vez de Pt-Pt e Pt-Br, temos:   Pt-Pt, Pt-Br, AO90-Pt, AO90-Br e ainda o uso de critérios diferentes para o estabelecimento daquilo que se considera ser o AO90 em Portugal e no Brasil...   variações deixadas ao critério de cada um, porque o documento de base não é claro ou é omisso nas diversas possibilidades.   Porquê esta falta de clareza e esta omissão?   Porque as “soluções” apresentadas são uma farsa que na prática não resolve nada.

5. Proposta que apresenta

Suspensão imediata da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.   Obrigar milhões de pessoas a alterar a sua ortografia sem que isso sirva para alguma coisa de válido é de uma falta de senso indescritível.

Em vez de uma “unificação” ortográfica reconhecidamente impossível a esta altura, promovamos o intercâmbio cultural, científico e de oportunidades de trabalho entre todos os países de língua oficial portuguesa.   Reforcemos o ensino de Português no estrangeiro em vez de fecharmos leitorados.   Não é preciso unificar a ortografia para fazer nada disto e seria muito mais eficaz para a promoção da língua no mundo.   Existem mecanismos democráticos mais do suficientes para anular este erro colossal:   uma iniciativa legislativa de cidadãos pela revoção da RAR 35/2008  (o instrumento que forçou a entrada em vigor do AO90) ou uma iniciativa legislativa dos próprios deputados para o mesmo efeito.

6. Outras questões

Este acordo ortográfico não resolve nenhum dos alegados “problemas” que pretendia “solucionar”.   Baseia-se, além disso, num paradoxo fundamental:   procura unificar a língua utilizando ao mesmo tempo um critério, o da fonética, que torna automaticamente impossível a referida unificação, dadas as variadíssimas cambiantes de pronúncia entre os milhões de falantes da língua.   Partindo de premissas erradas é impossível chegar-se a conclusões correctas.   Ou válidas.

O AO90 nega a real evolução da língua portuguesa, fazendo de conta que esta não existiu.   A verdade é que o português de Portugal e o português do Brasil já se afastaram (sim, irremediavelmente – admitamo-lo de uma vez por todas) e estas duas variantes já não voltam a ficar iguais, nem que por acaso o AO90 conseguisse unificar a ortografia (que não consegue).   Não pode designar-se como “evolução”esta proposta lamentável e inútil de ortografia “unificada”.

Em conclusão, o “acordo” “ortográfico” de 1990 não é sério e não pode ser levado a sério. Suspenda-se de imediato a sua aplicação.
 
(Contributo de H. Castro - Lisboa)

(Fonte:  Fórum de Debate - Assembleia da República)


sábado, 2 de março de 2013

"Que se lixe a troika" - a indignação de mais de 1 milhão de portugueses no 2 de Março !

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Que se lixe a troika
 
 
A troika não tem credibilidade, tem revelado incompetência, desrespeita o país e não assume as responsabilidades.

A troika não cumpriu com os compromissos que assumiu:

O único ponto do memorando que a própria troika impôs ao país como condição para emprestar dinheiro a juros dignos de xulos, que foi respeitado, é o que prevê a reformulação do memorando.   Mas a direita ganhou as eleições e a troika percebeu que estava a lidar com extremistas da direita, esqueceu o memorando e fez sua a agenda política da direita portuguesa.   Desde então o memorando inicial tem vindo a ser revisto sucessivamente, impondo progressivamente a agenda política da direita portuguesa, sem que a troika respeite as instituições ou mesmo todos os parceiros que assinaram o memorando.

A troika ignorou o memorando:

A partir do momento em que percebeu que podia usar Portugal como cobaia de novas experiências de política económica, a troika ignorou o memorando.   A troco de o governo implementar medidas brutais e austeridade numa estratégia de desvalorização fiscal brutal, a troika esqueceu cortes nas despesas como os resultantes da redução do número de autarquias, a renegociação das PPP, o corte nas Fundações ou o corte das chamadas "rendas excessivas".   A troika optou por destruir a classe média proletarizando todos os trabalhadores portugueses, incluindo a Função Pública.

A troika não assume as suas responsabilidades:

Sempre que está perante contestação ou percebe que as políticas não tiveram resultados, a troika desaparece e manda dizer que as políticas são da responsabilidade do governo.   Chega-se ao absurdo de altos responsáveis do FMI admitirem erros técnicos que conduziram à destruição de empresas e de empregos, mas os altos responsáveis fogem das responsabilidades - é o próprio comissário europeu dos assuntos monetários a tentar concertar posições com os ministros do eurogrupo para que das divergências não resultem responsabilidades.

A troika não respeita o país:

A troika não tem hesitado em recorrer à chantagem e até tem, como agora parece ser linguagem na Europa, um palhaço cujo papel é dar conferências de imprensa onde ameaça os portugueses com o fim do financiamento, sempre que a troika ou o seu representante local, o ministro das Finanças, enfrentam dificuldades com o povo ou com a oposição parlamentar.   Sempre que tal sucede o palhaço do Simon O’Connor, porta-voz do palhaço do comissário dos Assuntos Monetários, convoca os jornalistas e ameaça o país.   Os palhaços que a troika manda de vez em quando ao país também gostam muito de fazer ameaças e de ingerir nos assuntos internos do país.   O último que o tem feito, referidno-se ao país como se isto fosse um bordel, é o tal Salassie.

A troika é incompetente:

Até ao momento, a troika falhou em todas as suas medidas, nenhuma apresentou os resultados esperados e os seus representantes são desonestos ao atribuírem ao ajustamento resultados que em nada resultaram das medidas adoptadas, como foi o caso do aumento conjuntural das exportações.   Até as exportações resultantes de contratos feitos antes da troika cá chegar foram exibidas como exemplos do sucesso do ajustamento.

Nestas circunstâncias, só me resta mandar a troika à merda.   Quem tem mais a perder com uma rotura com a troika são os financiadores da direita, aqueles que dizem que o povo aguenta e que à custa da crise estão escondendo as responsabilidades pelas consequências de décadas de oportunismo, de fraudes, de corrupção e de desvio dos dinheiros públicos.
 
(Texto de: O Jumento) (Os sublinhados são deste blogue)
 
 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Este executivo vai desmoronar-se pontapeado pela ira e pela chacota !

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A  CHACOTA
 
 
A Passos Coelho e a Vítor Gaspar aconteceu a pior coisa que pode suceder a um governante em Portugal:   de temidos passaram a desprezados.   
 
Não perceberam que a posição de superioridade e arrogância que tomaram, de pesporrência e insolência que exibiram, é muito imprudente em políticos sem currículo, sem obra, sem reconhecimento.    Como os não tinham, disfarçaram a ignorância com a sobranceria, a impreparação com o autismo;   cheios de vento, golpearam identidades, tradições, direitos, culturas, dignidades.    Acabarem com o feriado do 1.o de Dezembro foi uma das piores leviandades cometidas;   o ódio que fomentaram nos funcionários públicos e nos reformados, uma canalhice;   a aldrabice sistemática que utilizam, um opróbrio;   o esbulho da classe média, uma hecatombe fascizante.
 
Emproados internamente, provincianos externamente, revelaram-se subservientes com os de cima e despóticos com os de baixo.   O servilismo mostrado ante os senhores germânicos tornou-se pungente de ver, repugnante de aceitar.   O seu comportamento contagiou ondas de roedores contra a dignidade portuguesa, o que leva as populações a execrá-los ao som da “Grândola”, canção-hino de liberdade e júbilo.
 
Presidente, ministros, secretários de Estado e afins não podem já sair à rua sem ser vomitados.   Ao perceber que o rei vai nu, o português entregou-se ao escárnio, perdendo o respeito, o medo, a paciência.   Ora quando tal acontece torna-se impossível ao governante a governação, diz a história e o bom senso.  

Este executivo vai desmoronar-se pontapeado pela ira e pela chacota – mistura letal entre nós.
 
(Por Fernando Dacosta, In Ionline, 28 Fev2013)
 
 
 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ISCTE - ''Daquele palco fugiu um novo-rico, de medo a crescer no rabo''!

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Grândola e a democracia formal


Coelho e Gaspar são seres ocos de alma.   Actuam como robots, insensíveis às pessoas que abalroam.   Quando se espetam na realidade, ficam ali, obcecados, empurrando o que não se move, moendo carretos, como os bonecos de corda da minha infância.   Só mudam quando os senhores do dinheiro os reprogramam.   Trocados os chips moídos, voltam à sugagem solipsista para que foram preparados.   A obra-prima de Relvas foi levá-los ao Governo.   Imagino-o produzindo-a, ora de avental, no secretismo da organização, ora de iphone à boca, injectando no tutano da fibra óptica a baba com que foi tecendo a conveniente teia partidária.   "Visto", cola-se-lhe à figura a falsidade e a falta de ética.   “Ouvisto”, sobram as banalidades.   Mas confrontá-lo com a “Grândola, Vila Morena” inquietou os defensores da democracia.   Que democracia?   A formal.   A do “da” e do “de”, agora destrinçados pela fina porfia presidencial, em tempo certo, oito anos passados.   Ao apreciarem os factos, esqueceram que há outra democracia:   a que a alma imensa de Zeca Afonso cantou.


No Clube dos Pensadores, primeiro, no ISCTE depois, Relvas foi interpelado pela canção de Abril.   No primeiro caso reagiu, cantando-a alarvemente.   No segundo, foi, por uma vez, autêntico:   fugiu, cobardemente.   Quem disse que Relvas foi impedido de falar?   Ao fim de dois minutos e 27 segundos de protesto, bateu em retirada.   Na Assembleia da República, Passos ouviu e falou.   Em Vila Nova de Gaia, o próprio Relvas ouviu e falou.  No Porto, Paulo Macedo ouviu e falou.  No ISCTE, Relvas ouviu e fugiu.   Estes são os factos.   O mesmo discurso que incensou a paciente resiliência da polícia, que guardava a Assembleia da República a 14 de Novembro de 2012, regressou agora, perene de hipocrisia.   Então, justificou-se hora e meia de apedrejamento da polícia, por delinquentes comuns, com a tolerância democrática.   Agora, dois minutos e 27 segundos de ruidoso mas pacífico protesto chegaram para decretar um inaceitável “atentado à liberdade de expressão”.   Então, lavou-se uma carga policial bruta e desproporcionada.   Agora, os moralistas do bloco central transformaram o algoz em mártir.   Quem veio em socorro de Relvas talvez preferisse um país em coma induzido, que passasse pelas suas diatribes sem sobressalto cívico.   Por isso criticaram os estudantes do ISCTE.  
 
Entendamo-nos, sem paixão.

Naquela plateia estavam filhos de famílias endividadas e espoliadas por gente que, para ganhar as eleições, mentiu sem pudor, jurando publica e repetidamente que nunca faria o que, com frieza de arrepiar, está a fazer.   Naquele palco estava uma figura grotesca, alma gémea e lídima representante do primeiro-mentiroso de um Governo que semeia desigualdade, fome e desemprego.

 Naquela plateia estavam estudantes que pagam as mais altas propinas da Europa a um Estado que lhes reserva o desemprego e a emigração como futuro.   Naquele palco estava um licenciado que não precisou de ser estudante.

Naquela plateia estavam estudantes que, uma vez na vida, tinham a hipótese de exercer publicamente a sua liberdade de expressão.   Naquele palco estava o homem que tem os microfones que quer, sempre que quer, e que teve o poder de calar o jornalista Pedro Rosa Mendes, porque disse o que não lhe agradou, e o desplante de ameaçar a jornalista Maria José Oliveira, porque ia dizer o que não lhe convinha.

Naquela plateia estiveram os novos pobres, de raiva a crescer nos dentes.   Daquele palco fugiu um novo-rico, de medo a crescer no rabo.

Esta foi a cena que Santos Silva e Assis, vivendo cá, leram mal.   Esta foi a cena que a objectiva da vice-presidente da comissão Europeia, Viviane Reding, passando por cá, fixou assim:   “Feliz é o país que protesta com uma canção”.

Francisco Assis era bebé em 1969, e Augusto Santos Silva saía da puberdade na mesma altura.   Mas são homens cultos, que conhecem, pela história, o movimento académico iniciado em Coimbra, em 17 de Abril desse ano.   As diferenças abissais entre a ditadura real daquele tempo e a democracia formal de agora, justificarão que sejam generosos para com o colega de partido, Alberto Martins, que interrompeu o Presidente da República, durante a inauguração do Edifício da Matemática.   Um e outro não podem ignorar, também, que a dinâmica de toda a academia se sobrepôs, então, às vanguardas mais activas e organizadas.   Pode, pois, ser essa consciência que justifica a severidade com que julgaram a atitude dos estudantes do ISCTE.   É que ambos sabem que a alternância de primeiros-ministros, em 38 anos de democracia, resultou do querer de escassos 83 mil militantes do PS, 113 mil do PSD e 30 mil do CDS, num país com quase nove milhões de eleitores.   Reverenciar a reverência a funções, que podem vir, ou voltar, a desempenhar, fruto desta lógica, afigurou-se-lhes prudente.
 
 
(Por Santana Castilho, In Público - 27/02/2013)  (Sublinhados deste blogue)
 

 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O NÚMERO QUE ESTÁ TATUADO NOS BRAÇOS DOS PORTUGUESES

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O NÚMERO DO CONTRIBUINTE


Aqui há uns anos houve uma discussão sobre o número único a propósito do cartão do cidadão.   É uma matéria pouco popular, tida como importando apenas aos intelectuais e aos políticos, que as pessoas comuns vêem com muita indiferença.   Se lhes parece mais eficaz que cada um tenha um número único que sirva para o identificar num bilhete de identidade, para reconhecer uma assinatura, na Segurança Social, no fisco, numa ficha médica, num cartão de crédito ou de débito, qual é o problema?   Se isso lhe poupa tempo e papéis, qual é a desvantagem?   Se isso permitir perseguir um criminoso, que importa existir uma base de dados com o ADN das pessoas?   E se as tecnologias o permitirem, como permitem, qual o mal em podermos vir a ter um chip como os cães, ou uma etiqueta electrónica como as crianças à nascença, por que razão é que nós não podemos ser numerados por um qualquer código de barras tatuado no braço?
 
 
A maioria das pessoas é indiferente ao abuso do Estado nestas matérias se daí vier uma aparente maior eficácia e menor burocracia.   E os proponentes destas medidas, uns tecnocratas, outros fascinados pelos tecnocratas, outros ainda gente mais perigosa e securitária cujo ideal de sociedade perfeita é o 1984 de Orwell, todos manipulam a opinião contra os antiquados defensores dos "direitos cívicos", que continuam a achar que não se deve ter número único, chip, ou código de barras, em nome dessas coisas tão de "velhos do Restelo" como sejam as liberdades e o direito do indivíduo em ter uma reserva da sua vida íntima e privada, sem intromissão indevida do Estado onde ele não deve estar.


Infelizmente, insisto, a indiferença cívica é o pano de fundo de muitos abusos e a sociedade e o Estado que estamos a construir são os ideais para uma sociedade totalitária.   Se uma nova polícia política aparecer - e para quem preza a liberdade esse risco existe sempre -  não precisa de fazer nenhuma lei nova, basta usar os recursos já disponíveis para obter toda a informação sobre um cidadão que queira perseguir.


A promessa que nos é feita é de que os dados "não são cruzados".   Mas esta afirmação não só não é verdadeira como não garante nada.   Não impede um serviço de informações que queira abusar, de obter cumplicidades e "cruzar" dados, não impede uma polícia de fazer o mesmo (o episódio do acesso da PSP às filmagens não editadas sem ordem judicial é um exemplo de práticas costumeiras que só são escrutinadas depois de um acidente de percurso), não impede a utilização de software mais sofisticado para fazer buscas na Internet, muito para além da informação já vasta que se pode obter no Google.   E se somarmos as câmaras de vigilância e outros meios cada vez mais generalizados de controlo dos cidadãos, mais nos preocupamos com as liberdades no mundo orwelliano em que já vivemos.


E quanto ao "cruzamento de dados" a partir de um número único com informação indevida, tudo isso já existe e chama-se NIF, número de identificação fiscal, ou mais prosaicamente, "número de contribuinte".   De há dez anos para cá, o Governo Sócrates e depois o Governo Passos Coelho transformaram o fisco no mais parecido que existe com uma polícia global, e uma polícia global é também política, e o número de contribuinte no verdadeiro número único dos portugueses, cujo acesso permite todos os cruzamentos de dados e uma violação sem limites da privacidade de cada cidadão.   Se somarmos a isso o facto de o fisco ser a única área da lei em que a presunção da inocência não existe e o ónus da prova cai no cidadão, temos um retrato de um Estado de excepção dentro de um Estado que se pretende de direito.

 
E não preciso de estar a recitar a litania do combate à evasão fiscal, porque este caminho de abuso tem sido trilhado exactamente porque o combate à evasão fiscal tem sido ineficaz onde deveria ser.   O furor do Estado volta-se contra as cabeleireiras, os mecânicos de automóveis e as tabernas, mas ignora os esquecimentos de declaração de milhões de euros, que só são declarados quando descobertos e não merecem uma palavra de condenação nem do ministro das Finanças, nem do Banco de Portugal, nem de ninguém dos indignados com a factura dos cafés.   E é exactamente porque o combate à evasão fiscal falha, ou porque a economia está morta, ou porque os Monte Brancos são mais numerosos do que todas as montanhas dos Alpes, dos Andes, do Himalaia, que se assiste a uma espécie de desespero fiscal que leva o Estado (os governos) a entrar pela liberdade e individualidade dos cidadãos comuns de forma abusiva e totalitária.   Digo totalitária, mais do que autoritária, porque a tentação utópica de "conhecer" e controlar a sociedade e os indivíduos através da monotorização de todas as transacções económicas é de facto resultado de mente como a do Big Brother.

 
Num computador do fisco está toda a nossa vida já inventariada e cruzada através do número de contribuinte e dos poderes discricionários da Autoridade Tributária.   Se de manhã ao pequeno-almoço não pedir factura do café, pode vir um fiscal e multar-me (não pode porque é ilegal, impossível de facto, e o Governo anda a mentir-nos a dizer que já o fez quando se devem contar pelos dedos da mão as contra-ordenações realizadas, se é que há alguma à data do anúncio),  e para lavrar o "auto" terá de dizer onde estou, o que consumi sem factura e informar o Estado sobre se tomo chá, café ou chocolate, doces ou salgados, etc.   Depois passo por uma livraria e na factura estão os livros que comprei e está o número de contribuinte.   Hum!   Este anda a ler livros subversivos, ou quer saber coisas sobre a Tabela de Mendeleev (a química é sempre perigosa), ou uma história sexualmente bizarra como a Lolita, (diga aí ao assessor do senhor ministro que um boato de pedofilia é sempre mortífero e o homem lê livros sobre isso), ou o Vox do Nicholson Baker (uma história de sexo por telefone que o procurador Starr queria usar como prova contra Clinton, pedindo à livraria que lhe confirmasse a compra do livro por Monica Lewinsky, o que a livraria recusou e bem).   Depois foi almoçar, e pelo número de contribuinte verifico que almoça muitas vezes a dois, e dois é um número suspeito.   Coloque lá no mapa o sítio do pequeno-almoço, mais a livraria, mais o restaurante, e as horas.   E depois?   A Via Verde cujo recibo tem o número de contribuinte mostra que entrou na portagem X e saiu na portagem Y.   Interessante, o que é que ele foi fazer ao Entroncamento?   E levantou dinheiro no Multibanco.   Muito ou pouco?   Bastante.   Veja lá as facturas que ele pagou no Entroncamento.   Aqui está, comprou uma mala de viagem.   Então a factura?   Não há, comprou nuns chineses, mas foi visto com a mala na câmara de vigilância de um banco.   Anote aí para mandar uma inspecção do fisco e da ASAE aos chineses, imagine o que seria se nós não tivéssemos as imagens do banco!   O que é que ele vai fazer com a mala?   E por aí adiante.

 
A nossa indiferença colectiva face ao continuo abuso do Estado, que nada melhor nos dias de hoje revela do que o fisco, vai acabar por se pagar caro.   Muitos tentaram fugir ao fisco?   É verdade, muitos inclusive nunca pagaram impostos e vivem numa economia paralela, mas a sanha contra eles, que face ao fisco não tem direitos, nem defesa, nem advogados, contrasta com a complacência afrontosa com a fraude fiscal com os poderosos.   É que também nisso, na perseguição aos pequenos, se revela o mundo totalitário de 1984 e do Triunfo dos Porcos, em que alguns são mais iguais do que outros.   E pelo caminho, para garantir que os pequenos sejam apanhados na malha, pelo desespero de um fisco que quer sugar uma economia morta de recursos que ela não tem, é que se usa o número de contribuinte como número único, cruzado nos computadores das finanças, muito para além do que é necessário e equilibrado, numa ameaça às liberdades de cada português.

(Por José Pacheco Pereira, In ABRUPTO - 23/02/2013) (Imagem retirada daqui) (Sublinhados deste blogue)
 
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Já estamos mergulhados no futuro! Um negro futuro!...

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Desde há cerca de 3 ou 4 anos começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade actual.   Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses...   e que irá mudar as nossa  sociedade e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos!
Tal como ocorreu noutros períodos da história recente, no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 73.

Um rápido balanço da mudança e do que está a acontecer aos "10 factores":

1º-   A Crise Financeira Mundial:    desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se "bancarrota") e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo para: "emprestado virtualmente à taxa zero")  montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas.   Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história!...

2º-    A Crise do Petróleo:   Há mais de 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços.   Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar.   Duas coisas são porém claras:   primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!)  e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços.   Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há semanas, a uma subida no preço dos bilhetes de...  50%  (leu bem: cinquenta por cento).   É escusado referir as enormes implicações sociais deste factor:   basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB)  irá virtualmente desaparecer em 12 meses!   Acabaram as viagens de avião baratas  (...e as férias massivas!), a inflação controlada, etc...

3º-   A Contracção da Mobilidade:   fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer uma contracção profunda, e as trocas físicas comerciais que implicam transporte irão sofrer fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º-  A Imigração:   a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália).   Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos!   A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e por melhor estatuto sócio-económico  (até agora, vivemos nós em ascensão e com direitos à custa das matérias-primas e da pobreza deles)!

5º-  A Destruição da Classe Média:   quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a "varrer" o Velho Continente!   Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e, descontados alguns matizes e diferente gradação, as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, força social e capacidade de intervenção.

6º-  A Europa Morreu:   embora ainda estejam a projectar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, já não tem liderança e já não consegue definir quaisquer objectivos num "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!...   Já nenhum Cidadão Europeu acredita na "Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro!   O "Requiem" pela Europa e "seus valores" deu-se há dias na Irlanda!

7º-   A China ao assalto!   A construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios....  da China.   O gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke...).   Foram apresentados, há dias, no mais importante Salão Automóvel mundial, os novos carros chineses.   Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros!   E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia...  estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade.   À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças!   Os chineses estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais.

8º-  A Crise do Edifício Social:   as sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar!   As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e actuação comum...

9º-  O Ressurgir da Rússia/Índia:   para os menos atentos, a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante!   Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha!

10º-  A Revolução Tecnológica:  nos últimos meses, o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica)  suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos!
  Eis a Revolução!

Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um sinal de "vezes" e, no fim, têm um sinal de "igual".   Mas o resultado é ainda desconhecido e imprevisível.   Uma coisa é certa:    as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, e estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos.

(Fonte: José Martins)


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

GRÂNDOLA - A senha de uma revolução que fermenta!

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passos coelho paulo portas vitor gaspar alvaro santos pereira aguiar branco paulo macedo miguel macedo nuno crato miguel relvas assuncao cristas paula teixeira da cruz pedro mota soares grandola

Grândola Vila Morena   (Zeca Afonso)

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

(Fonte:  Kaos)