quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Parlamento Português - a promiscuidade em "open-space" !

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Paulo Morais, ex vice-presidente da Câmara do Porto e vice-presidente da organização não governamental "Transparência e Integridade", aqui em mais uma denúncia da despudorada promiscuidade existente no Parlamento (e fora dele) entre os interesses privados dos deputados e a falsa obrigatoriedade da defesa da coisa pública, chegando mesmo a apelidá-lo de "centro de corrupção", de "central de negócios privados" e de "escritório de advogados em open-space".




Portugal...que futuro?


Os portugueses sentem-se perdidos.   Desiludidos com Passos Coelho, não vêem na oposição uma alternativa credível e de Cavaco Silva já não esperam qualquer solução.   Ao fim de um ano de mandato, Passos vive dias difíceis.   Tem contra si a opinião pública, por causa das promessas não cumpridas.   Depois de se ter comprometido a não baixar os salários e a não aumentar os impostos, fez exactamente o contrário e conta agora com o divórcio da maioria dos portugueses.

Ainda por cima, a população não entende a razão de ser destes sacrifícios.   Em primeiro lugar, porque eles não são igualmente repartidos.   A Banca mantém os seus privilégios, as rendas pagas à EDP ou nas parcerias público-privadas não param de crescer.   E, além do mais, nem sequer as contas públicas se reequilibram, pois, apesar do aumento de impostos, a colecta reduz-se, o ministro das Finanças não cessa de errar nas suas previsões.   É o descalabro das contas públicas.

Dentro do seu governo, é chamuscado pelo escândalo Relvas.   Não conta com a solidariedade do seu parceiro de coligação, o PP (Paulo Portas), cujo principal objectivo é fazer campanha por si e pelos seus ministros.   A deslealdade é, aliás, uma marca histórica no PP, vem de longe.   Mas até do interior do PSD saltam farpas contra o primeiro-ministro.   Os barões conspiram diariamente contra Passos.   Esperançados numa escorregadela do governo, cavaquistas, leitistas e barrosistas espreitam a sua oportunidade.  

Por outro lado, a oposição socialista descredibiliza-se.   O seu líder, Seguro, apresenta um discurso vácuo e inconsequente.   Ao fim de longos meses de mandato, ainda ninguém percebe o que pensa Seguro sobre qualquer matéria de relevo.

Num País sem governo e sem oposição, já nem o Presidente tranquiliza os portugueses.   Descredibilizado pela gaffe da sua "modesta" reforma, Cavaco arrastar-se-á até ao fim do mandato, vaiado nas ruas.   Resta-lhe o papel de comentador da actualidade.   Mas essa função Marcelo desempenha melhor.   Com o desemprego a atingir uma dimensão perigosa, na ordem dos quinze por cento, as famílias em dificuldades económicas, as empresas descapitalizadas e a classe política completamente descredibilizada  –  é o futuro que está posto em causa.

(Paulo Morais, In Correio da Manhã)

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segunda-feira, 16 de julho de 2012

A Máfia das Parcerias Público-Privadas

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São verdadeiros casos de polícia, cujos autores e tutelares das respectivas áreas deveriam ser julgados e presos para bem do saneamento  deste País, expurgando-o de tantos empresários e ex-ministros corruptos e outros tantos chulos de toda a espécie. 

Não é inocente nem puro acaso que este programa, transmitido no passado dia 4 na SIC Notícias, seja transmitido pelas 22,30 horas e repetido pelas 03,00 da madrugada.  Como não é inocente nem puro acaso que este tipo de programas de divulgação política e de má despesa pública não sejam transmitidos nos canais de sinal aberto e de acesso gratuito, principalmente agora que que se verificou a mudança para a TV Digital.

É que, a este Estado inapto, bem como a toda a cáfila de políticos e ex-políticos corruptos que enxameiam este País em todos os centros de decisão e pertencentes aos 3 principais partidos, não interessa a divulgação de toda esta pulhice encapotada.   É que, a todos estes, não interessa que os verdadeiros jornalistas e denunciantes destes roubos e vigarices coloquem toda esta merda na ventoínha, para que os sabujos que enchem os bolsos e as suas contas nos off-shores à custa dos nossos salários e pensões não venham a ficar todos borrados com toda esta imensa merda por eles produzida!

E o nosso sistema judicial colabora.   Sempre que pode.   E pode sempre!!!





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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Ó Relvas, ó Relvas, demissão à vista !...

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Invertebrado e com ar alucinado, nado e criado naquela fábrica (JSD) especializada em transformar imberbes incompetentes e xico-espertos em verdadeiros "artistas" políticos que têm levado este país ao fundo, este ministro conseguiu a extraordinária façanha de, apenas com uma cadeira do 1º ano de Direito e a elevada participação como membro da assembleia geral de um grupo folclórico, ter conseguido tirar o grau de licenciatura "bolonhesa" em apenas um ano, e com 4 cadeiras apenas.    Tudo isto por seu mérito próprio, claro, e à custa de muito trabalho e dedicação, sem quaisquer favorecimentos daquela universidade privada (Lusófona, de seu nome) e por consenso de todo o seu conselho científico que, depois de ter suado as estopinhas para analizar tão extenso currículo, decidiu por unanimidade (de um só professor) dar equivalência a 32 das 36 cadeiras do curso.

E isto,  ó Relvas,  não tem que ser escrutinado?   Isto sim,  ó Relvas, é verdadeira merda na ventoínha  (só para citar o chefe)!...



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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Muito melhor que ser ministro é ser... "ex-ministro" !!!

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Gente sem vergonha e sem escrúpulos, cujo único interesse é o de encher a mula à custa dos sacrifícios de toda a população e sem o mínimo respeito por quem trabalha e paga impostos.  Sabujos que passaram, em muitos casos, directamente dos lugares de ministros para as empresas que antes tutelavam, aproveitando-se de uma promiscuidade política por eles próprios defendida e protegida e com um único objectivo: - o de viver à grande e à francesa para o resto da vida, nem que para isso tenham de esgotar a "gamela".




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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Incompetência e casmurrice - eis o senhor "dois em um"!

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E porque não o ataque às verdadeiras "gorduras do Estado"?  E porque não o ataque às "gorduras do ricos"?  Porque há-de este rapazola lembrar-se apenas de tirar aos pobres e desprotegidos para dar aos ricos e aos protegidos do regime? 





Mudar de governo

A reacção de Passos Coelho ao acórdão do Tribunal Constitucional relativo aos subsídios diz muito, não só sobre a fraca capacidade intelectual do primeiro ministro, como também sobre os seus valores.

Seria de esperar uma declaração de aceitação da decisão do Tribunal Constitucional, seria mesmo aceitável que o primeiro-ministro demonstrasse alguma preocupação com a necessidade de adoptar medidas.   Mas Passos Coelho optou pela vingança.
Passos Coelho começou por adoptar o corte dos subsídios com um falso argumento, que os funcionários públicos ganhariam mais do que os outros portugueses.   Um argumento premeditadamente falso e que não explicava o porquê da suspensão dos subsídios dos pensionistas do sector privado.
Se a justificação dos subsídios assentava em falta de honestidade intelectual, o mesmo tinha sucedido com a razão que terá levado a tal decisão.   Tudo começou com um falso desvio colossal que de forma desonesta foi atribuído ao anterior governo.   Veio a provar-se que tal desvio não existia e que o corte dos subsídios visava tapar o buraco da Madeira e promover a partir do Estado uma estratégia de empobrecimento dos trabalhadores portugueses.
Se a forma como a decisão foi tomada era imprópria em democracia, a desonestidade foi ainda mais longe ao dizer-se que a medida vigoraria durante dois anos quando foi público e notório que para a troika a medida foi tomada por definitiva.   Aliás, ainda recentemente o governo dizia que talvez lá para 2015 se pudesse equacionar a hipótese de pagar uma pequena parte dos subsídios.

Não admira que um primeiro-ministro desonesto tenha reagido a uma decisão do Tribunal Constitucional com uma vingança - o corte dos subsídios serão estendidos a todos os portugueses.   Começou por dizer que os funcionários públicos ganham mais do que os trabalhadores por conta de outrem, agora diz a estes que vão ficar sem subsídios por culpa dos funcionários públicos, porque estes foram protegidos pelo Tribunal Constitucional.
Quando o país está á beira do colapso económico, quando toda a Europa anseia por crescimento económico, quando o desemprego cresce exponencialmente e quando todos os economistas (excepto o Gaspar) consideram que o excesso de austeridade está a inviabilizar a economia portuguesa a mensagem vingativa de Passos Coelho é que vai aumentar a austeridade, além dos funcionários públicos serão todos a ficar sem subsídios.

Isto prova duas coisas, que o país tem um primeiro-ministro que julga que pode ser um ditador desde que a senhora Merkel goste dele e que, perante o falhanço da sua política fiscal, aproveita-se agora da decisão do Tribunal Constitucional para aumentar brutalmente a austeridade para compensar a grande queda da receita fiscal, resultado da incompetência do seu ministro das Finanças.
Quis o destino que no mesmo dia em que um católico apostólico romano se babava junto dos jornalistas dos elogios dos líderes comunistas chineses à austeridade aplicada aos portugueses, os juízes do Tribunal Constitucional de uma pequena democracia europeia reafirmasse um valor constitucional que está na génese da democracia na Europa, o valor da igualdade.
Compreende-se a reacção de Passos Coelho, foi a reacção de quem parece ser alérgico aos valores da democracia e parece ficar com urticária quando se sente incomodado com as instituições democráticas.

O país precisa de um novo governo, com gente que tenha apego à democracia, governantes que tenham consideração pelos seus concidadãos e não gostem de os ver transformados em escravos, um primeiro-ministro capaz de ser competente em democracia, um ministro das Finanças que faça previsões sérias.   Não está em causa se é um governo de direita, de esquerda, ou de salvação nacional, que seja competente, honesto e formado por gente que goste do seu país e do seu povo.
Se Passos Coelho não consegue ou não quer governar em democracia e tratando os portugueses com igualdade, então que se vá embora, que vá trabalhar para as empresas do padrinho.


(Texto publicado no blogue "O Jumento", 06/07/2012)
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quinta-feira, 28 de junho de 2012

O antigo papagaio das TVs não passa afinal... de um sapo com penas coloridas !

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Carta aberta ao ministro Nuno Crato

in Público, 21/6/2012
Santana Castilho


Senhor ministro:

(...) O homem que havia interrogado o país sobre a continuidade de um primeiro-ministro que mentia, referindo-se a Sócrates, rápido se revelou mais mentiroso que o antecessor.   E o senhor foi igualmente célere em esquecer tudo o que tinha afirmado enquanto crítico do sistema.   Não me refiro ao que escreveu e disse quando era membro da Comissão Permanente do Conselho Nacional da UDP.   Falo daquilo que defendia no “Plano Inclinado”, pouco tempo antes de ser ministro.    Ambos, Passos Coelho e o senhor, rapidamente me reconduziram a Torga, que parafraseio:   não há entendimento possível entre nós; separa-nos um fosso da largura da verdade; ouvir-vos é ouvir papagaios insinceros.

Para o Governo a que o senhor pertence, a Educação é uma inevitabilidade, que não uma necessidade.   Ao mesmo tempo que a OCDE nos arruma na cauda dos países com maiores desigualdades sociais, lembrando-nos que só o investimento precoce nas pessoas promove o desenvolvimento das sociedades, Passos Coelho encarregou-o, e o senhor aceitou, de recuperar o horizonte de Salazar e de a reduzir a uma lógica melhorada do aprender a ler, escrever e contar.   Sob a visão estreita de ambos, estamos hoje, em relação a ela, com a mais baixa taxa de esforço do país em 38 anos de democracia.

O conflito insanável entre Crato crítico e Crato ministro foi eloquentemente explicado no último domingo de Julho de 2011, no programa do seu amigo, professor Marcelo.   Sujeito a perguntas indigentes, o senhor só falou, sem nada dizer, com uma excepção:   estabeleceu bem a diferença entre estar no Governo e estar de fora.   Quando se está no Governo, afirmou, “tem de se saber fazer as coisas”; quando se está de fora, esclareceu, apresentam-se “críticas e sugestões, independentemente da oportunidade”.   Fiquei esclarecido e acedi ao seu pedido, implícito, para arquivarmos o crítico.   Mas é tempo de recordar algumas coisas que tem sabido fazer e que relações adultas estabeleceu connosco.

A sua pérola maior é o prolixo documento com que vai provocar a desorganização do próximo ano lectivo, marcado pela obsessão de despedir professores.   Autocraticamente, o senhor aumentou o horário de trabalho dos professores, redefinindo o que se entende por tempos lectivos;  reduziu brutalmente as horas disponíveis para gerir as escolas, efeito que será ampliado pela loucura dos giga-agrupamentos;  cortou o tempo, que já era exíguo, para os professores exercerem as direcções das turmas;  amputou um tempo ao desporto escolar;  e determinou que os docentes passem a poder leccionar qualquer disciplina, de ciclos ou níveis diferentes, independentemente do grupo de recrutamento, desde que exista “certificação de idoneidade”, forma prosaica de dizer que vale tudo logo que os directores alinhem.   Consegue dormir tranquilo, desalmado que se apresenta, perante um cenário de despedimento de milhares de professores?

O despacho em apreço bolsa autonomia de cada artigo.   Mas é uma autonomia cínica, como todas as suas políticas.   Uma autonomia decretada, envenenada por normas, disposições, critérios e limites.   Uma autonomia centralizadora, reguladora, castradora, afinal tão ao jeito do marxismo-leninismo em que o senhor debutou politicamente.   Poupe-nos ao disfarce de transferir para o director (que não é a escola), competências blindadas por uma burocracia refinada, que dizia querer implodir e que chega ao supino da cretinice com a fórmula com que passará à imortalidade kafkiana:   CT=K x CAP + EFI + T, em que K é um factor inerente às características da escola, CAP um indicador da capacidade de gestão de recursos humanos, EFI um indicador de eficácia educativa (pergunte-se ao diabo ou ao Tiririca o que isso é) e T um parâmetro resultante do número de turmas da escola ou agrupamento.   Por menos, mentes sãs foram exiladas em manicómios.

Senhor ministro, vai adiantada esta carta, mas a sua “reorganização curricular” não passará por entre as minhas linhas como tem passado de fininho pela bonomia da comunicação social.   O rigor que apregoa mas não pratica, teria imposto o único processo sério que todos conhecem:   primeiro ter-se-iam definido as metas de chegada para os diferentes ciclos do sistema de ensino;  depois, ter-se-ia desenhado a matriz das disciplinas adequadas e os programas respectivos;  e só no fim nos ocuparíamos das cargas horárias que os cumprissem.   O senhor inverteu levianamente o processo e actuou como um sapateiro a quem obrigassem a decidir sobre currículo:   fixou as horas lectivas e anunciou que ia pensar nas metas, sem tocar nos programas.   Lamento a crueza mas o senhor, que sobranceiramente chamou ocultas às ciências da educação, perdeu a face e virou bruxo no momento de actuar:   simplesmente achou.   O que a propósito disse foi vago e inaceitavelmente simplista.   O que são “disciplinas estruturantes” e por que são as que o senhor decretou e não outras?   Quais são os “conhecimentos fundamentais”?   O que são o “ensino moderno e exigente” ou a “redução do controlo central do sistema educativo”, senão versões novas do “eduquês”, agora em dialecto “cratês”?   Mas o seu fito não escapa, naturalmente, aos que estão atentos:   despedir e subtrair à Educação para adicionar à banca.

Duas palavras, senhor ministro, sobre o Estatuto do Aluno.   É preciso topete para lhe acrescentar a Ética Escolar.   Lembra-se da sua primeira medida, visando alunos?   Eu recordo-lha:   foi abolir o prémio para os melhores, instituído pelo Governo anterior.   Quando o senhor revogou, já os factos que obrigavam ao cumprimento do prometido se tinham verificado.   O senhor podia revogar para futuro.   Mas não podia deixar de cumprir o que estava vencido.   Que aconteceu à ética quando retirou, na véspera de serem recebidos, os prémios prometidos aos alunos?   Que ética lhe permitiu que a solidariedade fosse imposta por decreto e assente na espoliação?   Que imagem da justiça e do rigor terão retirado os alunos, os melhores e os seus colegas, do comportamento de que os primeiros foram vítimas?   Terão ou não sobeja razão para não acreditarem nos que governam e para lamentarem a confiança que dispensaram aos professores que, durante 12 anos, lhes ensinaram que a primeira obrigação das pessoas sérias é honrar os compromissos assumidos?   Não é isso o que os senhores hoje invocam quando reverenciam Sua Santidade a Troika?   Da sua ética voltámos a dar nota quando obrigou jovens com necessidades educativas especiais a sujeitarem-se a exames nacionais, em circunstâncias que não respeitam o seu perfil de funcionalidade, com o cinismo cauteloso de os retirar depois do tratamento estatístico dos resultados.   Ou quando, dias antes das inscrições nos exames do 12º ano, mudou as respectivas regras, ferindo de morte a confiança que qualquer estudante devia ter no Estado.   Ou, ainda, quando, por mais acertada que fosse a mudança, ela ocorreu a mais de meio do ano-lectivo (condições de acesso ao ensino superior por parte de alunos do ensino recorrente).  

Compreenderá que sorria ironicamente quando acrescenta a Ética Escolar a um Estatuto do Aluno assente no castigo, forma populista de banir os sintomas sem a mínima preocupação de identificar as causas.   Reconheço, todavia, a sua coerência neste campo:   retirar os livros escolares a quem falta em excesso ou multar quem não quer ir à escola e não tem dinheiro para pagar a multa, fará tanto pela qualidade da Educação como dar mais meios às escolas que tiverem melhores resultados e retirá-los às que exibam dificuldades.   Perdoar-me-á a franqueza, mas vejo-o como um relapso preguiçoso político, que não sabe o que é uma escola nem procurou aprender algo útil neste ano de funções.
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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Vitor Gaspar - um "merceeiro" nas contas do Estado

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Défice do subsector Estado estava acima dos 2,7 mil milhões de euros no final de Maio, mais 700 milhões que em igual período do ano passado. Contas saem penalizadas pela quebra na cobrança de impostos indirectos, como o IVA.


Más notícias para as contas públicas.   O Estado arrecadou menos 3,5% em impostos nos primeiros cinco meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2011.   Esta quebra nas receitas torna mais complicado o objectivo de alcançar um défice de 4,5% no final de 2012.
Segundo o boletim de execução orçamental, divulgado esta sexta-feira pela Direcção-Geral do Orçamento (DGO), há uma quebra de 5,9% no montante recolhido através de impostos indirectos, como o IVA (cuja taxa aumentou recentemente para 23%), até 31 de Maio.

Por outro lado, houve um ligeiro aumento de 0,3% nos impostos directos, como o IRS e o IRC, mas é insuficente para equilibrar as perdas dos impostos indirectos.
Ainda de acordo com os dados divulgados pela DGO, o défice do subsector Estado estava, no final de Maio, acima de 2,7 mil milhões de euros, mais 700 milhões que em igual período do ano passado.
A despesa do Estado aumentou 3,4%, sobretudo devido a rubricas como o pagamento de juros, mas foi registada uma redução de 7,3% nas despesas com pessoal e as compras de bens e serviços diminuem 7,9%.
O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, já tinha admitido esta quinta-feira que "a informação disponível sobre o comportamento das receitas não é positiva".

"Estamos um pouco preocupados"
Francisco Sarsfield Cabral, especialista da Renascença em assuntos económicos, considera que esta execução orçamental é uma "má notícia", sobretudo por causa da prestação do lado da receita.

“A grande questão é saber o que o Governo vai fazer quando é reafirmado o objectivo de 4,5% do défice.   Já não pode haver recurso a receitas extraordinárias, as privatizações também não servem para atenuar o défice deste ano.   Estamos todos muito curiosos e um pouco preocupados com o que possa acontecer”, sublinha Sarsfield Cabral.

(fonte daqui)

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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Banqueiros e políticos - a maior fraude do século na destruição dos países e dos povos!


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Esta garota canadiana de 12 anos, Victoria Grant, surge aqui a explicar, duma maneira simples e inteligente, como é que a perniciosa e corrupta acção conjunta dos bancos e dos políticos conduziram os países à falência por dívidas abismais, tudo em benefício único dos banqueiros e através de "dinheiro virtual" onde, na maioria dos casos, eles não precisaram de outro movimento para além de um simples toque na tecla de um computador.   Vale a pena ver o vídeo deste discurso da pequena e reflectir sobre o assunto!



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quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Presidente não escreve segundo o Acordo. Então porque raio o promulgou?

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Inconsciência, irresponsabilidade, ignorância, falta de sentido de Estado, falta de amor à Pátria e a um dos seus valores máximos - a Língua Portuguesa e as suas origens?  Ou simplesmente alguém que não tem a mínima noção do cargo que ocupa? 

Aproveite e assine, hoje mesmo, esta ILC (Iniciativa Legislativa de Cidadãos) para que tal aberração - o famigerado Acordo Ortográfico - possa vir a ser banido da nossa legislação e das nossas escolas!




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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Tua e Sabor - A fraude do Plano Nacional de Barragens!

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Não obstante o anúncio do ministro da economia, hoje mesmo, da "intenção" de cortar nas rendas às Eléctricas que operam em Portugal, a verdade é que, dentro de poucos anos, Portugal irá ter a electricidade mais cara do mundo devido ao Plano Nacional de Barragens e aos Parques Eólicos.   Feitas as contas estas novas barragens vão produzir 0% de energia líquida.   No entanto, o Estado comprometeu-se a dar às concessionárias hidroeléctricas 49 milhões de euros por ano, haja ou não produção, enquanto o custo das próprias barragens aponta para mais de 16 mil milhões de euros.   Estas são algumas das verdades pouco divulgadas, se não mesmo escondidas, do Plano Nacional de Barragens.



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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os Donos de Portugal - desde o século XIX


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Transmitido pela RTP2 em 24/04/2012, "Donos de Portugal" é um documentário sobre cem anos de poder económico.   O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.

Mello, Champalimaud, Espírito Santo - as grandes famílias cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança.   Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político.   Novos grupos económicos - Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.

Quando a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.

(Documentário de Jorge Costa)




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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ainda as SCUT e os ruinosos negócios dos governos Sócrates!

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Henrique Neto (ex-deputado do PS) defende que José Sócrates deve ser investigado pela justiça portuguesa devido à sua governação.

Acho que ele [anterior primeiro-ministro] é o grande culpado, porque é evidente que tudo o que os ministros das Obras Públicas fizeram, fizeram-no sobre as ordens dele.   E a política foi definida por ele – era uma política autoritária e irrealista e era dele.   Mas, enfim, a investigação dirige-se aos ministros, por isso espera-se que a investigação realmente identifique quem foram os culpados", disse à Renascença.

Temos uma classe política que pode fazer tudo o que quiser?”, questiona o empresário, respondendo: “acho que se devia investigar”.

O antigo dirigente e deputado do PS disse ainda apoiar a investigação judicial solicitada pelo Automóvel Club de Portugal (ACP) aos ex-responsáveis pelo Ministério das Obras Públicas que aprovaram as parcerias público-privadas (PPP).

Já mandei um mail ao presidente do ACP a cumprimentá-lo pela decisão.  Finalmente a sociedade civil mexeu-se”, sublinha.
O Automóvel Clube de Portugal (ACP) fala em gestão danosa na concessão das SCUT e apresentou queixa contra três antigos governantes do PS com responsabilidades no sector das obras públicas.   São os casos de Mário Lino, António Mendonça e Paulo Campos.   O Presidente do ACP, Carlos Barbosa, confirma que entregou uma participação criminal no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).

A boa ideia de se fazerem as SCUT para as pessoas terem uma maior mobilidade e sobretudo para o desenvolvimento das regiões acaba no fundo por cair por terra”, lamenta, já que “o pagamento das SCUT hoje em dia é obrigatório devido uma eventual gestão danosa por quem celebrou esses contratos todos”.

Entende Carlos Barbosa “que os políticos não são só julgados em eleições, têm de ser julgados pelos seus actos, se for caso disso”. Por isso, o ACP apresentou “uma série de documentos e provas ao DCIAP para que agora investigue junto de quem de direito se houve ou não gestão danosa”.

E se houve gestão danosa”, pede o presidente do ACP, "os políticos que fizerem esses contratos ruinosos para o país que sejam condenados”.

A associação queixa-se de gestão danosa nas concessões rodoviárias, sublinhando que as parcerias público-privadas dispararam durante os últimos anos dos Governos de José Sócrates.

O ACP considera que os visados são responsáveis por um prejuízo de vários milhares de milhões de euros, a suportar pelos portugueses.

(Fonte:   daqui e daqui;  sublinhados deste blogue)

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Europa em tempos de mudança ? – ou é mais baralhar e voltar a dar ?

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Os europeus  revoltados


Os franceses estão revoltados. Os gregos, também. Já era tempo.

Ambos os países realizaram eleições no domingo, que não foram mais do que referendos sobre a actual estratégia económica europeia, e em ambos os países os eleitores votaram os dois polegares para baixo.  Está longe de ser claro o quão breve os votos vão levar a mudanças na política real, mas o tempo está claramente a esgotar-se para a estratégia de recuperação através de austeridade - e isso é uma coisa boa.

Escusado será dizer que não foi isso que se ouviu dos suspeitos do costume em vésperas das eleições.  Foi realmente anedótico ver os apóstolos da ortodoxia que tentam retratar o cauteloso e bem-educado François Hollande como uma figura de ameaça.  Ele é "bastante perigoso", disse o The Economist, acrescentando que ele "realmente acredita na necessidade de criar uma sociedade mais justa."  Quelle horreur!

A  verdade é que a vitória do Sr. Hollande significa o fim do "Merkozy", o eixo franco-alemão que impôs um regime de austeridade nos últimos dois anos.  Isto seria um desenvolvimento "perigoso" se esta estratégia tivesse funcionado, ou mesmo se tivesse uma possibilidade mínima de funcionamento. Mas não é, e não funcionou; e é tempo de seguir em frente. Os eleitores europeus, ao que parece, são mais espertos do que os melhores e mais brilhantes do Continente.

O que há de errado com a prescrição de cortes de gastos como remédio para os males da Europa?  Uma resposta é que a fada confiança não existe - isto é, confirma que o cortar dos gastos do governo iria, de alguma forma, incentivar os consumidores e empresas a gastar mais, foi esmagadoramente refutado pela experiência dos últimos dois anos.  Assim, os cortes de gastos numa economia deprimida apenas provocam uma depressão ainda mais profunda.

Além disso, parece haver pouco ou nenhum ganho em troca do sofrimento.  Considere-se o caso da Irlanda, que tem sido um bom soldado nesta crise, impondo cada vez mais duras medidas de austeridade, numa tentativa de reconquistar os mercados de títulos.  De acordo com a ortodoxia dominante, isso deveria funcionar.  Na verdade, a vontade de acreditar é tão forte que os membros da elite política da Europa continuam a proclamar que a austeridade irlandesa de facto funciona, e que a economia irlandesa começou a recuperar.

Mas ela não tem recuperado.  E, embora nunca se venha a saber através de uma grande parte da imprensa, os custos dos empréstimos irlandeses continuam muito superiores aos de Espanha ou Itália, quanto mais aos da Alemanha.  Então, quais são as alternativas?

Uma resposta - uma resposta que faz mais sentido do que quase ninguém na Europa está disposta a admitir - seria para quebrar o euro, a moeda comum da Europa.  A Europa não teria essa cotação se a Grécia ainda tivesse o seu dracma, Espanha a sua peseta, Irlanda o seu punt, e assim por diante, porque a Grécia e a Espanha teriam o que eles agora não têm:  uma forma rápida para restaurar a competitividade e aumento das exportações, ou seja, a desvalorização.

Como contraponto à triste história da Irlanda, considere-se o caso da Islândia, que era o marco zero da crise financeira, mas que foi capaz de responder ao desvalorizar a sua moeda, a coroa (e também teve a coragem de deixar os seus bancos falirem, falhando o pagamento das suas dívidas).  Certamente que a Islândia está experimentando a recuperação que a Irlanda deveria ter, mas não tem.

No entanto, quebrar o euro seria altamente perturbador, e também representaria uma grande derrota para o "projecto europeu", o esforço de longo prazo para promover a paz e a democracia através de uma maior integração.  Existe outra maneira?  Sim, existe  -  e os alemães têm mostrado a forma como pode funcionar.  Infelizmente, eles não entendem as lições de sua própria experiência.

Fala-se com os líderes de opinião alemães sobre a crise do euro e eles gostam de apontar que a sua própria economia estava estagnada nos primeiros anos da década passada, mas conseguiu recuperar.  O que eles não gostam de reconhecer é que esta recuperação foi impulsionada pelo surgimento de um enorme superávit comercial alemão relativamente a outros países europeus - em particular relativamente às nações agora em crise - que foram crescendo, experienciando uma inflação acima do normal, graças a juros baixos.  A crise dos países da Europa pode ser capaz de imitar o sucesso da Alemanha se eles beneficiarem de um ambiente comparativamente favorável - isto é, se desta vez for o resto da Europa, especialmente a Alemanha, a experienciar um pouco do boom inflacionário.

Assim, a experiência da Alemanha não é, como os alemães imaginam, um argumento para a austeridade unilateral no Sul da Europa, é antes um argumento muito maior para políticas expansionistas noutras áreas, e em particular para o Banco Central Europeu deixar a sua obsessão com a inflação, focando-se no crescimento.

Os alemães, escusado será dizer, não gostam desta conclusão, nem a liderança do banco central.  Eles apegam-se às suas fantasias de prosperidade através do sofrimento, insistindo que continuar com sua estratégia falhada é a única coisa responsável a fazer.  Mas parece que eles já não terão o apoio incondicional do Palácio do Eliseu.  E isso, acredite-se ou não, significa que ambos, o euro e o projecto europeu, têm agora uma possibilidade melhor de sobreviver do que até há poucos dias.
(Paul Krugman, In The New YorkTimes, em 06-05-2012)
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sábado, 28 de abril de 2012

Momentos idos... esquecidos.


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Tu que és vida, cor, encanto e música,
desafio, tranquilidade, doçura e sedução,
amora fresca que pinta de rosa minha boca,
visão do paraíso, essência do amor e da paixão,
fome e sede em um tempo só, imensidão do mar,
céu estrelado, cheiro a maresia e terra molhada,
praia de areias quentes, nuvem mensageira,
o brilho dos teus olhos é fulgor na madrugada.

Tu que és ternura e beleza, loucura, saudade,
murmúrio de fantasia, suspiro de amor,
luz do luar, meiguice e dom da natureza,
jardim perfumado, campo aberto em flor,
água pura da fonte, renda de linho, singeleza,
trazes contigo a esperança e a melodia
do teu corpo belo de menina e de mulher
que tem no ritual do amor toda a magia.

Tu que és rosa, orquídea e flor silvestre,
brisa fresca em manhã de primavera,
perfume de giesta, aroma de urze campestre,
gota de orvalho em meus dedos inquietos,
deixa-me sentir a ternura dos teus beijos,
sonhar contigo as madrugadas do amor
e enlear-me nos teus braços, todo entregue
à volúpia do sentir os teus desejos.

E deixo o pensamento à solta
abrindo clareiras de imaginação!
Quanto mais longe de ti mais perto…
que este aperto permanente no peito
é a Verdade que me vem de dentro!
Não se ouve, não se explica nem se entende…
mas nem precisa de demonstração!

E já que não posso ter-te aqui e agora
e fazer amor contigo até ser dia,
a ti, passarinho chilreando na folhagem,
eu canto este amor em poesia!

(Março, 2001)
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quarta-feira, 25 de abril de 2012

38 anos depois... dos canalhas anteriores só mudaram as caras!


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Os farsolas do regime



1.   Comemora-se hoje o 25 de Abril.   Foi há 38 anos.   “O País perdeu a inteligência e a consciência moral.   Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos.   A prática da vida tem por única direcção a conveniência.   Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida.   Já não se crê na honestidade dos homens públicos.   O povo está na miséria.   O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia.   Vivemos todos ao acaso.   O tédio invadiu as almas.   A ruína económica cresce.   O comércio definha.   A indústria enfraquece.   O salário diminui.   O Estado tem que ser considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo”.   Estas frases corridas pertencem a Eça de Queirós e foram citadas por Paulo Neves da Silva, em livro editado pela Casa das Letras.   A quem revê nelas o país em que hoje vive, pergunto:   e não fazemos nada?

2.   A evolução dos indicadores é oficial:   desemprego em dramático crescimento, PIB em queda alarmante e execução orçamental do primeiro trimestre do ano muito longe do equilíbrio prometido.   Dizem os farsolas do regime que não há tempo para resultarem as políticas de extermínio dos funcionários públicos, classe média e reformados.   Asseveram que é preciso esperar.   Aceita-se, naturalmente, que a falta de recursos traga os custos para a primeira linha das análises e que a eficiência preocupe a governação.   Mas no binómio “recursos mobilizados- resultados obtidos”, gastar menos, obtendo piores resultados, mesmo que melhore a eficiência, é inaceitável.   Cortar despesas de modo cego, mantendo intocáveis os grandes sugadores do país, é inaceitável.   Em Washington, Vítor Gaspar teve o topete de declarar que as medidas de austeridade não afectaram os mais vulneráveis.   E a propósito dos subsídios confiscados, o decoro mínimo não impediu Paula Teixeira da Cruz de desmentir o primeiro-ministro, que já tinha desmentido Vítor Gaspar.   Como se a confiança no Estado aguentasse todas as diatribes.   “Não podemos viver acima das nossas possibilidades” é uma frase batida dos farsolas do regime.   A dívida pública e a dívida privada têm que ser pagas, recordam-nos.   Aos funcionários públicos espoliados e aos que nunca viveram acima das suas possibilidades, pergunto:   e não fazemos nada?

3.   Na quarta-feira passada ouvi Nuno Crato na TVI 24.   Afirmou que não há razões pedagógicas para dizer que 30 alunos por turma seja mau.   Perante o esboço de contraditório do entrevistador, perguntou-lhe quantos alunos tinham as turmas no tempo dele.   Esta conversa não é de ministro.   É de farsola, que não distingue pedagogia de demagogia.   No meu Alentejo e no meu tempo, não raro se encontravam à porta de uma ou outra casa, em dias de sol, dejectos humanos a secar.   Eram de um doente com icterícia, que os tomaria posteriormente, secos, diluídos e devidamente coados.   Pela ministerial lógica justificativa, bem pode Sua Excelência anotar a receita para os futuros netos.   Garanto-lhe, glosando Américo Tomás, pensador do mesmo jeito, que os que não morriam salvavam-se!   A dimensão das turmas tem óbvia implicação no aproveitamento e na disciplina.  
William Gerald Golding, Nobel da literatura em 1983, foi, durante 3 décadas, professor.   Interrogado uma vez por um jornalista sobre o método que usava para ensinar, respondeu que com 10 alunos na sala de aula qualquer método servia, mas com 30 nenhum resultava.   A resposta de Golding retorna à minha mente cada vez que surge um econometrista moderno a tentar convencer-me de que o tamanho das turmas não tem a ver com o sucesso das aprendizagens.   Não nos iludamos com a profusão de estudos sobre a relevância das variáveis que condicionam as aprendizagens e, particularmente, com as correlações especulativas estabelecidas entre elas.   Imaginemos que os resultados obtidos num sistema de ensino onde as turmas têm, em média, 35 alunos, são melhores que os obtidos por turmas de 20, de outro sistema.   Alguma vez permite essa constatação concluir que o tamanho da turma não importa?   Que aconteceria aos resultados do primeiro sistema se as turmas passassem de 35 para 20 alunos, no pressuposto de que tudo o mais não se alterava?

Poderíamos e deveríamos discutir se temos recursos financeiros para manter a actual dimensão máxima das turmas.   E poderíamos concluir que não.   Poderíamos e deveríamos discutir o peso e a hierarquia, em termos de resultados, das diferentes variáveis que condicionam as aprendizagens.  E poderíamos concluir que, antes da dimensão das turmas, outras se impõem pelo seu impacto e relevância.   Mas não afrontemos com pseudo razões pedagógicas a experiência comprovada da sala de aula, que torna evidente que a probabilidade de sucesso aumenta se cada professor tiver menos alunos com quem repartir esforços e atenção.   Aos professores adormecidos pergunto:   e não fazemos nada?
 
 
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quarta-feira, 28 de março de 2012

A perigosa e ameaçadora turba ululante do Chiado...

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Toda a verdade sobre a carga policial de 22/03/2012

Eis o vídeo que mostra toda a verdade - uma turba ululante e ameaçadora, que brandia forquilhas e charruas, enchadas e machados e marretas, cartuchos de dinamite e centenas de garrafas cheias de gasolina (vulgo, cocktails Molotov), e até mesmo granadas e metralhadoras afirmam alguns terem visto escondidas por entre esta enorme multidão enfurecida de dezenas de milhares de cidadãos bandidos que, tudo indica, se preparavam para deitar o Chiado abaixo, pulverizar os vidros das montras, rechaçar os carros e esplanadas, praticar actos de pilhagem, e até, quem sabe, incendiar novamente o Chiado!

Mas, eis senão quando...  chegou a polícia para acalmar os ânimos e acabar com toda esta ameaça ou a cidade ficaria reduzida a pó, tal era a senha ameaçadora dos transeuntes, digo, dos manifestantes revoltosos bem armados e bem organizados!  Lembro até aqueles bandidos disfarçados de mulheres indefesas que foram impiedosamente caçadas e atiradas ao chão, e bem castigadas com umas valentes bastonadas!  Ora toma, que é para aprenderem a não voltarem a ameaçar a pacatez da cidade e a louvável serenidade das forças da ordem!

Daqui, um obrigado às forças policiais e a quem as dirige.  Posso agora dormir mais descansado, sabendo que posso confiar inteiramente nas forças policiais deste país! 



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terça-feira, 27 de março de 2012

PPPs - a canalhice e o roubo que todos iremos pagar nos próximos 30/40 anos!

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Do programa «Olhos nos Olhos» na TVI24, este vídeo onde Medina Carreira e Avelino de Jesus, professor do ISEG, explicam tudo sobre as Parcerias Público-Privadas (PPP), um dos maiores roubos (a par do BPN) perpetrado nos últimos anos por políticos tão inábeis quanto corruptos que, negociando com uma total falta de transparência, nos vão estrangular durante os próximos 30/40 anos, em favor de interesses bem conhecidos de privados, também eles criminosamente desonestos.



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sábado, 24 de março de 2012

Portugal e Suécia - os "extremos" da Europa na corrupção e nas mordomias!

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Nada como apreciar estes dois videos para ter uma ideia da distância (não só a física) entre estes dois países, ambos pertencentes à Europa e ambos requerendo o mesmo estatuto de "democracias".   São tantas e tais as náuseas que o primeiro me provoca, que me dispenso de fazer quaisquer comentários, já que só poderiam reflectir este meu estado de desarranjo gástrico!

Apenas uma referência especial para as palavras do fiscalista Tiago Caiado Guerreiro no primeiro video:

«Em Portugal, as leis são feitas exactamente para não ser possível apanhar as pessoas em situação de corrupção…  temos normas que tornam totalmente impossível apanhar um corrupto em Portugal… as normas são feitas exactamente para não ser possível apanhar as pessoas em situação de corrupção e não se conseguir provar em tribunal…  

Estes casos todos que estão em tribunal não vão dar em nada porque, mesmo que eles fossem filmados no acto de corrupção, seria difícil provar em tribunal com as normas que temos, quanto mais com advogados competentes (do lado dos corruptos)…

Se juntarmos a isto, tribunais pouco treinados e normas que não funcionam, então isto é o paraíso dos corruptos.   Aliás, todos nós conhecemos casos, ao longo do país todo, de fortunas inexplicáveis que continuam inexplicáveis e que apareceram de repente, após o exercício de cargos políticos ou em ligação com o Poder…

Agora, um conjunto enorme de medidas, em vez de normas claras e transparentes sobre o que é a corrupção, e isto não é difícil de fazer, basta copiar o que existe, por exemplo, nos cinco países menos corruptos do mundo, são normas que são muito transparentes…  aplicam-se só a detentores de cargos políticos, por isso são muito mais focadas naqueles que têm o risco de praticar a corrupção…

Todos nós sabemos que muita gente sai dos cargos públicos, políticos, e depois vai para a frente de grandes empresas e alguns deles criam grandes fortunas, quer dizer, tudo coisas que são inexplicáveis e inaceitáveis em sociedades civilizadas, excepto neste país, onde se pode bater sempre no contribuinte mas tratamos maravilhosamente bem os corruptos…

Nós não temos um combate à corrupção.   Temos normas de branqueamento, que é uma coisa diferente. Temos normas que permitem aos corruptos saírem de um julgamento todos praticamente ilibados…»




E o modelo sueco:


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quinta-feira, 22 de março de 2012

Excelente! - já estamos a meio da ponte!...

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"Já estamos a meio da ponte"! 


Quem disse isto é um governante que "sabe o que diz" - nem mais nem menos que o sr. Gaspar, distinto ministro das finanças deste governo.   Aquele mesmo que, depois de todas aquelas contas de merceeiro - sacando aos mais pobres para dar aos mais ricos - vai acabar por chegar ao fim de 2012 com metade da receita que imaginou embolsar.   Quero crer que, a ser verdade esta afirmação, ela só pode partir do pressuposto de que a outra metade da ponte...  ruíu!  
A partir daí é só mais um passinho e... pumba, segue-se um festival de cambalhotas e piruetas para tentar salvar o coiro, mantendo a cabeça fora da água!   Da água?  digo, da lama, da merda, em que os crápulas bem conhecidos  - os mesmos de sempre que vão continuando a encher a pança - nos atiraram, sem que lhes tenham sido exigidas responsabilidades, antes continuando a auferir de lautas e gordas fortunas mensais como "recompensa".   A ser verdade esta afirmação, ela só tem paralelo com outra das suas - "vamos aos mercados no dia 23 de Setembro de 2013".   Fiquei preocupado.   Apenas porque, com toda esta precisão, ele esqueceu-se de dizer a hora exacta.   Apenas e só por isso...

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sexta-feira, 16 de março de 2012

Ingratidão e falta de memória, ou Os carrascos da Europa

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A Alemanha regista a pouco honrosa distinção de ter entrado em bancarrota em 1920 e em 1953. Da última vez, Berlim contou com a ajuda financeira da Grécia

A ingratidão dos países, tal como a das pessoas, é acompanhada quase sempre pela falta de memória. Em 1953, a Alemanha de Konrad Adenauer entrou em default, falência, ficou Kaput, ou seja, ficou sem dinheiro para fazer mover a actividade económica do país.   Tal qual como a Grécia actualmente.
A Alemanha negociou 16 mil milhões de marcos em dívidas de 1920 que entraram em incumprimento na década de 30 após o colapso da bolsa em Wall Street.   O dinheiro tinha-lhe sido emprestado pelos EUA, pela França e pelo Reino Unido.
Outros 16 mil milhões de marcos diziam respeito a empréstimos dos EUA no pós--guerra, no âmbito do Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs (LDA), de 1953.   O total a pagar foi reduzido 50%, para cerca de 15 mil milhões de marcos, por um período de 30 anos, o que não teve quase impacto na crescente economia alemã.

O resgate alemão foi feito por um conjunto de países que incluíam a Grécia, a Bélgica, o Canadá, Ceilão, a Dinamarca, França, o Irão, a Irlanda, a Itália, o Liechtenstein, o Luxemburgo, a Noruega, o Paquistão, a Espanha, a Suécia, a Suíça, a África do Sul, o Reino Unido, a Irlanda do Norte, os EUA e a Jugoslávia.   As dívidas alemãs eram do período anterior e posterior à Segunda Guerra Mundial.   Algumas decorriam do esforço de reparações de guerra e outras de empréstimos gigantescos norte-americanos ao governo e às empresas.

Durante 20 anos, como recorda esse acordo, Berlim não honrou qualquer pagamento da dívida.

Por incrível que pareça, apenas oito anos depois de a Grécia ter sido invadida e brutalmente ocupada pelas tropas nazis, Atenas aceitou participar no esforço internacional para tirar a Alemanha da terrível bancarrota em que se encontrava.   Ora os custos monetários da ocupação alemã da Grécia foram estimados em 162 mil milhões de euros sem juros.
Após a guerra, a Alemanha ficou de compensar a Grécia por perdas de navios bombardeados ou capturados, durante o período de neutralidade, pelos danos causados à economia grega, e pagar compensações às vítimas do exército alemão de ocupação. As vítimas gregas foram mais de um milhão de pessoas (38 960 executadas, 12 mil abatidas, 70 mil mortas no campo de batalha, 105 mil em campos de concentração na Alemanha, e 600 mil que pereceram de fome).   Além disso, as hordas nazis roubaram tesouros arqueológicos gregos de valor incalculável.

Qual foi a reacção da direita parlamentar alemã aos actuais problemas financeiros da Grécia?   Segundo esta, a Grécia devia considerar vender terras, edifícios históricos e objectos de arte para reduzir a sua dívida.

Além de tomar as medidas de austeridade impostas, como cortes no sector público e congelamento de pensões, os gregos deviam vender algumas ilhas, defenderam dois destacados elementos da CDU, Josef Schlarmann e Frank Schaeffler, do partido da chanceler Merkel.   Os dois responsáveis chegaram a alvitrar que o Partenon e algumas ilhas gregas no Egeu, fossem vendidas para evitar a bancarrota.   “Os que estão insolventes devem vender o que possuem para pagar aos seus credores”, disseram ao jornal “Bild”.
Depois disso, surgiu no seio do executivo a ideia peregrina de pôr um comissário europeu a fiscalizar permanentemente as contas gregas em Atenas.

O historiador Albrecht Ritschl, da London School of Economics, recordou recentemente à “Spiegel” que a Alemanha foi o pior país devedor do século xx.   O economista destaca que a insolvência germânica dos anos 30 faz a dívida grega de hoje parecer insignificante.

“No século xx, a Alemanha foi responsável pela maior bancarrota de que há memória”, afirmou.   “Foi apenas graças aos Estados Unidos, que injectaram quantias enormes de dinheiro após a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, que a Alemanha se tornou financeiramente estável e hoje detém o estatuto de locomotiva da Europa.   Esse facto, lamentavelmente, parece esquecido”, sublinha Ritsch.   O historiador sublinha que a Alemanha desencadeou duas guerras mundiais, a segunda de aniquilação e extermínio, e depois os seus inimigos perdoaram-lhe totalmente o pagamento das reparações ou adiaram-nas.  

A Grécia não esquece que a Alemanha deve a sua prosperidade económica a outros países.   Por isso, alguns parlamentares gregos sugerem que seja feita a contabilidade das dívidas alemãs à Grécia para que destas se desconte o que a Grécia deve actualmente.

(Por Sérgio Soares, in Iinformação - 16-03-2012)

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quinta-feira, 15 de março de 2012

Badamecos ou badalhocos ou... outra coisa qualquer com um nome mais apropriado!

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Ou há moralidade... 


O OMNIMINISTRO Miguel Relvas informara os portugueses de que as excepções aos cortes salariais na TAP e na CGD foram só "adaptações".   Ontem Vítor Gaspar desmentiu-o:   os cortes serão aplicados "sem excepções nem adaptações".   E repetiu, não fosse Miguel Relvas fazer-se desentendido:   "Sem excepções nem adaptações!".   E no entanto...

E, no entanto, na TAP e na CGD não haverá cortes salariais.   Talvez não se trate, de facto, de "excepções nem adaptações", mas de outra coisa qualquer a que o ministro um dia dará o nome apropriado.   Mas ou há moralidade ou não comem todos e RTP, ANA, STCP e IN/Casa da Moeda também já exigiram essa outra coisa qualquer, independentemente do nome que tenha.

Se a coerência fosse o forte do ministro das Finanças, pelas mesmas razões que TAP e CGD, designadamente o risco da perda de quadros, a coisa qualquer deveria aplicar-se em todas as empresas públicas e em todos os ministérios e institutos.   E, do mesmo modo, todas as empresas privadas deveriam, como a Lusoponte, poder meter ao bolso 4,4 milhões, todos os bancos serem contemplados, como o BPN, com uma doação de 600 milhões, todas as construtores serem, como a Mota-Engil, subsidiadas para pagar os aumentos do IRC...

O Tribunal Constitucional haveria de, diligentemente, descobrir um expediente jurídico como o da "constitucionalidade temporária" dos confiscos dos subsídios de férias e Natal para tudo isso estar nos conformes.

(Manuel António Pina, in JN de 15-03-2012)

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