domingo, 11 de março de 2012

E assim respondeu o grego Georgios ao alemão Walter

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A publicação na revista Stern de uma carta aberta de um alemão que se sente ofendido com o "estilo de vida" grego suscitou a devida resposta de um grego, também publicada na Stern.   Pelos "equívocos" alemães no que respeita ao tomar o todo (que é o povo grego) pela parte (que são os políticos gregos), tanto quanto as múltiplas culpas que à Alemanha são imputáveis nas condições a que chegou o povo grego, vale a pena a leitura destas duas cartas.


“Carta aberta” de um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida a “caros gregos”


Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos, agora tem de salvar também a Grécia.   Os gregos, que primeiros fizeram alquimias com o euro, agora, em vez de fazerem economias, fazem greves.

Caros gregos,

Desde 1981 pertencemos à mesma família.   Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E.   Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.  Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos.   O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.
No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro.   Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade.   Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo.   Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade.   Não digam, por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm tido e têm.   Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional.   Mas, agora, mostram-nos um caminho errado.   E chegaram onde chegaram, não vão mais adiante!

Na semana seguinte a Stern publicou uma carta aberta de um grego, dirigida a Walter Wuelleenweber:

Caro Walter

Chamo-me Georgios Psomás.   Sou funcionário público e não “empregado público” como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus compatriotas e os teus compatriotas.
O meu salário é de 1.000 euros.   Por mês, hem!...   não vás pensar que por dia, como te querem fazer crer no teu País.   Repara que ganho um número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários milhares.   Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família.   Só que nós vos concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc..   Se me esqueço de alguma coisa, desculpa.   Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são fabricados nas fábricas alemãs.
A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo desastre da Grécia.   Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas alemãs, as que pagaram enormes “comissões” aos nossos políticos para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos fora de uso, que postos no mar, continuam tombados de costas para o ar.   Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo.   Tem paciência, espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, da JUSTIÇA e do CORRECTO.

Estimado Walter,
Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou.   QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia.   Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em:

1.   Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial;
2.   Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.
3.   Os empréstimos em obrigações que contraiu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação.
4.   As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.
5.   As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., etc.).
6.   A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega.  

Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada do que escrevo.   Lamento-o.   Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas.   Amigo Walter:   na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros.   Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro.   Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema.   Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda.   Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, do IKEA.

Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de vida, perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas excursões sexuais à Tailândia?    Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde.   Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem:   empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc.

E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já que vocês também disso são devedores da Grécia:   EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!   Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nosos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres.
E EXIJO QUE SEJA AGORA!   Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados.

Cordialmente,
Georgios Psomás



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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Variações sobre uma aberração chamada de "Acordo Ortográfico"

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O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa


Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam.   Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito.   Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas.  É um fato que não se pronunciam.   Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se?   O que estão lá a fazer?   Aliás, o qe estão lá a fazer?   Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”?   Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome.   Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”.   Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.

Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”.   Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar.   Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”.
Simples não é?   se o som é “s”, escreve-se sempre com s.   Se o som é “z” escreve-se sempre com “z”.

Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”.   Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras.   Nada de “k”.

Não pensem qe me esqesi do som “ch”.   O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”.   Alguém dix “csix” para dezinar o “x”?   Ninguém, pois não?   O “x” xama-se “xis”.   Poix é iso mexmo qe fiqa.

Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x”.

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex.   Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex.   O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural.

No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.

Vejamox o qaso do som “j”.   Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”.   Para qê qomplicar?!?   Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”.   Serto?   Maix uma letra muda qe eliminamox.

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem!   Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex?   Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?

Outro problema é o dox asentox.   Ox asentox só qompliqam!   Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox.   A qextão a qoloqar é:   á alternativa?   Se não ouver alternativa, pasiênsia.   É o qazo da letra “a”.   Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado.   Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax.   Vejamox o “o”:   umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”.   Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso!   Para qe é qe temux o “u”?   Para u uzar, não?   Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil!   Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.

Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza:   quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”.   U mexmu para u som “ê”.   Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”.   I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”.   Sempre.   Simplex i sem qompliqasõex.

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza:   eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” –  ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx”.   Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.

Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?
(Maria Clara Assunçãoaqui;  sugerido por José Martins)
(clique na figura para ler e assinar a ILC - Iniciativa Legislativa de Cidadãos)

«O AO90 está em vigor?   Onde?»
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

É isso aí! - Quando é que nós aprendemos de vez?

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CAMISOLA DA FACULDADE
Tudo começou quando a turma de Direito da faculdade resolveu transformar uma célebre frase em camiseta e ela virou moda no Campus. A turma fez a seguinte frase:


Aí, o pessoal de Medicina resolveu provocar:


O pessoal de Administração não deixou por menos: 2ª


E a turma de Agronomia mandou esta:

E não termina por aí!  Depois foi a vez do pessoal de Publicidade:


Logo veio a turma da Engenharia participar também da brincadeira:


Mas a frase campeã foi realmente a da Economia: 6ª
(Picado daqui)
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O famigerado Acordo Ortográfico e os sabujos que o querem impor !

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A Provedoria de Justiça está a analisar uma queixa que pretende travar o Acordo Ortográfico (AO). Trata-se de um pedido de revisão da constitucionalidade do Acordo, feito por Ivo Miguel Barroso, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que garante que as novas regras de escrita são inconstitucionais.
Ao mesmo tempo, um grupo de cidadãos está a recolher assinaturas para entregar na Assembleia da República e tentar travar o Acordo e vários escritores como Miguel Sousa Tavares e Vasco Graça Moura recusam escrever com a nova grafia. E há até pais que estão a pedir às escolas para que os filhos não aprendam as novas regras.
«A nossa Constituição é rígida», explica Ivo Barroso, sublinhando que «nenhum tratado internacional – como o Acordo Ortográfico – ou recomendação da Assembleia da República podem mudar o que está na lei fundamental do país».
Ou seja, não é por haver um acordo entre os países de Língua Portuguesa que se pode mudar a ortografia que foi usada para escrever a Constituição. Mas esta não é, segundo o especialista, a única inconstitucionalidade do AO.
«Há uma violação grave da identidade nacional e estão em causa direitos fundamentais como o direito à Língua».
Ivo Miguel Barroso defende que «a Língua não se muda por decreto». Lembra que no passado houve «reformas ortográficas», mas nota que «nunca as alterações foram tão profundas como se propõe agora».
Contactada pelo SOL, a Provedoria de Justiça adianta apenas que a queixa «está a ser analisada».

Acordo não está em vigor

Mas esta não é uma tentativa isolada para travar a aplicação das novas regras ortográficas. O tradutor João Roque Dias tem usado a internet para divulgar o que considera serem as «aberrações» do AO. E assegura que não há nada que obrigue a usar a nova ortografia, porque «o Acordo não está em vigor».
Argumentos jurídicos não lhe faltam. «Não há nada que revogue o decreto-lei de 1945, que define as regras da ortografia que usamos», explica lembrando que a legislação nacional que suporta o AO resume-se a uma resolução da Assembleia da República de 2008 e a uma resolução do Conselho de Ministros de 2011 – que obriga todos os documentos oficiais a usar o ‘novo’ Português a partir de 1 de Janeiro de 2012 –, «que juridicamente estão abaixo do decreto-lei e não o podem revogar».
António Emiliano, professor de Linguística da Universidade Nova de Lisboa, é da mesma opinião e lembra que até a forma como o Acordo foi feito na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) é questionável.
«Foi definido que se três países aceitassem o Acordo – neste caso Brasil, São Tomé e Cabo Verde – passaria a estar em vigor, quando a regra na CPLP é a aprovação por unanimidade».
Emiliano acredita, aliás, que a oposição de Angola e Moçambique – que não ratificaram o tratado – pode travar a nova ortografia.
«Angola pode ter um papel determinante», diz. O linguista critica ainda o facto de não haver qualquer estudo sobre os impactos das alterações introduzidas pela nova ortografia e alerta para as consequências económicas:
«Ninguém sabe ao certo quanto será preciso gastar para adaptar ao Acordo os documentos oficiais e livros».
António Emiliano alerta, aliás, para o facto de a nova escrita mudar para sempre a forma como se pronunciam as palavras.
«Na maior parte dos casos, as consoantes mudas servem para abrir as vogais», esclarece, dando um exemplo: «Podemos deixar de dizer ‘telespéctadores’ para passar a ler ‘telespêtadores’».
E há ainda as confusões geradas pelo facto de se deixarem de escrever todas as consoantes que não se lêem sem ter em atenção as palavras que derivam umas das outras.
«Há dias, a minha enteada de 15 anos não conseguia perceber a palavra ‘aspetual’ porque não viu que tinha relação com a palavra ‘aspecto’».
Razões suficientes para Emiliano considerar que o Acordo «é anti-linguístico e não tem respeito pelas regras da etimologia [a evolução das palavras]».

(Margarida Davim - SOL - 2/2/2012)

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domingo, 22 de janeiro de 2012

Vergonha na cara, sr. presidente! Perdeu-a ou nunca a teve?


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Cavaco não consegue viver com 10 mil euros por mês.
Há limites para a indecência

As crises servem para muitas coisas, até para descobrir as pessoas, o seu carácter e a forma como estão na vida.   A natureza humana revela-se sempre nestas alturas, no pior e no melhor.   Não há disfarces, maquilhagens, palhaçadas que resistam aos maus momentos, às horas do tudo ou nada ou mesmo de vida ou de morte.   Um comandante medíocre, cobarde, nunca é o último a abandonar o navio.   Um homem do mar a sério sabe que a sua missão é salvar os outros na hora da tragédia e nunca foge da sua ponte, do seu navio.   Fica até ao fim, com orquestra ou sem ela.   Portugal está a afundar-se.   Por erros e crimes praticados por muitos políticos e pelas suas políticas erradas e nada transparentes.   E por opções ideológicas ultrapassadas baseadas num Estado obeso, no investimento público e na presença fortíssima do Estado nos negócios e na economia.   E por empresários que só sobrevivem num mercado condicionado, sem concorrência a sério, encostados ao Estado e aos políticos do poder.   E também por sindicatos caducos, correias de transmissão dos partidos, sem ideias e incapazes de se adaptar às novas realidades e às exigências de uma economia aberta e global.   A economia está e estará em recessão, centenas de milhares de portugueses estão sem trabalho e metade dos desempregados não recebem qualquer subsídio do Estado.   A fome é uma realidade para muitas famílias e já nem as câmaras nem as instituições de solidariedade social têm meios suficientes para ajudar quem caiu, de um momento para o outro, na miséria.   Muitos cidadãos sem trabalho, qualificados ou sem formação, optam pela emigração para África, o Brasil, a Europa ou mesmo para o golfo Pérsico.   Os salários de quem ainda trabalha estão a ser cortados, os horários aumentam e muitas famílias, mesmo com empregos, têm dificuldades em honrar os seus compromissos mensais.

Pois bem.   É por isso que as pessoas se revoltam legitimamente quando ouvem falar em salários de 45 mil euros por mês na EDP.   É por isso que as pessoas não compreendem que os sacrifícios nunca atinjam a sério os mais privilegiados.   E é por isso também que não se pode aceitar que o Presidente da República diga aos portugueses que não consegue viver com 10 mil euros por mês.   As afirmações de Cavaco Silva são um insulto a milhões de portugueses.   As queixas do chefe do Estado são indignas do cargo que ocupa e devem merecer o repúdio de quem tem um pingo de vergonha na cara e conhece a forma como muitas famílias estão a lutar pela sobrevivência com pensões miseráveis e salários do terceiro mundo.   O Presidente da República tem repetido vezes sem fim que há limites para os sacrifícios.   Mas também é verdade que há limites para a indecência.   E neste mês de Janeiro de 2012, um dos piores anos na história do Portugal democrático, importa lembrar a Cavaco Silva que as suas palavras deixaram de ter qualquer significado e que as suas funções, para as quais foi legitimamente eleito por sufrágio directo e universal dos cidadãos, estão gravemente prejudicadas, mesmo feridas de morte, a partir de hoje.   Obviamente, senhor Presidente da República.

(António Ribeiro Ferreira, IonLine em 21 Jan 2012)

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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Um dia... os "mansos" ainda vão rebentar as correntes !

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O governo como agitador social


Todos os que não puderam fugir às várias contribuições, como é o caso dos funcionários públicos, estão agora a ser castigados, o que é justo, porque dos mansos será o reino dos céus.
Assim, depois de anos a contribuir para a construção de hospitais, escolas e estradas, depois de, por várias vezes, terem sido aumentados abaixo do valor da inflação, depois dos cortes salariais, depois de um corte no subsídio de Natal deste ano, depois de ficar dois anos (na menos pior das hipóteses) sem dois subsídios (ou seja, com mais um corte salarial), os mansos sabem hoje que todos os seus contributos foram desbaratados por corruptos e incompetentes e assistem ao triste espectáculo de um Primeiro-ministro que se limita a receber ordens de uma dupla chauvinista sem sequer tentar negociar a defesa das condições de vida dos portugueses.

Como se isso não bastasse, não há preço que não aumente, incluindo, por exemplo, o das taxas moderadoras, o que constitui, na realidade, uma sobrecarga contributiva para todos os mansos que andaram anos a descontar para um sistema de saúde que, por isso mesmo, nunca seria gratuito.
Para que o quadro fique completo, os mesmos mansos têm sido considerados uns privilegiados que têm vivido acima das suas possibilidades, responsabilizados pela dívida, confundidos com as gorduras que, afinal, ninguém corta, e têm sido aconselhados a ficarem calados, a não fazerem ondas, em nome de um desígnio que poderá ser financeiro, mas não é nacional.

É bom que se perceba, então, donde parte a agitação social.   Falta saber aonde chegará.

(Antonio Fernandes Nabais, AVENTAR)

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Corrupção generalizada – esse flagelo em que estamos atolados !

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No último programa «Olhos nos Olhos» da TVI24 (em 21/Nov), foi dito sobre a corrupção generalizada em Portugal tudo aquilo que toda a gente já sabe mas que continua a ser escondido publicamente, numa autêntica e bem orquestrada conspiração do silêncio por parte dos agentes políticos de topo e das altas esferas da Magistratura.  Paulo Morais, ex-vereador da Câmara Municipal do Porto, e Medina Carreira, põem tudo "cá fora", numa sucessão de escândalos escabrosos, inadmissíveis num estado que se diz ser de “direito”.
Ali são ditas as verdades com que todos os dias nos defrontamos, tais como,  os políticos são maioritariamente corruptos;  muitos chegaram com uma mala de cartão, filiaram-se num partido e enriqueceram” -  “os mercenários da política são os decisores, aqueles que dominam os negócios e o orçamento de Estado” -  a maior parte da corrupção resulta directa ou indirectamente do financiamento dos partidos, onde a figura do angariador (o homem da mala que vai às empresas pedir o dinheiro) chega a ter comissões entre 40, 60 e mesmo 85%” -  a política em Portugal transformou-se numa mega-central de negócios” -  “a promiscuidade entre as grandes empresas, os grandes grupos económicos, o estado e depois os lugares do governo, do parlamento e das Câmaras Municipais, é permanente e tem vindo a agravar-se nos últimos anos duma maneira absolutamente escandalosa” -  os nossos deputados, os nossos governantes, os nossos autarcas estão numa mesa defendendo os interesses do estado em nome do povo que os elegeu e ao mesmo tempo os interesses das empresas que lhes pagam” -  “não é por acaso que quando aparece alguém com mais independência é logo despachado” -  tudo o que mexe com o BPN está contaminado, o BPN não foi um banco feito por banqueiros ou por investidores, mas um Banco já feito na sua origem por políticos” -  “grande parte da corrupção em Portugal tem a ver com terrenos, onde alguém com poder ou com influência política consegue comprar um terreno a um agricultor e com a conivência do Governo ou da Câmara consegue alterar a classificação do solo, onde um terreno que valia antes 10 mil passa a valer depois 100 ou 150 mil, sendo isto uma prática generalizadíssima e a excepção o contrário.  Useiros e beseiros nesta prática são os empresários que financiam os partidos” -  só há dois negócios que geram margens de lucros de tão grande dimensão:  - o urbanismo e ordenamento do território e o tráfico da droga” -  a maioria da legislação que tem incidência nas áreas mais relevantes e mais sensíveis sob o ponto de vista económico e financeiro é deliberadamente confusa e ambígua, propositadamente feita por forma a que ninguém a perceba e com imensas excepções destinadas a favorecer os amigos” -  “as leis que têm mais relevância económica são feitas nos escritórios de advogados mais poderosos do país” – “os poderosos fazem tudo o que lhes apetece porque a lei é muito ambígua” – “os altos dirigentes, tanto em Belém como em S. Bento e na PGR, sabem de tudo isto tão bem como nós mas nada fazem” – “os altos dirigentes estão de braços cruzados perante a corrupção; existe um silêncio generalizado”.


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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Terroristas financeiros governam a Europa - o colapso é eminente !

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O único país da Europa que VIU a origem do problema e o curou de modo exemplar foi a Islândia: - negou aos bancos o pagamento da dívida que eles próprios tinham criado, punindo exemplarmente os seus administradores e cúmplices políticos.   E é deste "exemplo" que os políticos e banqueiros europeus têm um medo pavoroso, convertidos que estão em terroristas financeiros apostados em aniquilar completamente a União Europeia.  E este terrorismo financeiro, elevado ao seu mais alto grau de crime organizado, está em marcha acelerada no caminho sem regresso para o colapso total, continuando a usar a fórmula criminosa de combater a dívida com mais dívida ! 
 

 

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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Espanhistão e o Portuguistão - ou, a bomba que veio do futuro !

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A génese de uma crise, mergulho profundo nas lamas da merda!

Lá (na Espanha) como cá, em menos de 20 anos a ascenção e a queda de um mito:  - afinal...   nunca passáramos de uns pobretanas armados em ricos, convencidos, ludibriados e explorados por uma escumalha de gente sem escrúpulos - políticos, empresários e banqueiros - para quem o dinheiro e a vida dos povos não passam de pérolas falsas atiradas aos porcos.

Mas um dia...   os porcos ainda vão arrrastá-los para a pocilga e comê-los, literalmente!  Num frenesim festivo e chafurdando ruidosamente por sobre as lamas de merda desta pocilga para onde nos atiraram!



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terça-feira, 1 de novembro de 2011

FMI, OMC e Banco Mundial - A Ordem Criminal do Mundo

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Documentário exibido pela TVE espanhola, que aborda a visão de dois grandes humanistas contemporâneos sobre o mundo actual: Eduardo Galeano e Jean Ziegler.


A Ordem Criminal do Mundo, o cinismo assassino que a cada dia enriquece uma pequena oligarquia mundial em detrimento da miséria de cada vez mais pessoas pelo mundo.   O poder se concentrando cada vez mais nas mãos de poucos, os direitos das pessoas cada vez mais restritos.   As corporações controlando os governos de quase todo o planeta, dispondo também de instituições como FMI, OMC e Banco Mundial para defender seus interesses.   Hoje 500 empresas detêm mais de 50% do PIB Mundial, muitas delas pertencentes a um mesmo grupo.

(Original Kafe Kultura)



(Sugestão de Fada do Bosque)

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mais ainda do que ser ILEGAL é, acima de tudo, INJUSTO e IMORAL !!!

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Associação Sindical dos Juízes considera eliminação dos subsídios “ilegal”


Segundo a notícia Associação Sindical dos Juízes considera eliminação dos subsídios “ilegal”, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) afirma, num comunicado emitido hoje, que a suspensão dos subsídios de Natal e férias é “violadora da Constituição” e assegura que vai garantir "a protecção dos direitos fundamentais" dos portugueses.

A ASJP reconhece, na tomada de posição tornada pública no seu site, que “a situação difícil que o país atravessa (...) impõe sacrifícios a todos os portugueses e exige um grande sentido patriótico de responsabilidade e solidariedade”.   No entanto, sublinha que esses sacrifícios “têm de respeitar os princípios constitucionais da necessidade e da proporcionalidade”, isto é, devem  incidir sobre “todos os rendimentos do trabalho, mas também do capital” e que devem ser aplicados “de forma proporcional aos rendimentos”.

Para a ASJP, a decisão tomada pelo Governo de subtrair aos funcionários públicos os subsídios de férias e de Natal é uma “medida violenta, injusta, discriminatória e flagrantemente violadora da Constituição.   Os juízes acreditam que se trata de um “imposto ilegal, um verdadeiro confisco do rendimento do trabalho”, com consequências significativas para os portugueses.
“Esta medida diminuirá de forma drástica as condições de vida e dignidade humana de uma parcela dos portugueses (...) e conduzirá muitas famílias à insolvência económica e ao desespero, as quais se verão impossibilitadas de cumprir os seus compromissos”.

A ASPJ aconselha o Executivo a tomar decisões que “unam os portugueses” e não que os “virem uns contra os outros , sublinhando que “há princípios fundamentais que um Estado de direito tem de respeitar”.


“O país parece caminhar a passos largos para uma tragédia económica e social” , referem os juízes. E, por isso, dizem estar disponíveis para “assegurar aos seus concidadãos que estarão sempre do lado da protecção dos direitos fundamentais dos mais fracos e desfavorecidos” e que “não caucionarão atropelos aos valores da justiça e do direito”.

(Raquel Almeida Correia, Público - 24-10-2011)

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domingo, 23 de outubro de 2011

Falta-lhes em vergonha na cara aquilo que lhes sobra em descaramento!

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Gestores de topo com pensão vitalícia para ex-políticos

O DN (23/10/2011) teve acesso a documentos oficiais que mostram que alguns ex-políticos à frente de grandes empresas requereram a subvenção vitalícia a que os titulares de cargos políticos tinham direito até 2005, altura em que Sócrates revogou essa benesse.   Os valores que constam desses documentos poderão ter sido actualizados no decurso das legislaturas.  E por lei o seu pagamento só não pode ser acumulado com funções públicas.
Carlos Melancia, o antigo Governador de Macau, tem a pensão mais alta, ultrapassando os 9 mil euros.     7,8 milhões de euros é a verba inscrita no Orçamento para 2012 para o pagamento de mais de 400 pensões vitalícias de ex-políticos.
E é longa a lista de ex-líderes políticos requerentes desta subvenção vitalícia, desde Carlos Carvalhas do PCP até Manuela Ferreira Leite do PSD e Adriano Moreira do CDS.
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

PUTAS AO PODER ! - O movimento dos indignados...

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Apresentado hoje no Parlamento o OE de Passos Coelho para o ano de 2012 !




E as "gorduras" do Estado?   Nenhum governante fala em:

1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos, carros, motoristas, etc.) dos três ex-Presidentes da República.

2. Redução do número de deputados da Assembleia da República para 180, profissionalizando-os como nos países a sério.   Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode.

3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego.

4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes acumulam funções nos municípios  para aumentarem o bolo salarial respectivo.

5. As empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? e se não são verificados como podem ser auditados?

6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira em 1821.

7. Redução drástica das Juntas de Freguesia.   Acabar com o pagamento de 200 euros por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75 euros nas Juntas de Freguesia.

8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades.

9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País.

10. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...

11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entidades públicas menores.

12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado.   Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado às  compras, etc.

13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e da Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas, pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis.

14. Controlar o pessoal da Função Pública que nunca está no local de trabalho.   Então em Lisboa é o regabofe total.   Há QUADROS (directores gerais e outros) que, em vez de estarem no serviço público, passam o tempo nos seus escritórios de advogados a cuidar dos seus próprios interesses.

15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL tem sete administradores principescamente pagos... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder.

16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar.

17. Acabar com as várias reformas por pessoa de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.

18. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP.

19. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e Quejandos, onde quer que estejam.

20. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.

21. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam milhões ao erário público.

22. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem a quadros do Partido Único (PS + PSD).

23. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP (Parcerias Público-Privado), que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos contribuintes, fugindo ao controlo seja de que organismo independente for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem".

24. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do País, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efectivamente dela precisam.

25. Controlar rigorosamente toda a actividade bancária por forma a que, daqui a mais uns anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise".

26. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas por medida.

27. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos mesmos.

28. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.

29. Pôr os Bancos a pagar impostos.

30. Assim e desta forma, Sr. Ministro das Finanças, recuperaremos depressa a nossa posição e sobretudo, a credibilidade tão abalada pela corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros do Estado.

(Texto picado daqui)

As manifestações de alegria do povo com as medidas do OE para 2012!!! 
(imagem: peixe-banana)
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sábado, 15 de outubro de 2011

Os sujos negócios da era Sócrates e dos seus homens de mão!

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Esta bandalheira tem nome e assinatura:  - Paulo Campos

«Dando largas a uma veia vingadora, Medina Carreira afirmou que os governantes dos últimos anos deviam ser julgados em tribunal. (...)  E, depois de ver esta reportagem da TVI, a minha pergunta é só uma:   no meio desta embrulhada de estradas e estradinhas, o Ministério Público não encontra nada de estranho?   De um dia para o outro, concessões rodoviárias, que custavam nicles ao tesouro público, passaram a custar 600 milhões.   Quem saiu beneficiado?   Uma empresa do universo Mota-Engil, essa entidade omnipresente.  

De um momento para o outro, o governo do eng. Sócrates e do dr. Paulo Campos mudou a lei para beneficiar objectivamente uma construtora em total prejuízo do nosso dinheiro público.    Perante este facto objectivo, o Ministério Público não pode actuar, não pode perguntar, não pode indagar, não pode levantar o rabo da cadeira?

Como se isto não fosse suficiente, como se não bastasse o saque organizado ao nosso dinheiro, como se não bastasse a inacção do Ministério Público, ainda temos de aturar o dr. Paulo Campos.   O autor moral desta governação-amiga-da-construtora-amiga está no parlamento, aliás, está nas comissões que tratam directamente de obras públicas.   Ora, quando vejo este Paulinho do Alcatrão no meu parlamento soberano, confesso que sinto os vapores populistas a subirem-me pelo corpo acima.   Quando oiço este indivíduo a abrir a boca para pedir a "defesa da honra", confesso que me sinto irmanado com o dr. Medina Carreira.»

(Henrique Raposo, Expresso - 12-10-2011)


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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Para onde vai o nosso dinheiro, ou, de como os sabujos comem este país!

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O milagre do  "Antes" e do "Depois"

O jornalista António Sérgio Azenha investigou e analisou os rendimentos de 15 políticos antes e depois de passarem pelo Governo português. O resultado está no livro 'Como os políticos enriquecem em Portugal', da editora Lua de Papel.

O repórter baseou-se nas declarações de património e rendimentos apresentadas pelos políticos ao Tribunal Constitucional, desde 1995, ano em que a informação passou a estar disponível, e reconstituiu o percurso de crescimento económico de 15 antigos governantes. Veja como Jorge Coelho, Dias Loureiro e outros multiplicaram os seus ordenados.
(Expresso OnLine,  13-10-2011)

















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domingo, 25 de setembro de 2011

Pagar a traidores ou, os desmandos do palhaço desbocado da Madeira!

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E ainda há quem lhe estenda a mão.  E ainda há quem duvide que ele não vale nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!”   Tudo isto, que dizia, no seu famoso manifesto, um indignado Almada Negreiros acerca de Júlio Dantas, digo eu, com muito menos exagero, de Alberto João Jardim.
Há 30 anos que o país lhe estende a mão.   E lhe perdoa as dívidas, se ri das suas alarvices, tontices e má-criações.   Há 30 anos que o PSD ou assobia para o lado ou defende a obra, como se a obra de quem não olha a meios como ele fosse sequer considerável por quem tem um mínimo de decência!   Há 30 anos que o PS vive entre os arrufos do défice democrático, que é a pura verdade sobre a Madeira, e o perdão da dívida com que o Governo Guterres o brindou.   Há 30 anos que sucessivos Presidentes da República fazem de conta que não percebem -  e este Presidente em concreto, o sério e ponderado professor Cavaco, indigna-se, e bem, com o Estatuto dos Açores, mas não se indigna, e mal,  com o estafermo da Madeira!   Há 30 anos que tribunais, juízes e magistrados (parece que o Tribunal de Contas foi excepção) fazem de conta que não sabem que o homem é um caso de polícia.   Há 30 anos que o povo deste país acha que a democracia e o voto lavam as vergonhas dos políticos.
Não foi assim com Isaltino Morais, nem com Fátima Felgueiras, nem com Valentim Loureiro.   E por bastante menos!   Jardim, além de esconder verbas, goza com o país quando o país menos está para brincadeiras.
Se Passos quisesse fazer algo de sério e grandioso por Portugal, pedia a Jardim que se retirasse.   Dizia a verdade que todos sabemos que o melhor seria Jardim não voltar a ganhar eleições.   O país está acima dos partidos e ter votos não é ter razão, nem coragem, nem virtudes.   Passos poderia perder a Madeira ganhando o país.   Mas vai fazer como os outros? - Irá?

(Henrique Monteiro, Expresso 24/10/2011)
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terça-feira, 20 de setembro de 2011

A falsa importância da "coesão nacional" do presidente Cavaco!

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O silêncio
O silêncio é a nova forma de fazer política no Palácio de Belém.  

Cavaco Silva depois de andar a esconder aos portugueses tudo o que sabia sobre os desvios astronómicos nas finanças da Madeira, depois de aceitar impunemente o insulto de "senhor Silva", depois de aceitar vergonhosamente que a Assembleia Legislativa da Madeira não realizasse uma sessão extraordinária durante a sua visita oficial, vem agora reunir de emergência com o primeiro-ministro para decidir o... silêncio.
  

Silêncio sobre uma matéria gravíssima à qual os portugueses estão empenhados em repudiar vivamente.   Não se pode aceitar que os nossos governantes e representantes da soberania nacional permitam que numa determinada região do país reine a desbunda, o roubo, o compadrio, a discriminação, o insulto, a prepotência, a lavagem de dinheiro, a falta de democracia e a ilegalidade.

O presidente (a partir de hoje neste blogue "presidente" com pê pequeno) da República não pode proibir os jornalistas de entrar em Belém para que não se possa informar o povo da matéria inerente a um encontro importante com o primeiro-ministro.   Todos temos direito à informação e não podemos admitir que a república de bananas existente na ilha da Madeira seja extensiva ao território de um país que se quer digno.

(Publicado AQUI; - sublinhados e imagens acrescentados neste blogue)

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sábado, 10 de setembro de 2011

Os Média: - "A manipulação das multidões é um governo invisível"

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"The War You Don’t See" é uma investigação poderosa e oportuna sobre o papel dos média na guerra, traçando a história das reportagens independentes e incorporadas, desde a carnificina da Primeira Guerra Mundial à destruição de Hiroshima, desde a invasão do Vietname à actual Guerra do Afeganistão e ao desastre no Iraque.
Como as armas e a propaganda se tornam ainda mais sofisticados, a natureza da guerra está-se desenvolvendo em um "campo de batalha eletrónica", em que os jornalistas desempenham um papel fundamental e os civis são as vítimas.
Inclui uma entrevista com Julian Assange, o fundador e editor-chefe  do WikiLeaks.




(Sujestão de Fada do Bosque)
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fantástico ! Um momento de verdadeira magia sobre o gelo


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Gosto do Tango.   Sempre gostei.   Já vi dançar o Tango de muitas e variadas maneiras, mas nunca antes como aqui.   Simplesmente espantosa  esta exibição de "La Cumparsita" por esta maravilhosa patinadora, Shae-Lynn Bourne,  que, qual íman poderoso, nos agarra e nos prende ao écran do computador durante os 3,40 minutos de duração do vídeo.


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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Quem são essas agências que dispõem do poder de vida ou de morte sobre uma nação?

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Como nas arenas romanas, em que o imperador com um simples gesto podia condenar à morte um gladiador, as agências de rating fazem o mesmo com os países que elas notam.

Quem são essas agências que dispõem do poder de vida ou de morte sobre uma nação?

Como já foi abordado neste blogue, existem três agências de rating americanas que dominam 95% do sector: a Standard & Poor's, a Moody's e a Fitch. Apesar de não fazerem grande alarido, estas agências não escondem que trabalham de mão dada com Wall Street e a City.

Quem controla as agências de rating?

Moody's:
O accionista principal é Berkshire Hathaway que pertence a um dos maiores especuladores da história, Warren Buffet e ao conhecido Bill Gates.

Fitch:
Pertence à francesa Fimalac (Financière Marc Ladreit de Lacharrière).   No conselho de administração temos Philippe Lagayette de JP Morgan, David Dautresme de Lazard Frères e Henri Lachmann do grupo Schneider Electric.

Standards & Poor's:
É uma filial da empresa de "media" McGraw-Hill Companies de Nova Iorque.   O homem forte é o seu vice-presidente inglês David Murphy, antigo patrão internacional dos recursos humanos da Ford Motor Company.

Uma das questões fundamentais é:   porque é que Estados soberanos, Estados europeus, aceitam ser julgados, condenados e desestabilizados por três empresas privadas?   Porque é que empresas privadas podem impor as suas leis a estados soberanos?   Porque é que não se passa nada?    Porque é que nem os Estados, nem a Europa se mexem?

A resposta é:   porque a ganância tornou-se a regra que rege a banca e todo o sector financeiro, porque são eles que destroem as instituições democráticas para nelas colocar uma "oligarquia", isto é, o poder controlado por meia dúzia de pessoas.   Uma oligarquia da riqueza, uma oligarquia ao serviço da riqueza.

Esta construção perversa tem a ajuda daqueles que julgamos serem os nossos representantes eleitos democraticamente, mas que na realidade são colocados no poder por organismos elitistas como o clube de Bilderberg.   São também eles que dominam as grandes instituições não-eleitas que nos governam:   Comissão Europeia, FMI ou Banco Central Europeu.

Mas chega um tempo em que demais é demais!   Chega um tempo em que é preciso dizer basta!

(Origem - Octopus)


Só os ingénuos acreditam que esta descida do rating tem a ver com critérios puramente técnicos!



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Lixo... com estas agências de rating americanas! Urgente uma agência europeia!

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Choque.   Escândalo.   Lixo.   Resignação?   Não.   Mas sim, lixo, somos lixo.   Os mercados são um pagode, e nós as escamas dos seus despojos.   Isto não é uma reacção emotiva.   Nem um dichote à humilhação.   São os factos.   Os argumentos.   A Moody's não tem razão.   A Moody's não tem o direito.   A Moody's está-se nas tintas.   A Moody's pôs-nos a render.   E a Europa rendeu-se.

As causas da descida do "rating" de Portugal não fazem sentido.   Factualmente.   Houve um erro de cálculo gigantesco de Sócrates e Passos Coelho quando atiraram o Governo ao chão sem cuidar de uma solução à irlandesa.   Aqui escrevi nesse dia que esta era "a crise política mais estúpida de sempre".   Foi.   Levámos uma caterva de cortes de "rating" que nos puseram à beira do lixo.   Mas depois tudo mudou.   Mudou o Governo, veio uma maioria estável, um empréstimo de 78 mil milhões, um plano da troika, um Governo comprometido, um primeiro-ministro obcecado em cumprir.   Custe o que custar.   Doa o que doer.   Nem uma semana nos deram:   somos lixo.
As causas do corte do "rating" não fazem sentido:   a dificuldade de reduzir o défice, a necessidade de mais dinheiro e a dificuldade de regressar aos mercados em 2013 estão a ser atacadas pelo Governo.   Pelo País.   Este corte de "rating" não diagnostica, precipita essas condenações.   Portugal até está fora dos mercados, merecia tempo para descolar da Grécia.   Seis meses, um ano.

Só que não é uma questão de tempo, é uma questão de lucro, é uma guerra de poder.   Esta decisão tem consequências graves e imediatas.   Não apenas porque o Estado fica mais longe de regressar aos mercados.   Mas porque muitos investidores venderão muitos activos portugueses.   Porque é preciso reforçar colaterais das nossas dívidas.   Porque hoje todos os nossos activos se desvalorizam.   As nossas empresas, bancos, tudo hoje vale menos que ontem.   Numa altura de privatizações.   De testes de "stress".   Já dei para o peditório da ingenuidade:   não há coincidências.   Hoje milhares de investidores que andaram a "shortar" acções e dívidas portuguesas estão ricos.   Comprar as EDP e REN será mais barato.   Não estamos em saldos, estamos a ser saldados.   Salteados.
Portugal foi um indómito louco, atirou-se para um precipício, agarrou-se à corda que lhe atiraram.   Está a trepar com todas as forças, lúcido e humilde como só alguém que se arruína fica lúcido e humilde.   Veio a Moody's, cuspiu para o chão e disse:   subir a corda é difícil  -  e portanto cortou a corda.

Tudo isto não é por causa de Portugal, é por causa da guerra entre os EUA e a Europa.   É por causa dos lucros dos accionistas privados e nunca escrutinados das "rating".   Há duas semanas, um monumental artigo da jornalista Cristina Ferreira no "Público" descreveu a corrosão.   Outra jornalista, Myret Zaki, escreveu o notável livro "La fin du Dollar" que documenta o "sistema" de que se alimentam estas agências e da guerra dólar/euro que subjaz.

Ontem, Angela Merkel criticou o poderio das agências e prometeu-lhes guerra. Não foi preciso 24 horas para a resposta:   o aviso da Standard & Poors de que a renovação das dívidas à Grécia será considerado "default" selectivo;   a descida de "rating" da Moody's para Portugal.
Estamos a assistir a um embuste vitorioso e a União Europeia não é uma potência, é uma impotência.   Quatro anos depois da crise que estas agências validaram, a Europa foi incapaz de produzir uma recomendação, uma ameaça, uma validação aos conflitos de interesse, uma agência de "rating" europeia.   Que fez a China?   Criou uma agência.   Que diz essa agência?   Que a dívida portuguesa é BBB+ (semelhante ao da canadiana DBRS: BBB High).   Que a dívida americana já não é AAA.   Os chineses têm poder e coragem, a Europa deixou-se pendurar na Loja dos Trezentos... dos americanos.

Anda a "troika" preocupada com a falta de concorrência em Portugal...   E a concorrência ente as agências de "rating"?   Há dois dias, Stuart Holland, que assinou o texto apoiado por Mário Soares e Jorge Sampaio por um "New Deal" europeu, disse a este jornal:   é preciso ter os governos a governar em vez das agências de 'rating' a mandar.
Não queremos pena, queremos justiça.   A Europa fica-se, não nos fiquemos nós.   O Banco Central Europeu tem de se rebelar contra esta ditadura.   Em Outubro, o relatório do Financial Stability Board, que era liderado por Mário Draghi, aconselhava os bancos e os bancos centrais a construírem modelos próprios para avaliarem a eligilibidade dos instrumentos financeiros por estes aceites e pôr termo ao automatismos das avaliações das agências de rating.   Draghi vai ser o próximo presidente do BCE.   Não precisa de acabar com as agências de "rating", precisa de levantar-se destas gatas.

Este corte de "rating" é grave.   É uma decisão gratuita que nos sai muito cara.   Portugal é o lixo da Europa.   As agências de "rating" são os cangalheiros, ricos e eufóricos, de um sistema ridiculamente inexpugnável.   As agências garantem que nada têm contra Portugal.   Como dizia alguém, "isto não é pessoal, apenas negócios". Esse alguém era um padrinho da máfia.

(Este Editorial está disponível numa versão traduzida em inglês disponível neste link.)