quarta-feira, 18 de maio de 2011

SCUTs... - A história de uma monumental vigarice!

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História de uma vigarice

1.  As SCUT começaram mal e ameaçam acabar muito pior.   Governo socialista idealizou-as como "as auto-estradas que se pagam a si próprias".   À época, muitos denunciaram a fantasia.   Os socialistas, designadamente os ex-ministros João Cravinho e Jorge Coelho (nunca se esqueçam!), juravam que não:   tudo estava planeado e as vozes que requeriam mais ponderação e cautela não passavam, dizia-se, de incertezas colocadas por quem não tinha imaginação para mais.   Quando Guterres fugiu e nasceu o Governo de coligação PSD/CDS, fizeram-se finalmente as contas e percebeu-se a inevitabilidade das portagens como esforço de compensação para o negócio ruinoso para o Estado que os socialistas tinham engendrado.

Algum tempo depois, um outro Governo socialista chegou.   Voltou a prometer a gratuitidade  -  muitos acreditaram e a vida das empresas e das pessoas daquelas regiões servidas pelas SCUT foram-se compondo ao seu redor.

2.  Depois, Sócrates fez o que mais o notabiliza:   alegremente, pontapeou essa promessa eleitoral.   Sem pestanejar, repetiu tudo aquilo que parte da Oposição dizia desde o início e afirmou a urgência das portagens.

Os consórcios privados cedo perceberam que o fluxo de trânsito iria diminuir após a introdução das portagens.   De imediato, quiseram a renegociação da fórmula de pagamento que era baseada, precisamente, no número de viaturas que transitavam nessas vias.   E, pasme-se, conseguiram todos os seus intentos - até os devem ter superado.   Obedientemente, o Estado socialista renegociou o que as empresas queriam e como estas desejavam:   a base da compensação às empresas (rentabilidade) passou a ser um conceito indeterminado, poeticamente denominado de "disponibilidade".   A partir desse funesto momento, o fluxo de veículos nas SCUT era indiferente para os consórcios - estes, recebiam "rentabilidades" desmesuradas em qualquer situação.

3.  O resultado foi desastroso.   De acordo com uma auditoria preliminar do Tribunal de Contas (TC), realizada graças a uma réstia de vergonha que ainda consegue subsistir por aqueles lados, e cujos resultados provisórios terão escapado para os jornais antes do tempo politicamente aprazado, os consórcios privados ficaram a ganhar (e o Estado a perder) 58 vezes mais com a renegociação do novo modelo de pagamento a pretexto da introdução das portagens.   Se as notícias agora conhecidas se vierem a confirmar, a retribuição que o Estado terá de ofertar aos privados terá crescido 10 mil milhões de euros...

4.  Quando as portagens surgiram, quiseram convencer-nos de que se tratava de um esforço imprescindível para ajudarmos o país a sair do buraco onde tinha sido enfiado pelos maus governos que nos têm assolado.   Afinal, afundámo-nos ainda mais.

Já vi realizarem-se maus negócios mas nada que se assemelhasse a isto.   Caso esta auditoria do TC seja autêntica, o desnível entre a inteligência dos privados e a gritante obtusidade dos negociadores do Governo é excessivo e suspeito:   tudo indica que se trata de uma vigarice legal.

O processo das SCUT revela que a incompetência deste Governo está muito para além da redenção.   E constituirá um exercício de cidadania ficarmos atentos, nos próximos anos, aos destinos profissionais daqueles governantes, pretensos defensores do interesse comum, que participaram nesta marosca deplorável.   (...)

(Carlos Abreu Amorim, In JN - 2011-05-16)
(Sublinhados e negritos deste blogue)

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domingo, 15 de maio de 2011

Isto não pode ficar escondido numa caixa de comentários!

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A epopeia de um déspota e a estratégia dos media:   ensaio sobre um país à beira do caos!


Quis a ironia do destino, ou melhor, quis o povo que Portugal tivesse ao leme dos seus destinos, há mais de cinco anos, um homem que, estou em crer, a História se encarregará de caracterizar melhor do que eu: -  José Sócrates Pinto de Sousa, que fez questão de adoptar o mais estranho dos seus nomes para sua chancela, quiçá procurando algum paralelo com o mais brilhante de todos os filósofos, mas esquecendo que o seu percurso tem tornado pecaminosa tal analogia, pois não haverá melhor exemplo de contradição.
Este homem foi eleito, como aliás acontece sempre em Portugal, não por qualquer mérito, mas por demérito de quem o antecedeu.   Em Portugal ninguém ganha eleições;   em Portugal apenas se perdem eleições.   Os parcos horizontes mentais do país que vota desde o 25 de Abril e a competência revelada pelos políticos, impedem que alguém ganhe eleições e fazem com que apenas o PS e o PSD percam eleições.  

Em 2005, o sábio povo, mais uma vez para castigar quem não lhe agradou, podia ter feito mil coisas, entre elas colocar no poder gente nova, partidos novos, de esquerda, direita, do centro, votarem todos em branco, votarem todos nulo… enfim;   mas não!   Como é apanágio na «democratura»  tuga, castiga-se o peixe, votando na carne e castiga-se a carne, votando no peixe.   Pior que isso, e constatando que o peixe é podre e a carne é putrefacta há décadas, perpetuam esse enjoativo jogo, num frenético exercício masoquista.
Claro que estas coisas são lentas no tempo, mas o tempo acaba por chegar e damos por nós, hoje em dia, de caras com a inquietante factura desse mórbido ritual de troca bipolar de poder, assente na legitimidade do voto da populaça!

Trinta anos de política palaciana, em que autênticos tsunamis financeiros inundavam atabalhoadamente o país, tornando a geração de pais e filhos dos últimos 30 anos numa generalizada máquina de consumo, cuja cegueira do aparente novo-riquismo impediu que se implantassem as mais básicas regras de justiça social e, pior que tudo, que uma cultura desprovida de valores, de educação, de razão e, em última instância, de humanidade, alastrasse em Portugal.   A mais aberrante consequência disso, são fortunas colossais amealhadas no exercício de cargos públicos, onde os, já de si, absurdos e ofensivos vencimentos são complementados pela corrupção generalizada.
Este estado de abastança geral levou a que as pessoas entrassem numa espécie de anestesia social, sem que as evidências de um país pobre cheio de gente rica as incomodasse, vivendo o «hoje» e deixando o «amanhã» aos políticos.

Esse «amanhã» chegou e os políticos são os mesmos.   O que variou, para muito melhor, foi o seu património pessoal.   O país continua pobre;   cada vez mais pobre.   As pessoas, para além de continuarem pobres intelectualmente, são-no agora e cada vez mais, financeiramente.   Conclusão:   se considerarmos ricos, aqueles que auferem rendimentos mensais acima de 3000 euros, merecidos ou não, há entre estes, dois grupos que condicionam a nação de forma brutal:   os agentes ligados aos media (jornalistas, comentadores, apresentadores, etc) e os políticos.   Os primeiros enquanto fazedores e moldadores de opinião e que, num país em que as mentes são franzinas, facilmente conseguem levar o rebanho ao prado que desejam;   os segundos, porque governam e legislam e, por conseguinte, também levam o mesmo rebanho a seu prado, nem que seja pela simples força da Lei.

Deste pantanal, surge um país em que, no ano 2011, o ordenado mínimo está abaixo dos 500 euros, mas uma apresentadora de televisão, que pouco mais faz do que guinchar desalmadamente, ganha 50.000 euros mensais;   um doente espera 5 anos por uma cirurgia, mas um gestor público ganha mais de um milhão de euros num ano;   uma empresa pública tem 700 milhões de passivo, mas muda a frota de automóveis topo de gama dos administradores de 3 em 3 anos;   um cidadão é preso por consumir droga, mas os mega-processos envolvendo figuras públicas arrastam-se por anos a fio e acabam em nada;   o leite escolar paga 23% de IVA, mas os campos de golfe pagam 6%;   o país está no limiar da bancarrota mas continua a falar-se no TGV e no aeroporto.   Enfim, um rol de contradições que não existe termo no léxico português que caracterize o grau da sua aberração.
Isto é fruto de uma política em que o povo vota.   Isto é fruto de políticos que, sabiamente, vivem à sombra da ignorância popular.

O epíteto dessa desgraça chama-se José Sócrates.   Um autocrata obstinado!   Um sujeito que lidera um partido desnorteado com mão de ferro, e um bando de lacaios submissos, cujo mais ocupado assessor é o de imagem;   aplaudem-no, dizem ámen a tudo, mas no fundo gostariam de ter coragem para enfrentar o mentecapto.   Mas não têm…   Um homem nascido e vindo do interior esquecido e que chegou ao sucesso por uma das únicas duas vias que permitem tal ascensão:   o talento ou a política.   Obviamente que, neste caso, apenas a segunda hipótese prevaleceu.   Aliás, a política é para mim o mais obtuso, absurdo e contraditório conceito, pois se, por um lado, é aquilo que legal e constitucionalmente mais condiciona a vida das pessoas, por outro lado, é a maior imundice das pseudodemocracias;   é um antro fétido de jogos de interesses instalados de clientelismos, regados por uma corrupção sórdida completamente impune.

Em 5 anos, Sócrates cometeu a proeza de decapitar por completo um país cuja cabeça acaba de ser entregue numa bandeja aos senhores da troika.   A liderança política de José Sócrates esventrou toda a estrutura portuguesa, já de si débil, e atirou-nos para o limiar da bancarrota!   O homem que muitos pensam inteligente e detentor do dom de palavra, mas que pouco mais faz do que servir de manequim de fatos caríssimos, ler telepontos e olhar-se ao espelho, dando asas ao seu narcisismo agudo!

Luis Campos e Cunha (antigo ministro de Sócrates) diz, sobre esta crise, que vivemos um filme de terror em que o Drácula culpa a sua vítima, aludindo, numa brilhante metáfora, a que Sócrates consegue hoje encarnar um papel absolutamente surreal de conseguir culpar os outros por uma tragédia imputável a si próprio.   Mas eu pergunto sempre:   o que é que consegue ser mais inacreditável?   É um homem que, ciente que despojou um país de quase tudo, protagonizando uma política suicida e liderando um Governo assassino e que se reapresenta de cara lavada a eleições como se nada lhe fosse imputável, ou será constatar que ainda é considerado um herói pelos seus acólitos, um brilhante estadista pelos «bate-palmas» que o rodeiam e, pior que tudo, segundo se consta, um bom primeiro-ministro para mais de 30 % do zé povinho?

Acreditem que quando penso nisso, dá-me vontade de, qual Zeca Afonso, pegar na trouxa e zarpar deste torpe país, onde abundam mentes desta natureza.   Acho impressionante como há pessoas que preferem a certeza do mal, à incerteza.   O velho chavão de que «eles são ruins mas os outros, se calhar, são piores», atesta que este país está cheio de gente cuja cabeça facilmente se trocava pela de um asno, em claro prejuízo deste!

Eu não posso acreditar que vivo num país em vias de extinção onde a um mês das eleições já se sabe o seu resultado, como se fosse utópico o PQANML (Partido Que Agora Não Me Lembro) ganhar com 100% dos votos se toda a gente votasse nele!   Não!   Nem pensar nisso!   O país está podre.   As Instituições democráticas estão podres.   A justiça podre.   A educação apodrecida…   tudo é podridão, mas, de sorriso no rosto, o zé portuga vota PS ou PSD, únicos partidos de poder desde o 25 de Abril.
É aqui que os media se movimentam no seu jogo sujo de moldar as pobres mentes.   É como os jornais desportivos que ocupam metade da edição a falar no Benfica para vender!   Os media dão horas a fio de tempo de antena aos ditos grandes partidos para que a populaça os assimile bem, nem que seja por exaustão.   Os media gostam de Sócrates por dois motivos:   porque adoram tragédias e porque não são alvos da sua política criminosa!

Também não aceito a treta do voto útil.   Isso é um preconceito que os do costume agradecem, pois diz a matemática que ganha quem tem mais votos e se o PQANML tiver 50% mais um, é governo.   Todos os votos são úteis, portanto, e são-no ainda mais se forem contra os cadáveres políticos vivos que estão agarrados à teta do poder como uma ostra à rocha, e sabem que podem contar com a pobreza do povo, até daqueles que tratam mal a mãe dos políticos, mas atulham-se aos empurrões para tocar nos «Deuses» quando estes vêm à feira!

O país não é o que Sócrates diz.   O país é o que Sócrates quis!   Esta crise política mais não é do que a consequência da forma ardilosa (aliás ele de engenheiro tem apenas o engenho de ludibriar os papalvos) com que geriu os PECs.   Sabendo desde logo do chumbo do PEC4 (agora imposto pelo FMI), apressou-se a demitir-se, iludindo o povinho que a partir dali a culpa era da oposição, mas mais se apressou a chamar o FMI, esventrado a pouca soberania que nos resta.   É como dizer:   «Venham cá limpar a porcaria que eu fiz mas por culpa da oposição».   Só um dos maiores mentecaptos da História de Portugal como Sócrates, um criminoso como lhe chama Medina Carreira, de tal seria capaz, e apresenta-se, porém, a votos, com aquele ar de quem nada deve mas a quem tudo de bom se deve!   E as pessoas votam nele!

Hoje mesmo as sondagens dão o PS na frente.   Se este PS ganhar estas eleições, Portugal ficará de luto e meio país desejará emigrar, nunca percebendo como é que um país se deixa prostrar aos pés de um déspota desta envergadura.   Eu, por certo não emigrarei, mas acreditem que o nojo que, de há 20 anos para cá, vai aumentando por ostentar a triste chancela de ser português, talvez de transforme numa mudança de vida, para me sentir bem neste pobre país:   deixarei de trabalhar e pagar impostos para que o Estado me sustente com o rendimento mínimo, alistar-me-ei numa claque de futebol, arrumarei, quem sabe, uns carritos, arrancarei metade dos dentes e colarei uns cartazes do PS, dizendo que José Sócrates é o meu pai!   Aí sim, sentir-me-ei um orgulhoso português!

Conclusão:   apetece-me vomitar quando penso em políticos neste país, mas o maior nojo que sinto é pertencer a uma sociedade que, eivada de uma pimbalhice generalizada, os perpetua e legitima no poder.   Em suma, cada povo tem o que merece e nós merecemos estes políticos!
Apelo, pois, valendo isto o que vale, que no dia 5 de Junho nada seja justificação para não votar;   que seja a maior afluência de sempre e que apenas uma coisa esteja nas vossas cabeças quando votarem, seja em que partido for:   será que eu quero que estes políticos continuem a comandar o meu país e o dos meus filhos?

No fim de pensarem nisso durante uma hora, então coloquem a cruz.

(Por "Leme" - na caixa de comentários daqui)

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sábado, 14 de maio de 2011

E continuam TODOS a esconder as verdadeiras gorduras do Estado!...

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Mudança estrutural do Estado


Portugal precisa, não de pseudo reformas - de “reformas” com propósitos de diminuir os custos das funções sociais do Estado - mas de uma profunda mudança estrutural.

Quando Passos Coelho e seu séquito de analistas falam na gordura do Estado, não se referem à multidão dos órgãos parasitários do Estado que desgraçam a nossa economia.   Não, eles referem-se à amplitude das funções sociais do Estado e que, a seu ver, terão que ser diminuídas e restringidas o mais possível.   Portugal necessita, na verdade, de se desfazer da gordura do Estado, mas da gordura parasitária, não de mais cortes sociais.

Portugal só poderá sair do atoleiro em que se encontra quando encontrar forças capazes para realizar uma profunda e ampla mudança estrutural.   Eliminando o Estado corrupto institucional que os governantes foram instituindo, e com grande aceleração, nestes últimos 15 anos:  - eliminando, pura e simplesmente, todos os órgãos parasitários da administração:   empresas municipais, governadores civis, representantes da República nas regiões autónomas, autoridades, agências, comissões, fundações, etc;   alterando as políticas até aqui dirigidas exclusivamente em benefício das grandes empresas, do capital financeiro, das oligarquias financeiras;   controlando os preços dos serviços estratégicos que se encontram sob o domínio de cartéis e monopólios, nas auto estradas, nas energias, nas telecomunicações;   reduzindo os benefícios fiscais oferecidos, a troco de nada, às grandes empresas instaladas no país.

Uma efectiva mudança estrutural do Estado, uma alteração de políticas e de filosofia - rejeitando as práticas neoliberais, que nos arrastaram para esta miséria e que a todo o tempo os dois partidos do bloco central se esforçam por perpetuar - para uma verdadeira política de democracia social.

Ora, nem Ferreira Leite nem Passos Coelho, nem Sócrates nem Cavaco Silva entendem a necessidade de uma profunda mudança estrutural no nosso Estado e na nossa administração.   A necessidade da eliminação deste Estado corrupto institucional  (deverão até negar a sua existência e a sua responsabilidade pelos gastos parasitários da ordem de pelo menos 10% do PIB).   A necessidade de uma mudança, combatendo a sofreguidão de ganância das oligarquias financeiras e invertendo a política económica, até aqui de apoio incondicional a estas oligarquias, com desprezo pelo apoio às pequenas e médias empresas.

Mas, nem o PS nem o PSD, que instituíram este “Estado” em seu benefício clientelar, serão capazes de provocar as rupturas e as mudanças indispensáveis a um novo rumo para Portugal, que o arraste para crescimentos económicos convergentes com os países da UE.   Nem com Passos Coelho ou Ferreira Leite, nem com Sócrates ou Mário Soares.   Porque todos eles comungam de uma mesma doutrina – o neoliberalismo, quer ele se encontre travestido de social-democracia ou de socialismo.

Só uma nova formação política e uma nova doutrina poderão realizar a profunda mudança estrutural do Estado que Portugal exige.

(postado por ruy, aqui)

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sexta-feira, 13 de maio de 2011

"Pintelhos"... ou, o nojo da comunicação social que temos!

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Inteiramente de acordo!     E para o caso, nem me interessa se este homem é de direita ou de esquerda, se tem muitos ou poucos tachos e mais não sei quantas reformas chorudas, se foi bom ou mau ministro das finanças...   interessa-me apenas que isto que diz é inteiramente verdade:  - temos uma comunicação social de merda, mais vocacionada para a discussão de "pintelhices" do que para os grandes temas, os que interessam realmente à população e à sociedade em geral, aqueles que denunciam as canalhices da política e dos políticos, aqueles que requerem investigação, estudo e tratamento por profissionais competentes e isentos.   Bem pelo contrário, em vez disso eles escondem ou deturpam a realidade e a verdadeira dimensão dos assuntos e dos acontecimentos, numa dissimulada tentativa de branquear o sentido e o conteúdo das mensagens!   Ou, pior ainda, numa tentativa de "moldar" a opinião geral, desinformando!

Ajoelhados que estão hoje aos vários sectores da política e do grande capital, aquilo que melhor sabem fazer mais não é do que reles broches informativos!     ...salvo raras e pontuais excepções.

Que saudades tenho dos jornalistas de antigamente que não precisavam de licenciaturas, mestrados e doutoramentos e, no entanto, sabiam noticiar e informar!




(NOTA: - Post recuperado após eliminação, por avaria, pelo Blogger)
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Ainda as SCUT... este assunto é inesgotável. E a canalhice não tem fim!...

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Estado assumiu mais dez mil milhões de euros para introdução de portagens nas SCUT


Os aditamentos feitos aos contratos das SCUT onde foram ou vão ainda ser introduzidas portagens representaram para o Estado encargos adicionais de dez mil milhões de euros, que não são em grande parte cobertos pelas novas receitas das portagens.


Neste contexto, segundo uma auditoria do Tribunal de Contas ainda em curso, “os contratos iniciais apresentavam pagamentos fixos a realizar pelo Estado relativamente curtos”, mas “com a alteração dos mecanismos de pagamento, as concessionárias passaram a beneficiar de rendas avultadas, baseadas no conceito de disponibilidade”, conta o Correio da Manhã de hoje, que teve acesso ao documento e deu a notícia.

Diz-se também que “o facto de se introduzirem portagens não alterará o facto do contribuinte pagador”, pois será “este que continuará a pagar a maior fatia daqueles encargos”, pois as receitas previstas das portagens não são suficientes para cobrir as rendas anuais de cerca de 650 milhões de euros a pagar pelo Estado, lê-se naquele jornal.

O documento da auditoria ainda não foi aprovado pelo Tribunal de Contas, que por isso se recusou a comentar o caso ao Correio.  Ontem a TVI também tinha noticiado esta auditoria, dizendo que os juízes se queixaram de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros, porque lhes terão sido sonegadas informações.

Àquela estação de televisão explicou que antes, “o Estado devia às concessionárias 178 milhões de euros” e que agora, “a empresa pública Estradas de Portugal ficou comprometida com um dívida superior a 10 mil milhões de euros. Com a renegociação de contratos, para introduzir portagens, as estradas ficaram 58 vezes mais caras.”

O problema é que “a receita de portagens fica longe dos novos encargos assumidos pelo erário público”.

(PÚBLICO, em 12.05.2011)


Mas isto não é já claramente do foro criminal?   E de que está a PGR à espera para abrir de imediato um processo de averiguações a um tal negócio extremamente ruinoso para o erário público e para os bolsos de quem utiliza as autoestradas?   Ou dará a PGR maior prioridade a processos "ridículos" como aquele instaurado às agências de rating "internacionais"?...





(NOTA: - reposição deste post de 12/5/2011, que, por avaria, o Blogger havia apagado)
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domingo, 8 de maio de 2011

E a resposta não se fez esperar... da Finlândia, com amor!

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Como toda a acção suscita uma reacção...   aí está a resposta da Finlândia.   Como quem não deve não teme e quem está a pedir (de cócoras) somos nós,  toma lá Portugal.   Embrulha e leva para casa!



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sábado, 7 de maio de 2011

O que lhe falta em seriedade e cultura política sobra-lhe em desvergonha e cobardia!...

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 Inovação retórica: - INVENTAR PARA DESMENTIR

O discurso de Sócrates na terça-feira sobre o acordo com o triunvirato BCE-FEEF-FMI teve um carácter absolutamente singular na história da comunicação política portuguesa, porventura mundial e até histórica.   Desde os discursos políticos de Péricles e o último do verdadeiro Sócrates, na versão de Platão, nunca antes um dirigente nacional, a quem coube anunciar um acordo que moldará a vida colectiva nos anos seguintes, teve a cobardia política de esconder o que realmente o documento estabelece e a ousadia de inventar o que o documento não diz.
A retórica do primeiro-ministro foi delirante:   o acordo não prevê a revisão constitucional, o fim da escola pública, não prevê crocodilos a voar nem terramotos às segundas, quartas e sextas.   O acordo não prevê nada disso.  

Nos manuais de retórica, procurei, entre as figuras de estilo registadas pelos peritos da linguagem desde Roma Antiga, uma que se assemelhasse a este ilusionismo, como lhe chamou Helena Matos (PÚBLICO, 05.05).   Não encontrei.   Há figuras de estilo em que se nega uma coisa para afirmar outra, mas nenhum autor, desde há mais de dois milénios, parece ter previsto esta velhacaria política de omitir a realidade concreta (má), substiuindo-a por invenções concretas (boas).

Ao pé deste recurso discursivo, espelho de uma governação limitada ao “luzes-câmaras-acção!” e o país que se dane, o resto do que aconteceu na terça-feira não passou de detalhes, mas vale a pena registar.
-  Sócrates chamou “conferência de imprensa” à declaração sem direito a perguntas.
-  Semanas depois de desaparecido da vida pública, como um ministro de Stalin ou Brejnev, Teixeira dos Santos marcou inusitada presença espectral atrás do líder.
-  O governo agendou a declaração para as 20h30, coincidindo com o intervalo do habitual “serviço público” da bola na RTP1, mas atrasou para as 20h40, dificultando à RTP1 ouvir a oposição em directo, o que esta preferiu não fazer, mesmo quando Catroga já estava no ar na TVI e na SIC às 20h47.   A RTP1 deu anúncios e voltou ao futebol, que recomeçou às 20h50.
-  A Central de Propaganda é tão boa a criar imagens como a proibi-las:   impediu aos repórteres de imagem fotografar a declaração;   só houve as imagens oficiais da TV e dum fotógrafo do governo.   A preocupação de Sócrates em controlar ao máximo a visão de si que sai nos media motivou este acto de censura, por receio da liberdade do olhar dos repórteres fotográficos, que sempre ultrapassa a rigidez das câmaras de TV.

O objectivo desta operação de desinformação visou enganar os cidadãos mais ingénuos, que não acompanham as manobras políticas e propagandísticas em detalhe ou que são crédulos em relação aos governantes.   A acção foi planeada ao pormenor.   Durante semanas, a Central de Propaganda, e até o próprio Sócrates, conseguiram endrominar alguma imprensa, passando-lhe falsas medidas, que nunca estiveram previstas, para assustar os portugueses.
“Houve desinformação gritante nos últimos dias, com exagero claro de medidas de austeridade”, escreveu Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios (05.05).   Beneficiário único da desinformação:   o Governo.   Que desinformação perversa, esta de inventar mentiras para que o primeiro-ministro as possa depois desmentir.
Os media que serviram de mensageiros das falsas medidas de austeridade deveriam pedir desculpa aos seus leitores ou espectadores.   Os proprietários e os jornalistas destes media deviam perguntar a si mesmos se as baixas vendas de jornais não estarão relacionadas com uma persistente subserviência à mentira e à amplificação da propaganda do poder.   Como escrevia Pedro Guerreiro, ou se está ao serviço de fontes mentirosas ou ao serviço dos leitores.

(Eduardo Cintra Torres, In Público, 6-5-2011)
(Imagens e apresentação gráfica da autoria deste blogue)


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O Grau Zero da Política

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Chegou-se, entre nós, não apenas a uma situação de gravíssima crise financeira e económica, mas também ao grau zero da política.   Não só fomos obrigados a pedir um resgate internacional, perante a ameaça iminente de bancarrota, como ainda a maioria dos eleitores, desiludida com toda a classe política, não parece depositar grandes esperanças nas próximas eleições.   Qualquer que seja o resultado delas não se vislumbra um futuro animador a curto ou a médio prazo.

No entanto, as eleições que se avizinham, no meio de muita vozearia pouco ou nada substantiva, são importantes.   Em primeiro lugar, porque, ao contrário de Otelo e outros, quero acreditar que não há uma solução fora do actual quadro democrático, que exige neste momento a nossa intervenção.   Em segundo lugar, porque coloca nas mãos dos eleitores, nas nossas mãos, o futuro do actual primeiro-ministro, que mais não tem para oferecer do que mais do mesmo.   Podem os politólogos congeminar muitas análises políticas, mas basicamente a questão que se coloca é um referendo sobre José Sócrates.   A pergunta, muito simples, é a seguinte:   Queremos manter a condução do destino do país, o nosso destino, nas mãos de quem já mostrou à saciedade a sua falta de competência e de idoneidade?   Ou, pelo contrário, queremos afastar claramente essa possibilidade?

De facto, foi o actual primeiro-ministro o responsável número um pelo grau zero da política.   Foi ele que se rodeou de gente incompetente (com poucas honrosas excepções), que impavidamente deixou o país deslizar para o fundo.   Não, não se trata só da sua incapacidade de percepção das consequências gravosas das suas políticas.   Eles criaram uma campanha propagandística que nos iludiu sobre o estado da nação, dificultando a nossa percepção.   Eles são os responsáveis pelo planeamento de parcerias público-privadas ruinosas para o erário público, por exemplo para construção de auto-estradas inúteis.   São também responsáveis pela nacionalização de bancos privados, que se transformaram num pesadíssimo ónus para todos nós.   E são ainda responsáveis pelo regabofe no gasto de dinheiros públicos, com a manutenção de instituições arcaicas como os governos civis e algumas direcções regionais, que pouco mais servem do que para dar emprego a correligionários políticos, para já não falar de organismos públicos e fundações de utilidade duvidosa.

Enganaram-nos, através dos sucessivos PEC, sobre a sua capacidade de gerir o Orçamento do Estado.   Enganaram-nos, ansiosos por manter o poder nas últimas eleições, com o aumento dos salários dos funcionários públicos e a promessa de não subida de impostos.   E enganaram-nos com miríficas esperanças como a das energias renováveis, que, ao contrário do que reza a publicidade oficial, são caras e pouco eficientes, não passando por isso de uma flor na lapela de um casaco roto.
Sendo o primeiro-ministro ainda em exercício o principal culpado pelo estado a que o Estado chegou, ele não é decerto o único.   Custa ver que o ministro das Finanças, com um doutoramento numa universidade de prestígio, não tenha erguido a sua voz a tempo no sentido de evitar desvario maior.  
Custa saber que o partido de governo, que tem grandes tradições democráticas e que se pode orgulhar de ter alguns homens impolutos, efectuou eleições internas com resultados similares aos da Coreia do Norte.   E custa observar o Presidente da República que, numa situação que já era de enorme crise, nomeou um governo minoritário, não tendo sido capaz de o demitir em tempo oportuno.

Sei bem que a oposição tem pouco, muito pouco para dar, num quadro geral que não é apenas de ruína financeira e económica, mas também e principalmente de ruína ética e moral, alicerçada numa imensa deficiência da educação nacional. Contudo, por vezes, a democracia não serve tanto para escolher os melhores governos, mas mais para eliminar os que se revelaram maus (como fizeram aliás, há pouco, os irlandeses). Se a escolha em Portugal fosse, por hipótese, entre o actual primeiro-ministro e o rato Mickey, eu não hesitaria em votar no boneco da Disney.

(Carlos Fiolhais, in Público de 6/5/2011) (Retirado DAQUI)
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Toma lá FINLÂNDIA... uma valente bofetada com luva branca!...

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Um dos nossos grandes defeitos é nunca valorizarmos aquilo que temos, aquilo que somos, aquilo que fazemos.   Verdade seja que, se há povos com passados grandiosos e gloriosos, um desses somos nós.   Pena que actualmente, e desde há 37 anos, Portugal tenha sido assaltado por uma corja de canalhas badalhocos, oportunistas e igorantes que, não lhes bastando a sua própria ignorância, foram-se aos livros escolares, esvaziando-os de quase todo o nosso passado de orgulho e de glórias que nos valorizava perante nós próprios e os outros povos, deixando-nos, em contrapartida, apenas entregues à estupidificação e à falta de valores, despromovendo o mérito e condecorando a saloiice, a canalhice e a corrupção, tomados estes agora como os altos valores de uma "democracia balofa" e feita à medida dos seus novos protagonistas. 
Pese embora o facto de algumas "tolices" contidas no vídeo, umas pouco exactas outras meias verdades, ainda assim...   os finlandeses estavam a precisar desta valente bofetada com luva branca!



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A vergonha maior de ser governado por gente sem vergonha!


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Hoje foi o dia da vergonha


Vergonha de pertencer a uma geração que não conseguiu cumprir as suas obrigações sociais e previdenciárias e a quem custa olhar nos olhos os parentes, vizinhos, professores, juizes que toda a sua vida se sacrificaram pela sua profissão, sem assessores, mordomos, secretárias ou carro de serviço. Contribuiram honradamente, viveram com temperança, trabalharam alheados do relógio, cuidaram de nós e agora, toma lá um corte na pensão, na reforma, nas expectativas de vida e, sobretudo, na dignidade.   Esta gente que não acumulou pensões, descontou o que lhe exigiram, fez projectos, que em muitos casos chafurdou na guerra, ou conheceu a fome e o racionamento, passa agora mais esta provação.   "Só os que têm pensões de mais de 1.500 €".   Que fortuna!   Pode ser que no plano relativo até nem seja dramático, mas há por parte do Estado um locupletamento ilícito à custa destes cidadãos que têm um inalienável direito ao conforto.   Alguém sabe quanto custa a mensalidade de um lar que não cheire a fim de noite de concerto da Queima, por acaso?
Vergonha de pertencer a uma geração que não conseguiu assegurar às gerações futuras os mesmos sonhos e aspirações dos seus pais e avós e garantir as suas reformas e a sua saúde e educação.   Por que preço ficaram as Playstation, os iPhones, os BMW, as férias na República DormenaCama...
Vergonha por mim, por ter acreditado que pagando, contribuindo, tinha direitos.   Quero a minha ingenuidade e o meu dinheiro de impostos e taxas de volta.   Vergonha por concluir que me é mais proveitoso nada fazer do que trabalhar.   Vergonha pela estúpida explicação de um acordo de resgate da bancarrota que só foi necessário porque a mitomania saloia levou a que os últimos 5 anos de governo vilão levedassem uma dívida estéril de proporções inimagináveis.   Vergonha porque quem tem responsabilidade e poder é irresponsável e impotente.   Vergonha porque os vendedores de banha da cobra tomaram o poder e agora a cobra vira-se a nós.
Moral da história: é uma catastrófica maçada votar em nativos de Vilar de Maçada.
(MRR in Torreão Sul, em 4/5/2011)

Todo o desencanto aqui tão bem descrito é verdadeiro, toda a vergonha é incontornável. Sobra o asco, cada vez mais instalado, ao ver o biltre mais responsável por tudo isto aparecer constantemente nos media afivelando o mesmo sorriso insultuoso treinado ao espelho, empenhado a 110% e a todo o vapor em voltar a burlar.
Da desonra e da desgraça já ninguém vai salvar Portugal; mas ao menos, como uma espécie de unguento nacional, haja alguém que pregue com uma estatueta no marfim polido do teclado da criatura. Um pequeno gesto simbólico de revolta que faria diminuir em muito a azia de um País inteiro.   (Caixa de comentários de InVerbis)

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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Algures, entre a borraca de abóbora e a merda de galinha, fica a inteligência dos políticos!

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Ainda e sempre...   as SCUTs

O trânsito na A28 reduziu para 50%, e complica a vida a toda gente:  -automobilistas, empresários e turistas.   O trânsito na A29 reduziu para 40%, e complica a vida a toda a gente:  -automobilistas, empresários e turistas.   O trânsito na A25/A17 reduziu para 30%, e complica a vida a toda a gente:    -automobilistas, empresários e turistas.    Todo o resto do trânsito foi "desviado" para as estradas alternativas, nacionais e camarárias.   Vias que não comportam as brutais cargas de tráfego actuais.
Com um tal acréscimo de tráfego, a estes níveis criminoso quer para as populações quer para o desenvolvimento das regiões envolvidas, os pavimentos destas vias estão a degradar-se a um ritmo nunca visto.  
A maior parte delas havia sido pavimentada há pouco tempo e nisso o Estado e as autarquias gastaram balúrdios.   Agora, e com tal sobrecarga de tráfego, principalmente de pesados, não tarda terão de ser de novo reparadas ou mesmo reconstruídas.   E os 30 milhões de euros que o Estado arrecadou até agora com as portagens destas SCUTs (e os muitos mais que virá a arrecadar) não são mais que puro exercício de demagogia, um tapar do sol com uma peneira e um assalto à carteira de todos os contribuintes (e não só daqueles que as utilizam), pois as verbas arrecadadas não chegarão para reparar as vias nacionais e camarárias que agora se destroem diariamente.
  
30 milhões...   60 milhões...   100 milhões...  ou muitos mais, todos atirados para o buraco da retrete!   Porque se trata de uma receita que vai direitinha para uma degradação que não estava prevista.   E, como sempre, ninguém será responsabilizado!  
E é grande a azáfama actual de colocação dos mamarrachos dos pórticos nas A25A24, A23 e A22.   A manter-se o mesmo critério de taxas exorbitantes, preparem-se as populações e as autarquias das respectivas vias alternativas para a degradação das suas vidas e dos seus bolsos.   E para um brutal decréscimo no seu (já parco) desenvolvimento empresarial e turístico.

Algures, entre a borraca de abóbora e a merda de galinha, situa-se a massa cinzenta dos políticos e afins deste País, já que bastaria que o valor das referidas portagens descesse para metade para que o trânsito se não desviasse em tão grandes proporções.   O Estado até poderia arrecadar o mesmo, mas não iria ter de o gastar mais tarde nas reparações de vias que nunca foram projectadas nem construídas para tão grande intensidade de tráfego.
Bastava, senhores políticos da treta, ter dois dedos de testa e uma máquina de calcular...   não mais!   Mas isto não interessa, porque o que é preciso é manter a mama dos construtores amigalhaços do partido.   Se não mesmo a deles própria...

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Um perigoso condensado de fúria intelectual e incompetência política!

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Finalmente!   Finalmente, outras são já as vozes que se alevantam fora dos blogues e do Parlamento contra o execrável bacharel de engenharia, o célebre campeão da mentira, da trapaça e da manipulação.   Este tratado de vergonhosa incompetência política, sub-produto tacanho e mal formado de um PS recheado de execráveis figuras que, em apenas 6 anos, conseguiu a distinta façanha de afundar Portugal numa bancarrota de 80 mil milhões de euros!
  
Primeiro foi Mário Soares considerando que José Sócrates cometeu “erros graves” no processo de apresentação do novo Programa de Estabilidade e Crescimento.   Agora é Diogo Freitas do Amaral que acusa José Sócrates de ter prestado um péssimo serviço ao País ao adiar o pedido de ajuda externa, criticando a postura do primeiro-ministro demissionário quando este diz que quem está contra não é patriota.

Em declarações à rádio Renascença, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do primeiro Governo de Sócrates disse que o primeiro-ministro “andou dois anos a dizer que jamais faria um acordo com o FMI e que isso era mau para Portugal e ontem ouvimo-lo dizer que, afinal, o acordo com o FMI era um bom acordo e que quem não estivesse a dizer isso era mau patriota.”

Gostava de lembrar ao engenheiro José Sócrates, que, pelos vistos, tem pouca cultura democrática, que só em ditadura - e nós tivemos essa experiência com o doutor Salazar durante 40 anos - é que o Governo se arroga o monopólio do patriotismo e acusa todas as oposições de não serem patriotas, porque não pensam como o Governo”, criticou.  (Negócios Online)

Além do mais, e para além de todas aquelas "qualidades", até os homens do FMI se aperceberam que tal espécimen é refinadamente dado a fúrias de ditador, ao ponto de um dos membros da troika ter desabafado em dado momento:   "O tipo é mesmo intratável."   Isto já para não falar na última reunião com Pedro Passos Coelho onde, mesmo com testemunhas, as coisas iam acabando muito mal. Valeu na altura a intervenção do ministro Silva Pereira, parece...

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

E o sequestrador irá continuar por aí à solta! Pelo menos até dia 5...

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O Sequestro

Portugal tem neste momento um ministro cativo, sequestrado.   Chama-se Fernando Teixeira dos Santos, é professor de economia e ainda exerce funções como ministro das Finanças.   Este sequestro ministerial é a chave para perceber o exacto ponto onde nos encontramos.

Teixeira dos Santos esteve desaparecido praticamente todo o mês de Abril.   Desde o dia 8 que não lhe ouvimos uma palavra.   Na última vez que falou, em entrevista ao Jornal de Negócios, foi para precipitar o pedido de ajuda externa ao FEEF/FMI consumando um facto contra o qual o primeiro-ministro se vinha a opôr há meses.   Desde aí escondeu-se, ou melhor, foi escondido.   Faltou a tudo o que fosse cerimónia pública.   Faltou até ao 25 de Abril em Belém.   Contactos com jornalistas, nem pensar.
Há razões plausíveis para supor que o sequestrador de Teixeira dos Santos anda por aí, em liberdade.   É um sujeito perigoso, com antecedentes perigosos.   Chama-se José Pinto de Sousa, embora use José Sócrates.
O bacharel em Engenharia Técnica tem, é verdade, um forte motivo contra o sequestrado.   Em Outubro de 2010, Teixeira dos Santos avisou que, se os juros passassem os 7%, seria impossível não recorrer ao FMI.   Em Novembro, Dezembro, Janeiro, os juros da dívida ultrapassaram a barreira dos 7%.   Em Março, quando Sócrates e Teixeira dos Santos vão a Berlim conferenciar com Ângela Merkel, os juros da dívida atingem os 7,4%.
O país andou, portanto, durante meses a brincar aos juros insustentáveis, só porque Sócrates não queria admitir que tinha falhado.   Em Abril as finanças estoiram.   Perante o buraco de tesouraria que já comprometia o pagamento dos salários das Forças Armadas e a pressão pública e desesperada dos bancos, Teixeira dos Santos decide finalmente agir contra o chefe e antecipa, sem avisar Sócrates, o pedido de ajuda.
A partir daí Teixeira dos Santos ficou impedido de falar e é atirado borda fora das listas para deputados.   Ao antecipar o pedido de ajuda, admitiu que o país estava em bancarrota e deixou o chefe descalço.   Pior, sabendo-se que o fez contra a vontade imperturbável do chefe dias antes de os pagamentos às forças armadas se atrasarem, revela que Sócrates estava determinado (essa sua grande qualidade) a sacrificar o país em nome da sua estratégia eleitoral.   Tudo o que dissesse seria agora fatalmente comprometedor para Sócrates.   Teixeira dos Santos acabou sequestrado para não poder ser colocado sobre perguntas sobre o revelador episódio.
E chegamos à comunicação de terça-feira, no dia do acordo com a troika.   Perante a pressão crescente da teoria do sequestro, Sócrates aproveita a oportunidade para tranquilizar os inquietos com o desaparecimento do ministro.   Foi falsa prova de vida.   O ministro sequestrado aparece ao lado de José Sócrates.   Cavernoso, lânguido olhando muda e inexpressivamente para as câmaras.   Não houve perguntas.   Não lhe ouvimos uma palavra.   Sócrates exibiu a sua presa, como um animal empalhado.   Sabemos que na sua aparição de hoje Teixeira dos Santos irá falar, mas será em regime de liberdade controlada.
Enquanto Sócrates, com um júbilo ofensivo, descrevia aquilo que o acordo com a troika não tem:   “não mexe no subsídio de férias, nem de Natal, nem no salário mínimo”, “mantém a escola pública” e “não é precisa revisão constitucional”, alguém deveria lembrar a esta extraordinária figura que há, de facto, um ponto que não está no acordo.   Ninguém nos vai ressarcir dos juros proibitivos e criminosos que Sócrates nos forçou a pagar todo este tempo em que protelou um pedido de ajuda, para no fim acabarmos com um programa de governo detalhado e liberal imposto de fora para os próximos anos, que não é o PEC IV e que não só nos transforma num protectorado como impõe muito daquilo que o governo disse que jamais faria.
Mas Sócrates não vê meios nem fins.   É capaz de sacrificar um país inteiro aos seus calendários e às suas manipulações.
A verdade é que não foi só Teixeira dos Santos o único sequestrado.  Fomos todos.

(Pedro Lomba, in Público - 5-5-2011).
(Imagens e sublinhados são deste blogue)
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domingo, 1 de maio de 2011

A fome já mora cá; o medo já anda aí; o futuro... já não há, e a D. Banca assobia!

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Manifesto pró-folleirice - Lellillismo!

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 Lellillismo

O Lello tem um gosto requintado.
O Lello nunca anda despenteado.
O Lello ama o bello.
O teatro, a pintura e a esculltura, tudo isso o Lello aprecia.
O Lello já comprou uma serigrafia.
O Lello é um artista
mas, por modesto, recusa ser sullista.
O Lello ouve música erudita.
O Lello faz parte da cllientella restrita.
Nas inaugurações é o Lello que corta a fita.

Na lliteratura, o Lello seria um cllássico.
O Lello tem de Pessoa o tripllo do perímetro torácico.
O Lello compra livros que nunca saíram do prello.
Se fosse um instrumento, o Lello seria um violloncello.
E o arco um martello.
Quando pragueja,
o Lello verseja.
A palavra é folleira?   O Lello adorna.
A situação está feia?   O Lello contorna.
E um trambolhão transforma-se em anomallia.
O Lello converte acidentes em tecnollogia.
Uma só frase do Lello é um tratado de fillosofia.

A casa do Lello devia ser um castello.

O Lello não respira, opõe-se à apneia.
O Lello não come, saboreia.
O Lello não grita, canta.
O Lello não escorropicha, decanta.
O Lello não emborca, desfruta.
Se fosse uma fruta,
o Lello seria um marmello.
Muito amarello, o Lello.
Dita por Lello,
uma acusação fica mais fina e chama-se llibello.
O Lello vê para llá do que a vista allcança.
Quando era Secretário de Estado das Comunidades
o Lello até foi a França.
O Lello nunca descansa,
repousa.
O Lello apoia o Engenheiro Pinto de Sousa.

O pé do Lello nunca sai do chinello.

O Lello come pão com gelleia.
Ao allmoço, ao jantar e à ceia.
O Lello não desafina, trauteia.
O Lello não duvida, titubeia.
Quando anuncia, o Lello procllama.
O Lello veste robe de chambre quando anda em pijama.
O Lello descansa numa chaise llongue quando se llevanta da cama.

É assim o Lello e, como se vê, não tem parallello.

(Rui Rocha, in DELITO DE OPINIÃO)
(Formato gráfico da autoria deste blogue)



(A pérolla lellillista: - as origens folleiras das folleirices do Lello...)

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sábado, 30 de abril de 2011

O "tsunami" das Parcerias Público-Privadas

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Tal como diz Eduardo Catroga, este governo, ao invés de se apresentar de novo e descaradamente a eleições, deveria antes ser arrastado para os tribunais e o seu cabecilha encarcerado desde já, como medida preventiva para salvaguarda do pouco que resta deste País.
O défice de 2010 já foi corrigido para 9,1% do PIB (obrigado pela "Troika"), e ainda as PPP não foram incluídas.   Essas fazem parte de um tsunami que começará em 2012 e só terminará em 2086, e cujo acréscimo de 10% do PIB terá de ser pago pelas próximas 3 ou 4 gerações.   Só desde 2005 e à conta dos governos de José Sócrates, a conta ascende a uns astronómicos 12 mil milhões de euros!!!
Será que os senhores da "Troika" já inventariaram este regabofe de mais de 13 mil milhões de euros?

Álvaro Santos Pereira, no DESMITOS, chega mesmo a admitir que esta dívida seja muitíssimo mais elevada:  "De acordo com as estimativas mais recentes, as dívidas com as PPPs e concessões já assumidas totalizam cerca de 60 mil milhões de euros, ou mais de 35% do PIB português. Lamentavelmente, estas despesas não entram nas contas actuais da dívida pública, mas os governos futuros terão de cortar despesas e/ou aumentar impostos em cerca de 2,5 mil milhões de euros todos os anos para poder pagar estas PPPs e concessões." 



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sexta-feira, 29 de abril de 2011

O maremoto silencioso... prenúncio do colapso mundial ?

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Ouro em máximos históricos acima dos 1.535 dólares

O ouro continua a subir e a registar recordes sucessivos. A valorização dos metais preciosos está a ser impulsionada pelas medidas que resultaram da reunião de dois dias da Fed.   O metal amarelo continua a escalar, num movimento de subida livre, impulsionado sobretudo pelo enfraquecimento do dólar.

 A política monetária adoptada pela Reserva Federal (Fed), que inclui manter a taxa de juro directora perto de zero, está a ajudar o ouro a negociar acima dos 1.535 dólares por onça, uma vez que a nota verde continua a desvalorizar - o que aumenta a atractividade dos activos negociados em dólares .
Em Nova Iorque, o metal amarelo para entrega em Junho chegou hoje aos 1.535,1 dólares, um máximo de todos os tempos.

O mercado londrino também continua a bater recordes, com o ouro para entrega imediata a fixar um máximo nos 1.530,18 dólares por onça, já tendo atingido na sessão de hoje os 1.534,05 dólares.
O tom da Reserva Federal continua moderado, com um foco contínuo em manter o crescimento da economia”, disse Daniel Brebner, analista do Deutsche Bank em Londres.
Isto vai resultar num maior enfraquecimento do dólar americano. Também, as ameaças inflacionistas podem surgir se a Fed continuar a manter-se à margem. Estes factos estão a impulsionar o ouro e a prata hoje”, concluiu o analista.

Segundo Brebner, o ouro poderá subir acima dos 1.800 dólares no final de 2011. “Um preço mais alto que 2.000 dólares, talvez aproximado de 2.500 dólares, poderá ser alcançado em 2012 se não houver mudanças significativas das políticas monetárias globais.”

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Se querem ajudar a destruir o resto, votem nele uma vez mais!...

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O grande maestro,  José Sócrates Pinto de Sousa


Frederico II, O Grande, rei da Prússia, disse que “a trapaça, a má fé e a duplicidade são, infelizmente, o carácter predominante da maioria dos homens que governam as nações”.   José Sócrates Pinto de Sousa, o grande maestro, ilustra-o.   Na farsa de Matosinhos, a que o PS chamou congresso, usou bem a batuta da mistificação e deu o tom para o que vai ser a sua campanha:   ilibou-se de responsabilidades pela crise e condenou o PSD;   tendo preparado, astutamente, a queda do Governo, ei-lo, agora, cinicamente, a passar para o PSD o ónus da vulnerabilidade que nos verga.   Como a memória é curta e o conhecimento não abunda, os hesitantes impressionam-se com o espalhafato e o discurso autoritário, ainda que recheado de mentiras.   Porque em tempo de medo e de apreensão, a populaça não gosta de moleza.
O aviso fica feito:   não menosprezem as sondagens.   Urge clarificar e não ser ambíguo.   Eu não vou ser.

1. Na segunda metade de 2009, as escutas do caso Face Oculta trouxeram à superfície a teia subterrânea que preparava a aquisição da Media Capital pela PT.   Objectivo?   Condicionar a orientação noticiosa da TVI, afastar José Eduardo Moniz e calar Manuela Moura Guedes.   Que mão segurou a batuta deste tenebroso conúbio entre a política e o dinheiro?   Este é um, apenas um episódio, de uma longa série de acções para calar a opinião livre e subjugar o espaço público, que o grande maestro protagonizou.   José Manuel Fernandes, Henrique Monteiro e Mário Crespo, entre outros, denunciaram-nas, sem peias.  
Se não vos assusta o poder hegemónico e incontestável, voltem a votar nele.   Se vos chega uma democracia amordaçada, escolham-no uma vez mais.

2. Para encontrar alguma analogia com a cadeia de escândalos que envolveram José Sócrates, temos que ir à Itália de Berlusconi.   Na nossa História não há precedente que lhe dispute tamanho mar de lama.   Da licenciatura na Independente às escutas oportunamente silenciadas pelo Supremo Tribunal de Justiça, passando pela saga escabrosa dos engenprojectos de haria da Guarda, os mistérios dos apartamentos da Braamcamp e os inarráveis processos Cova da Beira e Freeport, saiu sempre judicialmente ileso, o grande maestro.   Como Il Cavaliere.  
Se isso vos chega e querem manter um primeiro-ministro que se julga ungido de clarividência única, medíocre e incompetente, que vos mente sem rebuços, teimosamente cego, presumido omnisciente e contumaz calcador de todos os escrutínios morais, só têm que esperar até 5 de Junho.   Votem nele.

3. As obras públicas entranharam em Sócrates, compulsivo, a ideia que criam emprego.   Viu-se com os vários estádios do Euro 2004, que nos custaram milhões e qualquer dia serão destruídos sem glória nem uso.   Estamos por ora salvos da loucura do TGV e das imprudências, dadas as circunstâncias, do aeroporto e da terceira ponte sobre o Tejo.  
Mas se quiserem a megalomania de volta, mais Magalhães a pataco, quadros interactivos inúteis e escolas novas destruídas para que o grande maestro inaugure outras mais modernas, é só votar nele, já em Junho.

4. Sócrates foi, durante os seis anos da sua governação, o grande maestro da táctica para esconder os números do endividamento externo e a realidade do défice e das contas públicas.   Depois de utilizar irresponsavelmente o Orçamento de Estado de 2009 para colher benefícios eleitorais, negou sempre que a crise financeira nos tocava.   Desorçamentou e manipulou contabilisticamente as contas do Estado, até ao limiar da bancarrota e ao pedido de assistência financeira, que humilha Portugal.  
Se querem ajudar a destruir o resto, portugueses, votem nele, uma vez mais.

5. Enxerguem-se, portugueses:   se somarmos à actual dívida pública a dívida das empresas públicas, chegamos a 125 por cento do PIB (o nosso PIB anda pelos 172 mil milhões de euros);   a este número, medonho, somem mais 60 mil milhões, a pagar pelos nossos filhos e netos, que o grande maestro foi comprometendo em parcerias público/privadas, com as empresas do regime;   quando, em 2005, arrebatou a batuta, o grande maestro encontrou 6,6 por cento de taxa de desemprego;   agora, em 2011, o grande maestro abandonou à sua sorte uma triste banda de quase 700 mil desempregados, 11,1 por cento de taxa de desemprego, a pior desde que há registos em Portugal;   estamos no “Top Ten” dos países mais caloteiros do mundo (100 por cento do PIB de dívidas das famílias portuguesas, mais 150 por cento do PIB de dívidas das empresas lusas, tudo por volta de 430 mil milhões de euros);   temos a maior vaga de emigração de licenciados de todos os tempos, a segunda pior taxa de fuga de cérebros no universo da OCDE e a terceira no que toca ao abandono escolar.  
Se este painel factual não vos belisca, votem nele.   Ofereçam-lhe uma batuta vitalícia e entronizem-no, até que o céu vos caia em cima.

6. Esclareçamos que a assistência financeira apenas nos tira a corda do pescoço nos próximos dois a três anos, na medida em que nos assegura honrarmos os compromissos da divida pública.   Mas não resolve o problema do crescimento económico, que supõe outra política.  
Se acreditam que o vosso coveiro pode ser o vosso salvador, votem no grande maestro e enterrem-se sozinhos, que ele já está, obviamente, protegido e salvo, pronto para a sua antecipada reforma dourada, que nenhuma troika cortará.

(Santana Castilho - In Público, 27-04-2011 )
(Imagens e sublinhados da autoria deste blogue)

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segunda-feira, 25 de abril de 2011

O 25 de Abril - um enterro em ambiente de total indignidade!

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EPITÁFIO

Os cravos murcharam.   Amareleceram.   Apodreceram.   A revolução...   moribunda desde há seis anos,  morreu!   Sócrates foi o coveiro.   A certidão de óbito foi assinada pelo FMI.   Pelo meio fica uma curta vida de 37 anos e uma enorme legião de canalhas inúteis e bem falantes - corruptos e criminosos vulgares que gastaram à tripa-forra e encheram a barriga até à boca.   E tudo foi feito impunemente, mal disfarçadamente e  à sombra de uma falsa democracia cristalizada na idolatria pela bandeira dos cravos.    Eles, os pulhas, oriundos de todos os quadrantes políticos e de todos os sectores económicos, os bandoleiros imorais e sem escrúpulos protegidos pelas leis por eles próprios "fabricadas a preceito"   que tudo roubaram, tudo comeram até nada mais restar - aqueles mesmos porcos sem vergonha que se perfilam para continuarem na engorda, agora à custa dos empréstimos do FMI.    Ou, o que é o mesmo, à custa do magro e negro pão que vai faltar, cada vez mais, nas mesas portuguesas!
E todos eles têm nome!   E todos sabemos quem são!   E o que fazem!   E onde estão!   Só falta aqui um Povo com tomates para os abater, um a um, como porcos cevados que são.   Mas isto...   já é pedir demais - que cada País tem o Povo que merece.   E este só quer é futebol, telenovelas e...   tolerâncias de ponto!

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domingo, 17 de abril de 2011

Momento de... raiva! - Trova do tempo que passa!

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Trova do tempo que passa


Pergunto ao tempo que passa
se há quem governe o País!
E o tempo mostra a desgraça
que o Governo logo desdiz!
Pergunto aos “boys” que levam
a massa nas algibeiras,
e os “boys” ao roubo se entregam
- levam tudo, sem maneiras!
Roubam sonhos, geram mágoas,
ai pobre do meu País,
mergulhado em turvas águas,
seu fim está por um triz.
Quem o pobre Povo esfola
pede meças a quem diz
que um País que pede esmola
continua a ser feliz!...

Pergunto à fome que grassa
por quem lhe roubou o pão;
Logo os golpes de trapaça
dá como sendo a razão.
Vi florir grandes fortunas
com os montantes roubados,
sem terem, como oportunas,
punições para os culpados!

E o tempo não muda nada!
Ninguém faz nada de novo!
Vejo a pátria acabrunhada
com a cruz que leva o Povo!

Vejo a Pátria na voragem
dos que andam a roubar,
cobertos p’la sacanagem
dos que dizem governar!
Vejo gente a partir
em busca doutras paragens.
Que lhe possam garantir
a vida, com outras margens!
Há quem te queira enganada,
ó Pátria do desalento,
e fale por ti, coitada,
entregue estás a um jumento!
E o tempo, em derrocada,
num ruído cacofónico,
vai aumentando a parada
de delírio histriónico!

Ninguém faz nada de novo
e o dinheiro vai fugindo.
Nas mãos vazias do Povo
fica a miséria florindo!
E a noite torna-se densa
de fantasmas e desdita.
Peço notícias ao tempo
e ele só nos mortifica.
Há sempre uma alcateia
que agudiza  a desgraça,
há sempre alguém que semeia
injustiça e só trapaça!

Neste tempo de trapaça
com personagens tão vis,
só mesmo com arruaça
p’ra lhes partir o nariz!

Mesmo na noite mais triste,
em tempo de podridão,
Sócrates ainda resiste
com a lábia de aldrabão!...

("Manuel Triste")


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