sábado, 16 de abril de 2011

Em Portugal todo o político mente. Completa-mente. Impune-mente!...

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Toda a gente mente

José Sócrates mentiu.   Ou melhor, está farto de mentir.   Passou anos a criar ilusões anunciando que a crise nunca nos afectaria, e é o que se vê.   Garantiu que nunca se falou da necessidade de ajuda externa no Conselho de Estado, achando que o dever de reserva de todos os conselheiros o protegeria, mas, além de ser óbvio que a realidade o obrigaria, tivemos vários a desmenti-lo.   

Jurou dois dias antes do pedido dessa ajuda que Portugal não precisava de qualquer empréstimo, e todos sabemos agora em que situação de falência o País está.   Anunciou que jamais governaria com o FMI, e é o que se está a assistir.

Mas Passos Coelho também mentiu.   E, pior, deixou que essa mentira enganasse os portugueses.   Disse, e deixou que muitos fizessem eco do que disse, que tinha sido informado do PEC IV de véspera com um simples telefonema, quando não só se encontrou pessoalmente com José Sócrates para o negociar como o fez sem testemunhas.   E enganou, também, quando garantiu que ia aproximar os políticos dos cidadãos e depois escolheu independentes que nunca darão nome de rua à terra onde nasceram.   Começou mal e já tem os gatos do saco do PSD todos a arranhar-se.

Teixeira dos Santos, esse, não pára de mentir.   Ou, bem vistas as coisas, nem se sabe bem quando falou verdade.   Festejou a execução orçamental como se Portugal tivesse ganho o Euromilhões, e ei-lo agora a dizer que o País não terá dinheiro em Maio.   Sublinhou que um governo de gestão não tinha autoridade para pedir ajuda externa, e os acontecimentos ultrapassaram-no em poucos dias.  

Mandou Bruxelas negociar com a oposição e foi desautorizado quer pela União Europeia quer pelo próprio primeiro-ministro.   Matou a sua carreira técnica pela política e agora percebeu que quem sempre apoiou o deixará cair e, provavelmente, nem sequer fará parte das listas do PS.

Fernando Nobre também mentiu, pois claro.   Mas neste caso o problema é mais dos que nele acreditaram.   Afirmou há duas semanas que não queria ter nada a ver com os partidos, enquanto almoçava e jantava com o PS e se reunia com o PSD.   E não resistiu, como é óbvio, quando lhe acenaram com o segundo cargo da Nação, o que não pode estranhar-se de quem já foi mandatário do Bloco, monárquico, e outras tantas coisas que tais.   Agiu como seria de esperar de quem tem ambições, e só os crentes seus apoiantes achavam que carregaria para o resto da vida com os 600 mil votos conquistados.

E Cavaco Silva, esse continua a não dizer a verdade sobre o negócio das acções do BPN.   E sabemos todos que esta omissão não é uma coisa pequena, tendo em conta a dimensão do buraco do banco nas contas do País.

(Filomena Martins, in DN Opinião,  16/4/2011)
(Imagens e sublinhados da autoria deste blogue)

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Como?! - Se o "ridículo" matasse... haveria funeral, pela certa!

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“Vou ser franco:    ainda não vi o programa do PSD”  (!)

Numa entrevista ao semanário Expresso, Fernando Nobre diz que aceitou ser cabeça de lista do PSD para Lisboa "com o exclusivo e inequívoco propósito" de ser presidente do Parlamento.
"Se, seja por que razão for, não puder ser nomeado presidente da Assembleia, renuncio imediatamente ao mandato de deputado.   Não serei só deputado", explica Nobre.   (Expresso e Diário Económico)

E é assim que, esfumada qualquer "nobreza" de carácter, fica o Nobre apenas coberto de ridículo!    Ou - perdida que foi a noção do ridículo, não resta a Nobre qualquer réstea de carácter!    Ou ainda - como da noite para o dia, eis que sobra a Nobre em ridículo aquilo que lhe falta em carácter!  
E é pena que tenha enveredado por tais caminhos ridículos da política...   bem melhor faria que se tivesse contentado em gozar as glórias do seu passado como médico.   Não conhece Fernando Nobre (ou quis ignorar), aquele dito popular: - não vá o sapateiro além da chinela...    Ou será apenas uma enorme falta de "espelhos" lá em casa?!  

Mas...   será que aquele 'rapaz do PSD' não sabe fazer outra coisa senão dar "tiros no próprio pé"?...   Assim, estamos mal.   Muito mal!
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quarta-feira, 13 de abril de 2011

As barbas de molho - a Grécia e os gregos a saque pela troica FMI-CE-BCE

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(clicar na imagem para ler o artigo)

"O FMI, secundado pela Comissão Europeia, organiza o saque da Grécia"

Para saber o que nos espera para breve e durante os próximos (muitos!) anos, nada melhor do que procurar saber o que está a passar-se com o nosso "espelho" - a Grécia.   Obrigatória a leitura deste artigo de Jérome Duval  (clicar na imagem acima para ler), para tomarmos consciência das enormes dificuldades por que o povo grego está a passar e do nível de degradação a que estão a ser sujeitas todas as instituições gregas.   Tudo em prol e a favor do grande capital, que assim arrecada fortunas fabulosas com os lucros da destruição do País e do desmembrabramento das instituições, mandando às urtigas as últimas résteas de orgulho do povo grego.  
Vale a pena ler o artigo, porque irá ser tudo isto que a "troica" nos vai impor daquele mesmo modo.   E tudo isto com os cumprimentos dos canalhas criminosos que governaram este país durante os últimos anos e nos atiraram para a bancarrota!    E também daqueles 30% de atrasados mentais que, apesar de tudo isto, continuam a dar-lhes o voto nas urnas!

A propósito deste descalabro provocado pela incompetência e arrogância deste miserável governo PS-Sócrates, uma opinião radiográfica muito clara e peremptória de Estela Barbot, economista e conselheira portuguesa do FMI, em entrevista ao programa "Negócios da Semana" da SIC:


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terça-feira, 12 de abril de 2011

Tanto de belo como de perigoso - em todo o caso, electrizante!

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Imagens verdadeiramente fascinantes!   Ao som deste tão velhinho quanto lindíssimo mariachi  "Malagueña Salerosa", a mergulhadora Cristina Zenato arrisca integrar um estranho e perigoso bailado sub-aquático na companhia de um grupo de tubarões.   Interessante é ver como um deles parece ficar hipnotizado com as carícias no focinho ao ponto de se deixar colocar na vertical.   (Sugestão de JES)



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Um homem de "carácter" - um homem de "palavra" - um homem... Nobre!

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"Todo o homem tem um preço;   é apenas uma questão de tempo e de lugar"

Ainda há poucas semanas, e a propósito de um outro político (que por acaso é ministro...), eu escrevia sobre este célebre dito popular.   E aí está ele, uma vez mais, constatado em toda sua dimensão e esplendor!   Ainda há pouco mais de um mês este homem se fazia passar por impoluto nesta entrevista ao Mário Crespo.    Que não estava nem nunca estaria "à venda" por dinheiro algum.   Aliciado por um qualquer partido?...  "isso NUNCA"!     Afinal...   tratava-se apenas de mais um que tentava "espreitar por detrás dos arbustos"!...    mais um que andava "à procura da cenoura"!...





Um homem "coerente"!   Afinal...   de que côr queres a cenoura?!...


Um Nobre esfomeado

Fernando Nobre teve algumas histórias hilariantes na campanha presidencial.   O homem independente, que zurziu a classe política a torto e a direito, lembrou o dia em que viu uma criança esfomeada correr atrás de uma galinha para lhe tirar um pedaço de pão do bico.
E garantiu aos portugueses que só não ia para Belém a tiro.   Acontece que obteve catorze por cento dos votos, não foi abatido por ninguém e agora, num acto de grande exaltação cívica, aceitou ser deputado do PSD/FMI do rapazinho de Massamá com uma condição muito altruísta:   ser candidato a presidente da Assembleia da República.   Um facto inédito nesta bizarra e falida democracia.   A galinha com pão no bico já lá vai.   Agora há um galinheiro cheio de mordomias e prebendas à espera de um Nobre esfomeado.

(António Ribeiro Ferreira, CM)

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domingo, 10 de abril de 2011

Emanações fétidas de um congresso! - ou, a Coreia do Norte em Matosinhos...

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O notário

Pressinto uma certa repulsa com o congresso do PS:    o tom histérico, a carneirada ululante, os delírios e as ‘inverdades’ disparados de rajada.    Não contem comigo:   se tudo aquilo fosse a sério, então sim, talvez fosse melhor fazer as malas e zarpar daqui.

Mas, para nosso eterno descanso, aquilo não é para levar a sério porque os enfermeiros já vêm a caminho:   técnicos da Comissão Europeia, do BCE e do FMI, munidos com as injecções necessárias de austeridade e realismo.   Sócrates promete combater as medidas ‘ultraliberais’ que põem em causa o ‘Estado Social’ que só existe na sua fantasia?   Por mim, até podia dizer que era o Napoleão:   ganhe quem ganhar no dia 5 de Junho, os portugueses já perceberam que não vão escolher um primeiro-ministro.   Vão eleger um notário, obrigado a certificar todas as medidas ‘ultraliberais’ que Bruxelas nos enfiar pela goela abaixo.

Nestes seis anos de governo, Sócrates não levou apenas o país à ruína.   Ele alienou, por muitos e bons anos, a nossa réstia de soberania.   Daqui para a frente, os outros mandam – e o inquilino de S. Bento assina.   Devemos-lhe, ao menos, isso.

(João Pereira Coutinho, in CM, 10/4/2011)


O culto do líder
 
«Há uma mitomania.   A criação do mito em torno de José Sócrates.   Tudo neste congresso é focado no líder.»

«Há uma espécie de devoção ao santo pouco comum em Portugal.   Neste congresso, o PS proibiu as câmaras de televisão de circularem à vontade na sala, o que lhes permite controlar os planos.   Estão colocadas nos cantos, viradas para o líder ou para quem discursa, não permitindo obter imagens de reacções dos congressistas.   
Isto não acontece em mais nenhum partido em Portugal, nem em quase nenhum do mundo, se excluirmos a Coreia do Norte.  
O próprio discurso de José Sócrates, em que este termina a perguntar: "Estão comigo?", é mais um exemplo.   Tudo é feito para comprometer os militantes em torno do líder.   E a verdade é que depois, os militantes que discursaram acabaram todos por se dirigir «ao Zé».   O PS nunca foi assim. Tudo isto começou com José Sócrates e terminará com José Sócrates.   Convém lembrar que o PS não é José Sócrates e José Sócrates não é o PS».

(Rodrigo Moita de Deus, especialista em comunicação, em declarações ao tvi24.pt)


O fotógrafo privativo e a sessão de pontapés

Ouvia eu há pouco Maria Flor Pedroso, na Antena 1, relatar o congresso do PS (eram 13h15) quando a ouço dizer (cintando de memória):   "Houve uma agitação que atrasou a entrada de José Sócrates, que deu mesmo numa sessão de pontapés entre o fotógrafo pessoal de José Sócrates [Ricardo Oliveira] e um operador de câmara de televisão."

Pontapés?!    E ontem, novamente envolvendo Ricardo Oliveira, mais um episódio digno de um Portugal sul-americano.   Ricardo Meireles, fotojornalista, escreveu o que se segue sobre a foto de capa do DN de ontem:
"Esta capa do DN fica na história negra do Fotojornalismo em Portugal.
Depois de todos os fotógrafos terem sido impedidos de captar imagens do líder do PS a uma distância digna, o “jornal do regime” publica na capa uma fotografia de José Sócrates no final do seu discurso e feita pelo único fotógrafo autorizado a estar dentro do recinto. Ricardo Oliveira, fotógrafo oficial do GABINETE DO PRIMEIRO MINISTRO, pago pelo orçamento de estado (por nós) para fazer uma foto de propaganda, apesar de ali não estar nenhum governante num acto público."  (via)

Como se tal não fosse suficiente, a foto em causa vem assinada “Ricardo Oliveira/GMP” (gabinete do Primeiro-Ministro).   Isto é propaganda paga com os nossos impostos.   Controlo de quem pode fotografar e filmar o querido líder, é este o reflexo do partido que nos cospe moralidade e altos valores na cara.   Estamos falados.

(Jorge Fliscorno, AVENTAR)


O único socialista com tomates no "comício" da carneirada!



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sexta-feira, 8 de abril de 2011

O RAP da actualidade - "A primeira regra é não dizer mentiras"!...

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Bem conhecidos são já os seus dotes de "bom-cantor".   Só peca por tardio o reconhecimento do mérito musical de Pinto de Sousa:   eis a apresentação do seu RAP parlamentar sobre a nobreza e a virtude do discurso da verdade - "A primeira regra...   é não dizer mentiras"!  - É o título...   e a regra de ouro do seu autor.    Promete ser o êxito musical deste Verão de 2011.   Quando é o próximo concerto?...




Mas enojado, enojado mesmo, fiquei hoje ao ver toda aquela histeria de aplausos no congresso do PS, com toda aquela "boyada" ali batendo palmas por tudo e por nada, cambada de "parasitas" de um regime decadente numa manifestação desmesurada para manter os "tachos", num desespero total de quem não quer perder a "mama" a que está habituado.   Ostensivamente, uma histérica e vergonhosa acção de apoio (qual boia de salvação) àquele que, sabem,  lhes vai permitir continuarem a "sugar o sangue" a este país e a "ir ao bolso" aos contribuintes.   Nauseante por demais, este congresso dos "tachos"!   Desliguei o televisor e fui directo à retrete.
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Será que nem depois disto o PS indica a porta da rua a Sócrates?!...

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Depois de ter, durante meses, enganado tudo e todos (até o próprio PS...  aposto!).   Depois de, durante meses, ter berrado aos quatro ventos uma coisa  enquanto pelas costas e pela calada ia fazendo o seu contrário, será que o PS vai continuar refém de um aldrabão de tão "alto gabarito"?  -  Infelizmente...   estou em crer que sim.   Que ele nunca o fará por vontade própria, isso é um dado adquirido.   Que este PS já desceu tão baixo que se adaptou perfeitamente às catacumbas da podridão política!    E convive perfeitamente com ela.   Vive dela.   Primeiro com os escândalos da pedofilia, depois com os escândalos dos casos Face-Oculta, Freeport, Cova-da-Beira, U. Independente, Heron-Castillo, TVI-PT,  só faltava agora esta cereja no topo do bolo!...

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FMI - ele aí vem, na forma de uma valente borrasca. Abriguem-se... ou fujam daqui!

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Já se adivinhava desde 2009.   Era só uma questão de tempo.  

Os ingredientes abundavam:  - uma crise externa a somar a uma crise interna já instalada desde 2005;   dois Bancos (BPN e BPP) levados à falência por uma quadrilha de gatunos pertencentes ao regime;   um Estado gordo a abarrotar de "mamões" paridos pelo regime (PS/PSD);   um governo incompetente e inútil, chefiado por um aldrabão sem qualquer noção do cargo que ocupa e que manteve teimosamente um irresponsável na pasta das Finanças que não esteve, jamais, à altura das circunstâncias, quando as circunstâncias exigiam alguém verdadeiramente competente.   Era só uma questão de tempo...   até batermos no fundo!   Até gritarmos por socorro.   De mão estendida ao FMI.   Tenho vergonha de ter visto o meu país ser notícia ontem, pelos piores motivos, em toda a imprensa e televisão mundiais!  

Enfim...   só nos resta agora o regresso às origens (de pobreza) durante as próximas décadas.   Tudo isto enquanto os "mamões" habituais irão continuar a banquetear-se na mesa grande do regime, à fartazana e sem vergonha nem consequências.   Enquanto toda esta cambada de crápulas irá continuar a engrossar as suas contas bancárias e a gozar o mesmo estilo de vida, sem sequer sentir os efeitos de toda e tanta merda que fizeram.  

São todos culpados.   Até a "múmia" de Belém.   Foi esta "múmia" que, pelos idos de 90, começou  a cavar o buraco onde outros agora nos enterraram.   É esta a "boa-moeda" que, enquanto recebia toneladas de dinheiro da Europa destruía todo o tecido produtivo nacional, desde a Siderurgia aos Estaleiros navais, desde a agricultura às pescas, substituindo-os a todos pela política dos subsídios.   Tudo isto enquanto desenvolvia a cultura do betão e cobria o país de milhões de toneladas de cimento e alcatrão, ao mesmo tempo que encerrava 800 km de linha férrea.   Enquanto isso, aproveitava também para fazer inúmeros amigos "honestos" entre os construtores e empreiteiros.  E também entre os maiores vigaristas da Banca.  

Com gente desta desde há 25 anos à frente dos destinos da Nação, outra coisa não seria de esperar - era só uma questão de tempo!   E "o tempo" chegou, enfim...   para desgraça deste país.

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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Os ecos da devastação - ou, um terramoto chamado Sócrates!

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O inominável


Deixa um país mais endividado, mais insolvente, mais instável, mais depauperado, mais desigual, mais desagregado, mais desprotegido, mais pobre, mais distante da média europeia, mais dependente do estrangeiro, com menos esperança.
Deixa uma sociedade mais intolerante, mais crispada, muito menos confiante nas instituições, muito mais dissociada da democracia, mais à mercê do primeiro demagogo que irrompa no horizonte.
Deixa um partido mais frágil, mais fechado, mais desacreditado, menos influente, menos mobilizador, mais desprestigiado, mais distante do pulsar da sociedade.
O inominável deixa uma pesada herança - no País e no partido.   Não admira, por isso, que muita gente já nem consiga citar-lhe o nome.   Aludem a ele dizendo "o que está no governo".   Por vezes, para o designar, recorrem à expressão "esse indivíduo" ou a outras, várias das quais irreproduzíveis.
Para o País, vítima da sua inultrapassável arrogância e da sua manifesta incompetência, a possibilidade de vê-lo enfim a léguas do poder constitui um bálsamo digno de registo.   Para o partido, é um trágico equívoco apresentar-se a eleições com "esse indivíduo" como cabeça de cartaz:   ele funciona como uma garantia antecipada de um desaire histórico.   Porque os eleitores conhecem-no hoje bem de mais.   Ao ponto de muitos já nem conseguirem pronunciar o nome deste vendedor de ilusões, o último que parece ainda capaz de acreditar nos ecos voláteis da sua própria propaganda.

(Por Pedro Correia, Delito de Opinião - 06.04.11)


Um retrato do País,   por Alexandre Soares dos Santos
(em entrevista ao programa "Negócios da Semana" da SIC)



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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eu sempre "soube" que este miserável iria destruir o país!... Desde a primeira hora...

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- 6 de Abril de 2011 -
Batemos definitivamente no fundo!...

Deste a noite das eleições, em 20 de Fevereiro de 2005, que eu sabia que este miserável incompetente, mentiroso e arrogante,  haveria de destruir completamente este país até não restar nada.   Não iria ficar pedra sobre pedra!   Para mim, a dúvida não era se o faria, mas apenas como e quando o faria.   Quem dera que me tivesse enganado...   mas o resultado está aí !...


(Post HenriCartoon;  alteração minha)

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O homem errado no momento que poderia ter sido certo

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José Sócrates teve condições únicas para reformar Portugal:   -uma maioria absoluta e um povo disposto a fazer sacrifícios.

E nenhum partido como o PS tem ou tinha em Portugal condições para reformar o sistema com menor turbulência social e política.   Mas a verdade é que Sócrates e o PS falharam porque Sócrates foi o homem errado no momento que podia ter sido certo.  

Afastou do Governo homens que, como Luís Campos e Cunha, não abdicavam da sua opinião, rodeou-se de apparatchiks, yes minister’s e, a partir de 2009, sentou no conselho de ministros a mais completa colecção de jarrões de sala que alguma vez se viu em Portugal em volta de uma mesa.  
Decapitou a administração pública tornando-a um bando zombies que sonha com a reforma enquanto cumpre os procedimentos ditados pelos boys.   As circunstâncias pessoais de José Sócrates e a forma como foram investigados os casos em que o seu nome é referido, como o Freeport, Face Oculta e Cova da Beira contribuíram decisivamente para o descrédito das instituições, nomeadamente da Justiça.


Pouco a pouco as instituições foram ficando cativas de Sócrates.   Depois foi a vez do PS.   No fim foi o próprio regime que ficou em causa:   não só as eleições passaram a ser entendidas como uma ameaça à estabilidade do país como a própria manifestação da discordância política foi apelidada de anti-patriótica.
É a segunda vez que o PS entende por resgate do país o seu próprio resgate (a primeira foi aquando do escândalo Casa Pia).   O país e o regime são mais importantes que o PS e o PS é mais importante que o seu líder.   O PS teve mais do que uma oportunidade de afastar Sócrates.   Não o fez.   Paga agora o preço dessa falta de sentido crítico.   Esse preço poderá ser alto para o PS mas será, sem dúvida, muito mais caro para Portugal.  
A oportunidade perdida protagonizada por Sócrates foi um desastre para todos nós.

(Helena Matos, In Público, 24-03-2011)  (Adaptação, imagens e sublinhados da autoria deste blogue)

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domingo, 3 de abril de 2011

Querem saber o que fazem e para quem trabalham as agências de "rating"?...

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Nada melhor do que ver este documentário (em 3 partes) sobre os pormenores do escândalo da "Bolha Imobiliária" para ficar a saber como e porquê o mundo sofre hoje a maior crise desde a "Depressão" dos anos 20.   Da promiscuidade entre os políticos e a "alta finança";   de como para estes canalhas miseráveis tudo isto não passa de um "jogo" que movimenta biliões de dólares para os bolsos de "meia dúzia", atirando com o mundo para a pobreza e escravidão;   de como, para estes bandidos escondidos em gabinetes, a simples prisão já não é suficiente - a forca é o único fim digno para esta gente!      
Não é por acaso que as 3 agências de "rating" são todas norte-americanas!   Não é por acaso que, no dia anterior à falência do Banco Lehman Brothers,  todas estas agências o classificavam com AAA !...

Aqui, neste vídeo...   com todos os nomes dos bandidos e locais dos crimes!   E o pior ainda está para vir...   o colapso total da economia mundial!






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A mentira muitas vezes repetida, torna-se verdade - governo PS-Sócrates

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Esta gente não tem vergonha!

A correcção (do défice) pelo Eurostat confirma que estamos perante a maior série de mentiras da III República, camufladas por um excelente "marketeer".   O problema é que o "marketeer" se esqueceu de que não se pode enganar toda a gente...  durante muito tempo.   Porque a mentira tem perna curta.

 Nada disto seria muito grave se as consequências da falta de vergonha prejudicassem apenas o primeiro-ministro e o partido do Governo.   Mas prejudicam o País:   vamos viver muito pior nos próximos quatro anos porque o Governo não teve coragem de apertar o cinto logo no início de 2010.

Tendo em conta este chorrilho de mentiras, vale a pena exigir à Comissão (com permissão da sra. Merkel) que divulgue o que apurou na visita a Portugal.  

Vai fazer mal à nossa reputação?   Pior do que já está, é difícil.   Porque mais vale contar a verdade toda, do que prolongar as dúvidas sobre o real estado das contas públicas.   O PEC IV não apareceu por acaso...   

(Camilo Lourenço, Negócios Online)


Crise política é "golpe" de Sócrates para se vitimizar


O sociólogo António Barreto afirmou que a demissão do Governo foi um "golpe" do primeiro-ministro para provocar eleições, vitimizar-se e que aumenta as dificuldades para Portugal se financiar nos mercados.

"Estamos a pedir em más condições, depois de um golpe de Sócrates que provocou eleições para tentar continuar no deslize e no agravamento em que estávamos", afirmou Barreto, que preside à Fundação Francisco Manuel dos Santos, em declarações à agência Lusa, à margem do lançamento do livro de Vítor Bento, "Economia, Moral e Política".

António Barreto acrescentou ainda que o momento actual do país "corresponde à ideia do primeiro-ministro, de provocar uma crise na qual ele possa, eventualmente, passar por vítima".
O presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos acusou ainda José Sócrates de "caluniar" as entidades internacionais "a quem pede ajuda" e de "caluniar os credores" depois de pedir empréstimos. "Esta duplicidade é um péssimo sinal para o exterior", acrescentou, referindo que se Portugal tivesse pedido ajuda externa há mais de um ano, teria estado em melhores condições para o fazer, e em melhores condições para cumprir eventuais programas de reformas económicas.   (Notícia DN)

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sábado, 2 de abril de 2011

O grande capital e o "medo" do efeito ISLÂNDIA. Por isso o tentam esconder!

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Porque silenciam o exemplo da ISLÂNDIA?


Está na altura de falar da Islândia, da forma como este país deu a volta à bancarrota e das razões porque não interessa a "certa gente" que se fale dela.   Não é impunemente que não se fala da Islândia (o primeiro país a ir à bancarrota com a crise financeira) e na forma como este pequeno país, perdido no meio do mar, deu a volta à crise.   Ao poder económico mundial, e especialmente o Europeu tão proteccionista do sector bancário, não interessa dar notícias de quem lhes bateu o pé e não alinhou nas imposições usurárias que o FMI lhe impôs para a ajudar.
Em 2007 a Islândia entrou na bancarrota por causa do seu endividamento excessivo e pela falência dos seus maiores Bancos (Kaupthing e Landsbanki) que, como todos os outros, se afogaram num oceano de crédito mal parado.   Exactamente os mesmo motivos por que tombaram a Grécia, a Irlanda e Portugal.   A Islândia é uma ilha isolada com cerca de 320 mil habitantes e que, durante muitos anos, viveu acima das suas possibilidades graças a estas “malabarices” bancárias e que a guindaram falaciosamente ao 13º lugar no ranking dos países com melhor nível de vida (numa altura em que Portugal detinha o 40º lugar).

País novo, ainda não integrado na UE, independente desde 1944, foi desde então governado pelo Partido Progressista (PP), que se perpetuou no Poder até levar o país à miséria.   Aflito pelas consequências da corrupção com que durante muitos anos conviveu, o PP tratou de recorrer ao FMI em busca de ajuda.   Claro que a usura deste organismo não teve comiseração, e a tal “ajuda” ir-se-ia traduzir em empréstimos a juros elevadíssimos (começariam nos 5,5% e daí para cima), que, feitas as contas por alto, se traduziam num empenhamento das famílias islandesas por 30 anos, durante os quais teriam de pagar uma média de 350 euros / mês ao FMI.   Parte desta ajuda seria para “tapar” o buraco dos principais Bancos islandeses.
Perante tal situação, o país mexeu-se.   Apareceram movimentos cívicos despojados dos velhos políticos corruptos com uma ideia base muito simples:   os custos das falências bancárias não deveriam ser pagos pelos cidadãos, mas sim pelos accionistas dos Bancos e seus credores.   E todos aqueles que assumiram investimentos financeiros de risco deviam agora aguentar com os seus próprios prejuízos.

O descontentamento foi tal que o Governo foi obrigado a efectuar um referendo, tendo os islandeses, por uma maioria de 93%, recusado assumir os custos da má gestão bancária e a pactuar com as imposições avaras do FMI.   Num instante, os movimentos cívicos forçaram a queda do Governo e a realização de novas eleições.
Foi assim que em 25 de Abril (esta data tem mística) de 2009, a Islândia foi a eleições e recusou votar em partidos que albergassem a velha, caduca e corrupta classe política que os tinha levado àquele estado de penúria.   Um partido renovado (Aliança Social Democrata) ganhou as eleições e, conjuntamente com o Movimento Verde de Esquerda, formaram uma coligação que lhes garantiu 34 dos 63 deputados da Assembleia).   O partido do poder (PP) perdeu em toda a linha.
Daqui saiu um Governo totalmente renovado e com um programa muito objectivo:   aprovar uma nova Constituição, acabar com a economia especulativa em favor de outra produtiva e exportadora, e tratar de ingressar na UE e no Euro logo que o país estivesse em condições de o fazer, pois numa fase daquelas, ter moeda própria (coroa finlandesa) e ter o poder de a desvalorizar para implementar as exportações, era fundamental.  

Foi assim que se iniciaram as reformas de fundo no país, com o inevitável aumento de impostos, amparado por uma reforma fiscal severa.
Os cortes na despesa foram inevitáveis, mas houve o cuidado de não “estragar” os serviços públicos, tendo-se o cuidado de separar o que o era de facto público de outros tipos de serviços que haviam sido criados ao longo dos anos, apenas para serem "amamentados" pelo Estado.
As negociações com o FMI foram duras.   Mas os islandeses não cederam e conseguiram os tais empréstimos que necessitavam a um juro máximo de 3,3% a pagar nos tais 30 anos.   O FMI não tugiu nem mugiu.   Sabia que teria de ser assim, ou então a Islândia seguiria sozinha e, atendendo às suas características, poderia transformar-se num exemplo mundial de como sair da crise sem estender a mão à Banca internacional.   Um exemplo "perigoso" demais...

Graças a esta política de não pactuar com os interesses desmedidos do neo-liberalismo instalado na Banca e de não pactuar com o formato do actual capitalismo (estado de selvajaria pura) a Islândia conseguiu, aliada a uma política interna onde os islandeses faziam sacrifícios (mas sabiam porque os faziam e onde ia parar o dinheiro dos seus sacrifícios) sair da recessão já no Trimestre de 2010.   O Governo islandês, chefiado por uma senhora de 66 anos (Johanna Sigurdardottir), prossegue a sua caminhada, tendo já conseguido sair da bancarrota e preparando-se para dias melhores.   Os cidadãos estão com o Governo porque este não lhes mentiu, cumpriu com aquilo que o referendo dos 93% lhe tinha ordenado, e os islandeses hoje sabem que não estão a sustentar os corruptos banqueiros do seu país nem a cobrir as fraudes com que durante anos acumularam fortunas monstruosas.

Sabem também que deram uma lição à máfia bancária europeia e mundial, pagando-lhes o juro justo pelo que pediram, e não alinhando em especulações.
  
Sabem ainda que o Governo está a trabalhar para eles, cidadãos, e aquilo que é sector público necessário à manutenção de uma assistência e segurança social básica, não foi tocado.

Os islandeses sabem para onde vai cada cêntimo dos seus impostos.   Não tardarão meia dúzia de anos e a Islândia retomará o seu lugar nos países mais desenvolvidos do mundo.   O actual Governo Islandês não faz jogadas nas costas dos seus cidadãos.   Está a cumprir, de A a Z, com as promessas que fez.

(Por Francisco Gouveia, Eng.º) (Tirado daqui)
(Adaptação e imagens da autoria deste blogue)
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sexta-feira, 1 de abril de 2011

E a mentira continua - o boicote à auditoria das contas públicas!

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O mais inconcebível é que a auditoria às contas públicas foi travado por Bruxelas e pelo Presidente da República (para não incomodar ainda mais os "mercados", dizem).   Apesar das consequências do estado de mentira que temos vivido desde há mais de 6 anos, a grande preocupação, agora também com a chancela daquelas duas entidades, é que se continue a esconder a verdade sobre os enormes buracos das nossas contas públicas, com especial incidência sobre o verdadeiro TSUNAMI que constituem os contratos das PPP (parcerias público-privadas),  e que se seguirá, de forma tão silenciosa quanto tenebrosa, ao terramoto actual do descalabro das contas públicas.
Ninguém sabe ao certo como foram redigidos tais contratos e quais as dimensões de um tal "tsunami" para o futuro do país e dos contribuintes.   Apenas se sabe que tudo isto está envolto por um "intenso nevoeiro", segredo bem guardado pelos últimos governos, mas que tudo indica ser uma perigosa "bomba armadilhada", e que irá estoirar nas mãos, na carteira e na vida dos contribuintes, a começar já em 2013 e se prolongará pelas próximas 4 décadas.
Mas o melhor é ver esta entrevista ao Dr. Carlos Moreno (ex-juíz do Tribunal de Contas) no programa "Notícias da Semana",  e prapararem-se para ficarem estarrecidos com o teor das "negociatas" do governo!





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quarta-feira, 30 de março de 2011

Finalmente, o Parlamento a funcionar em pleno! - Sem merdas de clubites partidárias...

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Já não me lembro desde há quantos anos o nosso Parlamento deixou de funcionar como nas últimas duas semanas!   Sei apenas que, desde há 6 longos anos, este Parlamento se transformou numa patética assembleia de dirigentes e partidários de "clubes de futebol"!...

Oposição revogou aumento dos limites da despesa pública


A oposição no Parlamento revogou esta quarta-feira, com os votos contra do PS, o decreto-lei do Governo que aumentou os limites para a autorização de despesa por parte do Estado, autarquias, institutos, fundações, associações e empresas públicas. "Governo exige sacrifícios e quer disparar limites da despesa", afirmou o deputado do Bloco José Gusmão.
 
No final de um debate foram aprovados em conjunto, com os votos favoráveis de toda a oposição, quatro projectos de resolução do Bloco, PCP, PSD e CDS de cessação da vigência deste decreto-lei do Governo, n.º 40/2011, de 22 de Março.
O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, referiu que, com esta votação, ficam em vigor os anteriores limites para a autorização de despesa pública, fixados no decreto-lei n.º197/99, de 8 de Junho.   (Notícia ESQUERDA.NET, 30 Março, 2011)




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O reverso da medalha - o lado negro dos Transgénicos!

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Transgénicos - alimentos geneticamente modificados - são a solução para a fome ou o começo de um novo e desconhecido problema à escala mundial?    Eles modificam, cada vez mais, a face do planeta;   enormes devastações florestais são levadas a cabo em benefício de milhões de hectares do seu cultivo.   E a natureza responde brutalmente às agressões desta natureza.  
Eles enchem com milhares de milhões de dólares o bolso das indústrias bioquímicas e agroquímicas, e o seu progresso é já imparável pelos enormes interesses envolvidos.   Mas...  não se estará a introduzir um malefício de proporções gigantescas, e de consequências tão desconhecidas quanto irreparáveis para toda a Humanidade?  

Duas décadas após o início da produção e cultivo em larga escala destes produtos fabricados pela biotecnologia, fazem-se testes laboratoriais às mutações celulares dos intestinos e carne dos animais, e os resultados começam a ser preocupantes.   Principalmente se pensarmos que na nossa alimentação entram todos os dias, não só as carnes dos animais que comem a soja e o milho transgénicos, mas também uma infinidade de óleos e outros produtos comestíveis...   mas o melhor é ver o vídeo:



(Vídeo picado daqui)

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Da IRLANDA, com Amor! - ou, O Paraíso do FMI...

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O jornal irlandês "Independent" acaba de publicar uma interessante carta dirigida a Portugal, alertando para os "benefícios" de uma ajuda do FMI.   Como nestas coisas "não há mestre melhor do que o ferido", vale a pena ler e meditar.   E mandar ao irlandês que a escreveu um "obrigado pelo aviso"...   mas já é tarde de mais, também para nós.   E também um "obrigado", ainda maior, ao incompetente e mentiroso compulsivo que nos meteu nesta alhada:   Sócrates - o príncipe maldito que veio das Beiras!   O ídolo...  com pés de sapatilhas!

Bit of friendly advice, Portugal

Sunday March 27 2011
Dear Portugal, this is Ireland here. I know we don't know each other very well, though I hear some of our developers are down with you riding out the recession.
They could be there for a while. Anyway, I don't mean to intrude but I've been reading about you in the papers and it strikes me that I might be able to offer you a bit of advice on where you are at and what lies ahead. As the joke now goes, what's the difference between Portugal and Ireland? Five letters and six months. (o resto do original AQUI

Tradução:
Um pequeno conselho amigo, Portugal

Domingo, 27 Março 2011
Querido Portugal, daqui escreve a Irlanda.   Eu sei que não nos conhecemos muito bem, embora tenha ouvido dizer que alguns dos nossos investidores andam por aí a cavalgar a recessão.   Eles podem ficar por aí algum tempo.   Eu não quero parecer intrometida mas tenho lido umas coisas nos jornais sobre ti e acho que posso dar-te um pequeno conselho sobre o que se passa contigo e que mentiras vêm por aí.
A piada que corre é:   qual a diferença entre Portugal e Irlanda?   Cinco letras e seis meses.   Reparo que estás sob pressão para aceitar um resgate externo mas os teus políticos afirmam estarem determinados a não aceitar.   Dizem eles, só por cima do seus cadáveres.   Por experiência própria, isso significa que um resgate estará para breve, provavelmente a um Domingo.

Primeiro deixa-me explicar-te um pouco as nuances da língua Inglesa.   Dado que o inglês é a tua segunda língua, poderás pensar que as palavras “bailout” e “aid” implicam que irás contar com a ajuda dos nossos parceiros comunitários para sair das tuas dificuldades actuais.   O Inglês é a nossa primeira língua e foi  isso o que pensámos que “bailout” e “aid” significavam.
Permite que te avise que este “bailout”, quando te for inevitavelmente imposto, não só não te livrará dos teus problemas actuais como irá prolongá-los pelas gerações futuras.   E ainda esperam que fiques grato.   Se quiseres saber o significado correcto de “bailout”, sugiro que pegues no dicionário de Inglês-Português e procures palavras como:  empréstimo, usura, hipoteca, roubo (moneylending, usury, subprime mortgage, rip-off).   Isto dar-te-á uma tradução mais correcta do que te vai acontecer.

Vejo também que vais mudar de governo nos próximos meses.   Desculpa, mas permito-me um sorriso.   Porque tudo isso não é mais do que passar uma demão fresquinha de tinta por cima das rachas da vossa economia.   Aproveita e aprecia o cheiro da tinta fresca enquanto dura.   Nós também tivemos um governo novo, e até é divertido durante umas semanas.
O que vais descobrir é que o novo governo chegará envolto por uma leve euforia das pessoas.   O novo governo terá feito todo o tipo de promessas durante a campanha, sobre deitar fogo aos capitalistas e outras, enquanto a UE irá sorrir benevolamente com este palavreado.   Mas logo, mal tome posse, o novo governo irá à Europa tentar fazer boa figura.   Poderás até ganhar umas partidas contra o teu velho inimigo, seja ele quem for, e até atrair visitas de alguns dignitários como o Papa e assim.   Haverá boas vibrações no ar e toda a gente vai refugiar-se nessa ilusão durante algum tempo.

Aproveita tudo isso enquanto puderes, Portugal.    Porque a realidade espera-te e vai intrometer-se de novo no teu caminho quando o divertimento acabar.   O lado bom de tudo isto é que o preço de jogar golfe se tornou muito atractivo aqui.   Espero que o mesmo suceda por aí e poderemos encontrar-nos então .

Com amor

Irlanda

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Sócrates - um fugitivo que tenta agora escapar às responsabilidades!!!

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A retórica dos fugitivos

A última sessão do Parlamento no fim da I República acabou sem quórum.   Tal era o descrédito da casa, que os deputados resolveram não comparecer.   A última sessão do Parlamento 'ontem' (23/3), no fim de Sócrates ou no princípio do fim de Sócrates, acabou quase sem Governo.   As sumidades da governação eclipsaram-se. Sócrates saiu de cena logo que Teixeira dos Santos acabou de falar.   E Teixeira dos Santos nem se dignou ouvir Manuela Ferreira Leite.   Ambos assumiram o registo de provocação constitucional em que têm vivido há muito tempo e que usaram para esconder o PEC IV da Assembleia, do Presidente, dos parceiros sociais, de toda a opinião pública.   Foi de propósito.   Ambos desejaram ter este fim.

Participar no debate com os deputados sobre o novo PEC era uma responsabilidade elementar do primeiro-ministro.   O seu poder deriva do Parlamento.   O seu dever é ouvir; e ouvir críticas, censuras, condenações, é também uma forma de ser responsabilizado.   Mas como esperar responsabilidade de um governo e de um primeiro-ministro que aproveitaram a oportunidade do PEC IV para precisamente falsificarem e manipularem a responsabilidade pelo fracasso da sua governação?

Convém estarmos atentos ao que se está a passar.   Muita manipulação e desinformação se prepara. Sócrates, como de costume, está a tentar o seu próprio branqueamento por ter conduzido o país para a bancarrota.   Tornou-se um fugitivo que procura escapar pela única frincha que as circunstâncias permitem, atirando o ónus do que aí vem, da crise, da intervenção externa - como se o país não estivesse há muito tempo em crise - para os seus sucessores.   O seu pedido de demissão é uma fuga, um artifício para torpedear a possibilidade de os portugueses o responsabilizarem.

É disto que se trata.   Mas quem é que deverá ser responsabilizado por este momento crítico senão Sócrates?   Quem é que nos governou nos últimos seis anos?   Quem é que escondeu a situação real das contas públicas, quem contra todos os avisos e ameaças persistiu cegamente no erro e na mentira?   E não foi Sócrates que apresentou PEC sucessivos com a colaboração do principal partido da oposição, ao mesmo tempo que não os cumpria?   Não foi Sócrates que, dizendo agora "ou nós ou o FMI", finge que Portugal já tem recorrido à ajuda externa do Banco Central Europeu?   Não foi Sócrates que atiçou a desconfiança dos mercados, expropriando Portugal da sua liberdade e independência?

Tem sido esta a admirável estabilidade de Sócrates.   E é desta mesma estabilidade que ele agora se proclama curador.   Entre uma estabilidade destrutiva e uma clarificação urgente, há alguém que não prefire a clarificação?   Era assim que tudo fatalmente acabaria.   Com um primeiro-ministro acossado e em fuga, recorrendo a todos os truques para falsificar a sua responsabilidade, vitimizando-se, e com um PS domesticado e desesperado por salvar o que resta.

Quem quiser perceber a manobra fugitiva de Sócrates que leia um texto do cientista político espanhol José Maria Maravall "Responsabilidade e manipulação" (está disponível na Internet).   O caso estudado por Maravall é a conduta do PSOE espanhol nos anos 80.   Para manipular o processo de responsabilização política pelos eleitores, os media foram apertados;   escondeu-se informação relevante que permitisse acompanhar o Governo;   falsearam-se os resultados das políticas governamentais;   o partido começou a viver com férrea disciplina e centralismo para aparecer artificialmente unido na crise, culpou-se a oposição pelo que fez e não fez;   o Governo apresentou as suas políticas como necessárias e inevitáveis.
Sócrates abraçou em absoluto esta retórica da manipulação da responsabilidade.   É a sua única saída.  
A responsabilidade não é dele, é de outros.   A crise não é dele, é de outros.   Muito haverá para dizer sobre este período deletério que Sócrates encarna na nossa política.  
Um dia perguntaremos como foi possível.

(Pedro Lomba, in Público em 2011-03-24)
 (Imagens e sublinhados colocados por mim)

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terça-feira, 29 de março de 2011

"Como foi possível terem feito isto ao meu país"! – o autor: Sócrates…

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Quem não tem dinheiro não tem vícios.  E não pode ter Sócrates.


Levantou-se da bancada do Governo, virou as costas aos deputados, fugiu escadas abaixo, rapidinho, evitando os jornalistas.   A forma como Sócrates se comportou durante o debate parlamentar mais importante da sua vida política – o debate parlamentar que terminaria num voto que o levaria a pedir a demissão – é mais reveladora do que mil discursos.

Este primeiro-ministro nunca esteve à altura do lugar a que, por circunstâncias fortuitas da nossa história política, chegou.   No dia em que caiu, no momento em que o seu Governo ruía, na hora em que abandonou os seus ministros durante um debate crucial, deixou ver, com mais nitidez, o seu rosto de autocrata.
Se houvesse alguma dúvida de que não era mais possível suportar uma “situação” sustentada apenas na chantagem e no desprezo pelas mais elementares regras da democracia, o gesto final deste tiranete vindo das Beiras encarregou-se de a desfazer.

Há mais de três anos, em Janeiro de 2008, numa altura em que o país bem-pensante ainda andava embeiçado pelo personagem, António Barreto, num artigo de opinião no PÚBLICO, escrevia:   “Não sei se Sócrates é fascista.   Não me parece, mas, sinceramente, não sei.   De qualquer modo, o importante não está aí.   O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições.   Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação.   No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu Governo”.

Em 2009, os portugueses tiraram-lhe a maioria absoluta, mas não aprendeu nada nem mudou o que quer que fosse na sua forma umbiguista e corrosiva de exercer o poder.   É por isso que o que aconteceu quarta-feira na Assembleia estava escrito nas estrelas:   “isto” não podia durar para sempre".

O que se passou nos últimos meses, anos, em Portugal tem sido trágico.  

Houve mentira:   -mentira sobre o real estado do país;   -mentira sobre as nossas obrigações internacionais:   -mentira sobre os êxitos e os fracassos;   -mentira sobre os objectivos políticos, económicos e orçamentais.   Evoluiu-se de mentira em mentira, negando de forma persistente a realidade e insultando todos os que, mesmo timidamente, tentavam evitar o desastre.
Houve corrosão dos hábitos democráticos:   -pressionou-se o sistema judicial, quando não se interveio mesmo directamente;   -procurou-se limitar as liberdades;   -desvalorizou-se a ética;   -promoveu-se o chicoespertismo;   -levou-se o clientelismo a limites antes desconhecidos;   -menosprezou-se a importância das virtudes públicas;   -planeou-se tomar de assalto órgãos de informação;   -promoveu-se o lambe-botismo ao mesmo tempo que se perseguia e tentava isolar todos os eventuais discordantes.

Houve cegueira económica:   -gastou-se dinheiro no que era supérfluo mas alimentava os amigos;   -cortaram-se despesas de forma pontual e ineficaz por ausência de uma visão de conjunto;   -procurou dizer-se aos empresários onde deviam e onde não deviam investir;   -apoiaram-se os amigos e os que prestam vassalagem e fez a vida negra aos independentes e aos que não abdicaram da sua liberdade;   -fingiu-se que se mudavam algumas leis para que, no essencial, tudo ficasse na mesma.

Um dia se fará a história destes anos, e estou em crer que, quando tal for feito, os vindouros se interrogarão:   mas como foi possível?   Como pode Portugal cair em tais mãos e mostrar uma tal incapacidade de sacudir esse jugo asfixiante?   A resposta passará, obrigatoriamente, pela história da rendição à lógica do poder pelo poder e do lugar pelo lugar de um grande partido da democracia portuguesa, o Partido Socialista.

Há mais de um ano, a 12 de Fevereiro de 2010, escrevi no Twitter:   “Ou há um sobressalto no PS, ou estamos num beco sem saída.   É tempo de perceber que Sócrates já não faz parte da solução, mas do problema, até do PS”.
O que surpreende é o PS ainda não ter percebido isto e agarrar-se à esperança de que ainda pode salvar lugares e mordomias (não tenhamos dúvidas que é já só por isso que se batem os barões, os baronetes, os boys, as girls, os aparelhistas e todas as inúmeras clientelas do partido) atrelando-se à retórica catastrofista do líder.
Sócrates tornou-se parte indissociável do problema no momento em que transformou o exercício minoritário do poder num permanente jogo de chantagens e de enganos que destroçou mesmo a melhor das boas vontades do PSD.   Responsável pelas políticas erradas que aceleraram a corrida de Portugal para o desastre, o primeiro-ministro viveu em permanente estado de negação, e é isso que justifica a vertiginosa sucessão de PECs.

Pior:   ao reduzir a política ao golpe baixo e à facada nas costas, ao rodear-se de uma camarilha de trauliteiros ágil no insulto, habilidosa na manipulação e totalmente desavergonhada, capaz de jurar num dia pelo que apostrofava na véspera, Sócrates não deixou nenhum espaço para qualquer convergência ou acordos, apenas para rendições ou prestações de vassalagem.

É por isso que é ensurdecedor o silêncio de um PS que nos surge hoje tão obediente como acéfalo.   Os dedos de uma mão chegam para contar os que foram capazes de levantar a voz, o que choca, sabendo-se que o PS já foi, no passado, um partido vivo e de gente de espinha direita.
Agora é um partido de zombies amestrado na retórica difundida pelos blogues anónimos de apoio ao Governo, um partido que engole em seco todos os abusos e só se mobiliza quando alguém apela aos seus instintos mais tribais.   Um partido que elogia a “combatividade” de Sócrates sem sequer se aperceber que essa combatividade está centrada no “eu” que ele repete a cada passo dos seus discursos, que isso é um elogio a um marialvismo bacoco e de vistas curtas, é um partido que não alcança que a combatividade não é um valor em si mesmo, podendo até ser um factor de corrosão e de agravamento de desastres anunciados (quem duvide que reveja o filme sobre os últimos dias de Hitler).

Enquanto Sócrates continuar à frente do PS, nunca este partido poderá fazer parte de uma solução alargada para Portugal – e quero acreditar que até no PS já ninguém acredita que o país possa sair do actual buraco sem um esforço que envolva uma ampla coligação de forças políticas e sociais.
Porém, no PS, ninguém se move, talvez com receio da ira do autocrata, esse autodenominado “animal feroz”.
É por isso que não são muitos os caminhos que se abrem aos eleitores.   Nas próximas eleições escolherão entre o sectarismo suicida de Sócrates (já que o PS se deixou reduzir à condição do “partido de Sócrates”) e a possibilidade de encontrar um caminho alternativo que, podendo e devendo incluir também os socialistas, terá sempre de se fazer sem o actual primeiro-ministro e em ruptura com o seu estilo de impor ao país a sua vontade.
A escolha não será entre mais ou menos austeridade:   a austeridade é um destino a que não podemos escapar, pois necessitamos mudar profundamente a nossa forma de viver para poder voltar a ter esperança e a ver a economia crescer.   A escolha também não pode ser reduzida à dicotomia Passos Coelho versus José Sócrates, pois aquilo de que o país necessita é de algo mais do que optar entre dois chefes partidários – tem de poder escolher entre mais do mesmo ou uma mudança baseada numa maioria ampla.

Nos últimos anos, nos últimos meses, nos últimos dias, uma imensa sucessão de erros de política económica e orçamental colocaram Portugal na posição do mendigo de mão estendida.   Há muito que temos de mudar de vida, não apenas fingir que mudamos de vida.   Com ou sem queda do Governo, Portugal colocou-se numa situação em que o recurso à ajuda externa é a melhor solução para evitar, a cada ida ao mercado da dívida, acrescentar mais peso excessivo ao serviço da dívida.
A opção não é por isso entre Sócrates ou…  finis patriae, pois em finis patriae já estamos – a opção é entre um suplício de Tântalo suportado em nome do imenso orgulho pessoal de José Sócrates e um caminho a percorrer por líderes mais humildes e mais respeitadores das regras democráticas.

Há quem diga que, mesmo assim, Sócrates pode voltar a ganhar.   Poder, pode.   Mas então só poderemos recordar Sertório:   -no Ocidente da Península vive um povo que não se governa nem se deixa governar.

(José Manuel Fernandes, In Público, 25-03-2011)
(Imagens e sublinhados colocados por mim)

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