quarta-feira, 30 de março de 2011

Sócrates - um fugitivo que tenta agora escapar às responsabilidades!!!

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A retórica dos fugitivos

A última sessão do Parlamento no fim da I República acabou sem quórum.   Tal era o descrédito da casa, que os deputados resolveram não comparecer.   A última sessão do Parlamento 'ontem' (23/3), no fim de Sócrates ou no princípio do fim de Sócrates, acabou quase sem Governo.   As sumidades da governação eclipsaram-se. Sócrates saiu de cena logo que Teixeira dos Santos acabou de falar.   E Teixeira dos Santos nem se dignou ouvir Manuela Ferreira Leite.   Ambos assumiram o registo de provocação constitucional em que têm vivido há muito tempo e que usaram para esconder o PEC IV da Assembleia, do Presidente, dos parceiros sociais, de toda a opinião pública.   Foi de propósito.   Ambos desejaram ter este fim.

Participar no debate com os deputados sobre o novo PEC era uma responsabilidade elementar do primeiro-ministro.   O seu poder deriva do Parlamento.   O seu dever é ouvir; e ouvir críticas, censuras, condenações, é também uma forma de ser responsabilizado.   Mas como esperar responsabilidade de um governo e de um primeiro-ministro que aproveitaram a oportunidade do PEC IV para precisamente falsificarem e manipularem a responsabilidade pelo fracasso da sua governação?

Convém estarmos atentos ao que se está a passar.   Muita manipulação e desinformação se prepara. Sócrates, como de costume, está a tentar o seu próprio branqueamento por ter conduzido o país para a bancarrota.   Tornou-se um fugitivo que procura escapar pela única frincha que as circunstâncias permitem, atirando o ónus do que aí vem, da crise, da intervenção externa - como se o país não estivesse há muito tempo em crise - para os seus sucessores.   O seu pedido de demissão é uma fuga, um artifício para torpedear a possibilidade de os portugueses o responsabilizarem.

É disto que se trata.   Mas quem é que deverá ser responsabilizado por este momento crítico senão Sócrates?   Quem é que nos governou nos últimos seis anos?   Quem é que escondeu a situação real das contas públicas, quem contra todos os avisos e ameaças persistiu cegamente no erro e na mentira?   E não foi Sócrates que apresentou PEC sucessivos com a colaboração do principal partido da oposição, ao mesmo tempo que não os cumpria?   Não foi Sócrates que, dizendo agora "ou nós ou o FMI", finge que Portugal já tem recorrido à ajuda externa do Banco Central Europeu?   Não foi Sócrates que atiçou a desconfiança dos mercados, expropriando Portugal da sua liberdade e independência?

Tem sido esta a admirável estabilidade de Sócrates.   E é desta mesma estabilidade que ele agora se proclama curador.   Entre uma estabilidade destrutiva e uma clarificação urgente, há alguém que não prefire a clarificação?   Era assim que tudo fatalmente acabaria.   Com um primeiro-ministro acossado e em fuga, recorrendo a todos os truques para falsificar a sua responsabilidade, vitimizando-se, e com um PS domesticado e desesperado por salvar o que resta.

Quem quiser perceber a manobra fugitiva de Sócrates que leia um texto do cientista político espanhol José Maria Maravall "Responsabilidade e manipulação" (está disponível na Internet).   O caso estudado por Maravall é a conduta do PSOE espanhol nos anos 80.   Para manipular o processo de responsabilização política pelos eleitores, os media foram apertados;   escondeu-se informação relevante que permitisse acompanhar o Governo;   falsearam-se os resultados das políticas governamentais;   o partido começou a viver com férrea disciplina e centralismo para aparecer artificialmente unido na crise, culpou-se a oposição pelo que fez e não fez;   o Governo apresentou as suas políticas como necessárias e inevitáveis.
Sócrates abraçou em absoluto esta retórica da manipulação da responsabilidade.   É a sua única saída.  
A responsabilidade não é dele, é de outros.   A crise não é dele, é de outros.   Muito haverá para dizer sobre este período deletério que Sócrates encarna na nossa política.  
Um dia perguntaremos como foi possível.

(Pedro Lomba, in Público em 2011-03-24)
 (Imagens e sublinhados colocados por mim)

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terça-feira, 29 de março de 2011

"Como foi possível terem feito isto ao meu país"! – o autor: Sócrates…

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Quem não tem dinheiro não tem vícios.  E não pode ter Sócrates.


Levantou-se da bancada do Governo, virou as costas aos deputados, fugiu escadas abaixo, rapidinho, evitando os jornalistas.   A forma como Sócrates se comportou durante o debate parlamentar mais importante da sua vida política – o debate parlamentar que terminaria num voto que o levaria a pedir a demissão – é mais reveladora do que mil discursos.

Este primeiro-ministro nunca esteve à altura do lugar a que, por circunstâncias fortuitas da nossa história política, chegou.   No dia em que caiu, no momento em que o seu Governo ruía, na hora em que abandonou os seus ministros durante um debate crucial, deixou ver, com mais nitidez, o seu rosto de autocrata.
Se houvesse alguma dúvida de que não era mais possível suportar uma “situação” sustentada apenas na chantagem e no desprezo pelas mais elementares regras da democracia, o gesto final deste tiranete vindo das Beiras encarregou-se de a desfazer.

Há mais de três anos, em Janeiro de 2008, numa altura em que o país bem-pensante ainda andava embeiçado pelo personagem, António Barreto, num artigo de opinião no PÚBLICO, escrevia:   “Não sei se Sócrates é fascista.   Não me parece, mas, sinceramente, não sei.   De qualquer modo, o importante não está aí.   O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições.   Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação.   No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu Governo”.

Em 2009, os portugueses tiraram-lhe a maioria absoluta, mas não aprendeu nada nem mudou o que quer que fosse na sua forma umbiguista e corrosiva de exercer o poder.   É por isso que o que aconteceu quarta-feira na Assembleia estava escrito nas estrelas:   “isto” não podia durar para sempre".

O que se passou nos últimos meses, anos, em Portugal tem sido trágico.  

Houve mentira:   -mentira sobre o real estado do país;   -mentira sobre as nossas obrigações internacionais:   -mentira sobre os êxitos e os fracassos;   -mentira sobre os objectivos políticos, económicos e orçamentais.   Evoluiu-se de mentira em mentira, negando de forma persistente a realidade e insultando todos os que, mesmo timidamente, tentavam evitar o desastre.
Houve corrosão dos hábitos democráticos:   -pressionou-se o sistema judicial, quando não se interveio mesmo directamente;   -procurou-se limitar as liberdades;   -desvalorizou-se a ética;   -promoveu-se o chicoespertismo;   -levou-se o clientelismo a limites antes desconhecidos;   -menosprezou-se a importância das virtudes públicas;   -planeou-se tomar de assalto órgãos de informação;   -promoveu-se o lambe-botismo ao mesmo tempo que se perseguia e tentava isolar todos os eventuais discordantes.

Houve cegueira económica:   -gastou-se dinheiro no que era supérfluo mas alimentava os amigos;   -cortaram-se despesas de forma pontual e ineficaz por ausência de uma visão de conjunto;   -procurou dizer-se aos empresários onde deviam e onde não deviam investir;   -apoiaram-se os amigos e os que prestam vassalagem e fez a vida negra aos independentes e aos que não abdicaram da sua liberdade;   -fingiu-se que se mudavam algumas leis para que, no essencial, tudo ficasse na mesma.

Um dia se fará a história destes anos, e estou em crer que, quando tal for feito, os vindouros se interrogarão:   mas como foi possível?   Como pode Portugal cair em tais mãos e mostrar uma tal incapacidade de sacudir esse jugo asfixiante?   A resposta passará, obrigatoriamente, pela história da rendição à lógica do poder pelo poder e do lugar pelo lugar de um grande partido da democracia portuguesa, o Partido Socialista.

Há mais de um ano, a 12 de Fevereiro de 2010, escrevi no Twitter:   “Ou há um sobressalto no PS, ou estamos num beco sem saída.   É tempo de perceber que Sócrates já não faz parte da solução, mas do problema, até do PS”.
O que surpreende é o PS ainda não ter percebido isto e agarrar-se à esperança de que ainda pode salvar lugares e mordomias (não tenhamos dúvidas que é já só por isso que se batem os barões, os baronetes, os boys, as girls, os aparelhistas e todas as inúmeras clientelas do partido) atrelando-se à retórica catastrofista do líder.
Sócrates tornou-se parte indissociável do problema no momento em que transformou o exercício minoritário do poder num permanente jogo de chantagens e de enganos que destroçou mesmo a melhor das boas vontades do PSD.   Responsável pelas políticas erradas que aceleraram a corrida de Portugal para o desastre, o primeiro-ministro viveu em permanente estado de negação, e é isso que justifica a vertiginosa sucessão de PECs.

Pior:   ao reduzir a política ao golpe baixo e à facada nas costas, ao rodear-se de uma camarilha de trauliteiros ágil no insulto, habilidosa na manipulação e totalmente desavergonhada, capaz de jurar num dia pelo que apostrofava na véspera, Sócrates não deixou nenhum espaço para qualquer convergência ou acordos, apenas para rendições ou prestações de vassalagem.

É por isso que é ensurdecedor o silêncio de um PS que nos surge hoje tão obediente como acéfalo.   Os dedos de uma mão chegam para contar os que foram capazes de levantar a voz, o que choca, sabendo-se que o PS já foi, no passado, um partido vivo e de gente de espinha direita.
Agora é um partido de zombies amestrado na retórica difundida pelos blogues anónimos de apoio ao Governo, um partido que engole em seco todos os abusos e só se mobiliza quando alguém apela aos seus instintos mais tribais.   Um partido que elogia a “combatividade” de Sócrates sem sequer se aperceber que essa combatividade está centrada no “eu” que ele repete a cada passo dos seus discursos, que isso é um elogio a um marialvismo bacoco e de vistas curtas, é um partido que não alcança que a combatividade não é um valor em si mesmo, podendo até ser um factor de corrosão e de agravamento de desastres anunciados (quem duvide que reveja o filme sobre os últimos dias de Hitler).

Enquanto Sócrates continuar à frente do PS, nunca este partido poderá fazer parte de uma solução alargada para Portugal – e quero acreditar que até no PS já ninguém acredita que o país possa sair do actual buraco sem um esforço que envolva uma ampla coligação de forças políticas e sociais.
Porém, no PS, ninguém se move, talvez com receio da ira do autocrata, esse autodenominado “animal feroz”.
É por isso que não são muitos os caminhos que se abrem aos eleitores.   Nas próximas eleições escolherão entre o sectarismo suicida de Sócrates (já que o PS se deixou reduzir à condição do “partido de Sócrates”) e a possibilidade de encontrar um caminho alternativo que, podendo e devendo incluir também os socialistas, terá sempre de se fazer sem o actual primeiro-ministro e em ruptura com o seu estilo de impor ao país a sua vontade.
A escolha não será entre mais ou menos austeridade:   a austeridade é um destino a que não podemos escapar, pois necessitamos mudar profundamente a nossa forma de viver para poder voltar a ter esperança e a ver a economia crescer.   A escolha também não pode ser reduzida à dicotomia Passos Coelho versus José Sócrates, pois aquilo de que o país necessita é de algo mais do que optar entre dois chefes partidários – tem de poder escolher entre mais do mesmo ou uma mudança baseada numa maioria ampla.

Nos últimos anos, nos últimos meses, nos últimos dias, uma imensa sucessão de erros de política económica e orçamental colocaram Portugal na posição do mendigo de mão estendida.   Há muito que temos de mudar de vida, não apenas fingir que mudamos de vida.   Com ou sem queda do Governo, Portugal colocou-se numa situação em que o recurso à ajuda externa é a melhor solução para evitar, a cada ida ao mercado da dívida, acrescentar mais peso excessivo ao serviço da dívida.
A opção não é por isso entre Sócrates ou…  finis patriae, pois em finis patriae já estamos – a opção é entre um suplício de Tântalo suportado em nome do imenso orgulho pessoal de José Sócrates e um caminho a percorrer por líderes mais humildes e mais respeitadores das regras democráticas.

Há quem diga que, mesmo assim, Sócrates pode voltar a ganhar.   Poder, pode.   Mas então só poderemos recordar Sertório:   -no Ocidente da Península vive um povo que não se governa nem se deixa governar.

(José Manuel Fernandes, In Público, 25-03-2011)
(Imagens e sublinhados colocados por mim)

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Criminosos globais à solta! - É urgente dar ordem para atirar a matar!...

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Standard & Poor’s – Roubar como modo de vida


Têm vários "comandos" organizados. Vão-se revezando nas manobras de preparação dos sucessivos assaltos às economias, vencimentos e pensões dos portugueses e trabalhadores de todo o mundo.   Desta vez (mais uma vez) é a Standard & Poor’s a cortar o rating de cinco bancos portugueses, na sequência do corte antes infligido à República.

Os cortes perpetrados contra a República são, normalmente, justificados pela dimensão da dívida...  e pelas “dificuldades” que os bancos têm para conseguirem financiar-se nos “mercados”.   A seguir, num ciclo vicioso, corta-se o rating aos bancos, porque a República ficou com maiores problemas...  e depois dos bancos, novamente à República...  e isto até ao limite...  até que dê.

E assim, um punhado de vulgares ladrões, verdadeiros gangsters que ninguém elegeu para coisa nenhuma, vão esgotando a seiva e a energia que poderiam ajudar a recuperar a economia e o tecido social de países inteiros...  até à última gota.   Quando a seiva se esgota, viram-se para outra qualquer vítima.
E é perante estas quadrilhas organizadas em “mercados” que se curvam os governantes e aspirantes a governantes. Perante este continuado roubo, do qual alguns por cá, apesar do ar compungido, também lucram, a única “atitude” que ensaiam perante os “mercados”...   é a tentativa de os “acalmar”, oferecendo-se diariamente para fazer a colecta do roubo.

E é desta forma que os “mercados” e o punhado de anónimos que os controlam, financiam guerras que lhes permitem apropriar-se das matérias primas de meio planeta, que irão financiar o seu estapafúrdio nível de vida que nenhuma atividade honesta poderia alguma vez sustentar.   Entretanto, os governantes e aspirantes a governantes, se “servirem bem e fielmente”, poderão igualmente aspirar a uns lugares nos conselhos de administração dos muitos “braços armados” que os “mercados” têm espalhados pelo mundo.

Uns e outros deveriam ter lugar garantido, não em conselhos de administração nem em governos...   mas na prisão!   Só que, para isso...  seria preciso mudar o mundo...

(por Samuel, no Cantigueiro)

(Imagens e negritos acrescentados por mim)
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A este propósito, reponho aqui um vídeo que é um grito de alerta contra o grande capital internacional e os seus tenebrosos métodos e intenções, tão malévolos quanto subreptícios e pretensamente legais, para se apropriarem dos países e das populações, submetendo uns e outros à condição de pobreza e escravidão.   E estas agências de rating (Fitch Ratings, Moody's e Standard & Poor's)  mais não são do que verdadeiras quadrilhas de perigosos bandidos escondidos por detrás de computadores, a guarda avançada da alta finança, os tentáculos executivos do capitalismo selvagem, os cães-de-fila deste maquiavélico plano, já em curso e em plena ascenção.




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Urgente - precisa-se de alguém em quem acreditar...

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"Pedro Passos Coelho não faz estremecer de emoção os eventuais eleitores.   Falta-lhe qualquer coisa de empolgante, além de que, até agora, nada disse de significativo que configure uma doutrina original, um programa de acção, um projecto iluminador.   As sondagens expressam bem o sentimento que percorre o português médio. "  (Batista Bastos, Negócios Online)


Eu gostava de acreditar em alguém.   Mais do que gostar, eu tenho necessidade de acreditar.   Porque é imperioso que eu possa chegar à mesa das eleições e poder lá colocar o meu voto com um mínimo de convicção.  Porque é imperioso que eu possa acreditar que o maior partido da oposição, aquele mesmo que derrubou um governo de "tiranetes mentirosos e incompetentes", aquele partido que aparece agora nas sondagens como o provável sucessor na governação deste país, tenha na sua liderança alguém capaz de me inspirar confiança.   Alguém que me garanta que não irá governar em zig-zag e ao sabor dos ventos do momento e das vozes que vão soprando ao ouvido.  

Mas...   por que diabo Passos Coelho não me inspira confiança?  

Por que será que sempre que vejo e ouço aquela criatura  só consigo ver alguém muito bem penteado e  com um jeitinho especial para arrancar umas poses fotográficas?  - Porque...   a bem dizer, em termos de ideias e de pose política, eu só vejo um "balão de ar" que se move de acordo com a direcção donde sopra o vento.  


Acabado de ser eleito como lider do partido, ter-lhe-ão dito que deveria entrar a matar, assim tipo "cowboy" acabado de entrar no "saloon" disparando freneticamente aqueles "rifles" sobre as garrafas de "whisky".  A Constituição!   Terá, certamente, sido aconselhado a preparar uma entrada de fazer tremer o chão - e  fomos surpreendidos com um novo lider que, qual boneco chinês programado,  a única coisa em que falava era nas alterações à Constituição (como se a Constituição fosse a causa dos grandes males deste país).
Passados entretanto os primeiros meses, e gorado que foi o efeito "demolidor" daquela "fúria encenada", a Constituição foi metida no bolso direito do casaco e vieram os acordos com o engenheiro dominical.   E aí  (oh... valha-me santo ambrósio e mais santa bárbara dos trovões...) aí se começou então a desenhar uma estranha ausência de estratégia política e de um programa de governo que não saía.   E, ainda mais preocupante, um aparente (e permanente) vazio de ideias aliado a uma enorme falta de poder de antecipação face a um "rato político", este outro geneticamente malformado e sem escrúpulos de nenhuma espécie - Sócrates.


E voltam os novos acordos acompanhados de pedidos de desculpas pela sua assinatura.   Mas... em matéria de estratégia e de programa, nada.   E, perante as facadas nas costas daqueles acordos, chovem então raios e coriscos e "aqui d'el rei" que da próxima só com testemunhas.   E...  em matéria de estratégia e de programa, nada.  
Agora, e sem ter uma noção clara do que irá fazer a seguir, acaba por dar o golpe de misericórdia  no "campeão da verborreia e aldrabice políticas", aplicando-lhe aquele estrondoso "knockout" que fez tremer as paredes do parlamento.   E  foi tal o estrondo, que ele foi  "brutalmente" sentido naquele eixo Berlim-Bruxelas, onde até a sra. Merkel foi acometida daquela diarreia bem à maneira do "Reichstag".  

E o que nos vem  Passos Coelho dizer agora? - pois... que aquele PEC IV afinal foi chumbado, não porque contrariava todas as regras da decência e do bom senso, não porque continuava a roubar unicamente aos pobres para dar aos ricos, mas tão somente...  porque não era suficientemente "duro"!   Pasme-se!...  
Resta saber o que entenderá ele por "mais dureza"...   Se acaso ele se refere à "gordura" dos 13.730 organismos do estado a abarrotar de boys do PS e do PSD, até teria o meu aplauso.   Simplesmente ninguém acredita que ele dalguma vez se proponha cortar nos "tachos" dos boys do seu próprio partido...   E em vez disso, ouço-o falar apenas do possível aumento do IVA !   Assim...   NÃO!   Decididamente, aquele "balão" parece estar cheio apenas com ar.   E quanto mais ar, mais leve.    E quanto mais ar e mais leve, mais levita ao sabor do vento.   E ninguém sabe onde vai poisar.   E, tal como acontece a todos os balões de ar quando sobem...   quando poisar rebenta  - pum!...
E eu precisava de alguém para acreditar.   O país precisa urgentemente de acreditar em alguém!   Mas em quem?  

Lamento, mas não vejo ninguém...  

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segunda-feira, 28 de março de 2011

O desenvolvimento mundial - 200 anos de progresso contínuo.

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Hans Rosling (médico de profissão) mostra-nos aqui, num interessante vídeo, a história do desenvolvimento do planeta nos últimos dois séculos, transformando as estatísticas em animação gráfica interactiva.   Trata-se de um excerto do programa "The Joy of Stats" da BBC 4, legendado em português, onde se descreve a evolução de 200 países ao longo dos últimos 200 anos em termos de saúde  vs  rendimento per capita  vs  população, e onde se analisam os impactos (positivos e negativos) de acontecimentos em grande escala que determinaram evoluções e retrocessos nesse desenvolvimento, tais como as e Guerras Mundiais, a epidemia de Gripe Espanhola ou a Grande Depressão dos anos 20.
E é interessante verificar que, apesar das imensas desigualdades entre estes 200 países, a verdade é que são 200 anos de um progresso global tão notável que a enorme disparidade entre o ocidente e o resto do mundo se esbate cada vez mais.   E a tendência continua a ser no sentido de uma crescente aproximação entre todos.




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Ainda o Japão - novas imagens aterradoras do tsunami. O olhar de quem as filmou...

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Filmado por um vídeo-amador, estas imagens relatam a chegada da aterradora e poderosa onda de mais de 10 metros que entrou, Japão adentro, em apenas alguns minutos.   Uma imensa, descomunal  e imparável força que, em apenas 5 minutos, arrasou completamente uma cidade costeira (Kesennuma), engolindo tudo à sua passagem.   Estranho, muito estranho mesmo é não ver vivalma, nem na rua nem nas janelas, quando, e a avaliar pela quietude do local segundos antes e pela grande quantidade de viaturas ordenadamente estacionadas no parque e junto das residências, tudo parece indicar terem sido apanhados de surpresa.   Mas onde estariam todos?   Se acaso tivessem fugido antes, certamente tê-lo-iam feito usando os seus carros e estes não estariam ali serenamente bem arrumadinhos.   O mais provável é que ainda estariam todos agachados dentro de suas casas, protegendo-se das sucessivas réplicas que continuaram por várias horas.   E então... estarão todos entre as 10 mil vítimas e os 15 mil desaparecidos desta tragédia...
De qualquer forma, tudo aconteceu bruscamente, quando em apenas 3 minutos a poderosíssima parede de água sobe rapidamente, diante dos nossos olhos,  aos cerca de 8 metros por entre as casas, tudo desfazendo e arrastando à sua passagem - barcos, carros e casas - como se de pequenos brinquedos se tratassem.   Perante a estupefacção e a incredulidade de quem, como esta testemunha, presenciou e filmou este horror a partir, certamente, de um dos poucos prédios que terá conseguido ficar de pé.

São quase 6 minutos de cortar a respiração - tantos quanto o tempo que demora este vídeo impressionante:



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domingo, 27 de março de 2011

Sócrates - novamente eleito... para enterrar de vez o PS!... devemos ajudá-lo.

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Ele só sabe (e não é pouco) que tudo sabe!

Como em tudo na vida, enquanto se é bestial não faltam seguidores.   Quando se passa a besta, aí as coisas mudam de figura.   Os servos viram-se contra o dono do reino.   Nesta fase, José Sócrates ainda é bestial.

É claro que não falta no PS quem vote em Sócrates para liderar o partido e ser candidato a primeiro-ministro, mesmo que nos bastidores já estejam prontos para o apunhalar pelas costas.
Não faltam na história dos partidos portugueses exemplos disso.   Dizem-me que a vida é mesmo assim.  Vale tudo para chegar onde se não consegue chegar por mérito, lealdade, verticalidade, frontalidade e coerência.   Deve, aliás, ser por isso que há cada vez mais portugueses a nascer sem coluna vertebral e castrados.   Creio até que a possibilidade de ter coluna vertebral amovível foi o maior contributo de genética para a criação e proliferação dos mais importante protagonistas portugueses:  -os políticos.

No caso do PS, até porque há gerações que não se renderam a quem se julga dono da verdade, de quando em vez lá aparece um histórico socialista que, por nada dever ao partido, diz umas tantas verdades.


É o caso de Henrique Neto que, em entrevista ao "Correio da Manhã", entende que José Sócrates deveria  "demitir-se já da liderança do PS".   Muitos outros há que pensam da mesma maneira, mas a estes – mesmo a alguns que têm coluna vertebral - falta-lhes os tomates.   Vão, por isso, esperar que o líder caia para, então sim, recorrerem a tomates de plástico e dizerem que sempre estiveram contra.

Henrique Neto acusa Sócrates de viver num "estado de negação da realidade" que o "obriga a mentir e a criar um mundo irreal".
Todos os socialistas, mesmo aqueles que, como as marionetas, só se aguentam de pé por terem alguém a segurá-los, sabem que o líder socialista se considera de uma casta rara e superior.   Mesmo assim, não desgrudam da gamela.
Apesar de ter sido ministro de António Guterres, José Sócrates nada aprendeu com ele. Humildade?   Honorabilidade?   Não.   Nada disso aprendeu com o então secretário-geral do PS e depois primeiro-ministro.

Quando António Guterres dizia que a verdade era a principal qualidade de um governante, certamente Sócrates entendia que isso era uma treta.   E terá sido por isso que, quando se apanhou no poleiro, decretou que era o único dono da verdade e tratou de secar todos aqueles que pensavam, e pensam, de forma diferente.
Henrique Neto diz nessa entrevista que é "uma missão impossível" debater o futuro dentro do PS.   É verdade.   Mas, neste caso, José Sócrates tem razão.   Desde quando se viu a plebe a debater os desígnios divinos do sumo pontífice do partido que, desde nascença, só sabe que tudo sabe?

(Orlando Castro, no Alto Hama)
 


Aqui, ao vivo e a cores e para que não fiquem dúvidas, o vídeo da entrevista ao jornal "Correio da Manhã", onde Henrique Neto (histórico do PS) se pronuncia sobre a personalidade do político que conseguiu, em apenas 6 anos de (des)governo, enterrar Portugal na bancarrota e no descrédito internacional, atirando-nos para o atoleiro da pobreza durante as próximas décadas e comprometendo o futuro de várias gerações:

 
 
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ISLÂNDIA - A "Lição Democrática" que o mundo está a esconder. E sabemos porquê!...

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Islândia.   O povo é quem mais ordena.   E já tirou o país da recessão


A crise levou os islandeses a mudar de governo e a chumbar o resgate dos bancos.   Mas o exemplo de democracia não tem tido cobertura.   Os protestos populares, quando surgem, são para ser levados até ao fim.   Quem o mostra são os islandeses, cuja acção popular sem precedentes levou à queda do governo conservador, à pressão por alterações à Constituição (já encaminhadas) e à ida às urnas em massa para chumbar o resgate dos bancos.


Desde a eclosão da crise, em 2008, os países europeus tentam desesperadamente encontrar soluções económicas para sair da recessão.   A nacionalização de bancos privados que abriram bancarrota, assim que os grandes bancos privados de investimento nos EUA (como o Lehman Brothers) entraram em colapso, é um sonho que muitos europeus não se atrevem a ter.   A Islândia não só o teve como o levou mais longe.
Assim que a banca entrou em incumprimento, o governo islandês decidiu nacionalizar os seus três bancos privados - Kaupthing, Landsbanki e Glitnir.   Mas nem isto impediu que o país caísse na recessão.   A Islândia foi à falência e o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrou em acção, injectando 2,1 mil milhões de dólares no país, com um acrescento de 2,5 mil milhões de dólares pelos países nórdicos.   O povo revoltou-se e saiu à rua.

Lição democrática n.º 1:   Pacificamente, os islandeses começaram a concentrar-se, todos os dias, em frente ao Althingi [Parlamento] exigindo a renúncia do governo conservador de Geir H. Haarde em bloco.  
E conseguiram.   Foram convocadas eleições antecipadas e, em Abril de 2009, foi eleita uma coligação formada pela Aliança Social-Democrata e o Movimento Esquerda Verde - chefiada por Johanna Sigurdardottir, actual primeira-ministra.

Durante esse ano, a economia manteve-se em situação precária, fechando o ano com uma queda de 7%.   Porém, no terceiro trimestre de 2010 o país saiu da recessão - com o PIB real a registar, entre Julho e Setembro, um crescimento de 1,2%, comparado com o trimestre anterior.
Mas os problemas continuaram.

Lição democrática n.º 2:   Os clientes dos bancos privados islandeses eram sobretudo estrangeiros - na sua maioria dos EUA e do Reino Unido - e o Landsbanki o que acumulava a maior dívida dos três.   Com o colapso do Landsbanki, os governos britânico e holandês entraram em acção, indemnizando os seus cidadãos com 5 mil milhões de dólares [cerca de 3,5 mil milhões de euros] e planeando a cobrança desses valores à Islândia.

Algum do dinheiro para pagar essa dívida virá directamente do Landsbanki, que está neste momento a vender os seus bens.   Porém, o relatório de uma empresa de consultoria privada mostra que isso apenas cobrirá entre 200 mil e 2 mil milhões de dólares.   O resto teria de ser pago pela Islândia, agora detentora do banco.   Só que, mais uma vez, o povo saiu à rua.   Os governos da Islândia, da Holanda e do Reino Unido tinham acordado que seria o governo a desembolsar o valor total das indemnizações - que corresponde a 6 mil dólares por cada um dos 320 mil habitantes do país, a ser pago mensalmente por cada família a 15 anos, com juros de 5,5%.   A 16 de Fevereiro, o Parlamento aprovou a lei e fez renascer a revolta popular.   Depois de vários dias em protesto na capital, Reiquiavique, o presidente islandês, Ólafur Ragnar Grímsson, recusou aprovar a lei e marcou novo referendo para 9 de Abril.

Lição democrática n.º 3:    As últimas sondagens mostram que as intenções de votar contra a lei aumentam de dia para dia, com entre 52% e 63% da população a declarar que vai rejeitar a lei n.o 13/2011.   Enquanto o país se prepara para mais um exercício de verdadeira democracia, os responsáveis pelas dívidas que entalaram a Islândia começam a ser responsabilizados - muito à conta da pressão popular sobre o novo governo de coligação, que parece o único do mundo disposto a investigar estes crimes sem rosto (até agora).

Na semana passada, a Interpol abriu uma caça a Sigurdur Einarsson, ex-presidente-executivo do Kaupthing.   Einarsson é suspeito de fraude e de falsificação de documentos e, segundo a imprensa islandesa, terá dito ao procurador-geral do país que está disposto a regressar à Islândia para ajudar nas investigações se lhe for prometido que não é preso.


Para as mudanças constitucionais, outra vitória popular:   -a coligação aceitou criar uma assembleia de 25 islandeses sem filiação partidária, eleitos entre 500 advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais, etc.   A nova Constituição será inspirada na da Dinamarca e, entre outras coisas, incluirá um novo projecto de lei, o Initiative Media - que visa tornar o país porto seguro para jornalistas de investigação e de fontes e criar, entre outras coisas, provedores de internet.  

É a lição número 4 ao mundo, de uma lista que não parece dar tréguas:   -é que toda a revolução islandesa está a passar despercebida nos media internacionais.

(Joana Azevedo Viana, in I Online, 26/3/2011)

(Ilustrações, negritos e sublinhados meus)


Para ler mais sobre este assunto, um excelente desenvolvimento  AQUI.   E ainda um extraordinário vídeo-denúncia (legendado) de como funciona, a nível global, o grande capital internacional, e como ele manipula o mundo, desde há 20 anos e cada vez mais (se assim o deixarmos...), agrupados nas super-estruturas capitalistas denominadas Bancos Centrais.   E as chamadas agências de "ratings" mais não são do que gigantescos tentáculos constritores dos países e das populações, os "jagunços" do século XXI ao serviço do grande capital.




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sexta-feira, 25 de março de 2011

Espiral da mentira - matriz governativa do governo PS-Sócrates!

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Excelente gráfico comentado que traduz, melhor do que qualquer texto, a "boaexecução orçamental  vs   propaganda do último ano deste governo PS-Sócrates

(clicar para aumentar)
(Origem:  Blasfémias)


Ou ainda este outro (feito sobre este do Público):


(clicar para aumentar)
(Origem:  Aventar)


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Afinal... já tenho a resposta ao meu post anterior!

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Assim...   curto e grosso.   Sem mais comentários, que estamos em tempo de "economia" de recursos...



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quinta-feira, 24 de março de 2011

E agora?... o que se segue - continuidade ou reformismo?

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O Governo do PS caiu com estrondo no Parlamento

"Nada mau para um País que perdeu a primeira década do século XXI e vai perder a segunda.   No meio desta perdição, os indígenas estão mais pobres e não têm qualquer hipótese de viver melhor nos próximos anos.   Só podem ficar pior.   As crises políticas às vezes são positivas.   Mas para isso é preciso que existam alternativas sólidas, com programas que apontem para o emagrecimento do Estado, o crescimento económico e a redução do desemprego."  (António Ribeiro Ferreira, CM)

"Enfim, vivemos, sem dúvida, momentos negros do nosso país.   Muito negros mesmo.   E, infelizmente, o pior ainda está para vir.   O pesadelo não acaba com a queda do governo ou com a sua substituição por um governo responsável após a realização de eleições.   Bem pelo contrário.   A queda do governo é somente o despertar do pesadelo.   A queda do governo é só um primeiro passo.   Um pequeno primeiro passo para que consigamos finalmente começar a combater os danos que foram cometidos ao país nos últimos anos.   Resta saber se ainda vamos a tempo para evitar um desastre ainda maior."  (Alvaro Santos Pereira, DESMITOS)


"É também (tempo) de balanço:   do balanço de um reformismo que teve na mão, em 2005, a rara oportunidade de conduzir uma mudança histórica no nosso país, em condições de absoluta excepção.   E que não o conseguiu porque cedo trocou o diálogo pela arrogância, a comunicação pela manipulação e o reformismo pelo "agitismo", numa infeliz espiral de generalizada incompetência, onde se desperdiçaram as melhores energias."  (Manuel M. CarrilhoDN)

"O povo quer desesperadamente alguém que convoque e agregue uma resposta unida à crise, como se estivéssemos numa guerra.   Quem souber fazer passar este discurso vencerá as eleições.   José Sócrates não tem, obviamente, qualquer credibilidade para ler o teleponto deste desígnio.   Por ser um vigarista consumado e o boneco de uma tríade de interesses inepta e corrupta até à quinta casa, merece julgamento, e não uma terceira oportunidade para desgraçar ainda mais o país.   Mas será o aparachique Passos de Coelho capaz de dar este passo?"    (O António Maria)

"O Estado deve preparar-se para emagrecer radicalmente, e empresas como a RTP ou a TAP devem ser privatizadas.   Centenas de fundações e institutos públicos inúteis devem ser encerrados e organismos do Estado ultrapassados, como os governos civis, devem acabar.   Um programa rigoroso, distinto das propostas do Partido Socialista, que possa oferecer um horizonte de esperança aos portugueses.   O PSD até pode vencer as eleições, mas se o programa não for claro, a vitória poderá ser de pirro.   Este não é o tempo para ilusões."  (Nuno Gouveia, 31 Armada)
 

"Parece um jogo de rapazolas.   Pessoas muito pouco interessadas no que estão a fazer.   ...Os socialistas gostam muito de bater nos fracos.   Nos frágeis.   É porque é fácil e é rápido.   E gostam muito de ajudar os amigos.   Os amigos do partido ou os amigos de certos grupos e de certas empresas.   São muito ávidos dessa ajuda e muito ávidos de bater nos fracos.   ...Este PS não está a prestar serviços ao país.   E não respeita a democracia, o que é uma coisa confrangedora.   ...Mandam-se recados pela Televisão, sempre com ar marialva, sempre com ar machista.   ...A política chegou em Portugal a um estado de quase indecência.   Eu gostava de poder acreditar que as próximas eleições fazem uma espécie de limpesa, mas as pessoas são as mesmas, os protagonistas são os mesmos e eu não creio que tenham aprendido.   ...Ele (PM) sabia que não tinha força, que não tinha inteligência, que não tinha competência, que tinha enganado toda a gente, que tinha enganado a União Europeia...   Portugal precisa de se defender é de José Sócrates."   (António Barreto,  SIC)




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quarta-feira, 23 de março de 2011

Agarrados que nem lapas ao poder... já só mesmo a pontapé!...

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PS recua e não apresenta resolução de apoio ao PEC


O grupo parlamentar do PS inverteu a sua posição no derradeiro minuto e optou por não apresentar esta tarde à votação da Assembleia da República um projecto de resolução de apoio ao novo Programa de Estabilidade e Crescimento – o PEC IV – proposto pelo Governo. (Jornal de Negócios)

Completamente em desespero, agarrados que nem lapas ao poder que agora lhes foge das mãos, eles dizem e desdizem, eles gritam histéricos e mandam recados pelos emissários, eles lançam pedidos pungentes e angustiados através dos padrinhos, eles pedem a todos os santinhos e até mesmo àquele a quem arrogantemente até algumas horas desprezavam, eles borram-se pelas calças abaixo quando sabem agora que os dados já estão lançados e que vão perder os previlégios de que usaram e abusaram durante os últimos 6 anos!   "Eles", que nos levaram a todos à ruína e à miséria enquanto se preocupavam apenas em tratar das suas "vidinhas"!...
 
Canalhas desprezíveis!   RUA!...    e já vão tarde demais!


 
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terça-feira, 22 de março de 2011

JÁ BASTA !... Adeus, Josezito!

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Josezito
Já te tinha dito
Que não é bonito
   Andares a enganar...

Chora agora
Josezito chora
Que te vais embora
   P'ra não mais voltar...


A d e u s,   J o s e z i t o o o o !  






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segunda-feira, 21 de março de 2011

Portugal precisa de um empurrão da crise... para cair nos braços da crise!...

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Isso mesmo aí...    o sr. ministro das finanças advertiu hoje que crise política é “empurrão para cair nos braços da ajuda externa”!...

Neste momento, a crise política é de facto um grande empurrão para que o país caia nos braços da ajuda externa”, afirmou Teixeira dos Santos, à entrada de uma reunião dos seus pares europeus de preparação da cimeira de líderes de quinta e sexta-feira, em Bruxelas.

Segundo a mesma notícia do Público, Teixeira dos Santos precisou ainda que não está disponível para eventuais soluções políticas que não passem pelo actual primeiro-ministro. “Sou membro de um governo e se o governo por qualquer razão não continuar a exercer funções, eu acompanharei o governo nessas consequências”, precisou.

É isso aí...   o sr ministro das finanças não se fica pelo "terrífico" aviso (como se nós já não estivéssemos há muito a receber ajuda externa...).   Ele vai mais longe e até já faz uma auto-avaliação - ele é tão bom ministro das finanças que até corre o risco de vir a ser disputado por outras forças políticas que venham a substituir o PS.   Certamente para reocupar o seu lugar de ministro das finanças!   Não admira...   depois de tantas e tão excelentes provas de competência dadas ao longo dos últimos 6 anos como "fabricante de PECs" e "vendedor de Títulos da Dívida"!...  

A gente até sabe que ele foi considerado pelos seus comparsas europeus como o pior ministro das finanças da zona euro.   Mas isso...   não passou de invejas e maledicências, não foi sr. ministro?   Cá dentro a gente até lhe está muito agradecida.   Estamos todos bem, obrigado, sr. ministro!...
Não fora ele e estaríamos agora todos (ou quase todos...) de pantanas...  estamos todos bem, obrigado sr. ministro!...
Não fora ele e estaríamos agora todos (ou quase todos...) a pagar os 9 mil milhões dos vigaristas do BPN...   estamos todos bem, obrigado sr. ministro!...
Não fora ele e estaríamos agora todos (ou quase todos...) a pagar com cortes nos ordenados e nas reformas e com impostos mais elevados...   estamos todos bem, um grande, um ENORME obrigado sr. ministro!...

Pois pode "vocemessê" ficar descansado, sr ministro, que não irá correr esse risco.   O de alguém mais o chamar...  NUNCA MAIS !  
Pode "vocelência" regressar ao Porto e aí, calmamente, calçar as pantufinhas e sentar-se em frente à televisão, de preferência a ver os programas da manhã da RTP1 - isso mesmo, aqueles dedicados aos reformados e velhinhos dos lares cujas reformas de 180 euros "vocelência" pretende congelar!...  

Obrigado, sr. ministro.   Mas JÁ BASTA...   de gozar com todos nós!   Vade retro... 


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sábado, 19 de março de 2011

É preciso abrir as janelas para deixar sair o ar contaminado!...

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Ao fim de seis anos o país não está só economicamente arruinado, começa também a estar moralmente corrompido.


Primeiro que tudo é bom sabermos onde estamos. E onde estamos é simples de definir: não há memória de um governo ter conduzido o país a uma situação tão desesperada.   Nunca, nos últimos 160 anos, a dívida pública, em percentagem do PIB, foi tão elevada. E a dívida externa é a maior dos últimos 120 anos, isto é, a maior desde que o país declarou bancarrota em 1892.

Nunca, nos últimos 80 anos, o crescimento potencial da economia foi tão baixo (temos de regressar aos anos da I Guerra para vermos números tão maus).   Nunca o desemprego foi tão elevado, nunca houve tantos desempregados de longa duração, nem tantos desempregados qualificados.   E desde o início da década de 1970 que não se emigrava tanto, e só o rápido aumento do número dos que abandonam Portugal tem evitado uma taxa de desemprego ainda mais estrastrosférica.   Tudo isto sucede depois de vários anos a divergir, de novo, da Europa e de, na “década perdida” de 2000-2010, Portugal ter sido o terceiro país do mundo crescer menos.

Convém ter estes dados bem presentes sempre que nos vêm com a ladainha da crise internacional”:   esta só agravou o que já estava muito mal, esta só permitiu a acumulação de novos erros (como os dos orçamentos eleitoralistas de 2008 e 2009).   É por isso que, ao contrário do que sugere José Sócrates (repetiu-o na entrevista à SIC), não é verdade que “o que se passa no nosso país passa-se nos outros países europeus”, pois não há dificuldades semelhantes na Alemanha, na Holanda, na Áustria, na Dinamarca, na Suécia.

A situação de Portugal só tem comparação com a da Grécia, em parte com a da Irlanda, e lá, como cá, tem a mesma justificação:   governos irresponsáveis que fragilizaram os respectivos países ao ponto de estes ficarem à beira da bancarrota, quando estalou a crise internacional.    Mas se esta não tivesse chegado, as crises grega, irlandesa e portuguesa não deixariam de ocorrer: estavam escritas nas estrelas da desgovernação.

O facto de existirem governos maus ou muito maus não é, em democracia, razão suficiente para se interromperem ciclos políticos. Mas já é se esses governos colocarem em causa aquilo que a nossa Constituição define como “regular funcionamento das instituições”.   Ora Portugal foi conduzido a um desses impasses por obra e graça da actual maioria e do seu chefe, um José Sócrates que tem da democracia uma visão instrumental em tudo semelhante à dos líderes autoritários.   Isso voltou a ficar patente nos últimos dias, em que construiu mais uma teia de mentiras e de logros que um PS amestrado se tem apressado a repetir.

A primeira mentira é que Portugal não precisa de ajuda externa.   Não só precisa, como já está a recebê-la.   Se não fosse o Banco Central Europeu a emprestar aos bancos portugueses, estes já teriam secado.   Se o mesmo BCE não tivesse andado a comprar títulos da dívida portuguesa no mercado secundário, esta não estaria entre os sete e os oito por cento, mas muito acima, talvez acima da Irlanda.

A segunda mentira é que Portugal não negociou o apoio externo, porque não o pediu.   Na verdade, foi exactamente isso que o Governo português esteve a fazer nas últimas semanas, e, se não chegaram a Lisboa os senhores do FMI, estiveram por aí técnicos da Comissão Europeia e do BCE.   Foram esses técnicos que se foram embora poucas horas antes de Teixeira dos Santos anunciar o PEC IV.

A terceira mentira é que Portugal decidiu “antecipar-se” e apresentar o PEC IV na cimeira de sexta-feira.   Não foi isso que aconteceu.   O que aconteceu foi que a missão da Comissão e do BCE detectaram um buraco nas contas de 2011 e preparavam-se para o reportar ao Eurogrupo.   Foi para evitar que isso sucedesse que Sócrates se precipitou. Tudo porque, como reconheceu na SIC, os cenários macroeconómicos do Banco de Portugal, do BCE e da Comissão “não eram tão bons” como os do Governo. Pois não:   eram apenas realistas.

A quarta mentira é que o Governo está disposto a negociar as medidas, tal como esteve disposto a negociar uma coligação em 2009.   Só que o que então foi uma farsa encenada é agora uma tragédia pontuada por proclamações grandiloquentes.   Sócrates não quis negociar nessa altura, como tentou sabotar a negociação do Orçamento do Estado, como não quer negociar agora.   Primeiro porque, como se assinala nos telegramas do WikiLeaks, não sabe partilhar o poder, nem sabe negociar.   Depois, porque não suportaria ter de voltar a ceder ao PSD e ver este partido reivindicar pequenas vitórias.   Finalmente, porque teme que por cada semana que passe seja maior a irritação do eleitorado e maior o futuro desastre eleitoral.   Como sempre, é calculista.

A quinta mentira é que Portugal ficaria pior, se recorresse formalmente à ajuda externa.   Porém, não ficaria pior nos juros que é obrigado a pagar, pois tanto a Grécia como a Irlanda já estão a pagar juros mais baixos.   Também não é certo que ficasse pior nas medidas a tomar, pois Portugal já adoptou um ritmo de consolidação orçamental mais rápido do que o exigido a esses países.   Por fim é até provável que ficasse melhor, pois não andaria de PEC em PEC e teria uma política mais coerente e não feita de ilusões entremeadas com sobressaltos.

A sexta e maior mentira de todas é a de que o nosso problema é a confiança dos mercados.   Não é:   o nosso maior problema é a incapacidade da nossa economia de crescer.   Os mercados pedem juros mais elevados porque sabem que, continuando a crescer ao ritmo anémico da última década, Portugal não terá qualquer hipótese de pagar os juros da dívida, quanto mais de começar a amortizá-la.   Os mercados sabem que emprestar a Portugal é muito mais arriscado do que emprestar à Alemanha, ou à Holanda, ou à República Checa, e não custa perceber porquê.

Pode-se viver muito tempo com mentiras destas, se elas não significarem o sistemático torpedear do funcionamento da democracia.   Ora sucede que, para José Sócrates, a democracia não é o que devia ser – “regras que estabelecem como chegar à decisão política e não o que decidir”, como escreveu Norberto Bobbio -  antes uma formalidade com que o seu formidável ego tem de transigir.

As manobras dos últimos dias são apenas os mais recentes atropelos ao normal convívio institucional e tão somente mais uma demonstração de que, nele, nunca é possível confiar.   Não é possível selar um acordo com um aperto de mão, porque no minuto seguinte já o está a trair.   Não é possível estabelecer princípios comuns, porque não tem princípios.   Não é possível conversar porque só sabe gritar, uma sua especialidade parlamentar.

Nas últimas semanas têm-se sucedido situações que, só por si, teriam feito cair ministros, desde o episódio dos cartões únicos no dia das eleições até às condições em que a mulher do ministro da Justiça viu serem-lhe pagos, pelo ministério, 72 mil euros, passando por uma demissão por razões de perseguição política numa direcção regional do Ministério da Educação.   Mas com Sócrates nada se passa.   Há muito que, fiéis seguidores do “chefe”, os seus ajudantes perderam qualquer noção de ética.   E o pior é que esta degradação dos costumes políticos parece contaminar o país, onde já ninguém se indigna ou sobressalta.

Ao fim de seis anos o país não está só economicamente de pantanas – começa a estar moralmente corroído, começa a achar normal o que é anormal, começa a tolerar, ou mesmo a compreender e a justificar, comportamentos que qualquer democracia adulta rejeitaria com indignação.   O estilo de Sócrates, a sua “combatividade” sem regras nem princípios, é a projecção no terreno da política dos métodos do projectista da Guarda, do licenciado da Independente e do ministro do Freeport.   É um estilo que contamina tudo em redor e reduz a discussão pública às dicotomias tipicamente caudilhistas do “ou eu ou o caos”.

É também por isso que, esgotada qualquer legitimidade, cortadas por vontade própria todas as pontes, a política portuguesa necessita de abrir as janelas e permitir a renovação do ar contaminado.

Ao contrário do que parece conveniente dizer, nem todos são iguais e nem Sócrates é apenas mais um “entre eles”.  
Tem de se regressar a uma política mais respirável, a um espaço público menos condicionado por jogadas baixas e jogos de spin, mas os tempos de crispação que vivemos só se ultrapassam removendo a infecção.  

Como no PS só Mário Soares parece ainda vivo, o acto higiénico passa por dar a voz aos eleitores.  Todo o tempo que passar até lá é tempo perdido.


(José Manuel Fernandes, in Público)



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