Têm vários "comandos" organizados. Vão-se revezando nas manobras de preparação dos sucessivos assaltos às economias, vencimentos e pensões dos portugueses e trabalhadores de todo o mundo. Desta vez (mais uma vez) é a Standard & Poor’s a cortar o rating decinco bancos portugueses, na sequência do corte antes infligido à República.
Os cortes perpetrados contra a República são, normalmente, justificados pela dimensão da dívida... e pelas “dificuldades” que os bancos têm para conseguirem financiar-se nos “mercados”. A seguir, num ciclo vicioso, corta-se o rating aos bancos, porque a República ficou com maiores problemas... e depois dos bancos, novamente à República... e isto até ao limite... até que dê.
E assim, um punhado de vulgares ladrões, verdadeiros gangsters que ninguém elegeu para coisanenhuma, vão esgotando a seiva e a energia que poderiam ajudar a recuperar a economia e o tecido social de países inteiros... até à última gota. Quando a seiva se esgota, viram-se para outra qualquer vítima.
E é perante estas quadrilhas organizadas em “mercados” que se curvam os governantes e aspirantes a governantes. Perante este continuado roubo, do qual alguns por cá, apesar do ar compungido, também lucram, a única “atitude” que ensaiam perante os “mercados”... é a tentativa de os “acalmar”, oferecendo-se diariamente para fazer a colecta do roubo.
E é desta forma que os “mercados” e o punhado de anónimos que os controlam, financiam guerras que lhes permitem apropriar-se das matérias primas de meio planeta, que irão financiar o seu estapafúrdio nível de vida que nenhuma atividade honesta poderia alguma vez sustentar. Entretanto, os governantes e aspirantes a governantes, se “servirem bem e fielmente”, poderão igualmente aspirar a uns lugares nos conselhos de administração dos muitos “braços armados” que os “mercados” têm espalhados pelo mundo.
Uns e outros deveriam ter lugar garantido, não em conselhos de administração nem em governos... mas na prisão! Só que, para isso... seria preciso mudar o mundo...
A este propósito, reponho aqui um vídeo que é um grito de alerta contra o grande capital internacional e os seus tenebrosos métodos e intenções, tão malévolos quanto subreptícios e pretensamente legais, para se apropriarem dos países e das populações, submetendo uns e outros à condição de pobreza e escravidão. E estas agências de rating (Fitch Ratings, Moody's e Standard & Poor's) mais não são do que verdadeiras quadrilhas deperigosos bandidos escondidos por detrás de computadores, a guarda avançada da alta finança,os tentáculos executivos do capitalismo selvagem, os cães-de-fila deste maquiavélico plano, já em curso e em plena ascenção.
"Pedro Passos Coelho não faz estremecer de emoção os eventuais eleitores. Falta-lhe qualquer coisa de empolgante, além de que, até agora, nada disse de significativo que configure uma doutrina original, um programa de acção, um projecto iluminador. As sondagens expressam bem o sentimento que percorre o português médio. " (Batista Bastos, Negócios Online)
Eu gostava de acreditar em alguém. Mais do que gostar, eu tenho necessidade de acreditar. Porque é imperioso que eu possa chegar à mesa das eleições e poder lá colocar o meu voto com um mínimo de convicção. Porque é imperioso que eu possa acreditar que o maior partido da oposição, aquele mesmo que derrubou um governo de "tiranetes mentirosos e incompetentes", aquele partido que aparece agora nas sondagens como o provável sucessor na governação deste país, tenha na sua liderança alguém capaz de me inspirar confiança. Alguém que me garanta que não irá governar em zig-zag e ao sabor dos ventos do momento e das vozes que vão soprando ao ouvido.
Mas... por que diabo Passos Coelho não me inspira confiança?
Por que será que sempre que vejo e ouço aquela criatura só consigo ver alguém muito bem penteado e com um jeitinho especial para arrancar umas poses fotográficas? - Porque... a bem dizer, em termos de ideias e de pose política, eu só vejo um "balão de ar" que se move de acordo com a direcção donde sopra o vento.
Acabado de ser eleito como lider do partido, ter-lhe-ão dito que deveria entrar a matar, assim tipo "cowboy" acabado de entrar no "saloon" disparando freneticamente aqueles "rifles" sobre as garrafas de "whisky". A Constituição! Terá, certamente, sido aconselhado a preparar uma entrada de fazer tremer o chão - e fomos surpreendidos com um novo lider que, qual boneco chinês programado, a única coisa em que falava era nas alterações à Constituição (como se a Constituição fosse a causa dos grandes males deste país).
Passados entretanto os primeiros meses, e gorado que foi o efeito "demolidor" daquela "fúria encenada", a Constituição foi metida no bolso direito do casaco e vieram os acordos com o engenheiro dominical. E aí (oh... valha-me santo ambrósio e mais santa bárbara dos trovões...) aí se começou então a desenhar uma estranha ausência de estratégia política e de um programa de governo que não saía. E, ainda mais preocupante, um aparente (e permanente) vazio de ideias aliado a uma enorme falta de poder de antecipação face a um "rato político", este outro geneticamente malformado e sem escrúpulos de nenhuma espécie - Sócrates.
E voltam os novos acordos acompanhados de pedidos de desculpas pela sua assinatura. Mas... em matéria de estratégia e de programa, nada. E, perante as facadas nas costas daqueles acordos, chovem então raios e coriscos e "aqui d'el rei" que da próxima só com testemunhas. E... em matéria de estratégia e de programa, nada.
Agora, e sem ter uma noção clara do que irá fazer a seguir, acaba por dar o golpe de misericórdia no "campeão da verborreia e aldrabice políticas", aplicando-lhe aquele estrondoso "knockout" que fez tremer as paredes do parlamento. E foi tal o estrondo, que ele foi "brutalmente" sentido naquele eixo Berlim-Bruxelas, onde até a sra. Merkel foi acometida daquela diarreia bem à maneira do "Reichstag".
E o que nos vem Passos Coelho dizer agora? - pois... que aquele PEC IV afinal foi chumbado, não porque contrariava todas as regras da decência e do bom senso, não porque continuava a roubar unicamente aos pobres para dar aos ricos, mas tão somente... porque não era suficientemente "duro"! Pasme-se!...
Resta saber o que entenderá ele por "mais dureza"... Se acaso ele se refere à "gordura" dos 13.730organismos do estado a abarrotar de boys do PS e do PSD, até teria o meu aplauso. Simplesmente ninguém acredita que ele dalguma vez se proponha cortar nos "tachos" dos boys do seu próprio partido... E em vez disso, ouço-o falar apenas do possível aumento do IVA ! Assim... NÃO! Decididamente, aquele "balão" parece estar cheio apenas com ar. E quanto mais ar, mais leve. E quanto mais ar e mais leve, mais levita ao sabor do vento. E ninguém sabe onde vai poisar. E, tal como acontece a todos os balões de ar quando sobem... quando poisar rebenta - pum!...
E eu precisava de alguém para acreditar. O país precisa urgentemente de acreditar em alguém! Mas em quem?
Hans Rosling (médico de profissão) mostra-nos aqui, num interessante vídeo, a história do desenvolvimento do planeta nos últimos dois séculos, transformando as estatísticas em animação gráfica interactiva. Trata-se de um excerto do programa "The Joy of Stats" da BBC 4, legendado em português, onde se descreve a evolução de 200 países ao longo dos últimos 200 anos em termos de saúdevsrendimento per capitavspopulação, e onde se analisam os impactos (positivos e negativos) de acontecimentos em grande escala que determinaram evoluções e retrocessos nesse desenvolvimento, tais como as 1ª e 2ªGuerras Mundiais, a epidemia de Gripe Espanhola ou a Grande Depressão dos anos 20.
E é interessante verificar que, apesar das imensas desigualdades entre estes 200 países, a verdade é que são 200 anos de um progresso global tão notável que a enorme disparidade entre o ocidente e o resto do mundo se esbate cada vez mais. E a tendência continua a ser no sentido de uma crescente aproximação entre todos.
Filmado por um vídeo-amador, estas imagens relatam a chegada da aterradora e poderosa onda de mais de 10 metros que entrou, Japão adentro, em apenas alguns minutos. Uma imensa, descomunal e imparável força que, em apenas 5 minutos, arrasou completamente uma cidade costeira (Kesennuma), engolindo tudo à sua passagem. Estranho, muito estranho mesmo é não ver vivalma, nem na rua nem nas janelas, quando, e a avaliar pela quietude do local segundos antes e pela grande quantidade de viaturas ordenadamente estacionadas no parque e junto das residências, tudo parece indicar terem sido apanhados de surpresa. Mas onde estariam todos? Se acaso tivessem fugido antes, certamente tê-lo-iam feito usando os seus carros e estes não estariam ali serenamente bem arrumadinhos. O mais provável é que ainda estariam todos agachados dentro de suas casas, protegendo-se das sucessivas réplicas que continuaram por várias horas. E então... estarão todos entre as 10 mil vítimas e os 15 mil desaparecidos desta tragédia...
De qualquer forma, tudo aconteceu bruscamente, quando em apenas 3 minutos a poderosíssima parede de água sobe rapidamente, diante dos nossos olhos, aos cerca de 8 metros por entre as casas, tudo desfazendo e arrastando à sua passagem - barcos, carros e casas - como se de pequenos brinquedos se tratassem. Perante a estupefacção e a incredulidade de quem, como esta testemunha, presenciou e filmou este horror a partir, certamente, de um dos poucos prédios que terá conseguido ficar de pé.
São quase 6 minutos de cortar a respiração - tantos quanto o tempo que demora este vídeo impressionante:
Como em tudo na vida, enquanto se é bestial não faltam seguidores. Quando se passa a besta, aí as coisas mudam de figura. Os servos viram-se contra o dono do reino. Nesta fase, José Sócrates ainda é bestial.
É claro que não falta no PS quem vote em Sócrates para liderar o partido e ser candidato a primeiro-ministro, mesmo que nos bastidores já estejam prontos para o apunhalar pelas costas.
Não faltam na história dos partidos portugueses exemplos disso. Dizem-me que a vida é mesmo assim. Vale tudo para chegar onde se não consegue chegar por mérito, lealdade, verticalidade, frontalidade e coerência. Deve, aliás, ser por isso que há cada vez mais portugueses a nascer sem coluna vertebral e castrados. Creio até que a possibilidade de ter coluna vertebral amovível foi o maior contributo de genética para a criação e proliferação dos mais importante protagonistas portugueses: -os políticos.
No caso do PS, até porque há gerações que não se renderam a quem se julga dono da verdade, de quando em vez lá aparece um histórico socialista que, por nada dever ao partido, diz umas tantas verdades.
É o caso de Henrique Neto que, em entrevista ao "Correio da Manhã", entende que José Sócrates deveria "demitir-se já da liderança do PS". Muitos outros há que pensam da mesma maneira, mas a estes – mesmo a alguns que têm coluna vertebral - falta-lhes os tomates. Vão, por isso, esperar que o líder caia para, então sim, recorrerem a tomates de plástico e dizerem que sempre estiveram contra.
Henrique Neto acusa Sócrates de viver num "estado de negação da realidade" que o "obriga a mentir e a criar um mundo irreal".
Todos os socialistas, mesmo aqueles que, como as marionetas, só se aguentam de pé por terem alguém a segurá-los, sabem que o líder socialista se considera de uma casta rara e superior. Mesmo assim, não desgrudam da gamela.
Apesar de ter sido ministro de António Guterres, José Sócrates nada aprendeu com ele. Humildade? Honorabilidade? Não. Nada disso aprendeu com o então secretário-geral do PS e depois primeiro-ministro.
Quando António Guterres dizia que a verdade era a principal qualidade de um governante, certamente Sócrates entendia que isso era uma treta. E terá sido por isso que, quando se apanhou no poleiro, decretou que era o único dono da verdade e tratou de secar todos aqueles que pensavam, e pensam, de forma diferente.
Henrique Neto diz nessa entrevista que é "uma missão impossível" debater o futuro dentro do PS. É verdade. Mas, neste caso, José Sócrates tem razão. Desde quando se viu a plebe a debater os desígnios divinos do sumo pontífice do partido que, desde nascença, só sabe que tudo sabe?
Aqui, ao vivo e a cores e para que não fiquem dúvidas, o vídeo da entrevista ao jornal "Correio da Manhã", onde Henrique Neto (histórico do PS) se pronuncia sobre a personalidade do político que conseguiu, em apenas 6 anos de (des)governo, enterrar Portugal na bancarrota e no descrédito internacional, atirando-nos para o atoleiro da pobreza durante as próximas décadas e comprometendo o futuro de várias gerações:
Islândia. O povo é quem mais ordena. E já tirou o país da recessão
A crise levou os islandeses a mudar de governo e a chumbar o resgate dos bancos. Mas o exemplo de democracia não tem tido cobertura. Os protestos populares, quando surgem, são para ser levados até ao fim. Quem o mostra são os islandeses, cuja acção popular sem precedentes levou à queda do governo conservador, à pressão por alterações à Constituição (já encaminhadas) e à ida às urnas em massa para chumbar o resgate dos bancos.
Desde a eclosão da crise, em 2008, os países europeus tentam desesperadamente encontrar soluções económicas para sair da recessão. A nacionalização de bancos privados que abriram bancarrota, assim que os grandes bancos privados de investimento nos EUA (como o Lehman Brothers) entraram em colapso, é um sonho que muitos europeus não se atrevem a ter. A Islândia não só o teve como o levou mais longe.
Assim que a banca entrou em incumprimento, o governo islandês decidiu nacionalizar os seus três bancos privados - Kaupthing, Landsbanki e Glitnir. Mas nem isto impediu que o país caísse na recessão. A Islândia foi à falência e o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrou em acção, injectando 2,1 mil milhões de dólares no país, com um acrescento de 2,5 mil milhões de dólares pelos países nórdicos. O povo revoltou-se e saiu à rua.
Lição democrática n.º 1: Pacificamente, os islandeses começaram a concentrar-se, todos os dias, em frente ao Althingi [Parlamento] exigindo a renúncia do governo conservador de Geir H. Haarde em bloco. E conseguiram. Foram convocadas eleições antecipadas e, em Abril de 2009, foi eleita uma coligação formada pela Aliança Social-Democrata e o Movimento Esquerda Verde - chefiada por Johanna Sigurdardottir, actual primeira-ministra.
Durante esse ano, a economia manteve-se em situação precária, fechando o ano com uma queda de 7%. Porém, no terceiro trimestre de 2010 o país saiu da recessão - com o PIB real a registar, entre Julho e Setembro, um crescimento de1,2%, comparado com o trimestre anterior. Mas os problemas continuaram.
Lição democrática n.º 2: Os clientes dos bancos privados islandeses eram sobretudo estrangeiros - na sua maioria dos EUA e do Reino Unido - e o Landsbanki o que acumulava a maior dívida dos três. Com o colapso do Landsbanki, os governos britânico e holandês entraram em acção, indemnizando os seus cidadãos com 5 mil milhões de dólares [cerca de 3,5 mil milhões de euros] e planeando a cobrança desses valores à Islândia.
Algum do dinheiro para pagar essa dívida virá directamente do Landsbanki, que está neste momento a vender os seus bens. Porém, o relatório de uma empresa de consultoria privada mostra que isso apenas cobrirá entre 200 mil e 2 mil milhões de dólares. O resto teria de ser pago pela Islândia, agora detentora do banco. Só que, mais uma vez, o povo saiu à rua. Os governos da Islândia, da Holanda e do Reino Unido tinham acordado que seria o governo a desembolsar o valor total das indemnizações - que corresponde a 6 mil dólares por cada um dos 320 mil habitantes do país, a ser pago mensalmente por cada família a 15 anos, com juros de 5,5%. A 16 de Fevereiro, o Parlamento aprovou a lei e fez renascer a revolta popular. Depois de vários dias em protesto na capital, Reiquiavique, o presidente islandês, Ólafur Ragnar Grímsson, recusou aprovar a lei e marcou novo referendo para 9 de Abril.
Lição democrática n.º 3: As últimas sondagens mostram que as intenções de votar contra a lei aumentam de dia para dia, com entre 52% e 63% da população a declarar que vai rejeitar a lei n.o 13/2011. Enquanto o país se prepara para mais um exercício de verdadeira democracia, os responsáveis pelas dívidas que entalaram a Islândia começam a ser responsabilizados - muito à conta da pressão popular sobre o novo governo de coligação, que parece o único do mundo disposto a investigar estes crimes sem rosto (até agora).
Na semana passada, a Interpol abriu uma caça a Sigurdur Einarsson, ex-presidente-executivo do Kaupthing. Einarsson é suspeito de fraude e de falsificação de documentos e, segundo a imprensa islandesa, terá dito ao procurador-geral do país que está disposto a regressar à Islândia para ajudar nas investigações se lhe for prometido que não é preso.
Para as mudanças constitucionais, outra vitória popular: -a coligação aceitou criar uma assembleia de 25 islandeses sem filiação partidária, eleitos entre 500 advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais, etc. A nova Constituição será inspirada na da Dinamarca e, entre outras coisas, incluirá um novo projecto de lei, o Initiative Media - que visa tornar o país porto seguro para jornalistas de investigação e de fontes e criar, entre outras coisas, provedores de internet.
É a lição número 4 aomundo, de uma lista que não parece dar tréguas:-é que toda a revolução islandesa está a passar despercebida nos media internacionais.
Para ler mais sobre este assunto, um excelente desenvolvimento AQUI. E ainda um extraordinário vídeo-denúncia (legendado) de como funciona, a nível global, o grande capital internacional, e como ele manipula o mundo, desde há 20 anos e cada vez mais (se assim o deixarmos...), agrupados nas super-estruturas capitalistas denominadas Bancos Centrais. E as chamadas agências de "ratings" mais não são do que gigantescos tentáculos constritores dos países e das populações, os "jagunços" do século XXI ao serviço do grande capital.
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Excelente gráfico comentado que traduz, melhor do que qualquer texto, a "boa" execução orçamentalvs propaganda do último ano deste governo PS-Sócrates:
"Nada mau para um País que perdeu a primeira década do século XXI e vai perder a segunda. No meio desta perdição, os indígenas estão mais pobres e não têm qualquer hipótese de viver melhor nos próximos anos. Só podem ficar pior. As crises políticas às vezes são positivas. Mas para isso é preciso que existam alternativas sólidas, com programas que apontem para o emagrecimento do Estado, o crescimento económico e a redução do desemprego." (António Ribeiro Ferreira, CM)
"Enfim, vivemos, sem dúvida, momentos negros do nosso país. Muito negros mesmo. E, infelizmente, o pior ainda está para vir. O pesadelo não acaba com a queda do governo ou com a sua substituição por um governo responsável após a realização de eleições. Bem pelo contrário. A queda do governo é somente o despertar do pesadelo.A queda do governo é só um primeiro passo. Um pequeno primeiro passo para que consigamos finalmente começar a combater os danos que foram cometidos ao país nos últimos anos. Resta saber se ainda vamos a tempo para evitar um desastre ainda maior." (Alvaro Santos Pereira, DESMITOS)
"É também (tempo) de balanço: do balanço de um reformismo que teve na mão, em 2005, a rara oportunidade de conduzir uma mudança histórica no nosso país, em condições de absoluta excepção. E que não o conseguiu porque cedo trocou o diálogo pela arrogância, a comunicação pela manipulação e o reformismo pelo "agitismo", numa infeliz espiral de generalizada incompetência, onde se desperdiçaram as melhores energias." (Manuel M. Carrilho, DN)
"O povo quer desesperadamente alguém que convoque e agregue uma resposta unida à crise, como se estivéssemos numa guerra. Quem souber fazer passar este discurso vencerá as eleições. José Sócrates não tem, obviamente, qualquer credibilidade para ler o teleponto deste desígnio. Por ser um vigarista consumado e o boneco de uma tríade de interesses inepta e corrupta até à quinta casa, merece julgamento, e não uma terceira oportunidade para desgraçar ainda mais o país. Mas será o aparachique Passos de Coelho capaz de dar este passo?" (O António Maria)
"O Estado deve preparar-se para emagrecer radicalmente, e empresas como a RTP ou a TAP devem ser privatizadas. Centenas de fundações e institutos públicos inúteis devem ser encerrados e organismos do Estado ultrapassados, como os governos civis, devem acabar. Um programa rigoroso, distinto das propostas do Partido Socialista, que possa oferecer um horizonte de esperança aos portugueses. O PSD até pode vencer as eleições, mas se o programa não for claro, a vitória poderá ser de pirro. Este não é o tempo para ilusões." (Nuno Gouveia, 31 Armada)
"Parece um jogo de rapazolas. Pessoas muito pouco interessadas no que estão a fazer. ...Os socialistas gostam muito de bater nos fracos. Nos frágeis. É porque é fácil e é rápido. E gostam muito de ajudar os amigos. Os amigos do partido ou os amigos de certos grupos e de certas empresas. São muito ávidos dessa ajuda e muito ávidos de bater nos fracos. ...Este PS não está a prestar serviços ao país. E não respeita a democracia, o que é uma coisa confrangedora. ...Mandam-se recados pela Televisão, sempre com ar marialva, sempre com ar machista. ...A política chegou em Portugal a um estado de quase indecência. Eu gostava de poder acreditar que as próximas eleições fazem uma espécie de limpesa, mas as pessoas são as mesmas, os protagonistas são os mesmos e eu não creio que tenham aprendido. ...Ele (PM) sabia que não tinha força, que não tinha inteligência, que não tinha competência, que tinha enganado toda a gente, que tinha enganado a União Europeia... Portugal precisa de se defender é de José Sócrates." (António Barreto, SIC)
PS recua e não apresenta resolução de apoio ao PEC
O grupo parlamentar do PS inverteu a sua posição no derradeiro minuto e optou por não apresentar esta tarde à votação da Assembleia da República um projecto de resolução de apoio ao novo Programa de Estabilidade e Crescimento – o PEC IV – proposto pelo Governo. (Jornal de Negócios)
Completamente em desespero, agarrados que nem lapas ao poder que agora lhes foge das mãos, eles dizem e desdizem, eles gritam histéricos e mandam recados pelos emissários, eles lançam pedidos pungentes e angustiados através dos padrinhos, eles pedem a todos os santinhos e até mesmo àquele a quem arrogantemente até algumas horas desprezavam, eles borram-se pelas calças abaixo quando sabem agora que os dados já estão lançados e que vão perder os previlégios de que usaram e abusaram durante os últimos 6 anos! "Eles", que nos levaram a todos à ruína e à miséria enquanto se preocupavam apenas em tratar das suas "vidinhas"!...
Canalhas desprezíveis! RUA!... e já vão tarde demais!
Isso mesmo aí... o sr. ministro das finanças advertiu hoje que crise política é “empurrão para cair nos braços da ajuda externa”!...
“Neste momento, a crise política é de facto um grande empurrão para que o país caia nos braços da ajuda externa”, afirmou Teixeira dos Santos, à entrada de uma reunião dos seus pares europeus de preparação da cimeira de líderes de quinta e sexta-feira, em Bruxelas.
Segundo a mesma notícia do Público, Teixeira dos Santos precisou ainda que não está disponível para eventuais soluções políticas que não passem pelo actual primeiro-ministro. “Sou membro de um governo e se o governo por qualquer razão não continuar a exercer funções, eu acompanharei o governo nessas consequências”, precisou.
É isso aí... o sr ministro das finanças não se fica pelo "terrífico" aviso (como se nós já não estivéssemos há muito a receber ajuda externa...). Ele vai mais longe e até já faz uma auto-avaliação - ele é tão bom ministro das finanças que até corre o risco de vir a ser disputado por outras forças políticas que venham a substituir o PS. Certamente para reocupar o seu lugar de ministro das finanças! Não admira... depois de tantas e tão excelentes provas de competência dadas ao longo dos últimos 6 anos como "fabricante de PECs" e "vendedor de Títulos da Dívida"!...
A gente até sabe que ele foi considerado pelos seus comparsas europeus como o pior ministro das finanças da zona euro. Mas isso... não passou de invejas e maledicências, não foi sr. ministro? Cá dentro a gente até lhe está muito agradecida. Estamos todos bem, obrigado, sr. ministro!...
Não fora ele e estaríamos agora todos (ou quase todos...) de pantanas... estamos todos bem, obrigado sr. ministro!...
Não fora ele e estaríamos agora todos (ou quase todos...) a pagar os 9 mil milhões dos vigaristas do BPN... estamos todos bem, obrigado sr. ministro!...
Não fora ele e estaríamos agora todos (ou quase todos...) a pagar com cortes nos ordenados e nas reformas e com impostos mais elevados... estamos todos bem, um grande, um ENORME obrigado sr. ministro!...
Pois pode "vocemessê" ficar descansado, sr ministro, que não irá correr esse risco. O de alguém mais o chamar... NUNCA MAIS !
Pode "vocelência" regressar ao Porto e aí, calmamente, calçar as pantufinhas e sentar-se em frente à televisão, de preferência a ver os programas da manhã da RTP1 - isso mesmo, aqueles dedicados aos reformados e velhinhos dos lares cujas reformas de 180 euros "vocelência" pretende congelar!...
Obrigado, sr. ministro. Mas JÁ BASTA... de gozar com todos nós! Vade retro...
Ao fim de seis anos o país não está só economicamente arruinado, começa também a estar moralmente corrompido.
Primeiro que tudo é bom sabermos onde estamos. E onde estamos é simples de definir: não há memória de um governo ter conduzido o país a uma situação tão desesperada. Nunca, nos últimos 160 anos, a dívida pública, em percentagem do PIB, foi tão elevada. E a dívida externa é a maior dos últimos 120 anos, isto é, a maior desde que o país declarou bancarrota em 1892.
Nunca, nos últimos 80 anos, o crescimento potencial da economia foi tão baixo (temos de regressar aos anos da I Guerra para vermos números tão maus). Nunca o desemprego foi tão elevado, nunca houve tantos desempregados de longa duração, nem tantos desempregados qualificados. E desde o início da década de 1970 que não se emigrava tanto, e só o rápido aumento do número dos que abandonam Portugal tem evitado uma taxa de desemprego ainda mais estrastrosférica. Tudo isto sucede depois de vários anos a divergir, de novo, da Europa e de, na “década perdida” de 2000-2010, Portugal ter sido o terceiro país do mundo crescer menos.
Convém ter estes dados bem presentes sempre que nos vêm com a ladainha da “crise internacional”: esta só agravou o que já estava muito mal, esta só permitiu a acumulação de novos erros (como os dos orçamentos eleitoralistas de 2008 e 2009). É por isso que, ao contrário do que sugere José Sócrates (repetiu-o na entrevista à SIC), não é verdade que “o que se passa no nosso país passa-se nos outros países europeus”, pois não há dificuldades semelhantes na Alemanha, na Holanda, na Áustria, na Dinamarca, na Suécia.
A situação de Portugal só tem comparação com a da Grécia, em parte com a da Irlanda, e lá, como cá, tem a mesma justificação: governos irresponsáveis que fragilizaram os respectivos países ao ponto de estes ficarem à beira da bancarrota, quando estalou a crise internacional. Mas se esta não tivesse chegado, as crises grega, irlandesa e portuguesa não deixariam de ocorrer: estavam escritas nas estrelas da desgovernação.
O facto de existirem governos maus ou muito maus não é, em democracia, razão suficiente para se interromperem ciclos políticos. Mas já é se esses governos colocarem em causa aquilo que a nossa Constituição define como “regular funcionamento das instituições”. Ora Portugal foi conduzido a um desses impasses por obra e graça da actual maioria e do seu chefe, um José Sócrates que tem da democracia uma visão instrumental em tudo semelhante à dos líderes autoritários. Isso voltou a ficar patente nos últimos dias, em que construiu mais uma teia de mentiras e de logros que um PS amestrado se tem apressado a repetir.
A primeira mentira é que Portugal não precisa de ajuda externa. Não só precisa, como já está a recebê-la. Se não fosse o Banco Central Europeu a emprestar aos bancos portugueses, estes já teriam secado. Se o mesmo BCE não tivesse andado a comprar títulos da dívida portuguesa no mercado secundário, esta não estaria entre os sete e os oito por cento, mas muito acima, talvez acima da Irlanda.
A segunda mentira é que Portugal não negociou o apoio externo, porque não o pediu. Na verdade, foi exactamente isso que o Governo português esteve a fazer nas últimas semanas, e, se não chegaram a Lisboa os senhores do FMI, estiveram por aí técnicos da Comissão Europeia e do BCE. Foram esses técnicos que se foram embora poucas horas antes de Teixeira dos Santos anunciar o PEC IV.
A terceira mentira é que Portugal decidiu “antecipar-se” e apresentar o PEC IV na cimeira de sexta-feira. Não foi isso que aconteceu. O que aconteceu foi que a missão da Comissão e do BCE detectaram um buraco nas contas de 2011 e preparavam-se para o reportar ao Eurogrupo. Foi para evitar que isso sucedesse que Sócrates se precipitou. Tudo porque, como reconheceu na SIC, os cenários macroeconómicos do Banco de Portugal, do BCE e da Comissão “não eram tão bons” como os do Governo. Pois não: eram apenas realistas.
A quarta mentira é que o Governo está disposto a negociar as medidas, tal como esteve disposto a negociar uma coligação em 2009. Só que o que então foi uma farsa encenada é agora uma tragédia pontuada por proclamações grandiloquentes. Sócrates não quis negociar nessa altura, como tentou sabotar a negociação do Orçamento do Estado, como não quer negociar agora. Primeiro porque, como se assinala nos telegramas do WikiLeaks, não sabe partilhar o poder, nem sabe negociar. Depois, porque não suportaria ter de voltar a ceder ao PSD e ver este partido reivindicar pequenas vitórias. Finalmente, porque teme que por cada semana que passe seja maior a irritação do eleitorado e maior o futuro desastre eleitoral. Como sempre, é calculista.
A quinta mentira é que Portugal ficaria pior, se recorresse formalmente à ajuda externa. Porém, não ficaria pior nos juros que é obrigado a pagar, pois tanto a Grécia como a Irlanda já estão a pagar juros mais baixos. Também não é certo que ficasse pior nas medidas a tomar, pois Portugal já adoptou um ritmo de consolidação orçamental mais rápido do que o exigido a esses países. Por fim é até provável que ficasse melhor, pois não andaria de PEC em PEC e teria uma política mais coerente e não feita de ilusões entremeadas com sobressaltos.
A sexta e maior mentira de todas é a de que o nosso problema é a confiança dos mercados. Não é: o nosso maior problema é a incapacidade da nossa economia de crescer. Os mercados pedem juros mais elevados porque sabem que, continuando a crescer ao ritmo anémico da última década, Portugal não terá qualquer hipótese de pagar os juros da dívida, quanto mais de começar a amortizá-la. Os mercados sabem que emprestar a Portugal é muito mais arriscado do que emprestar à Alemanha, ou à Holanda, ou à República Checa, e não custa perceber porquê.
Pode-se viver muito tempo com mentiras destas, se elas não significarem o sistemático torpedear do funcionamento da democracia. Ora sucede que, para José Sócrates, a democracia não é o que devia ser – “regras que estabelecem como chegar à decisão política e não o que decidir”, como escreveu Norberto Bobbio - antes uma formalidade com que o seu formidável ego tem de transigir.
As manobras dos últimos dias são apenas os mais recentes atropelos ao normal convívio institucional e tão somente mais uma demonstração de que, nele, nunca é possível confiar. Não é possível selar um acordo com um aperto de mão, porque no minuto seguinte já o está a trair. Não é possível estabelecer princípios comuns, porque não tem princípios. Não é possível conversar porque só sabe gritar, uma sua especialidade parlamentar.
Nas últimas semanas têm-se sucedido situações que, só por si, teriam feito cair ministros, desde o episódio dos cartões únicos no dia das eleições até às condições em que a mulher do ministro da Justiça viu serem-lhe pagos, pelo ministério, 72 mil euros, passando por uma demissão por razões de perseguição política numa direcção regional do Ministério da Educação. Mas com Sócrates nada se passa. Há muito que, fiéis seguidores do “chefe”, os seus ajudantes perderam qualquer noção de ética. E o pior é que esta degradação dos costumes políticos parece contaminar o país, onde já ninguém se indigna ou sobressalta.
Ao fim de seis anos o país não está só economicamente de pantanas – começa a estar moralmente corroído, começa a achar normal o que é anormal, começa a tolerar, ou mesmo a compreender e a justificar, comportamentos que qualquer democracia adulta rejeitaria com indignação. O estilo de Sócrates, a sua “combatividade” sem regras nem princípios, é a projecção no terreno da política dos métodos do projectista da Guarda, do licenciado da Independente e do ministro do Freeport. É um estilo que contamina tudo em redor e reduz a discussão pública às dicotomias tipicamente caudilhistas do “ou eu ou o caos”.
É também por isso que, esgotada qualquer legitimidade, cortadas por vontade própria todas as pontes, a política portuguesa necessita de abrir as janelas e permitir a renovação do ar contaminado.
Ao contrário do que parece conveniente dizer, nem todos são iguais e nem Sócrates é apenas mais um “entre eles”. Tem de se regressar a uma política mais respirável, a um espaço público menos condicionado por jogadas baixas e jogos de spin, mas os tempos de crispação que vivemos só se ultrapassam removendo a infecção.
Como no PS só Mário Soares parece ainda vivo, o acto higiénico passa por dar a voz aos eleitores. Todo o tempo que passar até lá é tempo perdido.
A central nuclear do complexo Dai-Ichi - Fukushima usa reactores de água em ebulição (BWR), como o indicado na figura. Os reactores de água fervente são semelhantes a uma panela de pressão.
O combustível nuclear aquece a água, a água ferve e liberta vapor, e o vapor move as turbinas que geram a eletricidade. O vapor é então arrefecido e condensado, voltando à água, e a água enviada de volta, por meio de bombas, para tornar a ser aquecida pelo combustível nuclear. E neste ciclo constante esta “panela de pressão” opera em torno dos 250 °C de temperatura.
O combustível nuclear é o óxido de urânio (UO2), com excepção do reactor 3 que é de plutónio (Pu). Quer o Urânio quer o Plutónio são materiais altamente radioactivos, este bem mais perigoso do que aquele. O óxido de urânio é usado aqui sob a forma de uma cerâmica, cujo ponto de fusão é bastante elevado (cerca de 3000 °C). Este combustível é colocado num tubo longo e feito em "zircaloy" (uma liga de zircónio) com um ponto de fusão de 2200 °C, e depois hermeticamente selado. Este conjunto é denominado por "barra de combustível". Estas barras de combustível são então empilhadas paralelamente formando pacotes maiores, e uma série destes pacotes são então colocados dentro de uma "cápsula". O conjunto "encapsulado" destes pacotes é chamado de "núcleo do reactor", o coração e o motor da central nuclear.
O núcleo é então colocado num "vaso de pressão" (referência à tal panela de pressão). Este vaso de pressão é a segunda parede de protecção do combustível radioactivo. Trata-se de um vaso fabricado numa liga de aço resistente com cerca de 15 cm de espessura, destinado a conter o núcleo de forma segura e a capacidade de aguentar temperaturas de várias centenas °C e as respectivas pressões geradas, elevadíssimas.
Todo o "hardware" do reactor nuclear - o vaso de pressão e todas as tubulações, bombas, refrigerante (água) e reservas - são então envolvidos por um contentor em balão, feito em cimento e aço de alta resistência, de paredes bastante grossas e hermeticamente selado. Este contentor é o terceiro elemento de protecção do combustível e é projectado e construído com uma única finalidade: -conter e aguentar uma fusão completa do núcleo.
Para esse efeito, é construída uma bacia de grandes dimensões, feita de uma grossa camada de cimento moldado sob o vaso de pressão e preenchido com grafite. Esta bacia é designada pelo "caçador de núcleo". Se o núcleo derreter e abrir fendas no vaso de pressão, esta grafite irá absorver o combustível nuclear derretido, espalhando-o para que ele possa arrefecer.
Este terceiro contentor é depois cercado pelas paredes do edifício construído em redor do reactor. E é este edifício que (parece...) terá explodido nos 4 reactores da central de Fukushima.
O que aconteceu em Fukushima - O que correu mal
Quando o terramoto do dia 11 (de grau 8,9) atingiu os reactores nucleares, todos eles desligaram automaticamente. Poucos segundos após o início do terramoto, as hastes de controle foram inseridas no núcleo e a reação nuclear em cadeia do urânio parou. A partir deste momento, o sistema de arrefecimento teria de eliminar o calor residual. Esta carga de calor residual é de aproximadamente 3% da carga térmica em condições normais de funcionamento.
Mas o terramoto, além de provocar a quebra da energia eléctrica necessária para mover as bombas da água refrigerante, destruiu também a fonte de alimentação externa do reactor nuclear. Este é um dos acidentes mais graves para uma central de energia nuclear. A partir do momento em que a central é desligada, ela não pode produzir eletricidade para alimentar e assegurar as funções básicas.
Durante cerca de uma hora, os sistemas de arrefecimento dos núcleos processou-se normalmente através de um conjunto de vários geradores de emergência a gasóleo que forneciam a electricidade necessária para o funcionamento das bombas.
Mas veio depois o Tsunami (onda com 10 metros), muito maior do que as pessoas esperavam aquando da construção da central. Resultado, o tsunami inutilizou todos os vários conjuntos de geradores de "backup" a gasóleo.
Ao projectar uma central de energia nuclear, os engenheiros seguem uma norma que é construir tudo de modo a suportar a pior catástrofe que se pode imaginar, projectando-a de tal forma que ela ainda possa continuar a funcionar com falhas do sistema, uma após a outra. Um tsunami que retira todo o poder de um "backup" num forte impacto é um cenário verdadeiramente catastrófico numa central nuclear.
Quando os geradores a gasóleo colapsaram, os operadores do reactor ainda tentaram um último recurso: - a utilização de geradores móveis a diesel, que foram transportados para dentro da central. E foi aqui que as coisas começaram a dar muito errado. Os geradores externos de energia não poderam ser ligados à central (as fichas não encaixavam). Verdadeiramente a Lei de Murphy em toda a sua extensão e crueza: - tudo o que poderia dar errado, aconteceu!
Foi nesta fase que as pessoas começaram a falar no perigo da fusão dos núcleos. Porque, no final daquele dia, se o arrefecimento não pudesse ser restaurado o núcleo iria provavelmente derreter (questão de horas ou dias), e a última linha de defesa, o “caçador do núcleo”, contenção de terceiro plano, iria entrar em função.
Mas as preocupações nesta fase eram, acima de tudo, gerir o aquecimento do núcleo e garantir que a contenção de primeira linha (os tubos zircaloy que contém o combustível nuclear), bem como a contenção de segunda linha (a nossa panela de pressão) permanecem intactas e operacionais durante o maior tempo possível, dando tempo aos engenheiros para reparar o sistema de arrefecimento.
Arrefecer o núcleo é uma tarefa muito complicada, principalmente em situação de emergência a este nível, dado que o reactor tem uma série de sistemas de refrigeração, cada um para várias funções, não sendo fácil neste ponto saber qual deles falhou. E, entretanto, a pressão continua a aumentar e a acumular-se.
A prioridade agora é manter a integridade do primeiro nível (manter a temperatura das barras de combustível abaixo de 2200 °C), bem como a contenção de segundo nível, a panela de pressão que as envolve. A fim de manter esta integridade da panela de pressão, esta pressão tem de ir sendo libertada ao longo do tempo. E a capacidade de o fazer numa emergência é muito importante, já que o reator tem 11 válvulas de alívio de pressão. E a temperatura nesta fase já vai em cerca de 550 °C.
Foi quando os relatórios sobre a possível "fuga de radiação" começaram a surgir. E foi neste momento, durante o arejamento e descompressão, que a primeira explosão ocorreu. A explosão ocorreu na "última linha de defesa", no edifício do reactor.
Não é totalmente claro o que aconteceu, mas este será o cenário mais provável: - os operadores terão decidido expelir o vapor do vaso de pressão, não directamente para o exterior mas no espaço do interior do edifício do reactor (para dar mais tempo ao vapor radioactivo no seu decaímento). O problema é que àquelas tão altas temperaturas que o núcleo tinha já atingido nesta fase, as moléculas de água podem dissociar-se em oxigénio e hidrogénio - uma mistura explosiva. E o que aconteceu foi a explosão que danificou a parte superior do edifício do reactor.
Foi esse tipo de explosão, mas efectuada dentro do vaso de pressão (porque foi mal projectado e não adequadamente gerido pelos operadores) que levaram à perigosa explosão do núcleo em Chernobyl. Isso nunca foi (parece...) um risco em Fukushima.
Assim, a pressão estava sob controle porque o vapor foi ventilado. Mas se a água dentro do núcleo não circular e não for arrefecida, a sua temperatura vai continuar a aumentar e o seu nível vai continuar a descer. O núcleo é coberto por vários metros de água, permitindo passar algumas horas (ou dias) antes que as barras do combustível nuclear fiquem expostas. A partir do momento em que as barras começem a ficar expostas na parte superior, as peças expostas vão atingir a temperatura crítica de2200 °C, após cerca de 45 minutos. Isto é, o primeiro isolamento, o tubo de zircaloy, fundir-se-á, inexoravelmente.
E isso começou a acontecer. O arrefecimento não pôde ser restaurado antes que houvesse alguns danos no revestimento do combustível nuclear. O material nuclear em si ainda estava intacto, mas o escudo envolvente em zircaloy tinha começado a derreter. O que aconteceu agora é que alguns dos sub-produtos do decaimento do urânio - césio e iodo radioactivos - começaram a misturar-se com o vapor. Confirma-se que uma quantidade, embora pequena, de Césio e de Iodo foi detectada no vapor que havia sido libertado para a atmosfera.
E parece ter sido este o "sinal" para o próximo passo - um grande plano B. As pequenas quantidades de Césio detectado pelos operadores "diziam" que o revestimento duma das barras, em algum lugar, estava prestes a ceder. O Plano A tinha sido usado para restaurar um dos sistemas regulares de arrefecimento do núcleo.
Porque não está claro o que falhou, uma explicação plausível é que o tsunami também tenha poluído toda a água limpa necessária para regular os sistemas de refrigeração, que só deverá usar água destilada.
Porque o Plano A falhou, o Plano B entrou em vigor. Isto parece ser o que aconteceu: - a fim de evitar um colapso do núcleo, os operadores começaram a usar a água do mar para arrefecer o núcleo. Não estou certo se com ela inundaram a “panela de pressão” ou se inundaram o contentor de nível 3 (em cimento), mergulhando nela a panela de pressão. Nem isso agora é relevante.
O que é relevante é que o combustível nuclear terá sido assim arrefecido. Porque a reacção em cadeia foi interrompida há já muito tempo, haverá agora muito pouco calor residual que estará a ser produzido. A grande quantidade de água de refrigeração que tem sido usada é suficiente para reduzir o calor, e o núcleo não produz mais calor suficiente para gerar uma pressão significativa. Além disso, o ácido bórico foi adicionado à água do mar. O ácido bórico é "vara de controle de líquido", tem uma função atenuadora que reduz a actividade nuclear do oxido de urâneo. Seja qual for a deterioração ainda em curso, o Boro irá captar os neutrões e acelerar ainda mais o efeito de arrefecimento do núcleo.
Neste ponto crítico, aquele reactor esteve muito perto de um derretimento do núcleo. Aqui reside o pior cenário que foi evitado. Se a água do mar não tivesse sido usada na operação, os operadores teriam continuado a libertar o vapor de água para evitar a acumulação de pressão. E o balão contentor teria então sido completamente selado com toneladas de cimento para permitir a fusão do núcleo sem libertar material radioactivo.
Mas, como tudo desde o início do acidente, nesse malfadado dia 11, algo continuou a correr mal, pois que já são explodidos 4 dos 6 reactores (e um deles é de Plutónio, bem mais perigoso em termos de radioactividade), sem que as autoridades japonesas sejam muito claras acerca do que está a acontecer e quais as quantidades de radioatividade que estarão a ser libertadas para a atmosfera, tendo até activado o seu célebre e preocupante “artigo 15º”, transformando tudo isto num eventual temível desastre nuclear. Não só para o Japão, mas para os países vizinhos também. Ou talvez para muito mais longe ainda!...
*** *** *** ***
Segundo as últimas notícias de hoje, as autoridades elevaram o nível de alerta na central nulcear de Fukushima para 5, numa escala internacional que vai até 7. O nível agora decretado significa que a situação é um "acidente com amplas consequências".
Esta manhã continuavam as operações de arrefecimento do reactor número 3 da central para evitar uma catástrofe maior.
Entretanto, em mais uma revelação feita pelo site Wikileaks, há dois anos a AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica) terá avisado o Japão de que um sismo forte poderia causar danos fortes nas suas centrais nucleares. Um telegrama diplomático norte-americano indicou que um perito da AEIA se mostrou inquieto pelo facto de os reactores japoneses apenas terem sido concebidos para resistir a sismos até uma magnitude 7.
Segundo o documento, o responsável da AIEA indicou, durante uma reunião do Grupo sobre a segurança nuclear do G8 em Tóquio, em 2008, que os critérios de segurança do Japão eram obsoletos. (Notícia TvNet – 17/3/2011)
Pós-Texto 1: (21/3/2011) - Os funcionários da Tokyo Electric Power Co, o operador da central de Fukushima, receberam hoje ordem de abandonarem o reactor nº 3 após este ter começado a expelir um denso fumo branco. Tudo indica, até confirmação, que se poderá ter dado o rebentamento da cápsula (panela de pressão) que contém o núcleo de Plutónio, estando eventualmente este material, altamente radioactivo, já em fusão descontrolada, numa situação muito semelhante à de Chernobyl.
Ainda ontem, os funcionários da central diziam que um último recurso, se tudo mais falhar, seria isolar a central com areia e cimento para prevenir a libertação de radiação catastrófica, tal como foi feito em 1986 na central ucraneana.
Acresce ainda o facto de os índices de radioactividade detectada no leite e nos legumes, num raio de 100 km da central, ser de tal forma elevada que já levou as autoridades japonesas a interditarem a sua distribuição e consumo. Também na água canalizada da cidade de Maebashi, a 100 quilômetros a norte de Tóquio, já foi detectada radioactividade, o que leva a concluir que os níveis freáticos das águas de consumo terão já sido afectadas também, receando-se para breve um eventual anúncio de grave crise nuclear no Japão.
Pós-Texto 2: - (25/3/2011) - O reactor 3, o mais perigoso por ser de plutónio, continua a expelir fumos altamente radioactivos. Embora as autoridades japonesas não sejam explícitas quanto ao que realmente se está a passar com o núcleo, tudo indica que este estará já em fusão juntamente com a cápsula, o que fará elevar o nível de perigosidade para grau 6, numa escala de 7 atingido em Chernobyl.
Eis um video que dá conta do estado de destruição destes reactores:
...
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou.
Não sei para onde vou.
Sei que não vou por aí!
- (José Régio)
Neste sítio NÃO se pratica esse abominável atentado linguístico - o ACORDO ORTOGRÁFICO - perpetrado por inominável equipa de incompetentes contra o mais importante e sagrado dos valores fundamentais deste país como nação independente de 9 séculos: - a Língua Portuguesa e as suas origens!
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