sábado, 20 de novembro de 2010

A farsa do "Aquecimento Global" ou... os "interesses" escondidos por detrás do CO2 !

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Como muito bem refere «aqui» o blogue «Fiel Inimigo», foi há um ano que estoirou a grande "bolha" da farsa montada sobre o "aquecimento global antropogénico", bem como toda a encenação arquitectada em torno do «efeito de estufa» provocado pela acumulação do CO2 na alta atmosfera, com a atribuição da culpa inteiramente ligada às actividades do homem.  Foi há um ano que, entrando um "hacker" russo nos computadores do "Climate Research Unit (CRU)", da Universidade de East Anglia (Inglaterra), e de lá retirado alguns milhares de e-mails classificados como secretos, denunciou ao mundo toda a tramoia que se vinha desenvolvendo sob a antevisão de monstruosas catástrofes a partir da teoria do chamado «Hockey Stick» (pela semelhança do gráfico com um taco de hóquei), que mais não é do que a verificação de uma tendência para a subida das temperaturas nas últimas décadas.
Tramoia à qual nem a própria Wikipedia escapou;  infiltrada por agentes apoiantes da farsa, eles apagavam e substituíam os dados por outros viciados. Tramoia que, a partir de alguns dados científicos correctos, entretanto manipulados, visava construir um empório comercial, este sim de um autêntico "balão de ar" - o CO2. Os seus nomes são hoje perfeitamente conhecidos, como conhecidos são os seus objectivos - a cotação em Bolsa de um produto... gasoso(!);   e tudo isto, como é óbvio, envolvendo fabulosas quantidades de...  dinheiro!

Além da leitura, na Wikipédia, sobre a denominada teoria do «Hockey Stick», este pequeno vídeo seguinte mostra-nos como são cíclicas as subidas e descidas das temperaturas geológicas ao longo dos últimos milénios e dos últimos séculos;  tudo isto sem qualquer intervenção do homem e das suas actividades.  Mas há sempre gente - os "chico-espertos" -  que, sob a capa de uma falsa seriedade e sustentada numa farsa muito bem urdida e melhor montada, se aproveita da credulidade e da ingenuidade e boa-fé dos outros para manipular a opinião pública mundial, com o objectivo específico de daí retirarem fartos e incomensuráveis proventos.




E para todos aqueles que quiserem saber mais, muito mais, sobre como foi urdida e montada toda esta FARSA do Aquecimento Global Antropogénico, vale a pena ver e ouvir o que têm a dizer os cientistas sobre este assunto, visionando este documentário (legendado) dividido em 8 partes:

















Por último, sobre este mesmo assunto e com o título «A Fraude do Aquecimento Global», este texto longo e muito bem documentado:

(FALSHBACK) A Fraude Do Aquecimento Global

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Porque hoje é sábado... um convite ao sorriso!

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os BOYS: - eles já nascem pulhas. Como se nasce músico. Ou palhaço!...

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De como nasce um grande "Pulha"


Desde há mais de 30 anos que começou a aparecer por aqui um novo tipo de "artistas": - os 'BOYS'.  De início timidamente, agora descaradamente. Despudoradamente! 
Toda a sociedade actual, desde a casa dos pais aos bancos da escola, desde a televisão aos jornais e às revistas, desde a cultura de rua até à vida nocturna e aos amigos, tudo conspira para que, desde muito cedo, a vocação de um verdadeiro "pulha" começe a despertar.  Iniciada a sua formação pelas "juventudes" dos partidos, daí até começar a exercer a sua função de "pulha" irá ser um passo pequenino.  Em direcção a uma longa e promissora "carreira" recheada de dinheiro, de benesses e honrarias.
Regra geral, têm por detrás um "PULHA" mais velho e experiente, com estatuto mais elevado, que o inicia nas artes da "pulhice".  Em breve, o pequeno "pulha" começa a evidenciar-se pelos seus dotes naturais, fazendo gala em ostentar o seu curriculo de "pulhice" cada vez mais refinado e invejado, o que o faz insinuar-se aos olhos dos outros "pulhas" seus congéneres e protectores.  Até ao momento clímax da sua integração plena no seio da corja.

E é assim que nasce e se desenvolve um "Pulha".  E é assim que crescem e se desenvolvem nele as artes da "pulhice".  E é assim que neste país a "pulhice" já ascendeu à categoria de ciência - a "pulhice científica".  Bem estudada, bem planeada, bem estruturada, esta ciência - a "pulhice" - requere já uma formação específica que complementa a vocação natural do pequeno candidato a "pulha".  E professores de "pulhice" é coisa que nunca, e cada vez mais, faltarão ao pequeno "pulha" para que ele se transforme num verdadeiro, num grandioso e inventivo "PULHA" nacional.

A partir daqui, é ver então o novo "PULHA" diplomado, circulando e exibindo os seus esplendorosos dotes de "pulhice" por tudo quanto é sítio, por tudo quanto é lugar frequentado por todo o resto da "hi-pulhice-society" nacional.  Arrogante e com total desprezo por quem trabalha verdadeiramente, ele pisa e vilipendia tudo e todos quantos ousem atravessar-se no seu caminho.  Ele conhece toda a sociedade influente, ele conhece todas as manhas da "pulhice" e sabe tirar partido delas, ele é um vencedor, ele é o mais competente, ele é aquele que ocupa todos os altos cargos apenas pelo seu "mérito próprio".  O "PULHA" é o maior! 
Não é fácil ser-se "pulha".  Não é "pulha" quem quer.  Nem todos são qualificados para ser um "pulha".  Apenas aqueles que já nasceram sem pingo de vergonha na cara e sem quaisquer resquícios de valores éticos e morais têm as capacidades natas necessárias para se tornar num verdadeiro "pulha".  Quanto aos outros, os homens sérios...  a esses só lhes resta o alívio do vómito ao ouvir pronunciar o nome de qualquer "pulha"!...

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UMA VISÃO DO "GLORIOSO MFA" – um texto intemporal

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O 25 de Abril e a História

(Por Prof. António José Saraiva)


Se alguém quisesse acusar os portugueses de cobardes, destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril.  Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência.  Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime.
Quanto à descolonização havia trunfos para a realizar em boa ordem e com a vantagem para ambas as partes: - o Exército Português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina - a exposta no livro «Portugal e o Futuro» do General Spínola, que tivera a aceitação nacional e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram, ou um acordo entre as duas partes ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada e honrosa.

Todavia, o acordo não se realizou e retirada não houve, mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. 

Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e africanos que confiavam neles.  Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir.  Pelo que agora se conhece, este comportamento inesquecível e inqualificável deve-se a duas causas:
1- Uma foi que o PCP, infiltrado no Exército, não estava interessado num acordo nem numa retirada em ordem, mas num colapso imediato que fizesse cair esta parte da África na zona soviética.  O essencial era não dar tempo de resposta às potências ocidentais.  De facto, o que aconteceu nas antigas colónias portuguesas insere-se na estratégia africana da URSS, como os acontecimentos subsequentes vieram mostrar;
2- Outra causa foi a desintegração da hierarquia militar a que a insurreição dos capitães deu início e que o MFA explorou ao máximo, quer por cálculo partidário quer por demagogia, para recrutar adeptos no interior das Forças Armadas.  Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa.  Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica a esse instinto das tropas, justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu.

Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de «revolucionários».

E nisso foram ajudados por homens políticos altamente responsáveis, que lançaram palavras de ordem de capitulação e desmobilização num momento em que era indispensável manter a coesão e o moral do Exército, para que a retirada em ordem ou o acordo fossem possíveis.  A operação militar mais difícil é a retirada;  exige, em grau elevadíssimo, o moral da tropa.  Neste caso a tropa foi atraiçoada pelo seu próprio comando e por um certo número de políticos inconscientes ou fanáticos e, em qualquer caso, destituídos de sentimento nacional.  Não é ao soldadinho que se deve imputar esta fuga vergonhosa, mas aos que desorganizaram conscientemente a cadeia de comando, aos que lançaram palavras de ordem que, nas circunstâncias do momento, eram puramente criminosas.  Isto quanto à descolonização, que na realidade não houve.

O outro problema era o da liquidação do regime deposto.  Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães que vinha derrubar um governo que, segundo eles, era um pântano de corrupção e que se mantinha graças ao terror policial;  impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento, determinar as responsabilidades, discriminar entre o são e o podre, para que a nação pudesse começar uma vida nova.  Julgamento dentro das normas justas, segundo um critério rigoroso e valores definidos.
Quanto aos escândalos da corrupção de que tanto se falava, o julgamento simplesmente não foi feito.  O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas.  O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado, nem na consciência pública se instituiu o seu repúdio.  Não admira por isso que alguns homens políticos se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho, como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial.

Em qualquer caso, já não é possível hoje fazer a condenação dos escândalos do antigo regime, porque outros piores os vieram desculpar.

Quanto ao terror policial, estabeleceu-se uma confusão total.  Durante longos meses esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS.  Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido, e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes que se aplicavam praticamente a todos os casos.  A maior parte dos julgados saiu em liberdade.  O público não chegou a saber, claramente, as responsabilidades que cabiam a cada um.  Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados, antes e depois do 25 de Abril.  Havia, também, um malefício imputado ao antigo regime, que era o dos crimes de guerra cometidos nas operações militares do Ultramar.  Sobre isto lançou-se um véu de esquecimento.  As Forças Armadas Portuguesas foram alvo de suspeitas que ninguém quis esclarecer e que, por isso, se transformaram em pensamentos recalcados.  Em resumo, não se fez a liquidação do antigo regíme, como não se fez a descolonização.
Uns homens substituíram outros, quando outros homens não substituíram os mesmos;  a um regime monopartidário substituiu-se um regíme pluripartidário.  Mas não se estabeleceu uma fronteira entre o passado e o presente.  Os nossos homens públicos contentaram-se com uma figura de retórica: «a longa noite fascista».  Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral.

A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar.

O actual estado de coisas em Portugal nasceu podre nas suas raízes.  Herdou todos os podres da anterior, mais a vergonha da deserção.  E com este começo tudo foi possível depois, como num exército em debandada: - vieram as passagens administrativas, sob a capa de democratização do ensino;  vieram «saneamentos» oportunistas e iníquos a substituir o julgamento das responsabilidades;  vieram os bandos militares, resultado da traição do comando, no campo das operações;  vieram os contrabandistas e os falsificadores de moeda em lugares de confiança política ou administrativa;  veio o compadrio declarado nos partidos e no Governo;  veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão pelo Governo e pelos partidos, depois de se ter declarado a abolição da censura;  veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos;  a impossibilidade de esclarecer um critério que joeirasse os patriotas e os oportunistas, a verdade e a mentira;  veio o considerar-se o endividamento como um meio honesto de viver.

Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente, tomaram por símbolo de uma Primavera, murcharam sobre um monte de esterco. 

Ao contrário das esperanças de alguns, não se começou vida nova, mas rasgou-se um véu que encobria uma realidade insuportável.  Para começar, escreveu-se na nossa História uma página ignominiosa de cobardia e irresponsabilidade, página que, se não for resgatada, anula, por si só, todo o heroísmo e altura moral que possa ter havido noutros momentos da nossa História, e que nos classifica como um bando de rufias indignos do nome de Nação. 
Está escrita e não pode ser arrancada do livro.  É preciso lê-la com lágrimas de raiva e tirar dela as conclusões, por mais que nos custe.  Começa por aí o nosso resgate.  Portugal está hipotecado por esse débito moral enquanto não demonstrar que não é aquilo que o 25 de Abril revelou.   As nossas dificuldades presentes, que vão agravar-se no futuro próximo, merecemo-las, moralmente.  Mas elas são uma prova e uma oportunidade.  Se formos capazes do sacrifício necessário para as superar, então poderemos considerar-nos desipotecados e dignos do nome de povo livre e de Nação independente.
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"E lucevan le stelle" - Andrea Bocelli

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E lucevan le stelle
Ed olezzava la terra
Stridea l'uscio dell'orto
Ed un passo sfiorava la rena
Entrava ella fragrante
Mi cadea fra le braccia

O dolci baci, o languide carezze
Mentr'io fremente
Le belle forme disciogliea dai veli
Svani per sempre
Il sogno mio d'amore
L'ora è fuggita
E muoio disperato
E muoio disperato
E non ho amato mai tanto la vita
Tanto la vita

* * * *
(tradução)
E reluziam as estrelas
e perfumada era a terra
Rangia a porta do jardim
e um passo roçava na areia
Entrava ela fragrante
e caía nos meus braços

Oh doces beijos, oh lânguidas carícias
enquanto eu tremia
as belas formas livrava dos véus
Desapareceu para sempre
o meu sonho de amor
O tempo fugiu
e morro desesperado
e morro desesperado
E não amei nunca tanto a vida
Tanto a vida



 “E lucevan le stelle” (E reluziam as estrelas) é uma ária do terceiro acto da ópera “Tosca”. Tosca é uma ópera em três actos de Giacomo Puccini, com libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, baseado na peça do mesmo nome de Victorien Sardou. Estreou no Teatro Costanzi de Roma, a 14 de Janeiro de 1900.
Esta ária, uma das mais belas de todas as óperas italianas,  é cantada pelo personagem Mario Cavaradossi enquanto aguarda a sua execução na prisão do Barão Scarpia (chefe da polícia de Roma). Neste video, é Andrea Bocelli que interpreta a ária de Cavaradossi num espectáculo realizado em Petra, na Jordânia, em homenagem a Luciano Pavarotti.


«Tosca» – Puccini

Sinopse:
A história passa-se em Roma, em 1800. O pintor Mario Cavaradossi, amante de Floria Tosca (cantora de ópera) é sentenciado à morte pelo Barão Scarpia, por ter ajudado o seu amigo Cesare Angelotti (prisioneiro político) a fugir do Castelo de Sant'Angelo. Contudo, Scarpia actua com um duplo objectivo: político e sexual. A Cavaradossi e Angelotti, ele quer executá-los; a Tosca, ele quer possuí-la. Scarpia ordena que Mario seja torturado para que, minando a resistência de Tosca, esta não aguente mais e acabe revelando onde está escondido Angelotti. Scarpia fica a sós com Tosca e oferece-lhe um gole de vinho para que se acalme. Tenta então agarrá-la e beijá-la, mas Tosca repele-o com violência.

Tudo está pronto para a execução de Mario Cavaradossi, aguardando apenas a ordem de Scarpia. Este olha para Tosca e pergunta: "E então?" Ela responde que está pronta a ceder aos desejos do infame desde que ele liberte Mario. Scarpia responde que não pode fazer esta graça abertamente - tem que haver uma execução simulada. Tosca não percebe que acaba de ser enganada.

Sozinha com Scarpia, ela pede-lhe um salvo-conduto para que ela e o amante possam escapar do país. Enquanto Scarpia se senta para o escrever, Tosca aproxima-se da mesa e pega uma faca pontiaguda, escondendo-a atrás. "Está pronto," diz Scarpia; mas ao tentar levantar-se da cadeira, recebe de Tosca uma facada nas costas, duas, três… Tosca acende então duas velas, pondo uma de cada lado do cadáver e um crucifixo no peito de Scarpia. Agarra o papel que está sobre a mesa e retira-se de cena.

A hora da execução aproxima-se e Cavaradossi pede ao carcereiro um último desejo: quer deixar uma última mensagem para uma pessoa amada. Em troca, oferece ao carcereiro o seu anel, única coisa que lhe resta. E chegou a hora de “E lucevan le stelle”. Já perto da morte, ele escreve sobre as suas últimas imagens do mundo e as memórias dos seus momentos felizes ao lado da sua amada Tosca.

Chega então a amante, correndo com um papel na mão e explicando como pôs termo à vida do Barão. Diz-lhe também que ele deverá passar por um último ritual antes de escapar daquele inferno: -a execução simulada.  Mario é então posto contra a parede. Atiram, e ele cai. Vista por Tosca, a cena parece perfeita. Os guardas saem e ela aproxima-se do amante. Ao ver que ele está morto, dá conta do engano em que caíra e solta um grito lancinante. O assassinato de Scarpia fora descoberto e correm atrás dela. Sobe então ao parapeito do terraço e salta para a morte.

(Interessante vídeo de animação sobre a sinopse da Tosca;  aqui cantado pelo tenor Carlo Bergonzi)

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

E acima dos "7"... o melhor é relaxar, que as coisas só podem piorar!

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Neste dia em que os juros da dívida portuguesa já treparam acima aos 7,5%, só me apetece... relaxar! E para relaxar, nada melhor do que uma boa massagem. "Vão-se os anéis fiquem os dedos", diz o ditado;  eu vou mais longe - nestes tempos em que os políticos de merda e os abutres capitalistas já nem a tanga nos deixam, "vão-se as roupas, fiquemos com a pele". Cuidemos então dela! Enquanto no-la não tiram também!...



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Já só falta mesmo o nú... que a "lábia", essa já lha conhecemos toda!

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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Within Temptation - Memories

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Para mim, esta a mais bela e potente voz feminina da última década - Sharon den Adel.  Formada em 1996 pelo guitarrista Robert Westerholt e por esta extraordinária vocalista, os Within Temptation são uma banda de rock sinfónico originária dos Países Baixos.  Este tema, "Memories", juntamente com um outro, "Forgiven", são, quanto a mim, das mais maravilhosas composições musicais que a última década produziu, a cujo êxito não é estranho o timbre especial da voz da Sharon den Adel.
Vale a pena ouvi-la em Hi-Fi e com o volume bem alto!

Quanto a este vídeo "Memories", ele narra a história de uma idosa (Sharon den Adel), que retorna à sua antiga casa que se encontra à venda. Quando entra na velha casa, a cantora transforma-se em si própria quando jovem, e a casa vai sendo restaurada tal como existe nas suas memórias. Em algumas cenas Sharon den Adel passeia-se pela casa, assombrada pelas memórias do seu antigo amante. Para o final, quando sai de casa, ela retorna  à sua verdadeira idade, deixando a casa abandonada à sua decadência actual.




«Memories»


In this world you tried
Not leaving me alone behind
There's no other way
I'll pray to the gods: let him stay

The memories ease the pain inside
Now I know why
All of my memories
Keep you near
In silent moments
Imagine you'd be here
All of my memories
Keep you near
The silent whispers, silent tears

Made me promise I'd try
To find my way back in this life
I hope there is away
To give me a sign you're okay
Reminds me again
It's worth it all
So I can go home

Together in all these memories
I see your smile
All the memories I hold dear
Darling you know I love you till the end of time


Sharon den Adel

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domingo, 7 de novembro de 2010

Salazar, ou… os fundados receios de uma repetição!

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O texto que transcrevo a seguir foi publicado em 5/10/2010 no blogue “Fiel Inimigo”. Porque, mais do que um simples texto de opinião, eu o considero um texto relevantemente histórico (e preocupante na sua componente de antevisão de uma repetição), limitei-me apenas a substituir-lhe alguns vocábulos mais “fortes” que o autor lhe havia introduzido no original, acrescentando-lhe algumas ilustrações.  Que o autor me perdoe a ousadia destas pequenas alterações, mas a verdade histórica deverá permanecer acima de todas as ideologias. Agrade ou não. Apenas e só porque aconteceu… e deveremos cuidar de que se não repita. Além do mais, o texto está muito longe de ser exaustivo nas suas referências e descrições! A verdade histórica "total", pelas suas variadíssimas dimensões políticas, sociais, económicas e, até mesmo, éticas e morais, está sempre muito para além do que permite o espaço de um simples texto num blogue.


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«Do rumo a um inevitável Salazar»


As beatas dos vários credos de «esquerda» e respectivos sacerdotes andam em palpos de aranha com a sombra de Salazar. A «esquerda» tem visões de querubim e bem alicerçadas relativamente ao futuro, mas, em verdade, nem o passado percebe.

Salazar foi fruto das circunstâncias e as circunstâncias eram más. Muito más. A primeira república assemelhava-se a um saco de gatos e o povo passava fome. Aos olhos do povo, Salazar foi o salvador - porque a fome andava de mãos dadas com a primeira república.
O tempo passou mas não esqueço ter ouvido, em primeira mão, variadas descrições sobre as condições de vida antes de Salazar.
A “sardinha para dois numa côdea de pão” era coisa recorrentemente escutada.

Salazar chegou ao poder e a coisa continuou preta. Continuou, mas foi melhorando. Foi melhorando ao ponto do povo mostrar reconhecimento.
Com Salazar não havia liberdade política. É verdade, não havia. O regime era de ditadura. Mas para quem tinha vivido a fome da primeira república, a liberdade só fazia sentido de barriga cheia. Muito se canta, letrado ou não, de barriga cheia, sobre a absoluta necessidade de liberdade mas, de barriga vazia, a perspectiva não é a mesma e ninguém se atreveria a aturar os protestos do estômago em troca de liberdade. Para o povo de então, a falta de liberdade era um mal menor.
-“Pois”, dizia-se. “o gajo é assim ou assado, mas temos comida na mesa”.

A guerra em África veio complicar as coisas já num período em que, para alguns, se tinha tornado patente que, com Salazar, o país já pouco avançaria. A partir daí a coisa foi-se degradando. Marcelo Caetano sucedeu-lhe e, de substancial, pouco melhorou.


Dá-se o 25 de Abril e a liberdade parecia estar à porta. Portugal tinha as contas equilibradas e, embora atrasado, tinha o equilíbrio possível face às circunstâncias. O país estava atrasado, mas aguentava-se a si próprio. Governava-se.
Os anos de 74 a 76 foram complicados porque uma «esquerda radical» pretendia tornar Portugal numa ditadura comunista a ferro e fogo. Nesses anos desbaratou-se o bom pé-de-meia deixado por Salazar, nacionalizou-se a torto e a direito e iniciou-se o processo de desmantelamento da indústria.

Os anos foram passando e a adesão à (então) CEE estava em cima da mesa pela mão de Mário Soares que, já uns anos após a adesão, veio declarar que não era apenas por razões económicas que se aderia, mas para não se correr o risco de escorregar para nova ditadura, “coisa que nunca seria aceite na CEE”.
Da CEE brotaram então "ziliões" em todos os tipos de apoio, esperando-se, em contrapartida, que Portugal fizesse o seu papel: - se desenvolvesse. Portugal não se desenvolveu.
Instalou-se então a ideia de que à Europa interessava a presença de Portugal como mercado, e que tal seria motivo suficiente para garantir o infindável fluir de gordas verbas.


Os governantes foram-se dedicando a distribuir o que em Portugal não era gerado mas, mesmo assim, não chegava. Era preciso mais dinheiro e foram-se aumentando, recorrentemente, os impostos.

Comeu-se então o pé-de-meia de um sistema de reformas baseado na poupança, em que os descontos de cada um iriam financiar a própria reforma. Gastou-se rapidamente todo o dinheiro guardado e entrou-se num sistema em que os que trabalham financiam agora “solidariamente” as reformas dos que se aposentam.


O aumento de impostos foi sempre complicando a vida às empresas, em particular ao mundo fabril. O aumento de produtividade foi sempre menor que o aumento de salários e de impostos, e a indústria foi fechando. Começou então o ciclo do endividamento.

Já não chegando o dinheiro vindo da Europa e o abocanhado, via impostos, para manter um sistema que ia, em paralelo, alijando cada vez mais (inexistentes) recursos ao social, Portugal começou a endividar-se.
E foi-se endividando brutalmente.

Nem vale a pena falar da mentira pura e dura, da contabilidade criativa, das estatísticas marteladas, do crescimento disparatado do número de funcionários da coisa pública, da propaganda, da promiscuidade entre estado e empresas, do controle político do ensino, da irresponsabilidade em matéria de segurança e de justiça, do aumento desenfreado da corrupção envolvendo os partidos políticos, dos “jobs for the boys”, das tentativas (uma boa parte levadas a “bom” termo) de controle da informação.
Quando as campainhas de alarme começaram a soar, os «partidos» do costume foram sempre afirmando que não, que estava tudo bem, que se estava a investir no desenvolvimento, e que ele só seria possível com um “social” bem preservado.

Enfim, a coisa descambou, o “especulador” começou a torcer o nariz sempre que Portugal lhe aparecia de mão estendida, o juro subiu e até já os sinos repicam.


Portugal encontra-se sem indústria capaz de substituir ou compensar as importações, e a pouca que subsiste é de baixa produtividade.
A carga fiscal, os custos de financiar a máquina estatal e os altos custos da energia, garantem a impossibilidade de vender produtos a preço concorrencial.

Portugal não tem cana de pesca, não tem dinheiro para a comprar e, ainda por cima, não sabe pescar nem parece muito para aí virado.

E o nome de Salazar vai surgindo, e a «esquerda» mostra-se inquieta.

Se Portugal tivesse que viver apenas daquilo que faz, o nome Salazar deixaria de ser apenas murmurado, para ser gritado. Se Portugal tivesse que viver apenas daquilo que faz, o ambiente seria decalcado do fim da primeira república.

E até já o Presidente da República traça, sem rodeios, um paralelismo entre o ambiente actual e o fim da primeira república, em particular se o governo conseguir mandar às malvas a réstia de confiança que o mundo ainda tem na capacidade de Portugal se governar sem pedinchices.
Foi este o ponto a que se chegou, é isto que tanto incomoda a «esquerda». E o Presidente da República afirma ainda, sem rodeios, que cada novo tropeção nos aproxima, inexoravelmente, do risco de uma nova ditadura.


Mário Soares estava em crer que a Europa não aceitaria que Portugal pudesse vir a ser uma ditadura e tinha razão.
O problema é que a Europa já começa a não aceitar que Portugal, com ou sem ditadura, lhe conspurque as contas.

Se as coisas por esta via se toldarem, a esperança de Mário Soares cairá por terra e os gritos por um Salazar levarão a «esquerda» ao mundo da realidade para onde, timoneira, empurrou Portugal.

(Por RIO D'OIRO, Fiel Inimigo)



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(Clicar na imagem para ler a notícia)

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

As grandes negociatas do governo com os privados!...

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As Parcerias Público-Privadas rodoviárias, a prazo, são um problema maior do que o TGV para as contas públicas. As novas auto-estradas que o Governo quer fazer no interior do país vão custar, por ano, 900 milhões de euros.  As mais caras são as futuras auto-estradas do Pinhal Interior e do Douro Interior, concessionadas à Mota-Engil, que têm um custo anunciado superior à linha de TGV Poceirão-Caia. 

Em conjunto, as sete parcerias rodoviárias vão custar, a partir de 2014, o equivalente ao corte salarial na Função Pública ou ao aumento de impostos, todos os anos durante dez anos.  «Em termos de rendas fixas, quanto começarem a ser pagas, representa um encargo anual na ordem dos 900 milhões de euros para as Estradas de Portugal», revela à TVI Carlos Moreno, ex-juíz do Tribunal de Contas português e europeu.  O Orçamento do Estado para 2011 anuncia um aumento brutal das rendas a partir de 2014, ou seja, na próxima legislatura. Mas os números apresentados pelo Governo ficam muito abaixo da previsão deste antigo juiz. E por uma razão simples: estão mal calculados.


O Ministério das Finanças só meteu no Orçamento os encargos líquidos, mas não explicitou nem os encargos brutos, decorrentes dos contratos, nem sobre os métodos usados para calcular receitas futuras. «Deviam estar justificados em detalhe o que é encargo, qual é a receita que se tira e quais são as metodologias usadas para lá se chegar. Só assim é que tecnicamente esta previsão seria credível. Doutra forma, não tem credibilidade técnica», assegura Moreno.

As novas concessões foram entregues à Estradas de Portugal, que terá de se endividar para cobrir os encargos com as auto-estradas. Mais cedo ou mais tarde a dívida e os juros virão bater à porta dos contribuintes.


Vale a pena ouvir muitas mais revelações do Juíz Carlos Moreno, na SIC, com Mário Crespo:




Chiu!... não digam a ninguém, mas o FMI vem a caminho!

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Eu só espero é que "eles" saibam ir direitinhos às "cavernas" onde se acoitam os maiores chulos deste país!...  E que também não se esqueçam de dar caça às muitas dezenas de milhar de "cartões maravilha" que todos andamos a pagar, para gáudio dos boys dos cerca de 14.000 organismos do Estado...

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"SHE" - na voz inconfundível do seu criador - Charles Aznavour

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«She» é a versão mais conhecida em todo o mundo da canção "Tous les visages de l'amour" lançada em 1974 pelo cantor e compositor francês Charles Aznavour. Mais recentemente foi regravada uma interpretação de Elvis Costello para o filme "Notting Hill". Pessoalmente, continuo a preferir a interpretação na voz do seu criador.



«She»

She may be the face I can't forget,
A trace of pleasure or regret,
May be my treasure or
The price I have to pay.

She may be the song that summer sings,
May be the chill that autumn brings,
May be a hundred different things
Within the measure of a day.

She may be the beauty or the beast,
May be the famine or the feast,
May turn each day into a
Heaven or a hell.

She may be the mirror of my dream,
A smile reflected in a stream,
She may not be what she may seem
Inside her shell.

She, who always seems so happy in a crowd,
Whose eyes can be so private and so proud,
No one's allowed to see them
When they cry.

She may be the love that cannot hope to last,
May come to me from shadows of the past,
That I'll remember till the day I die.

She may be the reason I survive,
The why and wherefore I'm alive,
The one I'll care for through the
Rough and ready years.

Me, I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be.
The meaning of my life is she, she, she.

 
(tradução)
 
«Ela»

Ela pode ser o rosto que eu não consigo esquecer
Um traço de prazer ou de arrependimento
Talvez o meu tesouro ou
O preço que eu tenho que pagar

Ela pode ser a música que o verão canta
Talvez o frescor que o outono traz
Talvez uma centena de coisas diferentes
No espaço de um dia

Ela pode ser a bela ou a fera
Talvez fartura ou a fome
Pode transformar cada dia num paraíso
ou num inferno

Ela pode ser o espelho do meu sonho
O sorriso refletido no rio
Ela pode não ser o que parece ser
dentro da sua concha

Ela, que sempre parece tão feliz no meio da multidão
Com os olhos tão pessoais e tão orgulhosos
Mas que não podem ser vistos
quando choram

Ela pode ser o amor que não espera que dure
Pode vir das sombras do passado
Que eu irei lembrar até ao dia da minha morte

Ela talvez seja o motivo para eu sobreviver
A razão pela qual eu estou vivo
A pessoa que cuidarei através
dos difíceis e próximos anos

Eu, eu tomarei as risadas e as lágrimas dela
E farei delas todas minhas recordações
Para onde ela for, eu tenho que estar lá
O sentido da minha vida é ela, ela, ela.


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E o decreto da fome é aprovado!...

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E enquanto à fome o povo se estiola,
Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento

E o Decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento

Usufruem seis contos de ordenado.
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.


JOSÉ RÉGIO
(Soneto escrito em 1969)

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Eles protegem-se uns aos outros!

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"Chegará o dia em que todos lhes pediremos contas..."

É uma frase extraída de um email que me enviaram. Temo que as coisas não irão passar-se rigorosamente assim. As alternâncias de poder, entre o PS e o PSD, têm permitido que eles se protejam e ocultem uns aos outros. Mentem, aldrabam, entram em conflito com as nossas carteiras, enriquecem, sucedem-se nos Governos, seguem a caminhada para gestores, administradores de instituições públicas, uma, duas, três reformas, e nada lhes acontece. A impunidade lavra nesta II República (os 48 anos de fascismo foram um interregno), e ninguém é responsável por coisa alguma.
(...)

A desgraça que tombou em Portugal resulta da pequenez do nosso espírito. Roma não pagava a traidores. Portugal promove-os. Os "políticos" que têm dirigido o país, desde a "normalização" de Novembro de 1975, são minúsculos imorais ante a grandeza e a decência dos homens do 5 de Outubro. Ouvi, como muita gente, creio, os discursos de Sócrates e de Cavaco. A miséria do pensamento destes dois cavalheiros é proporcional ao seu espírito. Cavaco, esse, chega a ser deplorável, e até Luís Delgado lhe colocou reservas. Em forma e em conteúdo, tanto um como outro atingiram o grau zero da compreensão.

A fome alastra entre nós. Os ministros deviam vestir-se à paisana, deslocar-se até à Sopa do Sidónio, em frente à igreja dos Anjos, e indagar, junto daquelas centenas de desafortunados que se juntam ali, diariamente, em busca de um pão e de uma sopa, a origem dos seus infortúnios. Obteriam respostas surpreendentemente dolorosas. Assinalamos o Ano da Pobreza e da Exclusão (parece que é assim a designação da piedosa lembrança), dizemos umas palavras comovidas, ou passamos indiferentes, ou entregamos um óbulo misericordioso, e desandamos para a nossa vidinha.
As coisas não acabam desse modo. A questão, a gravíssima questão, é política. E os responsáveis são, naturalmente, os políticos. Temos assistido à birra dos dois dirigentes do rotativismo. Um vai ser corrido, como tudo o faz supor. O outro, com as ameaças que faz, sobretudo à Constituição, fornece-nos o retrato de uma completa distorção do país. Nem um nem outro servem. Então, quem? Depende de nós, aí sim, uma alteração de rumo.

Há anos que Portugal anda ao deus-dará. Nunca é demais insistir na calamitosa herança do dr. Cavaco, um dos mais ineptos primeiros-ministros que tivemos. O monstruoso embuste criador em torno deste senhor é, ele mesmo, monstruoso. E os tenores que lhe entoam loas têm sido copiosamente beneficiados pelo "sistema". As coisas estão estruturadas e foram montadas de forma a não haver deslizes. E eles estão por toda a parte: nos jornais, nas televisões, nas rádios; nos "comentadores" que, sem sobressalto, transitam para as abas do poder, sem vergonha nem um pingo de compostura. Agora, anda por aí um, balofo e zeloso, ainda não há muito grave "analista" na televisão do Estado, dos fenómenos políticos circundantes. O caminho foi iniciado. Vejamos o que se segue.

O ambiente é de cortar à faca. Tenho por hábito percorrer as ruas de Lisboa, conversar com as pessoas, e cada dia me convenço mais de que estes cavalheiros estão a enfiar-nos numa camisa-de-onze-varas, mas não sabem prever a explosão social que se aproxima. Penso no seguinte: se não estivéssemos inseridos nesta "União Europeia" (muito desavinda) a situação teria, certamente, tomado outro caminho. O que não impede de o desgosto, a inquietação e o desespero dos portugueses escolherem um atalho, de certeza mais agressivo e violento do que as marchas de protesto.


O que nos enoja é assistir às análises, aos prognósticos, aos palpites e às sugestões de bravos e distintos economistas, gente de alto préstimo e com duas e três reformas chorudas, a propor que se reduzam ainda mais os salários, e que caia nos lombos dos pobretanas o sarrafo das "restrições". Dizem eles que é para bem do "interesse nacional", expedito palavrão que tem encoberto as mais sórdidas infâmias.

(Baptista Bastos, in Jornal de Negócios, 08/10/2010. Negritos e imagens acrescentados por mim)

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Pós-Texto 1:  - A propósito deste mesmo assunto e desta mesma gente,  "obrigatório" ler este artigo no semanário SOL on-line de 31/10/2010, com o título: - «7,5 milhões de euros para salários de 46 gestores». E refere-se isto apenas ao ano de 2009 e aos gestores de apenas 9 (nove) das empresas tuteladas pelo Estado:  - ANA, STCP, EP (Estradas de Portugal), CTT, REFER, CP, ML, CARRIS e TAP.  E isto apesar de serem estas empresas as que, desde sempre e invariavelmente, apresentam um prejuízo anual de vários milhares de milhões de euros!
«A aparente fartura do dia-a-dia destes gestores contrasta com a situação das suas empresas. Nos últimos quatro anos, o passivo destas nove companhias mais do que duplicou, de 13,3 mil milhões de euros em 2006 para 31,1 mil milhões de euros no final de 2009.»
Mas o ministro das finanças não sabe onde cortar... e prepara-se para continuar a cortar nos mesmos de sempre!...


Pós-Texto 2: - E aqui mais uma leitura "obrigatória" para quem quiser reflectir - a Fundação da Cidade de Guimarães - onde a presidente recebe 14.300 euros por mês e os vogais executivos 12.500 euros. Multiplique-se isto por 14 meses. E multiplique-se ainda pelos milhares de organismos (muitos nem sequer chegam a passar do nome) que têm nascido por aí nos últimos anos como se de cogumelos se tratasse, e destinados unicamente a acoitar os "boys", amigos e familiares. Isto serve apenas como um mero exemplo do universo de parasitários para onde o nosso dinheiro é despejado, os nossos impostos, os cortes nos nossos ordenados e reformas, os cortes na saúde e na educação. 
Mas o ministro das finanças não sabe onde cortar... e prepara-se para continuar a cortar nos mesmos de sempre!...

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