sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"E lucevan le stelle" - Andrea Bocelli

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E lucevan le stelle
Ed olezzava la terra
Stridea l'uscio dell'orto
Ed un passo sfiorava la rena
Entrava ella fragrante
Mi cadea fra le braccia

O dolci baci, o languide carezze
Mentr'io fremente
Le belle forme disciogliea dai veli
Svani per sempre
Il sogno mio d'amore
L'ora è fuggita
E muoio disperato
E muoio disperato
E non ho amato mai tanto la vita
Tanto la vita

* * * *
(tradução)
E reluziam as estrelas
e perfumada era a terra
Rangia a porta do jardim
e um passo roçava na areia
Entrava ela fragrante
e caía nos meus braços

Oh doces beijos, oh lânguidas carícias
enquanto eu tremia
as belas formas livrava dos véus
Desapareceu para sempre
o meu sonho de amor
O tempo fugiu
e morro desesperado
e morro desesperado
E não amei nunca tanto a vida
Tanto a vida



 “E lucevan le stelle” (E reluziam as estrelas) é uma ária do terceiro acto da ópera “Tosca”. Tosca é uma ópera em três actos de Giacomo Puccini, com libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, baseado na peça do mesmo nome de Victorien Sardou. Estreou no Teatro Costanzi de Roma, a 14 de Janeiro de 1900.
Esta ária, uma das mais belas de todas as óperas italianas,  é cantada pelo personagem Mario Cavaradossi enquanto aguarda a sua execução na prisão do Barão Scarpia (chefe da polícia de Roma). Neste video, é Andrea Bocelli que interpreta a ária de Cavaradossi num espectáculo realizado em Petra, na Jordânia, em homenagem a Luciano Pavarotti.


«Tosca» – Puccini

Sinopse:
A história passa-se em Roma, em 1800. O pintor Mario Cavaradossi, amante de Floria Tosca (cantora de ópera) é sentenciado à morte pelo Barão Scarpia, por ter ajudado o seu amigo Cesare Angelotti (prisioneiro político) a fugir do Castelo de Sant'Angelo. Contudo, Scarpia actua com um duplo objectivo: político e sexual. A Cavaradossi e Angelotti, ele quer executá-los; a Tosca, ele quer possuí-la. Scarpia ordena que Mario seja torturado para que, minando a resistência de Tosca, esta não aguente mais e acabe revelando onde está escondido Angelotti. Scarpia fica a sós com Tosca e oferece-lhe um gole de vinho para que se acalme. Tenta então agarrá-la e beijá-la, mas Tosca repele-o com violência.

Tudo está pronto para a execução de Mario Cavaradossi, aguardando apenas a ordem de Scarpia. Este olha para Tosca e pergunta: "E então?" Ela responde que está pronta a ceder aos desejos do infame desde que ele liberte Mario. Scarpia responde que não pode fazer esta graça abertamente - tem que haver uma execução simulada. Tosca não percebe que acaba de ser enganada.

Sozinha com Scarpia, ela pede-lhe um salvo-conduto para que ela e o amante possam escapar do país. Enquanto Scarpia se senta para o escrever, Tosca aproxima-se da mesa e pega uma faca pontiaguda, escondendo-a atrás. "Está pronto," diz Scarpia; mas ao tentar levantar-se da cadeira, recebe de Tosca uma facada nas costas, duas, três… Tosca acende então duas velas, pondo uma de cada lado do cadáver e um crucifixo no peito de Scarpia. Agarra o papel que está sobre a mesa e retira-se de cena.

A hora da execução aproxima-se e Cavaradossi pede ao carcereiro um último desejo: quer deixar uma última mensagem para uma pessoa amada. Em troca, oferece ao carcereiro o seu anel, única coisa que lhe resta. E chegou a hora de “E lucevan le stelle”. Já perto da morte, ele escreve sobre as suas últimas imagens do mundo e as memórias dos seus momentos felizes ao lado da sua amada Tosca.

Chega então a amante, correndo com um papel na mão e explicando como pôs termo à vida do Barão. Diz-lhe também que ele deverá passar por um último ritual antes de escapar daquele inferno: -a execução simulada.  Mario é então posto contra a parede. Atiram, e ele cai. Vista por Tosca, a cena parece perfeita. Os guardas saem e ela aproxima-se do amante. Ao ver que ele está morto, dá conta do engano em que caíra e solta um grito lancinante. O assassinato de Scarpia fora descoberto e correm atrás dela. Sobe então ao parapeito do terraço e salta para a morte.

(Interessante vídeo de animação sobre a sinopse da Tosca;  aqui cantado pelo tenor Carlo Bergonzi)

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

E acima dos "7"... o melhor é relaxar, que as coisas só podem piorar!

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Neste dia em que os juros da dívida portuguesa já treparam acima aos 7,5%, só me apetece... relaxar! E para relaxar, nada melhor do que uma boa massagem. "Vão-se os anéis fiquem os dedos", diz o ditado;  eu vou mais longe - nestes tempos em que os políticos de merda e os abutres capitalistas já nem a tanga nos deixam, "vão-se as roupas, fiquemos com a pele". Cuidemos então dela! Enquanto no-la não tiram também!...



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Já só falta mesmo o nú... que a "lábia", essa já lha conhecemos toda!

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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Within Temptation - Memories

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Para mim, esta a mais bela e potente voz feminina da última década - Sharon den Adel.  Formada em 1996 pelo guitarrista Robert Westerholt e por esta extraordinária vocalista, os Within Temptation são uma banda de rock sinfónico originária dos Países Baixos.  Este tema, "Memories", juntamente com um outro, "Forgiven", são, quanto a mim, das mais maravilhosas composições musicais que a última década produziu, a cujo êxito não é estranho o timbre especial da voz da Sharon den Adel.
Vale a pena ouvi-la em Hi-Fi e com o volume bem alto!

Quanto a este vídeo "Memories", ele narra a história de uma idosa (Sharon den Adel), que retorna à sua antiga casa que se encontra à venda. Quando entra na velha casa, a cantora transforma-se em si própria quando jovem, e a casa vai sendo restaurada tal como existe nas suas memórias. Em algumas cenas Sharon den Adel passeia-se pela casa, assombrada pelas memórias do seu antigo amante. Para o final, quando sai de casa, ela retorna  à sua verdadeira idade, deixando a casa abandonada à sua decadência actual.




«Memories»


In this world you tried
Not leaving me alone behind
There's no other way
I'll pray to the gods: let him stay

The memories ease the pain inside
Now I know why
All of my memories
Keep you near
In silent moments
Imagine you'd be here
All of my memories
Keep you near
The silent whispers, silent tears

Made me promise I'd try
To find my way back in this life
I hope there is away
To give me a sign you're okay
Reminds me again
It's worth it all
So I can go home

Together in all these memories
I see your smile
All the memories I hold dear
Darling you know I love you till the end of time


Sharon den Adel

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domingo, 7 de novembro de 2010

Salazar, ou… os fundados receios de uma repetição!

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O texto que transcrevo a seguir foi publicado em 5/10/2010 no blogue “Fiel Inimigo”. Porque, mais do que um simples texto de opinião, eu o considero um texto relevantemente histórico (e preocupante na sua componente de antevisão de uma repetição), limitei-me apenas a substituir-lhe alguns vocábulos mais “fortes” que o autor lhe havia introduzido no original, acrescentando-lhe algumas ilustrações.  Que o autor me perdoe a ousadia destas pequenas alterações, mas a verdade histórica deverá permanecer acima de todas as ideologias. Agrade ou não. Apenas e só porque aconteceu… e deveremos cuidar de que se não repita. Além do mais, o texto está muito longe de ser exaustivo nas suas referências e descrições! A verdade histórica "total", pelas suas variadíssimas dimensões políticas, sociais, económicas e, até mesmo, éticas e morais, está sempre muito para além do que permite o espaço de um simples texto num blogue.


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«Do rumo a um inevitável Salazar»


As beatas dos vários credos de «esquerda» e respectivos sacerdotes andam em palpos de aranha com a sombra de Salazar. A «esquerda» tem visões de querubim e bem alicerçadas relativamente ao futuro, mas, em verdade, nem o passado percebe.

Salazar foi fruto das circunstâncias e as circunstâncias eram más. Muito más. A primeira república assemelhava-se a um saco de gatos e o povo passava fome. Aos olhos do povo, Salazar foi o salvador - porque a fome andava de mãos dadas com a primeira república.
O tempo passou mas não esqueço ter ouvido, em primeira mão, variadas descrições sobre as condições de vida antes de Salazar.
A “sardinha para dois numa côdea de pão” era coisa recorrentemente escutada.

Salazar chegou ao poder e a coisa continuou preta. Continuou, mas foi melhorando. Foi melhorando ao ponto do povo mostrar reconhecimento.
Com Salazar não havia liberdade política. É verdade, não havia. O regime era de ditadura. Mas para quem tinha vivido a fome da primeira república, a liberdade só fazia sentido de barriga cheia. Muito se canta, letrado ou não, de barriga cheia, sobre a absoluta necessidade de liberdade mas, de barriga vazia, a perspectiva não é a mesma e ninguém se atreveria a aturar os protestos do estômago em troca de liberdade. Para o povo de então, a falta de liberdade era um mal menor.
-“Pois”, dizia-se. “o gajo é assim ou assado, mas temos comida na mesa”.

A guerra em África veio complicar as coisas já num período em que, para alguns, se tinha tornado patente que, com Salazar, o país já pouco avançaria. A partir daí a coisa foi-se degradando. Marcelo Caetano sucedeu-lhe e, de substancial, pouco melhorou.


Dá-se o 25 de Abril e a liberdade parecia estar à porta. Portugal tinha as contas equilibradas e, embora atrasado, tinha o equilíbrio possível face às circunstâncias. O país estava atrasado, mas aguentava-se a si próprio. Governava-se.
Os anos de 74 a 76 foram complicados porque uma «esquerda radical» pretendia tornar Portugal numa ditadura comunista a ferro e fogo. Nesses anos desbaratou-se o bom pé-de-meia deixado por Salazar, nacionalizou-se a torto e a direito e iniciou-se o processo de desmantelamento da indústria.

Os anos foram passando e a adesão à (então) CEE estava em cima da mesa pela mão de Mário Soares que, já uns anos após a adesão, veio declarar que não era apenas por razões económicas que se aderia, mas para não se correr o risco de escorregar para nova ditadura, “coisa que nunca seria aceite na CEE”.
Da CEE brotaram então "ziliões" em todos os tipos de apoio, esperando-se, em contrapartida, que Portugal fizesse o seu papel: - se desenvolvesse. Portugal não se desenvolveu.
Instalou-se então a ideia de que à Europa interessava a presença de Portugal como mercado, e que tal seria motivo suficiente para garantir o infindável fluir de gordas verbas.


Os governantes foram-se dedicando a distribuir o que em Portugal não era gerado mas, mesmo assim, não chegava. Era preciso mais dinheiro e foram-se aumentando, recorrentemente, os impostos.

Comeu-se então o pé-de-meia de um sistema de reformas baseado na poupança, em que os descontos de cada um iriam financiar a própria reforma. Gastou-se rapidamente todo o dinheiro guardado e entrou-se num sistema em que os que trabalham financiam agora “solidariamente” as reformas dos que se aposentam.


O aumento de impostos foi sempre complicando a vida às empresas, em particular ao mundo fabril. O aumento de produtividade foi sempre menor que o aumento de salários e de impostos, e a indústria foi fechando. Começou então o ciclo do endividamento.

Já não chegando o dinheiro vindo da Europa e o abocanhado, via impostos, para manter um sistema que ia, em paralelo, alijando cada vez mais (inexistentes) recursos ao social, Portugal começou a endividar-se.
E foi-se endividando brutalmente.

Nem vale a pena falar da mentira pura e dura, da contabilidade criativa, das estatísticas marteladas, do crescimento disparatado do número de funcionários da coisa pública, da propaganda, da promiscuidade entre estado e empresas, do controle político do ensino, da irresponsabilidade em matéria de segurança e de justiça, do aumento desenfreado da corrupção envolvendo os partidos políticos, dos “jobs for the boys”, das tentativas (uma boa parte levadas a “bom” termo) de controle da informação.
Quando as campainhas de alarme começaram a soar, os «partidos» do costume foram sempre afirmando que não, que estava tudo bem, que se estava a investir no desenvolvimento, e que ele só seria possível com um “social” bem preservado.

Enfim, a coisa descambou, o “especulador” começou a torcer o nariz sempre que Portugal lhe aparecia de mão estendida, o juro subiu e até já os sinos repicam.


Portugal encontra-se sem indústria capaz de substituir ou compensar as importações, e a pouca que subsiste é de baixa produtividade.
A carga fiscal, os custos de financiar a máquina estatal e os altos custos da energia, garantem a impossibilidade de vender produtos a preço concorrencial.

Portugal não tem cana de pesca, não tem dinheiro para a comprar e, ainda por cima, não sabe pescar nem parece muito para aí virado.

E o nome de Salazar vai surgindo, e a «esquerda» mostra-se inquieta.

Se Portugal tivesse que viver apenas daquilo que faz, o nome Salazar deixaria de ser apenas murmurado, para ser gritado. Se Portugal tivesse que viver apenas daquilo que faz, o ambiente seria decalcado do fim da primeira república.

E até já o Presidente da República traça, sem rodeios, um paralelismo entre o ambiente actual e o fim da primeira república, em particular se o governo conseguir mandar às malvas a réstia de confiança que o mundo ainda tem na capacidade de Portugal se governar sem pedinchices.
Foi este o ponto a que se chegou, é isto que tanto incomoda a «esquerda». E o Presidente da República afirma ainda, sem rodeios, que cada novo tropeção nos aproxima, inexoravelmente, do risco de uma nova ditadura.


Mário Soares estava em crer que a Europa não aceitaria que Portugal pudesse vir a ser uma ditadura e tinha razão.
O problema é que a Europa já começa a não aceitar que Portugal, com ou sem ditadura, lhe conspurque as contas.

Se as coisas por esta via se toldarem, a esperança de Mário Soares cairá por terra e os gritos por um Salazar levarão a «esquerda» ao mundo da realidade para onde, timoneira, empurrou Portugal.

(Por RIO D'OIRO, Fiel Inimigo)



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(Clicar na imagem para ler a notícia)

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

As grandes negociatas do governo com os privados!...

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As Parcerias Público-Privadas rodoviárias, a prazo, são um problema maior do que o TGV para as contas públicas. As novas auto-estradas que o Governo quer fazer no interior do país vão custar, por ano, 900 milhões de euros.  As mais caras são as futuras auto-estradas do Pinhal Interior e do Douro Interior, concessionadas à Mota-Engil, que têm um custo anunciado superior à linha de TGV Poceirão-Caia. 

Em conjunto, as sete parcerias rodoviárias vão custar, a partir de 2014, o equivalente ao corte salarial na Função Pública ou ao aumento de impostos, todos os anos durante dez anos.  «Em termos de rendas fixas, quanto começarem a ser pagas, representa um encargo anual na ordem dos 900 milhões de euros para as Estradas de Portugal», revela à TVI Carlos Moreno, ex-juíz do Tribunal de Contas português e europeu.  O Orçamento do Estado para 2011 anuncia um aumento brutal das rendas a partir de 2014, ou seja, na próxima legislatura. Mas os números apresentados pelo Governo ficam muito abaixo da previsão deste antigo juiz. E por uma razão simples: estão mal calculados.


O Ministério das Finanças só meteu no Orçamento os encargos líquidos, mas não explicitou nem os encargos brutos, decorrentes dos contratos, nem sobre os métodos usados para calcular receitas futuras. «Deviam estar justificados em detalhe o que é encargo, qual é a receita que se tira e quais são as metodologias usadas para lá se chegar. Só assim é que tecnicamente esta previsão seria credível. Doutra forma, não tem credibilidade técnica», assegura Moreno.

As novas concessões foram entregues à Estradas de Portugal, que terá de se endividar para cobrir os encargos com as auto-estradas. Mais cedo ou mais tarde a dívida e os juros virão bater à porta dos contribuintes.


Vale a pena ouvir muitas mais revelações do Juíz Carlos Moreno, na SIC, com Mário Crespo:




Chiu!... não digam a ninguém, mas o FMI vem a caminho!

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Eu só espero é que "eles" saibam ir direitinhos às "cavernas" onde se acoitam os maiores chulos deste país!...  E que também não se esqueçam de dar caça às muitas dezenas de milhar de "cartões maravilha" que todos andamos a pagar, para gáudio dos boys dos cerca de 14.000 organismos do Estado...

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"SHE" - na voz inconfundível do seu criador - Charles Aznavour

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«She» é a versão mais conhecida em todo o mundo da canção "Tous les visages de l'amour" lançada em 1974 pelo cantor e compositor francês Charles Aznavour. Mais recentemente foi regravada uma interpretação de Elvis Costello para o filme "Notting Hill". Pessoalmente, continuo a preferir a interpretação na voz do seu criador.



«She»

She may be the face I can't forget,
A trace of pleasure or regret,
May be my treasure or
The price I have to pay.

She may be the song that summer sings,
May be the chill that autumn brings,
May be a hundred different things
Within the measure of a day.

She may be the beauty or the beast,
May be the famine or the feast,
May turn each day into a
Heaven or a hell.

She may be the mirror of my dream,
A smile reflected in a stream,
She may not be what she may seem
Inside her shell.

She, who always seems so happy in a crowd,
Whose eyes can be so private and so proud,
No one's allowed to see them
When they cry.

She may be the love that cannot hope to last,
May come to me from shadows of the past,
That I'll remember till the day I die.

She may be the reason I survive,
The why and wherefore I'm alive,
The one I'll care for through the
Rough and ready years.

Me, I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be.
The meaning of my life is she, she, she.

 
(tradução)
 
«Ela»

Ela pode ser o rosto que eu não consigo esquecer
Um traço de prazer ou de arrependimento
Talvez o meu tesouro ou
O preço que eu tenho que pagar

Ela pode ser a música que o verão canta
Talvez o frescor que o outono traz
Talvez uma centena de coisas diferentes
No espaço de um dia

Ela pode ser a bela ou a fera
Talvez fartura ou a fome
Pode transformar cada dia num paraíso
ou num inferno

Ela pode ser o espelho do meu sonho
O sorriso refletido no rio
Ela pode não ser o que parece ser
dentro da sua concha

Ela, que sempre parece tão feliz no meio da multidão
Com os olhos tão pessoais e tão orgulhosos
Mas que não podem ser vistos
quando choram

Ela pode ser o amor que não espera que dure
Pode vir das sombras do passado
Que eu irei lembrar até ao dia da minha morte

Ela talvez seja o motivo para eu sobreviver
A razão pela qual eu estou vivo
A pessoa que cuidarei através
dos difíceis e próximos anos

Eu, eu tomarei as risadas e as lágrimas dela
E farei delas todas minhas recordações
Para onde ela for, eu tenho que estar lá
O sentido da minha vida é ela, ela, ela.


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E o decreto da fome é aprovado!...

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E enquanto à fome o povo se estiola,
Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento

E o Decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento

Usufruem seis contos de ordenado.
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.


JOSÉ RÉGIO
(Soneto escrito em 1969)

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Eles protegem-se uns aos outros!

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"Chegará o dia em que todos lhes pediremos contas..."

É uma frase extraída de um email que me enviaram. Temo que as coisas não irão passar-se rigorosamente assim. As alternâncias de poder, entre o PS e o PSD, têm permitido que eles se protejam e ocultem uns aos outros. Mentem, aldrabam, entram em conflito com as nossas carteiras, enriquecem, sucedem-se nos Governos, seguem a caminhada para gestores, administradores de instituições públicas, uma, duas, três reformas, e nada lhes acontece. A impunidade lavra nesta II República (os 48 anos de fascismo foram um interregno), e ninguém é responsável por coisa alguma.
(...)

A desgraça que tombou em Portugal resulta da pequenez do nosso espírito. Roma não pagava a traidores. Portugal promove-os. Os "políticos" que têm dirigido o país, desde a "normalização" de Novembro de 1975, são minúsculos imorais ante a grandeza e a decência dos homens do 5 de Outubro. Ouvi, como muita gente, creio, os discursos de Sócrates e de Cavaco. A miséria do pensamento destes dois cavalheiros é proporcional ao seu espírito. Cavaco, esse, chega a ser deplorável, e até Luís Delgado lhe colocou reservas. Em forma e em conteúdo, tanto um como outro atingiram o grau zero da compreensão.

A fome alastra entre nós. Os ministros deviam vestir-se à paisana, deslocar-se até à Sopa do Sidónio, em frente à igreja dos Anjos, e indagar, junto daquelas centenas de desafortunados que se juntam ali, diariamente, em busca de um pão e de uma sopa, a origem dos seus infortúnios. Obteriam respostas surpreendentemente dolorosas. Assinalamos o Ano da Pobreza e da Exclusão (parece que é assim a designação da piedosa lembrança), dizemos umas palavras comovidas, ou passamos indiferentes, ou entregamos um óbulo misericordioso, e desandamos para a nossa vidinha.
As coisas não acabam desse modo. A questão, a gravíssima questão, é política. E os responsáveis são, naturalmente, os políticos. Temos assistido à birra dos dois dirigentes do rotativismo. Um vai ser corrido, como tudo o faz supor. O outro, com as ameaças que faz, sobretudo à Constituição, fornece-nos o retrato de uma completa distorção do país. Nem um nem outro servem. Então, quem? Depende de nós, aí sim, uma alteração de rumo.

Há anos que Portugal anda ao deus-dará. Nunca é demais insistir na calamitosa herança do dr. Cavaco, um dos mais ineptos primeiros-ministros que tivemos. O monstruoso embuste criador em torno deste senhor é, ele mesmo, monstruoso. E os tenores que lhe entoam loas têm sido copiosamente beneficiados pelo "sistema". As coisas estão estruturadas e foram montadas de forma a não haver deslizes. E eles estão por toda a parte: nos jornais, nas televisões, nas rádios; nos "comentadores" que, sem sobressalto, transitam para as abas do poder, sem vergonha nem um pingo de compostura. Agora, anda por aí um, balofo e zeloso, ainda não há muito grave "analista" na televisão do Estado, dos fenómenos políticos circundantes. O caminho foi iniciado. Vejamos o que se segue.

O ambiente é de cortar à faca. Tenho por hábito percorrer as ruas de Lisboa, conversar com as pessoas, e cada dia me convenço mais de que estes cavalheiros estão a enfiar-nos numa camisa-de-onze-varas, mas não sabem prever a explosão social que se aproxima. Penso no seguinte: se não estivéssemos inseridos nesta "União Europeia" (muito desavinda) a situação teria, certamente, tomado outro caminho. O que não impede de o desgosto, a inquietação e o desespero dos portugueses escolherem um atalho, de certeza mais agressivo e violento do que as marchas de protesto.


O que nos enoja é assistir às análises, aos prognósticos, aos palpites e às sugestões de bravos e distintos economistas, gente de alto préstimo e com duas e três reformas chorudas, a propor que se reduzam ainda mais os salários, e que caia nos lombos dos pobretanas o sarrafo das "restrições". Dizem eles que é para bem do "interesse nacional", expedito palavrão que tem encoberto as mais sórdidas infâmias.

(Baptista Bastos, in Jornal de Negócios, 08/10/2010. Negritos e imagens acrescentados por mim)

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Pós-Texto 1:  - A propósito deste mesmo assunto e desta mesma gente,  "obrigatório" ler este artigo no semanário SOL on-line de 31/10/2010, com o título: - «7,5 milhões de euros para salários de 46 gestores». E refere-se isto apenas ao ano de 2009 e aos gestores de apenas 9 (nove) das empresas tuteladas pelo Estado:  - ANA, STCP, EP (Estradas de Portugal), CTT, REFER, CP, ML, CARRIS e TAP.  E isto apesar de serem estas empresas as que, desde sempre e invariavelmente, apresentam um prejuízo anual de vários milhares de milhões de euros!
«A aparente fartura do dia-a-dia destes gestores contrasta com a situação das suas empresas. Nos últimos quatro anos, o passivo destas nove companhias mais do que duplicou, de 13,3 mil milhões de euros em 2006 para 31,1 mil milhões de euros no final de 2009.»
Mas o ministro das finanças não sabe onde cortar... e prepara-se para continuar a cortar nos mesmos de sempre!...


Pós-Texto 2: - E aqui mais uma leitura "obrigatória" para quem quiser reflectir - a Fundação da Cidade de Guimarães - onde a presidente recebe 14.300 euros por mês e os vogais executivos 12.500 euros. Multiplique-se isto por 14 meses. E multiplique-se ainda pelos milhares de organismos (muitos nem sequer chegam a passar do nome) que têm nascido por aí nos últimos anos como se de cogumelos se tratasse, e destinados unicamente a acoitar os "boys", amigos e familiares. Isto serve apenas como um mero exemplo do universo de parasitários para onde o nosso dinheiro é despejado, os nossos impostos, os cortes nos nossos ordenados e reformas, os cortes na saúde e na educação. 
Mas o ministro das finanças não sabe onde cortar... e prepara-se para continuar a cortar nos mesmos de sempre!...

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domingo, 31 de outubro de 2010

Momentos vividos. Momentos sentidos. Momentos... idos!

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Andam poesia e música no ar!…

Uma melodia tocada
numa escala de cores de arco-íris
ecoa por todo o meu sentir!
É que lá longe… muito longe…
onde os montes são agrestes e rudes as gentes
eu sei de um monte eu sei de um ninho
que tem lá dentro um passarinho!

E eu vou subir àquele monte
que fica por detrás de outros montes
e vou lá ter àquele ninho
onde me espera aquele passarinho.
E vou fazer-lhe uma festa, acariciar suas penas
aninhar-me na ternura e na meiguice
do seu peito. Muito junto, bem juntinho!

Andam poesia e música no ar!…

Uma melodia de perfumes e de sons
ao ouvido segredados
ecoa por todo o meu sentir!
Mais que a chegada a viagem;
mais que o destino o caminho!
As músicas correm dentro de mim
os sons nascem dentro de mim
e respiro mais fundo - tranquilo.

O coração bate calmo
quando a música nos envolve
a mim e àquele passarinho.
E vou fazer-lhe uma festa, acariciar suas penas
aninhá-lo na ternura e na meiguice
do meu peito. Muito junto, bem juntinho!

E liberto o pensamento, a imaginação
e afasto a razão para um canto.
Mais que entender a razão
eu quero ouvir o seu canto
eu quero apenas sentir - esta emoção!


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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O cinco em um, ou... O "funeral" que veio de Boliqueime!

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Os cinco Cavacos

Sem contar com a sua breve passagem pela pasta das Finanças, conhecemos cinco cavacos. Mas todos os cavacos vão dar ao mesmo...

O primeiro Cavaco foi primeiro-ministro. Esbanjou dinheiro como se não houvesse amanhã. Desperdiçou uma das maiores oportunidades de desenvolvimento deste País no século passado. Escolheu e determinou um modelo de desenvolvimento que deixou obra mas não preparou a nossa economia para a produção e a exportação. O Cavaco dos patos bravos e do dinheiro fácil. Dos fundos europeus a desaparecerem e dos cursos de formação fantasmas. O Cavaco do Dias Loureiro e do Oliveira e Costa num governo da Nação. Era também o Cavaco que perante qualquer pergunta complicada escolhia o silêncio do bolo rei. Qualquer debate difícil não estava presente, fosse na televisão, em campanhas, fosse no Parlamento, a governar. Era o Cavaco que perante a contestação de estudantes, trabalhadores, polícias ou utentes da ponte sobre o Tejo respondia com o cassetete. O primeiro Cavaco foi autoritário.


O segundo Cavaco alimentou um tabu: não se sabia se ficava, se partia ou se queria ir para Belém. E não hesitou em deixar o seu partido soçobrar ao seu tabu pessoal. Até só haver Fernando Nogueira para concorrer à sua sucessão e ser humilhado nas urnas. A agenda de Cavaco sempre foi apenas Cavaco. Foi a votos nas presidenciais porque estava plenamente convencido que elas estavam no papo. Perdeu. O País ainda se lembrava bem dos últimos e deprimentes anos do seu governo, recheados de escândalos de corrupção. É que este ambiente de suspeita que vivemos com Sócrates é apenas um remake de um filme que conhecemos. O segundo Cavaco foi egoísta.


O terceiro Cavaco regressou vindo do silêncio. Concorreu de novo às presidenciais. Quase não falou na campanha. Passeou-se sempre protegido dos imprevistos. Porque Cavaco sabe que Cavaco é um bluff. Não tem pensamento político, tem apenas um repertório de frases feitas muito consensuais. Esse Cavaco paira sobre a política, como se a política não fosse o seu ofício de quase sempre. Porque tem nojo da política. Não do pior que ela tem: os amigos nos negócios, as redes de interesses, da demagogia vazia, os truques palacianos. Mas do mais nobre que ela representa: o confronto de ideias, a exposição à critica impiedosa, a coragem de correr riscos, a generosidade de pôr o cargo que ocupa acima dele próprio. Venceu, porque todos estes cavacos representam o nosso atraso. Cavaco é a metáfora viva da periferia cultural, económica e politica que somos na Europa. O terceiro Cavaco é vazio.


O quarto Cavaco foi Presidente. Teve três momentos que escolheu como fundamentais para se dirigir ao País: esse assunto que aquecia tanto a Nação, que era o Estatuto dos Açores; umas escutas que nunca existiram a não ser na sua cabeça sempre cheia de paranóicas perseguições; e a crítica à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo que, apesar de desfazer por palavras, não teve a coragem de vetar. O quarto Cavaco tem a mesma falta de coragem e a mesma ausência de capacidade de distinguir o que é prioritário de todos os outros.  Apesar de gostar de pensar em si próprio como um não político, todo ele é cálculo e todo o cálculo tem ele próprio como centro de interesse. Este foi o Cavaco que tentou passar para a imprensa a acusação de que andaria a ser vigiado pelo governo, coisa que numa democracia normal só poderia acabar numa investigação criminal ou numa acção política exemplar. Era falso, todos sabemos. Mas Cavaco fechou o assunto com uma comunicação ao País surrealista, onde tudo ficou baralhado para nada se perceber.

Este foi o Cavaco que achou que não devia estar nas cerimónias fúnebres do único prémio Nobel da literatura porque tinha um velho diferendo com ele. Porque Cavaco nunca percebeu que os cargos que ocupa estão acima dele próprio e não são um assunto privado. Este foi o Cavaco que protegeu, até ao limite do imaginável, o seu velho amigo Dias Loureiro, chegando quase a transformar-se em seu porta-voz. Mais uma vez e como sempre, ele próprio acima da instituição que representa. O quarto Cavaco não é um estadista.



E agora cá está o quinto Cavaco. Quando chegou a crise começou a sua campanha. Como sempre, nunca assumida. Até o anúncio da sua candidatura foi feito por interposta pessoa. Em campanha disfarçada, dá conselhos económicos ao País. Por coincidência, quase todos contrários aos que praticou quando foi o primeiro Cavaco. Finge que modera enquanto se dedica a minar o caminho do líder que o seu próprio partido, crime dos crimes, elegeu à sua revelia. Sobre a crise e as ruínas de um governo no qual ninguém acredita, espera garantir a sua reeleição. Mas o quinto Cavaco, ganhe ou perca, já não se livra de uma coisa: foi o Presidente da República que chegou ao fim do seu primeiro mandato com um dos mais baixos índices de popularidade da nossa democracia e pode ser um dos que será reeleito com menor margem. O quinto Cavaco não tem chama.


Quando Cavaco chegou ao primeiro governo em que participou eu tinha 11 anos. Quando chegou a primeiro-ministro eu tinha 16. Quando saiu, eu já tinha 26. Quando foi eleito Presidente eu tinha 36. Se for reeleito, terei 46 quando ele finalmente abandonar a vida política. Que este homem, que foi o politico profissional com mais tempo no activo para a minha geração, continue a fingir que nada tem a ver com o estado em que estamos e se continue a apresentar como alguém que está acima da politica, é coisa que não deixa de me espantar. Ele é a política em tudo o que ela falhou. É o símbolo mais evidente de tantos anos perdidos.

(Daniel Oliveira, in Expresso on-line, 26/10/2010)


Pós-texto: Sobre este mesmo assunto e personagem, vale a pena ler esta crónica de Batista Bastos no Jornal de Negócios.
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Mais 400 milhões "enterrados" no BPN... e para quê?

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Ao mesmo tempo que espolia os portugueses em geral, e preferencialmente os menos abonados, o Estado não se cansa de tentar tornar o BPN mais apetecível para eventuais compradores.

E é assim que o Estado, que através da CGD já injectou no BPN uma quantia aproximadamente tão astronómica como a que pretende cortar no Orçamento para 2011, estuda agora a maneira de colocar mais algumas centenas de milhões num aumento de capital do Banco que foi de Oliveira Costa e Companhia e, também para cativar potenciais interessados na compra, pretende que a CGD assuma, naturalmente com a garantia do Estado, os créditos das subsidiárias do Banco no valor de mais mil milhões.

De maneira que um dia destes, o que estará verdadeiramente a verificar-se neste pequeno país, que é Portugal, é que os portugueses vão andar de tanga, muitos a passar fome, a retirarem os filhos das escolas, a cortarem nas despesas de saúde, a deixarem morrer de miséria, doença, solidão e tristeza os seus velhos... para que o Estado disponha dos milhares de milhões suficientes para tornar atractivo um Banco que albergou dirigentes suspeitos da prática de actos de delinquência financeira, cujo julgamento continuará a ser eternamente adiado. E nesse dia, o Estado poderá enfim vender a um investidor interessado, certamente um desinteressado benemérito, pela módica quantia de 180 milhões, um banco onde o próprio Estado já terá derretido os milhares de milhões que faltam ao País.

Claro que nada disto esteve ou estará a ser tema de discussão nas negociações entre o Governo e o PSD para deixar passar o Orçamento. Mas, na verdade, o que são os milhares de milhões do BPN comparados com dois ou três pontos a mais ou a menos no IVA sobre o leite achocolatado?

(João Paulo Guerra, in DE de 26/10/10)
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E enquanto esta "novela" se mantém no ar, condicionando e asfixiando os portugueses através do OE-2011 e seguintes,  Oliveira Costa e Dias Loureiro não têm bens para penhorar!...


 Pois é verdade, de acordo com a edição de 08/06/2009 do "Correio da Manhã", o ex-conselheiro de Estado Dias Loureiro, ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios, dona do BPN antes do banco ser nacionalizado, escapou à penhora, depois de os investigadores terem analisado detalhadamente o seu património, concluindo que não tem bens em seu nome que possam ser penhorados no âmbito da investigação no caso BPN, e até que o saldo médio das suas contas bancárias não ultrapassa os cinco mil euros.  As conclusões desta análise mostraram que os imóveis estão registados em nome de familiares ou pertencem a empresas sediadas em paraísos fiscais. 
Resultado: -Oliveira e Costa, ex-ministro de Cavaco Silva, está preso, mas os seus bens não podem ser confiscados por estarem todos em nome da (muito-convenientemente) ex-mulher;  -Dias Loureiro, ex-ministro e ex-conselheiro de Estado de Cavaco Silva, não está preso, antes gozando umas "merecidas e eternas férias" no melhor Resort de sua propriedade em Cabo-Verde, também não tem bens penhoráveis por se encontrarem (muito-convenientemente) em nome de familiares;  - e o país... e o povo português... esse que se foda!... que pague o rombo dos 5.000 milhões que estes dois provocaram no BPN!... 

E a justiça... essa é mesmo à portuguesa:  -corre célere e com mão-de-ferro a punir um pobre-diabo com a inibição de conduzir... um burro!...  lá para as bandas de Celorico da Beira!

Quanto à justiça do Estado e quanto ao estado da Justiça... estamos entendidos!

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