quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A condição de «Funcionário Público»

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Carta de um funcionário público ao Ministro das Finanças

Exmo. Sr. Ministro,

Vou alterar a minha condição de funcionário público, passando à qualidade de empresa em nome individual (como os taxistas), ou de uma firma do tipo "Jumentos & Consultores Associados Lda." e, em vez de vencimento, passo a receber contra factura, emitida no fim de cada mês. Ganha o ministro, ganho eu… e o país que se lixe!

Ora vejamos: -ganha o ministro das Finanças porque:
-Fica com um funcionário público a menos.
-Poupa no que teria que pagar a uma empresa externa para avaliar o meu desempenho profissional.
-Ganha um trabalhador mais produtivo, porque a iniciativa privada é, por definição, mais produtiva que o funcionalismo público.
-Fica com menos um trabalhador, potencial grevista e reivindicador que, por muito que trabalhe, será sempre considerado um mandrião.



E ganho eu porque:
-Deixo de pagar na totalidade todos os impostos a que um funcionário público está obrigado, e bem, diga-se, pois passo a considerar o salário mínimo para efeitos fiscais e de segurança social.
-Vou comprar fraldas, champôs, papel higiénico, fairy, skip e uma infinidade de outros produtos à Makro, que me emite uma factura com a designação genérica de 'artigos de limpeza', pelo que contam como custos para a empresa.
- Deixo de ter subsídio de almoço, mas todas as refeições passam a ser consideradas despesa da firma.
- Já posso arranjar uma residência em Espanha para comprar carro a metade do preço, ou compro um BMW em leasing em nome da firma e lanço as facturas do combustível e de manutenção na contabilidade da empresa.
- Promovo a senhora das limpezas lá de casa a auxiliar de limpeza da firma.
-E se, no fim, ainda tiver que pagar impostos, não pago, porque três anos depois o Senhor Ministro adopta um perdão fiscal. Nessa ocasião vou ao banco onde tinha depositada a quantia destinada a impostos, fico com os juros e dou o resto à DGCI.



Mas ainda ganho mais:
-Em vez de pagar contribuições para a CNP, faço aplicações financeiras e obtenho benefícios fiscais, se é que ainda tenho IRS para pagar.
-Se tiver filhos na universidade, eles terão isenção de propinas e direito à bolsa máxima (equivalente ao salário mínimo) e, se morar longe da universidade, ainda podem beneficiar de um subsídio adicional para alojamento; com essas quantias compro-lhes um carro que, tal como o outro, será adquirido em nome da firma, assim como manutenções e combustíveis.
-Se tiver um divórcio litigioso, as prestações familiares a que o tribunal me condenar já não serão deduzidas directamente na fonte; recebo o ordenado por inteiro e só pago se me apetecer!...

Como se pode ver, só teria a ganhar e já podia dizer em público o nome da minha profissão sem parecer uma palavra obscena. Afinal, em Portugal ter prejuízo é uma bênção de Deus!

Atentamente
A. Bivar de Sousa

(recebida por e-mail)

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terça-feira, 12 de outubro de 2010

MOMENTOS DE LUCIDEZ – Uma viagem às memórias…

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Atribuído a Clara Ferreira Alves, este artigo sobre Mário Soares circulou em 2009 pela net através de inúmeros blogues e de correntes de e-mails. Tendo sido objecto de acesas discussões, desde os fóruns e caixas de comentários até às mesas de cafés um pouco por todo o país, foi, contudo, pela própria desmentida posteriormente a sua autoria. Alguém anónimo e com um estranho sentido de cidadania terá dado início a esta corrente em nome daquela jornalista do Expresso, mas, na verdade, a sua verdadeira autoria é de Ricardo Santos Pinto no blogue5 Dias.net”, publicado em 12/Jan/2009.

Por muitos considerado como o "pai" da III República, pessoalmente eu só consigo ligar o cidadão Mário Soares à paternidade de um partido, o PS, que conseguiu levar este país à ruina e à condição de indigente da Europa, empurrando-nos a todos para um beco sem saída e cujo futuro é imprevisível, mas cujos contornos são já dos mais negros da nossa história recente.   Embora dirigido ao cidadão Mário Soares, este texto traça um perfil que, para muitos, nada mais é do que a verdadeira "matriz" malabarista e oportunista do PS que ele próprio fundou e que, em 15 anos de governo nos atirou fatalmente para o atoleiro em que agora nos encontramos, e que se perpetuará pelas próximas décadas. Porque aqui reponho este texto é pelo facto de ele conter certos esclarecimentos e afirmações que ajudam a entender a génese, a filosofia, a incompetência, o oportunismo, o clientelismo, numa palavra, a irresponsabilidade política de um partido - o PS - que nos conduziu à ruína final.

Embora desde há muito do domínio público, se não de todos pelo menos daqueles mais rodados no tempo e que ainda conservam as suas memórias com suficiente “lucidez”, e também por todos aqueles que chegaram a ler aquele “sacrílego” livrinho de Rui Mateus «Contos Proibidos - Memórias de um PS Desconhecido», relembro-o e reproduzo-o aqui sem enfatizar quaisquer factos ou afirmações nele contidos, ilustrando-o apenas com imagens, para que certas memórias se não percam, esquecidas no meio das vertiginosas turbulências dos tempos actuais!

Conclusões?… cada um que tire as suas. Conforme as suas tendências e as suas memórias.

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«MOMENTOS DE LUCIDEZ»

«Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana(*), para a voz da rua. A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante a sua longa carreira política.

A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo em Paris.
A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma “brilhante” que se viu, o processo de descolonização.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.
A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiência governativa.
A lucidez que lhe permitiu tratar de forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.
A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os “dossiers”.
A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois de tão fantástico desempenho no cargo.
A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e vencer as eleições presidenciais.

A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um grupo empresarial, a Emaudio, com “testas de ferro” no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais.
A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua segunda campanha presidencial.
A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos Melancia, um dos homens da Emaudio.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume no caso Emaudio e no caso Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma Fundação na sua fase pós-presidencial.
A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, “Contos Proibidos”, que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a 'sorte' de esse mesmo livro, depois de esgotado, jamais voltar a ser publicado.

A lucidez que lhe permitiu passar incólume às “ligações perigosas” com Angola, ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre acidente de avião na Jamba (avião esse carregado de diamantes, no dizer do Ministro da Comunicação Social de Angola).
A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar 57 países (”recorde” absoluto para a Espanha - 24 vezes - e França - 21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil quilómetros).
A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles, esse território de grande importância estratégica para Portugal.
A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes oferecidos oficialmente ao Presidente da Republica Portuguesa.
A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da Republica.
A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo Grande.
A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica, constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única função visível ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.

A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a nulidade da licença de obras.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer convenientemente no incêndio dos Paços do Concelho.
A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos anos, donativos e subsídios superiores a cinco milhões de Euros.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de dois milhões e meio de Euros, do Governo Guterres, para a criação de um auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara de Lisboa.

A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção anual da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador e Presidente.
A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasse um gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República, na… Fundação Mário Soares.
A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.
A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente era, claro está… João Soares.
A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o director do “Público”, José Manuel Fernandes, a investigação jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.
A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole Fontaine.

A lucidez que lhe permitiu considerar José Sócrates “o pior do guterrismo” e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.
A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre, para concorrer às eleições presidenciais uma última vez.
A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.
A lucidez que lhe permitiu ler os artigos “O Polvo” de Joaquim Vieira na “Grande Reportagem”, baseados no livro de Rui Mateus, e assistir, logo a seguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no filho, em pleno dia de eleições, nas últimas(*) Autárquicas.



No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai. Vai… e não volta mais.»

(*) – O texto é de 2009
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Original postado no blogue "5Dias", em 12/Jan/2009. Mais memórias "aqui", "aqui",  "aqui", e em muitos mais sítios... Ou mesmo baixar os «Contos Proibidos» de Rui Mateus!

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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Almerindo não tem dinheiro? – solução: portajar as SCUTs, porque...

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Segundo notícia do jornal «i» de hoje, a empresa pública Estradas de Portugal foi a que mais contratou por ajuste directo


«A conclusão é da Inspecção-Geral das Obras Públicas (IGOPTC) após a realização de cinco auditorias (a outras tantas empresas públicas), nas quais se sublinha que "os princípios gerais da contratação pública nem sempre foram acautelados, designadamente em matéria de transparência e de concorrência, na medida em que a maioria das adjudicações foi feita sem consulta ao mercado", embora não sejam indicadas situações ilegais.
(…)
Os dados são de 2009 e 2010 e mostram que a Estradas de Portugal foi a empresa que mais ajustes directos comunicou, atingindo também valores mais elevados: cerca de 2,9 milhões de euros para cerca de 40 adjudicações, ou seja metade do montante apurado na pesquisa do i. De fora das contas ficaram contratos nas áreas de informática, tecnologia e telecomunicações e projectos ou estudos prévios de empreitadas ou empreitadas. Os números dizem respeito apenas a estudos, pareceres e contratos de consultoria, com destaque para as áreas jurídicas e de reorganização e gestão das próprias empresas.


A EP é a principal dona de obra nas empresas tuteladas pelo ministério das Obras Públicas, com orçamento de investimento da ordem dos mil milhões de euros por ano. A empresa liderada por Almerindo Marques representa o Estado nas parcerias público-privadas do sector rodoviário, o que também ajuda a explicar o elevado número de estudos de viabilidade económica, de tráfego e outros encomendados a consultores privados. (…)

A área jurídica é um sector em que a EP recorre de forma insistente a consultores e pareceres externos, uma realidade que espelha não só o contencioso com o Tribunal de Contas sobre as novas concessões, mas também diferendos e renegociações com as concessionárias. Desde o início de 2009, a Estradas de Portugal fez contratos por ajuste directo de consultoria jurídica ou pareceres no valor aproximado de 750 mil euros com vários escritórios de advogados. (…)»

(Por Ana Suspiro, publicado no «i» em 11 de Outubro de 2010)


-Espera aí... escritórios de advogados? – Privados? – 750.000 euros?!...


Contudo, e tal como escreve o “José” na "portadaloja", «A Estradas de Portugal tem um Gabinete Jurídico. O MOPTC tem uma Secretaria- geral cuja incumbência específica, entre outros, é prestar apoio "técnico-jurídico" aos serviços do Ministério.

Tanto uma como outra não chegam para as encomentas que pelos vistos são muitas e de bom rendimento: quase um milhão de euros para advogados privados. Resta saber em quê, exactamente e qual a categoria e extensão técnica dos pareceres e serviços jurídicos

É por estas e por muitas mais que o sr. Almerindo Marques não tem dinheiro e é necessário e urgente portajar as SCUTs! É por estas e por muitas mais que as finanças do Estado chegaram ao estado actual! É que a máquina dos interesses privados tem um apetite devorador… e a promiscuidade entre estes e os políticos não tem conta nem medida!

Curioso seria saber se os “cortes” do PEC III chegaram a estas consultadorias privadas!...

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Um ex-minixtro em New York – o orgulho nacional !...

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Foi importante ser ministro, se foi... 

A discussão fica interessante quando percebemos o logro das energias renováveis.

Clara Ferreira Alvesin EXPRESSO


À saída do número cosmopolita que foi a conferência do nosso Primeiro na Universidade de Columbia, NY, sobre renováveis e variáveis, o ex-ministro Manuel Pinho, à saída da primeira fila, deu uma mini-entrevista à Lusa; (...) Dá-nos conta de como "foi importante ser ministro cinco anos mas agora estou a adorar a minha vida em Nova Iorque". E continua por aí: o gabinete na Universidade de Columbia, onde é professor visitante, ou "visiting professor" em inglês técnico, tem uma ótima vista do oitavo andar sobre a zona norte de Manhattan.
(…)
Juro que acreditei que o ex-ministro tinha mesmo sido convidado dada a sua proverbial esperteza em renováveis. E de renováveis também não percebo nada, pago-as, com o resto dos parolos, na fatura da EDP. De resto, toda a gente acha que são muito boas para a saúde e o ambiente. O pior é que, curiosa de uns tantos comentários, fui pesquisar na net, e pesquisando fui parar a uns blogues onde a discussão sobre renováveis e o seu custo me pareceu cientificamente descrita por gente que percebia do assunto; e onde fiquei a saber como é que o ex-ministro foi parar a NY.  A EDP pagou.

No "Jornal de Negócios online", uma notícia assinada por Helena Garrido deu-nos conta disso a 13 de agosto de 2010. A EDP fez uma doação de montante desconhecido à SIPA (School of International and Public Affairs) de Columbia, e criou um mestrado, um semestre em NY, uma cidade adorável, e um semestre no ISCTE em Lisboa, menos adorável, mas encantadora para estrangeiros e com vinho a menos de 20 dólares, já que falamos nisso.

Longe de mim comparar o meu desconhecimento do tema das renováveis com o know-how de Pinho nesta súbita especialidade sua, mas fiquei a saber, ao cabo de horas de pesquisa, que a fatura desta nova forma de energia nos custa agora 700 milhões de euros. A ERSE, Entidade Reguladora Serviços Energéticos, descobriu uma coisa chamado défice tarifário, mais de 2000 milhões de euros, que tem de ser abatido em 2010 em 129 milhões de euros (notícia da TSF online). Neste défice tarifário, que ninguém sabe o que é exatamente, incluem-se os "custos das renováveis". E como vamos pagar o défice? Mais um euro nas nossas faturas em 2010; multiplicado por milhões é adorável. O preço do petróleo diminuiu e continuamos a pagar a eletricidade cara. O consumo também diminuiu, adivinhem porquê: não há dinheiro dos parolos para pagar a fatura.

A discussão fica interessante quando percebemos o logro das renováveis. Não como conceito mas modo de aplicação em Portugal. Descobri que a EDP Renováveis vende à EDP com lucro fabuloso e a EDP vende ao consumidor com mais lucro. Descobri que essa energia custa três a seis cêntimos a ser produzida e nós pagamos 17 cêntimos. Descobri que a EDP ultrapassou o máximo razoável de potência eólica instalada e que a exportação rendeu menos do que o custo; e descobri que o sr. primeiro-ministro, outro especialista de renováveis, instalou em S. Bento uma T. Urban, turbina eólica do INETI, que desde novembro de 2007 teria produzido 8 KW por hora, o que daria para alimentar uma lâmpada de poupança. Verdade ou mentira? A discussão é científica e mereceria ser investigada. Para sabermos quem são e o que são a chamada "máfia do vento" (promotores das eólicas, governantes, autarcas que recebem uma comissão) como lhes chama um bloguer com formação na área e que é a favor das eólicas.

Vou argumentar à Durão Barroso (não haverá aeroporto enquanto houver uma criança com fome): enquanto houver um velho que morra de frio no inverno, não deveria haver mestrados em NY nem Sócrates em inglês técnico. Temos de ter hábitos frugais. E cortar no vinho.

(Texto publicado na revista Única de 2 de outubro de 2010. Nota: Imagens e texto negrito colocados por mim)

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domingo, 10 de outubro de 2010

Esse grosseiro produto do PS que nos levou à ruína!...

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«Um Primeiro Ministro»

Fora a gente sem nome que fez do PS um modo de vida, não há ninguém na política ou no jornalismo que se atreva a justificar o primeiro-ministro, José Sócrates. Não me lembro - excepto em ditadura - de nenhum homem público tão profundamente execrado. O desprezo e a hostilidade variam de tom e pretexto, mas Sócrates conseguiu unir Portugal inteiro contra ele. E não só por causa do PECIII, que infalivelmente nos levará à miséria (embora isso também conte). O que o cidadão comum detesta é a pessoa: a pessoa que ele exibe no Parlamento e no país. E que, se ainda não recebeu ordem de despejo, é porque o PSD e o dr. Cavaco não querem agravar a crise com um vácuo de poder na cena doméstica.

Nesta extravagante situação, é curioso relembrar como apareceu (e cresceu) a criatura que nos levou à ruína. Sócrates veio da província com a ambição de fazer carreira. Como educação formal, não foi além de um vaguíssimo diploma de engenheiro, extraído à complacência de uma universidade privada. E, como profissional, não se lhe conhece um currículo respeitável. E, no entanto, "subiu". "Subiu" sob a protecção de António Guterres, que fez dele deputado, secretário de Estado e, depois, ministro (do Ambiente).

Não se percebe o que Guterres viu na criatura. Obediência? Dedicação ao trabalho? Algum jeito para a intriga partidária? Não se sabe. O certo é que Sócrates com certeza o serviu fielmente. E, quando Guterres um belo dia se escapou, Sócrates, que não valia nada, emergiu de repente como um candidato plausível a secretário-geral do PS. Porquê? Por causa da RTP, que o resolveu escolher para um debate semanal com Pedro Santana Lopes. Sócrates "passa" bem na televisão (como é obrigatório num político moderno) e essa presença constante em casa de cada um acabou por o tornar numa espécie de encarnação do PS. O resto correu segundo as normas.

Durante a campanha contra Manuel Alegre e João Soares, peritos de publicidade arranjaram maneira de ele não se comprometer com coisa nenhuma (uma técnica também obrigatória) e de mentir no caso de um aperto (sobre impostos, claro). Sócrates ganhou; e ganhou, a seguir, a maioria absoluta. Na noite da vitória não agradeceu ao país, com que nunca no fundo se importou. Agradeceu ao PS, a que devia tudo. E, assim, Portugal recebeu do céu (na verdade, do Largo do Rato) um primeiro-ministro, obscuro e vácuo, que não lhe merecia, em princípio, a menor confiança. Mas, tendo votado nesse grosseiro produto do PS, agora não se deve queixar.»

(Vasco Pulido Valente, in Público, 03/10/2010)
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puuummm!...  rebentei com este país!

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Momento musical - NABUCCO - Giuseppe Verdi

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sábado, 9 de outubro de 2010

DGCI gasta 220 mil euros a comemorar aniversário!

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As coisas que a gente... nem sabe! - e nem come!... - mas paga!...



O organismo responsável pela cobrança de impostos fez gastos elevados na celebração dos seus 160 anos


Mais de 220 mil euros foi quanto a Direcção-Geral das Contribuições e Impostos (DGCI) gastou nas comemorações dos seus 160 anos. Estas despesas - que datam de Novembro de 2009 - incluem os gastos do jantar pago a todos os directores das Finanças, mas não contemplam as despesas de pernoita de cerca de 900 pessoas que se deslocaram a Lisboa para assistir às comemorações, o que ainda poderá adensar mais o valor.

Confirmados pelo DN estão mais de 220 mil euros, que constam dos contratos no site governamental Base, onde se acumulam despesas públicas avultadas que vão desde jantares a arranjos florais.

Após ter sido ontem divulgado o valor de um jantar da ANACOM no valor de 150 mil euros a propósito do 20.º aniversário, agora são os contratos da DGCI (entidade que cobra os impostos, tutelada pelo Ministério das Finanças) a mostrar que este organismo foi ainda mais dispendioso nas comemorações dos seus 160 anos.

(Notícia do DN ECONOMIA - Ler mais AQUI )

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Entretanto, tudo aqui ao vivo e a cores:



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"La Famiglia" - Os Mamões do Regime

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In Sábado, 07/10/2010 (Duplo clique na imagem para aumentar)

Eis um magnífico trabalho jornalístico que nos proporcionou um retrato da família Xuxa, constituída por gente com carreiras privadas e públicas brilhantes (basta atender à inépcia e incompetência políticas daqueles elementos da família que passaram por funções governativas), mas que sofre com a crise (sic, Almeida Santos) e que se sacrifica ao ponto de se alimentar exclusivamente da bagatela que são os amendoins do Estado (sic, Teixeira dos Santos).

Confrontado com estas obscenidades, só me resta o seguinte desabafo:
-sempre que uma meia dúzia de bandalhos aproveitam o palco mediático para vociferar imbecilidades e para dar expressão a ressentimentos e traumas mal resolvidos relativamente aos funcionários públicos, ignorando que estão a falar do profissionalismo e da dedicação de professores, médicos, enfermeiros, forças de segurança e outros que, com o seu trabalho e dedicação diários, suportam o funcionamento das instituições, asseguram aos portugueses a tranquilizadora ideia de normalidade e ainda financiam a irresponsabilidade dos governantes, deviam atirar-se antes aos Xuxas e à demais parasitária que sorve, de forma indecorosa, os amendoins do Estado, sem que se lhes reconheça qualquer produtividade ou mais valia para o país. Mais valia era que fossem para o mercado criar as suas próprias empresas e fazer pela vida, como acontece com a maioria dos portugueses que não usufruem da condição Xuxa.

(Publicada por Octávio V Gonçalves, AQUI)
 
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Um Governo em Títulos! ou... Os Títulos do Governo!

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Assim... sem mais comentários!...


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Promessas... só promessas!...

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Esta é a primeira página do jornal i de hoje. E eu até acho que dia 29 já é tarde. Deveria ser já hoje, que cada dia que este "coveiro" lá estiver é mais um dia desperdiçado em direcção ao abismo fatal. Como desperdiçados foram todos os dias do seu malfadado governo, desde há mais de 5 anos - os 5 anos marcados pela incompetência e pelo desgoverno, pela irresponsabilidade e pela colagem ao grande capital, pelos inúmeros escândalos e suspeitas de fraudes, de subornos e de favorecimentos, pelas trapaças e pelos malabarismos políticos e financeiros, pela total falta de planeamento económico e financeiro, pelo despesismo fácil e sem controle, pelo brutal aumento do desemprego, pelos super-tachos para os "super-boys"...  - enfim, os 5 anos da maior festança do PS!... 
Será desta que o sr. de Vilar de Maceda cumpre uma promessa? - ao menos uma!...

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Imagine(m) - como isto continua actual !...

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(Mário Crespo - in JN, 2009)


Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.

Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento. Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham «ESTADO» escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.

Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.

Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.

Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.

Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas. Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo.

Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos.
Imaginem que país seremos se não o fizermos...


 O Abismo!...  ele aí está!
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A famigerada Tabela!

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Assim... sem mais comentários!




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Momento de poesia... com muita raiva - «Filho-da-Puta»

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Filho da puta
I

O pequeno filho-da-puta
é sempre
um pequeno filho-da-puta;
mas não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não tenha
a sua própria grandeza,
diz o pequeno filho-da-puta.


No entanto,
filhos-da-puta
que nascem grandes
e filhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o pequeno filho-da-puta.
De resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos palmos,
diz ainda
o pequeno filho-da-puta.


O pequeno filho-da-puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra
em tudo quanto faz e diz
que é mesmo
o pequeno filho-da-puta.


No entanto,
o pequeno filho-da-puta
tem orgulho em ser
o pequeno filho-da-puta.
Todos os grandes filhos-da-puta
são reproduções em
ponto grande
do pequeno filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.


Dentro do pequeno filho-da-puta
estão em ideia
todos os grandes filhos-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.
Tudo o que é mau para o pequeno
é mau
para o grande filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.


O pequeno filho-da-puta
foi concebido
pelo pequeno senhor
à sua imagem
e semelhança,
diz o pequeno filho-da-puta.


É o pequeno filho-da-puta
que dá ao grande
tudo aquilo de que ele precisa
para ser
o grande filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.
De resto,
o pequeno filho-da-puta
vê com bons olhos
o engrandecimento
do grande filho-da-puta:
o pequeno filho-da-puta
o pequeno senhor
Sujeito Serviçal
Simples Sobejo
ou seja,
o pequeno filho-da-puta.


II

O grande filho-da-puta
também em certos casos
começa por ser
um pequeno filho-da-puta,
e não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não possa vir a ser
um grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.


No entanto,
há filhos-da-puta
que já nascem grandes
e filhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o grande filho-da-puta.
De resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos palmos,
diz ainda
o grande filho-da-puta.


O grande filho-da-puta
tem uma grande
visão das coisas
e mostra
em tudo quanto faz e diz
que é mesmo
o grande filho-da-puta.
Por isso
o grande filho-da-puta
tem orgulho em ser
o grande filho-da-puta.


Todos os pequenos filhos-da-puta
são reproduções
em ponto pequeno
do grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.
Dentro do grande filho-da-puta
estão em ideia
todos os pequenos filhos-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.


Tudo o que é bom para o grande
não pode deixar de ser
igualmente bom
para os pequenos filhos-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.
O grande filho-da-puta
foi concebido
pelo grande senhor
à sua imagem e
semelhança,
diz o grande filho-da-puta.


É o grande filho-da-puta
que dá ao pequeno
tudo aquilo de que ele precisa
para ser
o pequeno filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.
De resto,
o grande filho-da-puta
vê com bons olhos
a multiplicação
do pequeno filho-da-puta:
o grande filho-da-puta
o grande senhor
Santo e Senha
Símbolo Supremo
ou seja,
o grande filho-da-puta.

(Alberto Pimenta)



Já se prepara o terreno para um novo PEC... o PEC IV, que antecede o PEC V...

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Incompetência ou simplesmente má-fé?



Ao princípio, a crise não ia afectar Portugal. Passados uns meses, iria afectar menos do que aos outros países. Depois, que iríamos ser o primeiro país a sair da crise. O discurso de José Sócrates foi mudando, mas o objectivo era sempre o mesmo: -criar uma aparência de sucesso mascarado de optimismo, para ganhar as eleições legislativas de 2009 contra aquela senhora que insistia em falar em verdade e dizia que não havia dinheiro. Sim, aquela que alguns diziam que não sabia falar nem sorrir, lembram-se? Tudo isto com o apoio da comunicação social amiga (DN, JN, TSF, LUSA, RTP, RTPN, entre outros), sempre disposta a suportar o socratismo e a sua propaganda.
Recordo que, em Julho de 2008, quando a crise já tinha rebentado em força por todo o lado e vários países tomavam medidas de auteridade, em Portugal se aumentavam os funcionários públicos em 3,5%. E se aprovava um orçamento de ficção, mais tarde rectificado várias vezes para tapar os buracos que, desde o princípio, todos conheciam. E avançou-se, por teimosia e irresponsabilidade, com grandes obras públicas, como o TGV ou as novas concessões rodoviárias, que vamos andar a pagar durante décadas. Mas era preciso ganhar as eleições e, para isso, a verdade não servia. Era preciso mentir. E mentir. E voltar a mentir.
Entretanto o mundo mudou em poucas semanas. Mudou antes do PEC1. Voltou a mudar antes do PEC2. E mudou outra vez ontem(*), para justificar um novo aumento de impostos e medidas tão duras, quanto tardias e desesperadas. Medidas que deveriam ter sido tomadas logo no início da crise, antes das legislativas de 2009. Por tudo isto, a dúvida para mim está esclarecida: -este Governo não é apenas incompetente, é mentiroso e actuou de má-fé desde o princípio.

(*) - PEC III em 29/09/2010
(Publicada por Paulo Marcelo em 30 de Setembro de 2010 AQUI)

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

(Des)concerto desafinado - O estado actual da República!

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Aquela "senhora" que em 1910 apareceu por aqui de seios deslumbrantes e desnudados... envelheceu.  Quase sem voz e completamente desafinada, o corpo mirrou, a pele secou e enrugou, as pernas arquearam e os seios... ó maldição dos infernos!  viraram dois desajeitados sacos de pele onde não é mais possível reconhecer a beleza de outrora!  Apenas aqueles que neles chucharam (e são imensos...) durante as últimas décadas, continuam a tecer-lhe elogios, agarrados que estão que nem lapas e teimosamente tentando extrair deles os últimos "pingos de leite". E ali hão-de permanecer até que a desgraçada "senhora" definhe por completo, reduzida apenas a pele e osso. Depois... bem, depois, e como sempre acontece, só então aqueles isecráveis e nauseabundos "mamões" a deixarão, já moribunda e fétida, desertando finalmente para qualquer outro paraíso onde possam viver o resto das suas nefandas vidas, regaladamente curtindo todo aquele "leitinho" que aqui mamaram até à última gota e deixando o resto do povo a morrer à fome e à míngua!
Para já... fiquemos com a sua voz!


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No rescaldo do Centenário da República V

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Os 100 anos da República - Onde está a mudança?


Decorria o ano de 1896, catorze anos antes da Implantação da República, que Guerra Junqueiro escreveu o livro “Pátria”, uma das suas obras mais polémicas e que é um ataque à dinastia de Bragança, na figura de D. Carlos:

«O estado é o rei. Cidadão há um único: D. Carlos. Os deveres são nossos, os direitos, dele. (...) A justiça é um relógio que ele atrasa, adianta ou faz parar, segundo lhe dá na vontade. Decreta a lei e nomeia o juiz. O parlamento é o seu capricho.»

«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.»

«Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.»

«Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; (...) A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.»

«Liberdade absoluta, neutralizada por uma desigualdade revoltante, o direito garantido virtualmente na lei, posto, de facto, à mercê dum compadrio de batoteiros, sendo vedado, ainda aos mais orgulhosos e mais fortes, abrir caminho nesta porcaria, sem recorrer à influência tirânica e degradante de qualquer dos bandos partidários;»

Tudo isto escreveu Guerra Junqueiro um século atrás... no apodrecer da Monarquia e no dealbar de uma República em que todos depositavam as maiores e as melhores esperanças.  Haveria de ser por este estado de coisas que, catorze anos mais tarde, se haveria de implantar a República, tal era o descontentamento geral do povo e dos políticos, dos intelectuais e dos militares.

E... tal estado de coisas nunca se alterou com a implantação da República! Antes se agravou até ao que dele conhecemos hoje.  Hoje, tal como há um século atrás, nada se alterou, nem o povo nem os políticos. Principalmente estes!

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No rescaldo do Centenário da República IV

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Comemorar?!... O quê?


A República celebra o seu centenário. Ontem como hoje, as comemorações ficam-se pela capital, e o resto da pátria continua alheia. O mesmo sucedeu há 100 anos. De facto, a República não se impôs, instalou-se, depois de ter decapitado, com sangue, o regime. A morte de D. Carlos e do Príncipe da Beira, D. Luís Filipe, foram o argumento fáctico para o estertor de 750 anos de Monarquia. Com o decesso do Rei, fenecia o mínimo denominador comum da política oitocentista nacional. Por isso, e por mera coerência, o republicanismo militante deveria assinalar o 01 de Fevereiro de 1908 e não o 5 de Outubro. A Carbonária e o jacobinismo, foram os frios e implacáveis executores de um plano que desembocou na proclamação de José Relvas nos Paços do Concelho de Lisboa.

Instalado o novo regime, iniciaram-se as perseguições aos opositores e as incursões anticlericais, que só cessariam com Sidónio Pais. Quanto à nova esperança, que para alguns trouxe, esfumou-se numa constante sucessão de Governos (45 em 16 anos) e 7 Presidentes da República. As cisões no campo Republicano eram constantes até que culminaram na morte daquele que alguém já chamou de parteira da República, Machado dos Santos. De facto, volvidos 11 anos, os revoltosos eram mortos pelos seus pares na designada “Noite Sangrenta”. Pouco mais duraria a aventura jacobina. Em 1926 o regime soçobraria ante a ascensão de um brilhante estudante de Coimbra, que, dizem, era muito certo em contas. Tão certo que durante 48 anos Portugal mergulhou num regime de cariz autoritário.

A República jovem, laica e progressista que abominava o Liberalismo de uma Monarquia dita serôdia e revelha, caía de podre, com as Finanças colapsadas, e uma insustentável instabilidade política e social.

Ora, compulsando estes 100 anos, constata-se que cerca de metade corresponde a um outro novo Estado, que a República renega; 16 anos de um regime falhado e 36 de uma Democracia que se vê agora a braços com uma crise de carácter estrutural onde, diariamente, se aventa a sua sustentabilidade. Fala-se de definhamento, de deficit, da decadência do regime, do afastamento do sistema político pelos cidadãos, cassandras auguram o fim da Nação…!

Ante tal cenário, cabe perguntar se haverá algo a celebrar ou, pelo contrário, a equacionar? Ao que parece a História e o passado recente demonstram, amplamente, que a forma Republicana de Governo não se conjuga bem com Portugal.

(Escrito por Daniel Brás Marques em 6-10-2010, AQUI)

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No rescaldo do Centenário da República III

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República Abandonada!



Dez milhões de euros foram gastos nas comemorações do Centenário da República. O resultado está triste e desoladamente à vista. A adesão popular foi nula. O povo tem outras prioridades: - leite, pão, renda da casa, luz, água, gás, prestação do carro, do televisor e do frigorífico. Tem as filas do Instituto do Emprego para perder horas em pé. Tem os tribunais onde aguarda pelo resultado das suas queixas contra as penhoras injustas. Tem os transportes públicos onde aguarda horas pela sua chegada e onde fica sem as suas malas e carteiras. Tem os bancos de urgência dos hospitais e centros de saúde onde aguarda horas por uma consulta.

O povo português demonstrou que está farto, farto de promessas, farto de sofrer, farto de sacrifícios em vão, farto de apertar o cinto para nada de bom acontecer em benefício das gerações vindouras, farto de impostos, farto de desemprego, farto de coimas injustas, enfim, farto desta escumalha política que tem desbaratado o dinheiro público em festanças semelhantes à nulidade que se verificou nesta comemoração do Centenário da República.

Os políticos deste Portugal, em face de toda a apatia e ausência popular dos festejos republicanos, apenas têm de extrair uma conclusão: que o povo está descontente, muito descontente, perigosamente descontente com todos aqueles que o têm enganado ao longo de anos.

(Por João Eduardo Severino em 5.10.2010, AQUI)

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No rescaldo do Centenário da República II

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No rescaldo do Centenário da República I

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Os implantes da República!



Mais do que a implantação da república, fascinam-me os implantes da república. E, numa época em que as senhoras não mostravam o tornozelo, imagino o efeito populista que a república semi-nua teria na turba.
As ilustrações que circulavam tinham o mesmo efeito que a revista Gina no liceu. Bem podiam as forças da coroa clamar por Deus, a Pátria e a Família. Compreendo o entusiasmo da populaça. Cem anos depois sabemos que era publicidade enganosa.

(Publicado por Rodrigo Moita de Deus, AQUI)

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