sábado, 2 de outubro de 2010

That's What Friends Are For

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Dias Loureiro – eis uma personagem que desapareceu da vida política e do fogo da artilharia da comunicação social quase num estalar de dedos ou num simples piscar de olhos. Depois daquele mega-rombo de mais de 4.000 milhões de euros no BPN, andará ele cheio de vergonha a esconder a cara dos seus amigos íntimos ou dos clientes do BPN? Andará ele a tentar encontrar formas de devolver toda aquela imensa fortuna ao Estado, isto é, a todos nós? Andará ele cheio de medo a tentar desencontrar-se da polícia e dos tribunais, receoso de que algo de desagradável lhe possa vir a acontecer?...

Nada disso!...  Dias Loureiro dorme descansado o sono tranquilo dos homens justos e sérios! De consciência tranquila, ele encontra-se muito bem localizado e muito bem apoiado pelos seus grandes amigos-do-peito! E muito bem recostado, bem à vista de toda a gente numa ilha paradisíaca do Atlântico – a Ilha do Sal – gozando das delícias de uma bem merecida reforma "antecipada" no melhor Resort Turístico de Cabo-Verde, curiosamente de sua propriedade!

Quanto a mim, dá-me para meditar... quanto não vale ter bons amigos nesta vidinha!... Os amigos certos nos lugares certos!...




(Inspirado por aqui)
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O inimputável político...

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- Novembro de 2009:




- Seis meses depois...  Maio de 2010:




- Quatro meses depois...  Setembro de 2010:



Até quando?...  Até QUANDO?...

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O orgulho de ser português! ou... o palhaço poliglota!...

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É um verdadeiro orgulho que a todos nós, portugueses, deve encher o ego, quando um país pequeno como Portugal atinge os mais elevados padrões de qualidade, responsabilidade e de respeitabilidade no seio da comunidade dos outros países. Quando um pequeno país como Portugal é capaz de produzir um Primeiro Ministro que é o maior orgulho da nação e o exemplo máximo da inteligência e da versatilidade lusitanas, todos nós, portugueses, bem poderemos agradecer aos deuses esta abençoada dádiva de uma tão grande e ilustre figura que tão alto nos eleva, como povo, aos píncaros das mais altas esferas político-culturais da Europa. Do mundo, até!...
Tão elevada é a craveira cultural deste ilustre compatriota que nos governa desde há cinco longos anos, tão reconhecidos são, internacionalmente, a sua inteligência, a sua cultura e o seu sentido de estado que, não duvido, ele terá já assegurado um lugar de destaque nas cadeiras douradas do Olimpo Europeu, como merecido reconhecimento devido por toda a camarilha de palhaços, seus congéneres de toda esta Europa civilizada.


- O poliglota I...





- O poliglota II...





- O reconhecimento internacional!...




Também aqui e aqui há quem sofra deste mesmo tremendo "orgulho" de ser português! Ainda bem... gosto de me sentir acompanhado!

(Especiais agradecimentos a estes rapazes pelas sarrafadas com legendas, num pequeno exercício sobre a forma e o conteúdo cultural de tão célebre quanto patética figura nacional!)



terça-feira, 28 de setembro de 2010

Momentos de Poesia

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Não é fácil amar-te, não é fácil
colar à minha a tua pele.
Mas, por mais que faça,
não sei fugir à força que me impele
a confundir no meu o teu abraço.

Nós viemos de longe, muito longe,
escapados de nós mesmos, foragidos,
em busca do lugar donde
nos apelavam os sentidos.

Mas tão depressa nos perdemos, tão depressa
a memória das coisas nos fugiu
que, rápida, a estranheza
do tempo nos tomou, como se um rio,
em passando por nós, nos esquecera.

Não é fácil amar-te, não é fácil
possuir-se a ausência de si mesmo.
Mais difícil, porém, é sempre o espaço
a vencer de regresso ao que esquecemos.

(Torcato da Luz)

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Uma lavagem para os olhos... para recuperar do enjôo!

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E depois do "post" anterior, nada melhor que  esta  "lavagem-para-os-olhos" para recuperar do seu efeito diarreico. Estética e musicalmente bem mais agradável, cumpre na íntegra a função de neutralização dos efeitos enjoativos daquele isabelino discurso!



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Estavas mesmo a pedi-las... Isabelinha!

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Pois é, minha querida Isabelinha... puseste-te a jeito, levaste! E logo de um puto de 10 anos! Mas também, não lembraria ao diabo fazer um discurso destes, não é?  Ainda por cima, alegadamente falando para pais, professores e alunos... mas onde raio falaste tu para os pais e professores? - será que cortaram a segunda parte desta parvoeira (!), ou será que incluíste todos no mesmo "pacote" de recomendações?  Como?...  falaste mesmo para todos?!...  - é o que eu digo, levantaste a saia e levaste na cueca! Merecidamente!!!




Ora agora vê só como um puto de 10 anos te apanhou!  Inteirinha!  Com tiques e tudo!  Cá para mim... quem vai escrever o próximo livrinho "Uma Aventura... na Televisão" será este puto! Quiçá, o próximo Ministro da Educação...



Ahhhhhhh... mas afinal, a Isabelinha sempre falou para os pais e professores!...  Mas foi só depois da meia-noite e com "bolinha vermelha"... 



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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Até vaporizar os pneus... literalmente!

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Desta feita, Ken Block usa um pequeno Ford Fiesta de apenas...  650 HP de potência. Nesta última gincana, Ken conduz este bólide na pista de um aeroporto abandonado e numa antiga pista de automóveis com inclinações de 51º.  Mais uma demonstração da extraordinária capacidade deste piloto que, neste fantástico bailado, deixou o carro literalmente sem pneus!



quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sorria... está a ser observada(o)!... ou, o côncavo e o convexo...

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Pois... até agora só conhecíamos a provocação delas...




Mas, como nisto tem dois lados... faltava a resposta deles...




Agora está completo!...


Uma brincadeira - muito séria(!) - por sugestão da Sissi...

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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Agora que saíu o Acórdão da Casa Pia... já se conhecem os pormenores!


Eis aqui as provas, em gravação video, dos pormenores de um rapto e violação. Até os cães sabem fazer as coisas...  pela calada e fora das vistas!



Eis como a natureza produziu, ao longo de dezenas de milhões de anos, as espécies que hoje povoam o planeta.  Nesta casota, por exemplo, acabou de dar-se início a uma nova espécie "mamovípara" - o "GALICÃO"!...

Quanto aos outros... os do Acórdão, são uma espécie sub-humana muito especial, um sub-grupo difuso e mal conhecido que faz parte de uma raça nascida nas catacumbas das sarjetas desde os alvores dos tempos, e que se supõe serem o resultado de cruzamentos entre humanóides e hermafroditas - como minhocas, lesmas e alguns répteis repelentes.
Têm ainda o estranho hábito genético camaleónico de se misturarem com os humanos normais e saudáveis, sendo muito comum encontrá-los bem colocados em tudo o que são altos cargos do poder e de chefia, não raras vezes dando origem a fortes e poderosos grupos que chegam a ameaçar a estabilidade das sociedades onde tão camufladamente se inserem. 

terça-feira, 31 de agosto de 2010

E porque ainda é Agosto... um divertimento de férias!

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Dorgas, o cachorro, vai ler a sua mente! Não acredita? - ora experimente... depois diga se leu ou não ! Já agora, tente descobrir porquê...




E esta agora, heim?!...
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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Conversas privadas… segredos escondidos!

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"Sou um rapaz bem formado, mentalmente estável, mas ando sempre a falar com o meu pénis. Se estou sozinho falo-lhe dos meus problemas, e antes de ter relações tenho sempre uma conversa com ele. Sei que parece de doidos, mas por alguma razão faz-me sentir bem comigo mesmo. Terei algum problema?"

Sim! É claro que você tem um problema! Mas sejamos realistas, quem não os tem?

Inúmeros homens e mulheres falam com os seus ursinhos de peluche, com a sua imagem reflectida no espelho, ou até com amigos ou familiares falecidos. Desde que não comece a falar com o seu pénis em público, para quê preocupar-se? Pense nele como a versão adulta de um amigo imaginário que toda a gente, nalguma altura da vida, já teve! E é óptimo que tenham uma boa relação, e pode até ser que encontre uma parceira que também queira entrar na conversa!

Agora… prometa-me que procura ajuda caso algum dia o seu pénis lhe responda, tá?!...


(Originalmente postado aqui)

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

"El Caminito d'El Rey" - uma enorme injecção de adrenalina!




El Caminito del Rey” é uma passagem fixada ao longo das paredes íngremes dos desfiladeiros de Chorro e Gaitanejo, a norte de Málaga, em Espanha, e actualmente fora de uso.
A construção, iniciada em 1901 e concluída em 1905, foi feita enquanto era construída uma hidroelétrica no rio Guadalhorce. Os trabalhadores necessitavam de uma passagem que atravessasse os desfiladeiros para o transporte de materiais, vigilância e manutenção do canal.
Em 1921 o rei Afonso XIII teve que percorrer o ‘Caminito’ para a inauguração da Represa Conde del Guadalhorce. Desde então, a rota passou a ser conhecida pelo seu nome atual.

Entretanto, o abandono e a falta de manutenção durante várias décadas, fez com que a estrutura se deteriorasse bastante. Algumas partes da passarela de cimento desabaram completamente, e tudo o que resta é a viga de aço no lugar onde originalmente se fixava.
Com um metro de largura e serpenteando a mais de 100 metros acima do rio, já não existe corrimão em quase todo o caminho. Por esse motivo, “El Caminito del Rey” é o local favorito dos muitos turistas que procuram adrenalina.
Apesar de perigoso, o acesso ao 'Camino' é permitido. Após a morte de quatro turistas em dois acidentes ocorridos em 1999 e 2000, o governo local fechou as entradas. No entanto, os aventureiros continuam a encontrar meios de entrar no local.

Há voluntários por aqui?


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Os forcados... e a pega ao manso!

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Possante e poderoso, durante toda a lide na arena aquele manso cruzou a sua pequena praça em todas as direcções. Como todo o manso, assustava pela corpulência mas nunca investia de frente. Quando instado à luta olhava de lado, recuava e escondia-se junto às tábuas, como que buscando alguma espécie de protecção. Como todo o manso, esfregava os cascos na arena, resfolegando e simulando uma valentia que lhe não vinha de dentro. Durante toda a lide, a praça ululava de gente reclamando daquele manso para que fizesse alguma coisa, que investisse contra os bandarilheiros. Mas nada! Aquele manso nada fez durante toda a lide. Parecia até ter medo dos bandarilheiros, quiçá mesmo, feito com eles. E aquela faena tornou-se chata e aborrecida para os espectadores aficionados. E os bandarilheiros, desgastados mas aliviados, abandonaram a praça. Contentes, apesar de tudo. Porque passaram incólumes às aparentes arremetidas daquele manso.

Agora, finalmente, chegaram os forcados à praça. Dispostos a enfrentar aquele manso e todas as suas artimanhas. De frente e com valentia, como é tradição dos forcados. A aproximação é feita com cuidado, mas com toda a determinação. Como todo o manso, ele terá tendência a desferir golpes violentos e traiçoeiros nos pegadores.

Espero e desejo que a lide saia bem a este grupo de forcados. Que eles peguem o manso de qualquer maneira (ainda que tenha de ser de cernelha) e o mandem para os quintos do curro, acompanhado das chocas que o rodeiam!
 
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Duas vozes, duas sonoridades, o mesmo talento!

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Uma é brasileira - Maria Bethânia - a outra é portuguesa - Maria João - duas extraordinárias sonoridades na mesma língua, o mesmo enorme talento musical. Para ouvir, de preferência com o som bem alto!





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sexta-feira, 30 de julho de 2010

A Linha do Tua - um acto criminoso no Património Nacional




Rivalizando com o vale do Rio Douro do qual é afluente, o vale do Rio Tua apresenta uma beleza de características únicas e esplendorosas, só equiparáveis a algumas zonas dos Alpes suíços e austríacos. O pequeno rio que corre, lá no fundo agreste e empedrado, caudaloso no inverno feito regato no verão, as encostas abruptas e alcantiladas em maciço e duro granito das empedernidas terras de Trás-os-Montes, a vegetação rasteira e de pequeno porte que permite observar, quase em êxtase, toda esta magestosa paisagem onde o tempo parece ter parado, tal é a beleza do cenário natural por onde, a meia encosta, serpenteia uma das mais belas relíquias nacionais - a Linha do Tua.
E é isto, tudo isto que é 'nosso' por direito, que um bando de criminosos se prapara para destruir, despejando milhões de toneladas de cimento e enclausurando, para todo o sempre transformada em lago de águas paradas, toda esta maravilhosa obra que a natureza levou centenas de milhões de anos a esculpir.

É a propósito deste inqualificável acto de pirataria patrimonial e paisagistica que, hoje, no Aventar, Ricardo Santos Pinto escreve um artigo que aqui reproduzo e que intitula:
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"Em defesa da Linha do Tua contra um Primeiro Ministro ignorante e iletrado"

"O facto de sermos governados por um ignorante e iletrado, de quem nada se espera em termos de defesa do património natural e edificado do nosso país, não dá a ninguém o direito de cruzar os braços perante o atentado criminoso que se prepara para o Vale do Tua e a sua inacreditável linha ferroviária.

Para quem não sabe, a Linha do Tua foi equiparada, pelos mais reputados engenheiros, em termos de dificuldade, às Linhas ferroviárias dos Alpes Franceses ou Suíços. Pela sua beleza e rigor técnico, merecia ser classificada como Património Nacional ou, mesmo, Património Mundial da Humanidade.



Ao invés, querem destruí-la. Para dar lugar a uma Barragem, que representará menos de 4% da produção de energia existente de norte a sul. Uma Barragem! Um monte de betão, tão do agrado dos novos engenheiros de Portugal. Os engenheirozecos que hoje mandam no país, os mesmos que fazem licenciaturas manhosas e que fazem projectos de sarjeta!

Pensarão os mais pessimistas que não adianta lutar. Nada se pode contra o betão! Nada se pode, no fim de contas, contra o dinheiro! Pois se Portugal é líder nas energias alternativas e continuamos a pagar a electricidade cada vez mais cara…
Concedo que é difícil. Lutar contra o betão e o dinheiro é difícil, mas lutar contra a ignorância é ainda mais. Mas não é impossível. Temos as gravuras de Foz Côa como exemplo, apesar de continuarem à espera de uma verdadeira política de exploração cultural e turística.

Infelizmente, quando perguntados, os senhores do poder dirão que se trata de progresso. De desenvolvimento.  Como é óbvio, os senhores do poder não sabem, porque não querem saber e porque são ignorantes e iletrados, que em 1886 a Linha do Tua já chegava até Mirandela e que em 1906 chegou a Bragança.
100 anos depois, a ligação a Bragança já não existe. Há muito que já não existe! 120 anos depois, querem acabar com a ligação a Mirandela, a última ligação ferroviária do Nordeste Transmontano!
O progresso é isto? O desenvolvimento é isto? Acabar com o meio de transporte mais limpo, mais eficiente e menos poluente do mundo é progresso? É desenvolvimento? Abandonar a via tradicional para fazer absurdos TGV’s num país minúsculo, o que é?

Para o fim, o mais importante: as pessoas. Algo que, olhando para a realidade sócio-política do nosso país, não será grande argumento. São poucos aqueles que vivem em Trás-os-Montes, por conseguinte são poucos aqueles que votam. Acabar com a única ligação ferroviária em toda a região não representará mais do que meia dúzia de milhares de votos, tantos quantos são aqueles que utilizam anualmente a Linha. Milhares de pessoas, todos os anos, em aldeias isoladas, sem forma de chegar a Mirandela ou à Régua?  É o progresso! É o desenvolvimento!

Infelizmente, como já se percebeu, não vale a pena contar com o bom senso dos novos engenheiros que governam Portugal. Já sabemos que José Sócrates, o pequeno democrata de Vilar de Maçada, nunca recua. Para essa gente, o património vale muito pouco.
Infelizmente, também não podemos recorrer sequer a Belém, onde vive uma Múmia Petrificada que, à espera do segundo mandato, sorri até mais não poder, calculista até à vergonha. O mesmo que, enquanto Primeiro-Ministro, começou a destruição da via férrea.

Resta-nos, pois, lutar. Sozinhos. Com a força da razão. Em defesa de um vale único que vai desaparecer. Em defesa de uma linha irrepetível, considerada a terceira mais bela do mundo das vias estreitas. Em defesa de Portugal. Em defesa das suas gentes que dependem do comboio."




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domingo, 25 de julho de 2010

A Pilita Alentejana...




Rija, enquanto durou...
Agora q'amolengou
e antes q'a morda a cobra,
Vou atá-la c'uma corda
Pra ela nã me fugiri.

Preciso da sacudiri,
Leva tempo pá'cordari...
Já nem se sabe esticari.

Más lenta q'um caracoli,
Enrola-se-me no lençoli...
Ninguém a tira dali.

Já só dá em preguiçari,
Nada a faz alevantari.
E já nã dá com o monti,
Nem água bebe na fonti.

Que bich'é que lhe mordeu?
Parece defunta, morreu.

Deu-lhe p'ra enjoari,
Nem lh'apetece cheirari.
Jovem, metia inveja,
Com más gás q'uma cerveja,
Sempre pronta p'ra brincari.

Cu diga a minha Maria,
Era de nôte e de dia.

Até as mulheres da vila
Marcavam lugar na fila,
P'ra ê lha poder mostrari !
Uma moura a trabalhari,
Motivo do mê orgulho.

Fazia cá um barulho !
Entrava pelos quintais,
Inté espantava os animais.

Eram duas, três e quatro,
Da cozinha até ao quarto
E até debaixo da cama.

Esta bicha tinha fama !
Punha tudo em alvoroço,
Desde o mê tempo de moço.

A idade nã perdoa,
Acabô-se a vida boa !
Depois de tanto caçari,
Já merece descansari.

Contava já mê avô:
"Niuma rata lhe escapou !"
É o sangui das gerações.
Mas nada de confusões,

Pois esta estória aqui escrita,
É da minha gata, a Pilita !

(popular alentejano)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ainda e sempre... a Justiça que temos por cá!




 A propósito do recente acordão do tribunal sobre o autarca Isaltino de Morais«só não continuará a fazer o mesmo se não puder» - teceu o “josé” no seu blogue “porta da loja” algumas considerações que são justas preocupações de todos nós.
De entre os comentadores deste “post”, um há – JRF - que ressalta pela interessante caricatura que faz do estado da nossa justiça e do papel actual dos nossos juízes. Dada a relevância e actualidade do comentário, permito-me trazê-lo aqui, dando-lhe assim a visibilidade que, julgo, ele merece, ao invés de ficar para sempre escondido numa caixa de comentários.

Escreve ele assim:
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(...)
"Eu arranjo um emprego no Estado que consiste em limpar a merda que corre na Ribeira dos Milagres. E o Estado, para isso, dá-me um uniforme (...de pano preto até aos pés), uma colher de chá e um baldinho de praia. E passa um tipo e pergunta:
— Então homem que anda a fazer?
— Ando a limpar esta merda, não vê?
E o mirone afasta-se à gargalhada. Vem outro:
— Qual é o seu papel, camarada?
— Comigo, a merda está condenada!
Faz um gesto a indicar que devo ser maluco, goza, ri-se e vai-se embora. Nos jornais, dizem que a culpa é minha porque a Ribeira dos Milagres está cada vez mais nauseabunda. E assim sucessivamente. Um país inteiro a rir-se de mim e de outros como eu.

Das duas uma: - ou eu começava a lutar para resolver o problema ao nível das pocilgas ou exigia ferramentas adequadas ou mudava de emprego. E era o amor-próprio mínimo que me compelia a tal, não era nenhum orgulho exacerbado. E é isso que não entendo.
Isto aguenta-se porquê? Porque, no fundo, os juízes não têm realmente que sujar as mãos e o salário é jeitoso. Aplicam a lei o melhor que sabem, vão condenando uns pilha galinhas com grande autoridade e basta. Não é culpa deles e a mais não são obrigados, apesar dos resultados e da risota geral.
Anda tudo ao contrário. Queriam um país próspero e moderno, saiu isto. Acontece muito, mas não se diga que são só os políticos. Só um abalo violento vai mudar isto". – JRF

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E aí está, como em tão pouco espaço, tão curto texto e algum humor se pode descrever o estado actual da nossa justiça! Na verdade, é isto mesmo que se passa. Importa perguntar como e porquê se chegou a este ponto? Como e porquê deixaram descer tão baixo o papel superior de fazer justiça... a justiça de verdade, aquela de “olhos mesmo vendados”?...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

E a propósito de mulheres... só mais esta!




"O que eu soube sempre sobre as mulheres, mas tive à mesma que perguntar."

Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente, mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mães até que os filhos fazem 10 anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São corajosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse acto de bondade tornam-se mesmo inocentes. Nunca perdem a capacidade de se deslumbrarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Compreendem tudo. Sabem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem o passageiro e que o amor é um bom fio condutor. Não são de confiança, mas até a mais infiel das mulheres é mais leal que o mais fiel dos homens. São tramadas. Comem-nos as papas na cabeça, mas depois levam-nos a colher à boca. A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jantarada de amigos - elas quando jogam é para ganhar. E é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. Acreditam no Amor com A grande mas, para nossa sorte, contentam-se com pouco.

Crónica de Rui Zinkin O Metro de 8/03/2010.  Também reproduzida aqui e aqui.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010

“Poesia do Amor... em cama quente”





Por sobre aquela cama em fogo de cetim já revolto
no chão as roupas rasgadas num ímpeto desmedido
estavas ali já prenhe de volúpia
suspirando louca
e o teu corpo queimando
 de nudez envolto
os teus lábios tremendo num frémito de desejo
o ventre soluçando
ondulando
convulso e incontido
e os seios
pudins de luxúria bêbados de minha boca
os teus braços em mim amarrados
emaranhados
e nos meus cabelos soltos
revoltos
transpirados
as tuas mãos perdidas
incontidas
desvairadas
feriam-me a pele com as unhas bem cravadas
e tu chorando e gemendo de prazer
gritando
aqueles teus gritos abafados
amordaçados
clamando pela justiça que só no amor é permitida
e as minhas mãos
qual ferro em brasa passeando
pelas colinas e vales
e pela cachoeira húmida escondida...
senti-te enfim
a escrava ansiosa dos meus desejos
e qual vulcão
esventrando e possuindo a terra quente
ia o meu corpo já no teu em frenético vaivém
torturando a carne e possuindo a tua alma demente
numa orgia de loucuras de salivas e de beijos
Naquele amplexo ardente
envolvente
dormente
até ao êxtase final e à perda dos sentidos

e voámos...

voámos...

e pelos céus vagueámos
alheados e escondidos
nas ondas daquele mar imenso da irrealidade
durante um tempo perdido
não medido nem contado
e nesse teu corpo belo pleno de obscenidade
já de lânguidos suores
e de intensos odores banhado
em praia tornado de areia mole fértil e quente
as ondas daquele mar rebentaram finalmente
em branca e viva espuma quente
qual torrente
gerando em ti uma flor... feita poesia do amor!

 

domingo, 11 de julho de 2010

Era uma vez uma estrada linda de morrer...


A propósito de um artigo publicado no Albergue Espanhol, contando a história interessante e complicada da N107, achei por bem trazer aqui também a história da N16, entre Albergaria e Vilar Formoso.


Troço da N16 em Sever do Vouga (paralelo ao rio Vouga, à esquerda)

Era uma vez a N16... uma estrada linda de morrer, turística em toda a sua extensão, mas com dezenas de milhares de curvas e contra-curvas, atravessando várias dezenas de localidades e com uma largura insuficiente para nela se cruzarem dois pesados...
Vai daí, foi construída no início dos anos 90 uma IP - a conhecida e celebérrima IP5 - que veio permitir, qual artéria sanguínea que irriga o corpo, o desenvolvimento de todas as regiões que servia, além de passar a ser a principal entrada em Portugal de todo o tipo de tráfego rodoviário vindo de Espanha, pondo em contacto directo e rápido todo o litoral centro (Aveiro) com o resto da Europa.

Troço da antiga IP5, próximo de Celorico de Basto

Mas tinha um defeito esta IP5... tinha vários pontos críticos que, por erro dos projectistas, depressa começaram a ceifar vidas em acidentes. Resultado, limitaram-lhe as velocidades, pintaram-lhe mais traços contínuos do que o somatório de todas as vias existentes no país, colocaram-lhe pilaretes e barreiras de cimento e até lhe inventaram uma aberracção - a Tolerância Zero - coisa desconhecida em todo o mundo... e a IP5 tornou-se mais segura, mas, simultaneamente, mais inoperacional, muito pouco funcional. Circular nela era desesperante e quase proibitivo, tantas eram as limitações à circulação, tantas as patrulhas da GNR e tantos os radares, que o trânsito passou, não a fluir mas a arrastar-se lenta e penosamente!

Troço da IP5/A25 na zona de Viseu

Vieram então uns senhores engravatados que decidiram construir uma outra IP5 - chamemos-lhe IP5(b) - perfeitamente paralela à existente em mais de 95% do seu traçado, e todos os acidentes e constrangimentos ficaram solucionados! E passaram a chamar-lhe, pomposamente, A25...  E pronto, tudo está bem quando acaba bem!

Então não é que agora vêm uns outros senhores engravatados, armados em chico-espertos, a quererem impor o pagamento de portagens nesta IP5 + IP5(b) ?...  E mais, vêm dizer-nos que a N16 é alternativa à A25 ?...  Pois se foi já nos anos 70 a N16 considerada obsoleta, e daí se ter passado para a construção da IP5 nos anos 80/90!...  Onde está agora a nossa IP5 ?...

A instalação e montagem dos pórticos de portagem...

Com que justificação? Com que moralidade? Em nome de que autoridade se subtrai assim uma estrada que pertencia a todos nós?  Onde está então a IP5 que existia e serviu as populações e o tráfego internacional durante 20 ANOS, nos seus quase 200 quilómetros de extensão? E onde NUNCA SE PAGOU para nela circular!...

Se estes senhores engravatados, armados em chico-espertos, queriam construir uma auto-estrada e portajá-la, então que a tivessem feito como alternativa à IP5, como é costume em todos os países da Europa, a começar pela Espanha aqui ao lado.

Construíam a merda da auto-estrada, chamavam-lhe A25 ou outra merda qualquer, colocavam-lhe portagens, e deixavam ficar a IP5 como estava!... Esta estrada já pertencia a todos nós desde há 20 longos anos!

Que raio de vigarice é esta, heim?!...

Querem tomar-nos por parvos?!... 

quinta-feira, 8 de julho de 2010

E depois desta aula, só me apetece dizer...



Cresce leve, levemente,
Como planta no jardim.
Terá osso, terá dente?
Dente não tem, certamente,
E o osso não dobra assim!

É talvez uma mania,
Mas há pouco, há poucochinho,
Eu jurava que não via,
No sítio onde ora crescia,
Tamanho pau redondinho...

Quem cresce assim, levemente,
Com tão estranha rigideza,
Que mal se ouve e bem se sente?
Não é osso nem tem dente,
É milagre, concerteza!

Fui ver. Aquilo pendia
Do cimo das pernas ao léu,
Branca e mole, e endurecia...
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a assim e, tem graça,
Já pôs tudo em desalinho.
Passo a mão e, quando passa,
Treme todo, cheio de graça,
E aumenta um bocadinho...
 


Dedicado a "alguém" que anda sempre de fita métrica no bolso!... E que me perdoe o Augusto Gil, lá onde está... mas também ele haveria de rir desta minha brincadeira!