sexta-feira, 30 de julho de 2010

A Linha do Tua - um acto criminoso no Património Nacional




Rivalizando com o vale do Rio Douro do qual é afluente, o vale do Rio Tua apresenta uma beleza de características únicas e esplendorosas, só equiparáveis a algumas zonas dos Alpes suíços e austríacos. O pequeno rio que corre, lá no fundo agreste e empedrado, caudaloso no inverno feito regato no verão, as encostas abruptas e alcantiladas em maciço e duro granito das empedernidas terras de Trás-os-Montes, a vegetação rasteira e de pequeno porte que permite observar, quase em êxtase, toda esta magestosa paisagem onde o tempo parece ter parado, tal é a beleza do cenário natural por onde, a meia encosta, serpenteia uma das mais belas relíquias nacionais - a Linha do Tua.
E é isto, tudo isto que é 'nosso' por direito, que um bando de criminosos se prapara para destruir, despejando milhões de toneladas de cimento e enclausurando, para todo o sempre transformada em lago de águas paradas, toda esta maravilhosa obra que a natureza levou centenas de milhões de anos a esculpir.

É a propósito deste inqualificável acto de pirataria patrimonial e paisagistica que, hoje, no Aventar, Ricardo Santos Pinto escreve um artigo que aqui reproduzo e que intitula:
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"Em defesa da Linha do Tua contra um Primeiro Ministro ignorante e iletrado"

"O facto de sermos governados por um ignorante e iletrado, de quem nada se espera em termos de defesa do património natural e edificado do nosso país, não dá a ninguém o direito de cruzar os braços perante o atentado criminoso que se prepara para o Vale do Tua e a sua inacreditável linha ferroviária.

Para quem não sabe, a Linha do Tua foi equiparada, pelos mais reputados engenheiros, em termos de dificuldade, às Linhas ferroviárias dos Alpes Franceses ou Suíços. Pela sua beleza e rigor técnico, merecia ser classificada como Património Nacional ou, mesmo, Património Mundial da Humanidade.



Ao invés, querem destruí-la. Para dar lugar a uma Barragem, que representará menos de 4% da produção de energia existente de norte a sul. Uma Barragem! Um monte de betão, tão do agrado dos novos engenheiros de Portugal. Os engenheirozecos que hoje mandam no país, os mesmos que fazem licenciaturas manhosas e que fazem projectos de sarjeta!

Pensarão os mais pessimistas que não adianta lutar. Nada se pode contra o betão! Nada se pode, no fim de contas, contra o dinheiro! Pois se Portugal é líder nas energias alternativas e continuamos a pagar a electricidade cada vez mais cara…
Concedo que é difícil. Lutar contra o betão e o dinheiro é difícil, mas lutar contra a ignorância é ainda mais. Mas não é impossível. Temos as gravuras de Foz Côa como exemplo, apesar de continuarem à espera de uma verdadeira política de exploração cultural e turística.

Infelizmente, quando perguntados, os senhores do poder dirão que se trata de progresso. De desenvolvimento.  Como é óbvio, os senhores do poder não sabem, porque não querem saber e porque são ignorantes e iletrados, que em 1886 a Linha do Tua já chegava até Mirandela e que em 1906 chegou a Bragança.
100 anos depois, a ligação a Bragança já não existe. Há muito que já não existe! 120 anos depois, querem acabar com a ligação a Mirandela, a última ligação ferroviária do Nordeste Transmontano!
O progresso é isto? O desenvolvimento é isto? Acabar com o meio de transporte mais limpo, mais eficiente e menos poluente do mundo é progresso? É desenvolvimento? Abandonar a via tradicional para fazer absurdos TGV’s num país minúsculo, o que é?

Para o fim, o mais importante: as pessoas. Algo que, olhando para a realidade sócio-política do nosso país, não será grande argumento. São poucos aqueles que vivem em Trás-os-Montes, por conseguinte são poucos aqueles que votam. Acabar com a única ligação ferroviária em toda a região não representará mais do que meia dúzia de milhares de votos, tantos quantos são aqueles que utilizam anualmente a Linha. Milhares de pessoas, todos os anos, em aldeias isoladas, sem forma de chegar a Mirandela ou à Régua?  É o progresso! É o desenvolvimento!

Infelizmente, como já se percebeu, não vale a pena contar com o bom senso dos novos engenheiros que governam Portugal. Já sabemos que José Sócrates, o pequeno democrata de Vilar de Maçada, nunca recua. Para essa gente, o património vale muito pouco.
Infelizmente, também não podemos recorrer sequer a Belém, onde vive uma Múmia Petrificada que, à espera do segundo mandato, sorri até mais não poder, calculista até à vergonha. O mesmo que, enquanto Primeiro-Ministro, começou a destruição da via férrea.

Resta-nos, pois, lutar. Sozinhos. Com a força da razão. Em defesa de um vale único que vai desaparecer. Em defesa de uma linha irrepetível, considerada a terceira mais bela do mundo das vias estreitas. Em defesa de Portugal. Em defesa das suas gentes que dependem do comboio."




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domingo, 25 de julho de 2010

A Pilita Alentejana...




Rija, enquanto durou...
Agora q'amolengou
e antes q'a morda a cobra,
Vou atá-la c'uma corda
Pra ela nã me fugiri.

Preciso da sacudiri,
Leva tempo pá'cordari...
Já nem se sabe esticari.

Más lenta q'um caracoli,
Enrola-se-me no lençoli...
Ninguém a tira dali.

Já só dá em preguiçari,
Nada a faz alevantari.
E já nã dá com o monti,
Nem água bebe na fonti.

Que bich'é que lhe mordeu?
Parece defunta, morreu.

Deu-lhe p'ra enjoari,
Nem lh'apetece cheirari.
Jovem, metia inveja,
Com más gás q'uma cerveja,
Sempre pronta p'ra brincari.

Cu diga a minha Maria,
Era de nôte e de dia.

Até as mulheres da vila
Marcavam lugar na fila,
P'ra ê lha poder mostrari !
Uma moura a trabalhari,
Motivo do mê orgulho.

Fazia cá um barulho !
Entrava pelos quintais,
Inté espantava os animais.

Eram duas, três e quatro,
Da cozinha até ao quarto
E até debaixo da cama.

Esta bicha tinha fama !
Punha tudo em alvoroço,
Desde o mê tempo de moço.

A idade nã perdoa,
Acabô-se a vida boa !
Depois de tanto caçari,
Já merece descansari.

Contava já mê avô:
"Niuma rata lhe escapou !"
É o sangui das gerações.
Mas nada de confusões,

Pois esta estória aqui escrita,
É da minha gata, a Pilita !

(popular alentejano)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ainda e sempre... a Justiça que temos por cá!




 A propósito do recente acordão do tribunal sobre o autarca Isaltino de Morais«só não continuará a fazer o mesmo se não puder» - teceu o “josé” no seu blogue “porta da loja” algumas considerações que são justas preocupações de todos nós.
De entre os comentadores deste “post”, um há – JRF - que ressalta pela interessante caricatura que faz do estado da nossa justiça e do papel actual dos nossos juízes. Dada a relevância e actualidade do comentário, permito-me trazê-lo aqui, dando-lhe assim a visibilidade que, julgo, ele merece, ao invés de ficar para sempre escondido numa caixa de comentários.

Escreve ele assim:
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(...)
"Eu arranjo um emprego no Estado que consiste em limpar a merda que corre na Ribeira dos Milagres. E o Estado, para isso, dá-me um uniforme (...de pano preto até aos pés), uma colher de chá e um baldinho de praia. E passa um tipo e pergunta:
— Então homem que anda a fazer?
— Ando a limpar esta merda, não vê?
E o mirone afasta-se à gargalhada. Vem outro:
— Qual é o seu papel, camarada?
— Comigo, a merda está condenada!
Faz um gesto a indicar que devo ser maluco, goza, ri-se e vai-se embora. Nos jornais, dizem que a culpa é minha porque a Ribeira dos Milagres está cada vez mais nauseabunda. E assim sucessivamente. Um país inteiro a rir-se de mim e de outros como eu.

Das duas uma: - ou eu começava a lutar para resolver o problema ao nível das pocilgas ou exigia ferramentas adequadas ou mudava de emprego. E era o amor-próprio mínimo que me compelia a tal, não era nenhum orgulho exacerbado. E é isso que não entendo.
Isto aguenta-se porquê? Porque, no fundo, os juízes não têm realmente que sujar as mãos e o salário é jeitoso. Aplicam a lei o melhor que sabem, vão condenando uns pilha galinhas com grande autoridade e basta. Não é culpa deles e a mais não são obrigados, apesar dos resultados e da risota geral.
Anda tudo ao contrário. Queriam um país próspero e moderno, saiu isto. Acontece muito, mas não se diga que são só os políticos. Só um abalo violento vai mudar isto". – JRF

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E aí está, como em tão pouco espaço, tão curto texto e algum humor se pode descrever o estado actual da nossa justiça! Na verdade, é isto mesmo que se passa. Importa perguntar como e porquê se chegou a este ponto? Como e porquê deixaram descer tão baixo o papel superior de fazer justiça... a justiça de verdade, aquela de “olhos mesmo vendados”?...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

E a propósito de mulheres... só mais esta!




"O que eu soube sempre sobre as mulheres, mas tive à mesma que perguntar."

Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente, mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mães até que os filhos fazem 10 anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São corajosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse acto de bondade tornam-se mesmo inocentes. Nunca perdem a capacidade de se deslumbrarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Compreendem tudo. Sabem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem o passageiro e que o amor é um bom fio condutor. Não são de confiança, mas até a mais infiel das mulheres é mais leal que o mais fiel dos homens. São tramadas. Comem-nos as papas na cabeça, mas depois levam-nos a colher à boca. A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jantarada de amigos - elas quando jogam é para ganhar. E é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. Acreditam no Amor com A grande mas, para nossa sorte, contentam-se com pouco.

Crónica de Rui Zinkin O Metro de 8/03/2010.  Também reproduzida aqui e aqui.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010

“Poesia do Amor... em cama quente”





Por sobre aquela cama em fogo de cetim já revolto
no chão as roupas rasgadas num ímpeto desmedido
estavas ali já prenhe de volúpia
suspirando louca
e o teu corpo queimando
 de nudez envolto
os teus lábios tremendo num frémito de desejo
o ventre soluçando
ondulando
convulso e incontido
e os seios
pudins de luxúria bêbados de minha boca
os teus braços em mim amarrados
emaranhados
e nos meus cabelos soltos
revoltos
transpirados
as tuas mãos perdidas
incontidas
desvairadas
feriam-me a pele com as unhas bem cravadas
e tu chorando e gemendo de prazer
gritando
aqueles teus gritos abafados
amordaçados
clamando pela justiça que só no amor é permitida
e as minhas mãos
qual ferro em brasa passeando
pelas colinas e vales
e pela cachoeira húmida escondida...
senti-te enfim
a escrava ansiosa dos meus desejos
e qual vulcão
esventrando e possuindo a terra quente
ia o meu corpo já no teu em frenético vaivém
torturando a carne e possuindo a tua alma demente
numa orgia de loucuras de salivas e de beijos
Naquele amplexo ardente
envolvente
dormente
até ao êxtase final e à perda dos sentidos

e voámos...

voámos...

e pelos céus vagueámos
alheados e escondidos
nas ondas daquele mar imenso da irrealidade
durante um tempo perdido
não medido nem contado
e nesse teu corpo belo pleno de obscenidade
já de lânguidos suores
e de intensos odores banhado
em praia tornado de areia mole fértil e quente
as ondas daquele mar rebentaram finalmente
em branca e viva espuma quente
qual torrente
gerando em ti uma flor... feita poesia do amor!

 

domingo, 11 de julho de 2010

Era uma vez uma estrada linda de morrer...


A propósito de um artigo publicado no Albergue Espanhol, contando a história interessante e complicada da N107, achei por bem trazer aqui também a história da N16, entre Albergaria e Vilar Formoso.


Troço da N16 em Sever do Vouga (paralelo ao rio Vouga, à esquerda)

Era uma vez a N16... uma estrada linda de morrer, turística em toda a sua extensão, mas com dezenas de milhares de curvas e contra-curvas, atravessando várias dezenas de localidades e com uma largura insuficiente para nela se cruzarem dois pesados...
Vai daí, foi construída no início dos anos 90 uma IP - a conhecida e celebérrima IP5 - que veio permitir, qual artéria sanguínea que irriga o corpo, o desenvolvimento de todas as regiões que servia, além de passar a ser a principal entrada em Portugal de todo o tipo de tráfego rodoviário vindo de Espanha, pondo em contacto directo e rápido todo o litoral centro (Aveiro) com o resto da Europa.

Troço da antiga IP5, próximo de Celorico de Basto

Mas tinha um defeito esta IP5... tinha vários pontos críticos que, por erro dos projectistas, depressa começaram a ceifar vidas em acidentes. Resultado, limitaram-lhe as velocidades, pintaram-lhe mais traços contínuos do que o somatório de todas as vias existentes no país, colocaram-lhe pilaretes e barreiras de cimento e até lhe inventaram uma aberracção - a Tolerância Zero - coisa desconhecida em todo o mundo... e a IP5 tornou-se mais segura, mas, simultaneamente, mais inoperacional, muito pouco funcional. Circular nela era desesperante e quase proibitivo, tantas eram as limitações à circulação, tantas as patrulhas da GNR e tantos os radares, que o trânsito passou, não a fluir mas a arrastar-se lenta e penosamente!

Troço da IP5/A25 na zona de Viseu

Vieram então uns senhores engravatados que decidiram construir uma outra IP5 - chamemos-lhe IP5(b) - perfeitamente paralela à existente em mais de 95% do seu traçado, e todos os acidentes e constrangimentos ficaram solucionados! E passaram a chamar-lhe, pomposamente, A25...  E pronto, tudo está bem quando acaba bem!

Então não é que agora vêm uns outros senhores engravatados, armados em chico-espertos, a quererem impor o pagamento de portagens nesta IP5 + IP5(b) ?...  E mais, vêm dizer-nos que a N16 é alternativa à A25 ?...  Pois se foi já nos anos 70 a N16 considerada obsoleta, e daí se ter passado para a construção da IP5 nos anos 80/90!...  Onde está agora a nossa IP5 ?...

A instalação e montagem dos pórticos de portagem...

Com que justificação? Com que moralidade? Em nome de que autoridade se subtrai assim uma estrada que pertencia a todos nós?  Onde está então a IP5 que existia e serviu as populações e o tráfego internacional durante 20 ANOS, nos seus quase 200 quilómetros de extensão? E onde NUNCA SE PAGOU para nela circular!...

Se estes senhores engravatados, armados em chico-espertos, queriam construir uma auto-estrada e portajá-la, então que a tivessem feito como alternativa à IP5, como é costume em todos os países da Europa, a começar pela Espanha aqui ao lado.

Construíam a merda da auto-estrada, chamavam-lhe A25 ou outra merda qualquer, colocavam-lhe portagens, e deixavam ficar a IP5 como estava!... Esta estrada já pertencia a todos nós desde há 20 longos anos!

Que raio de vigarice é esta, heim?!...

Querem tomar-nos por parvos?!... 

quinta-feira, 8 de julho de 2010

E depois desta aula, só me apetece dizer...



Cresce leve, levemente,
Como planta no jardim.
Terá osso, terá dente?
Dente não tem, certamente,
E o osso não dobra assim!

É talvez uma mania,
Mas há pouco, há poucochinho,
Eu jurava que não via,
No sítio onde ora crescia,
Tamanho pau redondinho...

Quem cresce assim, levemente,
Com tão estranha rigideza,
Que mal se ouve e bem se sente?
Não é osso nem tem dente,
É milagre, concerteza!

Fui ver. Aquilo pendia
Do cimo das pernas ao léu,
Branca e mole, e endurecia...
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a assim e, tem graça,
Já pôs tudo em desalinho.
Passo a mão e, quando passa,
Treme todo, cheio de graça,
E aumenta um bocadinho...
 


Dedicado a "alguém" que anda sempre de fita métrica no bolso!... E que me perdoe o Augusto Gil, lá onde está... mas também ele haveria de rir desta minha brincadeira!

domingo, 4 de julho de 2010

Vem aí a Educação Sexual Escolar...


Os asiáticos são assim... tudo ao natural !  Os asiáticos não acreditam nos modelos de plástico. Eles fazem os Tamagoshi, os robots androides e os simuladores anatómicos, mas isso... é para vender aos ocidentais. Embora fabriquem estas "modernices", os asiáticos não estão com meias medidas... nada como aprender com modelos ao natural !  E vai daí...


sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Presidente... não deve!


Fala quando... não deve.
Cala quando... não deve.
Quando fala, diz o que... não deve.
Quando cala, omite o que... não deve.
Acho até que está onde... não deve.
Portanto... não deve!

Ele há pesssoas muito felizes... não devem nada!


terça-feira, 29 de junho de 2010

Este mau cheiro é cada vez mais insuportável...


O que levará o Alberto João a tapar assim o nariz?  A expressão parece ser a de quem se sente fortemente incomodado com o mau cheiro das novas formas de fazer política do recém-eleito "coelhinho de todas as esperanças"...
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Uma nova forma de fazer política

Os apoiantes de Pedro Passos Coelho sempre juraram que o homem representava uma nova forma de fazer política. Não duvido. O dr. Passos Coelho é o primeiro líder da oposição que, em última instância, não se opõe a coisa nenhuma. Cada medida absurda do Governo é recebida pelo actual PSD a cinco tempos:

1) Recusa - o PSD acha a medida inadmissível;
2) Negociação - o PSD pretende obrigar o Governo a discutir a medida e forçá-lo a revê-la de acordo com as suas exigências;
3) Confusão - o PSD lança para a imprensa um nevoeiro informativo acerca das suas pretensões e do desenvolvimento da discussão que mantém com o Governo;
4) Aceitação - o PSD proclama que o interesse nacional o levou a concordar com a medida inadmissível do Governo;
5) Vergonha - o PSD pede desculpa ao País.

Numa democracia menos exótica, esta adaptação condensada dos 12 passos dos Alcoólicos Anónimos seria despachada logo que possível. Em Portugal, é um êxito.
A julgar pelas sucessivas sondagens, as intenções de voto no PSD crescem em progressão geométrica. Enquanto isso, os socialistas, autores das exactas políticas que o PSD subscreve, estão em queda livre.


Imagino que, para a semana, o eleitorado continuará a punir o PS por causa das SCUT e dos chips nas matrículas e a premiar o PSD que, depois das típicas cambalhotas, acabará em sintonia com o Governo na questão (ou questões) das SCUT e dos chips nas matrículas.
Após cinco anos em sentido inverso, o povo decidiu que o eng. Sócrates é o responsável por todas as calamidades que se abatem sobre a nação. O dr. Passos Coelho, que há meses vem legitimando as calamidades, é um herói popular.

Explicações? Não mas peçam. Talvez as desculpas do dr. Passos Coelho tenham tocado o coração das massas oprimidas. Talvez as massas andem tão cansadas do eng. Sócrates que o trocariam pelo Pato Donald ou por uma torradeira eléctrica. Talvez as massas sejam definitivamente malucas. Certo é que as massas querem o dr. Passos Coelho a primeiro-ministro, e só não vêem o desejo cumprido porque, pelos vistos, a nova forma de fazer política também implica evitar o poder a qualquer custo.

A nova forma de fazer política ainda será política ou já entra na pura fraude?

(por Alberto Gonçalves - in DN Opinião, 27 Junho 2010)

domingo, 27 de junho de 2010

O "chip"... agora já está tudo mais claro!


Afinal, o tão famigerado “chip” das matrículas, sabe-se agora, é fabricado na Noruega e representado em Portugal pela Q-Free, cujo Administrador Executivo é um ex-Assessor  de um Secretário de Estado  ainda em funções, que transitou directamente das funções públicas para a empresa privada que o vende, tendo estado directamente envolvido nas decisões que levaram à negociata para esta forma de pagamento das portagens.

Para esta gente já não há quaisquer limites para a falta de vergonha e de decência! Inventa-se uma lei e obrigam-se os automobilistas a comprar um aparelho que eles não querem, mas que sem o qual lhes é interditado circular nas autoestradas. E por acaso, apenas por acaso (!), quem tem esse aparelho para vender é, nem mais nem menos, um ex-Boy do Governo que fez, ele próprio, parte desta negociata!

Desde o início que estava claro, para todos quantos já se habituaram a todo o tipo de pulhices “subterrâneas”, que toda aquela pressa em montar os pórticos (quase às escondidas de todos) e tanta tesão em fazer a “colheita” das portagens através de um outro chip, sem ser o da Via Verde já existente e em tudo semelhante, só poderia trazer, mais uma vez, água no bico!

Só poderia ser uma de duas coisas: – ou encher a pança a um BOY através dos interesses do Governo, ou encher a pança ao Governo através dos interesses de um BOY… o que vai tudo dar no mesmo!!!

Sim, porque até agora ainda ninguém entendera por que razão, havendo já os da Via Verde, era preciso obrigar à compra dos chips de outra marca; ainda por cima uma COMPRA OBRIGATÓRIA!!! - Para um mercado potencial de mais de 2 milhões de viaturas!

Agora, está tudo claro!… Mantém-se intacto e bem activo o circo da roubalheira, do favoritismo, do oportunismo, e de todas as demais pulhices a que já estamos habituados.

Assim, já ficámos todos esclarecidos sobre os reais motivos que levam o Governo a querer, com tanta urgência (que até passa por cima da deliberação da AR), dar início a 1 de Julho ao pagamento das portagens!…

terça-feira, 22 de junho de 2010

Hoje... eu vou fazer uma marotice!


A Kakau?... a Kakauzinha?... não sabem quem é?... eu também não!  ou melhor, não pessoalmente. Mas a verdade é que já a conheço, conhecemo-nos mutuamente. Desde há dois anos... mas parece que já nos vemos desde os bancos da escola primária. Melhor até do que com a maioria das pessoas com quem privo todos os dias!...
Pois a Kakau é  uma rapariga bonita e cheia de azuis... bem sei que é cota, mas muito mais jovem que a maioria das jovens que por aí andam, não duvidem... bonita dos dois lados, por fora e por dentro, que vive alegre e apaixonadamente (muito apaixonadamente...) no seu castelo lá p'rás bandas do sul. Liberta agora dos compromissos que a condicionaram durante os melhores anos da sua vida, eis que recupera agora, em toda a plenitude da sua juventude, uma parte substancial daquele pedaço de vida e de liberdade, que a vida, em tom de desfeita, se encarregou de lhe retirar desde muito menininha.
Romântica, divertida, inteligente, culta, senhora de uma rara capacidade de escrita que tão rápido e fluentemente a leva tanto a trilhar os caminhos da poesia como a estilhaçar todas as paredes e vidraças dos inúmeros edifícios da hipocrisia, ela tem aqui o seu pequeno paraíso escondido!

E, pelo meio... ainda lhe sobra tempo para alguns "grafitis" literários, como este que lhe rapinei ali do jardim do seu castelo:
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ESCRAVO

Exmos. Seres Humanos,

Eu sou um cão adorável, bonito e meigo. Vivo preso num terraço, muitas vezes acorrentado durante dias e dias sem fim. Não me alimentam correctamente e tenho testemunhas de que já passei mais de um dia sem comer nem beber. Também se passam dias sem que limpem as minhas necessidades. Por vezes aparece uma mulher a estender roupa, quando limpa o chão, e algumas crianças que brincam à bola. Mas nunca se aproximam de mim, não falam comigo, nem me fazem festas!

Nunca vou à rua, nunca tenho companhia, vivo sozinho e abandonado numa casota mais que estragada e sem qualquer conforto, à mercê das grandes intempéries que assolaram o Algarve. Sou um escravo, uma vítima de gente sem sentimentos e sem escrúpulos e, ainda assim, abano-lhes a cauda e nunca lhes mordo. E eles bem mereciam umas boas mordidelas!

É verdade que desde o Natal que tenho um pouco mais de liberdade e lá me tiram as correntes, sempre posso fazer um pouco de exercício. E isto porque a Kakau fez uma queixa à Câmara por maus tratos. Mas sei que depois disso tem havido muitas queixas de mais pessoas. Só que neste país as leis não estão do nosso lado e o veterinário que me veio ver achou que eu estava com muito boa saúde, deixando apenas a indicação que me deviam libertar mais vezes. Olha que sorte! Sempre gostava de ver aquele cabrão, filho de um corno, no meu lugar! Então um veterinário não devia ser mais exigente? Parece que afinal só lhe interessa escrever relatórios de merda! A Kakau ficou piursa com o e-mail que ele lhe mandou, um escândalo!

Há "humanos" muito estranhos, não há? Nem sei porque nos maltratam assim desta forma. Falam tanto de amor ao próximo e, no entanto, acham que lá por termos quatro patas que não merecemos viver com dignidade? Fazem cá cada discurso acerca dos Direitos Humanos e nem sequer param para pensar nos Direitos dos Animais! É certo que ainda há muita gente que nos defende mas, infelizmente, ainda não são suficientes para mudar as mentes deturpadas que por aí andam.

Será que um dia tudo vai mudar? Se a Kakau ganhar o Euromilhões, já sei que vai comprar uma quinta para acolher todos os maltratados como eu e sei que me vem buscar. Ela já mo disse, ali da janela. Mas é preciso que tenha sorte…

Seres Humanos, vejam lá se fazem qualquer coisa, afinal vocês também são animais, não é verdade?

Atenciosamente,
Cão escravizado e maltratado
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E pronto, está apresentada a Kakau... e a minha maroteira à Kakauzinha!...  em jeito de homenagem!
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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Cidinha Campos - a voz da denúncia no Brasil


Que bom seria! Que lufada de ar fresco! E que prazer nós teríamos em vê-la denunciar publicamente todos os sabujos que por aqui ocupam os mais altos cargos, que cometem as maiores canalhices e ficam impunes... sempre!
Precisa-se urgentemente de uma Cidinha Campos no Parlamento!...


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terça-feira, 15 de junho de 2010

BPN: - ESCÂNDALO E IMPUNIDADE


A burla cometida no BPN não tem precedentes na história de Portugal.
O montante do desvio atribuído a Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Francisco Sanches e Vaz Mascarenhas é algo de tão elevado, que só a sua comparação com coisas palpáveis nos pode dar uma ideia da sua grandeza. Com 9.710.539.940,09 € (nove mil, setecentos e dez milhões de euros...  9,7 MIL MILHÕES DE EUROS ) poderíamos:

- Comprar  48 aviões Airbus A380 (o maior avião comercial do mundo).  
- Comprar  16 plantéis de futebol iguais ao do Real Madrid.
- Construir  7 TGV de Lisboa a Gaia.
- Construir  5 pontes para travessia do Tejo.
- Construir  3 aeroportos como o de Alcochete.
- Para transportar os 9,7 MIL MILHÕES DE EUROS seriam necessárias 4.850 carrinhas de transporte de valores!
- Distribuído pelos 10 milhões de portugueses, caberia a cada um cerca de 971 euros !!!

Então e o Dias Loureiro e o Arlindo de Carvalho por onde andam? E que tamanho deveria ter a prisão para albergar esta gente?
E mais, tínhamos a crise resolvida!
Este foi um mail, (mais um), que mostra bem que a razão da crise que atravessamos não é devido à lei laboral, à baixa produtividade, a salários demasiado elevados, (para os trabalhadores, claro) ou a feriados a mais. A crise foi criada pela gula de alguns e a mama de muitos. A crise existe por culpa dos mesmos que agora são deixados de fora nas medidas de austeridade para a resolver. E tudo isto com a conivência da União Europeia que continua a defender a globalização capitalista, sabendo que só nos condena a uma cada vez maior pobreza, e à complacência dos povos que tardam em exigir justiça.
(picado daqui)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O triunfo da corrupção!







O triunfo da corrupção
(Vasco Pulido Valente, 12 de Março de 2010, in “Público”)

Um estudo de Luís de Sousa, sociólogo do ICS, mostra que 63% dos portugueses toleram (ou, mais precisamente, aprovam) a corrupção, desde que ela produza “efeitos benéficos” para a generalidade da população.

Isto não é um sentimento transitório, provocado por trapalhadas recentes; é uma cultura. A cultura dessa grande guerra que, desde que nasceu, qualquer de nós tem com um Estado opressor e remoto e com Governos que nunca respondem pelo que fazem ou deixam de fazer. O português médio execra a autoridade, seja sob que forma for, e vive no seu país como se vivesse sob ocupação estrangeira. O servilismo e a falta de carácter, que tanta gente pelos tempos fora lamentou, escondem a vontade de salvar a pele e a aspiração, muito natural, de enganar quem manda.

Não há regras para ninguém, porque ninguém cumpre as que há. Quem pode levar a sério uma escola em que o próprio ministério fabrica os resultados, proíbe legalmente a reprovação e aceita a violência? Quem pode levar a sério um regime que se diz democrático e selecciona o funcionalismo pela fidelidade partidária? Quem pode considerar um ponto de honra pagar impostos, quando a fraude e a injustiça fiscal são socialmente sinais de privilégio e esperteza? Quem vai pedir um recibo ao canalizador ou ao electricista ou a factura no restaurante, quando sabe o que paga e aquilo que o Estado gasta sem utilidade e sem sentido? E quem vai obedecer às determinações da Câmara do seu sítio, quando a Câmara é uma agência de negócios de favor e uma bolsa de favores sem explicação e sem desculpa?


Não admira que o “povo dos pequenos” conspire constantemente contra a lei, e até contra a decência. Que falte ao trabalho ao menor pretexto; que trabalhe mal, pois se trabalhar bem lhe custa; que peça aqui ou empurre ali, para se beneficiar ou aliviar; que torne as ruas uma lixeira pública; que guie na cidade ou na estrada como se estivesse sozinho; que minta a torto e a direito sobre o que lhe apetece e lhe convém; que não passe, enfim, de um miserável cidadão, indiferente à política e ao país.

Não lhe ensinaram outra coisa. Os chefes são como ele. Os políticos são como ele. O Estado é como ele. Como exigir que ele se porte como Portugal inteiro não se porta? Claro que ele aprova a corrupção e consegue ver nela virtudes redentoras. Não é agora altura de mudar os costumes.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Uma coisa e o seu contrário... sempre!


Começa a ser monótono criticar as comunicações do Presidente da República face à constância na ambiguidade, na insinuação e na divagação que, normalmente, envolvem as suas intervenções públicas. Não há volta a dar. Cavaco Silva é assim. É Presidente, mas não é politico; aprova, mas não concorda; fala, mas não quer pronunciar-se; recebe a benção do Papa, mas promulga o casamento entre pessoas do mesmo sexo; diz que a situação é insustentável, mas diz que não se deve desmoralizar. Enfim... diz uma coisa e o seu contrário, usando uma expressão enigmática próxima do cinismo, da distância, do enfado que reflecte a sua inadaptação ao cargo para que foi eleito.

Também por isto, julgo que deve terminar o seu mandato e juntar mais uma reforma às que já tem.
 
(Comentário de "antónio" in Jumento)  
 

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Como dizia o poeta...


Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu.
Porque a vida só se dá p'ra quem se deu
P'ra quem amou, p'ra quem chorou, p'ra quem sofreu.
Ah, quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não!
Não há mal pior do que a descrença.
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão.
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair,
P'ra quê somar se a gente pode dividir.
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer!
Ai de quem não rasga o coração,
Esse não vai ter perdão.
Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não!

(Vinícius de Moraes)
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Bolas... bolas!...


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domingo, 6 de junho de 2010

É fartar... vilanagem!


Diário da República nº 28 – I série- datado de 10 de Fevereiro de 2010 – RESOLUÇÃO da Assembleia da República nº 11/2010.

Do site http://www.dre.pt/ Ver Folha 372 do acima identificado Diário da República nº 28 – 1ª Série -, de 10 de Fevereiro de 2010.

Algumas rubricas do orçamento da Assembleia da Republica

1 – Vencimento de Deputados ............................................12 milhões 349 mil Euros
2 – Ajudas de Custo de Deputados .......................................2 milhões 724 mil Euros
3 – Transportes de Deputados ............................................3 milhões 869 mil Euros
4 – Deslocações e Estadias .................................................2 milhões 363 mil Euros
5 – Assistência Técnica (??) ................................................2 milhões 948 mil Euros
6 – Outros Trabalhos Especializados (??) .................................3 milhões 593 mil Euros
7 – Restaurante, Refeitório, Cafetaria .............................................961 mil Euros
8 – Subvenções aos Grupos Parlamentares ..........................................970 mil Euros
9 – Equipamento de Informática ...........................................2 milhões 110 mil Euros
10- Outros Investimentos (??) ..............................................2 milhões 420 mil Euros
11- Edificios ...................................................................2 milhões 686 mil Euros
12- Transfer’s (??) Diversos (??) ............................................13 milhões 506 mil Euros
13- Subvenção aos Partidos na A. R. ......................................16 milhões 977 mil Euros
14- Subvenções de Campanhas eleitorais .................................73 milhões 798 mil Euros

TOTAL da DESPESA ORÇAMENTADA para o ano de 2010:  -  191.405.356,61 (quase 192 milhões de euros!...)

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É fartar... vilanagem!... E todo este dinheiro para as mordomias  de 230 deputados, dos quais só uma vintena deles realiza trabalho; o resto só lá está para pôr o braço no ar, como e quando o patrão da bancada do partido ordenar. Acresce ainda o facto de que 99% dos portugueses nem sequer conhece 90% destes deputados!
É fartar... vilanagem!... Vivam à grande, que é fácil ao fisco meter-nos a mão no bolso e sacar para tudo isto !!!

sábado, 22 de maio de 2010

Se calhar até bate mais do que certo!...


O homenzinho de Boliqueime anda a dizer há muito tempo que a política das obras megalómanas não é sustentável e levará o país à bancarrota;

Que faz: - Assina a portaria que autoriza o seu lançamento

O coelhinho-tanguista no seu livrinho “MUDAR” publicado há cerca de 7 meses, opondo-se a uma Senhora apelidada de Velha, defendia os TGVs, aeroportos, auto-estradas paralelas e quejandos; agora, vira o bico ao prego e diz, muito bem, que tais obras neste momento não são suportáveis;

Que faz: - Quando autorizou o suposto engenheiro a proceder a um saque fiscal não o obrigou a aceitar o adiamento das mesmas, ficando-se por um compromisso vago de corte nas despesas


O homenzinho de Boliqueime e o coelhinho-tanguista estão de acordo que este governo não governa, não tem rumo, avia medidas avulsas sem olhar às consequências, conduzirá o país à falência;

Que fazem: - Nada!... Dizem não ser oportuno para não criar uma crise política

O país está teso, o governo anda pelo mundo fora de mão estendida a pedir dinheiro emprestado aos imundos especuladores para pagar salários e pensões, mas propõe-se gastar milhares de milhões, que não tem, em investimentos não reprodutíveis e de viabilidade duvidosa, sem que o homenzinho de Boliqueime ou o coelhinho-tanguista façam algo para travar este desvario.
Há aqui qualquer coisa que não bate certo... ou, por outro lado, se calhar até bate mais do que certo!


Nestas obras faraónicas de milhares de milhões, de tanto milhão há sempre alguns que se vão...

(in porta da loja, comentário por Zé Muacho)

Cansado...


Estou cansado!
Tinha objectivos e cansei-me.
Cansei-me e destitui-me de objectivos;
E, sem querer nada, cansei-me!
Cansei-me de estar parado.
Cansei-me como quem se cansa de comer o mastigado...
Estou cansado de estar cansado.
Vou fazer uma casota à beira da casota do cão
E viver como se fosse cão.
Comer e dormir e dormir e correr...
Mas eu sei que não sou cão,
Apesar de o querer ser...
E vou ficar cansado.
Oh, canseira que não larga o meu sentir,
Vou dormir...
E vou acordar cansado.
Mais valia nunca ter acordado!
Mas já que acordei
Vou viver cansado.
Mais vale viver cansado
Que estar cansado de viver...

(anónimo)