quinta-feira, 15 de abril de 2010

É preciso ser muito louco... ou ter tomates de boi


Porque é tão bom viajar de mota



Viajar de moto é uma das experiências mais fascinantes que se pode ter nessa vida. Quem não tem o coração de motociclista, provavelmente nunca entenderá o porquê.
Mas até mesmo eu, às vezes, fico-me perguntando: afinal, por que é tão bom assim?
Não tenho respostas, só alguns pensamentos.

Em primeiro lugar, viajar de moto evoca sentimentos de tempos e realidades muito distantes de nós; é como se nos transportássemos para outra época e, de repente, lá estamos nós com a nossa armadura, baixando a viseira do nosso elmo, preparados para uma missão distante e desafiadora. No fundo, mesmo que isso pareça meio estranho, todo o motociclista se sente como um guerreiro, deixando a segurança e o conforto de sua casa para ir adiante, desbravar territórios e vencer desafios.

Também existe um sentimento quase místico, como se estivéssemos saindo de nossa própria vida, vendo o que há lá fora. Viajar de moto é estar em movimento, é deixar a monotonia. A casa, o trabalho, nossa cidade, tudo fica para trás e seguimos adiante rumo ao desconhecido, mesmo que seja apenas a cidadezinha turística a 100 km dali.

Viajar de moto também nos coloca em contato com uma outra vivência de relacionamentos que rompe com os paradigmas da vida moderna. Não há chefe, nem subordinados, apenas amigos e companheiros. E nenhum deles é melhor do que o outro, ninguém está competindo, somente compartilhando.


Há também uma intensa ligação com o campo do conhecimento. Todas as matérias estudadas numa sala de aula são experimentadas, mas de uma forma muito diferente da que qualquer professor nos conseguiu  proporcionar. A matemática está alí o tempo todo: são rectas, curvas, tangências, ângulos, 100, 120, 140..., melhor parar por aqui. A física, então, nem se fala: inércia, aceleração, movimentos retilíneos (uniformes ou não), calor, velocidade do vento; porque isto não parecia interessante na sala de aula?

A geografia e a biologia também são matérias sempre presentes em vales, montanhas, serras, colinas, rios e cachoeiras, pássaros (sim, eles ainda existem). Até mesmo a história, seja dos lugares ou das pessoas que encontramos, acaba nos atraindo.

O português não fica de fora, e nem limitado à leitura de algumas placas; viagem de moto combina com histórias, contos, poesias, música; tudo inserido em longas conversas e não circunscritas a aulas, cadernos e horários.


Numa viagem de moto também entramos em contato com os nossos valores mais elevados. Coisas como liberdade, respeito, responsabilidade, solidariedade, estão sempre presentes. Até mesmo o nosso contato com o Criador é estimulado; nossa mente viaja também, medita, contempla. Diante de todas estas experiências olhamos para o dom maravilhoso que nos foi dado - a vida, e para aquele que nos deu tudo isso e somos levados a dizer, ainda que sem palavras: "muito obrigado".
 
(in Blog do Youssef - Brasil)
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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Os sacrifícios de Mexia ...




António Mexia sempre defendeu menos Estado e mais sacrifícios para garantir o futuro do País. Estado nunca lhe faltou. Sacrifícios é coisa que não parece conhecer.

"Terão que se assumir sacrifícios no curto prazo por forma a obter vantagens no médio prazo, devendo esta geração evitar carregar inutilmente as próximas." São estas as palavras de António Mexia que se podem ler no site dos liberais caseiros do Compromisso Portugal. Só que, como de costume, quando Mexia diz que se terão de assumir sacrifícios não está a falar dele próprio.

Soubemos esta semana que Mexia recebe 3,3 milhões por ano. O mesmo que 500 trabalhadores com o salários mínimo nacional. Aquele salário que, por ser aumentado em vinte euros, iria, garantiram as associações patronais, rebentar com a nossa competitividade. Recordo o que aqui já escrevi: os nossos gestores recebem em média 32 vezes mais do que os trabalhadores mais mal pagos das suas empresas. Na Alemanha a média é 10 vezes mais. Querem mesmo falar dos salários e da competitividade das nossas empresas?


Dirão: a EDP é uma empresa privada. Não temos nada a ver com isso. Acontece que é uma empresa privada que foi pública e onde o Estado continua a ser o maior accionista. E que vive em regime de monopólio. O ordenado de Mexia é pago pelos consumidores que não podem decidir mudar de empresa. E, recorde-se, o preço da electricidade doméstica em Portugal é, em termos absolutos, superior ao da média comunitária. Na factura lá estão o salário e prémios de António Mexia.

E acontece que o currículo de António Mexia, apesar de se tratar de um convicto liberal sempre a pedir menos Estado, é bastante esclarecedor: foi Adjunto do Secretário de Estado do Comércio Externo, Vice-Presidente do Conselho de Administração do ICEP, Presidente dos Conselhos de Administração da Gás de Portugal e da Transgás, Vice-Presidente da Galp Energia, Presidente Executivo da Galp Energia, Presidente dos Conselhos de Administração da Petrogal, Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Presidente do Conselho Geral da Ambelis e representante do Governo Português junto da União Europeia no Grupo de trabalho para o desenvolvimento das redes transeuropeias. Agora está na EDP. Tirando a sua vida académica e uma passagem pelo Banco Espírito Santo, trabalhou sempre, seguramente contrariado, para o Estado ou para empresas participadas pelo Estado. E quase sempre por escolha política.

Este homem, que fez a sua vida profissional à boleia da política e do Estado, quer menos Estado. Faz-se pagar como os 200 que mais recebem nos EUA e exige sacrifícios a bem das próximas gerações.

E foi ele mesmo, sempre lesto a gritar pelo mérito, que contratou, se bem se recordam, Pedro Santana Lopes (seu ex-primeiro-ministro) para assessor jurídico da EDP. Porque os amigos são para as ocasiões.

E fez este senhor parte desse patusco encontro de gestores que exigiu, em 2006, o congelamento salarial dos funcionários públicos. Sacrifícios, já se sabe, têm de ser feitos

São estes homens, transformados pela imprensa em oráculos da Nação, que nos dão lições de competitividade, meritocracia e estoicismo para vencer as adversidades. Falam de cátedra. Mas não sabem do que falam.

(Daniel Oliveira, in www.expresso.pt - Terça-feira, 6 de Abril de 2010 )

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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Esta ainda está fresquinha... apesar de antiga



(in Diário Digital, segunda-feira, 5 de Abril de 2010)

Sócrates assinou 21 projectos quando era exclusivo da AR


O actual chefe do Governo português assinou 21 projectos de edifícios particulares como projectista da Câmara Municipal da Guarda, enquanto trabalhava, em regime de dedicação exclusiva, na Assembleia da República (AR). O caso já foi alvo de um inquérito interno na autarquia e de uma denúncia dos vereadores do PSD da Guarda ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Coimbra.

O inquérito da autarquia concluiu que todos os procedimentos legais foram respeitados e o DIAP ordenou o arquivamento do inquérito por considerar que eventuais crimes já prescreveram.

Ainda de acordo com a edição desta segunda-feira do Público, o actual primeiro-ministro foi afastado da Câmara da Guarda, onde trabalhava como projectista de edifícios, em 1990 e 1991, devido à falta de qualidade dos seus projectos e da falta de acompanhamento das obras, chegando mesmo a ser ameaçado com sanções disciplinares e sendo criticado severamente.

Segundo o diário, em 26 processos de licenciamento em que o então engenheiro técnico estava envolvido, o seu nome foi substituído na direcção técnica de obras em três deles, sem que ele ou o dono da obra o tenham requerido.

Em dois destes casos, Sócrates foi repreendido por escrito pelo então presidente da câmara, Abílio Curto, que veio a cumprir pena por corrupção. A repreensão foi aprovada por unanimidade na Câmara, admoestando-o pelo «pouco cuidado posto na elaboração do projecto», em 1987, e pela «falta de fiscalização das obras de que é autor dos projectos, devendo fiscalizá-las rigorosamente», em 1990.

Alguns técnicos camarários já tinham subscrito diversas críticas à falta de cumprimento dos regulamentos em vigor. Na terceira obra da qual foi afastado, em 1991, a decisão também partiu da autarquia, mas não se percebe a sua razão. Nesse ano, José Sócrates tornou-se porta-voz do PS para a área do Ambiente e membro do secretariado nacional do partido.

«O senhor eng. técnico José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa foi já advertido pelo pouco cuidado que manifesta na apresentação dos trabalhos apresentados nesta câmara municipal e continua a proceder de igual forma, sem o mínimo respeito por ela e pelos seus técnicos (...) Deverão solicitar-se mais uma vez os elementos nas devidas condições e adverti-lo que não se aceitarão mais casos idênticos, sob pena de procedimento legal." A informação conclui, observando que se Sócrates "não pode ou não tem tempo de se deslocar à Guarda para fazer os trabalhos como deve ser só tem um caminho que é não os apresentar», escreveu o então chefe da repartição técnica da autarquia.
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Mas não foi este mesmo senhor que depois disto passou a chefiar um governo, e que até prometeu 150.000 empregos?...
Onde estavam estas notícias, então?
Na Guarda andava toda a gente a dormir?  Não... tinha a protecção do Abilio Curto!
Mas o melhor mesmo é ler a notícia completa aqui, no PúblicoOnLine:

(http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/socrates-assinou-21-projectos-de-casas-quando-era-exclusivo-na-ar_1430777)
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José Sócrates, o português assoreado!

Segundo notícia do Expresso, a edição do jornal francês "Liberation" de 18 de Março de 2010, não saíu em Portugal por "motivos de impressão".
( http://www.liberation.fr/monde/0101625174-jose-s-crates-le-portugais-ensable )
Eis aqui a tradução do que tanto amedrontou Sócrates... que até se "avariaram" as rotativas do "Libération":
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José Sócrates, o português assoreado
Nada está trabalhando para o primeiro-ministro socialista, cujo nome está associado a casos de corrupção, num contexto de crise económica grave.
(Por FRANÇOIS MUSSEAU envoyé spécial à Lisbonne)


Sócrates Primeiro-Ministro Português José, 7 de janeiro de 2010 em Paris (Remy AFP de Mauviniere)

A inimizade de boa parte dos média, a crise política que se transforma num impasse institucional, uma situação social explosiva, um desastre económico obrigado a medidas drásticas a curto prazo ... Como se isso não bastasse, o impetuoso José Sócrates (fracamente reeleito nas legislativas de Setembro de 2009) tem agora de enfrentar uma revolta do Parlamento que poderia forçá-lo a demitir-se ou a chamar a família política para encontrar um sucessor socialista como chefe de governo. Começa hoje em Lisboa o trabalho de uma comissão parlamentar de inquérito que, pela primeira vez desde o fim da ditadura de Salazar, envolve diretamente um Primeiro-Ministro. E vai forçá-lo a aparecer fisicamente, ou melhor por escrito. "Portugal é um barco bêbado, onde o capitão é o suspeito maior de toda a tripulação", desferiu um colunista do canal privado SIC.

Segundo os economistas, de todos os países europeus sobre a banca, Portugal é certamente o elo mais fraco. Ainda mais do que a Grécia, o pequeno país ibérico sofre com problemas estruturais, as exportações a meia haste, um registo da dívida externa e um défice de 9,3%. Bruxelas espera de Lisboa as medidas concretas a respeito do “plano de austeridade "ao qual José Sócrates se comprometeu. Mas estas medidas, que prometem ser duríssimas, são esperadas ... Especialmente quando José Sócrates está ainda mais enfraquecido pelos seus problemas político-judiciais.

"Reformador". Isto é muito parecido com um julgamento político supostamente ligado a um caso de intervencionismo. Durante dois meses, um grupo de deputados vai tentar lançar luz sobre o papel desempenhado por José Sócrates na tentativa da gigante Portugal Telecom (PT, controlada pelo governo socialista) para comprar a televisão TVI, hostil ao governo. Trata-se de saber se o líder socialista tem manobrado para colocar a cadeia de TV sob seu jugo. Em junho de 2009, perante o Parlamento, Sócrates tinha solenemente negado o conhecimento de tais negociações. Se este inquérito, que vai ouvir dezenas de testemunhas, provar que o primeiro-ministro mentiu, os dias de quem prometeu "transformar Portugal em Profundidade" estarão contados.

"Embora tenha sido uma parte da solução para o país, Sócrates é agora parte do problema", diz José Manuel Fernandes, ex-editor do diário de referência Público, cuja demissão é devida a relações tensas com o líder socialista. Como muitos outros críticos, Fernandes reconhece que o tonitroante Sócrates foi, no início do seu primeiro mandato - 2005-2007 - um chefe de governo corajoso, que baixou um enorme déficit para 3% (novamente hoje cerca de 10%), reformou o sistema previdenciário (idade e tempo de avaliação aumentada), aumento das receitas fiscais, criou 150 000 postos de trabalho, fez uma limpesa na gestão de topo ... "Um bom equilíbrio entre pró-reforma, que tem mantido uma garantia para a esquerda e direita," disse o analista político Manuel Villaverde Cabral. Ele deslocou um monte de gente em lugares altos, que agora são outros tantos inimigos. "Mas se José Sócrates é tão contestado, é também porque a sua carreira é marcada por sombras e atividades suspeitas”.

Desde os seus primeiros passos municipais na região da Beira Baixa, a leste do país, ele foi envolvido em uma dezena de escândalos. Um diploma de engenharia obtido em circunstâncias suspeitas, licenças de construção concedidas duvidososamente no município de Castelo Branco, o caso "face oculta" (as escutas telefónicas ligam-no a um empresário desonesto, com um quase- monopólio industrial) ... Ou o caso do "Freeport", uma empresa britânica que instalou um centro comercial em Alcochete, um subúrbio de Lisboa, sobre um terreno protegido... com a luz verde de Sócrates, então ministro do Meio Ambiente ! "Na verdade, de todas as vezes, não há nenhuma prova formal", disse José Manuel Fernandes. Mas nada é verdadeiramente claro quanto a ele. "

Jovem lobo. Enérgico e carismático, com uma ousadia que eletrizou uma rígida política, José Sócrates também emerge como um líder intransigente, autoritário e irrascível, cuja ambição ardente irrita muitos. "A sua formação é a de um jovem lobo, sem ideologia, oportunista, um puro produto do “aparelho”, que subiu a escada de cabeça fria, assim o descreve Fernando Rosas, historiador e membro do Bloco de Esquerda. “Ele sempre esteve numa borderline. E os seus acessos de autoritarismo renderam-lhe uma imagem deplorável nos média que não são gentis com ele." Sócrates levou bem deles: vários jornalistas estrelas de TV (Mário Crespo, Manuela Guedes ...) denunciaram a "censura " exercida sobre eles pelo Primeiro-Ministro. Uma Comissão de Ética foi criado em janeiro, para esclarecer a questão. "Um dos grandes problemas de Sócrates é que ele perdeu o apoio das elites, segundo a análise de José Manuel Fernandes, o ex-chefe do Público. “Ninguém mais tem confiança nele, toda a gente tem medo de ser enganado por esta personagem conflituosa e ambígua."

Num harém político dominado por doutores, este socialista sem título prestigioso, irrita e rompe com o status quo. À maneira de um Sarkozy Português, Sócrates é um cavador, um comunicador zeloso que fagocitou o seu partido e personalizou até ao extremo o exercício do poder. Outras semelhanças: ele não tem medo de esculpir no vazio, suporta mal as críticas, perde facilmente o controle dos nervos e cultiva a permeabilidade entre política e negócios - como Jorge Coelho, um dos seus próximos, ex-ministro Socialista que entrou com a sua bênção no conselho de administração da construtora Mota-Engil.

À força de brincar com o fogo, José Sócrates encontra-se em terreno movediço, seis meses após sua difícil reeleição (uma pequena maioria no Parlamento) embora o seu índice de popularidade não pare de cair alegremente? "A priori, todos os elementos o oprimem, diz Ricardo Costa, director do semanário Expresso. Felizmente para ele, as circunstâncias protegem-no." O consenso geral, o Presidente da República, Cavaco Silva, mentor do grande partido de direita (PSD), não está interessado em convocar eleições antecipadas. Por razões de estabilidade institucional, e também porque uma votação de hoje certamente não muda muito a situação. Até janeiro de 2011, data das presidenciais, Sócrates não vai arriscar a sua pele. A menos, claro, que a comissão parlamentar de inquérito, que abre hoje, exija a sua demissão.

Sacrifícios. Mesmo que permaneça no lugar, todos lhe prognosticam um caminho da cruz até o final de 2010. Após ter concedido generosidades sociais, Sócrates irá ter que aplicar desde já o plano de austeridade ditado por Bruxelas por meio de cortes nos gastos sociais (saúde, subsídio de desemprego, os subsídios, o acesso ao RMN ...). "Durante dez anos, o poder exigiu que o Português fizesse sacrifícios", diz Manuel Villaverde Cabral, o politólogo. Eu não acredito que iremos suportar isto por muito mais tempo."

José Sócrates, preso entre a bigorna social e o martelo financeiro? "Ele tem as mãos e pés atados", acrescentou José Manuel Fernandes. O modelo industrial Português, velho de cinquenta anos, está muribundo, e nada o substitui. O país produz entre 30 e 40% do que consome. A margem de manobra de Sócrates é muito baixa."

Será que ele se vai recuperar? Ricardo Costa, do Expresso, e outros observadores estão convencidos: "Este tipo tem mais vidas que um gato. É muito duro, muito resistente, ele sabe encaixar os pregos. Um verdadeiro monstro político que põe as suas garras para fora quando está mais fraco ".
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E pelos vistos o "Liberation" ter-se-á esquecido que os tais 150.000 postos de trabalho foram convertidos em cerca de 600.000 postos de DESEMPREGO...
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Loud & clear!... Esta chama os Boys pelos Nomes!!!



A esta Deputada sim,  podemos pagar-lhe a deslocação semanal !... E tudo o mais que ela quiser.
Que falta faz por cá esta Deputada!...


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domingo, 28 de março de 2010

Como é difícil a vida de massagista!...

Pensando bem... também não gostava nada de ter uma profissão destas. Muito repetitiva. E depois, sempre com as mãos untadas, né...

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Sempre os mesmos a pagar a factura!

Quando comecei a trabalhar, a pátria precisava de ser salva dos desvarios do PREC e por isso pagámos mais impostos. Depois, nos anos 80, houve um choque petrolífero, salvo erro, e tivemos de voltar a salvar a pátria. Veio o FMI, ficámos sem um mês de salário e pagámos mais impostos. Mais tarde, nos anos 90, houve mais uns problemas e lá voltámos a pagar mais, para a pátria não se afundar. Por alturas do Governo de Guterres fui declarado ‘rico’ e perdi benefícios fiscais que eram, até então, universais, como o abono de família. Nessa altura, escrevi uma crónica a dizer que estava a ficar pobre de ser ‘rico’… Depois, veio o Governo de Durão Barroso, com a drª Manuela Ferreira Leite, e lembraram-se de algo novo para salvar a pátria: aumentar os impostos! Seguiu-se o engº Sócrates, também depois de uma bem-sucedida campanha (como a do dr. Barroso) a dizer que não aumentaria os impostos. Mas, compungido e triste e, claro, para salvar a pátria, aumentou-os! Depois de uma grande vitória que os ministros todos comemoraram, por conseguirem reequilibrar o défice do Estado, o engº Sócrates vê-se obrigado a salvar a pátria e eu volto a ser requisitado para abrir mão de mais benefícios (reforma, prestações sociais, etc.), e – de uma forma inovadora – pagando mais impostos.


Enquanto a pátria era salva, taxando ‘ricos’ como eu (e muitos outros, inclusive verdadeiros pobres), os governantes decidiram gastar dinheiro. Por exemplo, dar aos jovens subsídios de renda… por serem jovens; ou rendimento mínimo a uma pessoa, pelo facto de ela existir (ainda que seja proprietária de imóveis); ou obrigar uma escola pública a aguentar meliantes; ou a ajudar agricultores que se recusam a fazer seguros, quando há mau tempo; ou a pedir pareceres para o Estado, pagos a peso de ouro, a consultores, em vez de os pedir aos serviços; ou a dar benefícios a empresas que depois se mudam para a Bulgária; ou a fazer propaganda e marketing do Governo; ou a permitir que a Justiça seja catastrófica; ou a duplicar serviços do Estado em fundações e institutos onde os dirigentes (boys) ganham mais do que alguma vez pensaram.


E nós lá vamos salvar o Estado, pagando mais. Embora todos percebamos que salvar o Estado é acabar com o desperdício, o despesismo, a inutilidade que grassa no Estado. Numa palavra, cortar despesa e não – como mais uma vez é feito – aumentar as receitas à nossa custa.


Neste aspecto, Sócrates fez o caminho mais simples. Fez exactamente o contrário do que disse, mas também a isso já nos habituámos. Exigiu-nos que pagássemos o défice que ele, e outros antes dele, nunca tiveram a coragem de resolver.


(Henrique Monteiro, in Expresso de 13 de Março de 2010)
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Não há Bela sem "senão"... e que "senão"!

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O silêncio do vazio ou... o vazio da ex-ministra!

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Esta é mesmo para aplaudir!

O Elogio a Manuela Ferreira Leite


Eu sei que vieram ao cheiro do título, mas lamento desiludir-vos: ele faz parte da escrita espetáculo, e foi só um pretexto para vos obrigar a engolir o que hoje me apetece :-)

Não sou do PSD, aliás, neste preciso momento já não sou de coisa nenhuma, exceto do prazer de estar na praia, quando chove na Europa, mas isso são outras lides, e, não sendo do PSD, ia propor-vos um pequeno exercício de inteligência, que seria substituir, no título, o nome de Ferreira Leite pelo nome de qualquer líder político, excetuado o do escroque José Sócrates.

Façam isso, e verão como o que escreverei a seguir manterá todo o seu sentido.

A eleição de Passos Coelho, hoje, para a direção do PSD, representa uma irónica resposta a um dos grandes temas deste espaço, que foi a crítica cerrada a uma Classe Política que tinha eliminado a chamada "Geração Intermédia", estando reduzida a duas camadas, a dos Jovens Turcos e a dos Velhos Abutres. Quer Rangel, quer Passos Coelho, representariam, sempre, a entrada em cena desta fatia etária dos guilhotinados do Sistema, e muita coisa se anuncia, embora a minha Cassandra não esteja hoje para aí virada.


 Vou, antes, falar da Idade de Ouro, porque eu adoro, e só adoro, Idades de Ouro.

Entre a eleição do Sócrates Relativo, após o Sócrates sórdido e Absolutista, e o dia de hoje, vivemos um dos períodos mais ricos e serenos da Democracia Portuguesa.

Dava gosto ouvir debates e noticiários, e ver Comunistas a fazerem elogios a Democratas-Cristãos, e Bloquistas a concordaram plenamente com teorias Liberais. Apenas os unia uma coisa, um profundo desprezo e o sentido nacional da incomodidade de se ter, como Primeiro Ministro, uma figura desacreditada, como o Agente Técnico de Engenharia José Sócrates Pinto de Sousa, ligado a tudo o que era trafulhice, negócio duvidoso, e prateleiras de imoralidade e desfaçatez.

Enquanto Português, dava-me um gozo, e uma serenidade enormes, saber que podia ser simultaneamente de quatro partidos, ao mesmo tempo, sem estar a trair o meu próprio pensamento e sensibilidade.

Vivi num harém político, e, uma noite, ia para a cama com o BE, noutra, com o CDS/PP, noutra, com o PCP, e, finalmente, acabava nos braços encarquilhados de Ferreira Leite, que me encostava aqueles peitos de arenque fumado, me passava o célebre colar de pérolas em redor do pescoço, cruzava as pernas nas minhas, sexo contra sexo, e dizia-me, com aquela sua voz de Antigo Regime, "esta noite és todo meu..."


Era aqui que se apagavam as luzes, e eu voltava à superfície, ou seja, ao teclado deste computador, para tomar o pulso à situação vivida.

Vou resumi-la: sabendo que estava a prazo, o PSD teve à sua cabeça uma mulher, coisa a que já bati a continência várias vezes, e que, sabendo que não iria nunca ser Governo, nos mostrou, pela primeira vez, talvez desde... desde... olha, já não me lembro, como se podia ser Estadista, e aqui fica feito o elogio, que resume este texto.

Quero, nele, agradecer a Manuela Ferreira Leite ter mostrado como a Política pode ter Estadistas, e não badalhocos de Vilar de Maçada, com olhares fixos de mentira profunda. Parabéns, portanto, à ex senhora do PSD.


 A riqueza do período, todavia, não se esgota na figura dela, pois, como disse, na estranha posição de cada um deles, poder ser um líder de Oposição de uma Maioria Absoluta negativa, permitiu que brilhassem tanto, como nunca brilharam assim, pela positiva, Jerónimo de Sousa, Paulo Portas, Ferreira Leite e Francisco Louçã.

Deu-me algum, muito, gozo, depois de anos de obscenidade, ligados ao Cavaquismo, às trapalhadas do Guterres, às cobardias do "Cherne" e às indignidades criminais de Sócrates, viver numa coisa chamada "Parlamentarismo", que nós só víamos nas distantes emissões da BBC, ou nas séries de ficção idealizadas de certos momentos líricos da Velha Europa e do Novo Mundo.

Foi um período frutoso, que mostrou grandeza e sentido de Estado, como se houvesse, de facto, um País digno, a opor-se, pela voz dos seus representantes eleitos, a um País sórdido, o do nosso dia a dia, representado pelos caciques de Vilar de Maçada, as medíocres Ineses de Medeiros, o Cara de Folar do Francisco Assis, os estertores alcoólicos de Manuel Alegre, as iras da Carrilha, os tiques senis de Cavaco Silva, as vergonhas da Maria, a impunidade de Paulo Pedroso, e o crime sem castigo de Vítor Constâncio, entre outros.


 Foi bom, agradável, bonito, e mostrou que poderíamos ser infinitamente mais felizes, se nunca houvesse Governo.

Não me atrevo a pressagiar o que vem aí. Passos Coelho não tem uma única ideia, e nisso é primo de Sócrates, mas talvez seja disso que a populaça precisa: a Lisboa dos bairros sociais, que bem conheço pela minha empregada, deve estar, a esta hora, a alimentar fantasias sexuais com o novo galã laranja, que, coitado, tremia que nem varas verdes, perante um estranho papel histórico, que lhe coube em sorte.

Suponho que não possa existir pior sensação para um político do que ter "ganho por acaso", que é, mais coisa, menos coisa, o que aconteceu esta noite.

O lado épico da questão pode começar amanhã, e a História está cheia de Alexandres, de Maomés II e de jovens políticos que, num momento imprevisto, viraram o curso das coisas, e nada exclui que Passos Coelho seja um desses, que, por pura inexperiência e voluntarismo, consiga dar um pontapé neste insuportável estado de coisas.


Pela minha parte, cidadão português, vítima do caciquismo do Largo do Rato, farto de ser vexado por lobbies maçónicos, pedófilos, por vigaristas que usaram o dinheiro dos meus impostos para enriquecer, para pagar BPNs e BPPs, por magistrados que puseram os tribunais ao serviço de mafias descaradas, e inimputáveis, qualquer um que venha incendiar a floresta é muito bem vindo.

Isso é, todavia, um texto para o Futuro, e não para esta noite, em que eu vinha, tão só, melancolicamente recordar meio feliz ano de Democracia, Parlamentarismo e Grandes Oradores.

Um deles foi, sem dúvida, Manuela Ferreira Leite.


Minha cara, quero esquecer todos os seus muitos, e foram muitos, disparates do Passado, e agradecer-lhe, nesta noite de despedida, ter-nos mostrado a diferença entre um político de sarjeta, como Sócrates, e um Estadista, como a senhora soube ser.

Obrigado.

(Duo do adeus, no "Arrebenta-SOL" e em "The Braganza Mothers" )
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domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Belo... em duas rodas (Yamaha Teneré 2010)

Esplêndido video sobre o lançamento da Super-Téneré 2010.  Vale a pena vê-lo em écran total e com o volume de som no máximo!



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O Belo... em duas rodas (BMW 1200 GS)

Extraordinária Curta-Metragem, de rara beleza!  O melhor que vi até hoje sobre o tema das duas rodas!  Rodado em HD, vale a pena vê-lo em écran total e com o volume de som no máximo!


Around the world

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O fim da linha...


O Jornal de Notícias não publica hoje (1/2/2010) a habitual crónica de Mário Crespo. O texto de opinião aborda um encontro, onde Crespo foi referido por membros do Governo como um «problema» que tinha de ter «solução».

Claro que era só uma questão de tempo... até o Mário Crespo ser corrido do Jornal de Notícias!
Há quem conviva muito mal com a liberdade em geral e a de expressão em particular!
Eis a crónica... que não chegou a sê-lo:







O Fim da Linha
26/01/2010. Dia de Orçamento.

"O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.
Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”.
Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.
Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.
Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”.

É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.
Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.
Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”.

Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.
Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.
O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.
O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.
Foi-se o “problema” que era o Director do Público.
Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.

Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada."

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.
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Roto... por todos os lados!

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Num país que está ROTO POR TODOS OS LADOS, já não havia mais nenhuma URGÊNCIA para tratar a não ser a Lei dos casamentos homossexuais!!!...

Urgente, necessária e oportuna, ou... SIMPLES PROVOCAÇÃO?

O melhor mesmo é tentar amenizar este meu espírito de "lutador das causas perdidas", anunciando-vos que acaba de ser criado mais um "Movimento" das mulheres.

Irritadas com a aprovação desta lei e com o facto de cada vez existirem mais gays, as mulheres portuguesas finalmente foram à luta e lançaram uma campanha com a distribuição em massa desta T-shirt:



Apressem-se a fazer as encomendas... ou ela vai esgotar-se!...

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Os orgasmos da Clara...





As portas do Centro Cultural de Cascais abriram-se no dia 08-01-2010 para revelar uma exposição 'única'. Fotografada pelo seu companheiro, Pedro Palma, a bióloga e professora universitária, Clara Pinto Correia, dá a cara pelos orgasmos retratados nas dez fotografias que constituem a mostra ‘Sexpressions’!

De facto, este foi um dia histórico para Portugal: - Clara Pinto Correia, a diva escultural, a escritora talentosa, a investigadora que plagia, como ninguém, artigos de outras revistas, a vice-reitora de uma pseudo-universidade portuguesa, foi para Cascais expor os seus tão belos quanto execráveis orgasmos.

Para dar a saborear a profundidade de toda a sua estética e aquela sua profunda sensualidade aos homens machos deste país e às mulheres que ainda não sabem fingir decentemente um orgasmo, ela decidiu expor o ridículo da sua pessoa em suporte fotográfico.

Tudo isto seria patético e hilariante, se não fosse real. Porque ela está convencida que aquilo é Arte. Porque ela está convencida que ficámos todos com água na boca, ansiosos à espera de uma segunda série! E o hilariante vira vómito!...


Pena que o Centro Cultural de Cascais se tenha esquecido de sonorizar as fotos, porque, como fundo musical da exposição, ficaria a matar uma banda permanente com o ruído de uma manada de hipopótamos, quando acasalam nas águas lamacentas e cheias de bosta de um qualquer lago africano, ou, talvez... os latidos de uma matilha de cadelas com o cio, num qualquer canil municipal.

Num país que já perdeu a vergonha e onde os valores morais foram espezinhados, cedendo o lugar ao execrável e aos conceitos de baixo nível a partir das cúpulas, já tudo é permitido. Até mesmo uma exposição dos grotescos orgasmos da Clara!

As "amplas liberdades" de agora, tomadas assim à letra, sem filtros estéticos, sem critérios de qualidade, sem quaisquer sentidos de maturidade e de bom senso, resultam neste cocktail promíscuo da mediocridade actual de toda a nossa sociedade.

A Cultura, a Decência e o Bom Senso desta Nação precisam, com urgência, de ser violentamente reabilitados.


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O Palhaço!






 (in JN - 2009-12-14 )

O Palhaço!...    

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.

E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.

Ou nós, ou o palhaço. 

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Fresquinho... para o verão !

Making of BAGUS MOVIE - Indonesia from Ne3ko - Claps on Vimeo.


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Um povo imbecilizado e resignado...



Decorria o ano de 1896, catorze anos antes da Implantação da República, que Guerra Junqueiro escreveu o livro “Pátria”. Uma das suas obras mais polémicas e que é um ataque à dinastia de Bragança, na figura de D. Carlos:

«O estado é o rei. Cidadão há um único: D. Carlos. Os deveres são nossos, os direitos, dele. (...) A justiça é um relógio que ele atrasa, adianta ou faz parar, segundo lhe dá na vontade. Decreta a lei e nomeia o juiz. O parlamento é o seu capricho.»

«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.»

«Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.»

«Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; (...) A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.»

«Liberdade absoluta, neutralizada por uma desigualdade revoltante, o direito garantido virtualmente na lei, posto, de facto, à mercê dum compadrio de batoteiros, sendo vedado, ainda aos mais orgulhosos e mais fortes, abrir caminho nesta porcaria, sem recorrer à influência tirânica e degradante de qualquer dos bandos partidários;»

Tudo isto escreveu Guerra Junqueiro um século atrás... no apodrecer da Monarquia e no dealbar de uma República em que todos depositavam as melhores esperanças.
Haveria de ser por este estado de coisas que, catorze anos mais tarde, se haveria de implantar a República, tal era o descontentamento geral do povo e dos políticos, dos intelectuais e dos militares.
Mas... tal estado de coisas nunca se alterou com a implantação da República! Antes se agravou até ao que dele conhecemos hoje.

Hoje, tal como há um século atrás, nada se alterou, nem o povo nem os políticos. Principalmente estes!
Eça de Queiroz haveria de escrever mais tarde: -"Os políticos e as fraldas devem ser mudados com frequência, e pela mesma razão!"
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Vem, "amigo" BERLUSCONI...

Vem, "amigo" BERLUSCONI... quando os média, os tribunais, os políticos e a opinião pública, aí em Itália, não te largarem o pé... quando todos aí te quiserem fazer a vida negra, vem... vem para aqui limpar o teu cadastro, que ISTO AQUI é um Paraíso!!!

Poderás continuar a ser tu próprio... podes continuar a fazer tudo o que te der na real gana... e tudo o mais que tu possas vir a imaginar... que aqui terás um permanente acolhimento de 5 estrelas... com direito a toda a Impunidade!!!...
E até, com um pouquinho de sorte, te poderás candidatar a uma condecoração, quiçá mesmo... até a um avental !...

Vem... que este país está preparado para te acolher de braços abertos! Aqui... serás apenas "mais um"... grande!
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Portugal é um país geométrico!...

É rectangular, e tem problemas bicudos discutidos em mesas redondas por bestas quadradas!

A diferença entre Portugal e a República Checa, é que esta tem o governo em Praga, e Portugal tem a praga no governo!

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O Princípio de Peter ou... a tartaruga em cima do poste!

(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre)

O Princípio de Peter, em Administração, pode ser resumido no enunciado:

"Num sistema hierárquico, todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência." (no original, em língua inglesa, 'In a hierarchy, every employee tends to rise to his level of incompetence').

Histórico:
Formulado por Laurence Johnston Peter (1919–1990), antigo professor na University of Southern California e na University of British Columbia, o Princípio de Peter tornou-se famoso com a publicação da obra homónima, de 1969, hoje considerada como um clássico na área da gestão empresarial.

O Princípio:
Segundo o autor, nas organizações burocráticas, hierarquicamente estruturadas, os funcionários tendem a ser promovidos até ao seu "nível de incompetência".

Através de várias observações e exemplos, o autor demonstra que os funcionários começam a trabalhar nas posições hierarquicamente inferiores. Quando, porém, demonstram competência nas tarefas desempenhadas, por via de regra são promovidos para graus superiores. Esse processo mantém-se, até que esses funcionários atinjam uma posição em que já não mais são "competentes", isto é, capazes de desenvolver a contento as tarefas.

Como a "despromoção" não é um mecanismo habitual, as pessoas permanecem nessas posições, em prejuízo da organização a que pertencem. A isto Peter denomina de "nível de incompetência" - o grau a partir do qual as pessoas não têm competência para a posição que ocupam.
As Hierarquias são como as prateleiras… Quanto mais altas mais ineficazes se tornam….


Por isso mesmo este país está recheado de "Tartarugas em Cima dos Postes":

- a gente não entende como ela chegou lá;
- a gente não acredita que ela esteja lá;
- a gente sabe que ela não subiu para lá sozinha;
- a gente sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;
- a gente sabe que ela não vai conseguir fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;
- a gente sabe que tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá!

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Os Ovinhos...


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Estava eu a ver TV numa tarde de domingo, naquele horário em que não se pode inventar nada para fazer, pois no outro dia é segunda-feira, quando a minha esposa se deitou ao meu lado e começou a brincar com minhas 'partes'.
Após alguns minutos ela teve a seguinte ideia:
- Por que é que não me deixas depilar os teus 'ovinhos', pois assim eu poderia fazer 'outras coisas' com eles.
Aquela frase foi igual a um sino na minha cabeça. Por alguns segundos imaginei o que seriam 'outras coisas'. Respondi que não, que doeria coisa e tal, mas ela veio com argumentos sobre as novas técnicas de depilação e eu a imaginar as 'outras coisas', não tive argumentos para negar e concordei.


Ela pediu-me que me pusesse nu enquanto ia buscar os equipamentos necessários para tal feito. Fiquei a ver TV, porém a minha imaginação vagueava pelas novas sensações que sentiria e só despertei quando ouvi o beep do microondas.

Ela voltou ao quarto com um pote de cera, uma espátula e alguns pedaços de plástico. Achei estranhos aqueles equipamentos, mas ela estava com um ar de 'dona da situação' que deixaria qualquer médico urologista sentir-se um principiante.

Fiquei tranquilo e autorizei o restante processo. Pediu-me para que eu ficasse numa posição de quase-frango-assado e libertasse o aceso à zona do tomatal.


Pegou nos meus ovinhos como quem pega em duas bolinhas de porcelana e começou a espalhar a cera morna. Achei aquela sensação maravilhosa! O Sr. 'tolas' já estava todo 'pimpão' como quem diz: 'Sou o próximo da fila!'

Pelo início, imaginei quais seriam as 'outras coisas' que aí viriam. Após estarem completamente besuntados de cera, ela embrulhou-os no plástico com tanto cuidado que eu achei que ia levá-los de viagem. Tentei imaginar onde é que ela teria aprendido essa técnica de prazer: Na Tailândia, na China ou pela Internet?

Porém, alguns segundos depois ela esticou o 'saquinho' para um lado e deu um puxão repentino. Todas as novas sensações foram trocadas por um sonoro ' A PUUUUTA QUEEEE TE PARIUUUUUUU', quase gritado letra por letra.

Olhei para o plástico para ver se a pele do meu tin-tin não tinha vindo agarrada. Ela disse-me que ainda restavam alguns pelinhos, e que precisava repetir o processo. Respondi prontamente: Se depender de mim eles vão ficar aí para a eternidade!

Segurei o Sr. Esquerdo e o Sr. Direito nas minhas respectivas mãos, como quem segura os últimos ovos da mais bela ave amazónica em extinção, e fui para a banheira. Sentia o coração bater nas 'pendurezas'.

Abri o chuveiro e foi a primeira vez na minha vida que molhei a salada antes de molhar a cabeça. Passei alguns minutos deixando a água gelada escorrer pelo meu corpo. Saí do banho, mas nestes momentos de dor qualquer homem se torna num bebezinho: faz merda atrás de merda. Peguei no meu gel pós barba com camomila 'que acalma a pele', besuntei as mãos e passei nos 'tomates'.


Foi como se tivesse passado molho de piri-piri. Sentei-me no bidé na posição de 'lavagem checa' e deixei a água acalmar os ditos. Peguei na toalha de rosto e abanei os 'ditos' como quem abana um pugilista após o 10° round.

Olhei para meu 'júnior', coitado, tão alegrezinho uns minutos atrás, e agora estava tão pequeno que mais parecia o irmão gémeo de meu umbigo.

Nesse momento a minha esposa bate à porta da casa de banho e perguntou-me se eu estava bem. Aquela voz antes tão aveludada e sedutora ficou igual a uma gralha. Saí da casa de banho e voltei para o quarto. Ela argumentava que os pentelhos tinham saído pelas raízes, que demorariam a voltar a crescer. Pela espessura da pele do meu tin-tin, aqui não vai nascer nem sequer uma penugem, disse-lhe.


Ela pediu-me para ver como estavam. Eu disse-lhe para olhar mas com meio metro de intervalo e sem tocar em nada, acrescentando que se lhe der para rir ainda vai levar PORRADA!!

Vesti a t-shirt e fui dormir, sem cuecas. Naquele momento sexo para mim nem para perpetuar a espécie humana.

No outro dia de manhã, arranjei-me para ir trabalhar. Os 'ovos' estavam mais calmos, porém mais vermelhos que tomates maduros. Foi estranho sentir o vento bater em lugares nunca d'antes soprados.

Tentei vestir as boxers, mas nada feito. Procurei algumas mais macias e nada. Vesti as calças mais largas que tenho e fui trabalhar sem nada por baixo.

Entrei na minha secção com uma andar igual ao de um cowboy cagado. Disse bom dia a todos, mas sem os olhar nos olhos, e passei o dia inteiro trabalhando de pé, com receio de encostar os tomates maduros em qualquer superfície.

Resultado, certas coisas só devem ser feitas pelas mulheres. Não adianta nada tentar misturar os universos masculino e feminino.


(Autor desconhecido)


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