domingo, 18 de fevereiro de 2018

Do que não tem solução, fica apenas a recordação ! - AGRADÁVEL ou PESADELO ?...






Na verdade, o que não tem solução vira mera recordação!   Por vezes, uma péssima e traumatizante recordação!


Dependendo das situações vividas,  as recordações tanto podem ser belas e agradáveis como detestáveis e violentas.  Podem transformar-se em nostalgia e saudade que se recordam com alegria e prazer, ou transformarem-se num trauma psicológico permanente para o resto da vida.  Ou ainda "em ambas".  Pelas suas características penosamente peculiares, situações há que produzem simultaneamente estes dois comportamentos opostos.


Simultaneamente e num curto espaço de tempo podem acontecer os melhores e os piores momentos da nossa vida, quase sem  passagens intermédias mas que deixam fortíssimas e duradouras marcas traumáticas.  

É inacreditável como pode uma pessoa deixar em outra a sensação do cheiro de uma rosa perfumada em simultâneo com o odor pestilento de um cadáver em decomposição?
Como pode  uma pessoa deixar em outra a recordação do "paraíso" em simultâneo com o mais "horrendo e maquiavélico pesadelo"  do qual se não acorda jamais!   

Como podem coexistir estes dois sentimentos relativamente a uma mesma pessoa?  Porque não é possível encontrar pontos em comum entre estas duas personagens, que entretanto coexistem na mesma pessoa? Porque esta mesma pessoa carrega em si toda a "perfídia" que o seu sinuoso e obscuro percurso de vida  lhe permitiu acumular, fazendo uso pleno e cruel dessa "perfídia" dum modo arbitrário, sempre e quando assim o decide, qual veneno mortal injectado por cobra venenosa!
É triste e traumatizante assistir assim à transformação, lenta mas gradual, daquela/e que um dia fora um anjo de falinhas doces e ternurentas numa inqualificável "megêra" que tudo destrói à sua volta numa atitude continuada e sem regresso!

É o que pode acontecer, por exemplo, entre os dois elementos de um casal que inicia uma relação de uma “promissora" (se não mesmo "fictícia”) paixão que,  aparentemente tudo tendo para dar certo,  um belo dia (e sem que nada o fizesse prever e sem qualquer explicação), um dos intervenientes, ou por doença mental inicialmente não perceptível pelo parceiro ou por um transtorno de personalidade não declarado ou não claramente detectado, decide virar tudo do avesso. 


Tudo o que até aí “era”, passa muito rapidamente a "deixar de ser".  Tudo o que indiciava serem as duas metades da mesma laranja, torna-se quase bruscamente metade laranja e metade limão sem qualquer encaixe possível.  Aqueles iniciais "mesmos gostos comuns" passam a ser completamente antagónicos e irreconciliáveis.   Às vezes mesmo insuportáveis.

Todas aquelas promessas e juras de amor, bem como todo o capital sentimental até aí acumulados são destruídos e atirados literalmente para o lixo por um dos elementos,  como coisa indesejável e como se de um trapo velho se tratasse.  É o verdadeiro comportamento do camaleão social,  muda de opinião ou de prática conforme o interesse próprio do momento.


E tudo isto é feito conscientemente, em pleno uso das suas capacidades e faculdades mentais.  Na grande maioria dos casos sem uma explicação ou um verdadeiro motivo válido – apenas porque lhe deu na cabeça, ou simplesmente apenas porque sim.  Ou, pior ainda, porque se arrependeu e já está “noutra”, não lhe importando minimamente os sentimentos do outro nem tudo aquilo que lhe possa acontecer.  Muda de paixão com a mesma facilidade de quem muda de camisa.  Os seus desejos e promessas duram pouco mais do que o tempo de os manifestar.  Passados que são aqueles momentos de paixão iniciais, tudo muda e parte para outra!

Mas isso é coisa que lhe não importa nem é capaz de reflectir sobre isso.  Simplesmente porque não lhe interessa.  No seu "interior" reina um completo e total vazio de sentimentos, embora queira parecer o contrário, embora simule o contrário a todo o momento e perante as pessoas que a rodeiam.  Todos aqueles iniciais "adoráveis sentimentos e emoções" que demonstra para com o parceiro (principalmente perante terceiros) são tudo menos genuínos, mas apenas e totalmente suscitados pela imitação representada (por vezes até mesmo exagerada) dos "bons" sentimentos que tenta copiar dos outros, tentando dar-lhes assim credibilidade para que pareçam seus e "genuínos" aos olhos dos outros.

Toda a sua vida e o seu comportamento não passam, afinal, de uma perfeita e bem arquitectada "farsa", muito bem encenada para que se torne credível, mas são totalmente falsos todos aqueles "bons sentimentos" que demonstra e pratica.  
O seu principal lema da vida (e que segue à risca) é: - "Sempre em frente, sem nunca olhar para trás!"  Aconteça o que acontecer, sofra quem sofrer!
  
São verdadeiros lobos disfarçados de cordeiros, autênticos camaleões sociais que atacam com toda a crueldade quando menos se espera.  Farsantes bem conseguidos mas perfeitamente integrados na sociedade sabendo bem esconder a sua "verdadeira identidade", eles/elas são um verdadeiro pesadelo humano para quem com eles convive!   Fora de um número muito restrito de pessoas que já os conhece pela convivência, eles conseguem fingir e enganar tudo e todos com toda a perfeição e dislate.  

A menos que se tenha introduzido pelo meio um “terceiro elemento”, ou que alguém muito próximo lhe tenha “feito a cabeça”, regra geral isto acontece frequentemente em pessoas com reais e (muitas vezes) perigosos transtornos de personalidade - os sociopatas.   
E esta condição é transversal a todos os extractos sociais e profissões - os PSICOPATAS tanto podem ser médicos ou engenheiros como pedreiros ou motoristas.

E o mal maior de tudo isto é que estes transtornos de personalidade não são curáveis, já que tais transtornos não são uma doença mas antes uma condição (natural ou adquirida) da pessoa em causa.  São pessoas com alto grau de bipolaridade que passam, em muito pouco tempo, da situação de uma aparente paixão para a prática de verdadeiro terrorismo psicológico sobre o parceiro, perfeitamente conscientes do mal que causam ao outro e operando dum modo frio, cruel e calculista, sem qualquer escrúpulo e sem demonstrar qualquer sentimento de culpa ou de remorso.  

Não há mesmo nada a fazer, apenas tentar aproveitar a sua "fase boa" em que dão tudo (ou fingem que dão tudo) e depois deixá-los ir à sua vida, que não será mais do que replicar-se a si próprias, e pela vida fora, numa sucessão interminável de ciclos em tudo semelhantes (conquista/abandona, seduz/despreza, ama/odeia )  provocando sofrimento em todos aqueles ou aquelas  que for encontrando pela vida fora, mas sempre, sempre fingindo alegremente!   Sem nunca olhar para trás!  Sem nunca se "ver ao espelho"!  Aliás, narcisistas como são, o espelho só lhes diz que são eles/elas os/as melhores, os/as mais capazes, os/as mais superiores, os/as que têm sempre razão, enfim, os/as possuidoras da verdade suprema!
  
Simplesmente porque não possui qualquer filtro social, qualquer referencial ético, por isso tenta imitar paixões, inventando e fingindo magistralmente.  O essencial da sua vida baseia-se em FINGIR e SEDUZIR.  Finge amor, finge paixão, finge ternura, finge interesse mesmo por aquilo que não lhe interessa, finge tudo e a propósito de tudo apenas para obter aquilo que mais lhe interessar no momento.  Mas "FINGE" tão bem...  e com toda aquela maestria que os anos de prática e o apuramento da técnica lhe permitem!  

Passa a vida a fingir tudo e a seduzir todos e com tal perfeição que consegue passar "por entre os pingos da chuva" sem que seja detectada.  Como pessoa, e apesar de todos aqueles modos amorosos e ternurentos, ela não passa de um enorme EMBUSTE e de uma completa e refinada FRAUDE.  Somente alguém muito perspicaz (e só depois de uma convivência diária durante meses ou anos) é que consegue começar a juntar as suas incongruências e concluir o diagnóstico.  

Regra geral, para esse "alguém" já é TARDE DEMAIS! - Acabou de tornar-se já na última vítima dum/a psicopata (que quase ninguém conhece como tal), mas que o deixa dilacerado emocionalmente, por vezes até à beira do suicídio !


Inventará e inventar-se-á sob novas formas, tendencial e supostamente mais evoluídas à medida que for aprendendo, mas sempre no sentido de se insinuar perante os outros e de cativar a sua atenção para melhor satisfazer o seu próprio ego.  

Um Ego que não conhece limites nem fronteiras, chegando algumas a auto-convencer-se de que a sua origem e existência não são terrenas mas etéreas.  Chegam mesmo a considerar-se pessoas especiais e superiores com origens e poderes sobrenaturais, ou acreditando mesmo serem imortais, usando para isso um raciocínio completamente ilógico que só para eles faz sentido!  

Para quem fica, para quem (infeliz e incautamente) acabou por sofrer as consequências de uma vivência com tão doce e maravilhosa quanto nefasta e perigosa pessoa, a única coisa a fazer será afastar-se definitivamente (quantas vezes dolorosamente...) e fazer por esquecer a  existência de tão maléfica criatura.  

Ficar-lhe-ão apenas as boas e as más recordações de uma vivência marcada pela manipulação e pela bipolaridade dos sentimentos do outro e a esperança (se lhe restar tempo e coragem) de uma atenção redobrada no próximo encontro.  A determinação de nunca mais deixar de estar atento aos “indícios e sinais” deixados aqui e ali ao longo do tempo, ainda que indeléveis ou camuflados.  Porque "esta gente" acaba sempre por deixar "indícios e sinais" por onde passa, basta estar atento.   

Muitas vezes não é fácil nem simples, já que uma pessoa de boa fé normalmente entrega-se e não dá a devida importância a estes "sinais" e tende a minimizá-los.   Um enorme erro que pagará obrigatoriamente muito caro um dia mais tarde.


É de tal maneira "intenso" (por vezes mesmo cansativo), e requer um tal "empenhamento sentimental" a criação de uma nova relação a dois, que os contornos da sua criação e a sua manutenção não poderão ser nunca ser deixados ao acaso e sem tomar as máximas precauções.  E já só, e apenas, me refiro ao tremendo empenhamento sentimental de ambos, esquecendo propositadamente os custos patrimoniais e até físicos que tal acontecimento envolve quase sempre.

Porque, embora bastante prazeiroso e bastante compensador no decurso da criação daquela relação, o empenhamento e o enriquecimento sentimental, bem como a quantidade e a qualidade da criação daquele património sentimental que se vai acumulando ao longo do tempo, construído com todo o carinho diariamente, minuto a minuto, no progressivo conhecimento mútuo, pode tornar-se também na vivência, não só a mais importante mas também a mais extenuante, se não mesmo desgastante, que jamais nos acontece na vida. Apesar de tudo ela é sempre feita com gosto e prazer!

- Por isso é tão estúpido e cruel quando um dos elementos, embora sem motivo válido, explode com todo este trabalho árduo de longos meses ou anos!
- Por isso aquela tão grande sensação de "desperdício" quando um dos parceiros decide despejar tudo isto pela sanita, sem olhar para trás e sem remorso!
- Por isso aquela conclusão de que todo aquele empenhamento foi "em vão", de que tudo aquilo não passou de um grande  e doloroso equívoco, de que nada valeu a pena!
- Por isso nos fica para sempre gravado na alma e na memória aquela estranha e amarga sensação de ter andado tantos anos a atirar "pérolas a porcos"!  E a vida que é tão curta!...
- Por isso que todo o cuidado é pouco na hora de decidir se valerá mesmo a pena continuar com tal projecto.  Ou NÃO ! 

Assim, é essencial a observação destes "indícios", nunca minimizando a sua existência e antevendo sempre qual o seu reflexo e consequências numa futura vida em conjunto.

Se estivermos atentos e em alerta, será esta observação e a valorização destes “indícios” que nos revelará aquilo em que se poderá tornar (se é que já não é) a pessoa que temos pela frente e com quem pensamos "juntar os trapinhos".  


Todo o cuidado é pouco, se quisermos evitar um inevitável sofrimento futuro, enfrentando um processo traumático para o resto da vida!



9 comentários:

Rodrigues disse...

Concordo. É mesmo assim, Milan. Infelizmente.

José disse...

No início é só amor e lambidelas. Mal caímos na ratoeira começam logo a aparecer os podres. Reclamam e queixam-se por tudo e por nada.

Que quer, a vida é assim, mal com elas pior sem elas. Mas tem toda a razão, delas tudo se espera e é como diz: de início os indícios estão lá todos, a gente é que não quer vê-los. Atiramo-nos de olhos fechados feitos tolos e depois sofremos as consequências.

Cumprimentos

Sílvio disse...

Duma maneira ou doutra todos caímos na armadilha, sejam elas mais assim ou mais assado. Nem são todas iguais nem trazem livro de instruções, logo todas as relações acabam por ser um mergulho no escuro. A maior parte cai de cabeça e parte-se todo, alguns têm a sorte de cair de pé. Mas são raros estes casos. E depois da asneira feita, ou aguenta tudo e vai "comendo vivos todos os sapos", ou sai fora e parte para outra (que às vezes até consegue ser pior que a anterior). É o grande euromilhões da vida: ou se acerta ou sai furado e só dá trabalho e despesa.

Um abraço

Milan Kem-Dera disse...

Todas "diferentes" e, todavia, todas "iguais"!

Dinis Silva disse...

Milan, a propósito do seu post, retirei este texto de qualquer lado que já não me recordo:

O NARCISISMO

O narcisismo é uma “perturbação de personalidade, com valor clínico e compromissos para o normal e adequado funcionamento do indivíduo
À primeira vista, é relativamente fácil gostar de um narcisista. São pessoas sedutoras e atraentes, com carisma e que se mostram extrovertidos, auto-confiantes e determinados — “na aparência”. Quando estabelecem um objetivo são muito persuasivos pelo que, se estiverem interessados em se relacionarem com alguém, para sua própria gratificação, farão com que essa pessoa se sinta especial e desejada.
Os problemas surgem a seguir. Namorar (ou viver) com um narcisista é entrar numa montanha-russa de emoções, que de um modo geral termina rápido e mal. Alguém com uma personalidade narcisista tende a estabelecer relações de curta duração e superficiais, sempre focadas nos seus ganhos pessoais. Quem tem uma relação com uma pessoa com esta patologia acaba por investir tudo (e sozinho) na relação, e só se apercebe verdadeiramente disso quando acaba.

As 10 características de um narcisista

Segundo a psicóloga Rita Fonseca de Castro , os principais traços de personalidade de um narcisista podem resumir-se em 10 características:

1. Os narcisistas são pessoas muito ambiciosas, que se sentem superiores/especiais e merecedoras de direitos também eles especiais e tratamento diferencial, com grande dificuldade ou mesmo incapacidade em compreender o ponto de vista dos outros.

2. Definem os seus objetivos em função dos ganhos que vão obter dos outros;

3. São pessoas competitivas, sempre à procura de um lugar de destaque e com baixa resistência à frustração. É muito difícil que alguém atinja as expectativas de um narcisista;

4. Ao contrário do que possa parecer, a sua autoestima é frágil, variável e vulnerável, motivo pelo qual procuram validação e aprovação externas permanentes;

5. A grandiosidade (em fantasia ou comportamento), a autocentração, a crença de que são melhores do que os outros e que só alguém igualmente superior ou “especial” os poderá compreender, tratando os outros – “inferiores” – com condescendência ou desdém;

6. São pessoas que se esforçam demasiado para serem admiradas, serem o foco da atenção e atrair os outros. Exageram ao falar sobre as suas conquistas, esperam reconhecimento mesmo quando tal não se justifica aos olhos dos outros;

7. Estabelecem padrões irrealistas e não costumam ter consciência das suas próprias motivações;
8. A nível da empatia, têm muita dificuldade em reconhecer ou identificar as necessidades ou sentimentos dos outros; são excessivamente atentos às reacções dos outros, mas apenas se estas forem relevantes para eles; sobre ou subvalorizam o efeito que têm nos outros;
9. A nível da intimidade, as relações são maioritariamente superficiais e existem para regular os níveis de autoestima; existe muito pouco interesse genuíno nas experiências dos outros;

10. No contacto interpessoal, são pessoas que adoptam uma postura arrogante, soberba, insolente e crítica, permanecendo centradas nos seus pontos de vista.

Os narcisistas não querem saber o que os outros pensam, nem nunca vão assumir que estão errados. Sentir remorsos também é algo que nunca irá acontecer. Isso pode ser exacerbado ao ponto de violarem as regras de conduta — “Consideram-se excepcionais e, por isso, podem ser a excepção também no cumprimento das normas”, explica Rita Fonseca de Castro.

Mudar comportamentos também é muito difícil. Na verdade, o desejo de mudança simplesmente não existe — eles não conseguem conceber que os seus comportamentos são errados. Assim sendo, porque é que haveriam de mudar?

(continua…)

Dinis Silva disse...

(continuação)

È possível manter uma relação com um narcisista?

Não é difícil gostar de um narcisista. Eles são apaixonantes, e se delinearem como objetivo ter determinado parceiro, não vão desistir até conseguir. O problema é que também perdem o interesse rapidamente. As suas relações são fugazes e superficiais, focadas única e exclusivamente nas suas necessidades e ganhos pessoais.
“Para estar numa relação com alguém com este tipo de funcionamento é preciso estar disposto a abdicar da expressão e satisfação das suas necessidades, desejos, opiniões, que serão na sua grande maioria ignoradas ou desvalorizadas.”
Aceitar ter uma relação com um narcisista é também aceitar que irá dar muito mais de si do que alguma vez irá receber. Isto porque eles não investem emocionalmente no “nós”, continua a especialista.
Então como é que é possível manter uma relação com um narcisista? Em primeiro lugar, quanto melhor se conhecerem as características deste tipo de personalidade, mais fácil será fazer ajustamentos de expectativas e comportamentos.

Os narcisistas também se podem apaixonar?

“Esta é uma questão de difícil resposta, se considerarmos que um narcisista se encontra num estado de permanente paixão por si próprio.” É claro que isto não é um amor real, uma vez que até se verificam défices de autoestima, mas devido à patologia é assim que se sente. Sendo incapaz de descentrar-se desse estado de paixão por si próprio, torna-se complicado entregar-se a outra pessoa, sublinha Rita Fonseca de Castro.

Mas pode fazê-lo. Ou melhor, ele pode sentir-se apaixonado, ou achar que está apaixonado, no entanto as suas motivações nunca serão verdadeiramente altruístas. Voltamos ao mesmo: ele está mais motivado nos ganhos que aquela relação representa para si do que propriamente com o outro.

Como ultrapassar uma relação com um narcisista

Segundo a experiência da psicóloga Rita Fonseca de Castro, o fim da relação é vivido com grande frustração pelos pacientes. Sobretudo quando tomam consciência de que passaram o tempo todo a anular-se em função do outro.
“Em regra, existem grandes défices de autoestima e sentimentos de inferioridade — que lhes foram sendo incutidos de forma mais, ou menos, manipulatória.”

Além disso, e tendo em conta que o narcisista tende a iniciar uma nova relação rapidamente, têm mais dificuldade em compreender o que se passou. Como é que eles podem estar a namorar novamente quando eu ainda estou num processo de luto e sofrimento?, perguntam-se.
Entrar numa nova relação também é extremamente assustador. “Têm receio de voltar a relacionar-se com alguém e que, à primeira vista, não consigam detetar que as características aparentemente atraentes possam ser indiciadoras de um nível de funcionamento patológico.”
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Caro amigo, isto terá muito a ver com o que diz no su post, estou certo!

Um abraço

Milan Kem-Dera disse...

Pois é como diz, caro Dinis. Tem tudo, mas mesmo tudo a ver!

O Narcisismo é uma das características mais fortes dos Psicopatas. É ele que está na base destes transtornos de personalidade incuráveis que aqui tenho exposto.

Obrigado

José disse...

Milan, eis outro artigo que encontrei sobre o assunto:

A vítima de um relacionamento amoroso com uma psicopata ouve SEMPRE: -“Esquece, vira a página, perdoa, não vale a pena guardar mágoas, vive a tua vida”, isto porque as pessoas não fazem a mínima ideia do que seja uma relação amorosa com uma psicopata, muito menos o que seja o seu términus.

O facto é que esse términus jamais ocorre. O que ocorre é uma drástica, incompreensível, absurda e horrenda viragem nos acontecimentos.

Num relacionamento amoroso normal, as pessoas podem brigar, e desabafar um no outro a sua raiva e frustrações. Ou então, chegando à conclusão de que não há mais condição de conviver, separam-se, cada um cada um para seu lado.

Com uma psicopata não existe términus. Existe pesadelo. Um pesadelo que lentamente vai substituindo a empolgação inicial, aquele perfeito caso de amor, o casal perfeito, a história de amor dos contos de fadas tornada realidade, a paixão que elevou o parceiro ao sétimo céu, jamais vivida antes e que jamais será vivida de novo.

E esse pesadelo instala-se na vida do parceiro amoroso vitimizado, cobrindo tudo com um manto cinzento, tapando o sol, murchando as flores e espalhando o fétido odor de um conto de terror.

Esse pesadelo é inconcebível para a grande maioria das pessoas que desconhecem estes casos. Quando a vítima tenta contar, explicar, nem há palavras para tanto. E as pessoas olham para a vítima, comiseradas, (coitada, está magoada, desequilibrada), não é à toa que foi abandonada por aquela pessoa maravilhosa…

Este pesadelo compõe-se de incongruências, tortura psicológica, mentiras, falsidades, síndrome de Estocolmo, roubo de autoconfiança e de autoestima e, principalmente, de um pedaço da alma da vítima.

Este pesadelo compõe-se da síndrome pós-traumática semelhante a estupro e a sequestro combinados. E acrescente-se ainda vampirismo energético, psicológico e emocional. E acrescente-se ainda a campanha de difamação da vítima perpetrada pela agressora.

O términus não ocorre porque o psicopata não sente a menor responsabilidade em resolver pendências. Contanto que ela é que se apresente como vítima, virando a história do avesso, divulgando a torto e a direito como ela é que foi prejudicada pela vítima, embora ela já esteja imediatamente com o parceiro amoroso seguinte, pois parasita não fica sem hospedeiro para se alimentar.

E o pedaço da alma que ela roubou à verdadeira vítima, não devolverá jamais. Este terá que extirpar a necrose que se instalou e construir gota a gota aquele pedaço novamente.

A vítima fica com um cesto cheio de episódios que não fazem lógica, que desafiam o senso comum, que não combinam com a realidade, misturados com espinhos, cobras e escorpiões no meio dos bilhetes de amor, das flores, dos elogios que elevaram o parceiro ao paraíso, aos presentes, às marcas da paixão no seu corpo e na sua alma.

Porque só a vítima amou. O outro fingiu o tempo todo.

O processo de cura exige um longo e penoso caminho rumo à sanidade física, psíquica e mental. E esta cura parece que sempre será relativa. Basta um pequeno abanão no inconsciente para que a ferida sangre novamente. Anos e anos depois…

Aprende-se a conviver com esta ferida na esperança de que com o tempo ela acabe cicatrizando. Não há outro remédio.

A separação de uma psicopata não é separação. É um pesadelo que pode voltar a assombrar os seus sonhos quando menos se espera.

Júlia Bárány

Milan Kem-Dera disse...

José:

Este texto é bastante redutor, já que uma psicopata numa relação conjugal é mais, muito mais e pior do que este texto refere.

Ele não retrata toda a extensão da MALVADEZ, da CRUELDADE, da MANIPULAÇÃO PSICOLÓGICA, da PREPOTÊNCIA, da MENTIRA e da FRAUDE MORAL que aquele ser que tão bem finge ser adorável e ternurento é capaz, nunca mostrando qualquer sentimento de arrependimento, de culpa ou de remorso. Não chegam as palavras para definir fielmente o comportamento de uma psicopata numa relação conjugal. A palavra mais próxima é PESADELO MONSTRUOSO!

Para aquele ser "tão encantador e frágil" (no início), não existem filtros familiares ou sociais - é capaz de TUDO (mas mesmo TUDO) para obter os seus fins, sejam eles quais forem. Para tal "encantadora" pessoa não existem barreiras que a detenham, já que o seu nível de consciência é ZERO, como é ZERO a sua capacidade de auto-análise, de auto-reflexão e de humildade.

Incapaz de nutrir qualquer espécie de sentimento nobre por alguém, ela segue sempre em frente sem olhar para os lados ou para trás, e o seu enorme e desmesurado EGO não a deixa ver mais nada a não ser a si própria, mais ninguém interessa.
Sentimentos como humanidade, humildade ou piedade passam-lhe completamente ao lado. A única coisa em que é exímia é em “FINGIR”. Finge que ama como ninguém, finge que é uma pessoa doce e terna, finge que está interessada nos problemas dos outros, finge ser um anjo descido à Terra para ajudar, adora que a elogiem e a tomem por “divindade”.

Enfim, finge por tudo e por nada mas lá bem no fundo é um vulcão sempre pronto a explodir. E só vê e só se apaixona (ou finge…) pela pessoa ou pela coisa que em cada momento lhe interessar, para logo a seguir a desprezar e esquecer definitivamente.
Aquela mulher "sedutora e maravilhosa", transfigura-se muito rapidamente em verdadeiro "demónio de saias", intragável e intratável, do qual urge fugir rapidamente. Assim o parceiro se desse conta…

Todavia, o parceiro de boa fé se apaixona verdadeiramente, e essa será a sua grande desilusão e a sua maior desgraça, transformando-se, sem se dar conta, em vítima da brutal e impiedosa predadora!

Mas este mesmo assunto está exaustivamente tratado no "post" anterior, juntamente com todos os comentários.

Cumprimentos.