domingo, 17 de abril de 2011

Momento de... raiva! - Trova do tempo que passa!

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Trova do tempo que passa


Pergunto ao tempo que passa
se há quem governe o País!
E o tempo mostra a desgraça
que o Governo logo desdiz!
Pergunto aos “boys” que levam
a massa nas algibeiras,
e os “boys” ao roubo se entregam
- levam tudo, sem maneiras!
Roubam sonhos, geram mágoas,
ai pobre do meu País,
mergulhado em turvas águas,
seu fim está por um triz.
Quem o pobre Povo esfola
pede meças a quem diz
que um País que pede esmola
continua a ser feliz!...

Pergunto à fome que grassa
por quem lhe roubou o pão;
Logo os golpes de trapaça
dá como sendo a razão.
Vi florir grandes fortunas
com os montantes roubados,
sem terem, como oportunas,
punições para os culpados!

E o tempo não muda nada!
Ninguém faz nada de novo!
Vejo a pátria acabrunhada
com a cruz que leva o Povo!

Vejo a Pátria na voragem
dos que andam a roubar,
cobertos p’la sacanagem
dos que dizem governar!
Vejo gente a partir
em busca doutras paragens.
Que lhe possam garantir
a vida, com outras margens!
Há quem te queira enganada,
ó Pátria do desalento,
e fale por ti, coitada,
entregue estás a um jumento!
E o tempo, em derrocada,
num ruído cacofónico,
vai aumentando a parada
de delírio histriónico!

Ninguém faz nada de novo
e o dinheiro vai fugindo.
Nas mãos vazias do Povo
fica a miséria florindo!
E a noite torna-se densa
de fantasmas e desdita.
Peço notícias ao tempo
e ele só nos mortifica.
Há sempre uma alcateia
que agudiza  a desgraça,
há sempre alguém que semeia
injustiça e só trapaça!

Neste tempo de trapaça
com personagens tão vis,
só mesmo com arruaça
p’ra lhes partir o nariz!

Mesmo na noite mais triste,
em tempo de podridão,
Sócrates ainda resiste
com a lábia de aldrabão!...

("Manuel Triste")


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